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O Reino Unido pondera a possibilidade de sair da União Europeia!

por Francisco Carita Mata, em 29.02.16

Reino Unido: Europa – Sim / Não

map of United Kingdom in google maps.png

 

Esta tem sido uma informação recentemente veiculada pela Comunicação Social, referindo nomeadamente que esta situação será colocada como referendo ao povo britânico, a 23 de Junho, deste ano de 2016.

 

Referem também que o 1º Ministro britânico, David Cameron, conseguiu um “acordo com os 27 parceiros europeus que garante ao país um estatuto especial dentro da União” no sentido de reforçar essa permanência. Também têm sido mencionados alguns dos “notáveis” britânicos que defendem essa saída, nomeadamente membros do governo atual, contrariamente à posição do 1º Ministro britânico, que defende a permanência na União.

Esta situação suscita muitas questões, algumas colocadas nos media.

 

Sobre o Acordo...

Este refere-se fundamentalmente a questões de funcionamento interno no Reino Unido ou também na forma como esse Estado se relaciona com os outros Estados, no contexto da União?

E favorece esse Estado e desfavorece os outros? Ou mantem-nos todos em pé de igualdade?

E foi “negociado” com todos os outros 27 Estados membros ou preferencialmente apenas com os “principais”?

 

Sobre o Reino Unido:

Será que o Reino Unido alguma vez esteve de “alma e coração” na União Europeia?!

Note-se que este Estado/País não aderiu nem à Zona Euro, a moeda continua sendo a libra esterlina, nem integra o Espaço Schengen.

 

Aliás, o Reino Unido, globalmente sempre se terá considerado um pouco além da Europa, diga-se do Continente, já que sempre se consideraram como as “Ilhas”.

 

Quando se fala de Reino Unido temos que esclarecer que este é o termo para designar o Estado constituído pela Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte e mais umas quantas Ilhas no Mar do Norte e no Canal da Mancha, com estatuto especial.

Que no que respeita a este Estado há sempre muitas particularidades, nomeadamente o facto de ser uma monarquia, o que desde logo determina haver questões do Estado e questões da Coroa. Mesmo territorialmente!

E ainda vários territórios ultramarinos, espalhados pelo Mundo, resquícios do famoso Império Britânico, British Empire, como sejam as Ilhas Malvinas / Falkland Islands, Gibraltar, etc, etc, são mais de uma dezena, que esse Império se espalhava por todos os Continentes e Oceanos.

 

Isabel I in wikipedia.jpg

 

E este é um dos aspetos que sempre ressalta, quando se fala deste Estado/Reino.

Senhor de um Império assente no domínio dos mares e com territórios nos cinco continentes, que foi iniciado com Isabel I, na segunda metade do século XVI, se estruturou no século XVII e consolidou no século XVIII, tornando-se hegemónico no século XIX, ainda preponderante na primeira metade do século XX, mas que se extinguiu após a II Grande Guerra, com a independência das várias colónias na Ásia e na África.

Ficaram contudo múltiplos territórios espalhados pelos cinco continentes, como “remanescentes” desse Império, e que fazem parte desse Reino Unido.

Ficou também a organização intergovernamental designada “Commonwealth” que engloba 53 estados independentes como países membros, na quase totalidade pertencentes ao antigo Império.

E essa matriz identitária de detentores e integrantes de um Império tem condicionado a visão britânica do Mundo, no contexto da sua relação com outros Estados e Povos.

 

Estado possuidor de um grande poderio económico e financeiro, ainda atualmente. A “City” é o maior centro financeiro da Europa.

O Reino Unido sempre sentiu que contribuiria talvez demais para a Comunidade e pouco ganharia em troca.

Contudo gostaria de realçar um facto, que li há alguns anos, sobre a questão das verbas obtidas pelos agricultores europeus, na sequência das medidas de financiamento à agricultura, atribuídas à data em função das áreas dos terrenos.

Pois sabem quem era a Personalidade na Europa que mais recebia segundo esse critério?!

Pois, precisamente, a Rainha de Inglaterra!

 

E penso que estes têm sido alguns dos aspetos que, à partida, e de algum modo funcionando como marcos e preconceitos identitários, têm definido a adesão do Reino Unido, primeiro à Comunidade Europeia, 1973, e, posteriormente, à integração, sempre limitada e condicionada, na União.

 

Para além destes aspetos, ressalto também as idiossincrasias próprias dos britânicos. Circulação rodoviária pela esquerda, adesão tardia ao sistema decimal, tanto no dinheiro, como nas medidas e pesos, sistema métrico. Penso que a aceitação do sistema decimal terá sido na sequência da adesão à CEE, já na década de setenta do século XX.

 

Muitos destes aspetos são de natureza essencialmente cultural, mas condicionantes do relacionamento britânico com os europeus do Continente.

 

Como se diz em linguagem corrente, “sempre com um pé dentro e outro fora”.

 

(Que existem outros contextos em que os britânicos gostam de usufruir de estatutos especiais. Veja-se no futebol, não sei se em todos os desportos. Os britânicos têm representações da Inglaterra, da Escócia, do País de Gales, da Irlanda do Norte. Não sei se também das Ilhas de Jersey e de Guernsey!

Imaginam a Espanha a ter representações da Catalunha, do País Basco? ... Das Ilhas Baleares... Era um bailado flamenco!)

 

Atualmente com as “Crises” instaladas, o melhor será abandonar o barco?! ...

(Reporto-me especificamente à “Crise financeira e económica” e nomeadamente à “Crise dos Refugiados”.)

 

Mas gostaria de questionar:

Qual o papel que o Reino Unido terá tido no despoletar dessas mesmas Crises?

 

No respeitante à “Crise Financeira”, qual o desempenho que terão tido os decisores e “manipuladores de decisões”, sejam eles Bancos ou “Agências do que quer que seja”, instalados na sua “City”?!

 

No referente aos milhares e milhares de Refugiados, fugindo às Guerras do Médio Oriente.

 

Que papel terá tido o Reino Unido, primeiro, enquanto potência imperial, na sequência da I Grande Guerra (1914 – 18), na forma como, juntamente com a França, potências vencedoras, “dividiram” entre si o Médio Oriente em zonas de influência, criando Estados desconectados da realidade cultural da região, sem respeitarem o anseio de povos e nações culturalmente autónomas?

Basta atentar-se nas fronteiras desses Estados e reparar como foram traçadas “a régua e esquadro”. (Aliás, o mesmo se verifica em África, frise-se.)

 

Em segundo lugar, e após o finalizar da II Grande Guerra (1939 – 1945), o modo como essa região continuou a ser determinada e estruturada territorialmente pelas potências vencedoras, neste caso já não apenas as mencionadas, mas igualmente os E.U.A. e a U.R.S.S.?

 

E qual o papel das empresas petrolíferas e financeiras, a elas interligadas, em todas as contínuas Guerras travadas na região, desde então?

 

E qual o papel do Reino Unido na invasão do Iraque, em 2003, na busca das célebres armas químicas, ao tempo de Tony Blair?

 

Todas estas situações e decisões e mais as que desconheço e/ou não refiro e omito, estão na base da constante e contínua instabilidade do Médio Oriente. Agravadas nestes últimos anos pela Guerra na Síria, que é paradigmática sob todos estes aspetos.

 

 E que papel do Reino Unido em todas estas situações? Repito!

 

Tantas perguntas... Tantas questões... Tantas dúvidas... E tão incompleta esta análise...

(Dir-se-á que nesta minha limitada análise também perpassam alguns preconceitos sobre os “britânicos/ingleses”. Talvez... Talvez um dia escreva sobre isso...)

 

E ainda...

 

E, se o Reino Unido decidir democraticamente, através da auscultação dos seus “súbditos”, deixar de pertencer à União Europeia, que consequências daí advirão? Nomeada e especialmente para a União Europeia.

 

E ainda outra questão.

 

E independentemente dessa saída ou qualquer outra entrada, a União Europeia, a Europa Unida, sob este modelo vigente ou outro, é uma realidade com prazo de validade? Mais ou menos curto?!

É uma estrutura organizativa que, mais tarde ou mais cedo, se “desmoronará”?

Ou, apesar de todas as contrariedades, este modelo de organização e estruturação da EUROPA continuará vigente ainda por várias gerações?

 

Penso que, infelizmente, a situação de “desmoronamento” será a que ocorrerá, mais tarde ou mais cedo. Embora não seja esta a situação que eu desejaria que acontecesse. No Mundo existem espaços territoriais tão ou mais vastos que a Europa que constituem Estados únicos, caso precisamente dos Estados Unidos (E.U.A./U.S.A.) e, ainda mais paradigmático, a China, em que para além da extensão territorial tem uma enorme diversidade cultural (racial, étnica, religiosa, linguística,...). Mas forma uma unidade de Estado, há séculos! A Índia também.

 

E termino, por hoje, estas minhas reflexões, “extraordinárias”, neste dia também extraordinário: 29 de Fevereiro, de 2016. Ano bissexto. Ano de Jogos Olímpicos!

No Rio de Janeiro, Brasil, também um Estado Federal, de grande extensão territorial e grande diversidade cultural, embora com uma matriz quase única na Língua, aliás como os E. U. A. / U.S.A.

 

europa in pt.wikipedia.org..jpg

 

É claro que tenho plena consciência que, na Europa há muitas, muitas outras questões que nos separam.

Lembremos que os Povos Europeus têm passado os últimos dois mil anos em constantes e permanentes guerras entre si!

E Visionários e Idealistas como os Políticos Sábios que delinearam e iniciaram a “Construção Europeia já não existem.

Atualmente apenas conta o Deve e o Haver!

E, nestas coisas de dinheiro, mesmo os irmãos mais irmãos...

Veja também S.F.F.

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publicado às 17:54

“Les Témoins” – Série Policial Francesa

por Francisco Carita Mata, em 28.02.16

“As Testemunhas”

Série RTP 2

 

A RTP 2 volta a transmitir uma série policial europeia, francesa: “Les Témoins” – “As Testemunhas”. Série de seis episódios, numa 1ª temporada.

 

Ainda não foi desta que deram seguimento à célebre “Les Engrenages” – “Crime e Castigo”, mas esta nova série (2014/2015) também é deveras interessante.

 

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A ação decorre nos tempos atuais, em Tréport, na Alta Normandia, onde ocorrem crimes macabros, perpetrados por figuras sinistras, chefiadas por um serial-killer, Kaz Gorbier, (Laurent Lucas), supostamente morto num incêndio, na prisão onde se encontrava detido. Sendo que o fogo fora provocado e iniciado na cela por ele coabitada com mais dois presidiários. Supostamente morto e enterrado, mas na verdade solto, conforme se confirmou no 2º episódio.

 

Protagonizada por Marie Dompnier, no papel de Sandra Winckler, uma jovem polícia encarregue do caso e Thierry Lhermitte, no desempenho de Paul Maisonneuve, antigo polícia retirado e lenda da Polícia Judiciária de Lille, que, face às circunstâncias envolvendo o caso, reassume as suas funções e, conjuntamente  com Sandra, lidera uma equipa de investigação,  tentando desvendar os mistérios, as causas e enquadramentos dos crimes.

 

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Atente-se no sobrenome do chefe de polícia: Maisonneuve – Casa Nova.

E porquê?

 

Porque os crimes acontecem numa zona residencial de vivendas novas, casas novas, em processo de lançamento e divulgação, precisamente nas casas modelos, destinadas a serem visitadas e mostradas aos futuros e potenciais clientes.

 

E em que consistem os crimes?

 

Foram profanados seis túmulos recentes e os respetivos corpos foram colocados em duas dessas casas modelos. Por entre os móveis impecáveis, um homem adulto, uma mulher e uma jovem, que não se conheciam entre si, são dispostos macabramente, como se formassem uma pretensa família ideal!

E também... na 2ª casa modelo, por entre as fotos e variados objetos de sala, uma foto emoldurada de Paul Maisonneuve! !!!

 

E este é o leitmotiv fundamental do enredo... Que é muito mais complexo...

 

No contexto geral do enredo, são afloradas, não sei se mais desenvolvidas no decurso da ação, questões tão correntes atualmente como sejam a especulação imobiliária e a desapropriação indevida, compulsiva e enganosa, de terrenos de particulares, ou mesmo públicos, para satisfação dessa febre gananciosa de construção. Neste caso, e paradoxalmente, de um cemitério. Chão sagrado!

 

Estas duas situações terão alguma relação?!

 

É de visualizar a Série!

 

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publicado às 17:37

Tomada de Posse do Presidente da República - “Celebração ecuménica / Celebração inter-religiosa”

por Francisco Carita Mata, em 27.02.16

Mesquita de Lisboa

9 de Março

 

Mesquita Lisboa in snpcultura.org.jpg

 

Segundo informações veiculadas pela Comunicação Social, a partir de notícia do Jornal “Público”, de 23/02/2016, o futuro Presidente da República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, no dia da tomada de posse, 9 de Março, entre outras ações, irá a um ofício religioso, de caráter ecuménico, “celebração ecuménica/celebração inter-religiosa”, que se realizará na Mesquita de Lisboa.

 

A este evento comparecerão representantes de diversas confissões religiosas. Além de muçulmanos e católicos, também representantes de outras confissões cristãs (adventistas, evangelistas, ...). E de outras confissões religiosas: judeus, budistas... Num total de cerca de duas dezenas de Igrejas.

 

Desconheço a totalidade e especificidade de todas as Igrejas representadas, mas, por acaso, tenho curiosidade em saber.

Bem como gostaria de conhecer exatamente em que vai consistir essa “celebração inter-religiosa”.

 

Esta iniciativa tem como objetivo alertar para a necessidade de “entendimento entre religiões e culturas”... para a “busca de uma solução para o drama dos refugiados do Médio Oriente...” Significando também “...uma manifestação contra os ataques terroristas...”

 

O que dizer desta iniciativa inédita, no contexto em que se insere?!

Pois, direi que é de louvar!

 

Portugal, atualmente, é um País e um Estado em que existe Liberdade, Liberdade de Expressão e especificamente de Expressão Religiosa. Como disse: actualmente!

 

Contrariamente ao que se passa em muitos, demasiados, Países, por esse Mundo fora. Em que não existe Liberdade. Nomeada e especialmente Liberdade Religiosa. E, noutros países, aparentemente onde existe Liberdade, nomeadamente Religiosa, coexiste também e simultaneamente muita, mas muita intolerância. Religiosa e não só! Que onde prolifera a intolerância religiosa ela propaga-se a todos os setores e modos de vida da sociedade.

E, esta situação é muito mais corrente do que seria desejável.

E é causa de muitos conflitos. Alguns arrastando-se há dezenas de anos.

Embora, muitas vezes, conflitos que superficialmente aparentam ser de caráter religioso, têm na sua génese e base também outros motivos e razões.

 

Por isso, uma realização deste tipo, promovida por um Presidente da República, ainda que de um País relativamente pouco importante no contexto internacional, é de louvar.

 

Fundamental será que iniciativas deste tipo, busca do Diálogo inter - cultural e religioso, sejam promovidas e operacionalizadas num contexto de Política Internacional, no sentido de que conflitos que se eternizam, em que o fator religioso é um dos sustentáculos, busquem no acordo, no consenso, na negociação, a solução para os problemas conflituosos.

Infelizmente, o que nós assistimos é que ações idênticas foram promovidas por agentes decisores, até de maior relevância que o Presidente da República de Portugal, mas, depois, os resultados tardaram a visualizar-se ou sequer vislumbrar-se.

 

Formulemos votos que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto Presidente da República Portuguesa, continue a promover, na sua atuação futura, este desiderato: a construção de um Diálogo Inter Cultural. A promoção do Diálogo, da Cooperação, do Consenso, do Acordo, e a começar por Portugal, onde, aliás, poderá ter maior capacidade de intervenção.

 

(Como apontamento final e no âmbito desta notícia, mas focalizando a forma como é veiculada e algumas expressões utilizadas, anexo este link, para frisar como, por vezes, alguns orgãos de comunicação social informam mal...)

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publicado às 19:17

“5º Encontro de Coros Femininos Alentejanos do Laranjeiro e Feijó”

por Francisco Carita Mata, em 27.02.16

Almada  - Cidade de Cultura e Arte!”

 

Divulgação de Evento Cultural

 

Anexo excerto do texto proveniente de “Associação Grupo Coral e Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó”.


“Aproxima-se a data de mais um evento, ou seja o:

 

5º. Encontro de Coros Femininos Alentejanos do Laranjeiro e Feijó

12/3/2016 - 16h - Clube Recreativo do Feijó

 

Esta é uma parceria entre a União de Freguesias do Laranjeiro e Feijó

e

a Associação Grupo Coral e Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó.


Para Vosso conhecimento e para que nos ajudem na divulgação do evento,
anexamos o cartaz repetivo...”

  

Encontro de Coros Femininos Alentejanos 2016 - Amigos do Alentejo do Feijó

 

Para mais informações, consulte, SFF:

https://www.facebook.com/AmigosAlentejoFeijo

 

E, Almada é ou não a Capital do Cante?

Sobre Cultura e Arte em Almada, consulte também, se faz favor:

A Amendoeira na História da Arte...

 

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publicado às 13:37

“Duas Vidas” - Filme Alemão - Norueguês

por Francisco Carita Mata, em 22.02.16

Estilhaços das Guerras

 

“Sete Vidas” ou “Matrioska Alemã”

A abertura da “Caixa de Pandora”!

 

Não posso de deixar de tecer alguns comentários sobre o filme supra citado, que foi transmitido na RTP1, no passado sábado, dia 20 de Fevereiro.

 

"Duas Vidas" in. moviesense.wordpress.com

Filme dramático, alemão - norueguês, de 2012, de Georg Maas e Judith Kaufmann; com Juliane kohler, Sven Nordin, Liv Ulman, Ken Duken, Julia Bache-Wiig...

 

Katrine, papel desempenhado por Juliane Kohler, alemã, fugida da ex-RDA – República Democrática Alemã, Alemanha de Leste, ao tempo da Cortina de Ferro, é, supostamente, uma “Lebensborn” - crianças nascidas do relacionamento entre soldados alemães e mulheres norueguesas, ao tempo da invasão e ocupação hitleriana da Noruega, 1940/1945.

Levada, como muitas outras destas crianças para a Alemanha ainda durante a II Grande Guerra, após o término da mesma, teria ficado na parte Leste, ocupada pelos soviéticos e que daria origem à designada R. D. A.

Aí teria sido criada num orfanato, destinado a essas crianças.

Teria fugido da Alemanha de Leste, já em adulta, já após a construção da Cortina de Ferro e do Muro de Berlim, portanto nos anos sessenta do século XX, à procura da mãe, na Noruega. Essa fuga foi encetada de barco, de uma ilha remota da Alemanha de Leste, para a Dinamarca.

Aí terá chegado e daí terá ido para a Noruega, onde terá encontrado a suposta mãe, que a recebeu como filha.

Na Noruega constituiu família com um oficial da marinha de guerra norueguesa, teve uma filha e inclusive sendo já avó, à data da narrativa: anos noventa do século XX. Já após a Queda do Muro de Berlim, da Cortina de Ferro e da Reunificação Alemã!

 

Toda a estrutura narrativa é condicionada pela suposição de que Katrine seria uma “Lebensborn”. E este é o pressuposto da história do filme, da história de vida daquela mulher, daquela família.

Mas tudo isto é uma suposição.

Um pressuposto que vai sendo questionado durante o filme, na sequência de um julgamento internacional contra o Estado Norueguês, sobre esta situação das “Lebensborn”.

 

E o que se vai descobrir sobre Katrine?!

Pois, por confissão da própria, perante os familiares, marido, filha e suposta mãe, todo esse passado foi forjado, sendo ela, de facto, uma alemã, cujos pais terão sido mortos durante um dos bombardeamentos da II Grande Guerra, efetivamente criada num orfanato, mas não uma “Lebensborn”.

Mas sim agente da “Stasi”, a temível e pérfida Polícia Secreta da ex-RDA!

 

Imagine-se a bomba entre os familiares!

 

Toda aquela vida daquela família, com base naquela mulher, fora estruturada em mentiras sucessivas que foram sendo pouco a pouco afloradas e reveladas, na sequência do julgamento.

 

Esta é uma sinopse muito sintética deste filme tão dramático. Excelente! Merece ser visto e revisto.

 

E até onde vai todo esse desenrolar de acontecimentos, em busca da Verdade? Esse “descascar de cebola” da vida daquela mulher, esse abrir da caixinha das matrioskas, em que dentro de uma boneca vai surgindo sempre uma outra boneca?! Vidas dentro de vidas, sete vidas! O abrir da “Caixa de Pandora”!

 

Como pudeste viver com estas mentiras todas ao longo de todos estes tempos?!’ Ter-lhe-á perguntado o marido.

Graças ao vosso Amor! Nunca ninguém me amou na vida, além de vós!’ Ter-lhe-á respondido Katrine.

Mas será esse Amor suficiente e capaz de continuar a sustentar aqueles elos familiares, aquelas vidas? A sua Vida?!

 

Katrine decidiu ir-se denunciar, só, apresentando-se à Polícia Norueguesa.

E foi nesse trajeto na estrada, numa suposta paisagem típica norueguesa, que nunca fui à Noruega para saber, mas que imagino... Em plano de fundo, um fiorde, as faldas das montanhas graníticas, uma luz coalhada de cobres ensanguentados, uma estrada serpenteante e arrefecida de gelo... Nessa via sinuosa, uma falha nos travões, uma derrapagem no asfalto gelado, um guinar do carro, o sair do alcatrão e o embate nos rochedos! E, a breve trecho, o carro a incendiar-se.

Morte trágica, que a Vida fora uma tragédia. Fogo, incineração, cremação. Libertação e expiação.

Que não seria mais possível continuar a viver nem a sustentar tantas mentiras!

Tantas questões que a narração nos coloca. Inquietantes e perturbadoras!

Suscito mais uma interrogação: Terá havido uma derrapagem acidental ou foi ela propositada e perpetrada por Katrine?!

 

Também poderia subintitular este filme como “Estilhaços das Guerras”.

 

Que esta história, com um fundo verdadeiro, faz parte da História das  Guerras: da II Grande Guerra e da Guerra Fria.

 

Para além do contexto de destruição que todas as Guerras promovem, enquanto decorrem: mortes de milhões de seres humanos e de outros seres vivos, destruição de bens, estruturas e serviços, de modos de vida... ainda continuam, mesmo após o seu término, a destruir, a problematizar as vidas dos inocentes, que querem viver em Paz!

 

Mas terá alguma vez, o Ser Humano, supostamente o Ser Mais Inteligente à face da Terra, alguma vez terá o bom senso para perceber que as Guerras não levam a lado nenhum?! Que as armas apenas destroem o que tanto custou a ser criado?!

Que não faz sentido continuar a produzir armamento apenas para destruir?!

Que as Guerras são cada vez mais destrutivas e de consequências cada vez mais globais e incontroláveis?!

 

Atente-se no que vivemos atualmente, nesta mesma nossa velha Europa!

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publicado às 22:11

XIII Antologia de Poesia do CNAP – Poema: “Que deleite os teus lábios ternos”

por Francisco Carita Mata, em 20.02.16

Círculo Nacional D'Arte e Poesia

 

Antologia

 

Continuo com a divulgação, no Blogue, das Poesias publicadas na Antologia.

Neste Post Nº 317, a Poesia que abre a Antologia. Sem título, realcei-a pelo primeiro verso, “Que deleite os teus lábios ternos...”, como é costume nestes casos. Da autoria de Adelaide de Freitas, de Porto da Cruz, Madeira.

Com esta Poesia, sendo a primeira da Antologia, e sendo a última a ser divulgada online, acaba por ficar também em primeiro lugar na estrutura do Blogue.

Através dos links que coloco em cada um dos posts apresentados é possível navegar em toda a Antologia e ficar a conhecer pelo menos um dos Poemas, de cada um dos Antologiados.

E, igualmente, espraiar-se também pelas diversas temáticas versadas no Blogue.

Segue-se o Poema:

 

 

“Que deleite os teus lábios ternos

Salteando o meu corpo trémulo

Pelo choque delirante do amor

Que invade o meu corpo nu

 

Que delícia a tua nudez na minha

O teu suor a seduzir-me até à loucura

Com a tua língua lambes os meus seios

Caindo nas profundezas de doces prazeres

 

Que sabor doce, salgado, místico

Que brota das minhas loucas emoções

Onde me estendo ao comprido

No vaivém deste sonho lindo”

 

Adelaide de Freitas, Porto da Cruz (Madeira)

 

 

maja in. pt.wikipedia.org..jpg

 

Resolvi ilustrar este Poema com a reprodução de uma Pintura célebre de um Génio desta Arte, GOYA, de que já apresentei reproduções no Blogue, respeitantes à série “Hospital Real.

Com as ilustrações pretendo sempre valorizar ainda mais os textos. O que julgo terá acontecido sempre.

Qualquer reparo que alguém tenha a fazer, agradeço que me dê conhecimento, se fizer favor!

Não sei se ainda voltarei a apresentar um último post sobre a Antologia...

Aguardemos a minha disponibilidade!

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publicado às 15:03

XIII Antologia de Poesia do CNAP – Poema: “Para o Paul”

por Francisco Carita Mata, em 17.02.16

Círculo Nacional D’Arte e Poesia

 

Antologia

 

Neste Post Nº 316, volto a divulgar mais uma Poesia da Antologia. A última vez que publicara Poesia desta XIII Antologia, fora a 06/02/16, no Post Nº 308. Entretanto publiquei sobre outros temas ou estive alguns dias sem editar posts.

Hoje divulgo “Para o Paul”, Poesia de Ana Maria Gonçalves Cardoso Maguire, de Lisboa.

 

“Para o Paul”

 

“Vi-te no outro lado da mesa

Rodeado por cores do arco íris

Um instante, um momento

O meu destino, a minha sina.

 

Eu não queria sucumbir

Ao teu olhar, à tua

Invisível sensualidade,

Beber aquele elixir primordial.

 

Perguntaste quem eu era,

Mas, como não podia responder

Aos teus olhos penetrando

A minha alma,

Eu só disse donde é que vinha.

 

Tu seguiste a minha vontade

Para alcançares o meu ser

Gelado, magoado.

Eu enterneci-me e aceitei

O tocar do teu amor.”

 

 

Ana Maria Gonçalves Cardoso Maguire, Lisboa

 

Ilustro com uma reprodução de uma Pintura de Sonia Delaunay, sugestionando “... cores do arco íris...”

 

Sonia Delaunay in constantcircles.com

 

 

 

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publicado às 21:40

“HOSPITAL REAL” - 16º Episódio!

por Francisco Carita Mata, em 16.02.16

“O Prometido é Devido”

 

Um Hipotético Episódio 16!

  

Algumas deixas para continuar uma nova temporada...

 

 

Quando escrevi no respeitante ao último episódio, durante a 1ª apresentação da série, em Setembro, ainda pensava que a série poderia ter uma outra temporada. Mas depois constatei que não!

Mas podia, que ficou tudo em aberto.

 

Daí não resisto a dar alguma continuidade possível ao enredo incompleto, dando largas à imaginação, nalguns aspetos, mais de acordo com o plausível, noutros sugestionando o inverosímel...

 

Museo del Prado Goya Caprichos El sueño de la razon... in wikipédia

 

O par romântico da série, Olalla e Daniel, foram-nos mostrados em apuros. Salvar-se-ão?! Pois claro que sim, que seria do enredo sem eles?

Olalla foi derrubada por Clara, estatelou-se no lajedo, magoou-se bastante, ficou com o rosto ferido, mas nada que não possa ser tratado, com curativos adequados e uns tempos de repouso.

Dom Daniel foi mais grave. O golpe foi profundo, mas não atingiu órgãos vitais, valeu-lhe o pronto socorro de Doutor Devesa, que apesar de assoberbado, com tantos feridos, conseguiu estancar-lhe a hemorragia, cosendo a ferida, com a ajuda da enfermeira Rosália, que não se foi embora do Hospital, nem podia ir num momento assim tão crítico. E Doutor Álvares de Castro também se conseguiu salvar! Embora ficasse também algum tempo de convalescença. Numa fase em que a sua ajuda era tão preciosa.

Mas chegaram entretanto reforços de médicos provenientes de Madrid e Salamanca, por Ordem Real, de modo a acudirem aos feridos do acidente. E chegaram enfermeiras salamantinas.

 

Vimos Olalla a velar um ferido totalmente desfigurado, como se fora o seu irmão Breixo. Como se fora, sim! Porque posteriormente vê-lo-íamos a esbarrar com Mendonza, que procurando-o, não o reconheceu.

Pois quem seria tal ferido tão traumatizado?! Também ouvimos alguém manifestar apreensão pelo não aparecimento do fiscal inquisidor, que, à hora da explosão, ter-se-ia dirigido para uma reunião na sede da Inquisição e passaria perto do local do rebentamento. Dona Úrsula esboçou um dos seus sorrisos seráficos.

Esse ferido gravíssimo faleceu, como seria de esperar.

Na hora de recolherem o corpo para sepultamento, como traidor, ao agarrarem numa das mãos, o frade que o recolhia reparou num anel em destaque num dos dedos carbonizados. Chamou a atenção de Rosália e esta chamou Dona Úrsula, que a mandou chamar a Dom Andrés. E todos constataram ser um anel religioso e mais propriamente o anel usado pelo fiscal inquisidor. Com surpresa de todos verificaram ser de facto Somoza, o que Doutor Devesa e Padre Bernardo também confirmaram.

Dona Úrsula sorriu novamente, pareceu aliviada, mas disfarçou, não sem que Dom Andrés se tenha apercebido. E não se escusou a comentar: “A Irmã parece aliviada...”

“- Pudera, iríamos enterrar como traidor, um Alto Dignitário da Igreja. Nem Deus nos perdoaria tal pecado...” E persignou-se! Para si guardou: “Escreve, Deus, Direito por linhas tortas!” E continuou na sua postura seráfica e imperturbável.

De facto, toda a gente ficou bastante mais aliviada.

Mas de todos, foi Olalla, em convalescença, quem mais se alegrou com tal descoberta, quando Rosália lhe foi contar a novidade.

“O meu coração dizia-me que o meu irmão não morrera”. Simultaneamente voltaram as inquietações por irem continuar a procurá-lo.

 

Já sabemos que Dona Úrsula tinha um estudante nos Dominicanos, com quem gastava imenso dinheiro na respetiva educação, muitas dessas verbas roubadas ao erário do Hospital, inclusive a falsificação do testamento do Padre Damião. Desse segredo só ela sabia, mas acabou por ser do conhecimento também de Alicia, de Duarte e do Inquisidor. Que, como ele próprio a informou, fez expulsar o estudante do Convento para bem longe de Compostela. E que seria o resultado de algum caso sentimental.

Só podia. E como?!

Ficaremos a saber.

Úrsula chamou Duarte a um espaço retirado do jardim, numa hora madrugadora de ausência de qualquer testemunha e novamente lhe entregou uma carta dirigida ao frade dos Dominicanos com quem ela sempre tratava dos assuntos do estudante. Que a levasse e lhe trouxesse uma resposta exata e precisa que ela queria saber qual fora o destino do rapaz. Que movesse montanhas...

E muito fora de si, exaltada, dirigiu-se a Duarte, olhando-o nos olhos:

Lembras-te, daquela noite de tempestade em que Santiago bravejava contra os mouros, de relâmpagos e trovões e tu, transido de medo, te acolheste ao meu quarto e eu te acolhi e aconcheguei no meu leito e dentro de mim te recebi, como se foras um relâmpago de fogo, que me trespassasse como seta a Teresa, Santa de Ávila?!

Duarte fez sinal que sim com a cabeça.

Pois, esse rapaz é filho dessa noite de Tempestade de Santiago!

E, nisto, Duarte, estupefacto, colhido de surpresa, soltou um Oh!, de espanto e balbuciou: Não sabia...

Quem ia caindo ao chão, não fora um tronco de olaia onde se tivesse apoiado, teria sido Dona Úrsula.

“Tu não és mudo. Tu falas!” E benzia-se, persignava-se e quase gritava “Milagre! Milagre!”, Não fora Duarte fazer-lhe sinal de silêncio com o indicador direito sobre os lábios. Rematando como final de conversa: “Esses são os nossos segredos, que guardaremos até ao túmulo!”

Rapidamente Úrsula ganhou a sua serenidade e compostura e frisou:

“- Melhor ainda que fales, que te vou encarregar de procurares, por tudo quanto é lugar de Compostela ou outro e me tragas esse rapaz, para o Convento de onde nunca houvera de ter saído. Que, agora, sabes dele tanto quanto eu!”

Duarte aquiesceu com a cabeça, afirmativamente se manifestou, mas soltando, ainda, uma última fala.

“- Antes, Alicia tem que regressar ao Hospital...”

“- Que sim, afinal ela não fez nada de mal, apenas também sabe do segredo e quem me roubou o rapaz foi o fiscal inquisidor, mas esse já pagou com a Morte, que Deus não dorme!”

E esse foi o próximo trabalho de Duarte, procurar Alicia pelas ruas de Santiago, o que não foi difícil, que não havia muito para onde ir, bem como mais fácil ainda foi convencê-la a regressar ao Hospital, onde sempre tinha um porto seguro.

E chegou com a mesma trouxa que levou e, paradoxalmente, Dona Úrsula recebeu-a e até lhe pediu perdão, que ela não tinha culpa. Mas que guardasse para si o tal segredo que conhecia.

Alicia agradeceu e é mais uma que guardará tal segredo até ao túmulo!

E foi ela a instalar-se e vermos Duarte abalar, com uma mochila e capa de peregrino, a procurar o tal rapaz.

Ausentar-se-á uns tempos da narrativa como convém, porque, mais tarde ou mais cedo, descobrirão as tramoias em que andou a fazer-se passar por Doutor Álvares de Castro.

Dona Úrsula fica ansiosa aguardando que ele regresse com novas do filho de ambos.

E deixamo-la ficar assim? Sem pagar todas as patifarias que fez?!

Isso vai depender de ser só um episódio ou haver nova temporada.

 

E quanto à situação do Hospital?!

Da estranha doença que nele grassava, cujo nome ignoravam, já vislumbramos haverem sinais de luzes, que se confirmaram. Grande parte das crianças inoculadas resistiu. Continuaram com esse procedimento, obtendo bastante sucesso. Descobriram e confirmaram o que ainda não havia sido descoberto.

Que por tentativa e erro e experimentando, a Ciência vai progredindo e dando saltos qualitativos.

A situação dos feridos da explosão foi muito problemática. Exigiu imensos recursos, nomeadamente humanos, mas o Hospital recebeu ajuda da Capital, diretamente através do Rei. Doutor Devesa esgotou-se a trabalhar, bem como Rosália e Cristobal, que não tinham mãos a medir, para mais que Olalla e Daniel também estavam impossibilitados de trabalhar.

 

Quanto ao romance interrompido de Rosália e Cristobal, mais tarde, será Alicia, que falando com Rosália, lhe irá sugerir que lhe perdoe.

 

Mendonza foi formalmente acusado dos assassinatos, comprovados pela presença da máscara na sua casa e da tentativa de assassinato de Doutor Daniel. Foi julgado e condenado, mas como era nobre, ainda que bastardo, foi-lhe definida a pena de degredo e exílio, para Nova Espanha, o atual México. Com a recomendação expressa de, dado o seu passado de assassínios, ser integrado na próxima novela mexicana, de faca e alguidar... (Não resisto a uma pitada de malagueta no pitéu!)

 

Doutor Devesa continuará o seu trabalho empenhado no Hospital sonhando transferir as suas competências para Doutor Daniel, médico jovem, logo que este se restabeleça. E ir usufruir de uns tempos de descanso numa quinta que tem nos arredores de Santiago. Mas os tempos não estão de remanso.

Juntamente com o Capelão, Padre Bernardo, agora liberto da bocarra venenosa da víbora Somoza, continuarão coadjuvando Dom Andrés na tarefa espinhosa de administração do Hospital.

Este, cada vez mais enredado nestas funções, continua ajudando a mulher, como pode. E esta situação, no conhecimento de quem já sabemos, agora ele também a deu a saber a Dona Irene e fará conhecer aos dois homens que com ele trabalham diretamente. Praticamente, no Hospital a situação passa a oficial. E ele dela também dará conhecimento pessoalmente ao próprio Arcebispo, a quem pede uma audiência para tal. Deste modo, o seu papel fica mais clarificado e deixa de ser sujeito a chantagens.

 

Continua com o problema da filha, Clara. A gravidez, naturalmente, prossegue, apesar de Clara nisso se manifestar cada vez menos interessada.

Dotando-a de todos os cuidados, o pai contratou-lhe uma ama experiente que a acompanha vinte e quatro horas diárias.

Mas os sinais subtis da doença da rapariga, que reapareceram, não passam despercebidos ao pai, cada vez mais preocupado.

Clara, inclusive, rejeitou o marido, mesmo após este ter recuperado da convalescença, exigindo que ele ficasse a viver no quarto onde convalescera, enquanto ela estivesse grávida.

E, chegado o tempo, Clara deu à luz. Um rapaz.

Que, como tudo indiciava, rejeitou. Houve que contratar uma ama-de-leite do Hospital para o amamentar e cuidar, juntamente com a antiga ama que já tratava de Clara.

 

Logo que pôde, mandou chamar a sogra, Dona Elvira e, pegando na criança, que nunca assumira como sua, lhe disse:

“-Tome, este filho que é seu! Foi delineado no seu palácio, concebido e gerado na sua alcova. É seu filho e filho de seu filho. Meu não é, que apenas servi de barriga de aluguer. Leve-o e crie-o no seu Palácio, para perpetuar a sua linhagem, ter direito às suas benesses e prerrogativas de Alta Nobreza. Que, como me disse, o sangue pouco importa. O que vale são os Títulos!”

E a Dona Elvira só intrigou a expressão “barriga de aluguer”, mas ficou toda contente. Avó fidalga, mulher dondoca, tomou a seu cargo a educação do neto – filho. Para mais Dom Andrés assumiu o pagamento dessa criação.

Clara, liberta do filho enjeitado, pediu para falar com o pai. E falando lhe explicou que não queria continuar a viver com ele, antes preferia ir coabitar com a mãe, compensando-a de tantos anos de afastamento.

E foi, agora que a situação até era cada vez mais pública. Embora ele continuasse a viver no hospital, mas era visita regular no palacete onde viviam mãe e filha.

Só nos falta batizarmos o rapaz.

E que nome acham que Dona Elvira atribuiu ao neto – filho?! (...)

Pois, só podia ser Leopoldo, como o marido!

 

Das personagens principais só nos falta dar um rumo a Dona Irene. Porque não nos podemos esquecer que ela matou, ainda que involuntariamente, o auxiliar do Oficial de Justiça. Na sequência de ter asilado um foragido, agora cumulativamente acusado da explosão no paiol da pólvora seca.

São crimes muito problemáticos, para mais em tempos de guerra.

Não sabemos como aliviar-lhe a corda ao pescoço!

 

Entretanto, já que falámos de Breixo Tabuada, registamos que ele resolveu cortar o cabelo e a barba, parece outro e assim pretende passar mais despercebido. Aguarda oportunidade para revisitar a irmã.

 

Quanto a Dona Irene informamos que foi julgada e condenada.

Contudo conseguiu livrar-se da forca.

Valeram-lhe para além das suas qualidades e do facto de ter sido involuntária a sua ação, as amizades que tinha. A intervenção de Dom Andrés, de Dom Sebastian Devesa, que era amigo pessoal do Rei, de quem fora médico, enquanto residira em Madrid, do Capelão Mor, Padre Bernardo, do próprio Arcebispo de Santiago e até Dona Úrsula, que em sede de conselho do Hospital, também votou favoravelmente uma recomendação dirigida ao Rei.

Nesses pedidos dirigidos diretamente a El-Rei, valorizavam o papel imprescindível da viúva, da importância do seu negócio para a Cidade e para o Hospital, de como ela salvara o abastecimento do Hospital, com base nos seus conhecimentos e que a morte duma mulher assim de valor, seria um prejuízo irreparável para todos.

E nestas coisas, já se sabe, também se prometia. E, caso Dona Irene não fosse condenada à morte, comprometia-se a pagar uma tença anual diretamente ao Rei e outra ao Hospital Real, abdicando de parte dos seus benefícios, continuando a operar no seu negócio tão necessário.

E ela seria julgada sim, não seria condenada à forca, estaria presa algum tempo e liberta começou nos pagamentos adiantados conforme prometidos.

E, deste modo, concluímos satisfatoriamente alguns finais para a Série neste 16º Episódio fictício.

 

Se quiser ter a amabilidade e caso ainda não tenha lido ou pretenda perceber melhor o desenlace final  da Série, pode também consultar, Se Faz Favor! 

15º Episódio - Parte I

15º Episódio - Parte II

15º Episódio - Parte III

15º Episódio - Parte IV

Hospital Real - Síntese

Ilustrei o post com uma imagem de uma gravura de Goya, da série "Los Caprichos"", de 1797, portanto muito próxima da época histórica em que a série se desenrolaria neste 16º Episódio: 1793/94.

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publicado às 17:20

“HOSPITAL REAL” (Reposição)

por Francisco Carita Mata, em 16.02.16

Algumas breves consideraçõs sobre os últimos Episódios

 

Pontos Prévios:

Por razões diversas, estive vários dias sem poder aceder à net. Tenho hoje essa possibilidade. Apesar de atrasados, não quero deixar de publicar alguns breves comentários que fui fazendo aos episódios da semana passada. Remeto, novamente e também, para os links sobre o que escrevi durante a 1ª apresentação da série.

E ainda penso publicar sobre o 16º Episódio!!!

Agora pretendo apenas explanar algumas ideais parcelares sobre cada um dos episódios.

 

Torre da Catedral In. Andarilho de Andanhos.gif

 

11º Episódio

2ª Feira 08/02/2016

Títulos e mais Títulos!

 

Sobre este décimo primeiro episódio...

Como intitulá-lo?!

 

Variados títulos poderia usar, em função dos diálogos estabelecidos entre as personagens, que a maioria da narrativa desenvolve-se nessa metodologia.

 

Para mim foi um prazer. Mas os prazeres não são de graça!”, palavras de Mendonza para Dona Elvira e que dão o mote para o próximo episódio.

 

Um salário para as Enfermeiras!” Que define bem a ação de Dona Irene, e o seu papel no Hospital e na Sociedade.

 

Ou então, só para terminar: “A Ronda da Noite!”, que traduz o rondar dos vários personagens, pelas noites do Hospital. O boticário à procura de Rosália; Daniel a fumar nos corredores; Bernardo dando entrada na prisão; Clara, vigilante, na cama, lendo, aparentemente indiferente, mas aguardando ansiosa a decisão do marido, Daniel, que, finalmente, concretizou a sua função de homem. Duarte, entrando sorrateiramente no quarto de Olalla, por momentos sugestionando-nos que iria dar azo à sua veia assassina, mas não! Apenas lhe cortou uma madeixa do cabelo, que guardou junto ao coração.

 

(...)   (...)

 

“...As mãos são o seu bem mais precioso.” Palavras e conselhos sábios de Doutor Devesa para o novel e exaltado Doutor Daniel.

 

 

 12º Episódio

3ª Feira, de Carnaval - 09/02/16

 

A urdidura das serpentes: Alcaide Mendonza, Dona Elvira e Dona Úrsula

(As suas pérfidas estratégias para conquistaram o Poder e darem xeque-mate a Dom Andrés, Rei Branco.)

Ou

Será que a sonsa da filha do Administrador, Clara, vai deixar-se apanhar nos laços do passarinheiro?!

 

Sugiro que faça favor de ler o resumo que escrevi na 1ª transmissão da série, em Setembro 2015.

 

E, como sempre, não abordei todos os assuntos tratados no episódio, nem irei abordar neste pequeno apontamento que inicio.

 

A urgente necessidade de abastecimento de víveres pelo Hospital. Devido à Guerra do Rossilhão e a outras guerras a ocorrerem no Império Otomano, não chegavam cereais russos, à Galiza, que isso Dona Irene explicou a Dom Andrés. E lhe sugeriu que se socorresse dos serviços do Alcaide Mendonza... O que aquele, contrariado e muito relutantemente acabou por ver-se obrigado a fazer.

Relativamente ao Alcaide e a sua fome de Poder, ressaltar o seu ressabiamento por não ser um verdadeiro nobre, dado que era apenas um filho bastardo do Conde de Altamira.

 

As peripécias da operação de Dona Úrsula..., que tanto precisava de ser operada, como se escusava a fazê-lo, por medo de ser recambiada para outra morada... A sua recusa em ser examinada na frente dos alunos de Doutor Devesa. “Não sou fenómeno de feira!”

 

Todos temos dias em que acabamos perdidos nas trevas!”, mais um conselho/sugestão/desabafo de Doutor Devesa para Doutor Daniel, quando este se questionava enquanto homem e médico.

 

A despedida / não despedida, de Olalla e Ulloa, quando este abalou novamente para a Guerra. Cruzaram, uma última vez (?), os seus destinos no corredor do claustro do Hospital, cada um seguindo o seu Caminho. Bem explorado o assunto, ainda havia aqui romance...

 

(...)

 

 13º Episódio

“4ª Feira de Cinzas” - 10/02/16

 

Hospital Real: Centro de pesquisas científicas, na busca de cura para uma doença de origem misteriosa e simultaneamente laboratório de perfumistas. Ou como as ideias de uma mulher podem alterar o rumo da cabeça dos homens.

Enquanto se contrói uma “Teoria Miasmática”, o Hospital transforma-se numa “Corbeille des Fleurs”.

A intrepidez de Dona Elvira no antro da Inquisição: supostamente o local mais seguro de Compostela. O roubo do original do testamento do padre Damião.

Ou como Clara, de sua livre vontade, se foi lançar nas garras do passarinheiro! A espiar pecados alheios! Agora que Daniel lhe ia oferecer água de rosas.

 

 14º Episódio

5ª Feira - 11/02/16

 

Os Ideais da Revolução Francesa chegaram a Santiago, na boca do irmão da mocinha Olalla. Breixo Tabuada sonha pôr em prática: Liberdade, Igualdade, Fraternidade e causa rebuliço em Santiago e no Hospital.

 

Paralelamente, o Inquisidor, Somoza, lembra a Padre Bernardo que “são soldados de Cristo!” Só que o Capelão não puxa para o mesmo lado e a invocação do “Exército de Cristo”, já deu para muitas contendas... e mortandades.

 

As experiências científicas no Hospital prosseguem. Resta provar que uma mera casualidade pode ser uma causalidade. Ou a Vida está sempre nas mãos da Sorte! A experiência perfumista foi um êxito.

 

Clara continua na sua senda de dar um neto à sogra. E de sonsa passou a cínica!

 

Duarte mexe os cordelinhos da narrativa criando ainda mais intrigas e trocadilhos e não fora o Administrador ter fechado as portas do Hospital, a estas horas já Rosália calcorrearia caminhos de outra freguesia.

 

Dona Úrsula anuncia a morte do auxiliar do Oficial de Justiça e com isso conta que o Alcaide aperte a corda ao novel casal: Andrés e Irene, que, antes que seja tarde e não tenham mais oportunidades, se beijam apaixonadamente!

 

Enquanto isso, Alicia chora pelos cantos as mortes das criancinhas inocentes.

 

15º Episódio

6ª Feira - 12/02/16

 

E ocorreu o último episódio da série! Dom Andrés, angustiado e transtornado, correu todo o Hospital, observando o estado lastimoso a que este chegou na sequência da catástrofe ocorrida no paiol da pólvora seca. E gritou! Gritou com quantas forças tinha, um grito de impotência e desespero, que se ouviu por todo o Hospital e, para além dos muros deste, ecoou por Santiago, Cidade Santa Compostelana

E, como se estivera no Gólgota, poderia ter proferido: ”Meu Deus, Meu Deus! Porque me abandonaste?!”

E deste modo tão dramático terminou a Série!

 

Nota Final: A foto é original, cortesia de "Tâmara Júnior", in "Andarilho deAndanhos"

 

 Consulte, S.F.F.

 

 

 

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publicado às 16:37

Doença estranha no Hospital Real!

por Francisco Carita Mata, em 11.02.16

Grassa estranha doença no Hospital...

Também Goya, contemporâneo do tempo histórico da Série, contraiu uma grave doença em 1792, na sequência da qual ficaria surdo.

Não terá ido a Santiago?!

Se tivera ido talvez tivesse sido tratado por Doutor Devesa ou Doutor Daniel.

Talvez até tivesse tido os cuidados das enfermeiras Rosália e Olalla!

Goya doente in. medicineisart.blogsopt.pt

Se...

Tiver amabilidade e quiser fazer o favor, pode consultar:

14º Episódio

15º Episódio - Parte I

15º Episódio - Parte II

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publicado às 19:06

Pág. 1/3



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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