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A Herança” – Série Dinamarquesa - 3º, 4º e 5º Episódios

por Francisco Carita Mata, em 10.03.16

“Arvingerne” / “The Legacy”

 

 “A Herança”

 (7, 8 e 9 de Março de 2016 – 2ª, 3ª e 4ª feira)

 

Não voltei a escrever sobre a Série, desde o 2º episódio, apesar de ter visualizado os episódios três, quatro e cinco. Tentarei abordar algumas questões do enredo, de forma lacunar, diga-se.

 

A partir do terceiro episódio, foram-se criando e/ou estreitando laços entre os irmãos, foram-se congeminando conluios entre as partes, no sentido de articular o modo de cada um obter o máximo da herança para si mesmo e os respetivos interesses egoístas.

 

Até tudo explodir.

 

frésias in floresonline.com.br..jpg

E aqui aproveito para falar sobre a imagem do genérico. Numa jarra, um lindo “bouquet”, como sói dizer-se. Lindas flores, parecem-me rosas, túlipas, frésias coloridas e cheirosas, imagino eu, pelas que tenho agora, no jardim.

Um simbolizado da Mãe, Veronika, ausente, mas sempre presente?!

Da Família?!

Que subitamente se estilhaça, se desfaz em mil pedaços, como se houvesse uma explosão no seu seio.

(Tal como aconteceu com as cinzas da Matriarca... no último episódio. Quebra-se o vaso e espalham-se as cinzas e precisamente sobre quem?! ...)

Que é isso que acontece naquela Família, naquelas Famílias, na sequência da herança da célebre Casa. Explodem. Quebram-se, partem-se todos os laços...

 

As posições de Gro e Frederik situam-se praticamente em polos opostos. São só irmãos do lado da mãe e rivais, de ódio figadal. Ainda que recalcado, por puro interesse.

 

O papel de Signe é fundamental e imprescindível em qualquer esquema possível de solução.

Gro entendeu isso perfeitamente, que a advogada lhe explicou. Sabe que sem Signe, ou contra ela, não poderá fazer nada.

Daí, tentou e conseguiu conquistá-la, seduzi-la, manipulá-la, puxá-la para o seu lado, “integrá-la” na Família, enredá-la, através das memórias guardadas e gravadas de quando ela era criança e frequentava o Solar, antes de ser definitivamente adotada e impedida de voltar junto da mãe verdadeira e dos irmãos.

E até lhe ofertou um vestido...

Fios, teias, em que Signe se foi deixando prender, embora ainda distante da questão da herança propriamente dita, que esse continua a ser o fito dos outros três.

A ponto de, no final do 3º episódio, dizer para o namorado, Andreas, que não queria voltar a ver os Pais que a criaram: o Pai verdadeiro, John e Lise, a Mãe Adotiva.

 

Esta atitude irá provocar complicações nesta Família e nos seus diversos membros, especialmente em Lise, em que se observam sinais perturbantes: devolver os objetos pessoais de Signe, quando criança, a pintura total do quarto, de branco; como se quisera riscar e apagar, branquear, parte da sua Vida, no respeitante à Filha que adotara.

 

Frederik, sempre com sinais de perturbação.

Na sua relação com a irmã Gro, imagem recalcada da Mãe, Veronika, que ele odeia.

Paradoxalmente no episódio de ontem, ele que tanto odeia a Mãe e quer afastar-se das suas lembranças, da sua memória, acabaria embebido, empoado, embrenhado, nas cinzas da própria mãe...

Esse ódio é projetado, no presente, sobre a irmã. Ao ponto de se lhe atirar a matar.

Ela devolve-lhe ódio igual, como se viu na reunião que Signe promoveu, na sua própria casa, e que se transformou numa cena de pancadaria. E ódios subitamente explodidos, mal Gro lhe arremessou pedra a um ponto sensível. Que foi Carl, pai de Frederik e Emil, que se suicidou no palheiro, tendo sido Frederik a encontrá-lo pendurado na trave mestra. Após aquele ter vindo da Califórnia, doente, no final dos célebres anos oitenta e Veronika o ter expulsado da sua própria casa. E sequencialmente os rapazes terem ido viver com uma tia, praticamente também expulsos...

Essa perturbação também se expressa no seu relacionamento com os filhos.

Na sua relação, ausente de relação, com a mulher.

Na sua obsessão com o trabalho e com a herança, que nem a esposa compreende, pois estão muito bem materialmente.

 

Gro, a todos tentou enganar, falsificando a assinatura, mas acabou desmascarada por Frederik, precisamente no dia da reunião com os investidores e promotores da Fundação. Em que também Signe já participava. E até Thomas, que inicialmente Gro lhe dissera que o excluía, como fizera no livro sobre a Mãe. E, zangada, também o ameaçara de expulsão, juntamente com a barraca onde vivia. E, nessa sequência, Thomas, despeitado, a denunciara a Frederik sobre as assinaturas. Não, sem antes confirmar, que não seria expulso da cabana, caso Frederik ficasse com a Casa.

E foi com essa delação que terminara o 4º episódio.

 

Emil, no meio destas lutas entre irmão e irmã, o que precisa urgentemente é de dinheiro líquido, que já foi ameaçado, de forma velada e subtil, pela máfia oriental a quem pediu emprestado.

 

E, no sexto episódio, ontem, Frederik conseguiu ser ele a comandar as hostes e a questão da herança. Promoveu uma reunião com os irmãos, às dez, com Gro, ameaçada de denúncia à polícia, e com Emil, definindo previamente uma estratégia para “derrotar” Signe, com quem marcou só para as onze, oferecendo-lhe 2,5 milhões e assim ver-se livre dela, que a não considera da Família. Que ele tem plena consciência que o direito à Casa é de Signe.

E não a considerar da Família e dizer-lho na cara, foi o erro tático dele.

Que ela não aceitou a sua oferta.

E foi assim que terminou o 5º episódio.

 

E Signe, para o bem ou para o mal, continua a ser a charneira em todo o processo da Herança, que até apresentou uma proposta muito conciliatória, no quarto episódio, mas que os dois irmãos rivais não aceitaram e na sequência da qual se gerou aquela luta de morte.

 

Vamos ver como ela vai conduzir o processo. Que também já aprendeu o cinismo com os irmãos!

 

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publicado às 17:04


2 comentários

De Victor Nogueira a 11.03.2016 às 16:52

Por este blog acidentalmente descoberto tenho sabido de séries em exibição e seguido interessado os comentários. Mas esta série tem-se revelado pouco credível. Quem nos papéis de Signe figurava como mãe (a biológica ou a adoptiva). É evidente que Frederick é um homem torturado, estilo "pão-pão, queijo-queijo" e que soa a inverosímil a cena das brincadeiras descontraídas entre os 4 irmãos. No inicio quem teria amado Signe e a não teria esquecido seria o contraditório Emil. Desde o início aquela era uma família desestruturada girando melhor ou pior na órbita de Veronika. Talvez isso explique o "abandono" da ideia de Museu/Fundação em favor da doação à filha "dada" para adopção. Signe vivia numa família feliz até Veronika ressurgir na sua vida com a ""dádiva" que tido complica e nada resolve.. Na história ninguém é "inocente", incluindo a "ingénua" Signe, lançada às feras.

De Francisco Carita Mata a 12.03.2016 às 21:30

Caro Victor Nogueira
Bem vindo a este espaço de partilha de ideias.
Também já tenho navegado no seu blogue.
Se gosta de séries, tente também escrever a sua opinião sobre as mesmas. Há sempre diferentes perspetivas de análise.
Quando iniciei o blogue, Outubro/2014, escrever sobre as séries não fazia parte dos meus projetos iniciais. Só após "Borgen" em que escrevi um post de síntese sobre o conteúdo da série, e que me foi plagiado, é que me passei a interessar por este tema. E ao constatar que as pessoas gostavam, principalmente durante "Hospital Real", entusiasmei-me ainda mais.
De modo que escrever sobre as séries que vejo, que são poucas, pois só vejo as da RTP2 e nem todas sigo, passou a ser uma das rubricas do blogue. Mas é preciso o assunto me agradar. Aprecio especialmente as europeias.
Mas também não vejo todos os dias, só quando posso. Não sou propriamente viciado.
Obrigado pela suas visitas. E volte sempre, SFF.
E comunique quando começar a escrever sobre as séries.

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Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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