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« Alentejo, Meu Alentejo»

por Francisco Carita Mata, em 07.10.17

«ALENTEJO, MEU ALENTEJO»

 

Original DAPL 2016 Primavera Alagoa.jpg

 

«Alentejo, meu Alentejo!

(boca fechada) mmmmmm

 

Alentejo dos loiros trigais

Onde os ceifeiros cantam madrigais

Alentejo, planura sem fim

Que, todo, cabes dentro de mim

 

Mais do que a neve da serra

Mais do que a espuma do mar

O Alentejo é brancura

À luz branca do luar.

Solidão do Alentejo

Fontes, cruzeiros e alminhas

Cantam rolas e cigarras

No silêncio das tardinhas!

 

O pastor do Alentejo

Encostado ao seu cajado

Vai namorando a campina

Que é a mesa do seu gado!

Olhos vagos e profundos

Num sonho distante imersos

Há neles mais poesia

Do que num livro de versos.

 

Alentejo das debulhas

Das ceifas e dos montados

Dos ranchos de mondadeiras

Fiéis aos seus namorados

E do cavador tisnado

P’lo sol quente do meio-dia

Rude, branco e altivo

Fiel à sua Maria!

 

Alentejo dos sobreiros

Azinheiras e olivais

Alentejo, minha terra,

Eu quero-te sempre mais.

Alentejo das searas

Em Abril a ondular

E das chaminés branquinhas

Ao sol posto a fumegar.

 

Dos tarrinhos de cortiça

Das samarras e safões

Dos pastores e dos morais

Dos manajeiros e ganhões,

Símbolos deste Alentejo

Que eu pra bem poder cantar

Hei-de beijar a planície

De joelhos a rezar.»

 

Exibiu-se no rancho de Aldeia em 1960.”

 

Original DAPL Alentejo 2017.jpg

 

Notas explicativas:

Mão amiga fez chegar no ano passado, 2016, um conjunto de “cantigas” impressas em duas folhas A4, às mãos de D. Maria Belo. “Cantigas” essas que faziam parte do espólio de Srª D. Maria Águeda, distinta Professora Primária, natural de Aldeia da Mata, que exerceu o Magistério em Vila Viçosa, terra natal da célebre Florbela.

Além de “ALENTEJO, MEU ALENTEJO”, nesse conjunto, incluem-se ainda:

“O sino da nossa Aldeia”, “As moças da nossa Aldeia”, “Namoro”, “Marcha de Aldeia”, “Festa de Aldeia”, “Cantigas das nossas ruas (desafio)”, “Balada de Aldeia”.

Estas cantigas eram precisamente para serem cantadas e foram exibidas “no rancho em Aldeia da Mata no Verão de 1960”.

Esta publicação e divulgação no blogue é também uma homenagem e tributo de amizade e de consideração pela estima mútua.

 *******

As fotografias são originais de D.A.P.L., de campos alentejanos, na Primavera, de 2016 e de 2017. A primeira tem como fundo a aldeia de Alagoa e a segunda foi tirada perto de Monforte.

 

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publicado às 22:06

Tarde de Cante no Clube Recreativo do Feijó - 25/03/17

por Francisco Carita Mata, em 14.03.17

CANTE no FEIJÓ - ALMADA

G. C. Amigos do Alentejo do Feijó 31.º AniversárioSão sempre espetáculos de grande interesse, ouvir, melhor, "escutar" os Grupos de Cante.

Realçar e não esquecer o lindíssimo evento musical, ocorrido no passado sábado, dia onze de Março, no C.I.R.L., em que houve o grato prazer de  assistir a "Cante no Feminino"!

Apoteótico e carismático final!

Parabéns!

 

(http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/)

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publicado às 14:06

6º Encontro de Coros Femininos Alentejanos

por Francisco Carita Mata, em 27.02.17

ENCONTRO de COROS FEMININOS

LARANJEIRO

CIRL - Clube de Instrução e Recreio do Laranjeiro

11 de Março de 2017

 

E, hoje, dia em que nos media e nas redes sociais e no universo da blogosfera, o assunto de que mais se fala é dos "Óscares", trago-vos, como informação, a realização do supracitado "Encontro de Coros Femininos".

São espetáculos sempre muito interessantes, especialmente quando realizados em salas devidamente vocacionadas para o efeito, como realmente merecem todos os intervenientes. Neste caso, todas as coralistas.

São Cultura Popular. Cultura Pop, ou "Pop Culture", se gostar mais da expressão ou estiver mais direcionado/a para o universo dos "óscares"!

 

Encontro de Coros Femininos Alentejanos 2017

Nestes eventos é sempre indispensável também que quem vai assistir esteja igualmente com atenção. Todas as pessoas envolvidas merecem a nossa maior consideração, por isso, quem vai, vai para ouvir e para escutar, respeitando o trabalho de quem está ali para dar o seu melhor!

Outro aspeto que também não quero deixar de referir é que estes espetáculos devem sempre ser realizados em recintos fechados. De preferência, com as melhores condições possíveis. Não ao ar livre, não na rua, onde se perde completamente a qualidade artística. Ainda no sábado, dezoito deste mês, em Cacilhas, frente ao posto de Turismo, presenciei um Grupo de Reformadas que não conseguiu apresentar o seu trabalho, por falta de condições técnicas para tal.

Este reparo também já o ouvi a diversas coralistas.

Então, votos de um bom espetáculo!

O Alentejo merece!

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publicado às 18:23

“Momentos de Poesia - Historial”: Poesias e Prosa (?)

por Francisco Carita Mata, em 24.01.17

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“BEM HAJAM!”

“MEU ALTO ALENTEJO” - “EM BUSCA DE MIM” - “OUVE!!!”

  “MINHAS TRANÇAS MORENAS”

 

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Alentejo Entardecer Foto original DAPL 2016.jpg

 

 

Preâmbulo:

 

Volto à divulgação de textos de poesia e de prosa (?), a partir de publicações editadas no âmbito de “Momentos de Poesia”.

Selecionei textos de “Momentos de Poesia - Historial e Poesia e Prosa de 48 Autores”, 2016.

Sendo que, habitualmente, de outros autores tenho divulgado textos poéticos. Neste post, todavia, inicio com um texto em prosa. Mas será exclusivamente um texto prosaico? Lerá, caro/a leitor/a, com atenção, se faz favor, e nele encontrará muita poesia.

Por outro lado, este texto explica-nos, de forma muito poética, o contexto e o móbil de “Momentos de Poesia”. E um dos seus enquadramentos temáticos: “…o nosso amado Alentejo!

Deste modo, e muito merecidamente, é ele que tem honras de abertura deste post, em que retorno à divulgação de Poesia de “Outros Poetas e Poetisas”.

Não tendo o texto um título, resolvi atribuir-lhe um, que sintetiza também o meu desejo face a todos os Antologiados: Bem hajam!

 

 

*******

 

“BEM HAJAM!”

 

 

"Quando há uns anos, a professora Deolinda solicitou o meu contributo para musicar um poema de sua autoria, que viria a ser o hino dos “Momentos de Poesia”, estava longe de saber (… santa ignorância…) que um grupo de pessoas de caráter altruístico dedicava a sua poesia ao arrebatante Alentejo!

Desde então, sempre que possível, assisto às tertúlias mensais promovidas pelos “Momentos de Poesia” que se revelam um bálsamo para a alma, uma elevação para o espírito. É, também, um espaço onde se declama a poesia dos consagrados! Também se dá voz ao repentista, ao anónimo poeta, a todos aqueles que de alguma forma contribuem para o enriquecimento destes encontros, sem pretensão de qualquer espécie.

A entoação da estrofe embala o coração, o recitar do verso inebria os sentidos, cada poema aviva as lembranças de uma infância feliz, pautada por dias amenos e fervilhantes das coloridas primaveras.

Vem à memória o canto simples do “papafigo” e a soberba melodia do rouxinol que, debaixo da frondosa sombra dos castanheiros, eu tentava imitar quase sempre sem êxito! Trepar às árvores para espreitar os ninhos, ou para vigiar uma vintena de cabras sempre em movimento, tinha como consequência a reprimenda da mãe, olhando com desespero para as calças rotas no joelho, ou o rasgão na camisa provocado pelo inoportuno galho!

Já não temos o Alentejo de outrora, derruído pelo tempo, quase votado ao ostracismo. As suas casas rasteiras, brancas, de largas chaminés, dão agora lugar às modernas construções para incrementar um turismo forte e atrativo, dizem uns, à descaraterização da secular paisagem, dizem outros. Mas, tudo se vai transformando, já se vislumbra, ainda que de forma ténue, a recuperação de velhas casas respeitando a sua traça.

Cantemos pois os versos dos nossos poetas, dos “Momentos de Poesia” que com sensibilidade e abnegação elevam sempre o nosso amado Alentejo!

 

Bem hajam!”

 

João Banheiro

 

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“MEU ALTO ALENTEJO”

 

“Oh! Meu Alentejo – meu Alto Alentejo,

Minha terra querida que me viste nascer!

Revivo em ti, instantes que pude viver

Num tempo de ouro – tu meu melhor ensejo.

 

Meu Alto Alentejo – minha casa amada

Meu canto sagrado – meu amparo e vida!

És sempre p´ra mim, a terra mais querida:

- Cidade ou campo, como és sempre adorada.

 

Oh! Como me sinto bem, estando aqui!

E sinto-o cada vez mais, morando em ti

Minha amorosa mãe, e minha saudade.

 

Sei que vou voltar a teus braços – querida!

Esses que encantam todos os meus sentidos

Cada vez mais e mais, a minha verdade.”

 

José Branquinho

 

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“EM BUSCA DE MIM”

 

“Quem me dera voltar atrás

Àquela terra longínqua

Que talvez não passe de imaginária…

Lá veria o tempo passado e futuro

Filme sem palavras… mudo…

Abraço-me e sinto-me palpitar

Mas o que quero, não é o que sinto

E o que sinto, não sei contar

Então meus olhos fecho

Não quero que os vejam chorar

Eu que nasci por vulgar acaso

Pertenço ao signo do ar

Onde os deuses me tocam ao esvoaçar

E buscam como eu lugares para recordar

Dias perenes de felicidade

Tempos passados, lembrados

É assim que sinto e sei

Ao sentir que aqui não pertenço

Então pergunto a mim mesma

Vou para onde?”

 

Maria Helena Freire

 

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“OUVE!!!”

 

“Ouve-me aí, no longe.

Deixa-me falar-te de mim,

das cores do Tempo,

dos cheiros da cozinha aquecida,

dos mistérios da minh’alma.

 

Ouve-me aí, no longe.

Sem respostas,

sem críticas,

sem reservas,

sem receios.

 

Ouve-me aí, no longe,

acolhendo as palavras que calei

tempo demais…

 

Ouve-me aí, no longe,

nas palavras doridas e possíveis

eternamente adiadas…

 

Ouve-me aí, no longe.

E guarda o segredo que te digo!”

 

Maria Luísa Moreira

 

*******

 

“MINHAS TRANÇAS MORENAS”

 

“Às minhas tranças morenas

Chamaste lindas, um dia;

A quantas loiras pequenas,

Brancas como açucenas

Chamas Sol do meio-dia?

 

Estas tranças que dizias

Serem a vida p’ra ti

Indomáveis e bravias,

Caem p´los ombros vadias

Desde o dia em que te vi.

 

Já as não sei pentear

Nem arranjar como dantes;

Não vale a pena tentar,

Está longe o teu olhar

Nessas paragens distantes.

 

Pobres tranças, coitadinhas…

Por certo foram s’quecidas;

Se assim não fosse… tu vinhas.

Tristes delas… pobrezinhas

Qu’as ondas têm perdidas.

 

Bem m’importo eu já com elas,

Sejam ásp’ras ou serenas…

Se tu já não podes vê-las,

Nem dizer-me: - “São tão belas

As tuas tranças morenas.”

 

Teresa Helena Pascoal

 

*******

 

In. “Momentos de Poesia Historial (e Poesia e Prosa de 48 Autores)”, 2016.

Autora: Deolinda Milhano, Portalegre.

 

 

 Foto original de D.A.P.L., 2016 - Alentejo (Alto), ao entardecer / pôr do sol. Aldeia da Mata ("Fonte das Pulhas").

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publicado às 18:29

Eventos Culturais: Divulgação

por Francisco Carita Mata, em 09.10.16

Evento Poético e Evento Musical

 

Não! Ainda não é o balanço.

 

Hoje, ainda, voltamos a alguns dos temas favoritos no blogue: a divulgação de eventos culturais de caráter regional, ignorados pelos meios de comunicação social, mas de muito mais valor que muitos dos que nos enxameiam nos media.

Adiante.

 

Um referente ao futuro: ainda a realizar.

E outro, reportando-se ao passado: já acontecido.

 

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Divulgo a realização do próximo “Momentos de Poesia”.

 

41074-Cartaz Modelo em PDF.jpg

 

Na encantadora vila de Castelo de Vide.

 

castelo de vide in. pt.wikipedia.org..jpg

 

(Não. Não me esqueci ainda de continuar a divulgar poemas da Antologia “Portalegre em Momentos de Poesia”! Tem faltado oportunidade.)

 

*******

 

Dar conhecimento também da realização, ocorrida ontem, sábado, 8 de Outubro, do belíssimo Espetáculo comemorativo do 31º Aniversário da Junta de Freguesia do Laranjeiro.

 

No C.I.R.L. – Clube de Instrução e Recreio do Laranjeiro, Francisco Naia e Ricardo Fonseca apresentaram-nos excelentes trabalhos do seu álbum “Nos Cantos da Memória”.

 

Francisco, bem na casa dos sessenta, possui uma voz notabilíssima, de tenor, como ele refere, teria gostado de ser cantor de ópera.

Artista, que considero não devidamente valorizado. Injustamente.

viola campaniça in. prof2ooo.pt.jpg

 

Ricardo, exímio executante, deu-nos a conhecer a sua maestria, nomeadamente em viola braguesa, viola amarantina e viola campaniça.

 

Tocaram, cantaram e encantaram-nos!

 

Parabéns!

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publicado às 17:17

Crónica sobre Serão de Cante e Poesia

por Francisco Carita Mata, em 07.10.16

"6º Serão de Cante e Poesia Alentejana"

 

E mais algumas considerações e apartes, a propósito ou nem por isso.

(1 de Outubro de 2016)

 

Não, não me esqueci de cronicar sobre este relevante evento. Outras escritas, afazeres da vida real e só hoje me é possível.

 

Antes de mais, e ainda, não quero deixar de assinalar a data de hoje, sete de Outubro. E a de amanhã.

 

A de hoje, sete, porque era nesta data que, quando estudava, se iniciavam as aulas, nomeadamente as da Primária, as do Colégio e as do Liceu.

Dir-me-á: - Isso é pré- história.

Nem mais!

A de amanhã, oito, também é especial, no contexto em que escrevo.

Fará dois anos que iniciámos este blogue!

Peculiar que tenha sido também com uma crónica sobre Cante e Poesia!

 

E vamos então ao 6º Serão de Cante e Poesia Alentejana.

Ocorrido no passado sábado, um de Outubro, “Dia Internacional da Música”, no Fórum Romeu Correia, Auditório Fernando Lopes Graça, em Almada.

Divulguei previamente e, mais uma vez se confirma, que “Almada é a Capital do Cante”! Pelo menos aqui, nesta “Grande Lisboa”!

 

E sobre o dito espetáculo e antes de entrar propriamente na sala, quando o divulguei, mencionei a dificuldade de arranjar bilhetes no Fórum Romeu Correia.

Exatamente.

 

No próprio dia, apenas quando eram disponibilizados, o que acho bem, cheguei antecipadamente meia hora e já havia fila de cerca de trinta pessoas.

De modo que me questionava se conseguiria obter ou não os bilhetes.

 

Fui ficando e, nestes contextos, mais tarde ou mais cedo, vai-se falando. Naturalíssimo.

Ocorrem também sempre aqueles casos habituais, de alguém que se chega à frente, perto de pessoa amiga e segreda “encomenda” de mais alguns bilhetes.

Mas estas cenas não passam despercebidas e alguém comenta sobre as célebres “cunhas e pedidos”. Famigerados, eles e mal-afamadas, elas!

Por ironia, quem comentou haveria de ser contemplado com um bilhete doado por amigo que, estando à frente na fila, resolvera requisitar mais um ingresso, para oferecer a quem estava mais atrás.

Logo oportunidade para outro alguém retorquir, que havendo comentado da “cunha”, não deveria ter aceitado o presente do amigo.

Sim ou não, o que acha?!

 

Aproveitei para lembrar o aforismo de que “a cavalo dado não se olha o dente”! Que até poderia parecer mal agradecido.

E friso que em boa hora o aceitante aceitou, porque, quando chegou a sua vez, apenas um conseguiu.

Não aceitasse e só um bilhete obteria, o que o impossibilitaria de ter levado a esposa, conforme confirmei no espetáculo, à noite.

 

E vamos então falar do espetáculo, propriamente dito?!

Sala repleta, como se depreende.

Espetáculo extraordinário.

 

Mas ainda vai outro aparte.

O Auditório continua sem refrigeração. Já no Verão, a propósito do Ciclo de Cinema Brasileiro, disso faláramos.

Com a sala cheia…

Registe-se.

 

E, antes de tudo o mais… E porque é imprescindível.

Dar os parabéns a todos os participantes no evento, a todos os que contribuem para a respetiva organização e logística, que não apenas os que presenciamos no espetáculo propriamente dito. São muitas as pessoas envolvidas, em diferentes contextos.

Também realçar o papel das entidades e organismos oficiais que apoiam estes Grupos, nos mais diversos enquadramentos.

Não podemos esquecer que estes Artistas, sejam cantadores, cantadeiras, poetas e poetisas, exercem estas funções, desempenham estes papéis, como Amadores, no melhor sentido da palavra. Para todos os efeitos, trabalham num sistema de Voluntariado.

Daí o nosso realce especial, inteiramente merecido!

E agradecer.

Obrigado, a todos pelo excelente Serão que nos proporcionaram.

 

Sobre os participantes segue-se o cartaz com as respetivas designações.

 

6º Serão de Cante e Poesia Alentejana 2016 - Cartaz.

 

 

Parabéns, sempre muito especiais, ao Grupo do Feijó que, neste contexto, é o Grupo Organizador.

 

Sobre o espetáculo, os Cantares, a Poesia, digo: Adorámos.

 

Se realçasse alguns aspetos ou momentos, fá-lo-ia pela novidade para mim, que não conhecia as respetivas atuações.

O Grupo Juvenil, nunca ouvira tal.

E alguém pode ficar indiferente àqueles rouxinóis, joselitos e marisóis, com os seus trinados e requebros, que nos tocam o coração e nos humedecem a visão?

Excelente o trabalho do Professor e Mestre!

Também assinalaria o Grupo Abelterium, que apesar de ser dos meus lados, também não conhecia.

Para além da alegria contagiante das cantigas, que dimana da sua atuação, eu realçaria o que mais me tocou: a interpretação de “Serpa de Guadalupe”!

 

E então esqueço os outros Grupos e Artistas?!

De modo algum.

 

Obrigado ao Grupo do Feijó, ao Grupo da Academia de Serpa, ao Grupo Recordar a Mocidade, à Poetisa Rosa Dias e ao Poeta Luís Maçarico.

Todos nos ficaram no coração e nos proporcionaram gratificantes momentos artísticos, que nos enriquecem espiritualmente e a eles enobrecem, pela sua atitude altruísta e a quem ficamos gratos.

 

Obrigado.

Que estes espetáculos, além de excelentes, são gratuitos!

 

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publicado às 17:17

6º Serão de Cante e Poesia Alentejana

por Francisco Carita Mata, em 22.09.16

INFORMAÇÃO

É com grato prazer que informo da realização deste "Serão de Cante e Poesia"!

Em Almada

No Fórum Municipal Romeu Correia.

Auditório Fernando Lopes Graça.

Serão de Cante e Poesia Alentejana 2016 - Cartaz.Oxalá tenha oportunidade de assistir.

E conseguir bilhetes. Que, no Auditório, esgotam-se sempre! 

Informo que a obtenção dos bilhetes só é possível no próprio dia, sábado, a partir das 15 horas!

Até lá!

 

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publicado às 17:11

“O Roubo do Códice” - (Reposição)

por Francisco Carita Mata, em 23.08.16

Mini Série na RTP2

Agosto de 2016

 

Continua o calor. Persistem os fogos. Algumas notícias quentes, mesmo no Alentejo, habitualmente tão pacífico e com tantas festas e festivais.

Lá fora, as guerras, persistem... no tempo!

Crimes hediondos!

Codice Calistinnus in. www.wikiwand.com

 

Como é hábito, a RTP2 volta a transmitir programas já exibidos. Salutar, quando são interessantes! Desta vez, a mini série “ O Roubo do Códice”, “El Codice”, original da Televisão da Galiza, que transmitira em 2015, a seguir a “Hospital Real”.

Sobre os dois episódios escrevi algumas ideias, entrecruzando os personagens da série “Hospital…” com os da mini série “O Roubo…”. Nem sempre de forma direita, por vezes enviesando, como gosto de fazer e também não tendo identificado bem todos os personagens.

Ontem, após ter revisto o primeiro episódio, julgo ter reconhecido o “Padre Bernardo” do Hospital, no desempenho do Juiz, no “Roubo…”. E Alicia, a noviça do “Hospital…”, na empresária do bar, ex-jornalista, a colaborar com os antigos colegas.

Ainda não é desta que escrevo os nomes corretos dos artistas, para o que remeto também para este link, de Galiza.

elenco codice in. www.vertele.com

 

Apresento igualmente fotos do elenco, bem como do livro roubado.

Roubado?!

codice in. elpais.com

 

Veja ou revisite o 2º episódio.

manolo in. www.lavozdegalicia.es.jpg

 

Vale bem a pena, pelo conteúdo da história, a construção narrativa, o desempenho artístico, o contexto espacial e cénico… o enredo, o basear-se em factos reais.

Deão da Catedral in. media.rtp.pt.jpg

 

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publicado às 13:44

“DIA da MÃE” – Quadras Tradicionais II

por Francisco Carita Mata, em 30.04.16

Quadras de Amor e Saudade

 

Neste "Post" evocativo do “Dia da Mãe”, que importa se ainda publicado em Abril, se os “Dias da Mãe” são todos os dias?!

É ele constituído por “Quadras Tradicionais”, e Fotos Originais, e dedicado a todas as Mães, sendo ou não biológicas. A todas as Mães de Afeto.

À nossa Mãe, à Mãe dos nossos filhos e filhas, à Mãe da nossa Mãe, à Mãe da Mãe dos nossos filhos e filhas, às Mães de todos e de cada um de nós. Às Mães ainda presentes e às Mães a que nos lembra o travo doce e amargo da Saudade!

 

Amendoeira florida Foto original DAPL 2015.jpg

 

Conjunto de Quinze Quadras

 

“A flor da amendoeira

É a primeira do ano

Também eu fui a primeira

Que te dei o desengano.”

 

“Os teus olhos não são olhos

São duas bolinhas pretas

Foram criadas ao sol

À sombra das violetas.”

 

“Não me atires com pedrinhas

Que eu estou a lavar a louça

Atira-me com beijinhos

Com que a minha mãe não ouça.”

 

“Logo pela manhã começo

A trazer-te no sentido

Ao meio dia não t’esqueço

À noite sonho contigo.”

 

“Oh, candeeiro da esquina

Alumia cá para baixo

Que o meu amor é baixinho

Às escuras não o acho.”

 

“És alto, metes figura

Meu amor pareces bem

Como a tua criatura

Para mim não há ninguém.”

 

“Não olhes para mim, não olhes

Que eu não sou o teu amor

Eu não sou como a figueira

Que dá frutos sem ter flor.”

 

Figueira Foto original DAPL 2015.jpg

 

 

“O cravo tem vinte folhas

A rosa tem vinte e uma

Anda o cravo em demanda

Pela rosa ter mais uma.”

 

“Até parece impossível

A salsa no mar secar

Mais impossível parece

O nosso amor acabar.”

 

“Tu é que és o lírio, lírio

Tu é que és a lealdade

À porta do cemitério

Acaba a nossa amizade.”

 

“Tenho um amor em Alter

Outro em Vila Boim

Outro em Aldeia da Mata

Esse não me esquece a mim.”

 

Aldeia Foto original DAPL 2015.jpg

 

“Em Flor da Rosa não há

No Crato não pode haver

Rapazes como os de Aldeia

Hão-de tornar a nascer.”

 

“Tenho dentro do meu peito

Ao lado do coração

Uma letra que diz

Amar-te sim, deixar-te não.”

 

“Já lá vai, já se acabou

O tempo que eu te amava

Tinha olhos e não via

Na cegueira que eu andava.”

 

“Todos me mandam cantar

Mas ninguém me dá dinheiro

Pensam que a minha garganta

É o fole de algum ferreiro.”

 

Quadras coligidas por D. Maria Belo Caldeira, Aldeia da Mata, 2016.

Fotos originais de D.A.P.L., 2015.

 

 

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publicado às 13:32

Tarde de CANTE no Feijó!

por Francisco Carita Mata, em 20.03.16

Saudades do Alentejo

 

Cante - Cultura - Cidadania!

 

Conforme divulguei em post de 16 de Março, realizou-se ontem, “Dia do Pai”, o espetáculo comemorativo do 30º Aniversário de “Associação Grupo Coral e Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó”, no CRF – Clube Recreativo do Feijó.

Uma comemoração aniversariante, em Dia também muito especial.

 

E, a propósito do Dia e da sua significação, e, no concernente ao Cante, se lhe atribuíssemos uma filiação, quem seria o Pai? Do Cante, diga-se. E supostamente tendo Pai, também terá Mãe. E quem será a Mãe?

Pois, penso não haver muita dúvida.

O Pai é o Alentejo! E a Mãe, pois, a Mãe é a Saudade! Não é o Cante irmão do Fado?! Atualmente até irmanados e perfilhados internacionalmente pela UNESCO, dando-lhes reconhecimento e foro de Cidadania Mundial.

O Pai do Cante é o “Alentejo” que, do dito, o espalhou também pela Grande Lisboa, com especial incidência na Margem Sul, e muito particularmente em Almada, Feijó!

 

Foto original DAPL Rosas no Feijó 2015.jpg

 

Alentejo que é sempre Aquém – Tejo! Geográfica e sentimentalmente e no plano identitário!

E de Identidade e de Sentimentos falamos, quando nos reportamos ao Cante.

E são sempre os Sentimentos que passam e perpassam e nos repassam de emoção, por vezes contendo as lágrimas, mas embargados por ela, quando escutamos as canções ou modas como são designadas, numa Sessão de Cante, num ambiente quente como o que se viveu na tarde passada, terminando já à noitinha. Que os Cantadores também sentem, e de que maneira! São os que mais sentem, ou não cantariam com a Alma e o Coração, como fazem!

Que até o tempo também sentiu, ouviu, escutando, aquelas vozes telúricas, se emocionou e não conteve as lágrimas. As ruas do Feijó estavam molhadas de comoção!

 

A Emoção, a Saudade, sempre a Saudade, a Nostalgia de tempos que muitos de nós vivenciaram mais pelas imagens e recordações das gentes que amámos, que, hoje, apenas lembramos, com Afeto, com Amor, com Saudade. Muito especialmente num dia dedicado aos Pais, que todos os dias o são!

Embora muitos de nós, ainda, tenhamos percorrido, trilhado, aqueles lugares, aqueles tempos, quanto mais não fosse, enquanto pastores, mesmo a tempo parcial.

Mas o Cante não é só Nostalgia. É também Alegria. Modas e cantares de trabalho e de festa!

 

Pelo Clube passaram as Cores do nosso Alentejo. A garridice das papoilas, o amarelo das searas da nossa memória.

Évora, Cidade, capital do Alto Alentejo, esteve bem presente, nas canções e no Grupo representativo. Misto. Etnográfico, compondo trajares e modas, de modos de vida que os nossos Pais e Mães usaram: pelicos, safões, calças de serrobeco, traje de mondadeira...

Palavras sábias do Mestre: “...É urgente dialogarmos com os novos Grupos...”

 

Sons místicos! Sons míticos! Ancestrais, quase religiosos, panteístas, quando o coro se empolga, transborda de sentimento, nos transporta a tempos de outros tempos, sem tempo, nem memória, porque intemporais, universais, comuns a toda a Humanidade, daí a categorização, quer se note ou não a sua importância...

 

E de Afetos e Sentimentos ainda falamos: de Amizade, Companheirismo, Camaradagem, nestes encontros de grupos corais, na troca de prendas e galhardetes, intercâmbio de modas. Nos agradecimentos a quem ajuda, a quem trabalha, que muito trabalho dá organizar estes eventos. Na felicitação ao Aniversariante. Momentos bonitos!

Até de apadrinhamento, à boa moda alentejana, diria portuguesa, também falamos. Que os Grupos Corais das Paivas e da Amadora apadrinharam, há trinta anos, o “Grupo de Cante do Feijó”! (Que, na minha modesta e irrelevante opinião, de leigo no assunto, a designação do Grupo precisaria de ser menos extensa...)

Estes dois Grupos não são etnográficos, pelo que trajam todos os elementos com o mesmo tipo de vestuário. O Grupo das Paivas tem a particularidade de se designar de “Operário”.

Sendo estes Grupos formados no contexto das migrações do Alentejo para a Grande Lisboa, a partir dos anos cinquenta do século XX, refletirão a composição sócio profissional inerente à zona onde estão sediados e aos locais de trabalho dos seus componentes.

Há certamente estudos feitos sobre o assunto.

(Em todos os Grupos também se nota uma caraterística comum, que é o nível etário elevado dos seus componentes.

Aliás, a assistência também é maioritariamente composta por cidadãos na 3ª idade ou próximos da mesma!)

 

Os Grupos, todos, etnográficos ou não, nos trouxeram lindas modas, em que também entoaram loas ao Amor, à Paixão, aos amores e desamores, à sublimação dos amores...

Às paisagens do nosso saudoso Alentejo, à neve que também cai na planície, quem não viu os campos transtaganos cobertos de neve, não tem uma experiência completa e inolvidável do mesmo... às flores, rosas, metáforas da Mulher. Recomendações e cuidados a ter na ida à fonte...

Foto original DAPL 2015 Fonte do Salto. Aldeia da Mata. jpg

 

A Poesia, sempre! Cada moda é sempre um Poema carregado de significações sentimentais. Por vezes mais particularmente. Num singelo e comovente Poema dedicado aos Pais. Noutro, peculiar, sobre “...a ceifeira de aço...”!

Na dedicatória e evocação de Poeta (Fialho de Almeida).

 

No confronto entre “ponto” e “alto”, no troar harmónico do coro, ecoando nas planuras de searas ondulantes, marulhando nos mares da “Charneca em flor!”.

 

E, para o final, o Grupo Anfitrião reservou-nos dois Grupos de Música Tradicional.

“Grupo de Trovas Campestres”, de Faro. (Há quem designe, sendo do Algarve, que os Algarvios são “Alentejanos destrambelhados”, cito.)

Quatro Artistas, trouxeram-nos a Alegria do Alentejo, sediada no Algarve!

Cantaram um “Hino ao Mineiro”, uma evocação sul-americana, reportando-nos para o Chile, de Allende?! (Merecia da assistência um outro escutar, mas já havia algum “destrambelhamento” entre o público, desculpa-se-lhes, que até se portaram muito bem, houve momentos de absoluto e cerimonial silêncio durante os outros cantares.)

Encerrou o “Grupo Comtradições”, da Cova da Piedade, com muita e muita Alegria!

E já muita gente dançava! Dançava!

Que para os participantes ainda haveria jantar.

E que bem que cheirava!

Cheiros de um tempo de outros tempos.

Cheiros que o tempo guarda!

 

Parabéns a todos os Participantes!

Parabéns a todos os Organizadores! E Colaboradores!

A todos os que trabalham na sombra para que estes Eventos sejam organizados e nos deleitem e emocionem com a sua Qualidade Artística.

Felicitações especiais ao Grupo Anfitrião e Aniversariante: “Associação Grupo Coral e Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó – Almada”!

(Grupo, além de Coral, também Etnográfico, documentando um memorial de trajares transtaganos, nas nossas recordações de infância e juventude.

Grupo que, aliás, teve a honra de abrir a Sessão com o brilhantismo que lhe é inerente e as vozes portentosas de que dispõe, também elas carregadas e emocionadas de Sentimentos!)

 

Foto original DAPL Almada Ginjal 2015.jpg

 

E, diga-me lá, se teve a simpatia de me ler até aqui, se Almada é ou não a Capital do Cante?

(Nota Final: Que acrescento, hoje, dia 21, Dia também tão especial.

As Fotos são originais de D.A.P.L. e reportam-se ao "meu Alentejo", que é sempre "Aquém - Tejo"!)

 

 

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publicado às 17:33


Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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