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«ESCUTA!...»

por Francisco Carita Mata, em 07.10.17

POESIA de João Guerreiro da Purificação.

Original DAPL. 2016. jpg

 

 

«ESCUTA!...»

 

«Se à Bíblia deres razão

Muda a tua vida de vez

Não faças que a tua mão

Veja o bem que a outra fez.

 

Se tu pousares com amor

A mão num ombro qualquer

Não toques sino nem tambor

Que tal bem morre ao nascer.

 

Se levares pela mão

Alguém em rude caminho

Não digas ao teu coração

Nem fales disso ao vizinho.

 

Se houver alguém que te pise

Ou te der algum encosto

Desculpa-te com um sorriso

Com esse, do pé mal posto.

 

Se tens arestas como picos

Lima-os todos muito bem

Não se virem os malditos

E te piquem a ti também.»

 

In.

III ANTOLOGIA de POESIA CONTEMPORÂNEA, 64 autores, coordenação de Luís Filipe Soares, 1986. Minigráfica, Lisboa.

 

Original DAPL Aldeia Igreja Araucária 2017jpg

 

Notas Finais:

Conforme mencionara em post anterior, prossigo na divulgação de Poesia de Pessoas da Aldeia, de que eu tenho conhecimento.

Supracitado, está o Srº João Guerreiro da Purificação, (10/07/1927 – 17/12/1997), que dispensa apresentações e que tive o grato prazer de conhecer e de conviver, como a grande maioria dos Matenses.

Segundo julgo saber, esta “III Antologia de Poesia Contemporânea” foi o 1º livro em que o Srº João participou, tendo também ainda publicado, nessa Antologia, “INIMIGOS”.

 

(Nesta mesma Antologia também participei. Com: “UM QUADRO” e “CAVALO DE FERRO”, que já figuram no blogue.)

 

No domínio das Antologias, que seja do meu conhecimento, ainda participou na “IV ANTOLOGIA de POESIA CONTEMPORÂNEA”, 80 autores, coordenação de Luís Filipe Soares, 1987; Minigráfica, Lisboa.

Deu a conhecer: “E FOI ASSIM” e “QUADRAS SOLTAS”.

 

(Nesta Antologia não participei. Mas tenho um exemplar autografado, que me foi oferecido pelo Srº João.)

(Relativamente a estas Antologias, não posso deixar de frisar o trabalho altamente meritório de Luís Filipe Soares, que neste domínio conseguiu sempre um crescendo de adesões, pois a “V Antologia de Poesia Contemporânea”, de Fev. 1988, conseguiu 97 Autores!

No final desse mesmo ano, Nov. 1988, “estranhamente”, surgiria uma outra Antologia intitulada “I Antologia de Poesia Contemporânea”, coordenada por um dos participantes na V Antologia de Poesia Contemporânea, já referida.) (!!!???)

 

No concernente ao Srº João Guerreiro da Purificação, frise-se que ainda veria, em vida, a publicação das suas Poesias, em livro de sua autoria: “ANTA”, Aldeia da Mata - 1992; Gráfica Almondina, Torres Novas. Com “Apresentação” de Srª D. Maria Aires, impulsionadora da publicação deste trabalho, como o próprio frisa na “Introdução”: “Encorajou-me de tal maneira que consegui levar por diante esta sua lembrança.”

 

Seria ainda publicado de sua autoria, embora já não em vida, um outro livro versando “As tradições da nossa Terra… o que foi a Grande Sabedoria Popular da nossa Terra”, conforme, de algum modo, sugerira na “Introdução” do mencionado “ANTA”.

Intitula-se “A nossa terra”; “2000, Há Cultura. Criação e Produção de Eventos Culturais, Lda. / Associação de Amizade à Infância e Terceira Idade de Aldeia da Mata”; Colecção Patrimónios; Lisboa.

*******

As Fotografias são originais de D.A.P.L., de 2016 e 2017, de locais emblemáticos de Aldeia e de algum modo sugestionados pelo conteúdo do texto, numa interpretação sempre livre e pessoal.

A primeira reporta-se ao "Vale de Baixo"!

A segunda é por demais evidente.

(Foi nesse caminho que se situou um das metas do extraordinário evento de "Orientação", ocorrido em Fevereiro transato.) 

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publicado às 21:37

CAVALO de FERRO!

por Francisco Carita Mata, em 15.03.15

CAVALO de FERRO

 

Eh! Cavalo de ferro

Que malhas no ferro

Repisando no erro!

A campainha, já avisada

Anuncia a tua alvorada.

Trriim, Trriim, Trriim, Trriim,

Trriim, Trriim, Trriim…

Debita milhões de decibéis.

(Ralos, não vos raleis.

Vosso ralar já não rala.

Que outra Natureza nos fala!)

 

Ainda ao longe, relinchas.

Estremecem os teus compinchas

Lembrando a tua chegada.

ppppiiiiiiiiiIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

E galopas sobre as travessas

Maradas das tuas pressas.

catrapum, catraPUM, CATRAPUM

CATRAPUM, CATRApum, catrapum…

 

Te perdes no horizonte

Mal ultrapassas a ponte.

Não sendo mais que um ponto

Não se ouve já teu grito.

Tendes para infinito.

            -----»  

 

 

 

 

 

Escrito em 1982.

Publicado em:

- Revista Família Cristã”, rubrica “Lugar aos Novos” – Nov. 1985.

- III Antologia de Poesia Contemporânea - 1986

III Antologia Luís Filipe Soares  1986.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 18:46

Um QUADRO

por Francisco Carita Mata, em 15.03.15

 

Um Quadro

 

Comprei um quadro, um quadro, uma tela

Um quadro, uma tela.

Pintado em pano, em pano de vela

Em pano de vela

De barco ou de caravela.

Barco já morto.

Pescado no Tejo

No Tejo a morrer.

Comprei um quadro, um quadro qualquer

Comprado no Rossio, a uma mulher

A uma Mulher.

Mulher, meia-idade, idade vivida.

Que está vendendo, vivendo sofrida.

Já teve um emprego.

Já esteve empregada.

Agora… Está no prego.

Vende quadros.

Mais nada!

 

 

 

 

Escrito em 1976/77.

Publicado em:

III Antologia de Poesia Contemporânea, 1986.

http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/antologias-de-poesia-26704

III Antologia Luís Filipe Soares  1986.jpg

 

 

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publicado às 18:39

A Morte ronda-me a porta

por Francisco Carita Mata, em 15.03.15

Continuo a divulgar poesia publicada em Antologias.

II Antologia Poesia Contemporânea.jpg

 

 

 

A Morte ronda-me a porta

                        Thánatos

220px-Column_temple_Artemis_Ephesos_BM_Sc1206_n3.j

 

Nascem-me raízes nos pés

O pensamento me gela

Do mastro até ao convés

Vou-me chegando até Ela.

 

Caminhando em três pernas

Vou-me arrastando a custo

Ouvindo as vozes mais ternas

Dos anjos pregando-me susto.

 

No coração corre-me a terra

De que nasci e a que pertenço.

Ao andar, subo uma serra.

 

Curvado, de espinha torta

A serra da vida venço.

Mas a Morte ronda-me a porta.

 

 

 

 

Escrito em 1983.

Publicado em II Antologia de Poesia Contemporânea, 1985.

ver também: http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/agua-mole-21360

 Imagem de "Thánatos", in wikipédia.

 

 

 

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publicado às 14:59


Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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