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O Governo tomou posse!

por Francisco Carita Mata, em 26.11.15

O Governo do Partido Socialista, chefiado por Drº António Costa, tomou posse hoje, dia 26 de Novembro. Apenas com membros afetos a este Partido, mas apoiado parlamentarmente pelo Bloco de Esquerda, pelo Partido Comunista Português e pelos Verdes.

Um Governo de um Partido que não sendo maioritário na Assembleia da República tem, contudo, o apoio maioritário no Parlamento. O que só pode acontecer assim, dado que vivemos numa Democracia Parlamentar.

Situação aliás frequente em vários países de Democracia avançada.

 

Apenas dois desideratos fundamentais que precisamos que este Governo nos traga:

 

- Estabilidade – Este objetivo implicará que este Governo cumpra a Legislatura.

Objetivo que deverá determinar necessariamente que os “parceiros” que o apoiam, cumpram esse compromisso. Apoiar o Governo durante os quatro anos da legislatura.

Não será fácil que isso venha a acontecer sempre. Surgirão crispações, desentendimentos mais ou menos fortes, que inclusive serão muito bem aproveitados e fomentados pelas forças políticas que estão contra estes acordos do PS, bem como pela Comunicação Social que lhes é afeta. Pelos Detentores do Poder Económico, Financeiro… Para além de todas as pressões externas que surgirão, às claras ou na sombra das tomadas de decisão e em todas as jogadas políticas que existirão nestes jogos de Poder.

Necessariamente haverá que buscar acordos e consensos entre o Governo e os Partidos apoiantes.

 

Este Governo não terá a vida fácil. Sofrerá ataques dos mais variados setores de Poder e Contra Poder. Tanto nacionais como internacionais. Que saiba resistir a esses “ataques” e que não soçobre internamente, nem no contexto dos grupos apoiantes.

Que saiba resistir ao que quebra muitas vezes os Ideais: a Fome de Poder, a Corrupção, o "Compadrio"…

 

- Este Governo deverá implementar medidas, dentro dos respetivos contextos ministeriais, que focalizem as “Pessoas”, como móbil fundamental das políticas governativas.

Em termos de Valores, que implementem ações subordinados ao conceito de Dignidade. Que devolvam a Dignidade às Pessoas. Àqueles que dela mais se viram espoliados: Trabalhadores, Velhos, Reformados, Jovens… “Classe Média”…

 

Há setores em que a ação deste Governo irá ser muito elucidativa: Educação, Saúde, Justiça, Trabalho e Segurança Social.

As medidas a tomar nestes campos vão indicar-nos, com maior ou menor clareza, qual vai ser o “norte” desta governação.

Num destes setores há questões muito mediáticas que serão a "pedra de toque" desta governação, a curto prazo. Conforme este Governo nelas "pegar" assim deduziremos se nos trará ou não a "Estabilidade" e a "Dignidade" que precisamos.

Aguardemos...

Desejamos que tudo corra pelo melhor, que o que Portugal precisa é de um “Governo que governe bem”, passe a redundância.

 

P.S.-

E com este post, de algum modo, quebrei mais acentuadamente um dos meus tabus.

Sim, também tenho os meus tabus!

Esclarecendo. Abordo muito diretamente questões de Política “tout court”. Isto é no sentido mais imediato do termo. Falo deste tema, “política”, de uma forma muito direta e até, temporalmente, muito em cima do acontecido. Ainda que de modo muito “suave”.

 

 

 

 

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publicado às 19:21

"Hospital Real"! Ainda?!

por Francisco Carita Mata, em 25.11.15

"HOSPITAL REAL"

Um Série Galega de grande gabarito, transmitida na RTP2

 

Bem, volto a organizar um post sobre esta série que passou na RTP2, em Setembro.

Ontem, recebi dois "comentários" sobre esta Série e sobre a forma "desarticulada", digo eu, como terminou. De visualizador "Desconhecido", mas que agradeço a amabilidade de recordar a série e ter enviado link no facebook, para acedermos a comentários feitos na Galiza sobre o finalizar da série, em que figuram também opiniões das "nossas conhecidas" "Dona Irene" - Maria Vásquez e "Irmã Úrsula" - Susana Dans.

Foi a partir desse link que obtive o conjunto de fotos em anexo, com imagens de vários dos artistas em cenas finais.

Artistas de "Hospital Real". In facebook.

 Pena que a Série tenha terminado. Assim, daquele modo tão inconclusivo, se não pretendem dar continuidade a nova temporada!

Porque, mesmo decorrendo a ação em 1793, ainda havia muito a desenvolver a curto prazo, com aquelas  e aqueles personagens.

Imagine-se prolongar no tempo a narrativa... Só por mais alguns anos.

Tempos tão ricos de História nos anos subsequentes.

Depois desta Série, a RTP2 tem transmitido outras, mas nenhuma terá alcançado as audiências que esta obteve. Digo eu, em função do que observo nas visualizações do blogue.

Mais uma vez, obrigado aos visitantes do blogue e visualizadores dos posts.

E obrigado a "visualizador desconhecido" pelas informações que nos transmite!

 

 

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publicado às 17:30

1975 - 2015: Passaram-se quarenta anos!

por Francisco Carita Mata, em 23.11.15

 Ainda a propósito de “Mad Men”. 

E de um acontecimento de 1975.

 

E volto ao blogue e ao post em que abordei um acontecimento real ocorrido em 1975, a propósito dos “Homens Loucos” de Madison Avenue, N. Y. C., “Mad Men”. E dos computadores, na altura uns verdadeiros “monstros”, não só na forma, como no conteúdo, pela perspetiva de como eram vistos e percecionados, mesmo por quem lidava de perto com eles nos escritórios, mas não sendo especialista no assunto. Mais ainda para quem era completamente desconhecedor das suas funcionalidades e modus operandi.

Agora em que, a propósito de alguns acontecimentos mediáticos da política portuguesa atual, tanto se tem falado de 1975

 

Gostaria de deixar registado neste blogue alguns aspetos relevantes de algumas mudanças significativas deste Portugal de início século XXI, 2015, relativamente a esse findar do 3º quartel do século XX, 1975.

 

Neste Portugal atual, e apesar da tão apregoada Crise, vive-se significativamente melhor do que nessa data já longínqua de setenta e cinco.

Em termos de Consumo, os portugueses têm genericamente acesso a um cabaz de compras de bens mais ou menos essenciais muito mais vasto e diversificado não só pelos bens suscetíveis e acessíveis à sua bolsa, como pela existência e proliferação de locais de compra. Tanto de bens de consumo imediato, como duradoiro.

Vivemos numa Democracia consolidada. A Liberdade também é um Valor inquestionável!

O acesso a bens e serviços englobados no contexto da Educação, da Saúde, da Habitação, é um Direito também estruturado. Apesar de algum retrocesso que se tem verificado nomeadamente no campo da Saúde, face ao que já adquiríramos entretanto.

Portugal vive em Paz, apesar dos medos que hoje se sentem e pressentem, resultantes do alastrar à Europa de Guerras, que, até há poucos anos, pareciam confinadas a Países distantes… Que não deixavam de ser Guerras por isso…

 

in. escreveretriste.jpg

 

Estas são algumas situações em que, no plano interno, se constatam diferenças positivas relativamente há quarenta anos atrás.

 

E, no plano externo?!

 

Constate-se.

Portugal está integrado na União Europeia.

Faz parte da Zona Euro.

Não existe o “Muro de Berlim”, apesar de muitos outros muros que têm sido criados, por esse mundo afora. Físicos e psicológicos, culturais e sociais…

Não existe “Cortina de Ferro”.

Não existe “Pacto de Varsóvia”.

Não existe a URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas!

 

Thefalloftheberlinwall1989 in wikipedia.JPG

 

Vivemos num Mundo substancialmente diferente, mas…

Em que apesar de a designada “Guerra Fria” ter terminado, vivemos atualmente numa tensão e medo ainda maior. Em que a “Guerra” atual, há quem fale que vivemos numa “Terceira Guerra Mundial”, uma Guerra com contornos diferentes das anteriores, em que essa “Guerra” invadiu diretamente a Europa. E indiretamente chegou ao Continente Europeu através dos refugiados das Guerras por essas Áfricas e Médio Oriente.

 

E quem “produziu” essas “Guerras”?

Quem as alimenta com armas de todos os tipos?

Quem as financia?!

E com que fins?!

Quem as semeou e continua a sustentar, a adubar e fertilizar, com armas, munições, tanques e explosivos e carne para canhão de tantos inocentes?!

E quais os meios utilizados para obtenção de dinheiro para sustentar essas “Guerras”, umas “Grandes” e outras pequenas?

 

in imdb.com

 

Por vezes questiono-me e lembrando a “Família Krupp”, e a “Queda do Terceiro Reich”, se as pessoas que de facto alimentam as guerras, produzindo e financiando o armamento, mas vivem afastadas dos locais de conflito, quando ocorrem situações como as que têm acontecido por essa Europa, não se interrogam sobre o seu papel no Mundo…! Sobre a sua ação destrutiva da Humanidade!

 

E voltamos ao ponto de partida.

Vale a pena comparar 1975 com 2015?!

Apesar do pessimismo recente, vivemos ou não num Portugal substancialmente melhor?!

É ou não possível haver em Portugal abertura a novas e diversas perspetivas de “conduzir” este barco “Portugal” a bom porto?!

Que não faltarão as tempestades, os ventos alterosos, as borrascas…

 

Ah! E não posso esquecer o Imperialismo!

E o Imperialismo ainda existe ou não?!

Os Estados Unidos da América continuam a ser uma nação imperial, mesmo e apesar de terem um Presidente Obama?

E a Rússia, a nova Rússia, continua a ser também um Estado imperial, como o foi a antiga U.R.S.S., talvez o maior império à face da terra? Tal como fora também um império a antiga Rússia czarista?!

E o Reino Unido? E a França? E a Alemanha? São ou não nações imperialistas ou vivem apenas na nostalgia dos respetivos impérios passados?!

E a China?! É a terceira potência militar mundial, já detentora de enorme poder e liquidez financeira, “proprietária” e “co-proprietária” de variados setores estratégicos por esse Mundo fora, a nação mais populosa, com “colonos” espalhados também por todo esse Mundo, ocupando setores variados, talvez a maior produtora e fornecedora de bens utilitários de maior ou menor préstimo, mas que os Ocidentais, na sua febre consumista, tudo compram...

E o imperialismo das grandes multinacionais, dos grandes grupos financeiros, das grandes petrolíferas?!

(…)

E voltamos a interrogar:

O Imperialismo continua a existir ou não?

E Portugal e os Pequenos Países podem ou não tomar decisões e tomar conta do seu Destino fugindo às garras do Imperialismo?!

 

E com esta pergunta nos ficamos, por Hoje!

E terei esquecido o E. I.??!!

 

 NOTA Final:

HOJE, dia 24/11/2015, tomei conhecimento deste texto publicado na Revista "Visão" sobre o "financiamento" desta "Guerra" em curso.

Imprescindível LER!

 

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publicado às 19:28

ADIVINHA I

por Francisco Carita Mata, em 22.11.15

ADIVINHA!

 

O que representa esta foto?!

 

Um fecho éclair?

Uma auto estrada esburacada?

Os efeitos da desflorestação na Amazónia, pulmão do planeta?!

O caminho percorrido por um carreiro de formigas?!

Os efeitos das chuvas ácidas numa floresta temperada?!

O resultado de prospeções petrolíferas e mineiras?!

Marcas deixadas por alguma civilização alienígena em tempos passados?!

(...)

Foto original de D.A.P.L. 2014 .jpg

 

NOTA:

Foto original de D.A.P.L. 2014

Qualquer reprodução deverá referir Autoria e Fonte!

 

Ler também! 

 

 

 

 

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publicado às 22:00

CANTE Alentejano - Almada

por Francisco Carita Mata, em 22.11.15

 

Voltamos ao blogue.

Que não escrevo há alguns dias.

Que a Vida nem sempre é como se quer. Por vezes há assuntos mais prementes a tratar. Nem podemos estar sempre ligados à informática. Mas não me esqueci que ainda hei-de voltar aos temas mencionados no post anterior.

Bem como a outros assuntos.

E, Novembro é um mês de Alegria, mas também de Tristeza!

Ainda antes de voltar ao assunto do último post, relacionando acontecimentos de há quarenta anos (1975) e a atualidade (2015), divulgamos um acontecimento que irá ocorrer de hoje a oito dias. 

Em Almada, mais uma vez, "Capital do Cante"!

Em comemoração da elevação do CANTE a Património Imaterial da Humanidade.

Voltamos a um tema já aqui abordado noutros posts.

Segue o Cartaz de Divulgação.

Cante Almada.png

 

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publicado às 00:15

“Mad Men”, Computadores, IBM e Memórias de há quarenta anos!

por Francisco Carita Mata, em 12.11.15

“Mad Men” - Homens Loucos

Computadores, Informática, IBM

E Memórias de há quarenta anos!

IBM_logo.svg in wikipedia.png

 

Noutro post sobre esta série, que vi de forma errática nesta sétima temporada, referi que haveria de abordar dois acontecimentos verídicos ocorridos na segunda metade da década de setenta, relacionados com computadores e informática.

 

Num dos primeiros episódios desta 7ª temporada, na firma “Sterling Cooper” procederam à instalação de computadores da IBM, nos respetivos escritórios.

Decorria a ação em 1969.

Eram, os computadores da época, uns caixotões enormes, ocupando bastante espaço nos escritórios. Esses aparelhos, bem como os técnicos que com eles trabalhavam e o conhecimento a eles inerente, a informática, eram detentores de uma áurea especial, simultaneamente associada à sua inevitável necessidade e ao desconhecimento da sua funcionalidade, pela maioria dos empregados, leigos no assunto. Funcionários que os viam como imprescindíveis, num contexto de progresso e de futuro, mas simultaneamente lhes suscitavam algum receio e incompreensão, pelo desconhecimento que deles tinham e medo inconsciente de anulação/substituição de postos de trabalho. E também a perplexidade inerente a algo desconhecido e de contornos funcionais apenas acessíveis a iniciáticos dessa sabedoria e especialistas nesse modus operandi.

Não havia nada do que hoje dispomos, nem sei se o modo de agir, de fazer, de pensar, de lidar com os computadores e a informática, como se processa atualmente, seria na época, 1969, imaginável! E ainda não se passaram cinquenta anos!

Mas as alterações e mudanças foram imensas! Nalguns campos, nomeadamente os tecnológicos. Porque, no plano das mentalidades, a evolução parece ser mais lenta…

 

Os acontecimentos que quero abordar ocorreram em Portugal um pouco mais tarde, já na década de setenta, especificamente em 1975 e 1976/77.

 

Em 1974 e 1975, enquanto estudante, trabalhei em várias atividades temporárias para duas firmas que não sei se ainda existem: a “NORMA” e o “IPOPE”.

Consistiram essas atividades na realização de inquéritos à opinião pública sobre os mais variados temas e assuntos, desde hábitos alimentares, consumo de bebidas, lançamento de novos produtos ou aparelhos, até sobre opiniões políticas, muito frequentes e recorrentes, após Abril de 74, em sondagens sobre partidos, líderes partidários e medidas a implementar.

Nesses trabalhos que eram remunerados, um valor X por cada inquérito, e cujo pecúlio dava imenso jeito, percorri Lisboa nos mais variados bairros, desde Alfama a Alvalade, de São Bento ao Poço do Bispo, Campolide e Campo de Ourique... Até fiz inquéritos no Casal Ventoso, bairro de casas degradadíssimas, mas de pessoas muito humildes e simpáticas e, na altura, 1974, cheias de esperanças e expectativas face a um futuro melhor, como aliás nesse Portugal recentemente saído da Ditadura de quase meio século.

Mal saberiam no que se tornaria o Bairro nos anos oitenta e noventa, e que levaria à sua demolição mais tarde.

Também fiz inquéritos em localidades da Grande Lisboa: Cascais, Porto Salvo (Carcavelos), Pragal (Almada), Amora… Que me lembre, de momento.

 

Em 1975 continuei na feitura desses inquéritos para a NORMA.

Já depois do célebre “Golpe de 11 de Março”, em Maio ou Junho, não sei precisar, calhou-me ir fazer um conjunto de inquéritos sobre questões políticas, para o Bairro de Alcântara, mais concretamente para a Rua Feliciano de Sousa.

 

A Empresa atribuía-nos um conjunto de inquéritos para realizarmos em determinada zona, com início em determinada Rua e num específico número de porta.

A orgânica estrutural de sequência dos inquéritos a realizar, onde os realizar, em que ruas, números de porta, número de andar, esquerdo ou direito e em cada casa selecionada, quem iria ser inquirido, tudo esse esquema sequencial estava previamente definido a partir do ponto de partida que era o nome da Rua e o nº do Prédio. Depois seguíamos essa estrutura sequencial, de que não me lembro agora de todos os pormenores. Mas tinha que se seguir esse esquema estrutural, de modo a que a pessoa a ser selecionada para ser inquirida o fosse da forma mais aleatória possível.

Por vezes seguir esse esquema tornava-se muito aborrecido, porque a pessoa que era selecionada no agregado familiar, não estava presente no momento. E então lá tínhamos que voltar novamente ao local, à rua, ao prédio, ao andar, numa hora em que a pessoa a inquirir pudesse estar presente e responder às perguntas.

 

Para evitar os contratempos resultantes da ausência das pessoas, procurávamos fazer os inquéritos ao final da tarde, início da noite, quando os trabalhadores já haviam regressado das suas empresas ou então nos fins-de-semana, de preferência aos sábados, em que havia mais disponibilidade.

Para aplicarmos esses inquéritos as empresas mencionadas proporcionaram-nos formação adequada ao fim em vista, ensinando-nos as regras gerais fundamentais de aplicação dos questionários e, sobre cada um deles, o conteúdo e a metodologia específica.

Para além das regras deontológicas gerais e especiais da função.

Um regra geral indispensável era levarmos o cartão identificativo que nos forneceram, colocado à vista no peito e, caso nos fosse pedido, o BI. E fazermos sempre a nossa apresentação pessoal e funcional e o objetivo da visita, agradecendo a amabilidade da pessoa em receber-nos.

 

Na aplicação desses inquéritos escolhi ir num sábado à tarde, pelas razões apontadas. Até porque durante os dias de semana havia aulas e este era um part-time, um dos que tive enquanto estudante. Deste, dos inquéritos, gostei muito especialmente, por andar de lado para lado e por contactar com muitas pessoas de todas as condições sociais e culturais, dos mais variados níveis de vida e idades, desde que adultas, e com as mais variadas opiniões. Foi um trabalho muito enriquecedor em termos humanos e possibilitou-me conhecer Lisboa, os vários bairros e localidades dos arredores.

 

Para quem se lembre, a NORMA ficava na Avenida Cinco de Outubro, num prédio de esquina com outra Avenida de que não me lembro o nome, que já não passo há algum tempo por aí, nem sei se a firma ainda existe, conforme já referi.

A nível do rés-do-chão tinha um relevante mostruário de computadores, esses “monstros enormes”, como os que vimos na série. Que estavam aí expostos, o prédio tinha grandes e rasgadas janelas que serviam de montra, pois esses computadores eram para venda. E, claro, made in U.S.A. e da I.B.M.!

 

O Bairro referido é um bairro popular, ainda hoje o será, sem certezas, que não passo por lá há anos! Quarenta anos atrás, com grande predominância, no plano sócio profissional, de operariado.

A zona que me fora destinada para realização dos inquéritos fica a norte do Bairro e num espaço relativamente confinado e, de certo modo, isolado, pela orografia e pelos acessos à Ponte Vinte e Cinco de Abril e pela Avenida de Ceuta. Espaço geográfico onde, pelas diversas tipologias e características, os habitantes praticamente se conheciam ou estavam ligados por laços, fossem familiares, de vizinhança, sócio profissionais e também ideológicos. E, quiçá, partidários!

 

Eu fora um estranho que ali entrara. Além do mais, numa tarde de sábado em que muitos dos habitantes estavam “sem fazer nada”, nas cavaqueiras e convívios de bairros populares, nas ruas, nos cafés, nas tascas…

Cumulativamente, vinha questionar, inquirir, interrogar, “vasculhar?”, opiniões, conceitos, ideias, sobre questões políticas e partidárias. Numa época quente da nossa recente Democracia! E que ainda “aqueceria” muito mais!

Na seleção aleatória que fazia, segundo a metodologia técnico-científica pré-determinada, ia calhando selecionar inquiridos que não estavam em casa, mas na rua ou em local de convívio público.

Fiz um ou dois inquéritos normalmente. A partir do terceiro ou quarto, passei a dispor de assistência, que não só ouvia o que o entrevistado dizia, mas também comentava. E também me interpelavam. E questionavam. De entrevistador também passei a entrevistado.

Quem era, quem não era, o que fazia ou não fazia, o que queria ou não queria, o que pretendia ou não pretendia…

Ao longo da rua foram-se formando grupinhos de vizinhos e vizinhas que cochichavam, comentavam, quiçá, formulariam conjeturas sobre o meu papel ali, naquele momento e naquela época.

E tudo isto, Como?! e Porquê?!

Porque apresentando-me, como era de praxe e obrigatório deontologicamente, o fazia como trabalhando na NORMA, com cartão identificador. O que era um facto intrinsecamente verdadeiro.

Algumas das pessoas que por ali estavam conheciam a NORMA, como a Empresa que “vendia” ou “tinha” aqueles Computadores todos nas montras!

E os computadores eram fabricados por que empresa?! Onde? Por quem? Pois, pela IBM – International Business Machines.

E que tipo de Empresa era essa?! Pois, uma Empresa Multinacional dos E.U.A. – Estados Unidos da América.

E o que significava, qual a meta significação da sigla EUA/USA?! Pois os Estados Unidos da América e os Americanos eram a essência e personificação do Imperialismo. O Imperialismo Americano, que para algumas mentes, nessa época, era o único existente. (Só nessa época?!)

Ali, naquele contexto, naquele local, naquela época, naquele momento quente que vivíamos, para aquelas “cabeças pensantes” o raciocínio linear e silogístico que delinearam foi o seguinte:

- Eu trabalhava para a NORMA, que vendia Computadores, que eram fabricados pela IBM, que era uma Empresa Multinacional, uma Empresa Americana dos Estados Unidos, Americanos que eram o supra sumo lapidar e único do IMPERIALISMO!

Logo, eu, ali, naquele espaço e tempo, para "aquelas cabeças pensantes" era… um Agente do Imperialismo Americano.

I want you in. brasilescola.com

 

E, logo a fazer perguntas às pessoas sobre questões de natureza política e partidária!...

Bem, dará para imaginar a cena?!

Talvez só para quem tenha vivido esses tempos…

 

Os hipotéticos inquiridos começaram a não querer responder; se procedia a outra seleção, obtinha idêntico procedimento, uma recusa de resposta; avançava na pesquisa e outro não; respostas negativas, maus modos, olhares de soslaio e algumas pessoas manifestavam alguma agressividade; grupinhos aqui e ali pela rua, sinais de mal-estar, desconforto; ameaças veladas e algumas mais explicitadas.

A situação tornou-se intolerável. Era impossível dar continuidade à feitura dos inquéritos. Porque, obtida a primeira recusa ninguém mais me quis responder. Para além dos sinais evidentes e explícitos de contrariedade e alguma agressividade.

Optei pela atitude mais sensata. Dei por terminada a minha função, saí da zona, vim-me embora sem concluir o conjunto dos inquéritos, que mal os tinha começado… e entreguei-os na Empresa. Propuseram-me ir fazê-los noutra zona da cidade com perfil semelhante, mas optei por não continuar a fazer esse tipo de inquéritos.

Ainda fiz mais inquéritos, mas de outras tipologias.

 

Passaram-se quarenta anos!

 

Lembrei-me de escrever no blogue sobre este acontecimento caricato, mas verídico, quando na série “Mad Men” passaram o episódio da instalação dos “monstros” dos computadores da IBM, na fictícia “Sterling Cooper”.

 

Terá a ficção alguma coisa a ver com a realidade?!

 

E terá esse peculiar acontecimento alguma coisa a ver com a atualidade?!

Terá? Não terá?!

Talvez ainda falemos alguma coisa sobre isso…

 

E qual foi o 2º acontecimento relacionado com computadores e referente a 1976/77?!

 

Por agora, termino, que o prosear já vai longo.

 

 

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publicado às 12:33

“MAD MEN” - American Movie Classics – AMC

por Francisco Carita Mata, em 09.11.15

“MAD MEN"

Série Americana na RTP2

Temporada 7

Episódios 12 e 13

“Sterling Cooper”: fusão ou confusão na “MacCann-Erickson”

fusão in theatlantic.com

 

E como se processou a integração dos quadros da antiga “Sterling” na "MacCann"?

 

Não foi nada fácil essa integração. Nessa fusão houve necessariamente muita confusão, principalmente nos quadros superiores. Imbuídos dum espírito de senhores dominantes numa empresa de pequenas dimensões, mas em que detinham um estatuto elevado, alguns dos sócios executivos tiveram dificuldade de integração ou não se integraram de todo.

 

Roger Sterling, principal acionista da firma com o seu próprio nome, que vendeu, não teria propriamente o objetivo de voltar a trabalhar. Reformou-se, que era esse o seu móbil. Gozar a vida. À grande e à francesa, daí ter juntado os trapinhos com uma canadense, que falava francês e com quem foi passear para a Cidade Luz, Paris!

Mas foi ele o elo de ligação entre a velha firma e a nova. Entre os quadros da “sua Sterling” e os executivos da “MacCann”. E essa interligação foi difícil de concretizar com alguns deles, ao ponto de Jim Hobbart, presidente da “MacCann”, o ter acusado de lhe ter vendido uma “maçã podre”.

 

Peggy Olson, redatora supervisora, vivenciou algumas dificuldades na sua passagem para a nova empresa, mais por questões inerentes ao funcionamento da empresa recetora. Que não dispunha, ou não disponibilizou desde logo, de um espaço próprio e específico para o seu trabalho, não lhe cedendo um escritório, nem os equipamentos necessários ao seu funcionamento. Essa ausência de ação traduzia, na ótica da profissional, uma falta de consideração pelas suas funções e estatuto, que ela tão arduamente conquistara, numa firma e num mundo sócio profissional liderado e dominado por homens. Finalmente ser-lhe-iam dadas as condições à sua cabal integração na nova empresa, conforme já abordámos no post anterior.

Até à sua transferência para a “MacCann”, foi permanecendo pelos escritórios da “Sterling”.

Aí lhe apareceria o próprio Roger, vindo da “MacCann”, angustiado e sequioso de álcool, que na nova empresa esse hábito não era cultivado, pelo menos à escala em que se abusava na sua firma, com o seu apelido batizada. Vasculhou o móvel-bar, mas não encontrou nada. Valeu-lhe Peggy, oferecendo uma garrafa de vermute, que compartilharam os dois. E foi vê-los, ele tocando piano e ela a andar de patins nos escritórios da “Sterling”, agora quase despidos de mobiliário, uns verdadeiros salões de baile e patinagem artística.

(E eu que julgava que só eu é que, por essa mesma época, finais de 60, inícios de 70, andava de bicicleta roda 28, em círculo, na cozinha da minha avó  Rosa! Mas não sob os efeitos de qualquer vermute!)

Pois sob esse efeito e de cigarro de lado na boca, conforme documenta a imagem seguinte, Peggy assim entrou triunfalmente, na nova empresa, senhora e dona do seu estatuto de mulher emancipada profissional e socialmente, demonstrando à saciedade e à sociedade conservadora da nova empresa, ser uma mulher livre e libertada! Uma menina pop!

 

entrada triunfal in stitoday.com

 

Imbuída desse espírito, impregnada desses valores também, Joan, que aliás fora a mentora de Peggy, julgou que faria uma entrada triunfal, com passadeira vermelha, na MacCann. Mas saíram-lhe furados todos os cálculos, todas as conjeturas.

Mercê de um conjunto de estereótipos e preconceitos, a que não seria de todo alheia a sua condição de mulher, sobreposta ao seu visual de mulher fatal, esteve sujeita a um conjunto de equívocos, desde ser rebaixada a trabalhar às ordens de um jovem muito menos experiente e capaz, até pedir ajuda a um executivo, que achou que ela o fora convidar para uma escapadela de fim-de-semana, para na alcova conquistar estatuto profissional e mercês do patrão.

O confronto com o presidente da empresa não foi menos redentor. Pelo contrário. Não valeu qualquer argumento, muito menos supostas ameaças de sindicatos ou movimentos libertários ou denúncias nos jornais da cidade. Que ela ignorava as páginas de anúncios publicitários que a “MacCann” comprava diariamente nos principais diários nova-iorquinos.

Ontem, como hoje, os media têm Dono! Na altura, os principais meios de comunicação eram os jornais, pese embora o peso que a rádio também tinha e a crescente importância da televisão. O cinema também era importante, relativamente muito mais do que é agora.

Internet era ficção científica!

E Tudo Isto Tem Dono ou Donos!

Vale-nos atualmente e, apesar de tudo, a Internet. Um espaço de Liberdade!

Mas Joan não teve sorte nenhuma, mas também não cedeu nem se sujeitou a ser humilhada nem enquanto profissional nem na condição de mulher.

E preferiu deixar a empresa e o emprego, vendendo as suas ações e participação na firma por metade do preço, que foi isso que o presidente da MacCann, Jim Hobbart, lhe ofereceu. Cinquenta cêntimos, por cada dólar por ela investido.

E com esse dinheiro se foi e investiu na sua produtora de filmes industriais, de que também já falámos no epílogo

 

Pete não só se integrou desde logo bem, que era “menino bem”, e sabia safar-se, como ainda ganhou emprego ainda melhor, de que também já falámos no respeitante ao episódio catorze e derradeiro.

 

Don, supostamente a “baleia branca” da “Sterling”, não saiu nem branca, nem preta, nem cinzenta, nem baleia. Saiu-lhes uma balela!

Na célebre reunião de diretores criativos, eles eram tantos e tão iguais, que Dan se confundiu.

Não se fundiu e fugiu.

Ver-se entre tantos e tão iguais, todos com mesuras simpáticas para com um palestrante chato, sempre a falar de um homem que todos conheciam, em quem todos pensavam, de que todos sabiam os hábitos, as atitudes e comportamentos, os costumes e que todos queriam convencer nos seus trabalhos publicitários, “o Homem Médio Americano”, que não era um, mas muitos milhões… fez Don devanear e vaguear nos topos dos arranha-céus da “Grande Maçã”, sair dessa reunião, não à procura de um “Homem Médio”, que não era apenas um, mas muitos milhões, mas à procura dele próprio, um único e apenas, na busca da sua identidade perdida, do seu original trocado.

E correu os “Estates”, na célebre “Estrada 66”, se não foi nessa foi noutra qualquer até lá ter chegado e no seu Cadillac, que na época tudo quanto se achava gente andava de Cadillac, e foi até à Califórnia frequentar um retiro espiritual na sua busca interior, que esperemos se tenha encontrado e achado.

 

busca de identidade in. visiteoseua.com.br..jpg

 

E assim falamos, ou não, na integração/não integração na nova empresa, que muito fica por dizer, por contar, especular e questionar.

 

Talvez ainda fale de dois episódios verídicos, vividos na segunda metade da década de setenta, relacionados com os computadores, na época, “verdadeiros monstros”. Enormes! Tão só e apenas!

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publicado às 12:38

“MAD MEN” - American Movie Classics – AMC - Epílogo

por Francisco Carita Mata, em 08.11.15

“MAD MEN”

Série Americana na RTP2

Temporada 7

Episódio 14

Epílogo

 

in rollingstone.com

 

Esta série dramática, exibida de 2007 a 2015, teve na quinta-feira transata, dia 5 de Novembro, o seu epílogo na RTP2, com o 14º Episódio desta 7ª Temporada.

Houve o cuidado, por parte dos guionistas, de rematar o enredo, atribuindo aos personagens principais, um final satisfatório aos seus anseios e objetivos, conforme foram manifestando ao longo do seu desempenho na narrativa.

 

primavera colorida in hollywood.reporter.com

 

 

Vejamos…

 

Pete Campbell, menino bem, de “boas famílias” tradicionais, ambicioso … arranjaram-lhe um novo emprego numa empresa de jatos privados e é vê-lo a ir passear num desses mini aviões, executivo topo de gama, acompanhado da filha e da mulher, com quem se reconciliou.

Ao abandonar a “MacCann – Erickson”, teve a amabilidade de se ir despedir de Peggy e de ser simpático com ela, com quem tinha sido por vezes grosseiro ao longo de vários episódios.

 

do joan peggy in telegraph.co.uk.jpg

 

Peggy Olson, secretária esforçada que fora subindo arduamente na “Sterling Cooper”, com uma entrada problemática na “MacCann”, acabou por ter o reconhecimento do seu estatuto e profissionalismo na nova empresa, sempre aspirando ao cargo de chefe criativa.

Paralelamente acabou por reconhecer-se enamorada de Stan Rizzo, iniciando um par romântico, um amor desencontrado que através do telefone se encontrou, em declarações apaixonadas, que frente a frente davam sempre para o torto. E foi vê-los a beijarem-se na sala de trabalho da secretária criativa, esforçada, centrada no trabalho e ascensão profissional e, finalmente, também recompensada com o desejado, aguardado e merecido Amor.

Cumulativamente, a sua ex-colega, Joan Holloway, ofereceu-lhe parceria num negócio de produção de filmes industriais, numa empresa independente, que Joan quer fundar e associar Peggy como guionista.

 

Aquela, Joan, realizou um dos seus sonhos: a criação da sua própria produtora, “Holloway & Harris”. Mulher assertiva e independente, proactiva, afirmando-se e afirmando o papel da Mulher no contexto social e profissional nessas décadas já tão distantes e ainda tão chegadas: anos sessenta e inícios de setenta do século XX.

No plano emocional, terá perdido o seu novo namorado, um pouco mais velho e já reformado, cheio de bago, que pretendia seguir com Joan para as curvas, que é o que não lhe falta a ela, e a ele, pelos vistos, dinheiro. Viajarem pelo mundo, gozando da sua companhia, que a ela não lhe desagradaria, mas também tem outros projetos para si mesma, que também tem em conta a sua realização profissional. E, nesse plano, ficou nas sete quintas.

Para ajudar a criação do filho também, e ainda, conta com a mãe. E teve uma ajuda preciosa de Roy, Roger Sterling, que deixou parte da sua herança à criança.

Se mal pergunto, mas o menino de Joan é filho de Roy ou do indivíduo com quem ela esteve a viver, não sei se casada?! Dúvidas de quem não viu todas as temporadas, nem nestas, todos os episódios…

 

Roger Sterling, após a venda da sua “Sterling…”, uma “maçã podre” na “Grande Maçã”, vai gozar da reforma… passeando pela Europa com uma jeitosa matrona da sua estirpe, que conheceu através de Megan Draper, que por acaso, só por acaso, é a sua própria mãe. E que fala francês! Só não sabemos se tocará piano…

 

Sally Draper, filha de Don e Betty, adolescente, que iniciara um processo natural de pequenas rebeldias de filha mimada, jogando com a separação dos pais e a “massa” destes, cresceu de repente. Tomando conhecimento da doença fatal da mãe e do desfecho iminente, ganhou maturidade e protagonismo no enredo e na sua própria vida e na dos que a ela estão mais chegados, os irmãos e a progenitora.

 

Esta, Betty Draper, após passar a maior parte da vida como esposa dondoca e boneca enfeitada, resolveu frequentar a Universidade e estudar Psicologia. Talvez à procura de si mesma, do tempo perdido e de um significado para a sua própria existência algo vazia, de aparências e cabelo sempre arranjado e vestidos aprumados. E foi precisamente aí, na Faculdade, que encontrou um primeiro sinal do seu destino. Ao cair na escada, subindo os degraus do estudo e do saber, viria precisamente a ter conhecimento, após os devidos exames, ser portadora de doença fatal, ainda hoje, muito mais naquela época, uma verdadeira sentença de morte: um cancro de pulmão. Inexoravelmente, morte certa!

Um sinal também da “morte” daquele modelo de Mulher?!

E um prenúncio das famigeradas campanhas anti tabagismo?

 

compaixão in latimes.com

 

E Don?!

Bem, o protagonista da série ficou para o final deste trecho narrativo.

Don, após a célebre e paradigmática reunião de diretores criativos na “MacCann – Erikson”, num 14º andar de um escritório nova-iorquino, com vista soberba sobre os arranha-céus, que menosprezam a torre da Catedral de São Patrício, deu-se ao devaneio… Abandonou a sala, o andar, o elevador, o edifício, a cidade e pôs-se a andar… “On the road”. Qual Kerouac, percorreu os Estados Unidos, de Leste para Oeste, no seu esbanjador de gasolina, à data, abundante e barata, que para a crise petrolífera ainda faltavam dois anos…

Viveu as peripécias da vida errante de cow-boy moderno, sem causa nem destino, sem um fim ou finalidade, que não fora fugir de si, à procura de algo que nem ele próprio é. Que ele não é quem diz ser, possuidor de uma falsa identidade que não lhe pertence.

Acabou num retiro espiritual, num local isolado da Califórnia, com uma soberba vista para o Pacífico, numa comunidade pacífica e de pacifistas, relaxando numa de yoga ou tai tchi, e frequentando psicoterapia de grupo.

Andando na sala sem destino, exprimido sentimentos sem nada dizer, tê-los-á alguma vez ele expresso?!... Preso ali, naquele espaço de aparente libertação, que o carro lhe fora roubado pela mulher, Stephanie, que o levara para aquele local recôndito de fim de mundo.

Desesperado, telefonou a Peggy, desabafou, que fizera tudo errado, que não era quem julgavam, que estragara tudo, que quebrara todos os seus juramentos…

Peggy apreensiva…

Afinal rematou que só ligara, porque percebeu que dela não se despedira e queria ouvir a sua voz… Mais um que foi simpático com a ex secretária subalterna, reconhecendo-lhe o valor, não devidamente reconhecido enquanto trabalhavam juntos.

E Draper voltou a novo seminário, também a convite de outra senhora.

E ouviu outro participante, Leonard, relatando a sua vida e um sonho…

“… passam por mim e não me veem… dizem que me amam… se calhar, amam… (…)

Sonho que estava numa prateleira de um frigorífico… …” E chorou, chorou. Caiu num choro convulsivo, incontrolável…

E Don, num gesto espontâneo e sentido, numa atitude de empatia, levantou-se da sua cadeira, dirigiu-se ao local do Outro, e abraçou-o. E também chorou!

E voltou a novo relaxamento com a memorável vista sobre o mar, em posição de yoga e exercícios respiratórios.

E um hino de agradecimento espiritual…

“Mãe Sol, adoramos-te! E agradecemos-te a doçura da Terra. De um novo Dia!” Hino muito peculiar daqueles tempos de “Make Peace, Not War!” De “The Flower Power”!

 

retiro espieitual in hollywoodreporter.com

 

 

Mas o episódio, a temporada, o seriado terminou não com este hino, mas com outro bem mais prosaico e, na verdade, mais consistente no tempo e no espaço, ou não fossem eles publicitários e delineadores do constructo, do designado “american dream”, sonho americano.

Pois a série findou ao som de um célebre spot publicitário de 1971: o “hino” à Coca-Cola, “que é a melhor bebida do mundo”.

Diz a publicidade…Publicidade!

 

Consciencializassem as pessoas de que é ela feita… e não lhe tocariam.

E quanto melhor não é beber um bom vinho português! Ou até uma boa cerveja!

E, esta opinião não tem nada a ver com nacionalismos!

 

E ficamos por aqui?!

E não falamos da célebre entrada destes pioneiros da Publicidade na nova empresa em que a “Sterling” foi incorporada, após a respetiva venda por Roy?!

Não sei! Talvez…

 

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publicado às 18:45

“MAD MEN” Série Americana na RTP2 - 11º Episódio

por Francisco Carita Mata, em 03.11.15

“MAD MEN"

7ª Temporada - Episódio 11

2ª Feira – 02/11/2015

 

No episódio de ontem, a trama central da narrativa situou-se na fusão/incorporação da firma “Sterling Cooper” na “MacCann – Eryckson”.

 

in g1.globo.com

 

Situação que se foi desvendando no decurso do episódio. Inicialmente a partir de um aparente não pagamento da renda do espaço ocupado pela “Sterling”, que depois se veio a saber, advir de os diretores da “MacCann” quererem transferir os serviços da “Sterling” para os escritórios da “MacCann”. Este facto começou por ser apenas do conhecimento dos cinco sócios executivos, Roger, Don, Pete, Joan e um quinto que não consegui identificar.

 

Tudo se estava a passar em relativo segredo, mas segredos destes são “o segredo da abelha”! Várias reuniões entre os sócios, entre estes e os representantes da “MacCann”; Pete que contou a Peggy; Peggy que contou a outro elemento criativo e sempre a mesma recomendação “não é para dizer, nem ao cônjuge nem ao melhor amigo… só te digo a ti, que és de confiança e sei que a tua boca é um túmulo!” Que isto dos segredos é como no “Príncipe das Orelhas de Burro”. O barbeiro que cortava o cabelo ao Príncipe não conseguindo guardar o segredo, confiou-o a um buraco que escavou e tapou com terra. Onde veio a nascer um canavial. E, crescidas as canas, o vento ao nelas passar, assobiava… “o Príncipe tem orelhas de burro… ” E fazia eco… E todo o reino veio a saber.

Assim aconteceu na empresa de publicidade.

 

Incorporar uma empresa em outra maior, já com uma estrutura formada, equivalia a dizer que iria haver dispensa de pessoal, para além da deslocação dos serviços.

Uma verdadeira bomba!

Esse receio foi primeiro dos executivos, ao saberem da situação. Alguns não queriam ir para as instalações da nova empresa. Foram equacionando alternativas, inclusive mudarem com a firma para as instalações que tinham na Califórnia! No outro lado do Continente, imagine-se, tal era o receio de, ao fundirem-se com a empresa maior, eles próprios se extinguirem nela… De serem devorados! Engolidos!

Mas também nem todos queriam ir apanhar banhos de sol na Califórnia, nem podiam, que tinham as suas vidas em NY.

 

Peggy, que não é sócia, logo que soube do segredo, tratou de contratar um angariador de trabalho, para lhe arranjar outra colocação, pois supostamente também iria perder o seu posto, por que ela tanto lutara, abdicando inclusive das funções da maternidade. Tinha imensas qualidades e experiência e vontade de trabalhar… mas tinha um handicap, não era licenciada. E os empregadores começam desde logo a recrutar nas Universidades…

 

As secretárias negras, quando souberam, que entretanto tudo se foi sabendo, que o vento foi propagando o boato, questionavam-se como iriam elas para a nova empresa, se uma delas nem sequer era primeira secretária, era apenas a segunda, que a primeira era a moça loura, como convinha ao status sócio profissional da firma. Será que Draper a iria levar com ele?! E na nova empresa iriam aceitá-la, a ela que era negra?!

A loura também veio a saber dos cochichos e interpelou diretamente o chefe, Don Draper. E este tranquilizou-a, que a levaria com ele.

Nesta altura já houvera a reunião final com o diretor da Mac Cann. E o diretor criativo e sócio da firma, Draper, sabia que podia dar esperanças à menina, sua segunda secretária!

 

Para essa reunião final os cinco executivos prepararam-se devidamente, estudando toda a sua carteira de clientes, tendo feito contactos com as empresas com que poderiam contar caso decidissem “abalar” para Los Angeles. E Draper, macho alfa e cérebro criativo, preparara uma apresentação com cartazes elucidativos, contando com a sua eloquência e sagacidade para defenderem a autonomia da Sterling.

 

Mas o diretor da MacCann surpreendeu-os completamente, dizendo que nada do que eles estavam a pensar fazia sentido, que tudo não passara de um teste à capacidade de resiliência da “Sterling”, que eles haviam ultrapassado, que eles não se anulariam na fusão e apontou-lhes as cinco empresas multinacionais de que disporiam como clientes, com um vasto mercado de publicidade para explorarem. Ou seja, só ficariam a ganhar. “Venceram! Parem de se debater!”

Eis as empresas, todas de grande potencial: Buick, marca premium de automóveis, ligada à General Motors; a Ortho Pharmaceutical, a dos contracetivos; Nabisco, National Biscuit Company, a dos biscoitos; Coca-Cola, a da célebre bebida, que se as pessoas tivessem conhecimento de que é feita, que é um verdadeiro lixo, ninguém a bebia… mas para o consumo a nível mundial dessa beberagem, muito contribuíram estes “Homens Loucos ”.

E haveria uma quinta, mas ou ele não a disse ou eu não a percebi.

Aparentemente cada um dos executivos homens ficaria com uma destas clientes. E que clientes!

 

A hipotética quinta empresa foi mesmo omissa?

Joan também se queixou que ele não lhe atribuiu nenhuma empresa… propositadamente, por ela ser mulher e por não a irem levar a sério na nova empresa, a ela que tanto tinha lutado para se afirmar dentro da Sterling, para além de ser o mulherão que é, que enche as vistas de qualquer um. Mas ela queria também afirmar-se como profissional, o que já conseguira na Sterling, sendo nomeadamente sócia, estatuto que não queria perder, que não tinha apenas um belo corpo de mulher, mas também era cabeça pensante.

 

E pensando nisso tudo, os executivos realizaram uma reunião com todo o pessoal da “Sterling Cooper” aonde oficializaram o que já toda a gente sabia, que iriam mudar-se para a MacCann – Erickson e que a transição iria ser o mais suave possível!

Coube a Roger Sterling fazer esse anúncio oficial, para isso tem o sobrenome na firma.

 

Comemorando vitória   in. telemundo.com

 

Paralelamente ocorreram cenas das vidas particulares de alguns personagens.

 

Joan, de vento-em-popa com o novo namoro, ainda vai à terra dos faraós, a recriar Cleópatra, com o seu Marco António.

 

A ex-mulher de Pete, agora divorciado, não conseguiu colocar a filha de ambos num reputado colégio onde os filhos família do ex-marido haviam estudado há gerações. Socorreu-se de Pete, para irem à escola privada a saber do sucedido. E foi um desfile de atitudes “bem”, ares e maneiras finas e requintadas, desde o trajar ao linguajar, que terminou numa cena de cow-boys, à boa maneira americana, em que Pete socou o diretor. Um ajuste de contas que já dura há três séculos, desde os primeiros colonos americanos.

Ficámos também a saber, que ela, ex-esposa, o disse, que na sua qualidade de divorciada, era assediada das mais diversas maneiras, quando tratava de qualquer assunto e essa condição era exposta.

 

Sem comentários!

Que os assuntos abordados no enredo dão pano para mangas. Permitem-nos constatar e comparar como era o Mundo em que vivíamos há meio século e as mudanças e alterações que vivenciámos nos mais diversos aspetos.

 

Sobre essa constatação ainda quero elaborar um “post” sobre duas ocorrências vividas…

 

Por agora, colocamos:

The End

 

 

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publicado às 13:58

“Mad Men” - 10º Episódio!

por Francisco Carita Mata, em 01.11.15

“Mad Men”

Série Americana na RTP2 

10º Episódio!

31 de Outubro – 6ª Feira

 

Será impressão minha ou esta série, nesta temporada, não "agarrou” os telespetadores na RTP2? Nas outras não faço a mínima ideia, pois ainda não seguia esta moda dos blogues…

 

mad men in eco.globo.co.jpg

 

Mesmo eu que vi episódios em outras temporadas e até procurava seguir o enredo, nesta temporada não me senti muito motivado para seguir o seriado. Bem, na verdade, por diversas razões, também não consegui ter oportunidade de ver a maioria dos episódios. Na semana passada só pude mesmo ver o de 6ª feira, dia 30 de Outubro e logo, por ironia, a TV resolveu falsear-me. Teve uma daquelas crises existenciais. Parava as imagens, desaparecia o som, esquecia-se do que pretendia transmitir, deixava os personagens de boca aberta e parados, hirtos, à espera de nova ordem de ação, desfigurava-se em tela abstrata, embora não tenha chegado ao estertor final de se extinguir. Mas quando voltava, após estes hiatos, já parte do enredo ficara para trás, sem ser visualizado e entendido.

 

Apesar de tudo, ainda vi alguns excertos do episódio e será com base no que pude ver que concretizarei alguma narração pessoal do enredo narrado.

 

Dom Draper, Dom aqui é título, ainda na cama, foi acordado pela elegante senhora da agência imobiliária que trazia clientes para lhe verem o apartamento para ser vendido. Despachou-o a sete pés, sem direito a banho nem feitura de barba, oferecendo-se para lhe fazer a cama, para o recambiar, que estava na hora de os eventuais compradores chegarem.

Não sabemos se a estes ou a outros, o que é certo é que a agente conseguiu que a casa fosse vendida, por bom preço. Estava na hora de ser ele agora a comprar outra casa, que é para isso que as agências servem. Intermediárias na venda e compra. Com estes negócios acabamos por ganhar todos, de uma forma ou de outra e ganha também a sociedade, que há sempre valor acrescentado ao produto, nas diversas transações. E há trabalho para muitas pessoas.

 

A bela e fogosa Joan Holloway, a boazona da firma, arranjou namorado. Um cota divorciado, reformado e endinheirado que nela se encantou, o que não é difícil e que estava ali para as curvas com a rapariga. Que curvas e volumes é o que sobra na moça, que deixa os pescoços torcidos aos transeuntes masculinos, quando ela se passeia nas Avenidas, bamboleando as ancas e atirando o porta seios, quase a explodir de sofreguidão e desejo, para cima de tantos olhos gulosos.

Pois o dito senhor, após sondar bem o terreno, manifestou-lhe o desejo de a levar a ver as Pirâmides do Egito, que ele estava interessado em exibir tamanho tesouro, alvo de todas as cobiças masculinas e inebriadoras do seu ego pessoal, na terra dos faraós, qual Cleópatra ou Nefertiti, que retornassem aos vergéis do Nilo! E, ele, um nababo americano e dono daquele troféu!

Mas sofreu tremenda desilusão, porque a beldade, apesar de livre de namorado ou marido, tem um menino de quatro anos para criar e não se pode ausentar assim como ele pretende, a satisfazer-lhe os caprichos de possidónio daquela estátua viva e ardente de fogo.

Foi ríspido e arisco. Que já criara os filhos próprios, não queria criar filhos de outro, agora que finalmente ficara livre da mulher que aturara por mais de vinte anos até os rebentos criados.

Joan, que também não é mulher para se ficar, despediu-se, deixando-o ficar na cama do hotel que ele alugara, para ambos selarem compromissos de viagens futuras, numa viagem presente, estendidos e rebolados na cama, que assim não conheceu os aconchegos e calores de casal tão inebriado de amor.

Amor, sim! Porque o homem reconsiderou, um tesouro assim não se acha todos os dias e, no dia seguinte, lá estava ele no emprego da bela secretária, com um lindo ramo de flores a pedir-lhe desculpa e prometer-lhe novos enlevos. Que até iria comprar um apartamento na “Grande Maçã”, aonde ela e todos os respetivos familiares mais chegados, se poderiam chegar sempre que quisessem, que seriam bem vindos.

E assim se processou a reconciliação e quem sabe (?) ainda a levará a um belo cruzeiro no Nilo!

 

Outra personagem feminina da trama é a simpática Peggy Olson, que veio subindo na hierarquia da firma, degrau a degrau, mercê da sua competência e trabalho aturado, que foi reconhecido, conforme víramos na primeira semana e registei na segunda das narrações efetuadas.

Andava muito atarefada, como sempre, mas agora com algo com que também lidámos muito, profissionalmente. E o que foi?!

Pois, precisamente, a avaliação de desempenho.

Que ela queria muito fazer. E foi com Draper que ela se expôs nessa auto avaliação.

Neste relacionamento houve algo que me intrigou. No início desta sétima temporada depreendi que o publicitário estava numa situação crítica em termos de hierarquia na firma, tendo sido relegado para uma posição mais subalterna. Mas, neste décimo episódio, observei que ele adquirira o antigo estatuto de diretor criativo e era perante ele que Peggy apresentava a respetiva auto avaliação.  

De que, num breve diálogo entre ambos, ela expôs os seus objetivos fundamentais: ser a 1ª diretora criativa da agência, conseguir um cliente importante, ser famosa e criar algo duradouro.

Nem mais, nem menos!

 

Neste episódio notou-se a ausência da 2ª mulher de Draper, a atriz, Megan Draper… O que lhe terá acontecido?! É o que dá não acompanhar o seriado… ignoro o que terá sucedido a tão promissora atriz das novelas de Hollywood.

 

Em contrapartida, Betty Draper, em segundo casamento com um político mais velho, apresentou-se em todo o seu esplendor de esposa boneca, dona de casa quase perfeita, sempre impecavelmente vestida e penteada, mesmo na frente de tachos e panelas; mãe de dois gaiatos a brincarem a heróis do Vietname e de uma adolescente, Sally Draper, a preparar a ida para uma viagem de finalistas, de autocarro pelos Estados norte americanos.

Esta e os amigos e amigas tiveram aqui o papel revelador da problemática dos jovens na época, finais de sessenta, inícios de setenta. A guerra no Vietname, o amigo de dezoito anos que se alistou e aproveitou a visita para se lançar à mãe; a rapariga que queria saber se Sally arranjara “erva”, que iam a uma festa a um lugar da moda; mas não tendo, Sally a tranquilizou, que aí comprariam, assim a mãe lhe desse dinheiro; a discordância da jovem face ao alistamento do amigo, o seu súbito amuo e recusa em ir na festa, fruto dessa discordância ou dos ciúmes não assumidos pela atenção que a mãe deu ao rapaz?!  

 

Don, pai de Sally, ir-se-ia despedir da mesma, na estação de autocarros, jantando previamente com ela e as amigas mais chegadas. Conversas triviais entre um pai e adolescentes, sobre sonhos e projetos, oportunidade para uma das raparigas se atirar ao quarentão macho alfa, pedindo-lhe lume e esvoaçando a fumaça na sua direção, que fumar era na época um sinal de independência e afirmação femininas. E de sedução!

Cena que não agradou a Sally, que isso fez notar ao pai, que ele e a mãe ficam todos derretidos, quando alguém lhes dá um pouco mais de atenção!

Fica o registo dos ciúmes da miúda, relativamente aos progenitores.

 

Houve mais registos que seriam de assinalar, tivesse eu visto todo o episódio, nomeadamente referentes a Roger Sterling, um dos sócios da firma e Pete Campbell, gerente de contas, que continua a embirrar, ou amar doentiamente (?) Peggy Olson!

 

 

 

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publicado às 19:02


Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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