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Eleições Presidenciais - 2016 - I

por Francisco Carita Mata, em 09.01.16

Bandeira República Portuguesa In wikipedia.png

Realizar-se-ão eleições para a escolha do futuro Presidente da República, no próximo dia 24 de Janeiro.

Os candidatos já andam todos numa efervescência de pré-campanha, que a campanha propriamente dita só se iniciará no dia 10 de Janeiro, e decorrerá até 22.

Ao todo são dez os candidatos! Para além dos que já ficaram pelo caminho…

Não será manifestamente um exagero haver logo 10 candidatos?!

Estão todos nesta campanha por direito próprio, sem dúvida, pois sendo cidadãos de pleno direito e no uso de todas as condições para tal fim, é um direito que assiste a qualquer cidadão candidatar-se a este cargo, desde que reúna também o número mínimo de assinaturas proponentes. E estando todos legalmente na "corrida para Belém” é sinal que todos conseguiram esse pré requisito. No mínimo, 7500 assinaturas.

Enquanto cidadãos todos podem concorrer, é certo. Mas será que todos devem?! Será que todos têm a noção do que andam para ali a fazer?

Também me surpreende que alguns candidatos tenham reunido os milhares de assinaturas necessárias. Certamente pessoas conscientes que, enquanto cidadãos, também têm esse direito, serem proponentes de uma candidatura. Mas ouso questionar: será que todos os que assinaram para certos candidatos o fizeram num sentido construtivo?! Ou plenamente conscientes da sua decisão?

Levanto outra questão: Será que todos os candidatos, que entraram nesta corrida, têm uma noção cabal das funções e das condições para o exercício de tal cargo? Será que acham que a sua candidatura engrandece e dignifica, de algum modo, esse cargo e função?! Ou pretendem simplesmente promover-se e engrandecer a sua própria vaidade pessoal?

(Que a Presidência da República corresponde ao mais alto Cargo do Estado, da Nação e do País!)

E tantos debates, com tantos candidatos! Suscita esclarecimento, ou provoca confusão?! Essa situação credibiliza ou debilita a Democracia?

Nesta campanha também há outro aspeto que quero destacar. O facto de duas Mulheres, com peso político significativo, serem candidatas ao cargo de Presidente. Algo que aconteceu parcas vezes, apesar de vivermos em Democracia. (Há trinta anos aconteceu a candidatura da saudosa Maria de Lurdes Pintassilgo!) Durante o designado Estado Novo não houve candidatas e na 1ª República também não. (É claro que tivemos duas Rainhas, Marias, a Primeira e a Segunda! Mas Monarquia não é o mesmo que República.) Este facto, quer queiramos ou não, é um sinal de mudança cultural, de mentalidades, neste País. (Como também, e paralelamente, a composição do atual Governo também apresenta sinais de mudança de mentalidades. Assim também promovam mudanças nas políticas…)

Friso que este artigo apenas pretende ser um mero artigo de opinião, de um cidadão exprimindo o que pensa sobre o assunto, sem qualquer pretensão de se sobrepor a quaisquer outras opiniões muito mais fundamentadas e avalizadas que a sua. É, reforço, uma simples opinião!

Dos dez candidatos, praticamente só tenho prestado um pouco mais de atenção a cinco: Edgar Silva, Marcelo Rebelo de Sousa, Maria de Belém, Marisa Matias e Sampaio da Nóvoa. Os cinco que acho poderão ter alguma influência, em termos dos hipotéticos votos, de que, eventualmente, poderão dispor. Mera suposição e simples opinião, como já referi.

Nesta análise, designo os candidatos apenas pelo nome, sem qualquer indicação académica e/ou funcional. Penso que é o mais adequado.

Edgar_Silva In wikipedia.jpeg            Marisa_Matias in wikipedia.jpg

Edgar Silva e Marisa Matias provêm e afirmam-se de matriz partidária. Julgo que terão plena consciência desse facto, que, se por um lado é garantia de, pelo menos disporem de apoio do eleitorado que lhes é afeto, pelo menos em parte, também terão consciência que essa mesma situação os limitará. Dificilmente obterão apoio de outros campos eleitorais e mesmo do eleitorado que supostamente lhes seria afeto, não o terão na totalidade. Que este se dispersará por outros candidatos. Alguns até, para outros candidatos aparentemente improváveis.

Afirmam ir até ao final e sujeitarem-se à votação. Hipoteticamente para, numa hipotética 2ª volta, jogarem com os seus votos. Mas eu não tenho plena certeza disso. Até julgo que, se ponderarem muito bem, desistirão no final da campanha da 1ª volta, indicando um sentido de voto aos seus eleitores. Aliás, essa é a atitude que acho que os próprios e os partidos que os apoiam diretamente deverão fazer. Usarem a campanha para desempenharem o papel que realmente lhes cabe, mas irem preparando o eleitorado para uma eventual desistência tático-estratégica. Que não seria desistir. Seria agir estrategicamente. De outro modo, arriscam-se a uma dispersão de votos e não haver sequer 2ª volta. O ideal, será centralizar os votos num candidato de uma área afim!

Que não é, obviamente, Marcelo.

Marcelo in wikipedia.jpg

Marcelo Rebelo de Sousa, quer queira, quer não queira, é também de uma matriz partidária, ainda que, agora, para concorrer, se tenha desvinculado do partido a que pertence desde a respetiva fundação e, no qual, e pelo qual, desempenhou vários cargos. Ideologicamente também se enquadra numa área muito determinada e específica, aquela que nos “governou” nos últimos quatro anos. Se analisarmos no tempo, ainda mais remotamente, então ainda o vemos a beijar a mão ao padrinho! Desdiga-se ele ou não e pretenda afirmar-se como suprapartidário, como independente, como acima ou para além dos partidos, não é, nem está! E “pode alguém ser quem não é”?! Ufanamente, vangloria-se que vai ganhar, se não à primeira, logo à segunda. Qual jogador de poker, faz bluff. A comunicação social faz coro e continua a usar a informação, tanto na forma como no conteúdo e as sondagens, para manipular.
E, no plano social e económico, a que tipo de Poderes tem ele estado sempre umbilicalmente ligado?!

Pois, eu acho que não vai ganhar! Assim os outros quatro candidatos que mencionei e os respetivos suportes políticos, partidários, ideológicos, saibam jogar tática e estrategicamente.

Maria_de_Belém In wikipedia.jpg

Maria de Belém, quer queira ou não, também está muito enquadrada numa estrutura partidária. E dela não se liberta. Também se desvinculou de militante para poder concorrer… Mas, seja qual for a sua vontade manifesta, não se desvincula, nem se liberta do aparelho partidário a que pertenceu e no qual desenvolveu a sua ação cívica. Ainda que não deixasse de ser interessante que uma Mulher desempenhasse a mais alta magistratura da Nação. Mas, neste caso, seria apenas interessante!

Novoa In wikipedia.jpg

E será que não seria preferível termos um Presidente que estivesse realmente desvinculado dessa “canga” partidária?!

Alguém que nos representasse enquanto Cidadãos, todos os Cidadãos, sem preconceitos de posicionamentos políticos e ideológicos, independentemente de pertenças ou não a estruturas mais ou menos partidárias? E o que nos convinha mais, não seria termos um Presidente da República que realmente estivesse além dos partidos, ainda que equidistante deles, por não pertencer a nenhum? Nem ter estado vinculado a nenhum deles?

E quem é esse Candidato? Pois, na minha modesta e parcelar opinião, esse candidato é Sampaio da Nóvoa!

Assim os outros Candidatos, globalmente enquadráveis no espaço político e ideológico deste, inclusive os que não mencionei, percebam esse facto e saibam e consigam ceder estrategicamente!

 

 

 Se ainda tiver paciência, pode ler estas estórias, SFF:

Estória inverosímil

Uma fábula...

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publicado às 16:09


2 comentários

De Anónimo a 14.02.2016 às 09:43

Com previsões destas não vais longe. Com bluff ou sem ele o MRS foi o grande vencedor e logo à primeira volta!

De Francisco Carita Mata a 20.02.2016 às 18:48

Em primeiro lugar, bem-vindo ao blogue.
Os comentários que faço, sobre estas ou outras temáticas, são simples opiniões que formulo sobre alguns assuntos. Sem quaisquer pretensões. Não sou, nem pretendo ser, analista ou comentarista do que quer que seja. Há, por aí, gente muito mais avalizada para tal, do que eu. Limito-me, como Cidadão, a emitir uma opinião sobre assuntos que me motivam, no exercício do Direito de Cidadania e da Liberdade de Expressão. Usando este meio de que atualmente dispomos, a internet, que nos possibilita esse exercício, num contexto de Democracia em que vivemos. Sujeitando essas opiniões ao Direito do Contraditório, como no caso vertente.
Não pretendo ir longe nem perto, porque não pretendo ir a lugar algum. Apenas expressar a minha opinião, friso.
As Eleições Presidenciais não são propriamente o Campeonato de Futebol, nem os respetivos resultados podem ser vistos como quando a nossa equipa preferida ganha ou perde. Nem sequer uma Volta a Portugal em bicicleta. Tem que ser, ou deveria ter sido, muito mais que isso, embora em muitos aspetos nem a isso tenha chegado.
Marcelo Rebelo de Sousa foi o candidato mais votado. Será o próximo Presidente da República. “De todas as Portuguesas e de todos os Portugueses”, como ele fez questão de frisar.
Não era o meu preferido, mas também não posso deixar de reconhecer que, de entre todos os candidatos, ele provavelmente seria o que se apresentava mais bem preparado para o desempenho do Cargo e respetivas funções. Tem obrigação e o Dever Moral de ser um Bom Presidente.
Para já e à partida, gostei do discurso de “vitória”. Foi um discurso muito bem estruturado e quase um discurso de tomada de posse. Aguardemos o verdadeiro discurso de tomada de posse, a 9 de Março. Aguardo com expectativa.
Também acho que devo realçar a escolha das Personalidades para Conselheiros de Estado. Pessoas de real valor e de diferentes quadrantes ideológicos, até diferentes do seu. É importante saber ouvir. Assim ele queira e não se deixe enredar nos corredores das intrigas palacianas. Assim saiba fazer prevalecer as Razões de Estado e os Interesses de Portugal.
Tem também uma vantagem. Não foi eleito condicionado pelos partidos de pertença. E para a respetiva maioria contribuíram votantes de todos os quadrantes partidários, conforme foi explanado em diversas análises sobre as eleições. O próprio tem plena consciência disso, como demonstrou no discurso de “vitória”.
Esperemos que seja um Bom Presidente. Que contribua para a Estabilidade e Engrandecimento do País, e dos Portugueses!
Que estamos todos fartos de tricas, de trocas e baldrocas!
Volte sempre, SFF! Mesmo que seja para expressar o direito a opinião contrária! Ouvir opiniões diferentes obriga-nos a refletir sobre as nossas próprias opiniões.

Leia, também, SFF:
http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/eleicoes-presidenciais-2016-80660
http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/eleicoes-presidenciais-o-obvio-e-o-82521

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Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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