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E que venha a Primavera!

por Francisco Carita Mata, em 20.10.17

Crónica de Outubro (II)

Crónica de Descontentamento (V)

E Desalento

 

Original DAPL. Hera. 2016.jpg

 

Ao escrever a crónica anterior, datada de 14/10/17, referi a possibilidade de eventualmente voltar a escrever mais alguma crónica ainda neste mês.

Mas estava a milhas de imaginar que ainda voltaria a abordar o tema dos incêndios. Pois quem haveria de supor vir ainda a acontecer tal tragédia!

Mais de quinhentas ignições de fogo, (523), praticamente em todos os distritos ao Norte do Rio Tejo, no domingo, dia 15 de Outubro! E 199, na 2ª feira, 16 de Outubro!

Números assombrosos!

E perdas de vidas humanas.

E também de animais.

Milhares e milhares de árvores incineradas.

Poluição atmosférica tremenda!

Milhões de prejuízos...

(…)

 

Como é possível acontecerem tantas ocorrências de incêndios?!

Não há efeito sem causa!

 

É caso para ser averiguado. O que ocorreu para tal ter acontecido?! Porque não houve por aí, trovoadas secas, ventos ciclónicos, descargas elétricas… arcos voltaicos!

É imperioso que um estudo seja feito sobre o assunto.

Que situações se desenvolveram para que, em tão diversos e diversificados locais, tenham acontecido tantos incêndios. Melhor, para ser mais preciso, tantas ignições.

Porque incêndios, dado o estado de sujeira em que está todo o País, é fácil acontecerem.

 

Mãos criminosas?!

Mãos descuidadas que iniciaram queimadas, na expectativa da vinda das chuvas?!

Lavouras, aceires mal feitos?! Limpezas e cortes de árvores secas com máquinas motorizadas?! Uso de motosserras?!

Desbaste e aceire de pastos com maquinetas elétricas ou a gasolina?!

(…)

 

Seria muito bom que de conjunto tão variado e disperso de incêndios se tentasse saber como foram iniciados. Porque foi uma calamidade!

 

Numa entrevista na SIC, durante o Jornal da Noite, de 2ª feira, 16/10, um senhor que o pivot do Jornal considerou grande especialista, reportou para o facto de esta enormidade de incêndios, ter ocorrido na véspera do dia anunciado para a vinda das chuvas!

Esta afirmação passou relativamente ao lado do jornalista, que não a explorou, porque, depreende-se, não a compreendeu.

(Que é o problema fundamental deste pessoal das Grandes Cidades e destes Mundos Eletrónicos. Estão perfeitamente a leste do Mundo Rural! Problema idêntico nos nossos políticos!)

 

Porque, é mais que certo, que se no meio destes incêndios terão havido mãos criminosas e muitos interesses pelo meio… também, certamente, uma parte significativa se deveu a descuido de intervenientes.

Previu-se chuva.

E vai daí, muitas pessoas terão iniciado trabalhos agrícolas ou florestais que, dadas as condições em que ainda está a Natureza, são ainda extremamente perigosos.

E continuarão a ser, enquanto não chover realmente a sério e as temperaturas não baixarem consideravelmente.

Entretanto foi o que aconteceu. Uma verdadeira tragédia Nacional.

 

E a atuação do Governo atual, enquanto representante do Estado?!

Nem faço comentários!

 

E não deverão tirar ilações políticas?!

Se por umas “bofetadas virtuais” foi o que foi… Mas adiante, que se faz tarde...

 

E sobre o discurso de Sua Excelência o Senhor Primeiro Ministro?!

Disse o que havia para dizer, mas…

 

Um plano concreto de ação?! (?!) (?!) (…)

Ainda haverá uma reunião extraordinária de Conselho de Ministros.

Sempre o protelar no futuro…

 

Peço imensíssima desculpa, mas Sua Excelência deveria fazer o favor de ler as recomendações que frisei sobre a Reforma das Florestas.

 

Tomo a liberdade de fazer um pedido a Vossa Excelência, sabendo de antemão que dificilmente irá lê-lo.

 

Em termos de ação prática e concreta,

Se Vossa Excelência providenciar ordens e meios para que se faça uma verdadeira limpeza em campos por todo o País, a começar agora, que já se iniciou realmente a chuva, veremos melhorias no futuro.

Nem é preciso criar legislação nova. Basta pôr em aplicação a que já vigora.

Que o Poder Central nas propriedades e locais onde tem essa competência, aja nesse sentido.

Que as Autarquias, Câmaras e Juntas de Freguesia, as verdadeiras forças que estão no terreno, atuem com essa finalidade

As Autoridades Civis, Militares e Paramilitares, segundo as suas competências e jurisdição, atuem no sentido de operacionalizar trabalho a ser feito, o fiscalizem ou imponham de ser executado.

 

Limpar bermas de estradas e autoestradas. (Mesmo dentro do perímetro territorial das autoestradas há verdadeiras matas, é só olhar e ver.)

Exigir cumprimento das normas de pelo menos dez metros para cada lado das vias, com corte absoluto de matos e vegetação combustível.

Corte de vegetação combustível e de matos até pelo menos cem a cento e cinquenta metros de casas e povoações.

Aceires devidamente feitos.

Limpezas de caminhos vicinais…

E é só nos campos?!

Basta olhar, com olhos de ver, mesmo nas cidades!

 

Se Vossa Excelência conseguir pôr em prática esta medida por todo o País, atuando, como Poder Central onde tem essa obrigação e delegando poderes e competências nas Entidades Locais, muitas situações de risco serão minimizadas.

Exigindo Trabalho.

Exigindo também dos particulares!

 

 E só falo destas medidas que têm que ser de curto prazo.

 

Se cumulativamente conseguisse criar estruturas, unidades fabris, por ex. que utilizassem todas essas matérias vegetais, arbustivas, lenhosas, herbáceas, para produção, por ex. de energia, para a compostagem, seria o coroar de um processo de êxito. (Estas ações já não seriam de curto prazo.)

 

E para falar só de medidas que têm que ser de curto prazo.

Agora, é prevenir também os efeitos das chuvas.

 

Que a chuva até tem vindo com muita calma! Chove bem, mas sem exageros, de noite. E, de dia, está quase sempre sol.

Assim permite que a água possa penetrar na terra, não escorra e o sol possibilita o nascimento rápido da erva nova.

A Natureza, ou a Divina Providência, ou Deus ou Quem coloca alguma organização no Universo, são Entidades muito mais sensatas que os Humanos.

Então que os “nossos” políticos nem se fala!

 

*******

 

Notas Finais:

 

Esta crónica começou a ser escrita na 3ª feira, 17/10, já após os discursos…

Entretanto logo após o discurso do Senhor Primeiro Ministro, 2 ª feira, 16/10, já perto das 23 horas, começou a chover!

É caso para dizer que sempre houve alguma ação. Não do governo, não dos homens, mas da Natureza.

Milagre?!

 

Não sei se na 4ª feira se ainda na 3ª, houve o pedido de demissão da Senhora Ministra.

Pecou por tardio?!

Rapidamente se resolveu a substituição.

Adequada? Dará algum resultado?! Valerá a pena?!

 

Outras demissões de outros órgãos ligados à problemática da gestão dos fogos também ocorreram…

Nem são para menos!

 

Entretanto também foi anunciada uma moção de censura ao governo.

Merecida?!

Sem dúvida. Apesar da demagogia, muita demagogia, associada.

 

E este governo deve continuar a ser sustentado pelos partidos que o têm amparado?

Deve?! Merece?!

É uma reflexão que deve ser feita por quem tem aguentado este governo.

Mas deverá este governo pagar por todo um conjunto de más politicas que já têm trinta anos?!

Mas tanta inação, tanto desgoverno, tanta falta de operacionalidade não é de sancionar?!

(...)

 

Reflita e tente responder por si, caro/a leitor/a!

 

Uma questão final.

 

E de todas estas últimas mudanças e alterações, o que foi mais importante?

As alterações políticas ou a chegada da abençoada chuva?!

 

E esta, vai continuar a vir de mansinho, ou, de repente, ganha senha de trovoada?

 

Sem dúvida que a chuva foi o mais importante.

 

Mas do que toda a gente vai continuar a perorar é sobre as alterações políticas.

Ah! E sobre o futebol!

 

(E prevê-se novamente tempo quente!

E as alterações climáticas?!)

(E como a foto, original DAPL - 2016, nos prenuncia: Haverá nova Primavera! Novas Primaveras!)

 

.(Até lá... tanto trabalho ainda a fazer!)

 

*******

P.S. -

Tem toda a razão caro/a leitor/a. O imediato, imediato, de curto prazo, agora, é resolver os problemas prementes de quem sofreu com os incêndios. Antes que chegue o Inverno.

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publicado às 21:13

Ação! Imbecilidades... E Raposices!

por Francisco Carita Mata, em 14.10.17

Crónica de Outubro I, em sete Pontos!

Algumas ações positivas – outras tantas imbecilidades

Crónica de Descontentamento(s) (IV)

E alguns Contentamentos

 

Intitulo esta crónica, de Outubro, desconhecendo se ainda virei a publicar mais alguma referente a este mês.

 

in. br.depositphotos.com

 

*******

(I)

 

Começo por uma ação de lado positivo, que observámos na passada 6ª feira, 13 de Outubro.

 

Na estrada de Estremoz – Vimieiro, constatámos algo de muito positivo.

Já perto da povoação do Vimieiro andavam técnicos a recolher o lixo, que os automobilistas “educados e asseados” atiram borda fora quando viajam pelas estradas deste nosso Portugal, que “muito boa e educada e asseada gente” insiste em transformar num enorme caixote de despejo das respetivas imundícies.

 

Nas bermas da estrada, haviam cortado o pasto que prolifera nas valetas e espaço circundante do alcatrão até às lindas das propriedades particulares.

Um trabalho que é imprescindível e imperioso seja feito todos os anos pelas entidades competentes, nomeadamente as autarquias ou outros órgãos e agentes públicos que têm que interiorizar essa obrigação anual.

Como forma preventiva de Incêndios.

E que além do mais dá trabalho a muito pessoal. (Tanta gente que se queixa que não tem trabalho!)

 

Na sequência dessa limpeza, desse desbaste de ervas e matos, chamemos-lhe aceire, fica visível toda a quantidade de garrafas de plástico e de vidro, garrafões, embalagens, sacos de plástico e papel, de lixos diversos, eu sei lá, que variedade de porcarias que atiram pelas janelas… (Nem falo das beatas de cigarro acesas…)

Pois, vários funcionários, não me perguntem de que Entidade, andavam juntando esses detritos em sacos. Deduzo que os levarão para reciclagem… pelo menos retiram-nos das bermas e valetas, com todos os perigos que aí representam.

 

Ações meritórias, sem dúvida: Limpezas e aceires. E subsequente recolha de lixo.

Pena e deplorável é que neste lindo País, à beira mar plantado, ande tanta gente a conspurcá-lo. O País e o Mar!

 

Porque não há razão para se atirarem os lixos para qualquer lugar, com tantos meios de recolha adequada.

 

*******

(II)

 

Extrato de Notícia de “RR – Renascença in. Sapo.pt/”, de 12/10/17 – 13:02, de Eunice Lourenço, Paula Caeiro Varela

 

«Relatório da comissão independente entregue no Parlamento.»

(…)

«No que diz respeito à prevenção, apontam como “maior constrangimento” a falta de cumprimento das regras sobre vegetação (50 metros em volta das edificações, 10 metros para cada lado da rede viária e 100 metros à volta dos aglomerados populacionais). Ou seja, havia vegetação onde não devia haver.»

(…)

 

Refere-se esta notícia ao incêndio de Pedrógão.

Realço este excerto, porque é na concretização desta ação que tem que residir a base primária e permanente de toda a PREVENÇÃO.

Pode crer, caro/a leitor/a que a serem realizadas, anualmente, estas atividades de limpezas, de aceires, haverá um risco bastante menor de incêndios.

E trabalho que assim é possibilitado a tanta gente que se queixa que não tem emprego! (!!)

E o que se pouca em tantos milhões e milhões e perdas de vidas humanas, que não têm preço!

 

E já agora e novamente, reforço uma sugestão que já fiz em diferentes contextos.

Estruturem e criem “unidades fabris” que aproveitem toda essa matéria vegetal: lenhosa, arbustiva ou herbácea.

Implementem centrais de produção de energia ou de produção de compostagem, a partir de todos esses materiais. Situadas estrategicamente no Interior do País.

 

Haja vontade, vontades políticas para concretizar tais projetos.

Fica a sugestão. Ficam as ideias!

 

*******

 

Também tenho que cronicar algumas imbecilidades.

 

(III)

 

Na passada 5ª feira, 12 de Outubro, decorriam também na minha Cidade, na Cidade de Régio, as imbecilidades das praxes.

Da zona antiga da Cidade desaguaram no lago do Jardim do Tarro…

Quem observe e tenha capacidade crítica, pode avaliar quão negativas são as ações praticadas.

Uma verdadeira imbecilidade. (É o termo mais adequado para qualificar tais práticas.)

Quando é que as Autoridades, todas as Autoridades, desde o topo da Administração do Poder Central, até às Autoridades Locais, resolvem agir sobre atos de desrespeito do Ser Humano, ademais perpetrados na via pública?! (?!)

 

*******

(IV)

 

Paralelamente ou nem por isso, nesse mesmo dia, à noite, decorreu na Praça do Campo Pequeno mais uma “tourada à antiga portuguesa”.

Com direito a transmissão televisiva via RTP1.

Sem mais e sem comentários!

 

*******

(V)

 

Ainda na mesma onda e em rota igualmente paralela, dia 13 de Outubro, 6ª feira, (é caso para dizer, sexta feira treze!) o Parlamento Português aprovou a “…permissão de animais de companhia em estabelecimentos fechados de restauração…”

 

(Já aqui informara sobre os bebedoiros comuns!)

Também não são precisos comentários!

 

Só pergunto:

- Então, mas os nossos legisladores não têm mais com que se ocupar?!

(E praticamente não houve oposição. Raríssimas vozes isoladas! Abstenção do PSD.

Uns, a grande maioria, concordam inteiramente que “cães e gatos” comam à mesa dos restaurantes, outros tanto lhes faz!

Simplesmente, fico confuso com tantas modernidades!

E admiram-se que o pessoal nem vote.

Mas votar em quem?! Se todos afinam pelo mesmo diapasão!)

 

Supõe-se, tradicionalmente, estarem a referir-se a “cães e gatos”, a “comerem e beberem” à mesma mesa dos restaurantes…

Mas, como esta questão de “animais de estimação” é dúbia e não está definida em termos de objeto, mas apenas de sujeito…

E se um sujeito qualquer se lembra de levar para o restaurante qualquer outro “Animal”?!

 

*******

(VI)

 

E já que entrámos na onda das politiquices…

Também quero perorar algo sobre as Autárquicas.

Principalmente a inquinação futebolística da linguagem exacerbada sobre as mesmas, após os resultados:

“Ganhou… perdeu… grande vencedor… grande derrotado…, meteu autarcas…” Eu sei lá!

 

Importante será que todos venham a trabalhar para o Bem Comum, de todos os Cidadãos, das Comunidades.

Irão?!

 

*******

(VII)

 

E já que nesta crónica também falámos de Animais, não posso deixar de terminar com uma questão em jeito de fábula.

 

E como é possível que, para guarda de alguns “galinheiros”, até tenham concorrido “raposos” e para um até foi um declarado raposão que "ganhou"?!

 

(……..)

 

E termino. Que a crónica já vai longa e tem sete pontos.

E se acrescentasse outro seriam oito.

E bem que gostaria de falar sobre algumas questões internacionais. Prementes. Mas ainda não é desta!

Obrigado por ter lido até aqui!

(Imagem in. br.depositphotos.com)

 

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publicado às 21:14

Post Natalício / Amendoeira frutificada!

por Francisco Carita Mata, em 08.10.17

Este blogue comemora, hoje, três anos! 

Original DAPL. Amendoeira Verão. 2017.jpg

 

Umas vezes melhor, outras pior, já contam 553 posts publicados sobre as mais variadas temáticas.

Aquém – Tejo sempre presente. Aquilo que mais nos “toca”, que nos está mais “perto”, geográfica e afetivamente, diga-se!

Sem ignorarmos o que se passa no Mundo, à nossa volta.

 

Não me vou alongar em considerações evocativas. Vou comemorar a efeméride com a colocação de um texto e algumas imagens sobre um dos temas que mais nos “dizem”, que mais nos “tocam”:

- As questões ligadas ao Ambiente e, neste tema tão vasto, tão variegado, as Árvores e a sua importância para a Humanidade.

Original DAPL Amendoeira Verão II. 2017.jpg

 

- E num enquadramento tão relevante, mas tão descurado, o “Mundo Vegetal”, as Árvores, lembrar e documentar sobre uma Árvore muito específica, que tem tido aqui, no blogue, direito a “desfilar”, na sua beleza primaveral, que tem sido aqui, no blogue, referida pela sua História.

 

Original DAPL. Epifania  Primavera 2015.jpg

 

Para além das imagens primaveris, é altura de mostrá-la na sua grandeza matriarcal, frutificada, carregada de frutos.

Este ano foi muito abençoada. Em termos estatísticos e, para que conste, frise-se, deu, ofertou-nos, quase mil amêndoas doces. Casca rija, difíceis de partir as amêndoas, é certo, mas não foi avara na sua dádiva.

 

Original DAPL. Amendoeira Verão III. 2017.jpg

 

Na colaboração, sempre constante, neste veículo comunicacional, sempre, repito, desde o início, o trabalho impagável de D.A.P.L.

 

Mais uma vez, as fotografias são de sua autoria.

 

Original DAPL. Amendoeira Verão IV. 2017.jpg

 

E retornando à Amendoeira

Após esta abundante frutificação e talvez dado este tempo que nos assola, (continuam temperaturas desmesuradamente altíssimas para esta época do ano, bem acima dos trinta graus, somos ainda assolados pelos fogos, ainda!), talvez efeitos de toda esta conjugação de fatores adversos, a Árvore parece que secou.

Parece! Vou deixar chegar nova Primavera. E que chova entretanto. Que chova! Que chova!

 

(E há, por aí, alguns dirigentes (ir)responsáveis que cismam em ignorar os problemas ambientais, o aquecimento global, os efeitos poluentes de fontes de energia fósseis, o perigo do nuclear, das bombas, das armas, das guerras atrozes, eu sei lá!)

 

Voltando à Amendoeira

Todavia e apesar de todas as adversidades, tem uns rebentos, já crescidos e nascidos a uns metros do tronco principal.

 

(São um sinal de Esperança, de Paz, neste mundo conturbado.)

 

Vou continuar a regá-la e a regar os rebentos.

Não creio que vá morrer ainda.

(Tem ainda pouco mais de quarenta anos!)

 

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publicado às 11:26

« Alentejo, Meu Alentejo»

por Francisco Carita Mata, em 07.10.17

«ALENTEJO, MEU ALENTEJO»

 

Original DAPL 2016 Primavera Alagoa.jpg

 

«Alentejo, meu Alentejo!

(boca fechada) mmmmmm

 

Alentejo dos loiros trigais

Onde os ceifeiros cantam madrigais

Alentejo, planura sem fim

Que, todo, cabes dentro de mim

 

Mais do que a neve da serra

Mais do que a espuma do mar

O Alentejo é brancura

À luz branca do luar.

Solidão do Alentejo

Fontes, cruzeiros e alminhas

Cantam rolas e cigarras

No silêncio das tardinhas!

 

O pastor do Alentejo

Encostado ao seu cajado

Vai namorando a campina

Que é a mesa do seu gado!

Olhos vagos e profundos

Num sonho distante imersos

Há neles mais poesia

Do que num livro de versos.

 

Alentejo das debulhas

Das ceifas e dos montados

Dos ranchos de mondadeiras

Fiéis aos seus namorados

E do cavador tisnado

P’lo sol quente do meio-dia

Rude, branco e altivo

Fiel à sua Maria!

 

Alentejo dos sobreiros

Azinheiras e olivais

Alentejo, minha terra,

Eu quero-te sempre mais.

Alentejo das searas

Em Abril a ondular

E das chaminés branquinhas

Ao sol posto a fumegar.

 

Dos tarrinhos de cortiça

Das samarras e safões

Dos pastores e dos morais

Dos manajeiros e ganhões,

Símbolos deste Alentejo

Que eu pra bem poder cantar

Hei-de beijar a planície

De joelhos a rezar.»

 

Exibiu-se no rancho de Aldeia em 1960.”

 

Original DAPL Alentejo 2017.jpg

 

Notas explicativas:

Mão amiga fez chegar no ano passado, 2016, um conjunto de “cantigas” impressas em duas folhas A4, às mãos de D. Maria Belo. “Cantigas” essas que faziam parte do espólio de Srª D. Maria Águeda, distinta Professora Primária, natural de Aldeia da Mata, que exerceu o Magistério em Vila Viçosa, terra natal da célebre Florbela.

Além de “ALENTEJO, MEU ALENTEJO”, nesse conjunto, incluem-se ainda:

“O sino da nossa Aldeia”, “As moças da nossa Aldeia”, “Namoro”, “Marcha de Aldeia”, “Festa de Aldeia”, “Cantigas das nossas ruas (desafio)”, “Balada de Aldeia”.

Estas cantigas eram precisamente para serem cantadas e foram exibidas “no rancho em Aldeia da Mata no Verão de 1960”.

Esta publicação e divulgação no blogue é também uma homenagem e tributo de amizade e de consideração pela estima mútua.

 *******

As fotografias são originais de D.A.P.L., de campos alentejanos, na Primavera, de 2016 e de 2017. A primeira tem como fundo a aldeia de Alagoa e a segunda foi tirada perto de Monforte.

 

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publicado às 22:06

«ESCUTA!...»

por Francisco Carita Mata, em 07.10.17

POESIA de João Guerreiro da Purificação.

Original DAPL. 2016. jpg

 

 

«ESCUTA!...»

 

«Se à Bíblia deres razão

Muda a tua vida de vez

Não faças que a tua mão

Veja o bem que a outra fez.

 

Se tu pousares com amor

A mão num ombro qualquer

Não toques sino nem tambor

Que tal bem morre ao nascer.

 

Se levares pela mão

Alguém em rude caminho

Não digas ao teu coração

Nem fales disso ao vizinho.

 

Se houver alguém que te pise

Ou te der algum encosto

Desculpa-te com um sorriso

Com esse, do pé mal posto.

 

Se tens arestas como picos

Lima-os todos muito bem

Não se virem os malditos

E te piquem a ti também.»

 

In.

III ANTOLOGIA de POESIA CONTEMPORÂNEA, 64 autores, coordenação de Luís Filipe Soares, 1986. Minigráfica, Lisboa.

 

Original DAPL Aldeia Igreja Araucária 2017jpg

 

Notas Finais:

Conforme mencionara em post anterior, prossigo na divulgação de Poesia de Pessoas da Aldeia, de que eu tenho conhecimento.

Supracitado, está o Srº João Guerreiro da Purificação, (10/07/1927 – 17/12/1997), que dispensa apresentações e que tive o grato prazer de conhecer e de conviver, como a grande maioria dos Matenses.

Segundo julgo saber, esta “III Antologia de Poesia Contemporânea” foi o 1º livro em que o Srº João participou, tendo também ainda publicado, nessa Antologia, “INIMIGOS”.

 

(Nesta mesma Antologia também participei. Com: “UM QUADRO” e “CAVALO DE FERRO”, que já figuram no blogue.)

 

No domínio das Antologias, que seja do meu conhecimento, ainda participou na “IV ANTOLOGIA de POESIA CONTEMPORÂNEA”, 80 autores, coordenação de Luís Filipe Soares, 1987; Minigráfica, Lisboa.

Deu a conhecer: “E FOI ASSIM” e “QUADRAS SOLTAS”.

 

(Nesta Antologia não participei. Mas tenho um exemplar autografado, que me foi oferecido pelo Srº João.)

(Relativamente a estas Antologias, não posso deixar de frisar o trabalho altamente meritório de Luís Filipe Soares, que neste domínio conseguiu sempre um crescendo de adesões, pois a “V Antologia de Poesia Contemporânea”, de Fev. 1988, conseguiu 97 Autores!

No final desse mesmo ano, Nov. 1988, “estranhamente”, surgiria uma outra Antologia intitulada “I Antologia de Poesia Contemporânea”, coordenada por um dos participantes na V Antologia de Poesia Contemporânea, já referida.) (!!!???)

 

No concernente ao Srº João Guerreiro da Purificação, frise-se que ainda veria, em vida, a publicação das suas Poesias, em livro de sua autoria: “ANTA”, Aldeia da Mata - 1992; Gráfica Almondina, Torres Novas. Com “Apresentação” de Srª D. Maria Aires, impulsionadora da publicação deste trabalho, como o próprio frisa na “Introdução”: “Encorajou-me de tal maneira que consegui levar por diante esta sua lembrança.”

 

Seria ainda publicado de sua autoria, embora já não em vida, um outro livro versando “As tradições da nossa Terra… o que foi a Grande Sabedoria Popular da nossa Terra”, conforme, de algum modo, sugerira na “Introdução” do mencionado “ANTA”.

Intitula-se “A nossa terra”; “2000, Há Cultura. Criação e Produção de Eventos Culturais, Lda. / Associação de Amizade à Infância e Terceira Idade de Aldeia da Mata”; Colecção Patrimónios; Lisboa.

*******

As Fotografias são originais de D.A.P.L., de 2016 e 2017, de locais emblemáticos de Aldeia e de algum modo sugestionados pelo conteúdo do texto, numa interpretação sempre livre e pessoal.

A primeira reporta-se ao "Vale de Baixo"!

A segunda é por demais evidente.

(Foi nesse caminho que se situou um das metas do extraordinário evento de "Orientação", ocorrido em Fevereiro transato.) 

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publicado às 21:37


Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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