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Quadras Tradicionais V

por Francisco Carita Mata, em 18.10.16

Laços

 

Pôr do Sol Fonte das Pulhas Original de DAPL 2016

 

Pontos Prévios:

Voltamos à “Poesia Tradicional”, como referi no post anterior.

E cabem uns breves esclarecimentos.

Quando escrevo “voltamos”, friso que a expressão verbal não se enquadra no célebre “plural majestático”.

Escrevo no plural, porque neste trabalho há a participação de várias Pessoas:

- As Pessoas que fizeram a recolha das “cantigas”, referenciadas no final de cada grupo de quadras.

- A Autora das fotografias que ilustram o post.

- Para além do/a Caro/a Leitor/a, que tem a amabilidade de nos visitar. E ler!

E vamos às Quadras.

Laços, porque são laços que nos unem a todos: de Família, de Amizade, de Estima.

 

Rosas do nosso quintal Foto original DAPL 2016.jpg

 

*******

 

Eu não quero mulheres com poupa

Nem em casa mando entrar

Não quero que venha o cuco

Atrás da poupa a cantar.

 

Na Rua de Santo António

Não se pode namorar

De dia, as velhas à porta

De noite, os cães a ladrar.

 

Quando eu era pequenina

Usava fitas e laços

Agora que sou casada

Uso os meus filhos nos braços.

 

Quando eu era solteirinha

Usava sapato branco

Agora que sou casada

Nem sapato nem tamanco.

 

Quando eu era pequenina

Ainda não comia pão

Davam-me os moços beijinhos

Agora já mos não dão.

 

Ó papo-seco

Que levas no cabaz

Peras e maçãs

Para dar ao meu rapaz.

 

Não ponhas nem disponhas

Loureiro ao pé do caminho

Todos passam, todos colhem

Do loureiro um raminho.

 

Minha mãe mandou-me à mestra

Aprender o bê – á – bá

Minha mestra me ensinou

A beber café com chá.

 

Andas vestido de azul

Andas à “inestidade”

Andas ao gosto do mundo

Andas à minha vontade.

 

Quem me dera, dera, dera

Estar sempre a dar a dar

Beijinhos ao meu amor

Abraços sem descansar.

 

 

(“Cantigas” / Quadras coligidas por D. Maria Belo.)

 

*******

 

Se fores lavar ao rio

Lava na pedra do meio

Se ouvires cair pedrinhas

Apanha-as, mete-as no seio.

 

Amor com amor se paga

Porque não pagas amor?

Vai pagar à tua amada

Não sejas mau pagador.

 

(“Cantigas” / Quadras coligidas por D. Isabel Caldeira.)

 

*******

 

Eu tenho um chapéu branco

Para à noite namorar

O chapéu vai-se romper

E o namoro acabar.

 

Eu amei um António

Agora amo um João

Também o vento se muda

Do Norte para o Soão.

 

O comboio da Beira Baixa

Tem vinte e quatro janelas

Mais abaixo, mais acima

O meu amor vai numa delas.

 

(“Cantigas” / Quadras coligidas por D. Maria da Costa.)

 

*******

 

Eu venho de lá tão longe

À fama destes barulhos

Pensava que eram bolotas

Encontrei-me com cascabulhos.

 

(“Cantiga” / Quadra coligida por D. Maria Constança.)

 

(“Recolha” efetuada em 2016 – Aldeia da Mata.)

*******

Fotos originais de D.A.P.L.

Pôr do sol, na Fonte das Pulhas.

Flores do nosso quintal.

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publicado às 13:39



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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