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Cantigas de oito pontos – “Amor p’ra toda a Vida”!

por Francisco Carita Mata, em 10.12.17

Quadras Tradicionais VII

 

Vale. original DAPL. 2016.jpg

 

(I)

«O sol é que domina

Toda a planta que há na terra

O meu coração se encerra

No teu peito, menina.

Inda eras bem pequenina

Já me caías em graça

Que queres, amor, que eu faça

Esta é que é a minha sina.»

 

(Cantiga (I) “dita” por Srº Domingos Carita Lopes, em 1982, em Aldeia da Mata.)

 

Arco Original DAPL. 2016. jpg

 

(II)

«Eu de cá e tu de lá

Forma-se um arco no meio

Eu de cá sempre estou firme

Tu de lá tens arreceio.

Os teus olhos são dois sóis

Que alumiam todo o mundo

As sobrancelhas, anzóis

Que pescam no mar sem fundo.»

 

(III)

«Sepultei minha tristeza

Na raiz do alecrim

Já não achas com certeza

Outro amor igual a mim.

Na palma da tua mão

Tá outra palma nascida

Se me souberes amar

Tens amor p’ra toda a vida.»

 

(Cantigas II e III “ditas” por Srª Catarina Matono, em 1982, em Aldeia da Mata.)

 

*******

 

Vale e Igreja. original DAPL. 2016.jpg

 

Com estas “Cantigas”, voltamos às Quadras Tradicionais. Este já é o Grupo VII.

Resultam estas “cantigas” de uma recolha efetuada em 1982! Tenho-as manuscritas, com as palavras na forma como me foram ditas oralmente. Nesta transcrição escrevo-as respeitando a ortografia atual.

Continuamos deste modo a homenagear a Poesia, a Poesia Tradicional e os seus Autores, cuja origem se perde na memória dos tempos. Fica o registo dos seus transmissores, desconhecendo eu completamente se seriam originais, mas julgo que não.

(A Srª Catarina Matono também me relatou vários contos tradicionais, que tenho manuscritos.)

 

*******

(As Fotografias são originais D.A.P.L. - 2016)

 

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publicado às 22:10

"Momentos de Poesia: Dar Voz aos Poetas"

por Francisco Carita Mata, em 08.12.17

"MOMENTOS DE POESIA"

PORTALEGRE

Dezembro de 2017

Há mais de dez anos a, regularmente, "Dar Voz Aos Poetas"

 

"Momentos de Poesia" - Cartaz Dez. 2017 Jpg.

É com grata satisfação que anuncio a realização do próximo evento poético de "MOMENTOS DE POESIA"!

Formulo votos de um bonito Sarau de Poesia, de Teatro, de convívio, conforme é apanágio da organização.

Pena tenho de não poder estar presente. Algum dia acontecerá essa possibilidade.

Aproveito para formular Votos de Bom Natal a todos os intervenientes, participantes na "Tertúlia!

 

(Cartaz de Autoria de Organização do Evento.)

 

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publicado às 15:34

Uma Equipa de Jovens… Com alguma Idade!

por Francisco Carita Mata, em 01.11.17

Associação Portuguesa de Poetas

 

Momentos Original Helena Cruz APP Out. 2017. jpg

 

Dinamismo. Trabalho. Competência.

Juventude!

 

Retorno à Poesia!

Também para falar da Associação Portuguesa de Poetas. E para continuar na divulgação dessa nobre Arte, a Poesia!.

 

A APP é uma Associação, com uma enorme vitalidade.

De certo modo, só faz sentido que assim seja, dado que está nos seus trinta e dois anos, mas esse facto também se deve ao dinamismo dos Associados e, obviamente, da respetiva Direção. Ao seu trabalho e competência.

 

Consultando as atividades mensais desenvolvidas e as previstas de realizar, verificamos uma grande azáfama, tanto da Associação, como dos Associados:

- Lançamentos de antologias coletivas, de livros individuais, de boletins culturais; organização de tertúlias variadas, eventos diversos de caráter cultural, por todo o Portugal e também no Brasil, centrados ou com a participação de sócios; prémios de poesia; reconhecimento do mérito e do trabalho de poetas e poetisas associados da APP, em ambos os Países irmãos, por diversas, diferentes e prestigiadas Instituições; programas de rádio, workshops poéticos, palestras, peças de teatro, blogues… artes plásticas, música, canto. Eu sei lá!

 

*******

 

Vou falar apenas e um pouco de três eventos a que assisti e/ou participei, no finado mês de Outubro.

 

A vinte e nove, (29/10), a habitual Tertúlia da APP, de final do mês, na sede da Associação: Rua Américo de Jesus Fernandes, nº 16 - A, aos Olivais, Lisboa.

 

Helena Cruz APP 2017.jpg

 

Integrada e inaugurada nesse contexto, uma bela Exposição de Pintura, “Momentos”, da associada, pintora Helena Cruz.

São de sua autoria, os quadros, que tomei a liberdade de enquadrar como ilustradores deste post.

Obrigado!

 

Também nesse enquadramento, foi apresentada a XXI Antologia, “A Nossa Antologia”, com 89 Autores. (Quase a bater o record da “V Antologia de Poesia Contemporânea”, organizada por Luís Filipe Soares, sócio nº 1 da APP, em 1988! Com 97 autores.)

 

XXI Antologia APP capa. Original Teresa Maia. jpg

 

Com uma sugestiva capa, ilustrada a partir de “Camões”, desenho a tinta-da-china, de Teresa Maia. (Composição e arranjo gráfico de João Luís.) Editor: Euedito.

 

No decurso da Tertúlia, todos os Poetas e Poetisas presentes, a maioria participantes da Antologia, tiveram oportunidade de ler/dizer/recitar/declamar um dos seus poemas. Alguns até nos demonstraram o seu estro de cantantes!

Obrigado a todos. Belos momentos vivenciados!

Também li um dos meus poemas publicados: «Empresta-me um Sonho».

 

*******

 

No dia quinze, (15/10), reiniciou a APP a já tradicional “Tertúlia do VÁ VÁ”.

Evento já com história, dado que proveniente de anteriores Direções da Associação. Interrompido algum tempo, devido às obras no café – restaurante.

 

Oportunidade para a apresentação do livro de poemas de Alcina Viegas, “Versos Do Meu Sul”, Edições OZ, 2017.

A imagem de capa reproduz um óleo s/ tela, também da Autora. (A capa e paginação são de Paulo Reis e a revisão de Paula Oz.)

 

Deste livro, tomei a liberdade de transcrever o poema “Além do Tejo”, pag. 22.

 

«Para além do Tejo,

os campos que vejo

são de sol dourado…

Os verdes trigais

e o chão semeado

são pão amassado

com dores e com ais.

E os verdes fatais,

cor dos olivais

são belos poemas,

às moças morenas.

Tem de Florbela

a dor e a candura

são amores em chama,

de uma alma pura,

alma alentejana.»

 

(Já conhecia a poesia desta Autora do blogue “Rumo ao Sul”.)

 

(Neste evento, de sala cheia, com mais de quarenta pessoas, apenas assisti. Não participei na tertúlia.

Tenho a realçar que a sala, per si, é adequada. Mas é pena que a porta que dá para o café, tendo um bonito rendilhado na sua estrutura, este não esteja coberto com algum material, vidro, por ex., de que resulta que, mesmo estando fechada, é como se estivesse permanentemente aberta…

Mas lá diz o ditado: “ a cavalo dado…”)

 

A APP prevê continuar a realizar estas tertúlias, mensalmente, nos segundos domingos.

A próxima está prevista para 12, do corrente mês, pela 16h. 30’.

Café – restaurante "VÁ VÁ", Lisboa, cruzamento da Avenida de Roma, com a dos Estados Unidos da América!

 

*******

 

Ainda no domínio das tertúlias também a APP iniciou recentemente uma nova.

Em Almada, a “Tertúlia Almadam”: terceira 3ª feira de cada mês.

No Café “Le Bistrô”, Rua dos Espatários, 2.

(Junto da Igreja de S. Sebastião, bonita de visitar, diga-se e perto da paragem de Metro, precisamente de Almada.)

Tem coordenação de Maria Melo e responsabilidade de Maria Leonor Quaresma.

A próxima será dia vinte e um, (21/11), pelas 16 horas.

 

Participei, com muito gosto, na anterior, a segunda a ser realizada, no transato dia dezassete, (17/10/17).

 

Apresentei: “Aquém – Tejo” e “Retalhos do Alentejo”.

 

Participaram:

Felismina Mealha: “Lisboa, Sonho Contigo” e “Clara Mestre”.

Clara Mestre: “Jovem Senhora” e “Maria Campaniça”, de Manuel da Fonseca.

Maria Melo, de “Aldravias”: “Meu Verso” e “Estrela Guia”.

Maria Petronilho: “Frágil Força” e “Como gostaria de ser Poesia”.

Carlos Cardoso Luís: “Auto Apresentação em Verso” e “Viagem pela Cidade”.

Márcia Cabral da Rocha: “Nesse Instante” e “Bela é a dor no peito do Poeta”.

Mabel Cavalcanti: “Eu sou” e “Apolo e Atena”.

Su Sam: “Ganhar corpo” e “Acrobatas”.

 

Excelentes “dizedores” de Poesia. (Que me sinto pequenino!)

 

Oportunidade ainda para mostrarem outros talentos.

 

Clara Mestre leu e cantou o belíssimo poema de Maria Guinot, “Silêncio e Tanta Gente”, canção que venceu o Festival da Canção de 1984.

 

Mabel Cavalcanti também cantou uma canção sobre um pássaro da Amazónia, que, quando canta, todos os outros se calam, cujo nome não consegui fixar. Não sei se é “irapunu”!

 

E era tempo de eu calar-me também… Não fora que Mabel ainda cantou “Só nós dois é que sabemos”.

 

E Clara Mestre ainda leu uma engraçadíssima anedota alentejana.

 

Resumindo: uma tarde belissimamente passada. Uma Tertúlia Interessantíssima. E que promete!

 

Apareça: terceiras terças-feiras do mês, no local já referido!

 

E assim termino esta crónica sobre a APP.

 

E longa vida à Associação Portuguesa de Poetas!

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publicado às 17:06

« Alentejo, Meu Alentejo»

por Francisco Carita Mata, em 07.10.17

«ALENTEJO, MEU ALENTEJO»

 

Original DAPL 2016 Primavera Alagoa.jpg

 

«Alentejo, meu Alentejo!

(boca fechada) mmmmmm

 

Alentejo dos loiros trigais

Onde os ceifeiros cantam madrigais

Alentejo, planura sem fim

Que, todo, cabes dentro de mim

 

Mais do que a neve da serra

Mais do que a espuma do mar

O Alentejo é brancura

À luz branca do luar.

Solidão do Alentejo

Fontes, cruzeiros e alminhas

Cantam rolas e cigarras

No silêncio das tardinhas!

 

O pastor do Alentejo

Encostado ao seu cajado

Vai namorando a campina

Que é a mesa do seu gado!

Olhos vagos e profundos

Num sonho distante imersos

Há neles mais poesia

Do que num livro de versos.

 

Alentejo das debulhas

Das ceifas e dos montados

Dos ranchos de mondadeiras

Fiéis aos seus namorados

E do cavador tisnado

P’lo sol quente do meio-dia

Rude, branco e altivo

Fiel à sua Maria!

 

Alentejo dos sobreiros

Azinheiras e olivais

Alentejo, minha terra,

Eu quero-te sempre mais.

Alentejo das searas

Em Abril a ondular

E das chaminés branquinhas

Ao sol posto a fumegar.

 

Dos tarrinhos de cortiça

Das samarras e safões

Dos pastores e dos morais

Dos manajeiros e ganhões,

Símbolos deste Alentejo

Que eu pra bem poder cantar

Hei-de beijar a planície

De joelhos a rezar.»

 

Exibiu-se no rancho de Aldeia em 1960.”

 

Original DAPL Alentejo 2017.jpg

 

Notas explicativas:

Mão amiga fez chegar no ano passado, 2016, um conjunto de “cantigas” impressas em duas folhas A4, às mãos de D. Maria Belo. “Cantigas” essas que faziam parte do espólio de Srª D. Maria Águeda, distinta Professora Primária, natural de Aldeia da Mata, que exerceu o Magistério em Vila Viçosa, terra natal da célebre Florbela.

Além de “ALENTEJO, MEU ALENTEJO”, nesse conjunto, incluem-se ainda:

“O sino da nossa Aldeia”, “As moças da nossa Aldeia”, “Namoro”, “Marcha de Aldeia”, “Festa de Aldeia”, “Cantigas das nossas ruas (desafio)”, “Balada de Aldeia”.

Estas cantigas eram precisamente para serem cantadas e foram exibidas “no rancho em Aldeia da Mata no Verão de 1960”.

Esta publicação e divulgação no blogue é também uma homenagem e tributo de amizade e de consideração pela estima mútua.

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As fotografias são originais de D.A.P.L., de campos alentejanos, na Primavera, de 2016 e de 2017. A primeira tem como fundo a aldeia de Alagoa e a segunda foi tirada perto de Monforte.

 

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publicado às 22:06

«ESCUTA!...»

por Francisco Carita Mata, em 07.10.17

POESIA de João Guerreiro da Purificação.

Original DAPL. 2016. jpg

 

 

«ESCUTA!...»

 

«Se à Bíblia deres razão

Muda a tua vida de vez

Não faças que a tua mão

Veja o bem que a outra fez.

 

Se tu pousares com amor

A mão num ombro qualquer

Não toques sino nem tambor

Que tal bem morre ao nascer.

 

Se levares pela mão

Alguém em rude caminho

Não digas ao teu coração

Nem fales disso ao vizinho.

 

Se houver alguém que te pise

Ou te der algum encosto

Desculpa-te com um sorriso

Com esse, do pé mal posto.

 

Se tens arestas como picos

Lima-os todos muito bem

Não se virem os malditos

E te piquem a ti também.»

 

In.

III ANTOLOGIA de POESIA CONTEMPORÂNEA, 64 autores, coordenação de Luís Filipe Soares, 1986. Minigráfica, Lisboa.

 

Original DAPL Aldeia Igreja Araucária 2017jpg

 

Notas Finais:

Conforme mencionara em post anterior, prossigo na divulgação de Poesia de Pessoas da Aldeia, de que eu tenho conhecimento.

Supracitado, está o Srº João Guerreiro da Purificação, (10/07/1927 – 17/12/1997), que dispensa apresentações e que tive o grato prazer de conhecer e de conviver, como a grande maioria dos Matenses.

Segundo julgo saber, esta “III Antologia de Poesia Contemporânea” foi o 1º livro em que o Srº João participou, tendo também ainda publicado, nessa Antologia, “INIMIGOS”.

 

(Nesta mesma Antologia também participei. Com: “UM QUADRO” e “CAVALO DE FERRO”, que já figuram no blogue.)

 

No domínio das Antologias, que seja do meu conhecimento, ainda participou na “IV ANTOLOGIA de POESIA CONTEMPORÂNEA”, 80 autores, coordenação de Luís Filipe Soares, 1987; Minigráfica, Lisboa.

Deu a conhecer: “E FOI ASSIM” e “QUADRAS SOLTAS”.

 

(Nesta Antologia não participei. Mas tenho um exemplar autografado, que me foi oferecido pelo Srº João.)

(Relativamente a estas Antologias, não posso deixar de frisar o trabalho altamente meritório de Luís Filipe Soares, que neste domínio conseguiu sempre um crescendo de adesões, pois a “V Antologia de Poesia Contemporânea”, de Fev. 1988, conseguiu 97 Autores!

No final desse mesmo ano, Nov. 1988, “estranhamente”, surgiria uma outra Antologia intitulada “I Antologia de Poesia Contemporânea”, coordenada por um dos participantes na V Antologia de Poesia Contemporânea, já referida.) (!!!???)

 

No concernente ao Srº João Guerreiro da Purificação, frise-se que ainda veria, em vida, a publicação das suas Poesias, em livro de sua autoria: “ANTA”, Aldeia da Mata - 1992; Gráfica Almondina, Torres Novas. Com “Apresentação” de Srª D. Maria Aires, impulsionadora da publicação deste trabalho, como o próprio frisa na “Introdução”: “Encorajou-me de tal maneira que consegui levar por diante esta sua lembrança.”

 

Seria ainda publicado de sua autoria, embora já não em vida, um outro livro versando “As tradições da nossa Terra… o que foi a Grande Sabedoria Popular da nossa Terra”, conforme, de algum modo, sugerira na “Introdução” do mencionado “ANTA”.

Intitula-se “A nossa terra”; “2000, Há Cultura. Criação e Produção de Eventos Culturais, Lda. / Associação de Amizade à Infância e Terceira Idade de Aldeia da Mata”; Colecção Patrimónios; Lisboa.

*******

As Fotografias são originais de D.A.P.L., de 2016 e 2017, de locais emblemáticos de Aldeia e de algum modo sugestionados pelo conteúdo do texto, numa interpretação sempre livre e pessoal.

A primeira reporta-se ao "Vale de Baixo"!

A segunda é por demais evidente.

(Foi nesse caminho que se situou um das metas do extraordinário evento de "Orientação", ocorrido em Fevereiro transato.) 

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publicado às 21:37

« “Mendigo do Ideal”»

por Francisco Carita Mata, em 26.09.17

« “Mendigo do Ideal”»

 

«Em outras eras, quando adolescente,

das Hostes do Ideal eu fui soldado,

Vida…fraternidade…amor…dourado

tudo eu via, sob luz’resplandecente…

 

Tudo…terra…água…’strelas…sol ardente…

Tudo, tudo eu amava, enamorado…

Ah! Frente à Natureza, extasiado,

Eu tive orações místicas de crente.

 

O Tempo andou…Com dolo e vil traição,

Os Batalhões do Mal, em elo forte,

Avassalaram o Ínclito Pendão.

 

De então, a alma em farrapos, no temporal

da Vida, aos baldões, mísero, sem norte,

Em vão esmolo o Reino do Ideal.»   

 

«Luanda, Dezembro de 1948

JoCris»

 

 

In.:

- Jornal “A MENSAGEM”, Setembro 2013, “Lembrando…” pag. 10.

- “TESTEMUNHOS de José Cristóvão Henriques (Engenheiro - Silvicultor)”; Junta de Investigações Científicas do Ultramar – Lisboa – 1981; (Edição de iniciativa de suas irmãs, Drª Piedade da Rosa Cristóvão e Drª Rita Florinda Cristóvão, que tomaram a seu cargo os custos da respetiva publicação.)

 

*******

 

Notas Finais:

Este soneto “encontrei-o” no supracitado Jornal “A Mensagem”. Decidi publicá-lo no blogue, no enquadramento de divulgação de “Poesia” e cumulativamente dar a conhecer trabalhos de e sobre Aldeia. Divulgarei outras Pessoas e Poesias, em idênticos enquadramentos.

Posteriormente, foi-me oferecido, pela Srª D. Belmira, o livro citado. A quem, publicamente, agradeço, pois a obra é muitíssimo interessante, versando fundamentalmente assuntos de silvicultura, especialidade de engenharia do mencionado senhor, que eu desconhecia completamente.

(Nasceu em Aldeia da Mata, a 8 de Dezembro de 1917 e aí viveu até aos sete anos. Aos 10 anos, foi para Lisboa - 1927. Em 1935, entrou no Instituto Superior de Agronomia, tendo concluído o curso já referido, em 1940. Em 1946, passou a exercer as funções de engenheiro – silvicultor em Angola, onde trabalhou; para além de Portugal Continental, Moçambique e Timor. Pertenceu aos quadros profissionais da Direção-Geral de Economia do Ministério do Ultramar, de 1961 a 1975.

Faleceu em 4 de Abril de 1976, com 58 anos, não sei em que localidade.)

 

Ilustro com foto original de DAPL – 2017, de paisagem de Aldeia, junto à "Fonte das Pulhas" que, de algum modo, nos poderá reportar para o “Idealismo” subjacente ao soneto e para paisagens possivelmente vislumbradas pelo Autor. No recorte do horizonte, os montados de azinho...

 

IMG 2016. Original DAPL.jpg

 (Foto original DAPL - 2016.)

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“Vi a luz numa pequena aldeia rural, toda alvacenta e em eterno namoro com montados de sobro e azinho e olival. Os contrafortes cinzentos da serra de S. Mamede…”

In. supracitado livro: “TESTEMUNHOS…” pag. 53

 

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Rua do Norte  - Fundão. Original FMCL.jpg

(Imagem de Rua Larga, ou do Fundão ou do Norte, que me lembram todos estes nomes da Rua. Original de FMCL - meados dos anos oitenta.)

(Esta "imagem" da Aldeia poderá ter sido "visualizada" pelo Autor do soneto, nos anos vinte, quando viveu na "aldeia... alvacenta...". Com excepção dos postes da luz, que só foi inaugurada nos finais dos anos cinquenta; da roseira, à porta da D. Dolores e da própria, que seria jovem à data, anos vinte do século vinte.)

 

 

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publicado às 19:28

"Momentos de Poesia" - Setembro 2017

por Francisco Carita Mata, em 16.09.17

"MOMENTOS de POESIA"

Momentos de Poesia Setembro 2017.png 

Congratulamo-nos com o regresso de "Momentos de Poesia"!

Saudamos e felicitamos a Iniciativa e a Organização deste evento, que dignifica a Cidade.

Parabéns a todos os participantes. 

Viva a Poesia. E José Régio!

Foto original DAPL 2017.jpg

 (Fotografia: original D.A.P.L.)

 

Superando o muro da indiferença e o cinzentismo do dia-a-dia,

O colorido inebriante da Poesia!

Substanciado em lindas Rosas de Alexandria!

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publicado às 12:26

Versos semeados nas paredes (I): Fotografias

por Francisco Carita Mata, em 19.07.17

"Poesia na Rua"!

Lisboa – Olivais Velho – Calçadinha dos Olivais

 

Original FMCL. 20170414. jpg

 

Chegou, hoje, a oportunidade de divulgar as fotografias relativas ao graffiti "achado" nos Olivais Velho.

De quem será a autoria?!

(...)

Original FMCL. 20170414.jpg

 

 Consulte também o poema. SFF!

 

Original FMCL. 20170414.jpg

 

 Olivais Velho fica bem perto da sede da APP, que recentemente festejou o seu 32º Aniversário.

 

Original DAPL. 20170403. jpg

Viva a Poesia!

 

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publicado às 13:00

Fernando Pessoa - “Mensagem”

por Francisco Carita Mata, em 10.06.17

 

Prólogo

 

No blogue, já divulguei alguns dos Poetas e Poetisas consagrados/as que mais aprecio.

Já aqui apresentei abordagens sobre José Régio, Florbela Espanca, António Gedeão, Ary dos Santos, Luís Vaz de Camões, …

Hoje, “Dia de Portugal e de Camões”, divulgo Fernando Pessoa (1888 - 1935) e o início de “Mensagem”.

Post nº 535!

(…) (...)

 

*******

 

“Primeira Parte

Brasão

 

Os Campos

 

Primeiro

 

O Dos Castelos

8 – 12 – 1928”

 

*******

enciclopedia_sopena_1928_europa in. pasado en letras.com

 

«A Europa jaz, posta nos cotovelos:

De Oriente a Ocidente jaz, fitando,

E toldam-lhe românticos cabelos

Olhos gregos, lembrando.

 

O cotovelo esquerdo é recuado;

O direito é em ângulo disposto.

Aquele diz Itália onde é pousado;

Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

 

Fita, com olhar esfíngico e fatal,

O Ocidente, futuro do passado.

 

O rosto com que fita é Portugal.»

 

 

In. “MENSAGEM - “Estante Editora” – 5ª edição - Aveiro – Agosto 2010.

 

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publicado às 14:43

“E as Crianças, Senhor!”

por Francisco Carita Mata, em 08.06.17

Poesia de João de Deus Rodrigues

 

Fotografia original DAPL 2016. jpg

 

 

Prólogo

 

Antes de mais, constatar o óbvio.

Há quase um mês que não publicava no blogue. Retorno, agora!

 

Este é o meu primeiro post do mês de Junho. E como Junho se inicia com o “Dia da Criança” e porque todos os dias são “Dias de Criança”…

E porque a Poesia é uma das razões de ser deste blogue…

E porque é sempre imperioso e urgente lembrar a Poesia...

 

Reinicio a publicação no blogue com uma Poesia dedicada às Crianças.

 

Da Autoria de João de Deus Rodrigues, in Livro “O acordar das emoções” – Tartaruga Editora e in bloguePoetamos”.

 

 

 

«E as Crianças, Senhor!

 

 

Homens parem de gritar,

E ouçam o silêncio do vento.

E meditem nos segredos do mar,

E na imensidão do firmamento.

 

E contemplem, também,

A coisa mais preciosa que o mundo tem:

Uma criança.

 

Reparem na candura do sorriso dela, a brincar

No colo de sua mãe, no aconchego do doce lar.

 

Longe,

Bem longe, do alcance de déspotas avarentos,

Que passam momentos

A jurar que só querem o bem,

De todas as crianças que o mundo tem.

Porque elas, lindas e queridas,

São anjos inocentes, o melhor das suas vidas.

 

Mas, isso, é só ruído.

Palavras dolentes, sem sentido,

Dos que não querem ver

Tanta criança a sofrer,

Por esse mundo além,

Abraçadas ao peito da sua mãe,

Chupando peles gretadas,

Que a sede e a fome ressequiram,

E jazem sentadas, junto do seu amado Ser,

De olhos enxutos, sem lágrimas para verter.

 

Ó desumanidade!

Ó crueldade!

Ó Senhor meu Deus,

Dizei-me por favor,

Porque há tanta criança abandonada,

A perecer com sede e com fome,

Torturadas pela dor,

Com a complacência de parte da humanidade?

 

Enquanto ao som de trombetas,

Em salões forrados de veludo,

Há criaturas que fazem juras, e tudo,

Dizendo que só querem o bem

De todas as crianças,

Porque elas são o melhor que o mundo tem.

 

Ó desfaçatez!

Ó Ingratidão!

Porque não calam elas a sua usura,

E refreiam a sua ambição?

 

E não pensam, por uma vez, 

Que as migalhas que sobram da sua mesa,

E o escorrer das suas taças de cristal,

Bastavam para não morrerem,

Com fome, com sede e com mal,

Tantas crianças que juram amar.

 

Sim, ó vós?

Que em verdade sabeis,

Que elas estão a padecer.

Enquanto assobiais,

Julgando-vos imortais.

 

Que mundo cruel,

O vosso, com tão amargo fel!

 

Guardai as vossas lágrimas,

De serpente rastejante.

Guardai os vossos lamentos e ais,

Mas não venham dizer, de ora avante,

Ou jamais,

Que não sabeis, de verdade,

Dessas crianças com tanta necessidade.

 

Ou será que o fazeis,

Para melhor adormecerdes

Sobre o peso da vossa consciência!

Que julgais ser leve,

E pesa mais que o bronze.

Enquanto, não longe,

Se fina, num contínuo permanente,

Tanta criança inocente.

 

Não. Não venham com a falsa bondade,

Nem com a vossa sacra fé.

Porque isso mais não é

Que a negação da caridade.

 

O que me leva a acreditar,

Que nem os dóceis vermes da terra

Hão de querer tragar,

Os vossos corpos fedorentos.

E as moscas, e as formigas,

E até os ratos, seguirão tais intentos.

 

 Ide para os Infernos,

Criaturas com tais sentimentos.

 

Ah!, se eu pudesse lançar um raio

Aos vossos corações de besouro,

Que vos afogasse nos palácios de ouro,

Erguidos sobre o sofrimento de tanto inocente,

Eu o faria, num repente!

 

Sumam-se!

Porque até o doce mar profundo

Não vos há de querer sepultar.

Nem as flores silvestres,

Emprestar o seu perfume.

 

Evaporem-se,

Corja de malfeitores.

Para que haja um mundo melhor,

Mais generoso e fraterno,

No amor e na esperança,

Com o sorriso de uma criança!

 

Mas não vos esqueçais,

Que partis sem o perdão dos que cá ficam.

E sem a misericórdia e contemplação,

Dessas crianças que estão no Céu,

Enviadas pela vossa mão.»

 

      In Livro “O acordar das emoções” – Tartaruga Editora

In bloguePoetamos”.

 

***

 

(Fotografia original de D.A.P.L. – 2016.)

 

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publicado às 10:57


Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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