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“Código do Crime” - “The Bletchley Circle”

por Francisco Carita Mata, em 10.08.16

Donas de Casa – Detetives por conta própria

 

Já imaginou que melhor tipo de série para iniciar em Agosto, quando o pessoal anda todo encalorado, a demolhar nos algarves e a transitar nas avenidas  marginais a degustar gelados de fruta e a mostrar as toiletes e o bronze?!

 

Pois que melhor que iniciar com uma série britânica, são proverbiais as suas qualidades, e tendo na base um serial – killer.

 

Bletchley Circle. In. epigrafe.org. jpg

 

Quatro senhoras, na casa dos trinta e quarenta, enfastiadas da sua vida de donas de casa, lideradas por Susan, casada e mãe de dois filhos, resolvem dedicar-se à investigação criminal!

 

Alto lá! Esta explicação está a ser muito linear.

Vamos então ao princípio.

 

A ação decorre na Inglaterra, no início dos anos cinquenta (1952 / 1953), anos de pós guerra, o país ainda em recuperação, sinais ainda evidentes de penúria (senhas de racionamento), escassez de petróleo… o mercado negro, de bens de luxo estrangeiros, cigarros, perfumes…

 

As quatro mulheres, Susan Gray, Millie, Lucy e Jean, tomaram esta iniciativa de se dedicarem a desvendar misteriosos crimes, insatisfeitas, é certo, no seu papel tradicional de senhoras, esposas dedicadas, mães extremosas, em suma, donas-de-casa, ao serviço dos maridos e família, as que a tinham, porque durante a guerra, em 1943, haviam trabalhado precisamente em Bletchley Park, na investigação altamente secreta das manobras dos exércitos alemães, face aos ataques e planeada invasão à Grã Bretanha.

Aí formaram uma equipa unida e estruturada, aproveitando as capacidades intelectuais específicas de cada uma delas, no sentido da análise e decifração dos códigos e sinais implicitamente enviados pelos serviços secretos do inimigo, descodificando-os e, deste modo, contribuiram para desvendar as respetivas ações, surpreendendo-os e tornando-as ineficazes.

Reporta-nos, supostamente, para o trabalho realmente realizado em Bletchley Park durante esses anos de guerra.

 

Nesse período de guerra, os homens aptos foram enviados para as frentes de batalha, as mulheres ficaram na retaguarda e passaram a exercer funções, trabalhos e serviços, até à época entregues ao sexo masculino. Foi este o caso específico que nos foi mostrado no prólogo do primeiro episódio em que estas mulheres exerciam estas funções altamente especializadas, até à data, atribuídas apenas aos homens.

Como aliás se verificava em muitas outras atividades e serviços, nas fábricas, nos bancos, nos transportes, nos campos, em que as mulheres passaram a desempenhar, em larga escala, atividades habitualmente ocupadas por homens.

Após o findar da guerra, foram as mulheres remetidas  para as funções  que tradicionalmente exerciam antes da guerra. Resumindo, ao papel de mulher “dona-de-casa”.

Foram?!

Sabemos que não foi assim tão linear e que este aspeto foi um dos que determinou parte das transformações sociais e económicas no pós guerra.

As mulheres a trabalharem também e cada vez mais fora  de casa.

 

Susan Gray, Millie, Lucy, e Jean lideram o elenco desta mini série de apenas sete episódios, que findou precisamente ontem, dia nove de Agosto, 3ª feira.

 

Nestes sete episódios, envolveram-se na pesquisa e decifração de crimes cujos autores passavam relativamente despercebidos às autoridades competentes (?), que demonstravam, de certo modo, alguma ineficácia, conformismo, inércia, auto satisfação pelo pouco que conseguiam, um certo “deixa andar”, contentes pelos resultados que obtinham, ainda que estes fossem falsos e daí resultassem condenações de inocentes.

Valeu a ação das damas, sempre bem compostas e aprumadas, como senhoras que se prezam, mala de mão e sapato alto, como se em vulgar passeio. Mercê da sua perspicácia, eficiência, trabalho de pesquisa, análise e reflexão aturadas, conseguiram chegar às conclusões certas, encontrar os verdadeiros criminosos e assim libertar a sociedade das teias do mal. Encontrando elas próprias, também e assim, realização e preenchimento das suas vidas, para além de contribuírem para o almejar do bem comum.

 

No desenrolar da ação não se coibiam de agir e confrontar diretamente o inimigo, expondo-se e colocando as suas próprias vidas em risco, o que por várias vezes sucedeu, valendo o seu trabalho de equipa e uma certa e proverbial intuição feminina, que lhes permitiu, digamos, farejar o perigo e ajudarem-se mutuamente, quando algo de anormal e perigoso ocorria.

Apesar da sua condição de mulheres, de senhoras, de damas recatadas e do lar, também sabiam usar a pistola e, quando foi necessário e imprescindível, atiraram a matar e, deste modo, enviaram o serial killer para as profundezas do demo.

 

Também o cientista e psicopata, maníaco das experiências químicas em seres humanos, foi apanhado em flagrante delito, este com a ajuda da polícia.

 

Igualmente apanhada foi a dama cínica e cruel, dirigente duma rede de contrabando de perfumes, cigarros estrangeiros e meias de nylon e de tráfico de raparigas dos Países de Leste, cujos pais, inocentemente, lhe pagavam para ela, supostamente, as libertar da designada “Cortina de Ferro”.

Mal sabendo que a criminosa as vendia para redes de prostituição em hotéis de luxo no Reino Unido.

Todo este enredo passava ao lado das autoridades e com a conivência de um alto dirigente da própria Scotland Yard.

Não fora a intervenção das senhoras detetives e a maléfica ainda andaria nessa ação nefasta.

 

Aliás ainda anda por aí muita gente dessa laia, negociando outros produtos muito mais prejudiciais à comunidade e traficando igualmente mulheres e crianças.

Outras detetives haverá por aí, certamente!  

Esperemos que sim!

 

Foi uma série que se visualizou com muito agrado. Pena já ter terminado!

 

Mas, e então foi tudo assim tão linear e simplista? poderá perguntar-me.

(...)

 

*******

 

Com difícil fim à vista estão os incêndios que lavram no País.

Depois do que ocorreu no “Andanças”... e, a propósito, já se descortinou o que esteve na base de tal ocorrência?!

 

Muitos “negócios” estão por detrás de tantos incêndios!

Aí está um campo de análise que seria urgente investigar com isenção.

 

E será necessária tanta e tão exagerada divulgação?!

 

Antes visualizar uma boa série.

 

*******

 

Bletchley Circle II in. pbs.org. jpg

 

Ainda, no referente a esta supracitada, convirá mencionar que, nos últimos episódios, a personagem Susan saiu de cena, que a atriz que a encarnou precisou de corporizar outros desempenhos.

Na ficção, criaram-lhe uma despedida, que ela se afastaria para seguir as pisadas do marido que precisava de sair de Londres, para um novo e mais vantajoso desempenho profissional.

E ela, Susan, como boa esposa e mãe, acompanhou -o.

Na série e para continuarem em quarteto, integraram a personagem que fora vítima inocente na segunda investigação, continuando com uma equipa em quadrado. Fizeram a quadratura de "Circle"!

 

E ao quadrado. Que a respetiva análise valia por equipas muito mais vastas numericamente e só com a respetiva ajuda a polícia chegava à descoberta dos crimes.

 

Bem, e por aqui nos fiquemos!

 

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publicado às 17:17



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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