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Cremação: Que Destino dar às Cinzas?!

por Francisco Carita Mata, em 19.04.17

Uma sugestão e opinião. Apenas!

 

Poderá parecer estranho falar neste tema, agora, mas tem a sua razão de ser.

 

Era para ter abordado esta temática no ano passado, no início de Novembro, quando habitualmente, em termos sociais, estes assuntos costumam ser falados e escritos. Mas foi passando o início do mês e, entretanto, pareceu-me pouco adequada a sua abordagem. Porque as matérias que se abordam nos blogues e nos media difundem-se por ciclos e, digamos, vão perdendo alguma atualidade, passada essa temporalidade! Entretanto também outros assuntos, temas, abordagens, matérias, temáticas, se nos interpõem e interpelam.

 

Mas agora?! Questionar-me-ão.

 

A Páscoa, per si, não deixa de estar associada ao assunto, dado que nela, no Cristianismo pelo menos, (não sei se também nas outras Religiões monoteístas, com base em Abraão), se celebra a Morte e a Ressurreição. De Cristo, é certo, mas também num plano mais vasto culturalmente, de algum modo, panteísta. Porque, quer se aceite ou não, há um substrato natural e universal, associado aos ciclos religiosos cristãos, a outros ciclos religiosos mais antigos e ancestrais e à própria natureza e respetivos ciclos vitais.

 

Diretamente ligado a este facto cultural e religioso, nestes dias da designada “Semana Santa”, estive no velório de um familiar, precisamente na “Sexta-Feira Santa” e no correspondente funeral, no “Sábado das Aleluias”. Nos Olivais – Lisboa. Foi aí, no respetivo Cemitério, que ocorreu a cremação.

 

A incineração é cada vez mais um método socialmente aceite e utilizado em Portugal. Concordo com o processo!

 

Quanto às cinzas resultantes existem atitudes diversificadas.

Há quem leve para casa, no pote que se pode obter para o efeito e guarde no seu lar.

Quem espalhe por locais mais ou menos significativos e/ou significantes, para as pessoas em causa. Lançar no mar, em florestas ou campos emblemáticos, depositar no jardim particular ou em jardins públicos…

Há quem guarde as cinzas nos gavetões dum cemitério, ou deposite em sepulturas anteriores de entes queridos já falecidos.

 

Nos Olivais, observei que há cinzas depositadas nos relvados laterias ao crematório, aonde familiares vão colocando flores, conforme pode ser observado in loco. Já constatara esse facto, há alguns anos, quando assisti a outra cremação de outro familiar.

Também existe um espaço no interior da parte mais tradicional do cemitério, onde se podem guardar as cinzas numa espécie de gavetas no solo. Não sei muito bem como funciona todo o processo. Hei de procurar saber.

 

Acho bem a cremação!

Mas defendo um processo diferente para a deposição das cinzas.

 

No Cemitério, definir espaços, relativamente amplos, no solo, para a respetiva deposição.

Depositar as cinzas de cada defunto nesse espaço, em locais previamente determinados pelas entidades gestoras do cemitério.

Em cada local em que são colocadas as cinzas, plantar um arbusto. Por ex. uma roseira, um alecrim, uma alfazema, ou outras plantas facilmente adaptáveis ao nosso clima e que não ocupem grande volume. (Árvores seriam mais simbólicas, mas no conjunto ocupariam, no futuro, muito espaço, dado o respetivo crescimento. Daí arbustos.)

 

IMG original DAPL. 2016.jpg

 

Os arbustos escolhidos seriam de acordo com uma definição prévia por talhões.

No talhão A, roseiras; no B, alecrins, por ex. Etc.

De modo que, à medida que se iam depositando cinzas, haveria sempre mais uma planta acrescentada ao talhão e ao espaço global.

 

Passados alguns anos, haveria todo um jardim com diferentes plantas, estruturadas por talhões, que proporcionariam um belo efeito paisagístico, no enquadramento em que estivessem localizadas.

Tente imaginar as roseiras todas floridas!

Ou os alecrins, ou as alfazemas. Ou outros arbustos delineados.

IMG original DAPL 2016.jpg

 

Todos beneficiariam desse processo e dessa metodologia.

 

Ah! Mas dado que as cinzas são provenientes de Seres Humanos, de Pessoas, simultaneamente com a respetiva deposição no solo e o plantio do arbusto, seria colocada uma placa simples, normalizada, em mármore ou granito, identificativa de cada Pessoa: Nome, locais e datas de nascimento e morte. E uma fotografia!

 

Toda esta metodologia seria para quem quisesse, como é óbvio.

Quem não pretendesse seguir este modelo, poderia optar pelos que já existem.

 

IMG original DAPL 2016.jpg

 

Mas, caro leitor, cara leitora, tente imaginar o espaço, relativamente vasto, todo revestido de plantas floridas!

Um roseiral! Seria o mais apelativo de todos os modelos. E toda a Humanidade e todos os Seres Vivos usufruiriam do campo florido!

 

 

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publicado às 19:17



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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