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Antologia da APP – Associação Portuguesa de Poetas (VI)

por Francisco Carita Mata, em 14.02.17

“A Nossa Antologia”

XX Volume - 2016

(57 Autores)

Editor: Euedito

 

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nuvens. Foto original DAPL 2016jpg

 

Introdução:

 

Finalmente consigo organizar-me para dar continuidade à divulgação de Poesia da XX Antologia da APP – 2016. Agora um sexto grupo, neste post nº 490.

Este será o grupo dos eFes, em que também me incluo.

Seguem-se os Poemas de: Feliciana Garcia, Felismina Mealha, Fernando Corte Real, Fernando Sousa, Filipe Papança, Filomena Fonseca e Francisco Carita Mata.

 

*******

 

Flor. Foto original DAPLjpg

 

FELICIANA GARCIA

(Maria do Tempo)

 

“POEMA DEDICADO À MINHA FILHA (MÃE)”

 

“Aquele pedacinho lindo

Que um dia de mim nasceu,

É hoje, mulher e mãe.

E tem tal e qual como eu,

Dois pedacinhos também.

 

Abençoai-nos Senhor,

São pedacinhos de mim

Gerados pela linda flor,

Que nasceu no meu jardim.”

 

*******

 

papoilas. Foto original DAPL 2016 jpg

 

FELISMINA MEALHA

 

“PEQUENA ODE AO BERÇO”

 

“Abres-te a Sul como quem diz:

“Sejam Bem-vindos!”

E, desde o Moinho do Nica

Desces pressurosa até à quinta!

Aí, espraias-te, como um mar chão…

E abres a nossos olhos, as belas terras do Pão!

Ferragial da Volta

Cerca Grande

Cerca do Sr. Loução…e,

Ao fundo… a Corte com a charneca…

Os Barrancões, a Crimeia…

E caminhas abrasada, até ao Garvão!

Por esses caminhos, quantas estórias

Meu irmão?

A Funcheira, em cujo cais, tantas lágrimas,

Foram ali derramadas

Em cada separação!

A escola! A algazarra!

A brancura das batas

As canções de roda

As Amoreiras, o muro

As letras… o futuro!

O tempo escuro, muito escuro…

Mas, ao fundo, a luz da esperança!

A casa! Oh, a casa!

Lugar onde sempre encontrei

A força, a coragem, a preocupação, a luta!

A abordagem dos temas, os lemas…

O carinho, a alegria, a segurança!

A vida, ofereceu-me sem reservas

Uns olhos de ver contente,

A minha terra, a minha gente!

O meu chão seco, ou florido,

E as aves voando em bando

Acordando este meu grito!

Ia atrás delas, voando

Com minhas asas de sonhos

Cheia de sonhos…cantando!

Havia naquela casa

Dois pares de olhos tão belos

e dois corações tão perfeitos,

que me fizeram pensar

Que o mundo se multiplicava

em corações e olhares

Daquele jeito… perfeito!

Oh! Como eu guardo dessa casa

E desses corações, as asas

Com que voei tanta vez,

até cair e acordar desse sonho tão bonito…

Tão perfeito, que o bendigo,

por dele me recordar!

Terra! terra de cheiros agrestes

da esteva, do rosmaninho,

do alecrim, da arruda…

Terra muda, mas gritando

a fome desses teus filhos,

Que desde muito novinhos,

Saudosos… te iam deixando!...

Terra, que tanta luz me ofereces-te

Tanta beleza me deste

Tanto verde salpicado de amarelo,

Aonde esse Sol tão belo, se revia namorado!

Oh terra onde nasci!

Nunca me esqueço de ti,

O meu presente…é passado!

Cantar-te-ei minha terra

Ao Sol nascente de Julho

Ao Sol poente de Agosto

Ao Sol rubro de Setembro, prometendo…

Um amadurecer dos frutos

E de homens resolutos

Que vão nascendo e morrendo

Tanto vermelho papoila

Gritando na Planície,

E desenhando nos trigais

Verdes-rubros, por de mais…

Uma Bandeira de esperança!

Uma Bandeira, Saudade,

dos meus dias de criança!”

 

 

*******

 

concha. Foto original DAPL 2016 jpg

 

FERNANDO CORTE REAL

 

“CASCA DE NOZ”

 

“Eu…

 

Que me sinto às vezes uma casca de noz

E como um barco desço o rio das madrugadas

Que tenho no teu corpo a mais bonita foz

Sou um tonto à deriva nestas águas inspiradas.

Eu…

Que por vezes não entendo os teus sinais

Nem tenho na distância o sabor da felicidade

Que desejava ver no silêncio dos meus ais…

Só me afundo no perfume de uma saudade.

Eu…

Que nesta vida não sou mais nem menos

Nem quero a distinção de quem passa por mim

Que a diferença só traz sonhos obscenos

E todos vamos caminhando para o mesmo fim.

Eu…

Que ando nesta selva de gritos prepotentes

Em que as árvores morrem sem saber porquê

E não é o vento que nos mata as sementes

Mas o poder com o machado que ninguém vê.

Eu…

Que já estou cansado de não ter o sossego…

A Paz que desejava quando quero aqui escrever

Não as palavras a que o mundo tem apego

Mas tudo o que me impede de ser livre e o dizer.

Eu…

Que levantei o rosto para ver a desgraça

Daqueles a quem são negados direitos universais

Navego por este rio e digo a quem passa…

Eu sou poeta, às vezes casca de noz, e nada mais.”

 

 

*******

Rio. Foto original DAPL jpg

 

 

FERNANDO SOUSA

 

“DESPRENDIMENTO”

 

“Deixo nas águas deste rio,

Em que me apraz navegar.

Ansiedades que viveram comigo,

Que jamais poderei guardar!

 

Sigam livres nestas águas,

Tristezas que não posso conter.

Recordações de sofridas mágoas.

Ressentimentos do meu viver!

 

Acompanhem estes barcos rabelos,

Para destinos de outros marinheiros.

São passados, que não quero contê-los,

Mesmo sendo meus velhos companheiros!

 

Ide! Naufragai nas águas deste rio,

Encontramo-nos no fundo do mar.

Companheiros de tempo perdido!

Recordações que não quero guardar!...”

 

 

*******

 

raio de luz. Foto original DAPLjpg

 

FILIPE PAPANÇA

 

“DIVINA MISERICÓRDIA”

 

“ Na penumbra da escuridão acende-se

uma pequena Luz…

 

Ó bondade infinita…

 

Beatífica visão…

Absoluto perdão!

 

Eterna saudade!

Sonho de eternidade…”

 

*******

 

casa. Foto original DAPL jpg

 

FILOMENA FONSECA

 

“RECORDAÇÕES”

 

“De regresso à velha casa

as trepadeiras decoram o telhado

e as velhas figueiras

lembram vazios nunca preenchidos.

 

Com um olhar firme

varre toda a sala

tantas vezes limpa

com suor e lágrimas da mãe.

 

Foi há muito tempo…

 

Mas não há tempo

no coração

duma criança. ”

 

 

*******

 

FRANCISCO CARITA MATA

 

EI-LOS QUE VÃO…”

 

(Como este poema já figura no blogue, fará o favor de clicar no respetivo título, para aceder à correspondente leitura. Obrigado!)

 

 E, como hoje é um Dia especial:

 Uma Flor!

 "Tempo de Poesia"

A Poesia de Jorge de Sena

Poesia em Régio 

 

 

As Fotografias são todas originais de D.A.P.L. - 2016, tiradas em vários locais do País: Alentejo, Algarve, Grande Lisboa. Fazem parte de um acervo de que disponho e com que, habitualmente, ilustro os posts. De uma forma bastante livre, é certo. O que se verificará também neste, no respeitante aos vários Poemas. Me desculpem os Poetas e Poetisas! Mas lembremo-nos do conceito: "Liberdade Poética"!

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publicado às 12:42



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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