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“A Agência Clandestina” - T2 - Ep. 5

por Francisco Carita Mata, em 10.11.16

Série Francesa

RTP2

 

“Le Bureau des Légendes

Episódio 15

(4ª feira – 09/11/2016)

 

A estruturação narrativa segue os eixos fundamentais.

 

A tentativa de coaptar, para o lado francês, “Le Chevalier”, envolvendo a respetiva irmã, Sabrina, “Madre Teresa” e o agente Raymond Sisteron, como Drº Coujard, em viagem na Anatólia, a caminho da Síria.

 

O papel de Marina Loiseau, enquanto agente “Fenómeno”, oficialmente em férias em Paris, tendo vindo ao “funeral da avó”, mas também tentando captar Shapur Zamani.

Sobre esta tentativa de “apanhar” este jovem iraniano, várias ordens lhe têm sido dadas, por diferentes superiores, que só um “fenómeno” consegue cirandar e aceitar tantas contradições.

 

Para esse facto tem contribuído a ação e o papel de Guillaume Debailly, a sua duplicidade, a sua condição de toupeira e o facto de agir segundo uma agenda pessoal, sobrepondo-se às ordens do superior hierárquico, Duflot, valendo-se, de certo modo, de alguma fraqueza deste.

Sentindo-se, e sendo, factualmente mais perspicaz e finório que qualquer um dos outros, acaba por agir com um certo sentido de impunidade, que, mais tarde ou mais cedo, o levará à perdição.

 

Duflot vs. Debailly In. teleram.fr..jpg

 

Aliás, Henri Duflot não só anda com a “pulga na orelha”, como não deixa de testá-lo.

A oferta de um caderno de apontamentos Moleskine é mais uma dessas provas, para o apanhar na rede.

 

Haverá também nessa oposição algo de pessoal, como lhe disse o Diretor dos diretores: Marc Lauré, “MAG”, rosto de bexigas ou “cara de cortiça”.

Aceite-se ou não, Guillaume, apesar de ser “o melhor”, tem a sua agenda pessoal e é o “toupeira”.

 

Resultado da sobreposição do seu interesse pessoal ao institucional esteve, desde o início da série, o seu relacionamento com Nadia El Mansour, que tem sido outro dos fios condutores da narrativa.

Que, honra lhe seja prestada, Guillaume nunca desistiu dela, consciente que foi através dele, que a senhora acabou por passar por inúmeras dificuldades. Foi também para a libertar que ele se envolveria com os americanos, traindo e traindo-se, enquanto homem, profissional, cidadão.

 

Céline In. wikipedia saison 2.jpg

 

Outro dos fios da narrativa centra-se no funcionamento da Agência e dos diversos agentes e a interação entre eles.

Nesta, nesta segunda temporada, surge uma nova agente: Céline Delorme, que ciranda ainda um pouco ofuscada pelo brilho das estrelas que na Agência cintilam.

Guillaume fascina-a pela sua maestria, Raymond toca-lhe no fundo e preocupa-o a sua ausência, sentindo que ele foi parar “à boca do lobo”.

 

E vamos contar por aí.

Raymond e Sabrina seguiram para a Turquia, escalaram em Antáquia, donde partiram em carro alugado na direção da Síria. (Antáquia, afinal, é a celebérrima e antiga cidade de Antioquia! Adiante.)

Peripécias várias ocorreram nessa viagem. Como referi anteriormente, Sabrina é muito mais sabedora do que aparenta, ela também é simpatizante jhiadista, a conversa de gatos e gatas era com outro jhiadista que os recebeu no terreno, mais propriamente um casarão antigo abandonado. Ela é a sua “katniss”.

Raymond, tudo indica, foi levado ao engano.

Na Agência, os agentes e chefes de serviço e os diretores da Direção Geral acompanham toda a ação, à distância, através das redes eletrónicas, mediante os telemóveis dos agentes em missão.

Preocupados face ao desfecho da operação, vale-lhes a intervenção de Guillaume que, mesmo despedido, (já iremos a este “pormenor”), não desiste de poder intervir, como só ele sabe e a sua perspicácia ajuda, valendo-se dos seus conhecimentos, para se fazer sentir imprescindível.

Ajuda teve também da nova agente com quem houvera dialogado, atenuado angústias, feito esclarecimentos e incentivado à pesquisa.

E foi a partir dessa pesquisa, do nome jhiadista de “Le Chevalier”: “Azraq Dakin”, “Deep Bleu”, em inglês, nome do computador que venceu Kasparov, que pesquisando nas mensagens do telemóvel de Sabrina, vieram a saber que ela fora comunicando com o irmão, sem o conhecimento da Agência, isto é, tinha também uma agenda própria.

(Admirado fiquei eu quando, observando o seu comportamento, Raymond nunca desconfiou de nada. Mas isso faz parte do enredo.)

Perante esta descoberta, instalou-se ainda maior apreensão na Agência.

E não é para menos.

No final do episódio, privilégio de espetadores, veremos Raymond, de joelhos, rosto tapado, e uns soldados apontando-lhe armas.

Irão disparar?

 

E porque é que Guillaume foi despedido da Instituição onde trabalhava há catorze anos e a quem se entregara de “alma e de coração”, em missões em que abandonara tudo e todos, nomeadamente a Família?

 

Porque ele se usou, mais uma vez, das suas prerrogativas de diretor-adjunto, do seu saber e importância relativa, do seu ascendente sobre os outros e ignorou ordens superiores, formulando e contrariando ordens do Diretor, relativamente às funções de Marina, face ao trabalho de captação e contacto com Shapur. Inclusive, mentindo!

Sabendo-o, o Diretor, Henri Duflot, despediu-o.

Mas não acredito que seja por muito tempo, que ele não se desligou, não pode nem consegue, nem se desvinculou e, convenhamos, a sua reinserção afirma-se necessária, dados os seus conhecimentos. E o seu papel na narrativa é imprescindível! Mesmo como toupeira. (E aqui lembramos que Duflot lhe ofereceu, antecipadamente como prenda de anos, um caderno moleskine, frisando que significa pele de toupeira, o que eu não sabia. Estamos sempre a aprender, que já confirmei. Adelante!)

 

Marina, já vimos, que anda cá e lá. De Paris para Teerão, desta Cidade para a Cidade Luz e provavelmente irá novamente para o Irão, que Daria já foi, obrigada e ameaçada, certamente Shapur irá atrás dela e, seguindo-o a ele, irá Marina. Isto, deduzo eu!

Na Agência, inicialmente supervisionada por Marie-Jeanne, Guillaume retirou-lhe essa supervisão, porque lhe interessava, na sua qualidade de “toupeira”, e, agora, Duflot devolveu-a novamente a Marie.

Em termos de funções, inicialmente deveria acompanhar Shapur, depois o Diretor desvinculou-a, Guillaume atribuiu-lhe, falsamente, esse papel, para ela ter conhecimento que fora usada por ele, julgando que seria mais um teste. Sabemos, pelo que vimos, que essa função ser-lhe-á novamente atribuída, pois que assim determina o Diretor dos diretores: “MAG”!

E daí a suposição de novo envio para Teerão. Qual bola de ping-pong!

 

E termino, narrando sobre a historiadora, Nadia El  Mansour.

Já sabemos que foi libertada e conhecemos as condições que os serviços secretos sírios lhe impuseram para tal libertação.

 

Guillaume dirigiu-se a uma conferência de imprensa onde ela era apresentada, através de um membro do Governo Francês, que frisou ser a sua libertação um resultado da ação do respetivo governo e dos que lutam pelos Direitos Humanos e que, em nome da França, lhe estendia os braços.

 

Bom, convenhamos!

Nós, espetadores que acompanhámos o processo e Guillaume, que despoletou tudo e sabe da poda muito mais que nós, o que poderemos pensar?

 

Para cúmulo, a Senhora El-Mansour, através de intermediário, pediu para que o Senhor Lefebvre saísse da sala.

(A esta cena assistiu a nova agente, Céline Delorme, que com aquele ar de sonsa, anda a apanhar as pontas todas da narrativa.)

 

E ele saiu.

Mas como se terá sentido?!

Despedido, mandado ausentar-se pela mulher pela qual a sua vida mudara cento e oitenta graus, ele que tudo engendrara pela sua libertação, é caso para se ficar completamente destroçado, sentindo-se inútil.

Acha?!

Vimos que não, que apesar de despedido e de todas as contrariedades, ele mostrou o seu serviço, disponibilidade e eficácia, face à situação de “Le Chevalier”, não desistindo, nem se dando por vencido.

Aguardemos, que ainda há mais cinco episódios e a sua descoberta enquanto toupeira deve dar brado!

 

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publicado às 18:52



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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