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« Alentejo, Meu Alentejo»

por Francisco Carita Mata, em 07.10.17

«ALENTEJO, MEU ALENTEJO»

 

Original DAPL 2016 Primavera Alagoa.jpg

 

«Alentejo, meu Alentejo!

(boca fechada) mmmmmm

 

Alentejo dos loiros trigais

Onde os ceifeiros cantam madrigais

Alentejo, planura sem fim

Que, todo, cabes dentro de mim

 

Mais do que a neve da serra

Mais do que a espuma do mar

O Alentejo é brancura

À luz branca do luar.

Solidão do Alentejo

Fontes, cruzeiros e alminhas

Cantam rolas e cigarras

No silêncio das tardinhas!

 

O pastor do Alentejo

Encostado ao seu cajado

Vai namorando a campina

Que é a mesa do seu gado!

Olhos vagos e profundos

Num sonho distante imersos

Há neles mais poesia

Do que num livro de versos.

 

Alentejo das debulhas

Das ceifas e dos montados

Dos ranchos de mondadeiras

Fiéis aos seus namorados

E do cavador tisnado

P’lo sol quente do meio-dia

Rude, branco e altivo

Fiel à sua Maria!

 

Alentejo dos sobreiros

Azinheiras e olivais

Alentejo, minha terra,

Eu quero-te sempre mais.

Alentejo das searas

Em Abril a ondular

E das chaminés branquinhas

Ao sol posto a fumegar.

 

Dos tarrinhos de cortiça

Das samarras e safões

Dos pastores e dos morais

Dos manajeiros e ganhões,

Símbolos deste Alentejo

Que eu pra bem poder cantar

Hei-de beijar a planície

De joelhos a rezar.»

 

Exibiu-se no rancho de Aldeia em 1960.”

 

Original DAPL Alentejo 2017.jpg

 

Notas explicativas:

Mão amiga fez chegar no ano passado, 2016, um conjunto de “cantigas” impressas em duas folhas A4, às mãos de D. Maria Belo. “Cantigas” essas que faziam parte do espólio de Srª D. Maria Águeda, distinta Professora Primária, natural de Aldeia da Mata, que exerceu o Magistério em Vila Viçosa, terra natal da célebre Florbela.

Além de “ALENTEJO, MEU ALENTEJO”, nesse conjunto, incluem-se ainda:

“O sino da nossa Aldeia”, “As moças da nossa Aldeia”, “Namoro”, “Marcha de Aldeia”, “Festa de Aldeia”, “Cantigas das nossas ruas (desafio)”, “Balada de Aldeia”.

Estas cantigas eram precisamente para serem cantadas e foram exibidas “no rancho em Aldeia da Mata no Verão de 1960”.

Esta publicação e divulgação no blogue é também uma homenagem e tributo de amizade e de consideração pela estima mútua.

 *******

As fotografias são originais de D.A.P.L., de campos alentejanos, na Primavera, de 2016 e de 2017. A primeira tem como fundo a aldeia de Alagoa e a segunda foi tirada perto de Monforte.

 

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publicado às 22:06

«ESCUTA!...»

por Francisco Carita Mata, em 07.10.17

POESIA de João Guerreiro da Purificação.

Original DAPL. 2016. jpg

 

 

«ESCUTA!...»

 

«Se à Bíblia deres razão

Muda a tua vida de vez

Não faças que a tua mão

Veja o bem que a outra fez.

 

Se tu pousares com amor

A mão num ombro qualquer

Não toques sino nem tambor

Que tal bem morre ao nascer.

 

Se levares pela mão

Alguém em rude caminho

Não digas ao teu coração

Nem fales disso ao vizinho.

 

Se houver alguém que te pise

Ou te der algum encosto

Desculpa-te com um sorriso

Com esse, do pé mal posto.

 

Se tens arestas como picos

Lima-os todos muito bem

Não se virem os malditos

E te piquem a ti também.»

 

In.

III ANTOLOGIA de POESIA CONTEMPORÂNEA, 64 autores, coordenação de Luís Filipe Soares, 1986. Minigráfica, Lisboa.

 

Original DAPL Aldeia Igreja Araucária 2017jpg

 

Notas Finais:

Conforme mencionara em post anterior, prossigo na divulgação de Poesia de Pessoas da Aldeia, de que eu tenho conhecimento.

Supracitado, está o Srº João Guerreiro da Purificação, (10/07/1927 – 17/12/1997), que dispensa apresentações e que tive o grato prazer de conhecer e de conviver, como a grande maioria dos Matenses.

Segundo julgo saber, esta “III Antologia de Poesia Contemporânea” foi o 1º livro em que o Srº João participou, tendo também ainda publicado, nessa Antologia, “INIMIGOS”.

 

(Nesta mesma Antologia também participei. Com: “UM QUADRO” e “CAVALO DE FERRO”, que já figuram no blogue.)

 

No domínio das Antologias, que seja do meu conhecimento, ainda participou na “IV ANTOLOGIA de POESIA CONTEMPORÂNEA”, 80 autores, coordenação de Luís Filipe Soares, 1987; Minigráfica, Lisboa.

Deu a conhecer: “E FOI ASSIM” e “QUADRAS SOLTAS”.

 

(Nesta Antologia não participei. Mas tenho um exemplar autografado, que me foi oferecido pelo Srº João.)

(Relativamente a estas Antologias, não posso deixar de frisar o trabalho altamente meritório de Luís Filipe Soares, que neste domínio conseguiu sempre um crescendo de adesões, pois a “V Antologia de Poesia Contemporânea”, de Fev. 1988, conseguiu 97 Autores!

No final desse mesmo ano, Nov. 1988, “estranhamente”, surgiria uma outra Antologia intitulada “I Antologia de Poesia Contemporânea”, coordenada por um dos participantes na V Antologia de Poesia Contemporânea, já referida.) (!!!???)

 

No concernente ao Srº João Guerreiro da Purificação, frise-se que ainda veria, em vida, a publicação das suas Poesias, em livro de sua autoria: “ANTA”, Aldeia da Mata - 1992; Gráfica Almondina, Torres Novas. Com “Apresentação” de Srª D. Maria Aires, impulsionadora da publicação deste trabalho, como o próprio frisa na “Introdução”: “Encorajou-me de tal maneira que consegui levar por diante esta sua lembrança.”

 

Seria ainda publicado de sua autoria, embora já não em vida, um outro livro versando “As tradições da nossa Terra… o que foi a Grande Sabedoria Popular da nossa Terra”, conforme, de algum modo, sugerira na “Introdução” do mencionado “ANTA”.

Intitula-se “A nossa terra”; “2000, Há Cultura. Criação e Produção de Eventos Culturais, Lda. / Associação de Amizade à Infância e Terceira Idade de Aldeia da Mata”; Colecção Patrimónios; Lisboa.

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As Fotografias são originais de D.A.P.L., de 2016 e 2017, de locais emblemáticos de Aldeia e de algum modo sugestionados pelo conteúdo do texto, numa interpretação sempre livre e pessoal.

A primeira reporta-se ao "Vale de Baixo"!

A segunda é por demais evidente.

(Foi nesse caminho que se situou um das metas do extraordinário evento de "Orientação", ocorrido em Fevereiro transato.) 

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publicado às 21:37

« “Mendigo do Ideal”»

por Francisco Carita Mata, em 26.09.17

« “Mendigo do Ideal”»

 

«Em outras eras, quando adolescente,

das Hostes do Ideal eu fui soldado,

Vida…fraternidade…amor…dourado

tudo eu via, sob luz’resplandecente…

 

Tudo…terra…água…’strelas…sol ardente…

Tudo, tudo eu amava, enamorado…

Ah! Frente à Natureza, extasiado,

Eu tive orações místicas de crente.

 

O Tempo andou…Com dolo e vil traição,

Os Batalhões do Mal, em elo forte,

Avassalaram o Ínclito Pendão.

 

De então, a alma em farrapos, no temporal

da Vida, aos baldões, mísero, sem norte,

Em vão esmolo o Reino do Ideal.»   

 

«Luanda, Dezembro de 1948

JoCris»

 

 

In.:

- Jornal “A MENSAGEM”, Setembro 2013, “Lembrando…” pag. 10.

- “TESTEMUNHOS de José Cristóvão Henriques (Engenheiro - Silvicultor)”; Junta de Investigações Científicas do Ultramar – Lisboa – 1981; (Edição de iniciativa de suas irmãs, Drª Piedade da Rosa Cristóvão e Drª Rita Florinda Cristóvão, que tomaram a seu cargo os custos da respetiva publicação.)

 

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Notas Finais:

Este soneto “encontrei-o” no supracitado Jornal “A Mensagem”. Decidi publicá-lo no blogue, no enquadramento de divulgação de “Poesia” e cumulativamente dar a conhecer trabalhos de e sobre Aldeia. Divulgarei outras Pessoas e Poesias, em idênticos enquadramentos.

Posteriormente, foi-me oferecido, pela Srª D. Belmira, o livro citado. A quem, publicamente, agradeço, pois a obra é muitíssimo interessante, versando fundamentalmente assuntos de silvicultura, especialidade de engenharia do mencionado senhor, que eu desconhecia completamente.

(Nasceu em Aldeia da Mata, a 8 de Dezembro de 1917 e aí viveu até aos sete anos. Aos 10 anos, foi para Lisboa - 1927. Em 1935, entrou no Instituto Superior de Agronomia, tendo concluído o curso já referido, em 1940. Em 1946, passou a exercer as funções de engenheiro – silvicultor em Angola, onde trabalhou; para além de Portugal Continental, Moçambique e Timor. Pertenceu aos quadros profissionais da Direção-Geral de Economia do Ministério do Ultramar, de 1961 a 1975.

Faleceu em 4 de Abril de 1976, com 58 anos, não sei em que localidade.)

 

Ilustro com foto original de DAPL – 2017, de paisagem de Aldeia, junto à "Fonte das Pulhas" que, de algum modo, nos poderá reportar para o “Idealismo” subjacente ao soneto e para paisagens possivelmente vislumbradas pelo Autor. No recorte do horizonte, os montados de azinho...

 

IMG 2016. Original DAPL.jpg

 (Foto original DAPL - 2016.)

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“Vi a luz numa pequena aldeia rural, toda alvacenta e em eterno namoro com montados de sobro e azinho e olival. Os contrafortes cinzentos da serra de S. Mamede…”

In. supracitado livro: “TESTEMUNHOS…” pag. 53

 

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Rua do Norte  - Fundão. Original FMCL.jpg

(Imagem de Rua Larga, ou do Fundão ou do Norte, que me lembram todos estes nomes da Rua. Original de FMCL - meados dos anos oitenta.)

(Esta "imagem" da Aldeia poderá ter sido "visualizada" pelo Autor do soneto, nos anos vinte, quando viveu na "aldeia... alvacenta...". Com excepção dos postes da luz, que só foi inaugurada nos finais dos anos cinquenta; da roseira, à porta da D. Dolores e da própria, que seria jovem à data, anos vinte do século vinte.)

 

 

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publicado às 19:28

“Portugal “O” Meeting – 2017”

por Francisco Carita Mata, em 28.02.17

ALDEIA da MATA

25 Fevereiro 2017 – Sábado

(Ou como uma ida aos espargos se converteu numa observação “participante” de um acontecimento desportivo mundial.)

 

in. sportlife..jpg (in. opraticante.pt/)

 

Nestes dias finais de Fevereiro, 25 a 28, tem estado a decorrer no Alto Alentejo, concelhos de Alter do Chão, Crato e Portalegre, um evento do Desporto designado “ORIENTAÇÃO”, palavra, para mim, tão carregada de significações.

 

Inesperadamente, para muita gente, de surpresa, viu-se a Aldeia envolvida, “invadida”, tomada, por este evento desportivo extraordinário, que nos dias 25 e 26 decorreu em Aldeia da Mata. No povoado e nos campos limítrofes.

 

Apenas presenciei uma parte do acontecimento, não em todas as suas vertentes, nem em todos os espaços em que decorreu, mas pude observá-lo naqueles locais, que, habitualmente, frequento. E quero realçar que gostei, não direi muito, mas muitíssimo, do que pude observar e, de algum modo, vivenciar.

 

Antes de tudo o mais, realçar algo extraordinariamente positivo. Na sequência e no decurso do acontecimento e após a sua finalização, em todos os espaços que percorri, observei algo que raramente acontece nos variados eventos, espetáculos, acontecimentos, que ocorrem por esse Portugal e mesmo no dia-a-dia das localidades portuguesas.

Neste evento, não constatei uma “gota” de lixo por lugar algum dos que eu tenha observado e percorrido.

Esperemos que acontecimentos destes, com esta envergadura ou noutra escala, se venham a repetir!

 

Foi extraordinariamente belo, ver, campos, por onde não aparece vivalma, percorridos por pessoas de todas as idades e condições, homens e mulheres, jovens e velhos, crianças e adolescentes e das mais diversas nações, de todo o Mundo, dando cor e movimento, a terrenos onde só as ovelhas e bezerros pisoteiam e estrumam todo o ano.

E praticando DESPORTO!

 

in. o praticante.pt.jpg

 (in. sportlife.com)

 

Nessa manhã e tarde de sábado, ausentes os animais, as Tapadas das Freiras, do Rescão, das Cegonhas, da Lavandeira, o Chão Grande, ganharam outros habitantes, que os humanos raramente as frequentam. (Alguns caçadores, na respetiva época, alguns colhedores de espargos ou túberas, no seu tempo devido.)

 

Tapada do Rescão - Original DAPL 2016.jpg

 

Quando chegaram os primeiros corredores, já eu havia executado uma das tarefas que vinha delineando desde o ano passado.

 

“O que são os espargos?”, me interrogou um português, que acompanhava o filho e a filha, participantes na corrida.

 

Foi um espetáculo divertido e reconfortante ver, tanta gente e tão colorida, descendo e subindo os alcantilados destas terras com passagem obrigatória pela Ponte do Salto e respetiva Fonte.

 

Fonte Salto Original DAPL 2015.jpg

 

Es potable?”, me perguntou um jovem, sobre a água refrescante, enquanto eu enchia um garrafão.

Lá bebeu e terá ido mais reconfortado.

 

A Fonte, onde havia um posto de controlo, terá ficado intrigada com tão inusitado movimento, há anos que debita, quase inútil, mas persistente, a excelente água que produz, desligada da indiferença dos conterrâneos!

Já mais pela tarde, uma senhora descia do Caminho da Arca da Fonte, talvez um pouco desorientada, um contrassenso numa prova de orientação, me questionou, aflita:

“- Onde fica a ponte? Onde fica a ponte?”

E a Ponte ali, tão perto… E lá seguiu, agradecendo muito.

 

Salto Original DAPL 2015.jpg

 

(E, a propósito da Ponte, sobre que por vezes se refere a sua provável, possível, hipotética, antiguidade, sabe que nas “Memórias Paroquiais”, tanto nas de 1747, como nas de 1758, não vem qualquer referência à Ponte?!)

 

Nunca, os Caminhos, do Salto, da Arca da Fonte; as Azinhagas, do Porco Zunho, do Poço dos Câes, a Azinhaga Estreitinha, foram tão movimentados, nem nos tempos em que os campos eram a base da sustentação do povoado, nem sequer quando, crianças e adolescentes ainda brincavam por tapadas, caminhos e ribeiras.

 

Igreja e araucária - Original DAPL 2015 (1).jpg

 

Junto ao Adro de São Martinho se estruturava a chegada dos atletas.

Igreja, torre sineira, araucária, ter-se-ão questionado sobre o porquê de tanto movimento inusitado.

 

Até a amendoeira, que tem história, gostaria de ter presenciado a ocorrência umas semanas antes, no início do mês, quando ainda estava florida!

 

Amendoeira florida - Original DAPL 2015 (2).jpg

 

Nas ruas só se viam essencialmente estrangeiros, uma verdadeira Babel instalada no povoado, o barulho característico das molas dos sapatos próprios para estas corridas!

Pena que o entrave da Língua, não tenha proporcionado uma maior interação.

Terminado o evento, resta-nos o silêncio das casas abandonadas ou de segunda estadia e a Lembrança e a Saudade dos ausentes.

 

Rua do Norte  - FMCL - anos 80.jpg

 

Na estrada até à ponte da Ribeira das Pedras estava todo o lado nascente da via, com carros estacionados. Não como nesta imagem!

 

Aldeia Original DAPL 2014.jpg

 

Não tirei qualquer foto do evento, por várias razões.

Primeiro, tenho sempre alguma relutância em fotografar pessoas e divulgar na net. Mas já abri exceções!

Segundo, estou de mal com o telemóvel.

E, terceiro, a minha colaboradora do blogue e que me documenta e fornece o acervo fotográfico, estava ausente.

Mas é precisamente desse acervo e dessa prestimosa colaboração que me sirvo para documentar este post. Para além de uma foto minha, já antiga, que digitalizei.

 

E este post, além de documental é também um convite, a si que nos brindou com o seu colorido, o seu entusiasmo atlético e desportivo, nos campos e ruas de Aldeia…

E que, preocupado com o mapa, para onde olhava permanentemente, para a localização dos pontos cardeais, eventualmente buscando a direção do sol, e principalmente a localização dos postos de controlo, preocupado em registar com o aparelhómetro no dedo…

Para si, que não olhou, nem observou a beleza destes campos, nem destas ruas e singelos monumentos…

Para que nos visite com mais calma, sem correrias, nem pressa de chegar, ou de ser o primeiro…

E aprecie estes belos campos, que a partir de Março atingem todo o seu esplendor, glorificando a Primavera, explodindo em Maio.

Numa apoteose de cores e perfumes e sinfonia de rouxinóis.

 

Maio Original DAPL 2014.jpeg

 

 

(Bem sei que você não lê Português…

É pena!

Pode ser que ainda consiga traduzir este excerto…)

 

E, para si que é Conterrâneo, que é Português.

Lembre-se do que frisei no início.

Este pessoal não deixou lixo nos terrenos!

Então, porque deixar lixo nos caminhos velhos, nas bermas da estrada, nas margens da Fonte, no leito da Ribeira do Salto ou de outra qualquer, arremessado para debaixo da Ponte?!

Porquê?! Porquê?!

 

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Deixo alguns links, se quiser aprofundar mais sobre o evento.

Agradeço as imagens que tomei a liberdade de retirar de sites alusivos à ocorrência.

http://pom.pt/2017/en/apresentacao/

http://pom.pt/2017/en/2017/02/20/final-bulletin/ 

http://pom.pt/2017/en/2017/02/26/day-1-video/

http://pom.pt/2017/en/252-middle-distance/

http://pom.pt/2017/en/262-long-distance/

http://news.worldofo.com/2017/02/26/portugal-o-meeting-2017-day-1-2-maps-and-results/ 

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publicado às 14:10

“Momentos de Poesia - Historial”: Poesias e Prosa (?)

por Francisco Carita Mata, em 24.01.17

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“BEM HAJAM!”

“MEU ALTO ALENTEJO” - “EM BUSCA DE MIM” - “OUVE!!!”

  “MINHAS TRANÇAS MORENAS”

 

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Alentejo Entardecer Foto original DAPL 2016.jpg

 

 

Preâmbulo:

 

Volto à divulgação de textos de poesia e de prosa (?), a partir de publicações editadas no âmbito de “Momentos de Poesia”.

Selecionei textos de “Momentos de Poesia - Historial e Poesia e Prosa de 48 Autores”, 2016.

Sendo que, habitualmente, de outros autores tenho divulgado textos poéticos. Neste post, todavia, inicio com um texto em prosa. Mas será exclusivamente um texto prosaico? Lerá, caro/a leitor/a, com atenção, se faz favor, e nele encontrará muita poesia.

Por outro lado, este texto explica-nos, de forma muito poética, o contexto e o móbil de “Momentos de Poesia”. E um dos seus enquadramentos temáticos: “…o nosso amado Alentejo!

Deste modo, e muito merecidamente, é ele que tem honras de abertura deste post, em que retorno à divulgação de Poesia de “Outros Poetas e Poetisas”.

Não tendo o texto um título, resolvi atribuir-lhe um, que sintetiza também o meu desejo face a todos os Antologiados: Bem hajam!

 

 

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“BEM HAJAM!”

 

 

"Quando há uns anos, a professora Deolinda solicitou o meu contributo para musicar um poema de sua autoria, que viria a ser o hino dos “Momentos de Poesia”, estava longe de saber (… santa ignorância…) que um grupo de pessoas de caráter altruístico dedicava a sua poesia ao arrebatante Alentejo!

Desde então, sempre que possível, assisto às tertúlias mensais promovidas pelos “Momentos de Poesia” que se revelam um bálsamo para a alma, uma elevação para o espírito. É, também, um espaço onde se declama a poesia dos consagrados! Também se dá voz ao repentista, ao anónimo poeta, a todos aqueles que de alguma forma contribuem para o enriquecimento destes encontros, sem pretensão de qualquer espécie.

A entoação da estrofe embala o coração, o recitar do verso inebria os sentidos, cada poema aviva as lembranças de uma infância feliz, pautada por dias amenos e fervilhantes das coloridas primaveras.

Vem à memória o canto simples do “papafigo” e a soberba melodia do rouxinol que, debaixo da frondosa sombra dos castanheiros, eu tentava imitar quase sempre sem êxito! Trepar às árvores para espreitar os ninhos, ou para vigiar uma vintena de cabras sempre em movimento, tinha como consequência a reprimenda da mãe, olhando com desespero para as calças rotas no joelho, ou o rasgão na camisa provocado pelo inoportuno galho!

Já não temos o Alentejo de outrora, derruído pelo tempo, quase votado ao ostracismo. As suas casas rasteiras, brancas, de largas chaminés, dão agora lugar às modernas construções para incrementar um turismo forte e atrativo, dizem uns, à descaraterização da secular paisagem, dizem outros. Mas, tudo se vai transformando, já se vislumbra, ainda que de forma ténue, a recuperação de velhas casas respeitando a sua traça.

Cantemos pois os versos dos nossos poetas, dos “Momentos de Poesia” que com sensibilidade e abnegação elevam sempre o nosso amado Alentejo!

 

Bem hajam!”

 

João Banheiro

 

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“MEU ALTO ALENTEJO”

 

“Oh! Meu Alentejo – meu Alto Alentejo,

Minha terra querida que me viste nascer!

Revivo em ti, instantes que pude viver

Num tempo de ouro – tu meu melhor ensejo.

 

Meu Alto Alentejo – minha casa amada

Meu canto sagrado – meu amparo e vida!

És sempre p´ra mim, a terra mais querida:

- Cidade ou campo, como és sempre adorada.

 

Oh! Como me sinto bem, estando aqui!

E sinto-o cada vez mais, morando em ti

Minha amorosa mãe, e minha saudade.

 

Sei que vou voltar a teus braços – querida!

Esses que encantam todos os meus sentidos

Cada vez mais e mais, a minha verdade.”

 

José Branquinho

 

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“EM BUSCA DE MIM”

 

“Quem me dera voltar atrás

Àquela terra longínqua

Que talvez não passe de imaginária…

Lá veria o tempo passado e futuro

Filme sem palavras… mudo…

Abraço-me e sinto-me palpitar

Mas o que quero, não é o que sinto

E o que sinto, não sei contar

Então meus olhos fecho

Não quero que os vejam chorar

Eu que nasci por vulgar acaso

Pertenço ao signo do ar

Onde os deuses me tocam ao esvoaçar

E buscam como eu lugares para recordar

Dias perenes de felicidade

Tempos passados, lembrados

É assim que sinto e sei

Ao sentir que aqui não pertenço

Então pergunto a mim mesma

Vou para onde?”

 

Maria Helena Freire

 

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“OUVE!!!”

 

“Ouve-me aí, no longe.

Deixa-me falar-te de mim,

das cores do Tempo,

dos cheiros da cozinha aquecida,

dos mistérios da minh’alma.

 

Ouve-me aí, no longe.

Sem respostas,

sem críticas,

sem reservas,

sem receios.

 

Ouve-me aí, no longe,

acolhendo as palavras que calei

tempo demais…

 

Ouve-me aí, no longe,

nas palavras doridas e possíveis

eternamente adiadas…

 

Ouve-me aí, no longe.

E guarda o segredo que te digo!”

 

Maria Luísa Moreira

 

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“MINHAS TRANÇAS MORENAS”

 

“Às minhas tranças morenas

Chamaste lindas, um dia;

A quantas loiras pequenas,

Brancas como açucenas

Chamas Sol do meio-dia?

 

Estas tranças que dizias

Serem a vida p’ra ti

Indomáveis e bravias,

Caem p´los ombros vadias

Desde o dia em que te vi.

 

Já as não sei pentear

Nem arranjar como dantes;

Não vale a pena tentar,

Está longe o teu olhar

Nessas paragens distantes.

 

Pobres tranças, coitadinhas…

Por certo foram s’quecidas;

Se assim não fosse… tu vinhas.

Tristes delas… pobrezinhas

Qu’as ondas têm perdidas.

 

Bem m’importo eu já com elas,

Sejam ásp’ras ou serenas…

Se tu já não podes vê-las,

Nem dizer-me: - “São tão belas

As tuas tranças morenas.”

 

Teresa Helena Pascoal

 

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In. “Momentos de Poesia Historial (e Poesia e Prosa de 48 Autores)”, 2016.

Autora: Deolinda Milhano, Portalegre.

 

 

 Foto original de D.A.P.L., 2016 - Alentejo (Alto), ao entardecer / pôr do sol. Aldeia da Mata ("Fonte das Pulhas").

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publicado às 18:29

Quadras Tradicionais VI

por Francisco Carita Mata, em 03.12.16

Artemísia - "Altemira" - Foto original DAPL 2015.jpg

 

“Cantigas ao Desafio”

/

Cantigas de Amizade

 

“És baixinha e redondinha

Ligeira no andar

Quando nos encontramos

Temos sempre que conversar.

 

Já cantei uma cantiga

Com esta já lá vão duas

Eu peço à redondinha

Que me cante uma das suas.

 

Já que me pedes que eu cante

Vou-te fazer a vontade

Eu não sei que graça tem

Ouvir cantar quem não sabe.

 

Cantas bem, não cantas mal

Cantas assim como a mim

A mestra que te ensinou

Também me ensinou a mim.

 

O cantar não é da arte

Da geração se procura

O cantar é a memória

Que Deus dá à criatura.

 

O cantar da meia-noite

É um cantar excelente

Acorda quem está dormindo

E alegra quem está doente.

 

Para cantar e bailar

É que meu pai me criou

Sou ‘alegria da casa

Enquanto solteira estou.

 

Quero cantar e bailar

Quero ser a’divertida

Quem sabe d’hoje a um ano

Se eu ainda serei viva.

 

Vai de roda, cantem todos

Cada um, sua cantiga

Que eu também canto a minha

Que a mocidade me obriga. *

 

Eu cantando me divirto

Qualquer coisa me entretém

Assim vou passando o tempo

Sem ter amor a ninguém.

 

Não canto por bem cantar

Nem por belas falas ter

Canto só para quebrar olhos

A quem não me pode ver.

 

Acabaste de cantar

Agora começo eu

Começa o meu coração

A dar combate ao teu.”

 

*******

Notas Finais:

 

1 – Estas cantigas foram recolhidas por uma Senhora de Aldeia da Mata, neste Outono de 2016, e que nos pediu o favor de não divulgarmos o respetivo nome.

2 – Como pode verificar, já vamos no sexto conjunto de “Quadras Tradicionais” e temos vindo a alargar o leque das respetivas Fontes.

3 – A Senhora designou-as precisamente por “Cantigas ao Desafio”, conforme de facto o eram. Subintitulei-as como “Cantigas de Amizade”. Porque elas são um Hino à Amizade!

Uma memória dos que ainda estão connosco e lembrança dos que já se ausentaram. Que para esses também se reporta a nossa estima e recordação.

4 – Estas são tipicamente de “Cantigas ao Desafio” e a respetiva sequência, organizada pela Senhora, induz-nos precisamente nessa metodologia de cantar.

Quando os grupos das raparigas e de rapazes cantavam, fosse nos arraiais, nos bailes, em lazer; ou no trabalho, nos ranchos das azeitonadas ou noutras atividades campestres, quando os trabalhos eram quase totalmente manuais. Também nas idas e vindas para e do campo, nos trabalhos diversos, conforme já mencionei em “Quadras Tradicionais IV”.

5 – A 1ª “cantiga” é original da mencionada Senhora, como forma de introduzir o “Desafio” com D. Maria Belo, em quem se inspirou.

6 – Da nona “cantiga” / quadra, D. Maria Belo apresentou-nos uma outra versão. Situação corrente nestas “cantigas”, em que, por vezes, são apresentadas versões ligeiramente diferentes, conforme também constatámos na Revista “A Tradição”.

*

“Vai de roda, cantem todos

Cada um, sua cantiga

Primeiro é a do rapaz

Segundo a da rapariga.”

 

7 - E, para finalizar, espero que tenha gostado!

8 – Mais uma vez, ilustro com uma foto original de D.A.P.L., obtida no “nosso quintal”, em 2015.

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publicado às 15:48

Quadras Tradicionais V

por Francisco Carita Mata, em 18.10.16

Laços

 

Pôr do Sol Fonte das Pulhas Original de DAPL 2016

 

Pontos Prévios:

Voltamos à “Poesia Tradicional”, como referi no post anterior.

E cabem uns breves esclarecimentos.

Quando escrevo “voltamos”, friso que a expressão verbal não se enquadra no célebre “plural majestático”.

Escrevo no plural, porque neste trabalho há a participação de várias Pessoas:

- As Pessoas que fizeram a recolha das “cantigas”, referenciadas no final de cada grupo de quadras.

- A Autora das fotografias que ilustram o post.

- Para além do/a Caro/a Leitor/a, que tem a amabilidade de nos visitar. E ler!

E vamos às Quadras.

Laços, porque são laços que nos unem a todos: de Família, de Amizade, de Estima.

 

Rosas do nosso quintal Foto original DAPL 2016.jpg

 

*******

 

Eu não quero mulheres com poupa

Nem em casa mando entrar

Não quero que venha o cuco

Atrás da poupa a cantar.

 

Na Rua de Santo António

Não se pode namorar

De dia, as velhas à porta

De noite, os cães a ladrar.

 

Quando eu era pequenina

Usava fitas e laços

Agora que sou casada

Uso os meus filhos nos braços.

 

Quando eu era solteirinha

Usava sapato branco

Agora que sou casada

Nem sapato nem tamanco.

 

Quando eu era pequenina

Ainda não comia pão

Davam-me os moços beijinhos

Agora já mos não dão.

 

Ó papo-seco

Que levas no cabaz

Peras e maçãs

Para dar ao meu rapaz.

 

Não ponhas nem disponhas

Loureiro ao pé do caminho

Todos passam, todos colhem

Do loureiro um raminho.

 

Minha mãe mandou-me à mestra

Aprender o bê – á – bá

Minha mestra me ensinou

A beber café com chá.

 

Andas vestido de azul

Andas à “inestidade”

Andas ao gosto do mundo

Andas à minha vontade.

 

Quem me dera, dera, dera

Estar sempre a dar a dar

Beijinhos ao meu amor

Abraços sem descansar.

 

 

(“Cantigas” / Quadras coligidas por D. Maria Belo.)

 

*******

 

Se fores lavar ao rio

Lava na pedra do meio

Se ouvires cair pedrinhas

Apanha-as, mete-as no seio.

 

Amor com amor se paga

Porque não pagas amor?

Vai pagar à tua amada

Não sejas mau pagador.

 

(“Cantigas” / Quadras coligidas por D. Isabel Caldeira.)

 

*******

 

Eu tenho um chapéu branco

Para à noite namorar

O chapéu vai-se romper

E o namoro acabar.

 

Eu amei um António

Agora amo um João

Também o vento se muda

Do Norte para o Soão.

 

O comboio da Beira Baixa

Tem vinte e quatro janelas

Mais abaixo, mais acima

O meu amor vai numa delas.

 

(“Cantigas” / Quadras coligidas por D. Maria da Costa.)

 

*******

 

Eu venho de lá tão longe

À fama destes barulhos

Pensava que eram bolotas

Encontrei-me com cascabulhos.

 

(“Cantiga” / Quadra coligida por D. Maria Constança.)

 

(“Recolha” efetuada em 2016 – Aldeia da Mata.)

*******

Fotos originais de D.A.P.L.

Pôr do sol, na Fonte das Pulhas.

Flores do nosso quintal.

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publicado às 13:39

Quadras Tradicionais IV - “Cantigas” de Amor e Desamor!

por Francisco Carita Mata, em 22.08.16

“São saias, meu bem, são saias…”

 

Preâmbulo:

Voltamos, no blogue, à Poesia.

À Poesia popular e tradicional.

 

Malva Rosa - Foto original DAPL 2016.jpg

 

“São saias, meu bem, são saias

São saias que andam na moda

Cautela-te amor, não caias

Que as saias não têm roda.

 

Gosto de ouvir cantar

Moças da fala toeira

Quando chegam aos arraiais

São as que ganham bandeira

 

Amar e saber amar

Amar e saber a quem

Amar a luz dos teus olhos

Não ter amor a mais ninguém.

 

Janelas avarandadas

Mora lá algum doutor

No caminho me disseram

Que era a mãe do meu amor.

 

Ó minha mãe, minha mãe

Ó minha mãe, minha amada

Quem tem uma mãe tem tudo

Quem não tem mãe não tem nada.

 

Eu gosto de ti, não sei

Não sei se isto é gostar

Sei que me sinto feliz

Quando te ouço falar.

 

Foste dizer ao meu pai

Que eu andava a namorar

O meu pai te respondeu

Que a inveja faz falar.

 

Foste dizer mal de mim

Ao rapaz que me namora

Se muito me queria antes

Muito mais me quer agora.

 

Malva rosa, malva rosa

Malva rosa sem ter pé

Quem te disse, ó malva rosa

Que o meu amor era José.

 

Maria, Isabel e Ana

Rosa, Teresa, Rosalina

Júlia, Josefa, Damásia

Antónia, Bernarda, Jaquina.

 

Francisco, por ti me arrisco

Por ti perco o meu valor

Se foras padre Francisco

Eras o meu confessor.”

 

 

NOTAS:

Estas quadras ou “cantigas” populares eram cantadas nos bailes e arraiais de Aldeia da Mata, nos anos quarenta, ainda nos anos cinquenta, do século XX, pelas raparigas, segundo a “moda e o estilo das saias”.

Os arraiais eram no meio da rua: Largo do Terreiro; no “Santo António”, perto da Cruz; à porta da Ti Rosa Bela.

Havia pessoas que cantavam muito bem: a Joaquina Amélia, a prima Rufina também cantava bem e, noutro tempo, também a Ti Natália cantava muito bem.

Nos arraiais habitualmente só se cantava. Umas cantavam melhor, outras pior.

Também cantavam ao desafio.

 

Os bailes eram feitos nos salões.

Nos salões eram fundamentalmente os tocadores de concertina que estruturavam os bailes.

Os salões que havia nessa época eram:

O Salão Martinho – era na Estrada Nova.

O Salão Trindade – era na Rua da Travessinha.

Nos bailes nos salões também se cantavam estas “cantigas”, nos intervalos em que descansava o tocador.

 

Havia também a “Sociedade”, que era para os “Mestres” e para as raparigas convidadas, era para as pessoas “consideradas mais finas”.

Na Sociedade também tocavam a grafonola.

 

E também se faziam bailes nas casas particulares, a que iam tocadores de harmónio.

Na Aldeia, os tocadores de harmónio, na época, eram: o Mestre Alfredo, o Ti Joaquim Branco, o Ti “Chanfana”.

 

Estas quadras, “cantigas”, eram fundamentalmente cantadas pelas raparigas, embora algumas pudessem ser cantadas indiferentemente por rapazes e raparigas.

Os rapazes cantavam outras.

E também cantavam ao desafio.

O Srº Manuel Mendes também cantava muito bem.

 

As raparigas também cantavam estas quadras / “cantigas”, quando andavam a trabalhar, tanto no campo, como em casa. E mesmo sem se estar a trabalhar, estando a conviver.

No campo: na azeitona, na monda, nas desfolhadas. E no caminho da ida e volta do trabalho também se cantava.

 

Toda esta recolha de “cantigas”, bem como estas informações, foram prestadas por D. Maria Belo Caldeira (04/11/1928).

 

Foto original de D.A.P.L. – “Malva Rosa” – 2016.

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publicado às 13:35

“DIA da MÃE” – Quadras Tradicionais II

por Francisco Carita Mata, em 30.04.16

Quadras de Amor e Saudade

 

Neste "Post" evocativo do “Dia da Mãe”, que importa se ainda publicado em Abril, se os “Dias da Mãe” são todos os dias?!

É ele constituído por “Quadras Tradicionais”, e Fotos Originais, e dedicado a todas as Mães, sendo ou não biológicas. A todas as Mães de Afeto.

À nossa Mãe, à Mãe dos nossos filhos e filhas, à Mãe da nossa Mãe, à Mãe da Mãe dos nossos filhos e filhas, às Mães de todos e de cada um de nós. Às Mães ainda presentes e às Mães a que nos lembra o travo doce e amargo da Saudade!

 

Amendoeira florida Foto original DAPL 2015.jpg

 

Conjunto de Quinze Quadras

 

“A flor da amendoeira

É a primeira do ano

Também eu fui a primeira

Que te dei o desengano.”

 

“Os teus olhos não são olhos

São duas bolinhas pretas

Foram criadas ao sol

À sombra das violetas.”

 

“Não me atires com pedrinhas

Que eu estou a lavar a louça

Atira-me com beijinhos

Com que a minha mãe não ouça.”

 

“Logo pela manhã começo

A trazer-te no sentido

Ao meio dia não t’esqueço

À noite sonho contigo.”

 

“Oh, candeeiro da esquina

Alumia cá para baixo

Que o meu amor é baixinho

Às escuras não o acho.”

 

“És alto, metes figura

Meu amor pareces bem

Como a tua criatura

Para mim não há ninguém.”

 

“Não olhes para mim, não olhes

Que eu não sou o teu amor

Eu não sou como a figueira

Que dá frutos sem ter flor.”

 

Figueira Foto original DAPL 2015.jpg

 

 

“O cravo tem vinte folhas

A rosa tem vinte e uma

Anda o cravo em demanda

Pela rosa ter mais uma.”

 

“Até parece impossível

A salsa no mar secar

Mais impossível parece

O nosso amor acabar.”

 

“Tu é que és o lírio, lírio

Tu é que és a lealdade

À porta do cemitério

Acaba a nossa amizade.”

 

“Tenho um amor em Alter

Outro em Vila Boim

Outro em Aldeia da Mata

Esse não me esquece a mim.”

 

Aldeia Foto original DAPL 2015.jpg

 

“Em Flor da Rosa não há

No Crato não pode haver

Rapazes como os de Aldeia

Hão-de tornar a nascer.”

 

“Tenho dentro do meu peito

Ao lado do coração

Uma letra que diz

Amar-te sim, deixar-te não.”

 

“Já lá vai, já se acabou

O tempo que eu te amava

Tinha olhos e não via

Na cegueira que eu andava.”

 

“Todos me mandam cantar

Mas ninguém me dá dinheiro

Pensam que a minha garganta

É o fole de algum ferreiro.”

 

Quadras coligidas por D. Maria Belo Caldeira, Aldeia da Mata, 2016.

Fotos originais de D.A.P.L., 2015.

 

 

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publicado às 13:32

Tarde de CANTE no Feijó!

por Francisco Carita Mata, em 20.03.16

Saudades do Alentejo

 

Cante - Cultura - Cidadania!

 

Conforme divulguei em post de 16 de Março, realizou-se ontem, “Dia do Pai”, o espetáculo comemorativo do 30º Aniversário de “Associação Grupo Coral e Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó”, no CRF – Clube Recreativo do Feijó.

Uma comemoração aniversariante, em Dia também muito especial.

 

E, a propósito do Dia e da sua significação, e, no concernente ao Cante, se lhe atribuíssemos uma filiação, quem seria o Pai? Do Cante, diga-se. E supostamente tendo Pai, também terá Mãe. E quem será a Mãe?

Pois, penso não haver muita dúvida.

O Pai é o Alentejo! E a Mãe, pois, a Mãe é a Saudade! Não é o Cante irmão do Fado?! Atualmente até irmanados e perfilhados internacionalmente pela UNESCO, dando-lhes reconhecimento e foro de Cidadania Mundial.

O Pai do Cante é o “Alentejo” que, do dito, o espalhou também pela Grande Lisboa, com especial incidência na Margem Sul, e muito particularmente em Almada, Feijó!

 

Foto original DAPL Rosas no Feijó 2015.jpg

 

Alentejo que é sempre Aquém – Tejo! Geográfica e sentimentalmente e no plano identitário!

E de Identidade e de Sentimentos falamos, quando nos reportamos ao Cante.

E são sempre os Sentimentos que passam e perpassam e nos repassam de emoção, por vezes contendo as lágrimas, mas embargados por ela, quando escutamos as canções ou modas como são designadas, numa Sessão de Cante, num ambiente quente como o que se viveu na tarde passada, terminando já à noitinha. Que os Cantadores também sentem, e de que maneira! São os que mais sentem, ou não cantariam com a Alma e o Coração, como fazem!

Que até o tempo também sentiu, ouviu, escutando, aquelas vozes telúricas, se emocionou e não conteve as lágrimas. As ruas do Feijó estavam molhadas de comoção!

 

A Emoção, a Saudade, sempre a Saudade, a Nostalgia de tempos que muitos de nós vivenciaram mais pelas imagens e recordações das gentes que amámos, que, hoje, apenas lembramos, com Afeto, com Amor, com Saudade. Muito especialmente num dia dedicado aos Pais, que todos os dias o são!

Embora muitos de nós, ainda, tenhamos percorrido, trilhado, aqueles lugares, aqueles tempos, quanto mais não fosse, enquanto pastores, mesmo a tempo parcial.

Mas o Cante não é só Nostalgia. É também Alegria. Modas e cantares de trabalho e de festa!

 

Pelo Clube passaram as Cores do nosso Alentejo. A garridice das papoilas, o amarelo das searas da nossa memória.

Évora, Cidade, capital do Alto Alentejo, esteve bem presente, nas canções e no Grupo representativo. Misto. Etnográfico, compondo trajares e modas, de modos de vida que os nossos Pais e Mães usaram: pelicos, safões, calças de serrobeco, traje de mondadeira...

Palavras sábias do Mestre: “...É urgente dialogarmos com os novos Grupos...”

 

Sons místicos! Sons míticos! Ancestrais, quase religiosos, panteístas, quando o coro se empolga, transborda de sentimento, nos transporta a tempos de outros tempos, sem tempo, nem memória, porque intemporais, universais, comuns a toda a Humanidade, daí a categorização, quer se note ou não a sua importância...

 

E de Afetos e Sentimentos ainda falamos: de Amizade, Companheirismo, Camaradagem, nestes encontros de grupos corais, na troca de prendas e galhardetes, intercâmbio de modas. Nos agradecimentos a quem ajuda, a quem trabalha, que muito trabalho dá organizar estes eventos. Na felicitação ao Aniversariante. Momentos bonitos!

Até de apadrinhamento, à boa moda alentejana, diria portuguesa, também falamos. Que os Grupos Corais das Paivas e da Amadora apadrinharam, há trinta anos, o “Grupo de Cante do Feijó”! (Que, na minha modesta e irrelevante opinião, de leigo no assunto, a designação do Grupo precisaria de ser menos extensa...)

Estes dois Grupos não são etnográficos, pelo que trajam todos os elementos com o mesmo tipo de vestuário. O Grupo das Paivas tem a particularidade de se designar de “Operário”.

Sendo estes Grupos formados no contexto das migrações do Alentejo para a Grande Lisboa, a partir dos anos cinquenta do século XX, refletirão a composição sócio profissional inerente à zona onde estão sediados e aos locais de trabalho dos seus componentes.

Há certamente estudos feitos sobre o assunto.

(Em todos os Grupos também se nota uma caraterística comum, que é o nível etário elevado dos seus componentes.

Aliás, a assistência também é maioritariamente composta por cidadãos na 3ª idade ou próximos da mesma!)

 

Os Grupos, todos, etnográficos ou não, nos trouxeram lindas modas, em que também entoaram loas ao Amor, à Paixão, aos amores e desamores, à sublimação dos amores...

Às paisagens do nosso saudoso Alentejo, à neve que também cai na planície, quem não viu os campos transtaganos cobertos de neve, não tem uma experiência completa e inolvidável do mesmo... às flores, rosas, metáforas da Mulher. Recomendações e cuidados a ter na ida à fonte...

Foto original DAPL 2015 Fonte do Salto. Aldeia da Mata. jpg

 

A Poesia, sempre! Cada moda é sempre um Poema carregado de significações sentimentais. Por vezes mais particularmente. Num singelo e comovente Poema dedicado aos Pais. Noutro, peculiar, sobre “...a ceifeira de aço...”!

Na dedicatória e evocação de Poeta (Fialho de Almeida).

 

No confronto entre “ponto” e “alto”, no troar harmónico do coro, ecoando nas planuras de searas ondulantes, marulhando nos mares da “Charneca em flor!”.

 

E, para o final, o Grupo Anfitrião reservou-nos dois Grupos de Música Tradicional.

“Grupo de Trovas Campestres”, de Faro. (Há quem designe, sendo do Algarve, que os Algarvios são “Alentejanos destrambelhados”, cito.)

Quatro Artistas, trouxeram-nos a Alegria do Alentejo, sediada no Algarve!

Cantaram um “Hino ao Mineiro”, uma evocação sul-americana, reportando-nos para o Chile, de Allende?! (Merecia da assistência um outro escutar, mas já havia algum “destrambelhamento” entre o público, desculpa-se-lhes, que até se portaram muito bem, houve momentos de absoluto e cerimonial silêncio durante os outros cantares.)

Encerrou o “Grupo Comtradições”, da Cova da Piedade, com muita e muita Alegria!

E já muita gente dançava! Dançava!

Que para os participantes ainda haveria jantar.

E que bem que cheirava!

Cheiros de um tempo de outros tempos.

Cheiros que o tempo guarda!

 

Parabéns a todos os Participantes!

Parabéns a todos os Organizadores! E Colaboradores!

A todos os que trabalham na sombra para que estes Eventos sejam organizados e nos deleitem e emocionem com a sua Qualidade Artística.

Felicitações especiais ao Grupo Anfitrião e Aniversariante: “Associação Grupo Coral e Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó – Almada”!

(Grupo, além de Coral, também Etnográfico, documentando um memorial de trajares transtaganos, nas nossas recordações de infância e juventude.

Grupo que, aliás, teve a honra de abrir a Sessão com o brilhantismo que lhe é inerente e as vozes portentosas de que dispõe, também elas carregadas e emocionadas de Sentimentos!)

 

Foto original DAPL Almada Ginjal 2015.jpg

 

E, diga-me lá, se teve a simpatia de me ler até aqui, se Almada é ou não a Capital do Cante?

(Nota Final: Que acrescento, hoje, dia 21, Dia também tão especial.

As Fotos são originais de D.A.P.L. e reportam-se ao "meu Alentejo", que é sempre "Aquém - Tejo"!)

 

 

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publicado às 17:33


Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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