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“A Fraude” - “BEDRAG” - Episódios 17 e 18

por Francisco Carita Mata, em 31.12.16

Série Dinamarquesa

RTP2

Dez. 2016

 

Temporada 2 – Episódios 7 e 8

(5ª e 6ª Feira – 29 e 30/12/2016)

 

Absalon Bank in.bennybox.dk.jpg

 

Adquirido ou “integrado” (?), o Absalon Bank, no Nova Bank, revela-se a verdadeira face de KCC e a estratégia do banco glutão /canibal.

 

Aplica as intervenções que a maioria de nós desconhece, não cometendo propriamente ilegalidades, mas agindo de forma e de modo a destruir vidas, empresas, instituições, em benefício de poucos, arrastando milhares para a falência, criando falsas crises, de que todos nós conhecemos os efeitos, sem termos sido vistos e achados para a respetiva eclosão. E de que ainda, através da manipulação dos media, nos querem fazer sentir “culpados”, porque “vivemos acima das nossas posses”!

 

Os clientes do Absalon foram sendo transferidos para o gabinete de crise do Nova Bank.

Isto é, deixam de lhes conceder novos créditos, “renegoceiam” as dívidas, impõem-lhes juros altos, amortizações frequentes e, em escassos meses, levam-nos à falência.

Estes clientes, pessoas e vidas a crédito, são obrigados a vender os seus bens e propriedades a baixo preço, que empresas de fachada, mas pertencentes a KCC, irão adquirir, para posteriormente venderem a outros interessados. Ganham sempre os mesmos, com dinheiros “sem nome, nem dono, nem origem”, que correm para os paraísos fiscais, algures, numas ilhas virgens (!) quaisquer.

(Esquemas que, infelizmente, tão bem conhecemos aplicados não só às empresas, mas aos próprios países!)

Lançam boatos sobre a situação do Absalon e do banco francês, Crédit Vert, que aquele adquiriu, especulam financeiramente sobre as ações desse banco e tentam levar o Absalon à falência. Reúnem secretamente, incluem criminosos procurados pela Interpol, estruturam as suas acções maléficas. (…)

 

Simon acordou tarde para a catástrofe que ameaça o seu próprio Banco, embalou-se nos cantos de sereia de KCC, de que continuaria gestor autónomo do seu próprio banco, não quis dar ouvidos à irmã nem a Cláudia e, agora, chora o seu infortúnio. Que é apenas uma peça de uma máquina maior, à qual pertence, lhe disse o tubarão com placidez / cinismo, indiferente.

Será que Amanda, Cláudia e Simon ainda conseguirão salvar o seu próprio banco da falência iminente, perpetrada por KCC e o Nova Bank?!

 

Claudia in. bennybox.dk.jpg

 

Cláudia faz-se passar por aliada de KCC, mas a forma como este age, apenas a incrimina a ela na criação das empresas de fachada.

Isto lhe esclareceram Mads e Alf, com quem ela se aliou, para tentar apanhar o tubarão. Mas vai ser difícil, que ele não se compromete assinando papéis e praticamente já sabe de que ela não trabalha só para ele. Já mandou segui-la, por Nicky, que, agora, trabalha diretamente para si, que o Sueco reformou-se, embora continuando a fazer estragos…

 

Mads e Alf continuam a descobrir cada vez mais sobre todo o esquema fraudulento, as teias tecidas por KCC, mas é difícil incriminá-lo.

Aparentemente, tudo segue na lei e ele não toca nem assina papéis sujos.

 

Através das informações de Cláudia conseguem saber de Sander, do nome falso que usou para fugir da Dinamarca e de como foi parar ao Brasil, juntamente com o Sueco, Bo Petersson, que, aí, o assassinou à queima-roupa, como vimos em anterior episódio, não sei bem qual.

Este Sueco também foi quem atropelou Mia, a jornalista, em episódio que não vi.

 

Mads e Alf, com os seus métodos nem sempre muito ortodoxos, conseguem saber-lhe a morada, onde vão interrogá-lo. Ele, raposa matreira, faz-se de doente e, a pretexto de ir buscar comprimidos à wc, quase mata Alf.

Valeu-lhe Mads, que, para ajudar o colega, deixou fugir o Sueco.

Salvar-se-á Alf?!

 

Nicky foi promovido, veste fato e gravata, como se executivo fora, praticamente já não trabalha de mecânico, continua a matar, a agredir, a ameaçar, quase esquece a família e que fará ele quando invadir a casa de Kristina, mulher de Mads, à beira de ser mãe e em risco com a maternidade?!

 

Mads, assoberbado com o trabalho e as permanentes buscas e peripécias em que a sua missão o envolve, deixa a mulher muito sozinha.

 

Enquanto ele segue na ambulância com Alf, para o hospital, Nicky prepara-se para lhe invadir a casa e buscar uma pasta que Cláudia aí foi deixar.

 

O que acontecerá?!

 

Irão os agentes, Mads e Alf; Cláudia e os irmãos, Amanda e Simon, conseguir travar e engavetar os criminosos?!

 

Pois! Só já saberemos para o próximo ano.

 

E que os criminosos tenham o que merecem!

Na ficção e na realidade.

 

E… Votos de um excelente 2017.

Com boas séries televisivas!

Na RTP2. Ou noutro canal, que Você goste.

 

 

 

 

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publicado às 17:44

“A Fraude” - “BEDRAG” - Série Dinamarquesa

por Francisco Carita Mata, em 29.12.16

Série da RTP2

Dez. 2016

 

Temporada 2 – Episódio 6

(4ª Feira – 28/12/2016)

 

Bedrag saison II  in.IMDb.jpg

 

A Sìntese possível e o Enquadramento do Enredo e de Personagens

 

Mais uma Série Europeia!

A RTP2 tem-se especializado e esmerado nas séries dos países europeus e faz muito bem. Dizem-nos mais. Pelas suas temáticas, mesmo quando provindas dos Países Nórdicos, caso da Dinamarca, de que nos apresentaram, até agora, a inultrapassável “Borgen”, das que abordam temas atuais, e também a muito interessante “A Herança”.

 

A que atualmente projetam, “BEDRAG”, no original, certamente da palavra dinamarquesa “bedrageri”, fraude, e é esse o título em português: “A Fraude”.

 

Só peguei na série já na 2ª temporada.

Ocorreu ontem, 28/12/16, o 6º episódio da temporada em curso. Provavelmente estará quase a terminar.

 

Mundo atual, com todas as suas idiossincrasias. Alta finança, corrupção, canibalismo bancário, políticas e polícias anti fraude, os cordelinhos da lei, que permitem apanhar o peixe miúdo, mas o graúdo, passa pelas respetivas malhas. Aspetos da vida pessoal dos personagens mais marcantes…

 

Um banco poderoso, “Nova Bank”! (Onde já ouvi este nome tão original (?), e onde já se viu atribuir nome de novo ao que é tão velho?!)

 

Neste banco, um diretor /presidente / chefe / dono / acionista maioritário, que ainda não fui informado das respetivas funções no organigrama bancário, de nome Knud Carl Christensen  - KCC, está fartinho de fazer das suas, (dele!), no banco e na sua relação com clientes e outras instituições, inclusive tendo levado à morte de inocentes, mas que continua cá fora, numa boa, a comandar ações, de actos e ações, de finanças, usando outros como fautores do que é ilegal e/ou criminoso.

“Atualmente”, através do seu Nova Bank, prepara-se para engolir outro banco, com reputação de honestidade e valores diferentes (?!), o Absalon Bank, gerido até aqui, por dois irmãos gémeos, não verdadeiros, Amanda, o cérebro criativo e Simon, mais executivo.

 

A trabalhar com os dois irmãos, “mano & mana”, está Cláudia Moreno, advogada talentosa que fora tramada por KCC na primeira temporada, no contexto de fraudes ligadas a uma empresa de energia “Energreen”, trama que a levara à prisão com todas as sequelas subsequentes.

Agora, liberta, ainda sob liberdade condicional, procura retomar a sua vida profissional e também pessoal, em que se destaca a tentativa de conquista do afeto do filho, de quem se viu separada e, porque não?, também de um novo amor!

 

Convém frisar que a sigla KCC também define uma firma de uma holding, sediada nas Antilhas Holandesas. O esquema de que estamos pelos cabelos, de tanto o constatar nas nossas tristes realidades!

 

Cláudia está a fazer tudo por tudo, para que o dito cujo KCC seja apanhado, como merece. A sua associação aos manos vem nesse contexto e objetivo.

BEDRAG policias. in. IUDb. jpg

No combate à fraude, uma Unidade Anti Fraude, nela pontificando dois polícias Alf e Mads, que tudo fazem, com profissionalismo e algum sentido de missão e ideal, para conseguirem apanhar os criminosos, que estão muito bem blindados, com todos os suportes habituais nestes esquemas, infelizmente demasiado verdadeiros.

 

As investigações e perspetivas dos vários intervenientes, focalizadas em KCC, (uma espécie de DDT?) hão-de cruzar-se e, certamente, engavetar o manda chuva.

Assim esperamos a não ser que os guionistas queiram prolongar a temporada ou, para nossa desgraça e frustração, imitar a realidade.

 

Voltando a KCC, que manipula a narrativa da estória, ele dispõe de personagens que executam ou mandam executar as tarefas violentas e ilegais.

 

Um, marcante, intermediário primordial, é designado como Sueco, certamente devido à sua naturalidade: “Svenskeren”. Significa sueco em dinamarquês?

Este é o mandante das ações violentas, agindo às ordens de KCC.

Por sua vez, delega estes atos, pois tem às suas ordens um mecânico de automóveis, seu homem de mão nos atos de violência ou fora da lei: roubos, colocação de escutas, vigilância e entrada abusiva em domicílios, … E, por vezes, mortes. Que me parecem ter acontecido mais por acidente, descuido e inépcia do autor, rapaz meio destrambelhado, de nome Nicky, marcado por uma infância violenta, passivo de agressões paternas.

Este executa tudo quanto é ilegal, já tem à sua conta algumas mortes, ocorridas nem sempre de forma direta e intencional, e agressões, inclusive ao agente Mads.

Já se cruzaram várias vezes, esteve quase a ser descoberto, neste 16º episódio, na casa onde sequestrara a jovem que viria a morrer.

 

A narrativa encaminha-se para esse cruzamento acontecer, e quando tal ocorrer e simultaneamente a investigação dos agentes anti fraude se encontrar com os conhecimentos da advogada talentosa, Cláudia Moreno, e concernentes investigações, teremos o clímax do enredo.

 

Teremos?!

Depende do guião ou guiões previstos e do eventual, hipotético e sempre possível prosseguimento da narrativa em futuras temporadas.

Que os guionistas, quando tal lhes convém, esticam o conteúdo narrativo até ao limite, por vezes, enredando, por demais, o enredo!

 

Por agora, aguardemos o resultado da OPA do Nova Bank sobre o Absalon Bank.

 

E, como sempre, fica muito por contar. E personagens de que falar!

 

E como isto tudo soa a tão tristemente real!

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publicado às 18:47

“50 anos de Cantigas – 25 anos de Livros” - Almada

por Francisco Carita Mata, em 19.12.16

“Teatro Municipal Joaquim Benite” - Almada

17 de Dezembro de 2016

Homenagem a “Nuno Gomes dos Santos

 

50 anos de cantigas, 25 anos de livros in. rostos.pt/

 

“Vemos, Ouvimos e Lemos… Não podemos ignorar.”

Não previra escrever sobre este evento, mas parafraseando a letra da canção…

Falar de Almada é falar de Arte, Cinema, Desporto, Poesia, Cante, Atividades Recreativas, Artesanato…, ou seja, de Cultura, nas suas mais variadas vertentes.

 

Neste fim-de-semana, ocorreram diversas atividades pelas várias freguesias.

Só no centro da Cidade, aconteceram, que eu tivesse tido conhecimento: o “Mercado de Natal Amigo da Terra”, imperdível; o “7º Ciclo de Cinema Católico”, a que só assisti ao filme “A Lenda do Santo Bebedor”, de Ermanno Olmi, filme que eu subintitularia “Os Milagres da Santa”. Curioso que os filmes programados, neste ano, incidam mais na vertente especificamente católica!

E a Homenagem a “Nuno Gomes dos Santos: 50 anos de Cantigas – 25 anos de Livros”.

Este último evento ocorreu no Teatro Municipal Joaquim Benite, a 17 de Dezembro, sábado, pelas 17h., tendo terminado quase às 21 horas.

 

É sobre este extraordinário espetáculo que vos quero falar, nesta minha crónica.

Foi excepcional. E aqui, volto ao Normativo de escrita antes do famigerado “Acordo” de 1990, porque embora o tente aplicar, tente, há palavras que ficam muito melhor com as consoantes mudas e este evento foi mesmo excepcional, repito! E, atualmente, na prática, praticamente não há "acordo" nenhum, que cada um escreve como quer. Lembra-me as queixas de Almeida Garrett!

 

Nele participaram muitos Artistas de diferentes matizes, mas com um tronco comum, ligados à Música e ao dom da Palavra, na sua expressão musical e poética.

 

Para iniciar remeto-vos para um link com a canção “Pedra Filosofal”, Poema de António Gedeão, cantado por Manuel Freire, que esteve presente nesta homenagem.

 

Espetáculo apresentado predominantemente por Helena Isabel, Cândido Mota e Alberto Albuquerque, que desconhecia e que também disse Poesia, em que se destacou “Cântico Negro”, o celebérrimo Poema de José Régio, imortalizado por João Villaret e dito por muitos outros reputados Artistas.

Cândido Mota, com a sua voz inconfundível, apresentou-se em palco muito descontraidamente, aliás, como todos os participantes e foi sempre dizendo os seus oportunos apartes.

Helena Isabel foi a simpatia em pessoa, sempre cativante na sua dicção, e aqui cabe um aparte meu.

 

Neste evento tive a oportunidade de rever Artistas, alguns que não veria há dezenas de anos. De alguns deles, lembrava-me da sua “aparição” no saudoso “ZIP ZIP”, alguém ainda se recorda disso?! Dos Festivais da Canção, de finais de sessenta e princípios de setenta. E dos espetáculos de “Canto Livre”.

Falo-vos para além do Homenageado, Nuno Gomes dos Santos e do Grupo Intróito, de Carlos Alberto Moniz, Carlos Mendes, Francisco Fanhais, Manuel Freire, Samuel.

Interessante, agora, revermos pessoas que conhecíamos de jovens e observá-los, atualmente, marcados pelo Tempo. Cabelos brancos, carecas, gordos, barrigas… Neles nos olhamos também a nós mesmos, em que Cronos também nos vem deixando as respetivas cicatrizes!

E o aparte surge, porque onde nos parece que o dito cujo, o Tempo, parece ter feito sentir menos mossa é nas Senhoras.

Que o diga Helena Isabel, que aparece sempre com a mesma jovialidade de quando foi candidata a Misse. Lembram-se em que ano?!

 

Mas voltando aos cantores, onde o tempo não fez estrago foi nas respetivas vozes. Com que agrado os ouvimos em tão lindas, marcantes e chamativas canções que nos marcaram a Juventude. Os que tiveram o privilégio de vivê-la nos “sixties e seventies”.

Cantaram e encantaram.

 

E, aqui, volto a novo aparte e ao link inicial.

Manuel Freire, quem não se lembra de quantas vezes nos deslumbrou com a sua musicalização do Poema de Gedeão?!

Pois este Grande Artista, apresentou-se em palco para homenagear Nuno Gomes dos Santos, mas não conseguiu cantar. Explicou-nos que tivera um problema de saúde recente, ainda estivera a tentar ensaiar, mas quanto mais forçava a voz, pior ficava.

Foi um momento muito comovente, sensibilizou-nos a todos, a Vida prega-nos partidas, nas curvas da estrada, quando menos esperamos. O público compreendeu, começou a entoar a canção, a Banda tocou a música… Foram uns minutos lindos, pena o público ser um pouco fracote musicalmente. Por mim falo.

 

E, já que entrámos na Banda, referir que o maestro e pianista é João Balula Cid e os elementos, Nana Sousa Dias, saxofonista e João Maló, Nelson Oliveira, guitarras; Félix Souza, bateria. (Não sei se os nomes estão exatos. Se não forem, o meu pedido de desculpas!)

E que maestria!

 

E de entre os cantores mais próximos da minha geração, embora todos mais velhos que eu, destaco o Alentejano, Francisco Naia, sempre com a sua voz portentosa, o seu sentido altruísta e sem nunca esquecer de homenagear o querido Alentejo!

Outro Alentejano presente foi o “dizedor”, declamador, “diseur”, (nunca sei muito bem qual o termo que hei de dizer), Manuel Branco, que nos disse um poema de caráter social e outro de cariz amoroso, como fez questão de nos explicar.

 

E quão grato foi ouvir “Juliana”, Francisco Naia; “Vemos, ouvimos e lemos…”, Francisco Fanhais; “Ruas da minha cidade…”, Carlos Mendes, também ao piano e interessante a apresentação de Cândido Mota de o músico ter deixado Arquitetura e enveredado pela Música. Lembrar-nos-emos, os mais velhos, dessa história vir contada numa “Flama” antiga, quando ele venceu o festival de 68…

Samuel, “viver em país libre…”

E Carlos Alberto Moniz, que cantou “Veio um pastor lá da serra”, que o autor lembrou ser a primeira canção com que se apresentou vindo dos Açores, no já referido “Zip – Zip”; “Morte que mataste Lira”, “E um dia fez-se Abril”.

 

E o Coro “Consonantes” ou “Consenso”, não chego a consenso sobre o nome, que no prospeto vem um e no evento nomearam outro. Lembraram Violeta Parra e cantaram outras modas, que não consegui apreender tudo

Dirigido por Luís Pedro Faro, também um ex – Intróito, um total de onze elementos.

 

E, de entre os mais novos, que já não pertencem à minha geração, estarão para aí nos trintas (?), quarentas (?), digo eu, destaco Filipa Pais, que já conhecia de nome, mas também nunca ouvira ao vivo, que me lembre. Também lembrou Violeta Parra, quem não lembra? Cantou em dueto com Samuel… encantador. E cantou uma morna, em crioulo, para além de ter apresentado a banda. Pena eu ouvir mal e não conhecer muito bem os instrumentos, isto é, distinguir as guitarras.

 

E houve ainda a atuação do guitarrista clássico, Silvestre Fonseca, que também não conhecia.

 

E também houve mensagens de nomes sonantes do meio artístico, que não puderam estar presentes: Nuno Nazareth Fernandes, Eládio Clímaco e Luísa Ortigoso, em gravações de novela, que lhe mandou: “… toma lá um beijo, num abraço apertado.” (Bem, a Dona Olga de “Beirais” não poderá apertar muito o homem, que ele está tão magro!... Já o tinha visto algumas vezes em Almada. Impressiona a magreza…)

 

E aconteceu um “happening” tão à moda dos sixties – seventies, orientado por Urbano Oliveira, percussionista e baterista, que, após nos terem distribuído uma folha de papel A4 e uma baquete, nos pôs todos a “produzir” música, homenageando o homenageado: Nuno! Nuno! Um verdadeiro acontecimento!

 

E, no início, houve outros Artistas mais novos que também participaram na homenagem, mas que na altura eu não contava escrever nada, só depois me entusiasmei e comecei a apontar. E, sendo de gerações seguintes à minha, acabo por não os conhecer, que pertencem a épocas em que me desinteressei pela música dita ligeira, mais ou menos a partir de finais de oitenta, princípios de anos noventa.

E haverá também as “raparigas” que compuseram o “Intróito”, mas que não fixei os nomes.

No cartaz publicitário figuram os seguintes nomes: Alexandre Ribeiro, Ana S. Silva, Isabel Pires, Leonor Carrilho, Paulo Brissos, Renato Silva, Vitor Paulo.

 

O conjunto “Tabus” acompanhou Nuno Gomes dos Santos que finalizou o espetáculo com várias atuações.

De “gaita-de-beiços”, (harmónica, é mais bonito!), homenageou Bob Dylan tocando e cantando “Mister Tambourine Man”. Ainda e também “Stand by me”, de Ben E. king (?)

Da banda “Tabus”, também músicos de há quarenta anos, agora novamente regressados às lides musicais: Carlos Zé, baixo; João António, guitarra (quê?, que as não distingo!); João Coradinho, teclas; e João Vieira, bateria. E também um jovem baixista, Renato, sobrinho do homenageado.

 

E, nestas andanças de gerações e família, também participou a neta, Violante Carrilho, em flauta transversal, que enquadrada entre tantas sumidades e gentes bem mais velhas e naquele ambiente de palco se enervou bastante. Todos foram muito compreensivos, músicos e público, que o ambiente era de festa e solidariedade.

E a filha de Nuno também esteve muito bem na apresentação de excertos do espetáculo.

 

E assim se reviram, reouviram e reviveram cinquenta anos de canções, que nos deixaram maravilhados!

 

E todos foram chamados ao palco e todos cantaram e ainda a finalizar houve nova intervenção do Coro cujo nome não cheguei a “Consenso”.

 

E a Câmara Municipal patrocinou. Que o objetivo era homenagear o Artista e entregar-lhe uma medalha, entregue por Presidente da Câmara, o que aconteceu quando eu cheguei ao espetáculo, que me atrasei meia hora, mas isso foi logo no início.

Que ao princípio do princípio eu não assisti, mas julgo ter sido uma apresentação retrospetiva, não sei em que suporte, talvez vídeo, não vi, pois atrasei-me. Mas vi o que pretendia, que era o espetáculo.

 

Parabéns e que conte mais uns tantos, não direi cinquenta, mas mais alguns e que possamos estar cá nós também para ver.

 

E perante tão bons Artistas, tão bons Apresentadores, tão bom Espetáculo, tão boas Canções… surpreende-me sempre a fraqueza dos atuais programas das “nossas” Televisões.

Ou não?! Como é possível tanta mediocridade atual promovida às horas de maior audiência?!

 

De TVs presentes, a televisão de Almada.

Porquê só esta TV?! Não seria, este, um programa que mereceria uma projeção nacional?! Porque não filmam outras TVs?! Porquê?!

Muitas questões me perpassam…

… ? …?

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Hoje, dia 17 de Janeiro de 2017, em que faleceu o Maestro João Balula Cid, anexo este link

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publicado às 12:43

Círculo Nacional D'Arte e Poesia - Exposição de Pintura - Carnide

por Francisco Carita Mata, em 18.12.16

EXPOSIÇÃO de PINTURA - RECITAL de POESIA

CNAP - Círculo Nacional D'Arte e Poesia 

CARTAZ EXPOSIÇÃO CARNIDE JANEIRO 2017-ESPACIAL.j

O Círculo Nacional D'Arte e Poesia irá promover uma Exposição Coletiva de Pintura, em data e local supracitados no anterior cartaz.

No dia da inauguração haverá Recital de Poesia.

Caso esteja interessado em participar, contacte, se faz favor:

Círculo Nacional d'Arte e Poesia -  Rua Maestro António Taborda, 37 - 2º - 1200 - 714 - Lisboa.

Ou os seguintes mails:

dinizsampaio@gmail.com

- sr.raimundo@gmail.com

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publicado às 11:24

Antologia da APP – Associação Portuguesa de Poetas (IV)

por Francisco Carita Mata, em 17.12.16

“A Nossa Antologia”

XX Volume - 2016

(57 Autores)

Editor: Euedito

 

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Continuando na divulgação de Poesias da XX Antologia da APP.

Agora, o 4º grupo.

Seguem-se Poemas de: Carlos Fernandes, Catarina Malanho, Clara Mestre, Conceição Oliveira e Cynthia Porto.

 

Lisboa nascer do sol Foto original DAPL 2016.jpg

 

 

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CARLOS FERNANDES

 

“A GAIVOTA QUE AMAVA LISBOA”

 

“Gaivota perdida e encontrada por esta maresia,

De cheiros a águas esverdeadas do Tejo,

Levantas-te como o tempo quando a aragem se arriba,

Mas logo num brado da asa vens e mergulhas nas margens,

Da tua Terra amada que é Lisboa.

E vais esvoaçando numa dança divinal,

E bailando por entre raios de luz,

No grande palco que é o teu Tejo,

Tendo como cenário Lisboa,

Por entre as suas águas murmurando,

E dançando do Nascente ao Poente

Vais bailando docemente numa exaltação,

Para quem te vê deixasses um libido amor,

A esta terra esta cidade chamada Lisboa.

E no final da tarde quando regressas da viagem

Para descansar, num cais que se chama das colunas

Que o entendeu como seu, no cimo do mastro Real,

Poisas sempre a ver os cacilheiros chegar,

E agradeces a esta tua linda Lisboa,

Que é a rainha de Portugal.”

 

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Frutos Outono I 2015. Foto original DAPL jpg

 

CATARINA MALANHO

 

“PASSOU-ME O OUTONO À PORTA”

 

“Sentada a olhar a rua

Pela janela envidraçada,

Vi passar esvoaçando

Muitas folhas descoradas…

 

Eram amarelas, castanhas

Algumas amarfanhadas,

 

Observei melhor…

 

Prestando mais atenção;

Era o vento que soprava

Pois já não havia Verão

E o Outono chegava…”

 

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CLARA MESTRE

 

“RECORDAÇÕES (Gradil)”

 

“No meu tempo de menina

A aldeia cheirava

A pão quente

Agora

Os passos cansados

Da minha imaginação

Ainda atravessam

O forno

Lembrando o cozer do pão

Passa o destino a correr

No sangue fraco das veias

Há emaranhado de teias

Que ainda tento defender

Mas…

Na minha imaginação

Não há tempo

Não às guerras

Há sempre satisfação

Porque o cheiro

Da minha aldeia

Trago no meu

Coração…”

 

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CONCEIÇÃO OLIVEIRA

 

“GENTE FELIZ”

 

“Ali não há rios

há mar, muito mar.

 

E cheiro a peixe fresco.

e cães a descansar sobre redes

até que os pescadores voltem ao mar.

E gente, muita gente.

Jovens

Velhos

Crianças.

Tudo junto. Tudo feliz”

 

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CYNTHIA PORTO

 

“A QUEM VAI CHEGAR”

“(Soneto Futurista)”

 

“Espero-te em um clima de ternura,

Em prece, abrindo aos Céus, meu coração,

Pois, sei que chegarás, de alma tão pura,

Neste teu novo lar, com afeição…

 

A música será uma recepção,

Acolhedor banquete de candura,

A tua vinda a nós, como canção,

Porque é festiva, vem, e assim, perdura…

 

Terás uma morada aconchegante,

Em meio a muito amor e poesia,

Com fluido angelical, que segue adiante…

 

Como um presépio, é pleno de harmonia,

Serás a doce Vida radiante,

Também perene fonte de alegria!...” 

 

Notas Finais:

Este post é acompanhado por sugestivas fotografias originais de D.A.P.L., de 2015 e 2016.

Suponho que, enquanto publico este documento ilustrativo do trabalho da APP, da respetiva Direção e dos Antologiados, estará a decorrer o lançamento de livro do Associado, António José da Silva. Desejo-lhe as maiores felicidades e êxitos.

Irei continuando na divulgação da Poesia constante na XX Antologia.

 

 

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publicado às 15:41

Rei… Naldo, reinaldices; Política, politiquices; Futebol, futebolices

por Francisco Carita Mata, em 15.12.16

Questões pertinentes… Perguntas impertinentes?

bola de ouro. in. arlloufill.com

 

Então, mas o Ronaldo não está de parabéns pela conquista da sua (dele, não sua, caro/a leitor/a) quarta bola de ouro?!

Pois claro que está. Então não haveria de estar?!

 

Só que choca, tanto beija mão real, tanta adulação, tanta idolatria, Ronaldo para aqui, Ronaldo para ali… E parabéns e felicitações dos personagens mais importantes do Estado e da Nação, não vá o rapaz ficar melindrado pelo esquecimento.

E, é a política a aproveitar-se do futebol! Que também se encosta na política quando lhe convém.

 

E tanta idolatria relativamente ao objeto per si. Relativamente à própria bola de ouro (?), à taça, a isto e aquilo. Ao bezerro de ouro? Ao dinheiro!

 

Não é que o indivíduo não mereça.

Que merece. E é um exemplo, um modelo, pela forma como se supera a si mesmo, como superou as adversidades e contingências da sua própria vida.

Mas Ronaldo só há um. E, por um Ronaldo que brilha no firmamento das estrelas do futebol, milhares de ronaldos enterram os seus sonhos nas agruras e adversidades da vida.

Porque a vida não é só futebol, e o futebol das estrelas e do glamour é só para alguns eleitos.

E, se Ronaldo pode ser um modelo para milhões de deserdados da fortuna, um leit-motiv para os desafortunados do mundo, também acaba por não ser mais que isso e, desse modo, não ser mais que uma ilusão.  

Por isso, choca e aborrece e desvirtua o papel do personagem, que os media insistam tanto em tanta “ronaldice”.

Que exagerem tanto e até à exaustão, em tanta “reinaldice”, do dito cujo personagem.

 

E que se fale tanto e tanto, e mais que tanto, em milhões para aqui e para acolá, sempre que se fala em futebol.

Quando, tantos milhões contam os tostões à vida…

 

E de onde vem tanto dinheiro?! Que tanta falta faz noutros campos, que andam sempre à míngua do dito cujo, e onde ele é muito mais necessário, acentue-se.

 

E que se fale tanto e tanto nos árbitros que não cumprem a sua função de arbitragem, que não cumprem ou alteram as regras do jogo, que favorecem esta ou aqueloutra equipa…

Quando o Árbitro dos árbitros, que devia apenas sê-lo, quando o é; mas que também é jogador, sendo igualmente árbitro, procede como procede, quando tem que arbitrar…

 

(Mas, dir-me-á. “Esta não estou a perceber”. E tem razão em não estar, porque, nesta saída, saí do futebol e entrei noutro campo de jogo. A ele ainda hei-de voltar noutro dia…)

 

E, retornando ao campo e conversa primeira…

 

A comunicação social parece não ter mais sobre que perorar.

Os media tresandam a futebol…

As redes sociais a futebolice, a penaltice, a tunelice a benfiquice, a sportinguice, a portice… a clubice!

 

Ele é, sobre se houve ou não penalty, se a bola foi mais para a direita ou mais para a esquerda e não foi ao centro; se a mão bateu ou não na bola ou se a bola bateu na mão; se houve ou não encontrão, canelada ou aleijão… se o árbitro favoreceu ou não a equipa A ou a B, se… se… se…   (…)

 

E estes assuntos propalam-se durante o jogo, já antes houve e deixou de haver falas e mais falas e faladuras, faladores e, atualmente, até faladeiras.

Continuam a comentar durante o encontro e após, nos vários programas televisivos e radiofónicos, nos jornais e revistas, de todas as cores e cada caso, por mais ou menos caso que seja, é esmiuçado ao pormenor, visto e analisado, sob os vários ângulos e pontos de vista, revisto, bivisto e trivisto, batido e debatido, e rebatido até se ficar surdo de tanto ouvir e reouvir.

E vemos, e revemos as imagens aumentadas e diminuídas, ampliadas e reduzidas até à exaustão e sempre a sermos bombardeados com futebol e futebol e mais futebol.

 

Nunca neste país houve tanto futebol!

 

Mas, então, não gosta de futebol?

Não vibra com a seleção nacional?

Não tem um clube de preferência?

 

E, pergunto eu:

 

E não haverão também outros desportos?

 

E não haverão também outras atividades e eventos de interesse nacional?!

 

Tantos acontecimentos e ocorrências de natureza cultural, de caráter nacional e regional, de interesse, que passam completamente ao lado dos media! Totalmente ignorados.

 

E, por hoje, me quedo por aqui. Que até publiquei dois posts.

 

*******

P.S. – E como neste post também remeto para a POLÍTICA, quero expressar as minhas congratulações ao Senhor Engenheiro António Guterres que irá assumir funções no mais Alto Cargo Mundial na ONU. E desejar-lhe os maiores sucessos.

E acho muito bem que o Senhor Presidente da República de Portugal e o Senhor Primeiro Ministro de Portugal tenham ido felicitá-lo à ONU.

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publicado às 16:56

"Hospital Real" em 2ª reposição na RTP2

por Francisco Carita Mata, em 15.12.16

Television de Galicia

5º Episódio, ocorrido no sábado dia 10 de Dezembro de 2016

 

De facto, a RTP2 volta a repor esta excelente série galega.

 

Agora, aos sábados, após a hora do almoço, em vez da sesta, que é inverno, pode ver ou rever esta notável série. (Não sei ainda a hora exata, mas haverei de saber, e contar.)

No sábado passado ainda ocorreu apenas o Episódio nº 5 – quinto episódio.

 

Não é uma série de grandes recursos técnicos, nem de grandes efeitos especiais. Também não terá um orçamento por aí além, digo eu, que não fui visto nem achado no assunto.

Mas consegue captar-nos a atenção. E muito!

E, pelos vistos, não apenas a mim, pois se a RTP2 já vai na terceira apresentação da série é porque ela está a ser vista e apreciada. O que eu também noto nas visualizações dos posts respetivos no blogue.

 

E porquê?! Porque terá este seriado tanto sucesso?!

 

Falo por mim, evidentemente que revi este último episódio, lembrava-me muito bem do enredo, mas visualizei-o com o maior dos interesses.

Indubitavelmente, pela sua qualidade.

hospital-real-tvg2- Atores. In. ABC Galicia.jpg

O facto de ser um seriado histórico, sobre uma época conturbada, o dealbar do século XVIII, 1793, o ocaso do Antigo Regime, o prenúncio de uma nova sociedade, a ascensão da burguesia como nova classe a tornar-se dominante, o declínio e perda de importância da nobreza e do clero.

Fundamentalmente as mudanças sociais e políticas que se sentem e pressentem na vida, no Hospital, um microcosmos da sociedade mais geral.

Em pano de fundo, a Revolução Francesa e seus efeitos

 

A reconstituição histórica, nomeadamente no trajar dos personagens. Apesar da teatralização representativa com aqueles fatos sempre tão impecáveis. Sente-se muito esse sentido de palco que, se por um lado, nos afasta do conceito mais real, associado a filme, por outro nos aproxima mais do conceito de teatro.

 

E que falta faz o bom Teatro na televisão!

Talvez o facto de esta série, de algum modo, tão “próxima” do teatro, ter agradado tanto, talvez, digo eu que sou leigo no assunto, talvez seja sinal de que o público anda ávido de bom Teatro e de boas representações.

Deixo esta dica à consideração de quem gere a programação das RTPs.

 

Talvez, precisamente essa representação tão teatralizada funcione como um chamariz para o público.

Na verdade, temos que reconhecer que o Teatro é um tipo de espetáculo que anda praticamente ausente das nossas televisões, assoberbadas com outros processos narrativos.

Há quanto tempo não passa um bom Teatro na televisão?

 

Os diálogos, estruturando um enredo, em que com o que dizem é mais o que escondem do que o que demonstram abertamente, sempre em jogos táticos, definidores do poder e posição social de cada um.

Os olhares dizendo-nos tanto ou mais do que o que foi verbalizado oralmente.

O trabalho dos atores e das atrizes, com excelentes desempenhos, praticamente sustentados nas falas de cada um, nas réplicas, tréplicas e subentendidos.

Representação quase apenas centrada nos rostos, na expressão facial, traduzindo-nos ideias, pensamentos e sentimentos. Que com aqueles trajares pouco se observa dos corpos, nem assim vestidos pouco podem transmitir de expressivo.

Mas os trajes, per si, são definidores de cada personagem, do seu papel a desempenhar.

E, nestes aspetos, acentuamos novamente o lado da teatralização.

 

O jogo do poder pela conquista da gestão do Hospital, como se de um jogo de xadrez se tratasse, cada personagem, uma peça, no xadrez dessa batalha pela conquista do almejado lugar de administrador.

Estruturante também os assassínios em série(?).

hospital-real-tvg1- Medicina In. ABC Galicia.JPG

A questão da Medicina. Dos conhecimentos, da respetiva prática, da deontologia médica, dos valores de cada um e dos “progressos” que se sentem. Os instrumentos cirúrgicos. Os meios disponíveis, se tal se pode assim mencionar.

Este é também, indubitavelmente, um dos campos de interesse na narrativa.

 

O enredo, o guião, os atores e atrizes, já o disse, mas não é demais repetir.

 

hospital-real-tvg3 Heroi e Mocinha In. ABC Galicia

 

E o(s) romance(s), claro!

 

Todos estes aspetos e mais alguns, que não disse, ou a minha perspicácia não observou e aqueles que fui abordando nas minhas narrações sobre a série, que fará o favor de ir lendo, todos estes aspetos nos prendem ao seriado.

 

Veja, se faz favor.

Reveja, caso já tenha visto. Ou até reveja o revisto, que até está a ser o meu caso!

 

E, espante-se e maravilhe-se!

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publicado às 15:50

Antologia da APP – Associação Portuguesa de Poetas (III)

por Francisco Carita Mata, em 12.12.16

“A Nossa Antologia”

XX Volume - 2016

(57 Autores)

Editor: Euedito

 

Alentejo ao entardecer Foto original DAPL 2016.jpg

 

 

Continuo na divulgação de Poesias da XX Antologia da APP.

Agora, o 3º grupo, numa equação: 3B + 1C = ?

Seguem-se Poemas de: Bento Durão, Bento Laneiro, Boavida Pinheiro e Carlos Cardoso Luís.

 

*******

 

BENTO DURÃO

 

“MEU ALENTEJO”

 

“Eu nasci do trigo

Dentro de um abrigo

Lá no Alentejo

E foi uma manhã

De uma brisa sã

Que veio dar-me um beijo

 

Cresci embalado

Sobre o sol doirado

Nos braços de um pastor

E comi açordas

Com coentros e côdeas

Mas feitas com amor

 

Quando eu um dia voltar

Ao meu Alentejo

Vou com o povo cantar

Vou matar o meu desejo

 

Vou correr pelos campos

Comer figos lampos

Ao amanhecer

Depois ao luar

Uma canção cantar

Ver o sol nascer

 

É isto que eu quero

Ser sempre sincero

Naquilo que canto

Beber vinho novo

Com gente do povo

Que eu amo tanto.”

 

*******

 

BENTO LANEIRO

 

“TER SAUDADES”

 

“Quem tem saudades, amou

E quem ama não esquece,

Tudo o que por si passou

O seu coração merece!

 

Os locais onde viveu

Ficaram na sua mente

E tudo o que aconteceu

Volta e meia ele o sente!

 

Saudades trazem frescura

E vontade de viver!

Cristo sofreu amargura

Morreu para renascer!

 

Ter saudades é saudável

Outros têm-nas por nós!

Quem ama por ser amável

Seu amor é sua voz!

 

Ter saudades de meus entes?

Eles têm-nas por mim…

Quer sejam ateus ou crentes.

O amor jamais tem fim!”

 

*******

 

BOAVIDA PINHEIRO

 

“CABEÇO DE VIDE”

 

“Belo Cabeço de Vide,

Quando visto da Fronteira,

Tua beleza reside,

Em seres tão altaneiro…

 

Brancura do casario,

Até parece serrana,

Tal é pois teu desafio,

Na planície alentejana.

 

O teu povo hospitaleiro,

Calmo, feliz, prazenteiro.

Se por aqui vieres passar

 

Tens aqui um bem profundo

Termas únicas no Mundo

Para a saúde tratar…

 

********

 

CARLOS CARDOSO LUÍS

 

“CONTENTAMENTO”

 

“Palavras leva o vento

Rumo ao céu ao infinito

Ninho do aprazimento

Na árvore do erudito

 

Em solene expiação

E num sorriso matreiro

A porta do coração

Espera um beijo traiçoeiro

 

Tem gravado na memória

Um quadro que eu pintei

Palco da nossa memória

Castelo que conquistei

 

Vejo nas folhas do trevo

A sorte de ser ditoso

São quatro folhas d’enlevo

Neste meu jardim viçoso

 

Janela escancarada

Entre o sol e sentimento

O calor a baforada

A luz do contentamento.

 

 

 

 

Notas Finais:

A foto é original de D.A.P.L., de 2016. E, embora não pareça, é sobre o Alentejo.

E, já agora, encontrou a solução da equação 3B + 1C = ?

Pois, só pode ser: Poesia. Mas é uma equação que pode ter outras soluções.

Até um próximo post sobre Poesia.

 

 

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publicado às 22:28

Post Natalício, 2016!

por Francisco Carita Mata, em 09.12.16

NATAL!

 

Neste mês de Dezembro, podemos lá nós deixar de falar do Natal?!

 

aqui abordámos esta temática…

A ela voltamos com um Poema, de 1982, de um Poeta consagrado: David Mourão – Ferreira.

Através dele, aproveito para desejar um Santo e Feliz Natal, a todas as Pessoas que têm a amabilidade de visitar este blogue.

 

Nascer do Sol Foto Original DAPL 2016.jpg

 

“COSMOGONIA DE NATAL”

 

“És Água no que a Terra tem de Fogo

És Fogo és Ar na Terra já sem peso

 

És os Quatro Elementos que tão pronto

irrompem do mistério do Teu berço”

 

(1982)

 

Concha na praia. Foto original DAPL 2016.jpg

  

In. “Cancioneiro de Natal”

 

David Mourão-Ferreira

Obra Poética (1948 – 1988)

 

Editorial Presença

2º Edição, Lisboa, Julho 1996.

 

 

Os 4 Elementos alterados Foto Original DAPL 2016.jpg

 

Não sei se será este o único post que irei publicar sobre o tema. Talvez divulgue um original, não sei!

 

Tomo a liberdade de anexar um link de um Poeta atual, também sócio da APP Euclides Cavaco.

Um trabalho muito sugestivo.

 

E também pode ler um lindo Poema, neste blogue:

http://poetamos.blogspot.pt/

 

 

As fotos são originais de D.A.P.L., 2016. 

 

 

 

 

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publicado às 16:04

Antologia da APP – Associação Portuguesa de Poetas (II)

por Francisco Carita Mata, em 08.12.16

“A Nossa ANTOLOGIA

XX Volume - 2016

(57 Autores)

Editor: Euedito

 

Solar Zagallos Foto original DAPL 2015.jpg

 

Introdução:

Conforme prometido, divulgo, no blogue, um segundo conjunto de poesias.

Autoria de:

- António José da Silva, António Pais da Rosa, António Teles, Aurélio Tavares.

 

*******

ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

 

“POEMA DUM DIA AUSENTE”

 

“Hoje não te vi, nem li, nem ouvi…

Vi o teu corpo como se fosses pedra,

esculpida no colo do meu poema.

 

Ontem, falámos muito… Deixaste-me letras que só nós

sabíamos,

Decifrámos palavras que só nós entendíamos!

e quando apaguei a luz, desliguei a própria lua, e disse-te:

Até amanhã, anjo!...

 

Depois dormi como tempo, e sabia que ao acordar tinha uma

palavra tua… e tive!

Mas sabia que hoje não estavas, não me decifravas, nem me

lias, nem ouvias.

 

A tua imagem soprou nos meus cortinados, trazendo os teus

lindos olhos de veludo.

Esperarei por ti!... Porque me disseste que vinhas.

Hoje!...”

 

*******

 

ANTÓNIO PAIS DA ROSA

 

“CANAS DE SENHORIM”

 

“Tua beleza talhada,

Com cores do meu pensamento,

Em ouro foste gravada,

Como era meu intento.

 

És a luz do meu olhar,

A beleza do meu ser,

Não te posso olvidar

És fulcro do meu viver.

 

Quando lá longe… bem longe,

Em terras ricas, pomposas,

Seguia-te, como monge,

Meu rico jardim de rosas.

 

Quero avivar meu passado,

Ser refém do meu presente

Ou de um futuro sonhado,

Mas tão frágil como ausente…

 

E, assim, CANAS te vejo,

Dar brilho ao meu ser,

E, como último desejo,

Vou cantar-te até morrer.”

 

*******

 

ANTÓNIO TELES

 

“TUDO TEM UM TEMPO”

 

“Neste momento eu queria estar

Olhando todas as mulheres que amei

Talvez até pra me decepcionar

Se se confirmasse que me enganei

 

Cada coisa no seu tempo é essência

Quando se elabora com convicção

O coração sempre manda na ciência

Mesmo quando ela nos vence na acção

 

É consabido não ser racional

A força que emana de um grande amor

A intensidade não tem igual

Nesse mais que desejado sabor

 

O amor só acaba quando nos damos

Conta, da queda das folhas da flor

Então, e mesmo que o chão, varremos

Jamais brilhará a antiga cor”

 

 

*******

 

AURÉLIO TAVARES

 

“UM LINDO FILHO”

 

“Eu tenho longe um lindo filho

Para além do mar há muitos dias

Triste espero que por muito sorrindo

Esteja vivendo sãs alegrias

 

É longa e vai sendo maior ainda

Esta primeira longa separação

Mas não é por estar longe que finda

A nossa já bem longa comunhão

 

Meu coração triste vai batendo

Bem mais fraco e quase sem vigor

Mas tenho eu mesmo de ir vivendo

Porque é bem vivo o nosso amor

 

Se assim não fora eu não vivia

Desde que há muito a medo vivo

Perdi muita coragem e alegria

Por ti tão só à vida estou cativo

 

Já velho e triste resta-me o sonho

Dum filho lindo longe mas risonho.”

 

 

Nota Final:

Ilustro o post com uma foto original de D.A.P.L., 2015, igualmente com a imagem de uma hortense rosa, no bonito “Solar dos Zagallos”, em Almada.

Sugestionado a partir da capa da XX Antologia.

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publicado às 15:48

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Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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