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Crónica de 1º de Maio: algumas questões pertinentes…

por Francisco Carita Mata, em 01.05.17

Alterações na Lei sobre os animais.

Um Programa televisivo de inexcedível qualidade.

Algumas perguntas, cujas respostas não cabem ao questionador, mas a si, caro/a leitor/a.

 

Foto original DAPL 2016  Almada 2157.jpg

 

Chegou o mês de Maio!

 

Habitualmente abordo alguma temática alusiva a este mês.

 

Entrou em vigor, hoje, uma nova Lei que, no âmbito do Código Civil, categoriza os animais numa outra perspetiva, deixando de ser considerados, perante a Lei, como “coisas” e perspetivados como “seres vivos dotados de sensibilidade”.

 

Legalmente, não duvido que, no papel e, em teoria, há um progresso.

Na prática faltará mudar comportamentos, a começar, em primeiro lugar, pelos de muitos “donos” de animais.

 

Que os animais não são coisas, que são seres vivos dotados de sensibilidade, julgo que a grande maioria das Pessoas conscientes sempre tiveram noção desse facto.

Muitos “donos” de animais não!

Reforço esta afirmação, basta observarmos os respetivos procedimentos face aos animais em variados contextos.

 

Esta questão da alteração da Lei, levanta-me várias questões, algumas das quais já abordei noutros posts.

 

Uma que me ocorre imediatamente, também já aqui levantada, situa-se no procedimento futuro das autoridades, dos poderes instituídos, quer a nível central, quer a nível local, perante “espetáculos” em que os animais são objetivamente torturados perante milhares de “seres ditos humanos” para respetivo gáudio e contentamento e, em muitos casos, esses acontecimentos são ainda transmitidos televisivamente. (?)

 

Eufemisticamente perguntando: “Quando é que apanham o touro pelos cornos”?

 

Haveria muitas outras questões que poderia levantar, nomeadamente sobre este assunto mais específico e também sobre a questão mais geral. Seria um nunca acabar de interrogações, algumas já referenciadas em textos anteriores.

Não quero deixar de abordar uma última, por agora, meio em jeito de sério e também a ironizar. Lá vai!

 

Quando se fala em animais, tal a diversidade e riqueza da Terra neste âmbito, a que animais nos referimos? Apenas àqueles que habitualmente são considerados no contexto de “domésticos”, ou a todos, desde o mosquito ao cavalo?!  

 

*******

 

E nem ou mesmo a propósito, ontem, a RTP2 transmitiu mais um dos seus excelentes Programas.

 

(Lembrar-me-á, caro/a leitor/a, que há muito não abordo nada sobre séries. É verdade. Tenho visto algumas, tenho seguido 1992”, que nos prepara para “Gomorra”, mas não me tem puxado ainda para a escrita.)

 

Bem! Mas, ontem, a RTP2 transmitiu o filme documentário Sal da Terra sobre Sebastião Salgado, a sua trajetória de vida e a sua Obra!

Uma vida heroica, uma Epopeia, a sua Vida e a Obra artística produzida.

Um registo histórico e documental, através da lente fotográfica, sobre a Humanidade, o Ser Humano, a Vida e a Morte, a Condição Humana, nalguns dos seus registos mais trágicos e aterradores; noutros, na sua capacidade de redenção e subsistência nos limites inimagináveis, para quem vive vidas comuns.

A inserção e comunhão do Humano no contexto da Natureza e dos outros Seres Vivos, igualmente “Obras” da mesma “Criação”: “Génesis”.

Sublime!

Apesar de em muitos dos “relatos”, “Koweit”, “Jugoslávia”, “Ruanda”, ser aterrador!

Aterrador, pela capacidade, loucura descomunal, do “ser humano” ao infligir tamanho sofrimento, tamanha atrocidade ao seu semelhante e tamanha destruição na Natureza! E como essa prática é recorrente, acontece nos nossos dias, sem qualquer justificação plausível, e ocorre bem perto de nós!

 

Este refletir podia levar-nos para o primeiro ponto da crónica e ainda e também através de outra pergunta.

Sendo, supostamente (?), o Homem, o Ser Vivo mais inteligente à face da Terra, conhece algum outro Ser que provoque tamanha destruição do seu Semelhante e do Ambiente em que vive e de que depende a respetiva sobrevivência?!

(…)

 

*******

E ainda…

E sobre essa “nova categorização” dos animais e contrapondo à condição humana.

 

E em quantas situações e quantos milhares, milhões, de Seres Humanos não levam uma existência desprovida de quaisquer direitos, muito menos que coisas, em vidas e condições abjetas, abaixo do limiar das condições de sobrevivência?

 

Com quantas Pessoas, seres Humanos como nós, não nos cruzamos, no nosso dia-a-dia, nos mais diversos locais das nossas cidades, em situações por demais problemáticas e a que maioritariamente “olhamos” indiferentes?

 

E quantos de nós não nos sentimos já tratados como “objetos descartáveis”, mesmo e até por quem e pelas entidades que nos deviam tratar como Seres pensantes, de ideias, ideais e afetos, de inteligência e sensibilidade e nos consideram meros números, eventualmente consumidores, ávidos de coisas e de dinheiro para comprá-las?!

 

E com esta questão, termino. Muitas outras ficam na gaveta...

 

E lembro que hoje é “Primeiro de Maio” – “Dia do Trabalhador”!

E remeto para o que já escrevi.

 

P.S. – Depois das três da tarde, fui a uma conhecida superfície comercial que anunciou os célebres mega descontos percentuais. E não constatei a loucura do primeiro ano!

 

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publicado às 19:31



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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