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“Crime e Castigo” – Série da RTP 2 – Temporada 3

por Francisco Carita Mata, em 17.05.15

engrenages saison 3 Canal plus PureBreak.com.jpg

“Crime e Castigo” – Série da RTP 2 – Saison 3

Ou como Ronaldo… foi finalmente morto!

 

Já abordei no blog este tema das séries da RTP 2, que se têm revelado de altíssima qualidade.

Borgen

Séries Europeias na RTP

 

A última que tem estado em exibição é de origem francesa, tem o título original francês “Engrenages”, foi designada “Spiral”, no mundo anglo-saxónico e, em Portugal, foi intitulada “Crime e Castigo”.

Entendo a razão do título, mas se lhe tivessem atribuído uma designação, mais literal, “Engrenagens”, “Engrenagens do Poder”, penso que se teriam aproximado mais do conteúdo da série, pois aí são especialmente tratados os “esquemas”, as forças e fraquezas, os “podres” dos Poderes instituídos, com especial destaque do Poder Judicial e suas ligações ao Executivo e ao Poder Económico.

O seriado já vai na 3ª temporada (saison 3, 2010), certamente quase a terminar. A saison 1 era de 2005 e a saison 2, de 2008. No original, existem ainda mais duas séries (saison 4, 2012 e saison 5, 2014). Espero que continuem a exibi-las. E já prepararam ou estão em vias disso, uma 6ª temporada.

 

Ainda que a estrutura do seriado se mantenha, nomeadamente os personagens principais, a metodologia e estrutura narrativa, um ou vários crimes, cada um mais cruel e terrífico que os anteriores, contudo notam-se alguns hiatos de uma série para as seguintes.

Há situações que perdem ligação, ficando personagens e assuntos não devidamente esclarecidos e que não transitam para a “saison” seguinte. Ignoro se virão a ser abordados nas futuras, que espero venhamos a poder visualizá-las.  

Na pesquisa que fiz, in: fr.wikipedia.org/wik/engrenages, constatei que sendo a guionista inicial Alexandra Clert, advogada criminalista, os guionistas seguintes foram alterando ao longo do seriado.

fr.wikipedia.org Engrenages

 

Parafraseando o ditado, “quem conta um conto, acrescenta ou omite um ponto”.

 

Os personagens principais são, contudo, os mesmos e o enquadramento espácio funcional também.

 

No campo policial, a “capitaine” Laure Berthaud, a policial capitã, mulher e profissional cheia de zelo e brio, idiossincraticamente ligada aos seus dois “lieutenant”, Gilles – “Gilou” e Luc – “Tintin”, os três numa cumplicidade umbilical, transpondo, por variadas vezes, os limites da legalidade. Mas, sempre, encobrindo-se mutuamente, tal qual três Mosqueteiros do século XXI. Os três altamente afetados na sua vida pessoal, sendo que Laure e Gilou, quase se negam a viver uma vida fora do trabalho, ligados por uma profunda amizade/cumplicidade, talvez até mais que isso, mas que eles próprios se recusam a ver.

 

No Palácio da Justiça, o juiz de instrução, François Robain, profissional incorruptível, que, segundo o próprio, há trinta anos tenta aplicar corretamente a justiça, com Justiça. No seu zelo profissional, (excessivo ou justo e de exata medida?) acaba também por se anular enquanto Pessoa. E, com as suas decisões, retas e justas é certo, indiretamente dois sujeitos foram levados a cometer suicídio. A forma como ele, no seu silêncio e pouca loquacidade se questiona inconscientemente; o seu isolamento familiar, já que os diversos laços se têm quebrado… Até onde será levada esta personagem, dado que a sua redenção parece afigurar-se cada vez mais impossível?! A (im)possibilidade de a JUSTIÇA ser Justa?!

 

Os outros dois personagens principais, no campo da Justiça, são:

- Pierre Clément, procurador adjunto, jovem profissional, idealista, que no resultado desse mesmo idealismo e honestidade vê a sua carreira e vida pessoal serem destruídas pelos que devendo defender a Justiça, nos bastidores manipulam a respetiva execução.

- A jovem advogada criminalista, Joséphine Karlsson, que na sua ânsia de ganhar dinheiro e obter sucesso se alia a um advogado corrupto, de quem foi aconselhada a afastar-se logo no início do seriado, mudando de passeio na rua, mas por quem se sente terrivelmente atraída, por quem se envolve com criminosos, de quem se afasta, tentando reconstruir uma carreira, ao lado de Pierre Clément, agora também advogado. Mas que acaba novamente enredada com a corrupção e o crime organizado, através do primitivo advogado, que tão bem a sabe seduzir sempre com o apelo do dinheiro e, implicitamente, o sexo.

 

Chocante o enredo do seriado, sim! Mas ainda mais chocante o seu espelhar da realidade! Inclusive da portuguesa.

 

E chegamos ao subtítulo do post: “Ou como Ronaldo… foi finalmente morto!”

 

Ao congeminar este post pensei, inicialmente, neste título. Mas, após “conversar com o travesseiro”, achei que não seria correto, pois embora não tivesse nada a ver com o post anterior remeteria para ele, pelo nome, não estando, contudo, os assuntos absolutamente nada relacionados.

E tudo isto, porquê?!

Porque na passada 6ª feira, dia 15 de Maio, li a notícia sobre o célebre jogador e decidi escrever um post sobre o tema, enquadrando a notícia específica num contexto mais geral de cidadania à escala global.

Ronaldo à venda por 100 milhões

 

Também nessa 6ª feira, à noite, na série referida, o criminoso, assassino em série, que “aterrorizava” o submundo de Paris e que era motivo das diligências exaustivas, mas até ao momento infrutíferas dos heróis do seriado, fora finalmente localizado, quase a cometer outro assassinato macabro. E, no decurso da ação de buscas, acabou por ser morto… Morto, por tiro disparado pela capitã, Laure Berthaud, que vivia obsessivamente na sua busca e localização, há vários episódios.

E como se chamava ele, o “serial killer”, conhecido como o "Talhante de La Villette"?!

Pois, precisamente, Ronaldo, Ronaldo Fuentes, um mexicano imigrante em Paris, que já fora preso, por indiciado em dois crimes horrendos de duas jovens, mas que sem provas e não tendo confessado, fora libertado pela ação da advogada, Joséphine.

Situação que ficara “encravada” no brio da capitã, que não largou a pesquisa e investigação, mesmo quando o “caso” foi retirado ao seu Departamento, pois estava convencidíssima da sua culpabilidade.

Até que as provas foram encontradas, mas o assassino continuava à solta e inlocalizável.

E quando, após muitas peripécias, finalmente o localizaram, a capitã no seu afã de executar a sua função e talvez com medo de ele ser libertado novamente, acabou por “fazer justiça pelas suas próprias mãos”.

Fez bem ou fez mal?!

 

De qualquer modo os seus “companheiros de caminhada”, mais uma vez, solidarizaram-se com ela compondo a situação de modo a que não fosse ela incriminada.

Sim, porque a Justiça no seu zelo de “defender os indefesos” acaba muitas vezes por defender os criminosos, como, na série, já sucedera ao assassino.

Finalizemos com o que disse o Chefe de Departamento da capitã, ao ouvir as respetivas explicações e dos seus colegas, convencido - não convencido da respetiva veracidade:

Lembra-te que inventámos a Justiça para acabarmos com a Vingança!

Referia-se, obviamente, ao Ser Humano, à Humanidade, que no seu evoluir social foi criando um progressivo modelo de Justiça que fosse o mais isento, honesto e justo. Mas que muitas vezes, na realidade é o que é e todos conhecemos!

Para visualizar pequenas introduções aos episódios da “Saison trois”,

consultar:

Engrenages episodes. 3Fsaison

 

No episódio 11, pode observar-se o personagem Ronaldo Fuentes. Observem-no com atenção!

No episódio total, a cena da sua morte é paradigmática, pela tensão entre as duas personagens em confronto:

o assassino e a capitã.

Vejam a série, não se assustem e reflitam sobre a nossa Sociedade e o que dela a série, infelizmente, espelha...

engrenages spiral rtp.pt.jpg

 

 

 

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publicado às 19:24



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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