Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Memórias Paroquiais

por Francisco Carita Mata, em 16.02.15

Memórias Paroquiais de 1758

(As freguesias do atual concelho de Crato)

mapa  concelho crato.gif

Em 1758, no reinado de D. José I, três anos após o “Terramoto de 1755”, através de um aviso de 18 de Janeiro do Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, foram enviados interrogatórios para todos os Párocos do Reino, inquirindo-os sobre as respetivas paróquias e povoações.

Retrato_do_Marquês_de_Pombal.JPG

Nesses inquéritos eram formuladas questões incidindo sobre três temas:

A terra, isto é, a localidade propriamente dita, nomeadamente sobre a sua geografia, dados eclesiásticos e religiosos, demográficos, históricos, económicos, administrativos e jurisdicionais, entre outros. Também se questionava sobre os danos provocados pelo “Terramoto”. Um total de 27 perguntas.

A serra, incluindo 13 questões sobre alguma serra existente na paróquia, seus cursos de água, minas, plantas, caça, povoações, etc.

E os rios, com 20 perguntas sobre a sua designação, volume de águas, navegabilidade, pescarias, cultivos nas margens, eventual ouro de aluvião, pontes, existência de moinhos ou lagares de azeite, etc.

Havia ainda uma pergunta, funcionando como recomendação final: «E qualquer coisa notável que não vá neste interrogatório.»

Após respondidos, deveriam as respetivas respostas ser remetidas à Secretaria de Estado dos Negócios do Reino.

A organização das respostas aos inquéritos coube ao Padre Luís Cardoso (1694 – 1769), que já anteriormente organizara um “Dicionário Geográfico de Portugal”, a partir de inquérito realizado em 1732. As designadas “Memórias Paroquiais” de 1758 só seriam concluídas em 1832.

As perguntas foram iguais para todos os párocos, mas as respostas variaram bastante, em função das características específicas de cada povoação, mas provavelmente também do eclesiástico respondente, conforme se pode verificar nas Memórias das Paróquias do “termo” da “villa” do Crato.

Na “Torre do Tombo” estão depositados 44 volumes manuscritos de “Memórias Paroquiais”, disponíveis online.

A Universidade Nova de Lisboa, em colaboração com o Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo também disponibiliza informação tratada sobre o assunto.

A Universidade de Évora, através do CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora e da FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia, disponibiliza informação digitalizada sobre várias paróquias do Alentejo, nomeadamente do concelho de Crato.

Foi a partir destes dados que foi coligida a informação referente às paróquias do termo da vila do Crato.

Na “net” também estão disponíveis diversos trabalhos específicos sobre o assunto, de múltiplas localidades e concelhos, praticamente de todo o País.

Há também muita bibliografia disponível sobre esta temática, referente aos mais diversos concelhos do País. Diversas Câmaras Municipais e variadas Instituições culturais têm apoiado a publicação, em suporte de livro ou revista, dos documentos respeitantes às respetivas Paróquias, que na sua essência estruturam o cerne das atuais freguesias, apesar das muitas modificações existentes ao longo destes dois séculos e meio, disponibilizando, deste modo, informação sobre o respetivo passado.

Nos textos que iremos apresentado nos “posts” pretende-se fundamentalmente divulgar informação sobre o passado das paróquias do Concelho, que a memória do que foi vivido, ainda que remotamente, estrutura o presente e condiciona o futuro.

Porque, apesar das muitas mudanças e alterações no mundo atual, e precisamente por elas existirem e fazerem parte integrante do nosso padrão de vida, é importante valorizarmos o legado material e imaterial que nos foi deixado e faz parte da nossa identidade e cidadania. Aproveitando, nomeadamente, este moderno recurso, a internet, que tão democrática e enriquecedoramente nos permite, por um lado, o acesso à informação e ao conhecimento e, por outro, nos proporciona a subsequente divulgação.

Que ao ‘Acender-se uma Luz…’! Usufruindo do direito inalienável da “Liberdade de Expressão”.

Poder-se-á dizer que estes textos memoriais têm lacunas e limitações. Certamente terão e estudiosos avalizados sobre o tema enumerá-las-ão…

Têm também virtualidades. Na minha perspetiva, nomeadamente a utilização da metodologia de inquérito, em que questões estruturadas e comuns foram colocadas a todos os Párocos do Reino, permitindo a recolha relativamente simultânea de respostas de diferentes pessoas, de variadas localidades sobre os mesmos problemas, obtendo informações que, com todas as relatividades inerentes, permitem tirar conclusões sobre aspetos comuns a todo o território.

Frisando, como disse, limitações que existem.

Por ex., pode ficar-se a conhecer e comparar os efeitos do “Terramoto”, pelas diferentes regiões do País. Lendo as Memórias Paroquiais de Almada e do Crato notam-se grandes diferenças sobre os efeitos que este fenómeno geológico teve em cada um dos “termos”.

1755_Lisbon_earthquake.jpg

Também se pode analisar comparativa e regionalmente sobre as produções agrícolas dominantes. E também concluir que, genericamente, assentavam à época ainda na trilogia fundamental desde a época romana: cereal, vinho e azeite, para além da criação de gado. Existiam, contudo, especificidades e preponderâncias regionais de uns ou outros produtos.

centeio.jpguva.jpgazeitona.jpg

Notas Finais:

  • Através deste “post”, voltamos à temática histórica.
  • Uma versão deste texto foi publicada no Jornal “A Mensagem”, em 2014.

 

Imagens:

- mapa do concelho do Crato, in “aquém-tejo.blogsapo.pt/ …”

- Sebastião José de Carvalho e Melo (1699 – 1782), Escola Portuguesa, Museu Francisco Tavares Proença Júnior, Castelo Branco, in Wikipédia.

- “Gravura em cobre, mostrando Lisboa em chamas e o tsunami varrendo o porto”, in wikipédia.

- imagens de “centeio, uva e azeitona”, in wikipédia.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:49



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Temas

Poesia

Arquivos

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

Pesquisar no Blog