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“Portugal “O” Meeting – 2017”

por Francisco Carita Mata, em 28.02.17

ALDEIA da MATA

25 Fevereiro 2017 – Sábado

(Ou como uma ida aos espargos se converteu numa observação “participante” de um acontecimento desportivo mundial.)

 

in. sportlife..jpg (in. opraticante.pt/)

 

Nestes dias finais de Fevereiro, 25 a 28, tem estado a decorrer no Alto Alentejo, concelhos de Alter do Chão, Crato e Portalegre, um evento do Desporto designado “ORIENTAÇÃO”, palavra, para mim, tão carregada de significações.

 

Inesperadamente, para muita gente, de surpresa, viu-se a Aldeia envolvida, “invadida”, tomada, por este evento desportivo extraordinário, que nos dias 25 e 26 decorreu em Aldeia da Mata. No povoado e nos campos limítrofes.

 

Apenas presenciei uma parte do acontecimento, não em todas as suas vertentes, nem em todos os espaços em que decorreu, mas pude observá-lo naqueles locais, que, habitualmente, frequento. E quero realçar que gostei, não direi muito, mas muitíssimo, do que pude observar e, de algum modo, vivenciar.

 

Antes de tudo o mais, realçar algo extraordinariamente positivo. Na sequência e no decurso do acontecimento e após a sua finalização, em todos os espaços que percorri, observei algo que raramente acontece nos variados eventos, espetáculos, acontecimentos, que ocorrem por esse Portugal e mesmo no dia-a-dia das localidades portuguesas.

Neste evento, não constatei uma “gota” de lixo por lugar algum dos que eu tenha observado e percorrido.

Esperemos que acontecimentos destes, com esta envergadura ou noutra escala, se venham a repetir!

 

Foi extraordinariamente belo, ver, campos, por onde não aparece vivalma, percorridos por pessoas de todas as idades e condições, homens e mulheres, jovens e velhos, crianças e adolescentes e das mais diversas nações, de todo o Mundo, dando cor e movimento, a terrenos onde só as ovelhas e bezerros pisoteiam e estrumam todo o ano.

E praticando DESPORTO!

 

in. o praticante.pt.jpg

 (in. sportlife.com)

 

Nessa manhã e tarde de sábado, ausentes os animais, as Tapadas das Freiras, do Rescão, das Cegonhas, da Lavandeira, o Chão Grande, ganharam outros habitantes, que os humanos raramente as frequentam. (Alguns caçadores, na respetiva época, alguns colhedores de espargos ou túberas, no seu tempo devido.)

 

Tapada do Rescão - Original DAPL 2016.jpg

 

Quando chegaram os primeiros corredores, já eu havia executado uma das tarefas que vinha delineando desde o ano passado.

 

“O que são os espargos?”, me interrogou um português, que acompanhava o filho e a filha, participantes na corrida.

 

Foi um espetáculo divertido e reconfortante ver, tanta gente e tão colorida, descendo e subindo os alcantilados destas terras com passagem obrigatória pela Ponte do Salto e respetiva Fonte.

 

Fonte Salto Original DAPL 2015.jpg

 

Es potable?”, me perguntou um jovem, sobre a água refrescante, enquanto eu enchia um garrafão.

Lá bebeu e terá ido mais reconfortado.

 

A Fonte, onde havia um posto de controlo, terá ficado intrigada com tão inusitado movimento, há anos que debita, quase inútil, mas persistente, a excelente água que produz, desligada da indiferença dos conterrâneos!

Já mais pela tarde, uma senhora descia do Caminho da Arca da Fonte, talvez um pouco desorientada, um contrassenso numa prova de orientação, me questionou, aflita:

“- Onde fica a ponte? Onde fica a ponte?”

E a Ponte ali, tão perto… E lá seguiu, agradecendo muito.

 

Salto Original DAPL 2015.jpg

 

(E, a propósito da Ponte, sobre que por vezes se refere a sua provável, possível, hipotética, antiguidade, sabe que nas “Memórias Paroquiais”, tanto nas de 1747, como nas de 1758, não vem qualquer referência à Ponte?!)

 

Nunca, os Caminhos, do Salto, da Arca da Fonte; as Azinhagas, do Porco Zunho, do Poço dos Câes, a Azinhaga Estreitinha, foram tão movimentados, nem nos tempos em que os campos eram a base da sustentação do povoado, nem sequer quando, crianças e adolescentes ainda brincavam por tapadas, caminhos e ribeiras.

 

Igreja e araucária - Original DAPL 2015 (1).jpg

 

Junto ao Adro de São Martinho se estruturava a chegada dos atletas.

Igreja, torre sineira, araucária, ter-se-ão questionado sobre o porquê de tanto movimento inusitado.

 

Até a amendoeira, que tem história, gostaria de ter presenciado a ocorrência umas semanas antes, no início do mês, quando ainda estava florida!

 

Amendoeira florida - Original DAPL 2015 (2).jpg

 

Nas ruas só se viam essencialmente estrangeiros, uma verdadeira Babel instalada no povoado, o barulho característico das molas dos sapatos próprios para estas corridas!

Pena que o entrave da Língua, não tenha proporcionado uma maior interação.

Terminado o evento, resta-nos o silêncio das casas abandonadas ou de segunda estadia e a Lembrança e a Saudade dos ausentes.

 

Rua do Norte  - FMCL - anos 80.jpg

 

Na estrada até à ponte da Ribeira das Pedras estava todo o lado nascente da via, com carros estacionados. Não como nesta imagem!

 

Aldeia Original DAPL 2014.jpg

 

Não tirei qualquer foto do evento, por várias razões.

Primeiro, tenho sempre alguma relutância em fotografar pessoas e divulgar na net. Mas já abri exceções!

Segundo, estou de mal com o telemóvel.

E, terceiro, a minha colaboradora do blogue e que me documenta e fornece o acervo fotográfico, estava ausente.

Mas é precisamente desse acervo e dessa prestimosa colaboração que me sirvo para documentar este post. Para além de uma foto minha, já antiga, que digitalizei.

 

E este post, além de documental é também um convite, a si que nos brindou com o seu colorido, o seu entusiasmo atlético e desportivo, nos campos e ruas de Aldeia…

E que, preocupado com o mapa, para onde olhava permanentemente, para a localização dos pontos cardeais, eventualmente buscando a direção do sol, e principalmente a localização dos postos de controlo, preocupado em registar com o aparelhómetro no dedo…

Para si, que não olhou, nem observou a beleza destes campos, nem destas ruas e singelos monumentos…

Para que nos visite com mais calma, sem correrias, nem pressa de chegar, ou de ser o primeiro…

E aprecie estes belos campos, que a partir de Março atingem todo o seu esplendor, glorificando a Primavera, explodindo em Maio.

Numa apoteose de cores e perfumes e sinfonia de rouxinóis.

 

Maio Original DAPL 2014.jpeg

 

 

(Bem sei que você não lê Português…

É pena!

Pode ser que ainda consiga traduzir este excerto…)

 

E, para si que é Conterrâneo, que é Português.

Lembre-se do que frisei no início.

Este pessoal não deixou lixo nos terrenos!

Então, porque deixar lixo nos caminhos velhos, nas bermas da estrada, nas margens da Fonte, no leito da Ribeira do Salto ou de outra qualquer, arremessado para debaixo da Ponte?!

Porquê?! Porquê?!

 

*******       *******       *******

Deixo alguns links, se quiser aprofundar mais sobre o evento.

Agradeço as imagens que tomei a liberdade de retirar de sites alusivos à ocorrência.

http://pom.pt/2017/en/apresentacao/

http://pom.pt/2017/en/2017/02/20/final-bulletin/ 

http://pom.pt/2017/en/2017/02/26/day-1-video/

http://pom.pt/2017/en/252-middle-distance/

http://pom.pt/2017/en/262-long-distance/

http://news.worldofo.com/2017/02/26/portugal-o-meeting-2017-day-1-2-maps-and-results/ 

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publicado às 14:10

O Topónimo “Aldeia da Mata”

por Francisco Carita Mata, em 21.11.14

Foto1395.jpg

 

O Topónimo “Aldeia da Mata” define a localidade na sua essência, aldeia: pequena localidade, geralmente com poucos habitantes, núcleo populacional feito de casas contíguas, tipo alentejano. “Nos começos da Nacionalidade designava não uma povoação mas um casal ou herdade existente num sítio ermo.”(1)

Quanto ao primeiro termo do topónimo, Aldeia, entende-se facilmente o seu significado.

 

No referente aos outros, da Mata, já se nos levantam interrogações, dado que na atualidade não existe nenhuma mata significativa, justificativa do topónimo.

Mas se o nome consagra esses termos é porque terá existido alguma mata importante, para que a povoação tenha incorporado essa nomenclatura. Que mata terá sido essa, suficientemente importante para daí derivar o nome de Aldeia da Mata?!

 

Nas Memórias Paroquiais consultadas, séc. XVIII, já não há qualquer referência a essa Mata.

Mas, segundo diversos autores, essa mata existiu e dela deriva o topónimo.

Alarcão, J., in Revista Portuguesa de Arqueologia, volume 15, 2012, menciona esse facto, a partir do documento de doação da herdade que D. Sancho II, em 1232, fez à Ordem dos Hospitalários, mais tarde designada por Ordem Militar de Malta, consultado a partir da respetiva publicação em 1800, por José Anastácio Figueiredo.

O documento refere que um dos limites dessa Herdade é a mata de Alfeijolas.

 

Curioso que o nome Alfeijolas persiste na região, no termo Alfeijós, designando a Ribeira de Alfeijós, com vários nomes, conforme os locais por onde corre.

 Inicialmente designa-se Ribeira do Fraguil e tem origem em ribeiros que nascem a norte do Monte da Taipa. Corre a leste da Cunheira, dirige-se para sul, passa nos Pegos, adquirindo o respetivo nome: Ribeira dos Pegos.

Correndo na direção norte-sul atravessa a Linha do caminho-de-ferro do Leste, e a sul desta Linha, adquire o nome de Ribeira de Alfeijós. Corre a oeste dos “Cabeços do Barreiro”, Altos Barreiros, cuja cota mais elevada, 194 metros de altitude, se situa no monte de ALFEIJÓS.

A jusante situam-se dois Montes de habitação, também designados de Alfeijós: a leste da Ribeira, o Monte de Alfeijós de Cima e a oeste, o Monte de Alfeijós de Baixo.

A mencionada Ribeira de Alfeijós desagua na Ribeira de Seda, a jusante da foz da Ribeira de Cujancas e a montante da ponte romana de Vila Formosa.

 

É pois interessante que ainda atualmente o nome de Alfeijós, corruptela de Alfeijólas, persista na região, embora não existam sinais da referida mata.

As Memórias Paroquiais de 1758 também referem a Ribeira de Alfeijolos, assim designada pelo pároco da “villa” de Seda, embora já não referenciem a mata.

 

Qual o espaço territorial ocupado por essa mata que em 1232 seria significativa e foi inclusive, nessa época, motivo de disputas pela sua posse?!

 

As matas eram uma fonte de sustento, de recursos energéticos, de matérias-primas, sendo muito relevantes para povos e localidades. Mas estiveram sempre sujeitas a delapidação constante: corte, desbaste, fogos, arroteamento para agricultura.

Seria certamente uma mata de árvores e arbustos próprios destas condições climáticas: azinheira, sobreiro, carvalho negral, carrasco, zambujeiro. Medronheiro, aroeira, sanguinho e, entre as plantas mais arbustivas, a giesta, a esteva, o trovisco, a silva, a madressilva, etc. Ao longo das linhas de água, a mata ribeirinha: freixos, salgueiros, choupos, sabugueiros...

 

E geograficamente, ocuparia apenas a região atualmente a sul da Linha do Leste, onde persiste o respetivo nome? Prolongar-se-ia para norte, pela bacia hidrográfica da Ribeira de Alfeijós/Pegos/Fraguil até à Ola e Taipa? Ocuparia o território entre esta Ribeira e a Ribeira de Cujancas, inclusive ultrapassando-a e aproximando-se do espaço da atual freguesia de Aldeia? Teria uma área ainda mais vasta, conforme alguma documentação faz supor?!

 

Segundo o documento de 1232, esta “Matam de Alfeigolas” fazia parte dos limites da referida herdade. Curioso que o limite sul/sudoeste do atual concelho de Crato também se situe precisamente a sul/sudoeste de Aldeia da Mata. Outros limites do atual concelho do Crato também coincidem ou se aproximam de limites dessa herdade, referidos no citado documento de doação por D. Sancho II, à Ordem dos Hospitalários ou de São João de Jerusalém, designada por Ordem Militar de Malta, a partir de 1530.

 

A oeste, o Sume; a norte/noroeste e nordeste, o Rio Sor em parte significativa do seu percurso; a leste, Almojanda e parte do troço da Ribeira de Seda, sendo que esta Ribeira também delimita a sul. Ainda a sul, o limite segue numa linha relativamente paralela entre as Ribeiras do Cornado e de Linhais, pelos Cabeços de S. Lourenço e de S. Martinho. Ainda nesta direção sul, Alter do Chão, também é referida no documento como um dos limites.

E, frise-se, a mencionada Mata de Alfeijolas como um dos limites da herdade.

 

mapa  concelho crato.gif

 

A mata existente no século XIII (1232), já não existente no século XVIII, até quando terá persistido enquanto tal?

Teria sido o nome da aldeia alguma vez Aldeia da Mata de Alfeijolas? Haverá documentos comprovativos? Ou terá sido sempre Aldeia da Mata, dada a importância da própria mata?!

 

 

Nota final:

 - Agradecimento ao Srº Carlos Eustáquio pela prestimosa colaboração na consulta das Cartas topográficas referentes aos concelhos do distrito de Portalegre.

 

Fontes de Consulta (algumas):

- ALARCÃO, Jorge; Notas de Arqueologia, Epigrafia e Toponímia; Revista Portuguesa de Arqueologia, volume 15; Direção Geral do Património Cultural, 2012.

- FIGUEIREDO, Jozé Anastasio; Nova História da Militar Ordem de Malta, e dos Senhores Grão-Priores della, em Portugal; Officina de Simão Thaddeo Ferreira, Lisboa, 1800.

- MACHADO, José Pedro; Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, Livros Horizonte, 7ª edição, 1995.

- SAA, Mário; As Grandes Vias da Lusitânia, o Itinerário de Antonino Pio, Tomo II, MCMLIX.

- (1) Lexicoteca, Moderna Enciclopédia Universal, Círculo de Leitores, Tomo I, 1ª edição, 1984.

- Cartas Topográficas do Instituto Geográfico do Exército.

- Wikipédia, enciclopédia livre.

 

Texto publicado no Jornal "A Mensagem", Nov. 2014

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publicado às 11:45


Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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