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Antologia da APP – Associação Portuguesa de Poetas (II)

por Francisco Carita Mata, em 08.12.16

“A Nossa ANTOLOGIA

XX Volume - 2016

(57 Autores)

Editor: Euedito

 

Solar Zagallos Foto original DAPL 2015.jpg

 

Introdução:

Conforme prometido, divulgo, no blogue, um segundo conjunto de poesias.

Autoria de:

- António José da Silva, António Pais da Rosa, António Teles, Aurélio Tavares.

 

*******

ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

 

“POEMA DUM DIA AUSENTE”

 

“Hoje não te vi, nem li, nem ouvi…

Vi o teu corpo como se fosses pedra,

esculpida no colo do meu poema.

 

Ontem, falámos muito… Deixaste-me letras que só nós

sabíamos,

Decifrámos palavras que só nós entendíamos!

e quando apaguei a luz, desliguei a própria lua, e disse-te:

Até amanhã, anjo!...

 

Depois dormi como tempo, e sabia que ao acordar tinha uma

palavra tua… e tive!

Mas sabia que hoje não estavas, não me decifravas, nem me

lias, nem ouvias.

 

A tua imagem soprou nos meus cortinados, trazendo os teus

lindos olhos de veludo.

Esperarei por ti!... Porque me disseste que vinhas.

Hoje!...”

 

*******

 

ANTÓNIO PAIS DA ROSA

 

“CANAS DE SENHORIM”

 

“Tua beleza talhada,

Com cores do meu pensamento,

Em ouro foste gravada,

Como era meu intento.

 

És a luz do meu olhar,

A beleza do meu ser,

Não te posso olvidar

És fulcro do meu viver.

 

Quando lá longe… bem longe,

Em terras ricas, pomposas,

Seguia-te, como monge,

Meu rico jardim de rosas.

 

Quero avivar meu passado,

Ser refém do meu presente

Ou de um futuro sonhado,

Mas tão frágil como ausente…

 

E, assim, CANAS te vejo,

Dar brilho ao meu ser,

E, como último desejo,

Vou cantar-te até morrer.”

 

*******

 

ANTÓNIO TELES

 

“TUDO TEM UM TEMPO”

 

“Neste momento eu queria estar

Olhando todas as mulheres que amei

Talvez até pra me decepcionar

Se se confirmasse que me enganei

 

Cada coisa no seu tempo é essência

Quando se elabora com convicção

O coração sempre manda na ciência

Mesmo quando ela nos vence na acção

 

É consabido não ser racional

A força que emana de um grande amor

A intensidade não tem igual

Nesse mais que desejado sabor

 

O amor só acaba quando nos damos

Conta, da queda das folhas da flor

Então, e mesmo que o chão, varremos

Jamais brilhará a antiga cor”

 

 

*******

 

AURÉLIO TAVARES

 

“UM LINDO FILHO”

 

“Eu tenho longe um lindo filho

Para além do mar há muitos dias

Triste espero que por muito sorrindo

Esteja vivendo sãs alegrias

 

É longa e vai sendo maior ainda

Esta primeira longa separação

Mas não é por estar longe que finda

A nossa já bem longa comunhão

 

Meu coração triste vai batendo

Bem mais fraco e quase sem vigor

Mas tenho eu mesmo de ir vivendo

Porque é bem vivo o nosso amor

 

Se assim não fora eu não vivia

Desde que há muito a medo vivo

Perdi muita coragem e alegria

Por ti tão só à vida estou cativo

 

Já velho e triste resta-me o sonho

Dum filho lindo longe mas risonho.”

 

 

Nota Final:

Ilustro o post com uma foto original de D.A.P.L., 2015, igualmente com a imagem de uma hortense rosa, no bonito “Solar dos Zagallos”, em Almada.

Sugestionado a partir da capa da XX Antologia.

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publicado às 15:48

É NATAL! Todos os dias são Dia de Natal!

por Francisco Carita Mata, em 07.12.16

Hoje é Dia de Natal.

 

Mal o Sol se anunciou, ao dealbar a linha do horizonte.

Nascimento do sol Foto original DAPL 2016.jpg

 

No caminhar sereno na areia, contemplando o Mar.

Concha. Foto original DAPL 2016

Todos os dias são Dias de Natal!

 

Na simplicidade múltipla e diversificada das flores.

Artemísia / "Altemira" Foto original DAPL 2016.jpg

 Cada dia é Dia de Natal!

 

Na beleza e perfume das rosas.

Rosas no quintal Foto original DAPL 2016.jpg

 

 Nota Final: Todas as Fotos são originais de D.A.P.L. A quem felicitamos!

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publicado às 16:31

“Hospital Real”: Em nova reposição na RTP?

por Francisco Carita Mata, em 04.12.16

Série da Televisão da Galiza

RTP2?

 

Hospital Real Elenco In. elprogreso.galiciae.com.jpg

 

Tenho constatado que, no blogue, as visualizações nos posts, sobre esta excelente Série da Televisão Galega, voltaram a surgir.

Será que este emblemático seriado, apresentado pela primeira vez na RTP2, em Setembro de 2015 e reposto em Fevereiro deste ano, 2016, voltou a ser reapresentado?!

Pesquisei nos programas da RTP2 e na RTP1, mas não encontrei.

…   …   (?) …

Tendo em vista facilitar a pesquisa, resolvi condensar os vários posts em apenas um, o atual, podendo aceder-se a cada um deles, através dos links, no final, em anexo.

Se tem tempo e paciência e/ou curiosidade, aventure-se a desbravar os textos e, acredite, não se arrependerá!

Tem até o bónus de ler um texto, o que aborda o décimo sexto episódio da série, que, até ao momento, ainda não foi apresentado em qualquer reposição, nem provavelmente será.

Apenas, talvez, quem sabe(?), se os guionistas resolverem continuar uma segunda temporada e queiram seguir as sugestões desse 16º Episódio. Citando a fonte, obviamente!

Nunca se sabe, não é?!

Pois, tome a liberdade de se aventurar e navegar…

E, obrigado, pela sua atenção.

Eis os links:

Nova Série RTP 2 - "Hospital Real"

Hospital Real - 2º Episódio

3º Episódio

4º Episódio

5º Episódio

6º Episódio

7º Episódio

8º Episódio

9º Episódio

10º Episódio

11º Episódio

12º Episódio

13º Episódio

14º Episódio

15º Episódio (I)

15º Episódio (II)

15º Episódio (III)

15º Episódio (IV)

Hospital Real - Síntese

Hospital Real! Ainda?!

Reposição: 10º Episódio

Contra Tempos - Hospital Real

Doença Estranha no Hospital Real

Hospital Real - Reposição

HOSPITAL REAL: 16º EPISÓDIO

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publicado às 20:29

Quadras Tradicionais VI

por Francisco Carita Mata, em 03.12.16

Artemísia - "Altemira" - Foto original DAPL 2015.jpg

 

“Cantigas ao Desafio”

/

Cantigas de Amizade

 

“És baixinha e redondinha

Ligeira no andar

Quando nos encontramos

Temos sempre que conversar.

 

Já cantei uma cantiga

Com esta já lá vão duas

Eu peço à redondinha

Que me cante uma das suas.

 

Já que me pedes que eu cante

Vou-te fazer a vontade

Eu não sei que graça tem

Ouvir cantar quem não sabe.

 

Cantas bem, não cantas mal

Cantas assim como a mim

A mestra que te ensinou

Também me ensinou a mim.

 

O cantar não é da arte

Da geração se procura

O cantar é a memória

Que Deus dá à criatura.

 

O cantar da meia-noite

É um cantar excelente

Acorda quem está dormindo

E alegra quem está doente.

 

Para cantar e bailar

É que meu pai me criou

Sou ‘alegria da casa

Enquanto solteira estou.

 

Quero cantar e bailar

Quero ser a’divertida

Quem sabe d’hoje a um ano

Se eu ainda serei viva.

 

Vai de roda, cantem todos

Cada um, sua cantiga

Que eu também canto a minha

Que a mocidade me obriga. *

 

Eu cantando me divirto

Qualquer coisa me entretém

Assim vou passando o tempo

Sem ter amor a ninguém.

 

Não canto por bem cantar

Nem por belas falas ter

Canto só para quebrar olhos

A quem não me pode ver.

 

Acabaste de cantar

Agora começo eu

Começa o meu coração

A dar combate ao teu.”

 

*******

Notas Finais:

 

1 – Estas cantigas foram recolhidas por uma Senhora de Aldeia da Mata, neste Outono de 2016, e que nos pediu o favor de não divulgarmos o respetivo nome.

2 – Como pode verificar, já vamos no sexto conjunto de “Quadras Tradicionais” e temos vindo a alargar o leque das respetivas Fontes.

3 – A Senhora designou-as precisamente por “Cantigas ao Desafio”, conforme de facto o eram. Subintitulei-as como “Cantigas de Amizade”. Porque elas são um Hino à Amizade!

Uma memória dos que ainda estão connosco e lembrança dos que já se ausentaram. Que para esses também se reporta a nossa estima e recordação.

4 – Estas são tipicamente de “Cantigas ao Desafio” e a respetiva sequência, organizada pela Senhora, induz-nos precisamente nessa metodologia de cantar.

Quando os grupos das raparigas e de rapazes cantavam, fosse nos arraiais, nos bailes, em lazer; ou no trabalho, nos ranchos das azeitonadas ou noutras atividades campestres, quando os trabalhos eram quase totalmente manuais. Também nas idas e vindas para e do campo, nos trabalhos diversos, conforme já mencionei em “Quadras Tradicionais IV”.

5 – A 1ª “cantiga” é original da mencionada Senhora, como forma de introduzir o “Desafio” com D. Maria Belo, em quem se inspirou.

6 – Da nona “cantiga” / quadra, D. Maria Belo apresentou-nos uma outra versão. Situação corrente nestas “cantigas”, em que, por vezes, são apresentadas versões ligeiramente diferentes, conforme também constatámos na Revista “A Tradição”.

*

“Vai de roda, cantem todos

Cada um, sua cantiga

Primeiro é a do rapaz

Segundo a da rapariga.”

 

7 - E, para finalizar, espero que tenha gostado!

8 – Mais uma vez, ilustro com uma foto original de D.A.P.L., obtida no “nosso quintal”, em 2015.

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publicado às 15:48

Antologia da APP – Associação Portuguesa de Poetas (I)

por Francisco Carita Mata, em 02.12.16

“A Nossa Antologia”

XX Volume - 2016

(57 Autores)

Editor: Euedito

 

Introdução:

Conforme prometido, irei divulgando, no blogue, poesias dos vários antologiados, à medida que for tendo oportunidade, conforme fiz com a XIII Antologia do Círculo Nacional D'Arte e Poesia - CNAP, 2015.

Alguns poetas e poetisas, que figuram na Antologia da APP, já constam do blogue, no contexto da Antologia do CNAP, a saber:

João Francisco da Silva

José Branquinho

Rosa Redondo

Virgínia Branco.

 

Ainda na Introdução à XX Antologia da APP, mencionar que o Prefácio é da Autoria de João Coelho dos Santos. Como o próprio refere, uma forma “original” de elaboração.

 

Frutos de Outono I 2015. Foto original DAPL jpg

 

Neste 1º conjunto de Poesias, divulgarei de:

Aires Plácido, Aline Rocha, Ana Matias e Ana Silvestre.

 

*******

AIRES PLÁCIDO

 

“VELHOS”

 

“Vão ao baile, vão dançar

Quem em novo dança bem...

Aperaltados lá vão

Dos sessenta e tal aos cem.

 

E depois na leitaria

Dá gosto vê-los!,

Riem muito e namoram

Falam pelos cotovelos.

 

Ainda bem é viver

A vida quer-se risonha,

A vida sem um sorriso

Tropeça, tomba tristonha.

 

Vão ao baile, vão dançar

Dançar é como se fosse...

Caísse do céu madura

Na boquinha pera doce.

 

Fazem bem, a vida

Que triste é ver alguém,

Esperar que a morte venha

Em casa e sem ninguém.

 

Vão ao baile, sejam felizes

E namorem..., pois então!

Esta vida são dois dias

E às vezes nem dois são.

 

Velhos?- Palerma!

Quem dia a dia dança,

(Que bela atitude!)

Ri e muito namora...

Tem eterna juventude.”

 

*******

ALINE ROCHA

 

“VALSA DA VIDA”

 

“Dançámos a longa valsa da vida

ao som e ao ritmo da nossa idade

deslizando em passos ou corrida

numa sala chamada de saudade

 

A música, por nós dois era sentida

com o fervor da nossa mocidade

em meus braços uma rosa florida

fruto dessa dança da liberdade

 

Resta-nos viver da recordação

que convida ao beijo e ao abraço

choram nossos olhos de emoção

lágrimas vagarosas de cansaço

 

Fiz este poema para recordar

o que o nosso coração não esqueceu

por certo, não conseguimos valsar

mas o meu amor será sempre teu”

 

*******

 

ANA MATIAS

 

“TU E EU”

 

“Nas densas florestas

De ti

Quero entender...

O semblante,

Do teu ser...

 

Nessas escuras veredas

Por árvores frondosas

Sentir-te...

Ser parte de ti.

 

Na estrada parcamente

Iluminada

Ver a luz da tua vida

Em mim...

 

Cercada dessa aura

Nos abraços

Que não te dou

Dos momentos...

 

No olhar por fixar

Em ti...

No teu eu,

E no meu...

 

Olho-te sem te ver

Sinto-te sem te ver

Vivo-te sem viver

 

Em toda a complexa

Panaceia,

De nós...”

 

*******

 

ANABELA SILVESTRE

 

“POETA”

 

“Tatua letras, palavras,

Emoções...

Em toda a sua pele.

Não consegue agrilhoá-las

Em si,

Fogem para o infinito.

Já não são suas,

Saíram de si

São de quem as ler.

Poeta,

Viajante de sensações,

Grava desenhos na alma,

Que eterniza diariamente

Poeta, simplesmente poeta,

Bebendo em si!”

 

*******

Epílogo:

Pois, caro/a leitor/a, espero que tenha gostado destes belos poemas!

A Foto, original de D.A.P.L., 2015, intitula-se “Frutos de Outono”.

 

 

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publicado às 11:51

“Momentos de Poesia”: - «PORTALEGRE» - «RECANTOS»

por Francisco Carita Mata, em 29.11.16

Portalegre - sentido único. Foto original DAPL 2015 jpg

 

 

«PORTALEGRE»

 

«Portalegre arruína-me a pessoa

de sol, brancura,

candura mesquinha

de tanta ladainha

proibida montanha

que me esgatanha a sede de morrer

porque fazes isto aos poetas cidade branca?

 

Vou ao verso ver a serra

e da Penha vejo-me caído

o sol torrando a face

moreno, caído eu sou

que só sendo ainda me destruo a ver o tempo passar

como os dias são longos

como são terrivelmente longos

na cidade onde nasci

 

Quero sair e volto aqui

queria partir para onde já não sei

tão longe fica o tempo

que sozinho escandalizo a vergonha de ficar

 

Cidade veneno

tão branca e bela

vou ferver num tacho furado

velho como os sofás esburacados

por pontas de cigarro no Alentejano

isto já do tempo moço de minha mãe

que aqui chegou e resignou

instalou, alheou à serenidade mórbida das igrejas

 

É uma cidade branca

um cemitério vivo com riscas amarelas

e nada mais além duma praça vazia

outrora árvores

um úmero estacionamento

o fermento da vida que passa

não jaz ao músculo que alcança

a assim se amansa

a vontade de aqui ficar a ver e ruir

numa noitada de praça vazia

onde as cadeiras sozinhas

esperam a tarde do café de amanhã

 

E cidade veneno da vida que me deste

que sotaque me ensinaste

que mentira eu sozinho

ganhei de mim ao ver o sonâmbulo que nunca fui

mas insonso a cada dia mais só

só insónias

tudo para ter de ser poeta

e ver padecer a cidade

aos dias e noites infinitos

na cidade branca

veneno de vida

onde brando, bebo, choro e vejo passar

o tempo lento de ver passar

o tempo a passar

e nada se passar

a roupa talvez

e de nada serve a vida na cidade branca

que me fez poeta por passar

o resto dos dias a pensar

em como o tempo dever passar.»

 

Pedro Fidalgo

 

In. “Momentos de Poesia Historial (e Poesia e Prosa de 48 Autores)”, 2016.

Autora: Deolinda Milhano, Portalegre.

 

 *******

«RECANTOS»

 

«Portalegre com teus recantos

És a cidade dos meus encantos

Com os teus sete conventos

E as tuas sete portas

Não esquecendo o teu mirante

Onde se deslumbra o viajante.

Nas tuas belas serras

Reina um ar mais puro,

Num canto do Alto Alentejo

És de todos um privilégio

E com a tua beleza encantas

Quem passa e quem aqui vive.

Minha cidade de eleição

Onde nasceram meus filhos

Pois eu sou de lá da raia

Doutra que trago no coração

Mas tu és minha predilecção

A cidade dos belos recantos

Onde já chorei meus prantos.

Por ti fiquei enamorada

Por teus jardins e museus

Não esquecendo as belas fontes

Desde a Fonte do Neptuno

Até à fonte dos Amores

Quando subindo a serra

Se vêem lindas janelas de flores.

Tu, cidade do Alto Alentejo,

Como já Régio cantava

Fazes lembrar as romarias

Desde a feira das cerejas

Até à festa dos Aventais.

Confraternizas com as demais

És linda com as tuas belas

Paisagens, igrejas e monumentos

Não esquecendo o centenário Plátano

Onde me posso sentar

Para aí descansar e recordar

Os meus tempos de estudante

Em que descobri este lindo vale

Entre a Penha e São Mamede.

Não pensando aqui morar

Afinal vim a casar.

Por ti outra não troco

Nem por aquela onde nasci!

És minha cidade de eleição

Pois estás no meu coração

Cidade dos belos Recantos

Onde já chorei meus prantos!...»

 

Maria Mercedes Camoesas Fidalgo

 

 

In. “Portalegre em Momentos de Poesia”, 2011, Edições Colibri.

Coordenação de Deolinda Milhano, Portalegre.

 

A foto é um original de D.A.P.L. – 2015.

 

 

 

 

 

 

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publicado às 17:57

Poesia e Fado

por Francisco Carita Mata, em 28.11.16

XX Antologia de Poesia da APP – Apresentação em Lisboa

"Buba Espinho" no Fórum Romeu Correia - Almada

 

Aparentemente este título poderá parecer uma redundância, dado que estas duas realidades culturais andam de mãos dadas - irmanadas.

Mas a razão por que as explicitei, ligando-as, prende-se com o facto de pretender referir-me a dois eventos realizados ontem, domingo, 27 de Novembro.

 

Na sede da Associação Portuguesa de Poetas - APP, Av. Américo de Jesus Morgado, 16 – A, aos Olivais, Lisboa, realizou-se a apresentação da respetiva XX Antologia de Poesia - 2016. Cinquenta e sete antologiados, com poesias de diferentes matizes e cambiantes e conceitos formais, todos irmanados num mesmo sentir poético.

Um evento muito interessante, estando de parabéns todos os participantes, e com especial realce, os organizadores e coordenadores que desenvolveram o trabalho meritório de estruturar esta vigésima edição das Antologias da Associação e que atualmente dirigem os respetivos destinos.

Nunca é demais realçar o trabalho das pessoas que assumem dirigir as Associações, porque sem elas essas entidades morreriam. Nós, os sócios, somos relevantes, mas como diz o aforismo, “…sem cabeça tudo são pernas…”.

Parabéns pois e obrigado pelo vosso trabalho. As palmas são-vos inteiramente destinadas.

Previamente apresentei o meu pedido de desculpas por ter que me ausentar ainda antes da conclusão do sarau e a razão prendia-se pelo que explico a seguir.

 

Quase simultaneamente, em Almada, no Fórum Romeu Correia – Auditório Fernando Lopes-Graça, ocorreu o espetáculo “A Casa do Fado”, apresentando o jovem talento no fado, o alentejano Buba Espinho.

Um nome a fixar, com um cariz fadista, que toca profundo no sentir da veia artística deste modo de cantar.

Não queria deixar de assistir.

 

(Com algum esforço, foi possível estarmos presentes, no primeiro evento, apenas eu, mas em conjunto, no segundo.)

 

O fadista, agora a iniciar uma promissora carreira a solo, neste campo artístico, já o havia escutado, integrando o Grupo “Os Bubedanas”, de que falei na primeira crónica apresentada no blogue.

Anexo links sobre o seu cantar, integrante de grupos.

Julgo que ainda não tem CD individual.

De realçar, também com imenso mérito, os acompanhantes habituais nestes saraus fadistas no Fórum: André M. Santos, viola de fado e Hugo Edgar, guitarra portuguesa.

 

Solar Zagallos 2015 Foto original DAPL.jpg

 

A ilustrar o post apresento uma foto original de D.A.P.L. de uma hortense rosa, no Solar dos Zagallos, em Almada. Sugestionado a partir da capa da Antologia, da autoria de João Luís, que apresenta precisamente também uma foto de uma hortense, azul.

Assim, mais uma vez, se ligam os dois eventos, um em Lisboa, o outro em Almada, que não fica nada a dever à capital, em termos culturais, conforme tenho demonstrado neste blogue.

 

Na apresentação da Antologia, e enquanto estive presente, foram sendo entregues os livros, a que cada um dos antologiados teve direito e cada poeta ou poetisa foi lendo um poema seu, da Antologia ou não.

Optei por não ler o poema da Antologia, “Ei-los que vão!”, dado ser um pouco extenso e disse “Ser Poeta”, que divulgo agora no blogue. Apresento-o numa versão ligeiramente diferente daquela que li e com que documentei o Livro de Honra, pois, como referi, o poema ainda estava e está “em construção”.

Deixei-o atestando o “Livro de Honra” da Associação, dado que foi a primeira vez que tive a grata oportunidade de visitar a sede.

 

 

Ser Poeta!

 

Ser Poeta

É ter uma porta aberta

Ao Sonho, à Ilusão

É ter uma certeza certa

De viver em condição.

 

Em condição do Destino

De sofrer o desatino

Desta nobre tradição.

 

Ser Poeta

É algo que nos desperta

Nos alumia, nos cerca

De luz e d’escuridão.

 

Jogos de sombras e sons

Vozes que nos povoam

De sentimentos nobres e bons

Que na Alma nos ressoam!

 

Ser Poeta

 

P.S. – Tomarei a liberdade de ir divulgando poesias dos antologiados, preferencialmente de poetas e poetisas que não dei a conhecer no blogue, no contexto da Antologia do CNAP.

Se alguém se opuser é uma questão de me dar conhecimento. Obrigado!

 

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publicado às 18:27

"Espetáculo Solidário" - CAEP - Portalegre

por Francisco Carita Mata, em 26.11.16

 Grupo de Cantares da TÉGUA e Convidados

 

É com grata satisfação que divulgo a realização deste "Espetáculo Solidário", no dia 10 de Dezembro.

CAEP - Centro de Artes e Espetáculos de Portalegre.

 

Cartaz CAEP. Grupo Cantares da Tégua. jpg

 Se quiser fazer o favor de consultar sobre "Cantigas Tradicionais"

Quadras Tradicionais V

Quadras Tradicionais IV

Quadras Tradicionais III

Quadras Tradicionais II

Quadras Tradicionais I

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publicado às 21:24

“Momentos de Poesia” – Comemoração do 10º Aniversário

por Francisco Carita Mata, em 25.11.16

Lançamento de Livro

Momentos de Poesia Historial (e Poesia e Prosa de 48 autores)”.

 
 

Em devido tempo, divulguei no blogue a realização de evento comemorativo do 10º aniversário de “Momentos de Poesia”.

 

Realizou-se esse evento no passado domingo, dia 20 de Novembro, na sugestiva Sala José Régio, no Hotel com idêntico nome, "em Portalegre, Cidade..."

Espaço repleto, como acontecimentos assim merecem, ouviram-se palavras de parabéns e de agradecimento, manifestações de afeto e carinho.

Foi um bonito espetáculo, a que compareceram e onde intervieram pessoas de diferentes gerações.

É muito gratificante e auspicioso, vermos crianças e jovens a dizerem poesia, alguns da sua própria lavra, a executarem passos de dança, integrados num contexto em que a Poesia é o chamariz, mas a que também compareceram a Dança, que já nomeei, também a Música, o Fado e a Canção e, no final, até a Gastronomia. Tudo nobres Artes, sem desprimor umas das outras, que todas se entrelaçam e engrandecem mutuamente!

Não esquecendo o Hino a que instituição que se preze não se pode furtar.

 

A Palavra, nomeadamente a poética, isto é, a Poesia, foi a rainha.

 

Muitos dos presentes disseram, leram, palavras suas ou de outros para si relevantes, exprimiram sentimentos e emoções, trocaram galhardetes, nunca esquecendo o aniversariante, “Momentos de Poesia”, a “alma-mater”, os colaboradores, os participantes...

Sim, porque criar e manter um evento como “Momentos de Poesia”, num contexto em que o apelo à facilidade, à futilidade de ocorrências e acontecimentos, sem qualquer valor, mas que são promovidos a notícia de primeira página; praticamente sem divulgação comunicacional, poucos apoios… digo, conseguir fazê-lo chegar a dez anos, é Obra!

 

As felicitações, justas, foram apanágio dos “momentos” vividos; os “obrigados”, merecidos e os votos de continuação por muitos anos, um almejar de futuro.

 

E, dir-me-ão, que este texto é bastante subjetivo, omite nomes de participantes e intervenientes, não os identifica e relaciona com as respetivas intervenções. E, eu reconheço que tendes razão.

 

(E, como de subjetividade se trata, também realço a importância de rever amigos que já não via há algum tempo!)

 

Por diversas razões, não anotei sujeito e objeto da ação, a maioria das pessoas intervenientes não as identifiquei e registar apenas os nomes e ações dos que já conhecia ou que consegui fixar de memória, seria tremendamente injusto.

Optei por este modo de cronicar, porque não quero deixar de realçar e registar uma ocorrência de valor nesta “Cidade … cercada …”

 

Cercada, a Cidade num sentido lato, não apenas esta especificamente, cercada, friso, pelo muro da indiferença com que na sociedade em que vivemos atualmente se entaipam os Valores que enobrecem o Ser Humano. Se amesquinha o Direito ao exercício da Cidadania!

 

"Momentos de Poesia Historial" Capa livro 2016.jpg

 

E, como de Cidadania se trata, foi o aniversário de “Momentos”, também um momento, melhor, um tempo para o lançamento de um livro: “Momentos de Poesia Historial (e Poesia e Prosa de 48 autores)”.

 

E sobre o livro?!

Talvez noutro dia me debruce sobre ele.

 

De qualquer modo, logo que possa, irei divulgando no blogue algumas das poesias publicadas.

Num dos próximos posts, divulgarei poesias de duas pessoas intervenientes, uma deste livro supracitado, outra do livro “Portalegre em Momentos de Poesia”.

 

 

E termino, reforçando, com duas palavras já realçadas:

Parabéns! Obrigado!

(A todos os intervenientes, nos diversos contextos, espaciais e temporais.)

E formulação de votos de continuação por muitos anos!

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publicado às 12:18

“A Agência Clandestina” - T.2 - Ep. 10

por Francisco Carita Mata, em 17.11.16

Série Francesa

RTP2

 

“Le Bureau des Légendes

 

Episódio 20

(Final da 2ª Temporada)

 

(4ª feira – 16/11/16)

 

Ponto Prévio

 

No penúltimo episódio, apresentei uma foto de Guillaume, ameaçado de sentença mortal por soldados jihadistas. Que repito.

 

Guillaume en prison in. newsnours.com

 

Imagem que prenunciava o final da 2ª temporada da série, mais especificamente o findar do episódio vinte, último dessa segunda temporada, mas prenúncio para uma futura e terceira, que se desenrolará, provavelmente, já em 2017.

 

Cena, essa, ocorrida após Guillaume / Paul Lefebvre ter acionado a bomba direcionada sobre “Deep Bleu”, enquanto jogavam xadrez, logo após a primeira jogada de ambos, em que apenas movimentaram os correspondentes peões, em passes habituais. (Início do “gambito do rei”?)

Estas representações têm que aferir de alguma veracidade, para que a narrativa não saia descontextualizada, e a mim fez-me espécie que, tendo o jihadista ficado esquartejado, pedaços espalhados pelo pátio, Guillaume mal tivesse alguma beliscadura, conforme se viu nessa icónica imagem posterior, da ameaça de morte, por “decapitação” faseada.

Posteriormente, julgo ter entendido que o projétil estaria na caixa do jogo, no tabuleiro do xadrez, direcionado para o oponente.

Coincidências? Acaso percentual: fifty / fifty? Roleta russa? E se a jogada inicial tivesse sido diferente, em função do acaso de brancas ou pretas calharem a um ou a outro? Ou “Deep Bleu” fez batota?!

Houve vários passes que me passaram ao lado…

 

(Há uma estratégia televisiva que “aconselhava” à RTP2:

- Nestas séries apelativas, e com alguma dimensão temporal, deveriam repetir o derradeiro episódio, antes de começarem logo uma nova.

Dir-me-ão que, hoje em dia, só não revê episódios, quem não quer, mas eu não. Por preguiça, por comodismo, porque tenho mais que fazer noutras horas e, para os seriados, é aquela hora e não é outra. Noutras horas ocupo o tempo com outras funções, por ex., escrever, “endesouone”, etc., o trivial do dia-a-dia…)

 

Mas lá vamos aos entretantos, para ver se chego aos finalmentes, deixando-me de preâmbulos, que hoje não estou muito virado para a escrita, talvez porque a série vai ficar suspensa, com tudo em aberto, provavelmente porque preciso de arejar previamente e ganharei mais inspiração. E, por isso mesmo, faço uma pausa. Ponto final.

 

*******

 

De regresso à escrita.

Para acentuar que detesto esta mania dos guionistas, dos realizadores das séries, em deixarem tudo em suspenso sem terem material para dar continuidade ao enredo.

Obrigar-nos a esperar por outra temporada, que será ou não conclusiva!

Detesto. E não tenho paciência para me embrenhar logo, imediatamente, noutra série. Há que fazer uma certa pausa, estabelecer alguma distanciação, quiçá, fazer algum "luto”.

E sobre esta última palavra

 

Guillaume lançou-se nesta missão, como se fora o epílogo da fuga para a frente, em que se processou todo o seu desempenho, desde que retornou de Amã.

Errou, meteu os pés pelas mãos, ao envolver-se sentimentalmente, não despiu o fato e papel de Lefebvre e, posteriormente, foi sempre avançar de cabeça, cada vez enterrando mais o coração.

Deu no que deu, tudo indiciava que morreria igualmente, fez tudo para isso, mas ficamos suspensos até futura temporada.

Duflot foi-o questionando telefonicamente, enquanto ele se encontrava em Racqa no cumprimento da sua missão.

Estranho mundo em que as guerras parecem ser jogos eletrónicos, à distância de um clique, de uma telefonadela celular.

Duflot também nunca achou que ele fosse kamikaze. Nem queria que fosse, dados os seus conhecimentos. E a DGSE, ele próprio, todos estão aptos a perdoar-lhe.

 

O medo da sua morte iminente foi bem sentido na Agência, ele é respeitado e admirado por todos, mesmos os que sabem da sua condição de toupeira.

 

Duflot considera-o uma “lenda”, as suas ações lendárias. Afinal, o título também nos pode reportar para essa leitura.

E voltando à minha dúvida inicial, o título da série, esta também poderia ser reintitulada como “Um Agente Lendário”, porque a narrativa é muito centrada nele, ou pelo menos a minha narração.

Mas seria reducionista esse título, reconheço.

 

Marine no deserto In. tv-programme.com

 

Porque nela, narrativa, perpassam as missões de vários agentes, entre os quais Marine Loiseau, também conhecida por “Fenómeno”.

A sua “libertação”, em troca de um iraniano muito importante para o regime, preso pelos americanos, foi também um tratado. Digna de observação e nota.

Proverbial, o funcionamento daquela cabine telefónica, num posto de gasolina e abastecimento rudimentar, perdidos num deserto de nenhures, mas que lhe permitiu comunicar com a sede da Agência, em Paris, e que os seus supervisores pudessem providenciar a respetiva busca, quando ela já se dispunha a fugir novamente.

(Ganhou o “homenzinho” da bomba, que auferiu pecúlio substancial e permitir-lhe-á continuar o negócio em ambientes mais rendosos. Isto suponho eu, que o guião não diz nada sobre isso.)

Veremos Marine chegar a Paris, para um retiro isolado na Picardia, efusivamente abraçada por Marie-Jeanne, que nela tanto investimento fez.

 

Na Agência decorre um inquérito interno a todos os agentes que coabitaram com Guillaume, sobre esse mesmo relacionamento interpares, a forma como ele se processou, o que pensam do superagente, e, no fundo, para testarem se esse “toupeira” tem ramificações subterrâneas.

A deslealdade, pensou Duflot, é como uma bomba de desfragmentação, tem sempre efeitos colaterais; é como um cancro, pode haver sempre outras metástases.

 

E, na apresentação da ameaça em direto, pudemos observar outros personagens a ver.

Nem a propósito de efeitos colaterais, vimos Nadia, aflita, a chorar, agora noutro retiro, algures em França.

E, Prune, terá visto?!

 

Estou a saltar as várias fases e momentos por que passou o enredo, desde o primordial contacto entre Guillaume / Paul Lefebvre e Fatic, o suicida arrependido; a forma como Paul lidou com ele e, posteriormente, com o jornalista; a ida para o campo de refugiados (?) onde o jihadista marcou encontro, crianças a jogarem à bola, tendas das ações humanitárias; a sua chegada, numa ambulância da Cruz Vermelha (?); a entrevista “afagando o ego” a Toufik, afinal, um francês, criado na Pátria de Rousseau e Voltaire; a tecnologia de ponta que possuem, do melhor do Médio Oriente.

 

Enfim… Lembrar, ainda e também, que Duflot no “interrogatório” que foi fazendo a Guillaume, tentando dissuadi-lo da missão, ordenando que dissesse ao alemão para regressar, ainda o questionou se ele procurava “Redenção”.

 

Mas aqui e agora, quem busca redenção sou eu. Que vou terminar esta minha narração, sempre tão incompleta, enviesada, parcelar e parcial.

Que, reconheço, hoje me está a ser difícil escrever, como fora no início destes meus contares sobre esta série, de que gostei, que apreciei, embora não me tivesse sempre sido apelativo escrever sobre ela.

Agradeço a sua atenção, se conseguiu ler-me até aqui.

Obrigado!

 

(A nova série que irá começar, sobre o “roubo do comboio”, não sei se será o celebérrimo roubo de um comboio inglês, nos anos sessenta, não penso começar a vê-la, hoje, vai depender do que vier a pesquisar.

De qualquer modo, faça o favor de seguir o blogue, que tem muitos outros temas interessantes.)

 

*******

P. S. - Afinal, a série é sobre esse celebérrimo assalto ao comboio correio, Glasgow - Londres, carregado de massa e ocorrido em 1963.

Se quiser saber mais:

 Série RTP2

"Assalto ao trem"!

 

Acabei por ver e achei interessante.

 

 

 

 

 

 

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publicado às 17:31


Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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