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"A Família Krupp” - Série Alemã - RTP2

por Francisco Carita Mata, em 17.10.15

“A Família Krupp” - Série Alemã

RTP2 – Episódio II, III e IV (?)

4ª, 5ª, 6ª Feira (?) – 14, 15, 16 (?) /Outubro/2015

 

E a saga da “Família Krupp” continuou nesta semana, presumo eu, que, ontem, não vi. E na 5ª feira também não vi o episódio na totalidade.

 

Então, como escrever sobre o que não vi?! Será que ontem, 6ª feira, terminou a mini série?!

 

Na 4ª feira, no episódio dois, Bertha Krupp, doente, continuou a sua narrativa, no presente, em 1957, falando com a criada de quarto, enquanto aguarda a visita do filho Alfried, dono, diretor, gestor da firma Krupp.

Paralelamente recorda o passado desses conturbados anos iniciais do século XX, que incluem a Grande Guerra, 1914 – 1918. De má memória, neles e deles, senhores que foram dessa grande guerra, que fornecedores foram e abastecedores de armamento, indireta ou diretamente causadores de milhões de mortos e mutilados, nas trincheiras de França, nas Verdun e outras batalhas, de tormentosas e inúteis lembranças.

Quando é que a Humanidade deixará de glorificar essas tamanhas atrocidades de guerra?!

A visita do Kaiser à Villa Huguell, âncora e porto de abrigo da família, quase no final da Guerra, a conversa de caserna daquele com o seu Estado-Maior, a contenda quase perdida; a opinião do mesmo sobre os Krupp, que os achava “sem honra nem patriotismo”, que vendiam armas a todos os contendores, o que era verdade, “uns mesquinhos”!

 

Alfried, também narrador principal, paralelamente, conversa com o irmão mais novo, Harald, também em 1957. Estas conversas são também um ajuste de contas deles entre si e com eles mesmos; uns com os outros, irmão com irmão e mãe com filho; e um deve e haver também com o passado, com o seu passado enquanto cidadãos na sociedade em que viveram e em que foram protagonistas principais dessa sociedade alemã, nessa primeira metade do século XX.

 

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Atores, agentes, fautores da História Alemã, de muito má memória nesses cinquenta anos. O seu ajuste de contas é também com esse seu mau passado, de algum modo uma catársis necessária ao entrosamento com eles próprios e com a nova sociedade em que se inserem e onde continuam a ter papel relevante, no mundo pós guerra.

Protagonistas que foram dessa História, de má memória, sempre ligados ao Poder instalado, conseguindo sobreviver mesmo nos anos conturbados da revolução proletária do final da Primeira Grande Guerra, passando as fileiras do “Exército Vermelho do Ruhr”, 1920, para o aconchego das montanhas alpinas da Áustria.

Sempre negociando, comprando e vendendo, mesmo aos mais improváveis clientes, no caso Lenine, vencedor da Revolução Russa, que, no início da década de vinte, precisou de comprar milhares de Km de ferrovia, aos Krupp, pagando em ouro. Negócio que ajudou a firma a sair do desespero económico e financeiro em que se encontrava, acabada a guerra, sem encomendas do estado alemão vencido e com restrições impostas ao respetivo desenvolvimento industrial, pelas potências vencedoras, Inglaterra e França.

 

Que a Família Krupp, segundo os próprios, não era apenas a família nuclear e alargada aos consanguíneos, mas eram todos os que trabalhavam na firma, nas várias fábricas e serviços: “os Kruppianos”. Cada um no seu lugar e função, claro! E a verdadeira mentora da firma era Bertha, uma verdadeira Krupp, que o marido, Gustav, apesar de ser o gestor durante os primeiros quarenta anos do século, era-o, porque fora o marido que o Kaiser lhe havia destinado, no início do século, após a morte do pai, Fritz, em 1902.

 

Ela, Bertha, e o filho, Alfried, esses, sim, eram verdadeiros Krupp!

 

E era Gustav quem realizava esses negócios. Não interessava a cor do dinheiro.

 

Mas Bertha, apesar de inicialmente manifestar alguma relutância ideológica e moral face aos mesmos, acabaria por aceitá-los.

O que aconteceria também com Hitler nas décadas de trinta e quarenta durante a 2ª Grande Guerra.

Até gritaria e faria a célebre saudação nazi!

Que isto do Dinheiro e do Poder pode muito.

 

E, nestes episódios, a narrativa com a visão dicotómica e muitas vezes antagónica destes dois protagonistas, mãe e filho primogénito e herdeiro da firma, continuou em diferentes momentos marcantes dos cinquenta anos primeiros do século XX. Tendo sempre como base limite o ano de 1957, retrocede aos anos da 1ª Guerra, 1916, Verdun; aos anos vinte, revolução proletária; ao início dos anos trinta, ascensão hitleriana; aos anos da 2ª Guerra, 1943, os próprios filhos mais novos também na frente… ao final da guerra, 1945.

 

E esse confronto interpessoal centrava-se também no assumir da gestão das empresas por Alfried, que adiava sistematicamente essa decisão. Paralelamente o pai, Gustav, marido de Bertha, um Krupp apenas de nome, dirigia as empresas desde que casara na primeira década do século, adquirindo então o nome, mágico e emblemático, por decisão do Kaiser, mas a idade e a doença avançando, tornavam premente essa decisão.   

E na vida pessoal do filho também a mãe intervinha. Destinando e determinando com quem casar, que isso o filho também lhe arremessara na cara, num dos confrontos de vontades em que se embateram.

E a assunção da gestão da firma viria a acontecer em 1943, em plena II Grande Guerra, já o prenúncio do fim se anunciava, os bombardeamentos na Alemanha já se vislumbravam ao longe. Mas foi aí, na reunião do conselho de administração, que Bertha também entoaria loas a Hitler!

 

br.sputniknews.com

 

E os bombardeamentos atingiram o Ruhr industrial e a cidade de Essen e as fábricas da firma, coração da indústria alemã, motor do armamento das forças armadas alemãs, isto é, de Hitler e do nazismo. E vê-se Alfried no meio dos escombros, das suas fábricas em ruínas, e aconselhado a fugir, ripostou “para onde?”. Sim, para onde poderia fugir, se a Alemanha estava acossada a Leste pelos soviéticos e a Oeste pelos aliados e, em breve, estaria ocupada e destruída pelos exércitos ocupantes? Só uma fuga tipo a que encetaram Hitler e os seus mais fiéis seguidores…

Alfried ficou e foi na sua Villa Huguell que os exércitos americanos o foram buscar. Estará preso alguns anos, até 1953.

 

E, como temos visto, em 1957, já reassumira as funções de direção das fábricas, porque era um verdadeiro Krupp e fora para isso que o haviam preparado desde criança.

 

E com este remate, também remato o final desta narração, porque também não tenho a certeza se a história desta família que se confunde com a História da Alemanha e do Mundo, durante a última metade do século XIX e a primeira do século XX, se essa história, narrada na mini série, terminou na 5ª, se na 6ª feira.

 

Mas ainda há uma questão final que gostaria de colocar.

Será que estes Personagens da História tiveram realmente consciência do seu papel malévolo nessa mesma História, enquanto fabricantes e fornecedores de armas e alimentadores das Guerras?!

 

Que muito conto fica por contar nesta narração, que não se pretende exaustiva relativamente à narrativa original!

 

 

 

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publicado às 18:47



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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