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"Serangoon Road" (TV Serie)

por Francisco Carita Mata, em 08.05.17

Série Australiana – Singapuriana

RTP2 

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Série dramática, numa coprodução australiana – singapuriana: (ABC – Australian Broadcasting Corporation e HBO Asia – Home Box Office).

 

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A ação decorre em Singapura, onde também foram filmados, maioritariamente, os vários trechos. Data de 2013, englobando dez episódios previstos, uma temporada.

 

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O tempo da narrativa situa-se na primeira metade da década de sessenta, em 1964 (?), período conturbado daquela Cidade Estado, situado entre a proclamação das  respetivas “independências”: do Reino Unido e da Federação da Malásia. Saída da administração colonial inglesa, conflitos raciais: “race riots”, surgimento de movimentos comunistas…

Tempos tumultuosos, como aliás têm sido os do pós-guerra, por todo o mundo.

Auge da “guerra fria”, numa região charneira onde se digladiam os campos opostos.

Regiões que haviam sido ocupadas pelos japoneses na 2ª grande guerra, e como foi selvagem essa ocupação no Extremo Oriente (!) Personagens marcadas por essas experiências traumáticas.

 

Mas a série consegue ser otimista nos vários desfechos que foi tendo nos dois episódios que já decorreram.

Deste modo, a RTP2 mudou o rumo das séries, e fez bem em mudar; apresentando esta, ocorrendo no Extremo Oriente, numa zona nevrálgica de entrecruzamento de culturas: chinesa, malaia, indiana, javanesa, ocidental... Com um elenco também multicultural e multirracial.

(De qualquer modo, não posso deixar de questionar, melhor, interrogar-me, sobre esta mudança de “rumo” da RTP2, rendendo-se às grandes produtoras.)

 

Todavia, assim, dá lugar a novas panorâmicas e esta série apresenta-se bastante “luminosa”.

Isto é, algumas das últimas séries europeias,”Amber”, “A Fraude”,“Jordskot”, “A Mafiosa”, “1992”, a que se prevê, “Gomorra”, apresentam, a maioria delas, problemáticas bem realistas e muito importantes de nos mostrar, como denúncia deste atual mundo macabro em que vivemos, mas acabam por não nos dar quaisquer sinais de redenção possível.

Bem sabemos que essa é a Verdade! Mas, nos seriados, uma certa “ilusão” não deixa de embelezar um pouco a narrativa e torná-la mais aliciante e apelativa.

 

E esta série, “Serangoon Road”, traz algum otimismo no conteúdo. Digamos que é uma série “à moda antiga”.

O personagem principal é Sam Callaghan, ator Don Hany. Um “herói” australiano, defensor dos justos e lutando por ideais altruístas, ajudando os elos mais fracos. Tem uma firma de importação / exportação com um parceiro chinês, viciado no jogo, presa fácil nas teias das seitas de jogo chinesas.

Sam também está bem marcado pela sua experiência de vida, que em criança foi preso e torturado pelos ocupantes japoneses.

 

A estrutura global da narrativa gira à volta da morte de Winston Cheng, dono de uma Agência de Investigação, cujo presumível assassinato, a esposa, Patricia Cheng, atriz Joan Chen, quer investigar e descobrir as razões motivadoras, assumindo ela a direção da “Cheng Detective Agency”.

Os fios dessa pesquisa vão-se desenrolando gradualmente, episódio a episódio, mas como é apanágio nestes seriados, só será, supostamente, desvendada a verdade no derradeiro, o décimo. Pouco a pouco, vamos sabendo mais um pouco!

 

Sam Callaghan ajuda, de forma altruísta, a senhora Cheng. E esta o que pretende é que se faça Justiça. Friso esta afirmação, proferida pela senhora, uma chinesa muito bonita e serena. Este ideal é crucial, pois, contrariamente ao que se propala habitualmente nestas filmografias, ela não pretende vingança, mas sim Justiça!

Há uma diferença acentuada na mensagem subliminar.

 

Em cada episódio ocorre um caso particular que a Agência, em que além de Patrícia também trabalha uma sobrinha, Su Ling (?), procura resolver com a ajuda de Sam.

 

No 1º episódio livraram da morte um marinheiro americano, negro, que era acusado injustamente, por outros marinheiros, brancos, de outro ramo da armada americana, da morte de um colega branco, de quem ele era o melhor amigo.

Graças a Sam, ao seu colega da firma e à empresa de detetives, ele foi salvo da morte por afogamento a que os verdadeiros culpados o haviam destinado.

 

No 2º episódio, uma senhora chinesa que fora casada em Singapura, também com um chinês, até 1942, data da invasão japonesa, regressou da China, em 1964, à procura do marido que entretanto se casara com uma javanesa, de quem tinha uma filha.

Só neste parágrafo se vê a complexidade da narrativa que eu estou a simplificar.

Cabe explicar que à senhora, na sequência da invasão pelos nipónicos, o marido enviou-a para a China, para junto dos pais, na expetativa de a poupar das atrocidades dos invasores. Entretanto a guerra acabou em 1945, a China, sujeita às mudanças ocorridas, fechou as fronteiras e a senhora ficou lá retida, só tendo conseguido fugir quase vinte anos depois.

Ao regressar de barco a Singapura e a salto, como se costuma dizer e literalmente falando, a senhora deparou-se com muitos obstáculos que, mais uma vez, Sam e a sua equipa conseguiram resolver a contento e de forma positiva.

 

E deprende-se ser esta a característica do enredo da série.

Vão surgindo situações mais ou menos complexas em cada episódio, que vão sendo resolvidas positivamente, enquanto aos poucos, também se vai destrinçando o enredo fundamental.

 

Resta dizer que o “Herói”, como qualquer um que se preze, também tem uma namorada, melhor, “um caso”, com uma senhora casada, Claire Simpson, não sei ainda se inglesa se americana, esposa de Frank Simpson, negociante, que se ausenta frequentemente em viagens.

Oportunidades para Sam e Claire irem pondo o amor em dia, que, afinal, moram na mesma Rua, Serangoon Road, que intitula o seriado e que fica entre “Little India”, bairro de indianos e “Kallang”, bairro residencial. Como eles se irão desenvencilhando deste novelo, veremos…

 

Panoramic_view_of_Serangoon_Road,_Little_India,_Si

 

Nos subterrâneos da narrativa e da vida da cidade e da rua, uma seita de chineses, “O Dragão Vermelho”, numa estrutura de clã, que controla o jogo e os “negócios”, naquela parte da Cidade.

 

600px-Kallang,_Rochor,_Dec_05.jpg

 

Ainda ligado ao campo das investigações, noutra perspetiva, mas também colaborando, encontramos Macca, ator Tony Martin, jornalista australiano, amigo de Sam, ajudando-se mutuamente, trocando favores recíprocos.

 

Naquele espaço e contexto temporal, não pode faltar um agente da CIA, Conrad Harrison, ator Michael Dorman, jovem agente que, além das investigações inerentes ao seu cargo, também investiga sobre a possibilidade de arrastar a asa à sobrinha de Patricia Cheng, cujo nome ainda não tenho a certeza.

 

E tendo sido Singapura uma peça imprescindível do “British Empire”, e recentemente independente, não podem faltar os representantes de Sua Majestade, arrumando as malas, de regresso a casa.

 

E, por agora, é o que posso perorar sobre a narrativa da série.

Já há muito tempo que não escrevia sobre séries, ainda pensei escrever sobre “1992”, mas preguicei.

Recomecei com esta nova, que só ainda decorreram dois episódios. Que acho divertida de acompanhar. E apetece-me, e faz bem, seguir uma temática assim um pouco mais ligeira do que tem sido habitual nos últimos tempos.

 

Acompanhe-me também nestas narrações, se faz favor!

(As imagens têm registadas as respetivas fontes. As dos bairros são atuais, não são da época. Se quiser ver algo da época, faça favor de consultar este vídeo. Obrigado pela sua atenção e paciência.)

 

http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/serangoon-road-tv-serie-episodios-8 e 9

 http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/serangoon-road-tv-serie-10 episodio

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publicado às 12:37



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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