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“A Agência Clandestina” - T2 - Ep.9

por Francisco Carita Mata, em 16.11.16

Série Francesa

RTP2

 

“Le Bureau des Légendes”

Episódio 19

(3ª feira – 15/11/2016)

 

Este episódio dezanove abriu e fechou com o assunto que vem povoando o enredo e é quase obsessão de Guillaume: o “Caderno / Diário”.

E, dentro do caderno e no conteúdo do episódio, as explicações de Guillaume para as suas ações e, elas mesmas, as ações e o seu desempenho, que toda a narrativa gira, direta ou indiretamente, à volta de Debailly, Guillaume, Paul Lefebvre, “Malotru”.

 

Prune, “Ameixa”, a batizei eu, nada de original (!), chega a casa do pai, pelas oito horas da manhã, como ele lhe pedira.

Mas do pai, nem rastos. Após voltear pela casa, repara no célebre caderno diário, pousado na mesinha da sala. (Afinal, deixara rasto.)

Abre-o, todo manuscrito, lê algumas passagens.

“… tive que partir novamente… e abandonar-te, agora, que voltáramos a encontrar-nos…. parto, e não sei quando voltarei… ninguém te dirá de mim…”

Irritada com aquela conversa, que subentendia, frustrada por nova ausência e abandono… Prune arremessou o caderno… que ficou aberto, no chão.

 

Lembrou-se de telefonar à “Mula”, que é para isso que as mulas servem, carregarem com as bagagens, com os pesos, dos outros!

 

Entretanto, o narrador informa-nos que se passaram alguns acontecimentos anteriores que ainda não nos havia contado.

 

E diz-nos que Mari-Jeanne, sempre de pulga na orelha, avistou junto ao elevador, Duflot e Clément, em conciliábulo, que tentou saber junto do diretor do que se tratava, mas este não lhe quis dizer.

Todavia, ela deduzindo sobre que seria o tema da conversa de porta de elevador, referiu que tem uma teoria sobre o assunto, que envolve Guillaume. Duflot retorquiu que também ele, mas que não é o momento para essa abordagem, que ninguém os irá escutar. Falou-lhe numa metáfora de voo, que não entendi, julgo que também ela não percebeu.

Mais tarde, representaria essa mesma alusão ao voo, simulando com o corpo precisamente esse voar. Não sei se a agente entendeu ou não ou se ficou como eu.

Essa simulação de voo, abrindo os braços, como se fossem asas, ocorreu após Henri ter falado com MAG, o Coronel, Diretor dos diretores, o “Bexigoso”, em conversa de gabinete, só os dois. Nesse conciliábulo a dois, Duflot apresentou-lhe a hipótese de a “toupeira” ser Debailly, argumentando com factos.

MAG discordou completamente, contrapôs com outros factos, que poderiam servir de argumentos para indiciar o próprio Henri Duflot. Que Debailly é intocável!

Foi, no retorno dessa conversa mano a mano, quando Henri simulou o voo, para que Marie-Jeanne visse as suas habilidades voadoras, antes de entrar no seu gabinete.

 

Essa entrevista pedida por Duflot a MAG, para expor a sua teoria, que Marie-Jeanne também perfilha, aconteceu após o diretor ter falado com Clément, que elaborou um relatório, a partir das pesquisas que fez sobre o recrutamento pelos americanos do jovem Shapur Zamani.

Nesse recrutamento constata-se que ele se processou em todos os aspetos, como Clément pensava executá-lo: a mesma ideia, o mesmo local, na mesma data, benesses idênticas. Como se os americanos tivessem tido acesso ao relatório de Marine Loiseau!

 

Que sabemos estar presa no Irão. Que lá iremos.

 

Na sede da DGSE ocorreu uma primeira reunião extraordinária entre altos dignitários franceses e americanos sobre o caso de Marine. Reunião cautelosa, como tal não muito conclusiva, de importante apenas a confirmação, pelos americanos, de que a jovem não tem qualquer ligação à CIA.

Mas esta foi apenas um preliminar e, após troca de galhardetes e trunfos de cada parte, pelos vistos os franceses tinham um naipe mais forte, haveria nova reunião, desta vez com a presença do célebre Peter Cassidy, que já conhecemos, e que engendrou todo o plano de recrutamento das “toupeiras”.

Essa reunião já foi mais substantiva. E ocorreu o almejado xeque-mate.

Após jogadas táticas de ataque e defesa, e, neste caso, os americanos tinham muitos telhados de vidro, que não vou esmiuçá-los, foram sendo abordados ao longo dos vários episódios da série, os franceses obtiveram o tão almejado objetivo: saber quem é a toupeira dos americanos na sua “Agência”.

Mas antes convém dizer que essa conclusão fornecida por Cassidy, através de um papel dobrado, em que escreveu pseudónimo e alcunha do toupeira, só se despoletou após os dirigentes gringos terem ido verter águas ao wc, aliviando a pressão da bexiga.

Aí, Cassidy levou puxão de orelhas do seu superior e ficou condicionado à revelação.

E, deste modo, o “Bexigoso”, MAG, teve acesso à informação basilar, em segunda mão, que, primeiro, desdobrou e leu o papel o seu superior.

No papelucho leu:

- Pseudónimo: Paul Lefebvre - Anexim: “Malatru”.

E o Coronel não caiu para o lado?!

Lembremos que, há pouco, ele havia afirmado para Duflot, que Debailly era intocável!

 

E Marine?

Pois, a jovem está presa no Irão e estas reuniões seriam também para, de algum modo, equacionar ajuda americana para a respetiva libertação.

Marine, presa, é interrogada, de todas as maneiras e feitios, não sofre torturas físicas, que é mulher, é estrangeira, tem sempre junto a ela duas mulheres guardiãs, trajadas com rigor muçulmano. Consegue sempre resistir ao torcionário interrogador, com um dossiê completo da rapariga. Terá fraquejado, mas não soçobrando, quando trouxeram à sua presença o jovem Shapur, de quem ela se afirmou sempre amiga, de cara completamente desfeita, pelas torturas a que foi sujeito.

Mesmo perante essa imagem chocante, não vacilou, lembrando-se dos ensinamentos da sua mentora, Marie-Jeanne, sobre alvos e sobre amigos…

Para ele cujo destino será certamente muito mais cruel, apenas disse que iria avisar a Embaixada de França, contactar uma ONG, divulgar nos media.

Ele, arrastado para os calaboiços, vomitou-lhe: “ – Ordinária”! (Esta foi a tradução.)

Não conseguindo dobrá-la, mais tarde, ela a dormitar na mesa, as duas mulheres muçulmanas trouxeram-lhe um documento para ela assinar.

Nele, entre outros dizeres: “Sem direito a julgamento… Cem anos de prisão!”

 

Céline In. dvdclassic.com

 

Na Agência decorre a supervisão, à distância, do que acontece em campo: a ação prevista contra o célebre jihadista francês, conhecido por “Deep Bleu”, a que atribuí o anexim de “Computador”.

Nessa missão, lembrar-nos-emos, estariam diretamente envolvidos um jornalista alemão e um jovem recrutado na Líbia, por um imã.

Céline que dirige oficialmente esta operação, mas que Guillaume superintende, dado o melindre da mesma e os seus conhecimentos, apercebem-se que algo está a correr mal, tanto da parte do jornalista como do potencial suicida.

Quanto ao jornalista, Céline conseguiu resolver, incentivando-o a prosseguir.

No respeitante a Fatic, que agiria como operador de câmara do jornalista, e seria potencialmente o executor e suicida, concluíram que ele não prosseguiria a sua missão.

Contactado o imã recrutador, por Guillaume, concluiu este, que o imã já não agiria a tempo de resolver a situação.

 

(Todo este processo se desenrola à distância, via telemóvel, computador, tvs, internet e o que sei eu…

E tantos comentários que estas guerras, via media, nos poderiam suscitar!

…)  

 

E é nesta ocasião chave que Guillaume toma uma decisão arrojada e perigosa, mas que vem de encontro ao que ele vem desabafando no “Diário”, que certamente Prune / “Ameixa” estará a ler com a “Mula”!

Debailly, “Malotru”, decide deslocar-se ele a Racqa (?) para convencer Fatic a prosseguir.

Irá enquanto Paul Lefebvre!

Mas dessa sua decisão, que concretizará dentro de trinta horas, ninguém pode saber, para além dos que estão na sala presentes, diretamente envolvidos na operação “Deep Bleu”.

 

Antes de partir, em sua casa ainda deixou outras notas no confessionário, para a filha, praticamente o único elo afetivo, que tem com o mundo exterior, para além do trabalho.

 

“… se disserem que me suicidei, é mentira.

Vão apresentar-te carta minha de despedida. É mentira.

Não me vou suicidar! … …)

 

E, realmente, a “Mula” e a “Ameixa” estiveram de redor do “Diário”. A mula aconselhou a ameixa a lê-lo, que o conteúdo é destinado a Prune e não à “Mula”. Se esta o levar a “Ameixa nunca mais o verá.

 

E mais tarde, e já após a conclusiva reunião entre os dirigentes da DGSE e da CIA, sabedor MAG do nome do “toupeira”, dirigiram-se o “Avô” e o “Avó” ao gabinete de Céline, à busca de Guillaume Débailly.

Mas deste, nem novas nem mandadas!

Já ele partira, em “Missão Suicida”! (Quer ele queira quer não, é esta a nomenclatura.)

 

bureau_des_legendes_saison_2  In. DVDFr.jpg

 

Deixou o “Caderno Diário”!

E vimos Duflot a lê-lo também, na casa do super agente, com mais gente:

Prune / “Ameixa”, “Avô e Avó” e “Mula”!

 

“ – O teu Pai, que te ama!”

 

Guillaume en prison in. newsnours.com

  

 Se quiser saber mais e melhor!

 

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publicado às 19:03



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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