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"Uma Aldeia Francesa” - T. 7 - Amores e Desamores

por Francisco Carita Mata, em 22.01.18

"Un Village Français” - Temporada 7 – Episódios 1 e 2

Reconstrução de Vidas – Amores e Desamores

(Episódios Globais nº 61 e 62)

(18 e 19 de Janeiro de 2018) 

RTP 2

Rosas numa Aldeia. Original DAPL 2016.jpg

 

Abordando, agora, a situação de alguns personagens.

 

Gustave Larcher, filho de Marcel, resistente comunista, executado em 13 de Novembro de 1943, (temporada 5, episódio 12); sobrinho de Daniel e Hortense é, em 1945, um adolescente, órfão de mãe e pai.

Vive com um grupo de meliantes, que se dedicam ao mercado negro, traficando os mais diversos produtos, nomeadamente os que os americanos trouxeram como novidades, para uma França depauperada pela guerra e mais atrasada, industrial, económica e socialmente. Contrabandeia com os gringos, rouba. É apanhado por Raymond Schwartz a extorquir dinheiro à sua secretária, na fábrica de serração, ameaçando-a com uma arma.

É preso pela polícia, cuja delegação é chefiada por Loriot.

Vale-lhe, que este viva com Suzanne Richard, militante comunista, que fora a namorada de Marcel, seu pai e que, a pedido dela, Loriot o tenha libertado.

Fica uns dias com Suzanne, esta aproveita para lhe dar a conhecer aspetos do seu progenitor, tal como o local onde ele está sepultado e entrega-lhe um famoso caderno, título do 2º episódio.

Nesse caderno de manuscritos, vai ele lendo o que o pai fora apontando: seus pensamentos, seu ideário, suas reflexões…

Terão essas ideias alguma influência no jovem?

(O futuro o dirá…)

Apenas sabemos que nessa estadia em casa de Suzanne teve oportunidade de conhecer a respetiva filha, Leonor, que terá regressado da Bretanha e que entre outras possíveis e hipotéticas afinidades, a miúda denota especial interesse pelo rapaz, apesar dele aparentar algum alheamento.

Acaba por fugir para junto dos meliantes, não sem antes prometer encontro com a rapariga na igreja.

Os capangas mandam-no matar Tom, o americano.

 

Antoine, afamado resistente, organizador do célebre desfile do onze de Novembro de 1943, comandante de guerrilheiros, participante da guerra, como soldado, na expulsão dos boches, regressa a Villeneuve, esperançado em encontrar a sua Geneviéve, a quem prometera casamento, quando regressasse no fim das hostilidades.

Encontrada esta, que vivia na quinta com a avó, saldam contas em atraso de um ano, mas ele não se adapta ao viver na quinta, nem consegue arranjar uma ocupação satisfatória, apesar do seu excelente currículo.

Procura trabalho na polícia e o que Loriot lhe oferece, por especial favor, é entregar jornais de porta em porta.

Vagueia pela cidade, encontra um outro resistente como ele, Anselme, ainda mais desesperançado, a dormir em banco de jardim, sem eira nem beira, que este, Anselme, quando retornou ao lar, já nem a mulher encontrou, que, fartando-se de esperar, se acomodara com outro.

Conversam como antigos camaradas de armas, bebem uns copos, fazem desacatos, que já ninguém se lembra do seu papel enquanto resistentes… são presos.

Mais tarde, libertos, não sei se também a pedido de Suzanne, regressam ambos à quinta, onde, apesar da penúria, a velhota ainda faz umas sopas quentinhas!

Anselme oferece-se para trabalhar no campo, que a velha até acha que seria com ele que a neta deveria casar. Amanhava-lhe o prado, à idosa.

Antoine fica a saber que a camponesa, que se queixa de dores nas costas, como se fosse reumatismo, o que tem é um cancro, que deveria ir a Besançon tratar-se no hospital, mas não tem dinheiro para pagar os tratamentos.

Antoine resolve ir pedir dinheiro aonde supõe ele existir e vai à serração de Raymond Schwartz, aonde já trabalhara em quarenta e três, quando sua irmã era segunda esposa de Raymond.

Este aceita emprestar-lhe a massa, oferece-lhe trabalho, um pouco melhor remunerado até que anteriormente e o empréstimo dos dez mil, pagando em dois anos.

Será que, deste modo, Antoine e Geneviéve conseguem as condições para se casarem?

 

Prosseguindo nesta narrativa, perseguindo personagens e seus amores…

 

Jules Bériot e Lucienne Borderie!

Professores primários, casados, mal amados. Jules ama a esposa loucamente, mas esta não o ama, vive ainda acorrentada a um amor, que jaz no cemitério, sepultado como Étienne Charron, falso nome, do antigo namorado, soldado alemão, de nome Kurt e pai biológico de sua filha Françoise.

Bériot, chefe da resistência na cidade, presidente da câmara, em exercício desde quarenta e quatro, ainda em quarente e cinco, no início desta 3ª temporada, vê a sua eleição contestada pelos comunistas, devido a erros eleitorais.

Ainda no exercício das suas funções, discutem alguns dos problemas fundamentais da gestão camarária, com destaque para o problema crucial à época e comum a todas as épocas, que é o do alojamento/habitação. Naturalmente acrescido após uma guerra, em que muita habitação foi destruída pelos bombardeamentos.

Bombardeamentos que não pouparam o cemitério, onde foi descoberto um obus, que necessita remoção. Que nem os mortos têm o merecido e eterno descanso!

Para tal, há que remover campas, nem mais, e uma delas será a de um desconhecido Étienne Charron, de que não se sabem familiares, mas onde se sabe que Lucienne deposita flores, de manhã bem cedinho! Afinal, um seu primo afastado, como Bériot esclareceu Loriot.

 

E neste remover e remexer e relembrar o passado, alguém, anonimamente, lembrou a Bériot em carta sem assinatura, com palavras escritas com letras tiradas de jornais que: Lucienne era amante de boches e Étienne Charron era Kurt. Outra bomba na vida do ex presidente e, de momento, um dos candidatos a futuro exercício camarário.

Bomba que leva a desmentido na imprensa.

Caso para se dizer que, ‘pior a emenda que o soneto’!

Mas a vontade de exercer as funções de presidente…

 

Este assunto azeda completamente o relacionamento Bériot – Lucienne, marido e mulher, que, frisa ele, ter-lhe perdoado Kurt, até Marguerite, o socorrer-se de Madame Berthe, mas não lhe perdoará se, por causa dela, perder a eleição da câmara. E em todo este relacionamento, estes esposos ainda se tratam por você!

 

Que no fundo e essencialmente, eles são, antes de tudo, colegas de trabalho.

E preparam o próximo ano letivo. Consultam os manuais e naturalmente o de História, nomeadamente o exemplar recente em que as problemáticas da ocupação, do colaboracionismo e da resistência são branqueadas, apresentando a resistência à ocupação, como se todos os franceses nela tivessem participado. O que não corresponde de todo à Verdade, mas é um caso típico de revisionismo da História e da realidade.

Situação que incomoda especialmente Lucienne Borderie que afirma ‘que lhe pedem para participar numa grande mentira’. (Mas talvez fosse melhor estar calada!)

E não só se calou, como se afastou, ao chegar um inspetor armado em bom, ufanado de prosápia e ameaças veladas, porque um exemplar da carta anónima também chegara ao ministério.

Para além de vir desenterrar acontecimentos passados há anos, especificamente as crianças mortas no piquenique do primeiro episódio, na temporada inicial, quando ocorreu a invasão alemã!

Bériot, na sua frontalidade e/ou honestidade, acutilância sem dúvida, ainda manifestou surpresa, por tal personagem vir investido de funções tão importantes, (Inspetor), quando fora apenas um “resistente tardio”.

Mas não lhe terá valido de muito, que o outro ficou na dele.

Jules Bériot, verdadeiro resistente, vê-se, assim, cada vez mais encurralado.

Veremos o que lhe acontecerá…

 

Esta é uma característica deste iniciar desta sétima temporada.

Os cidadãos que realmente foram resistentes a sério, desde a primeira hora, que enfrentaram os “boches”, os que foram verdadeiramente honestos consigo mesmos e com a França Livre, veem-se em palpos de aranha para poderem singrar normalmente na vida e se reintegrarem. Contrariamente, os oportunistas, que aderiram à causa da Liberdade na última hora, estão na mó de cima, prontos a pisarem todos os outros!

 

Mas retomemos com outros amores, nestes casos, mais desamores…

 

Jeannine, já constatámos, foi praticamente ilibada da sua condição de “colaboracionista”!

Costuma-se se dizer que uma mão lava a outra.

Ela fartou-se de colaborar, de toda a forma e feitio, com os ocupantes, sob todos os aspetos e mais um.

Mas como ela também ajudou a resistência, não só financeiramente, mas também como informante, e, segundo se observa, continua a ter muito dinheiro… atribuíram-lhe aquela sentença. “Admoestação simples”!

 

E agora que o exército americano se encontra em França, há que negociar com eles.

E tem em mente um grande negócio, que oferece compartilhar com o antigo marido, Raymond Schwartz, que também continua com a sua serração.

O negócio que ela tem em vista com o ex., com quem foi casada dez anos, é mais abrangente do que apenas dólares americanos.

Mas Raymond, ainda que lhe desse jeito um grande negócio, lembra-se da sua Marie Germain, e diz-lhe que não.

Mas não é essa recusa que detém Jeannine.

E é vê-la a brindar com o general americano!

 

Os últimos personagens a abordar nesta crónica sobre este reiniciar da série, perspetivando-os pelo lado romanesco, não formam um par, mas um triângulo. Um célebre triângulo amoroso. O elementar: marido, mulher e amante.

 

Daniel Larcher, personagem ímpar neste seriado, constatámos que está a ser julgado como colaboracionista.

O próprio não se sente muito confiante num veredicto auspicioso.

As testemunhas, arroladas para sua defesa, ainda que tenham falado a verdade, não diremos que sejam muito confiáveis, perante o júri e os juízes.

(Mas disso viremos a saber…)

 

Mas o que importa, agora, nesta análise, é constatar o lado romanesco da situação.

 

Daniel detém um amor incondicional pela mulher, a ruiva e fogosa Hortense. Tão incondicional, que raia quase o descomedimento. Em linguagem vulgar e vernácula, como se diz na ‘minha e nossa terra’, diríamos que ele é um “corno manso”!

Hortense destrata-o e ele perdoa-lhe e recebe-a sempre de braços abertos!

Ela, por sua vez, aproveita-se desta fraqueza completa do marido e faz o que muito bem entende. É completamente louca pelo alemão, o “boche”, Heinrich Muller!

 

No julgamento de Daniel, Hortense foi chamada como testemunha de defesa e estas cenas foram antológicas, sob todos os aspetos.

Apesar da veracidade das suas afirmações, mas contrapondo todos os factos inerentes à situação, nomeadamente a sua condição invocada de amante de Muller e mulher de Daniel, terão deitado por terra todos os seus argumentos, ainda que verdadeiros.

Foi e sentiu-se completamente humilhada, para além da ignomínia sobre o próprio marido.

Aí também se soube que Heinrich, o amante, terá morrido.

 

Após esta participação no julgamento, a que não terá sido alheia a notícia da morte do amante, Hortense foi-se ‘ausentando’ da realidade, tendo comportamentos completamente alienados em casa e afirmando-se permanentemente perseguida por estranhos, que da própria rua a vilipendiavam.

Num momento crucial em que ela, com o estetoscópio do marido, auscultava as paredes da sala, para ouvir o que se passava na casa ao lado, toca o telefone.

Daniel atende.

E informa que localizaram Heinrich Muller na Alemanha, afinal não morreu, e que é funcionário dos americanos.

Uma luz clareou as ideias de Hortense!

 

E foi vê-la a embonecar-se, para a próxima sessão do julgamento do marido, em que Muller iria testemunhar, e ainda pedir opinião a Daniel sobre que vestido trajar.

 

No julgamento esteve num permanente deslumbramento perante o desejado amante, Heinrich, que raiava a quase loucura, tão embasbacada estava.

Aquele pouco lhe ligou, frio e impertinente perante o próprio tribunal, mas perspicaz e acutilante, sempre superior, a típica arrogância dos iluminados nazis perante as outras raças.

Mas não só, também sobre aquela condição de tribunal e respetivos magistrados, como já referi.

Mas foi verdadeiro no seu testemunho e deu a volta a tudo e todos!

(Também saberemos mais tarde, que tem as costas quentes…

Não sabemos é se as suas verdades, partindo de quem partiram, terão algum efeito nas decisões do tribunal.)

 

Mas Hortense não é mulher para desistir de amores, e foi-se pespegar no hotel.

 

(Interessante esta “village français” / “aldeia francesa”, que tem todas as comodidades de uma cidade, e não uma qualquer cidade!)

 

Heinrich chegaria mais tarde, agarrado a uma flausina americana, toda apegadiça ao galã, mas que ele, com maestria, mandou subir para o quarto, quando reparou em Hortense.

Censurando-a por ela ali estar e dando conhecimento que a americana é sua mulher, apesar de tudo, concordou em arranjar um tempo para ir falar com Hortense, às 22h, a um restaurante, onde habitualmente se encontravam e que agora mudou de nome e se chama ‘Em Casa do Rogério’! (…)

 

E aí chegado, já Hortense o esperava sentada a uma mesa, bebendo champanhe!

Acomodando-se ele também, bebericando igualmente, que champagne é champagne, ela de tudo se lembra, ele tudo quer esquecer, que tem um currículo enorme de crimes de guerra, em França e na Europa de Leste.

Agora trabalha para a Inteligência Americana, a celebérrima CIA, casado com Linda, a beldade flausina a quem vimos abraçado, no hall do hotel, que é filha do nº 2 da referida agência. Brevemente será “american citizen”! Nem mais, nem a propósito!

Mas estes foram preliminares de conversa, que sabemos ao que Hortense ia, e a fogosa amante não esteve com meios termos, explicitou o desejo preto no branco, que ‘fosse ter com ela aos lavados para possuí-la uma última vez’!

E como desejos de Hortense eram ordens, ele nem esperou e foi logo atrás da amante.

Tão desejosos estavam, que quase nem se aperceberam da chegada das autoridades francesas que vieram prendê-lo, que nem fizeram nada de mais, pois que haviam de esperar e desperdiçar oportunidade única para acorrentar este verdadeiro criminoso, a pavonear-se de superior e intocável.

Mas não esqueçamos que ele tem as costas quentes dos americanos!

(…)

Hortense, pareceu-me sorrir, naquele seu jeito de raposa matreira e dengosa.

E, por aqui ficamos, aguardando próximos episódios.

 

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Fotografia Original DAPL - 2017 - Flores de Aldeia - Rosas por detrás do muro!

 

(Temporada-6

Início-da-5ª-temporada.

Temporada-4

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publicado às 13:17

“Uma Aldeia Francesa” - T. 7 - Tópicos do Enredo

por Francisco Carita Mata, em 21.01.18

Un Village Français

Temporada 7

Episódios 1 e2

(Episódios Globais nº 61 e 62)

(18 e 19 de Janeiro de 2018) 

RTP 2

 

Enredo. Original DAPL. 2017.jpg

 

Caro/a Leitor/a

 

A RTP2 iniciou a 7ª Temporada desta excelente série francesa, na passada 5ª feira, dia 19/01/18.

Tomo a liberdade de sugerir que faça uma leitura sobre os últimos episódios da 6ª temporada, que passaram no mesmo canal, em Junho de 2016. Bem como os posts referentes a personagensepisódiosenquadramento espacial.

(Assim poderá equacionar melhor os episódios atualmente em curso.)

 

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Nesta 7ª temporada, a ação continua a decorrer na localidade de Villeneuve, subprefeitura francesa fictícia, do departamento do “Jura”, situada no “Franco Condado”. No Nordeste de França, junto da fronteira com a Suíça.

E próximo da zona de demarcação, definida pelo exército alemão, durante a ocupação de França, de 1940 a 1944.

Só que no ‘tempo atual’ da narrativa, finais de 1945, a França já não está ‘ocupada’ pelo exército alemão.

 

O 1º episódio reporta-se a 7 de Novembro de 1945 e intitula-se “Atrás do Muro – Derriére le Mur”.

O 2º episódio designa-se “O Caderno – Le Carnet”.

 

Nestes dois episódios, um dos temas do enredo incide sobre os julgamentos a que foram sujeitos alguns dos principais “colaboracionistas” com os “boches”: Servier, subprefeito; Daniel Larcher, médico, presidente da Câmara, marido de Hortense; Jeannine, empresária, mulher de Raymond Schwartz e de Philippe Chassagne.

 

Outra das temáticas da narrativa, reporta-se ao modo e à forma como cada personagem vai tentando reconstruir a sua própria vida, agora no novo enquadramento institucional, com a ‘desocupação’ alemã, mas com a presença do exército americano.

Nesta reconstrução, há sempre, em momentos cruciais, um relembrar de acontecimentos, situações passadas, ocorridas nos anos recentes da “ocupação”. Um recordar de pessoas, sentimentos, perceções da realidade vividas nesses tempos…

 

Assim também nós, espetadores, podemos comparar o momento, o agora, com o transato, o passado, e formularmos, também nós, o nosso próprio juízo crítico.

Porque esta série e os assuntos abordados e o tempo e as vivências a que se refere, não nos deixa indiferentes!

 

Outro tema, sempre presente neste seriado, desde o início, ou não funcionasse também a série como um enredo novelístico, é o Amor. Cada personagem procura sempre o seu par, o/a seu/sua Outro/a, que o/a preenche e o/a complementa.

 

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No que aos julgamentos se refere o assunto e o modo de abordagem são sintomáticos.

A começar pelos Juízes, que a melhor análise sobre os mesmos foi o questionar pertinente de um estrangeiro, que foi chamado a testemunhar sobre Daniel Larcher.

Nem mais nem menos que um alemão, um boche, chefe da SD, ademais amante da mulher do médico… Pois, precisamente, Heinrich Muller!

E o que questionou ele?! …

 

De entre os “colaboracionistas” sujeitos a julgamento, quem se safou melhor, e desde logo, foi Jeannine

Pois, precisamente! O Comité condenou-a a uma “admoestação simples”. Simplesmente.

A razão, a justiça ou a força do dinheiro?!

 

Servier, subprefeito pétanista de Villeneuve e Daniel Larcher são casos que suscitam mais polémica.

Foram autoridades, representantes do governo francês de Pétain, sujeitos à ocupação estrangeira, colaborando com essas mesmas forças ocupantes, tal como Jeannine, diga-se.

 

Sobre Larcher incidem casos problemáticos.

Na qualidade de médico e cidadão, insinuam a morte da mãe de Tequiero, o envio do respetivo pai, Alberto Rodriguez, também para o ‘homem da gadanha’…

Enquanto presidente da câmara: a “deportação dos judeus”.

Também o acusam de ter sido colaborador – informador dos alemães (SD), a partir de um documento engendrado por Muller, a pedido da amante Hortense, para os oficiais alemães o libertarem da prisão, quando nela permanecia com o irmão Marcel

 

(Nós sabemos como esse documento é falso. E as insinuações e acusações insidiosas.

Veja episódio 9 - Temporada 5…, SFF.)

 

Que testemunhas são arroladas em sua defesa?!

Nem mais, que a mulher, Hortense, que fora a amante de Muller e o próprio Heinrich.

 

(Cenas antológicas estas, da série!)

 

E foi na interpelação a Heinrich Muller, que este interpelou os próprios juízes sobre a sua própria legitimidade em julgarem um homem honesto como Daniel, face ao papel que eles mesmos haviam desempenhado durante a ocupação.

Qual deles se opôs à ocupação e qual deles não foi colaborador com o regime de Vichy?

(É caso para dizer e constatou-se nas cenas apresentadas, que eles puseram o dito cujo, entre as pernas…)

Será ele condenado?!

Merece ele estar sujeito a toda aquela ignomínia de julgamento?!

Será sujeito à pena de morte, como ele tanto teme?!

 

Será que se recusam a ver, a percecionar, o seu lado bom, de resistente, que também foi, de como ajudou no que pôde e como pôde, naquele contexto de ocupação?!

 

Ajuíze, avalie, teça o seu próprio juízo de valor, caro/a leitor/a!

 

Sobre Servier, o caso fia bem mais fino.

Entre as muitas atividades de colaboração, que não fez outra coisa, apontam-se-lhe o envio de cidadãos franceses para fuzilamento, à ordem dos dirigentes alemães.

Temos consciência que não foram situações lineares, preto no branco, e os contextos em que viviam não eram de decisões livres, mas também não isentas de responsabilidades…

Em sua defesa invocou que o número de condenados à morte pelos boches era muito maior que os que foram fuzilados e que essa diminuição resultou das negociações que ele foi realizando com os ocupantes.

Pelo que, na sua ótica e lógica, ele não enviou dez homens para a morte, mas sim, livrou dez homens da morte!

Porque as ordens não partiam dele!

 

Mas assumiu que foi ele, sozinho, quem redigiu as listas dos indivíduos a serem executados!

Veremos no que dá o julgamento.

Merece a pena de morte ou não?

(…)

 (Fotografia original DAPL - 2017 - "Enredo".)

*******

Sobre “Amores e Desamores”, publicarei outro post.

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publicado às 14:00

“Gomorra” - 3ª Temporada: ‘Quem com ferros mata…’

por Francisco Carita Mata, em 19.01.18

Série Italiana

 

Episódios 2, 3 e 4 e mais alguns episódios… E final!

 

 

(Notas Iniciais:

 

Caro/a Leitor/a

Estive vários dias com dificuldades de aceder ao trabalho com o computador.

Também não pude visualizar todos os episódios.

Todavia sobre alguns deles escrevi.

Por isso não pude deixar de publicar, apesar de tarde…

Espero que venha a gostar!)

 

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2º Episódio: Negócios…

 

Em Roma, Genaro trabalha de perto com Gégé, contabilista, gestor financeiro, motorista, seu braço direito e pau para toda a obra. Investe no imobiliário.

Com o sogro na prisão trata-lhe dos negócios.

 

E por negócios, sempre se lançou no mundo e encetou negociatas com um hondurenho, Joaquin, que se deslocou de jato privado a Roma, com a mercadoria, que se calcula o que será!

Face aos obstáculos colocados por outros negociantes, Genaro e esse tal de Joaquin não estiveram com meias medidas. Armam-lhes uma cilada num supermercado, onde os fazem matar a tiro, por uns capangas que se ausentam, após o trabalho efetuado.

Genaro e Joaquin encarregam-se de os arrastar para o açougue, onde os cortam aos bocados, como se fossem porcos ou vitelos, colocando os pedaços em sacos de plástico. Gégé faz as limpezas do chão e vomita na casa-de-banho, que ele é uma alma sensível e não é pessoa para carnificinas. Ainda tem que filmar Joaquin ameaçando possíveis concorrentes e mostrando a cabeça de um dos assassinados num saco plástico. (!!!)

Em seguida, ensacam esta nova ‘mercadoria’ em malas de viagem que irão lançar para o fundo de um lago.

 

Enquanto o sogro esteve na prisão, Genaro foi-lhe tratando dos negócios. Ao seu jeito, com a ajuda de Gégé.

Saído o pai de Azurra para prisão domiciliária, teve o genro que lhe prestar contas, não sem antes avisar Gegé, como gestor financeiro, de que ele deveria engrandecer a riqueza acumulada, omitindo o que Geny terá lucrado para si mesmo.

Mas o velho não é nada parvo e ficou desconfiado desde o início, naquele universo ninguém confia em ninguém e nem ele sabe da missa metade. Apertou com Gégé, após ter ameaçado o respetivo namorado e a filha e o contabilista vomitou novamente, desta vez que Genaro enganava o pai da mulher, seu sogro e avô do seu rebento.

E, por enquanto, para Genaro estas são duas garantias de que dispõe: a mulher, Azurra e o filho, Pietro, seus seguros de vida. Que, de contrário, a vida dele não valia um chavo!

Mas o sogro já está a par de tudo, das transferências que faz e de como os anda a enganar a todos: napolitanos e romanos.

 

Em Nápoles, Patrizia é contactada por um apaniguado de Scianel, que está presa, (afinal o Estado sempre intervém, digo); é-lhe pedida ajuda para ela procurar e interceder junto de Marinela, a ex-nora da antiga traficante de bairro, para que a jovem intervenha com um depoimento para libertarem a ex-sogra.

Patrizia que vive pobre como sempre, e o que quer é uma vida honesta para si e para os irmãos, com quem não pode contatar, informa Genaro que irá interceder, na condição de este arranjar emprego decente para o seu mano, que cuida das irmãs e que desempregado corre o risco de as crianças lhe serem retiradas pela assistência social e ela nunca mais as ver. (Repito, afinal o Estado age, contrariamente ao que eu tinha mencionado no 1º episódio. E também naquele meio há pessoas que o que querem é viver honestamente e não se iludem com riquezas e grandezas.)

Apesar de todos os pruridos e com o apoio e ajuda de Genaro, Patrizia vai à procura de Marinela, que acha num cabeleiro e que agora se chama Irene e tenta seduzi-la com uma mala com trinta mil, agora, trinta mil futuros, quando se concretizar o desfecho.

Veremos no que darão estes desfechos, e de como os entrementes se transformarão em tantos e quantos!

 

3º Episódio: Libertação

Culpa, Expiação, Arrependimento

 

Este 3º episódio, de 5ª feira, dia 4, foi fundamentalmente dedicado a Ciro de Marzio.

 

Não ‘vive’ nem “trabalha” em Itália, nem quer negócios com italianos, ademais napolitanos. Pelo desenrolar da narrativa vai-se percebendo que ‘trabalha’ num País de Leste, dos Balcãs. Ainda pensei na Bulgária, mas deduzo que seja na Macedónia.

Dedica-se aos negócios mais problemáticos e horrendos: tráfico de mulheres, melhor, raparigas albanesas e heroína. Pelo meio, dinheiro falso.

Os esquemas hediondos e habituais: confiscação dos passaportes às moças; completo isolamento, na verdade, prisão domiciliária em casas degradadas, de onde expulsaram os moradores; exercício de ‘atividades’ em discotecas…

Ele, cada vez mais transfigurado, aquela cara de fuinha barbuda; cumpre e expia a sua pena fora da prisão, que, como disse a Genaro, não tem perdão.

 

Mladen, certamente um natural do país, é o seu sócio neste negócio, que perante o seu comportamento tão inabitual face ao contexto, lhe diz não o perceber. “Não bebes, não fornicas, vives numa pocilga que até enoja putas albanesas, tens medo dos teus conterrâneos. Desaparece! Não consigo ver o que o meu pai vê em ti!”

E este comportamento de Ciro, cada vez mais desesperado e fora de si, leva-o sempre mais fundo na sua expiação, que só lava com sangue.

 

Face a um negócio gorado em que se percebeu traído e tramado pelo sócio, não se ficou no meio termo.

 

Com atos de maestria, face ao ambiente criminoso em que sempre viveu, cada vez mais tresloucado, dirige-se ao ginásio do pai de Mladen, após uma conversa sem sentido, mata este, os outros adultos presentes e em seguida dirige-se ao apartamento do filho, onde ele se snifa e se prepara para ‘desfrutar’ de uma albanesa, mata-o também e aos seguranças que o guardavam.

Uma carnificina! Sem dó nem piedade.

 

Para exercer um supremo ato de redenção, de ‘justiça’, a seu modo, que de outra maneira a Justiça não funciona, ademais naqueles territórios e naqueles contextos e enquadramentos!

 

Retirado o passaporte da rapariga, de entre os que estavam confiscados, pouco importa que ela seja Ana e que o que ele tenha trazido seja de Elvana, ou o contrário; pega nela, mesmo nua com as roupitas debaixo do braço, entretanto ela veste-se, empresta-lhe o casaco, passam a fronteira da Macedónia para a Albânia, assenta num restaurante de comida rápida, contempla-a a comer com gosto, que muita fome há de ter passado, dá-lhe um maço de notas e um telemóvel e deixa-a no seu país, cumprindo assim talvez uma promessa a si mesmo.

 

A seu ver, tê-la-á libertado, ter-se-á sentido, de certa maneira, algo redimido, menos culpabilizado!

 

Que não pode esquecer-se que ele se acha culpado da morte da filha e aquelas raparigas, tão novas, só lhe poderão lembrar a sua, morta na segunda temporada às mãos de Mallamore, vice de Dom Pietro Savastano.

Mas por sua culpa, por seu pecado!

 

4º Episódio

'Quem com ferros mata…'

Os filhos que regressam a casa.

 

(Neste episódio a narrativa estruturou-se de forma mais complexa.)

 

Marinela sujeitou-se a alterar o depoimento de que resultou a libertação de Scianel, aliás Dona Annalisa.

Patrizia serviu de intermediária, entregando-lhe o dinheiro restante.

Annalisa vem afogueada da prisão, desejosa de retomar o negócio de bairro que detinha, às ordens de Genaro, com quem volta a negociar, estabelecendo-se a quota e a percentagem de cada um. Nenhum confia no outro. Patrizia intermedeia e aconselha, novamente.

 

Ciro regressa encapotado, afinal sempre esteve na Bulgária, como me pareceu, pela Igreja Ortodoxa que surgiu nalgumas imagens.

Também quer recomeçar o negócio. Contacta o napolitano que fora à Bulgária, mas cujo trato ficara sem efeito, devido a terem levado dinheiro falso. Este é o neto do “Santo”, pelos vistos um emérito contrabandista de outros tempos. Enzo, assim se chama o neto, compõe uma trupe de jovens “esfarrapados”, cheios de genica para se lançarem no mercado, mas falta-lhes uma cabeça, um chefe que os comande, um ‘condottieri’ que os oriente nas batalhas. A oferta/pedido foi feita a Ciro.

Este é um general que precisa de um exército. Para entrar na guerra.

A ver vamos, que no final do episódio ele aparece naquela sua pose de desesperado…

 

Genaro está na mó de cima. Poderoso, mas sempre inseguro que estes ‘generais’ vivem em constante sobressalto, como no antigo Império.

Tem plena consciência que o sogro, agora solto, o quer apanhar.

Espera o célebre carregamento do hondurenho, que virá de barco.

Informa Gégé do facto, do onde e do quando. Barco “Esperanza”, bonito nome. Bandeira do Panamá.

Como veremos, dá-lhe informação falsa, pois uns quantos ‘soldados’, a soldo de Avitabile, este é o nome do sogro, vão ao molhe mencionado, hora e local determinado, mas nada de droga!

Entretanto já Genaro, com outros dois rapazes do seu bairro natal, recolhia o material no alto mar, entrando terra adentro por um braço de rio ou canal.

Acondicionado o produto em local isolado, depressa negoceia com calabreses desconfiados, mas com quem chega a acordo.

 

Quando Gégé regressa, de noite, a casa, nela à espera tem Genaro.

Não é preciso dizer ao que o chefe ali estava, nem como foi a admoestação do patronato.

Entregue o relógio, penhor de confiança familiar que Dom Pietro dera a Gégé, quando este se formara, foi com ele no punho, a fazer de soqueira, que Genaro deu em Gégé até lhe desfazer completamente a cara.

Não sabemos se o deixou morto, se quase.

Um verdadeiro mastim, este Genaro.

Lavadas as mãos, segue a sua vida, triunfante, rumo ao negócio combinado com os calabreses.

Mal sabe ao que irá!

 

Entretanto o sogro, Avitabile, já quase sufocara a própria filha, que, de facto, a raptara da casa do genro antes que ela fugisse, conforme Genaro lhe recomendara.

Genaro foi ao negócio, sim, foi ao negócio…

Mas também foi ao engano, com os seus dois jovens amigos.

No local do encontro combinado, mais uma vez se fez cemitério, local de morte. Os dois amigos aí ficaram estendidos.

E Genaro não ficou, porque tem os seguros de vida de que falei no capítulo anterior: Azurra, a mulher e Pietro, o filho.

Mas foi raptado, levado sob ameaça de arma, para outro local, julgo que uma propriedade isolada do sogro, onde uns seus capangas dele fizeram saco de pancada, nada que ele não tivesse já feito a outros.

Ficou um monte de carne amassada, ouviu ainda do sogro, que não suja mãos nem pés com sangue, que não o queria ver nem pintado fora de Nápoles, apenas no seu bairro natal, Secondliano, que todo o negócio da droga pertencia ao grupo de Avitabile, que ao hondurenho executaram com a mesma sentença que ele a outros fizera, cabeça cortada, e, a ele, Genaro, só não lho faziam, por causa dos seguros de vida!

E que o havia denunciado às finanças, anonimamente, sobre as empresas falsas e testas de ferro, para que fique sem um tostão.

(Tem sido assim que, apesar de tudo, a justiça italiana tem conseguido entrar nalguns destes esquemas criminais.)

E foram mesmo depositá-lo ao seu bairro natal.

 

Aonde também já chegara, desterrado e desiludido, Ciro.

Recomeço e nova parceria?!

 

(Entretanto já Avitabile ameaçara a própria filha, Azurra, sobre a hipotética e eventual possibilidade de Genaro a procurar. Que a tal acontecer e jurou “pela Virgem Maria”, mais uma vez a tal religiosidade exacerbada e supersticiosa, jurou que cortaria a cabeça ao genro.)

 

Como se depreende, a carnificina irá continuar.

 

(E eu que nas duas temporadas anteriores não me propusera de escrever…)

 

 

*******

Restantes Episódios…

 

A série nesta fase está quase a acabar a 3ª temporada. Na passada 6ª feira, dia 12/01, já decorreu o nono episódio. Presumo que sejam dez.

Destes episódios anteriores não vi vários.

Apenas visualizei o sétimo e o nono.

Com base no que observei, alguns dos aspetos sugestionados em episódios anteriores verificaram-se.

 

Ciro tomou conta daqueles jovens em busca de um chefe e conduziu-os a um mundo em que se sentem uns senhores.

Organizados e dirigidos por Enzo, estruturaram todo um negócio de distribuição do ‘material’, um exército de lambretas, levando o ‘produto’ ao domicílio dos clientes, como se fosse uma qualquer telepiza.

Intitulam-se “Sangue Azul”, não sei se por alguns dos chefes estarem ligados a uma qualquer nobreza italiana.

Mas entram em choque com outros traficantes já instalados, “Os Confederados” e a coisa deu para o torto.

 

O esquema habitual: ameaças, agressões, negociatas, mortes, assassinatos pelo meio.

 

Genaro chegou ao seu bairro napolitano feito num trapo. Voltou-se para Ciro, foi fazendo dupla com este seu compincha e reergueu-se, pronto a enfrentar o sogro, Avitabile.

 

Encontra apoio na mulher, Azurra, com quem quer recomeçar, encontra-se secretamente com ela, numa cave dum cinema. Pretende reatar os laços familiares e criar o filho.

E criá-lo para quê?!

 

E a propósito de criação…

A irmã de Enzo, também com um filho, Casimiro, um adolescente, desejoso de copiar o tio e os amigos, mas ela não quer que ele siga as pisadas do irmão. "Que ele sairá do bairro e irá estudar…"

Mas foi assassinada, enquanto experimentava um vestido e telefonava para o filho, preocupada com o que ele andaria a fazer.

Enzo, numa de vingança, é este o modus operandi desta gente, acaba por ser ele também ferido, enquanto atirava sobre um dos capangas principais dum grupo rival e dominante na zona em que concorriam no tráfico. (Don Edoardo, “O Charmoso”.)

Casimiro, ele também ferido, psicologicamente, por estes golpes de morte, resolve lançar-se também na aventura do crime.

E é vê-lo, na motoreta com outro amigo, ambos de pistolas aos tiros, pelas ruas da cidade, no final do 9º episódio.

 

E é assim a série.

Morrem uns. Renascem outros. A violência é como uma hidra de sete cabeças.

Cortam uma, nascem sete.

 

Aguardemos o décimo episódio.

 

(Mas ou eu esteja enganado ou acho que a série, apesar do investimento nela feito, não teve assim um impacto tão forte como teriam esperado.

Digo eu!

E eu também sou sincero. Gostei, mas não foi das minhas preferidas. Embora ache que ela é super, demasiado, realista.

E a propósito…

Quando se equacionarão políticas realistas para tratar estas problemáticas das drogas de um modo diferente?!

Que a forma como o assunto é tratado, deveras complexo, é certo, não tem resolvido de nada o problema.)

 

*******

 

Afinal a Série teve 12 episódios.

 

Nos três episódios finais, 10º, 11º e 12º, ocorridos dias 13, 14 e 15 de Janeiro, concluíram-se alguns aspetos que vinham sendo aflorados anteriormente.

Ciro afirmou-se como verdadeiro chefe e mentor do grupo de jovens criminosos dirigidos por Enzo,Sangue Azul”. Sempre irmanado com Genaro.

Os conflitos com os grupos já instalados “Os Confederados” são permanentes.

A mão vingadora de Avitabile, sogro de Genaro, pai de Azurra, avô de Pietro, está sempre presente. Os crimes de todos e de cada um são mais que muitos, mortes e mais mortes.

Guerreiam-se, fazem acordos, cobram e pagam dívidas uns aos outros. Traem-se, na primeira oportunidade!

Patrizia intermedeia entre os vários grupos.

Scianel, Dona Annalisa, aspira a ser “Rainha de Secondliano” e fazer de Patrizia a sua Princesa. Denuncia, bajula, trai, na mira de alcançar os seus objetivos. (Acabei por não perceber o que lhe aconteceu.)

Azurra e o filho, Pietro, são negociados e trocados, para que Genaro fique com eles, após entregar vultuosíssima maquia em dinheiro.

Em todas estas trocas e baldrocas entre os vários grupos e interesses em confronto, sempre o papel de Patrizia.

A desconfiança, a traição, o ódio, os sentimentos maus, sempre presentes.

Os interesses, que os sentimentos bons não contam.

Dividem territórios para exploração dos negócios das drogas.

Teoricamente, chegaram a um acordo que satisfaria todas as partes.

Mas, mal puderam, todos traíram esse suposto e selado acordo.

 

No final, Ciro cumpriu o seu destino intuído.

Praticamente ofereceu-se como vítima, como cordeiro a ser imolado, sacrificado, em vez do seu alter-ego, Genaro. E foi este que, perante a ordem de Enzo, ainda que contrariado, disparou sobre Ciro e o matou, concluindo assim a respetiva expiação que ele vinha vivendo, desde que matara a própria mulher e deixara que lhe matassem a filha querida.

 

E a série terminou assim com a imagem de Ciro, baleado, e a escorrer sangue, a afundar-se e a descer nas águas para o lodo da baía de Nápoles!

…   ...   ...   ...   ...   ...   ...

 

E fica muito por contar?! Muitíssimo?!

 

Ora se fica!

 

*******

 

Como grupos dominantes, para uma futura, eventual e hipotética 4ª temporada, que não sei se haverá ou valerá a pena equacionar, que não sou visto nem achado, também não digo que me entusiasmaria muito, pois não foi de todo uma das minhas séries preferidas…

 

Mas não deixo de sintetizar que, do que observei, Genaro voltou à mó de cima, apesar de debilitado, digo eu, pela morte do verdadeiro amigo, Ciro. A mulher, Azurra, também o colocou de espada à parede, que ou ele abandonava aquela vida e se iam embora dali, Nápoles, ou ela o abandonava a ele. (Seria um ponto interessante a explorar, futuramente.)

 

O gangue “Sangue Azul” conquistou a independência e também ficou como um grupo relevante.

 

De entre “Os Confederados” as cabeças foram todas cortadas, Don Rudgero, de forma macabra, por dois irmãos, que ocupavam lugares subalternos naquelas hierarquias criminais, mas, desse modo, terão ascendido às cúpulas. (Não lhes fixei os nomes.)

 

(Não me apercebi bem o que aconteceu a Patrizia nem a Scianel, nem outros personagens menores.

Também não se perde nada com isso!

 

E volto ao que já frisei anteriormente.

 

Quando se equacionarão, oficialmente, políticas realistas para tratar estas problemáticas das drogas de um modo diferente?!

Que a forma como o assunto é tratado, deveras complexo, é certo, não tem resolvido de nada o problema.)

 

 *******

(Nota Final:

Caro/a Leitor/a

Espero que tenha gostado!

Ah! E não se esqueça que recomeçaram "Uma Aldeia Francesa".)

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publicado às 18:47

“Gomorra” - 3ª T. - 'Veneno que mata'

por Francisco Carita Mata, em 03.01.18

 

3ª Temporada

Séries Europeias

Série Italiana

Nápoles e Vesúvio in. pt.dreamstime.com

A RTP 2 inicia este novo ano de 2018, logo no segundo dia, com uma série que entra na sua 3ª temporada: Gomorra.

 

(No dia um, também apresentaram um excelente filme cuja ação também decorre em Nápoles: “Reality”. Também do realizador do filme “Gomorra”: Matteo Garrone.

Uma metáfora da vida real e de como um aspirante à participação no “Big Brother” italiano, “Gran Fratello”, de nome Luciano, frustrado pela sua não seleção, mas sempre convicto que iria participar mais tarde ou mais cedo, molda e adapta toda a sua vida segundo essa expectativa, a ponto de se alienar da realidade e viver em função dessa aspiração e sonho. Que, pelo que li, se baseia num facto real. Ironias do Destino em que a ficção e o mundo virtual comandam o real!)

 

Em Gomorra também realidade e ficção parecem não se distinguir.

Todo um veneno que corrói cada personagem. E é o veneno que os leva a matar mesmo os familiares mais chegados.

 

No final da 2ª temporada, Dom Pietro Savastano fora morto por Ciro de Marzio, a mando do filho daquele, Genaro Savastano, Genny, numa ação muito para além da assunção do controle do “território” do pai. O príncipe que quer o poder do rei, assumir o seu papel, um vinho envenenado bebido duma tragédia grega ou dum drama shakespeareano.

Personagens transfigurados, Ciro e Genny, aliados, vestidos de negro, barbas crescidas de luto por Dom Ciro, como corvos buscando carniça, irão dividir entre si o território dos negócios associados às drogas?

Ciro “agarrado” a Nápoles?

Genny, de visão mais alargada, prepara-se para se lançar em mais aventuras além de Roma.

Outros mais poderosos, que não sujarão tanto as mãos na carniça, Dom Anillo, acompanhado dos netos e Dom Eduardo Arenella, negoceiam com Genaro a divisão territorial.

Lembram a emergência do controle da zona norte de Nápoles, agora desguarnecida da autoridade de Dom Pietro e do seu clã: um exército dedicado ao crime, subitamente sem chefe.

Comentam os bairros mais rentáveis…

Todo um clã sediado num território que “governa” a seu bel-prazer, segundo leis e regras próprias, como se fossem os antigos príncipes dos reinos italianos.

 

Das autoridades estaduais, do Estado Italiano, nem vislumbre de ação!

 

Ambiente de ação da narrativa: os bairros degradados ou as modernas construções sem qualidade onde moram os cidadãos, todos vivendo à volta do mundo dos negócios ilícitos, consumidos no vício das várias drogas, que querem espalhar e alargar a outros horizontes.

De parte da população, pelo menos na série, não se percebe um qualquer contestar da situação. Pelo contrário, ainda agradecem quando os “Dons …” arranjam “trabalho” para os maridos ou filhos.

Aceitam como natural um modo de vida em que sempre se terão encontrado.

 

Os chefões da droga, pelo menos os que vivem em Nápoles fazem questão de viver nesses mesmos bairros, aonde também estão mais protegidos, como no seu feudo; em casas exteriormente tão ou mais degradadas que as dos seus soldados, clientes e apaniguados, mas interiormente extremamente luxuosas. De um luxo mais ou menos sofisticado ou cabotino, conforme a sua ascendência social e cultural.

 

Genaro faz questão de viver em Roma, também em luxuosa moradia, mas moderna, sofisticada e bem situada na capital. De onde controla os seus negócios, que pretende expandir e alargar, a partir do porto de Nápoles.

Agora, pai de um recém-nascido, aliás supremamente extremoso, marido exemplar, preocupado com a família e apaixonado, dialoga com a esposa sobre as suas ações, o ser mandante da morte do próprio pai. A mulher aceita com calma naturalidade a situação.

(A prisão do seu próprio pai, por denúncia de Genaro, o marido, já víramos que por ela também fora facilmente incorporada no seu modo de vida habitual. Como se fosse a coisa mais natural deste mundo.)

E responde-lhe a moça, que ainda não lhe fixei o nome: “Agora somos só nós, Genaro. É isso que importa!!”

 

E o que importa também realçar é que o seriado, pelos vistos, tem tido sucesso, que os produtores se arriscaram numa nova temporada. Estes enredos sobre crimes são quase sempre bastante apelativos!

 

Ainda e para terminar os comentários sobre o conteúdo genérico da trama, frisar a típica religiosidade dos personagens.

Uma prática supersticiosa, cheia de fausto e aparato, em que se destacam os funerais e as procissões. Estas são oportunidades para ver e ser-se visto, encenações de expiação pública dos pecados assumidos, de maceração dos corpos, mas também ocasião para ajustes de contas, trágicos e aterradores. Estes são lições, exemplos e mensagens, para a comunidade!

Sempre presente o Culto da Morte, oportunidade para exacerbar esse modo de cultivar a religião!

 

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Imagem - in. pt.dreamstime.com

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publicado às 18:11

"Modus / A Teia" – Série Sueca

por Francisco Carita Mata, em 30.12.17

Temporada 2

RTP2

 

Modus Temporada 2  in. www.cineytele.com

 

Neste final de Dezembro, a RTP2 apresentou a segunda temporada desta Série Sueca.

 

O tempo da narrativa reporta-se à atualidade.

(Tão atual, que, inclusivamente, esta segunda temporada foi estreada este ano e, pelos vistos, a RTP2 conseguiu transmiti-la quase ao mesmo tempo que no país de origem. Também neste ano a findar haviam transmitido a primeira temporada.)

 

Interessante que esta 2ª temporada se desenrole em torno do desaparecimento de uma suposta Presidente dos EUA. (Opção quase concretizável recentemente e que muitos analistas reportam como possível a breve trecho. Hillary não conseguiu. Há quem refira como provável, futuramente, Michelle.)

Como teoria dominante dos investigadores americanos para a causa desse desaparecimento é apontado o Daesh, excluída a Rússia ou outros países…

 

A ação decorre maioritariamente em Estocolmo, durante uma breve visita, de fim-de-semana, a caminho da Alemanha, da Presidente dos Estados Unidos da América, que vivera na capital da Suécia, há quase vinte anos, quando o marido fora leitor na Universidade de Estocolmo.

Aí também teria sido concebida a filha de ambos…

Pressupostos para uma breve visita idílica, de sonhos cor-de-rosa, a serem devidamente explorados pelas revistas da especialidade…

 

Só que o enredo é de todo menos colorido. E os sonhos foram pesadelos.

E porquê?

Porque a presidente esconde um passado traumático, e algumas dessas situações perturbantes ocorreram precisamente na cidade de Estocolmo.

E é a exploração desse passado escondido da Presidente que terá sido o imbróglio primordial para o seu desaparecimento, apesar das teorias de conspiração dos organismos oficiais apontarem para as “Forças do Mal” habituais da atualidade, como já mencionado.

 

Alguns dos momentos chaves da ação ocorrem numa antiga fábrica de cimento, situada numa zona de florestas, já desativada e em vias de ser implodida. Espaços sombrios, pós-industriais, degradados…

 

Particularidades “modernas” desta série: a personagem principal, o núcleo primordial da narrativa, a centralização do enredo, situam-se e giram à volta de mulheres.

Mulheres com poder!

Mulheres que agem e controlam esse poder que possuem, tal qual os homens: com a mesma força, igual determinação e persistência, focalização nos objetivos…  também, por vezes, não olhando a meios para atingirem os fins. E tanto para o bem, como para o mal. Carne da mesma carne!

A personagem principal, Inger Johanne, já com duas filhas, de um casamento anterior, psicóloga comportamental, gravidíssima, do seu companheiro atual de vida e de profissão: Ingvar Nyman.

Inger trabalhou nos EUA, integrando o FBI como colaboradora.

Para este caso complicado, foi novamente chamada para trabalhar com a polícia de investigação sueca, tal como na 1ª temporada, para ajudar na descoberta do paradeiro da Presidente dos EUA, Helen Tyler, que de forma surpreendente desapareceu do “alojamento” onde estava super guardada, no Almirantado sueco, junto ao porto.

E este é o móbil da trama: descobrir, localizar a presidente, que, supostamente de livre vontade, conseguiu escapulir-se do Almirantado, sem ser detetada, através de um túnel desconhecido, disfarçado atrás de uma porta falsa, incrustada numa pintura de uma antiga princesa sueca.

Nessa busca agem os serviços policiais da Suécia, Polícia Nacional, e dos EUA, FBI, relativamente em convergência, também de forma paralela, e até em rivalidade e algum ressabiamento, dado o típico complexo de superioridade do poderio americano.

Em ambos os serviços policiais também se observam profundas divergências e conflitos de personalidades narcisistas e super egóticas.

 

Uma dessas personagens que tudo faz para alcançar os seus objetivos é Warren Schifford, atualmente assessor da presidente e que, nos EUA, supervisionara o trabalho de Inger, como seu mentor, quando esta lá estivera, quatro anos atrás. E que a destratara física e psicologicamente.

Situação que nos foi apresentada no início da temporada, ao longo da mesma e no final, quando, cara a cara, Inger lhe referiu que apresentara queixa contra ele na Suécia. De algum modo, esta atitude libertou-a do trauma vivido e que ao longo dos episódios foi sempre surgindo no desvendar do enredo e foi contaminando a investigação.

Intencional e propositadamente da parte do americano, figura execrável, apesar de muito inteligente e perspicaz.

 

Não vou, propositadamente, dizer que situação foi essa, nem como a presidente foi encontrada, nem as peripécias envolvidas.

Apenas digo que vale a pena ver a série, da qual foram passados oito episódios. Não sei se já terminou, pois ficaram muitos aspetos por desvendar. (Mas acho que terminou!)

 

O que fez a presidente sair da sua “toca”, sem que os “mastins” que a guardavam se apercebessem… percebemos. Tinha a ver com uma mensagem manuscrita, sobre a sua própria filha, Zoe.

Mas a onde se dirigia? E para falar ou se encontrar com quem?!

Sabemos que foi um dos seus guarda-costas mais experientes, que a levou secretamente. Mas porque a colocou na fábrica de cimento à beira de ser destruída?!

E como irá reagir a filha Zoé, após saber que não é filha da mãe, Helen?!

Virá a relacionar-se com a avó?

 

(Estas e outras dúvidas ficarão para serem esclarecidas em futura temporada?!)

 

Também sabemos quem foi o mentor, o mandante à distância, dos crimes envolvendo indiretamente a Presidente e o “Primeiro Cavalheiro”!

Um árabe, vivendo em Londres, também na América, e mais americano que os americanos: Troy, como o designava Warren.

Também percebemos as suas motivações.

Também sabemos que foi ele que teceu o desaparecimento temporário da Presidente dos USA!

 

Também muito fica por contar…

 

E um convite à visualização da Série. Logo que possa.

E que haja uma 3ª Temporada.

 

(E também acrescento que na política sueca, no contexto do seriado, também uma mulher, a Ministra da Justiça, jogou no xadrez governamental com o Primeiro-Ministro, e deu-lhe xeque. Mate?! Só saberemos se houver outra temporada.

E a nível da Polícia Nacional também as mulheres teceram as urdiduras da “Teia”, para o Bem e para o Mal, conforme já frisado.)

 

Outras Séries:

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publicado às 23:26

Gomorra: o Ressurgimento

por Francisco Carita Mata, em 19.11.17

Série Italiana - 2ª Temporada 

Séries Europeias na RTP2

vesúvio adormecido in. romeportshuttle.com

 

Há algum tempo que não escrevo sobre séries. Tenho visto algumas que a RTP2 tem transmitido, originárias de vários países europeus, mas não tenho escrito sobre elas.

 

Agora retorno. Com o retornar de “GOMORRA” na segunda temporada, iniciada na passada sexta-feira.

 

Novamente uma série italiana, após a transmissão de “1993” e anteriormente “1992”.

Em ambas, os assuntos fulcrais da vida italiana, nesses dois anos carismáticos.

A política, a baixa política, o surgimento de novos partidos e pretensos novos políticos; os negócios obscuros, as negociatas políticas, económicas e financeiras, a corrupção a todos os níveis; o mundo do crime tão presente em Itália, a sua ligação ao mundo político; questões sociais prementes na altura, caso da SIDA, o sangue contaminado importado e negociado; o julgamento de políticos e mafiosos, a luta de magistrados honestos para os levarem a Tribunal e cadeia… a publicidade e sua importância na criação de factos e políticos, o mundo do espetáculo, e dos media, especialmente a televisão, como forma de manipulação das massas… a célebre “Operação Mãos Limpas”…

 

Em Gomorra”, essas mesmas problemáticas estão presentes ou latentes, mas destacadíssimas e exacerbadas as questões referentes ao mundo do crime e das drogas. A criminalidade violenta elevada ao seu clímax máximo!

 

Ciro, na sua ânsia de poder, dinheiro, notoriedade, de ambição e grandeza de menino pobre, alia-se a Dom Salvatore, no controle do negócio da droga e espalha o medo aterrador, mesmo entre os seus mais próximos e num ato tresloucado de desespero, mata a própria esposa, mulher que ama e mãe de sua filha que adora!

A sua luta contra o clã dos “Savastano” mergulha Nápoles no terror!

Genaro e Dom Pietro irão voltar…

 

vesúvio erupção in. pisanieprac.info.jpg

Sobre esta série já escrevi sobre a primeira temporada. Dada a loucura assassina que irá certamente caraterizar o seriado, não sei se voltarei a escrever sobre o mesmo.

De qualquer modo, em princípio, irei acompanhando.

 

*******

Já que voltei a falar de Séries, lembrar algumas das que passaram na RTP2, que visualizei, apesar de não ter escrito sobre elas.

 

A mais recente, uma série sueca: “A Teia”.

 

A 2ª temporada de “Fortitude”.

 

Duas interessantes séries alemãs, sobre a História recente da Alemanha:

Amor em Berlim” e “Irmãos e Rivais”. Reflexões pertinentes da Alemanha sobre a sua própria História de algum modo, um “esconjurar e libertar” do seu passado! Um apaziguamento necessário e imprescindível!

 

E houve também a reposição de “El Princípe”.

 

(…)

 

Ah! E está também a ser transmitida, semanalmente, uma série histórica sobre Maximiliano de Áustria. Não perco os episódios aos domingos, no horário habitual, após o Jornal Dois, pouco depois das 22h. 

 Gomorra-veneno-que-mata-

 

(Imagens: In. romeportshuttle.com

In. pisanieprac.info)

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publicado às 19:01

“… Témoins” – “As Testemunhas” – Série Policial Francesa – RTP2

por Francisco Carita Mata, em 04.07.17

Temporada 2 – Episódio 1

 

(2ª Feira – 3 de Julho de 2017)

 

Témoins 2 in. alllocine.fr.jpg

 

A RTP2 iniciou uma nova série, após terminar “Lei e Corrupção”.

 

As Testemunhas”, série francesa, agora numa 2ª temporada.

Reporto para o que escrevi sobre a primeira temporada, transmitida em 2016. E para dois sites franceses sobre o assunto.

https://fr.wikipedia.org

 https://www.google.pt/

A protagonista, a policial investigadora e detetive, Sandra Winckler.

Jovem profissional, divorciada, mãe de duas filhas, que tem à sua guarda, mas como difícil é conciliar profissão altamente exigente e absorvente e vida pessoal, em especial o exercício da maternidade…

 

Neste primeiro episódio, o surgimento de mais um crime macabro, com raios de surreal.

 

Num autocarro, estacionado numa estrada sem movimento, numa região quase deserta, encontravam-se quinze corpos de homens, congelados, sentados nos bancos, devidamente enfarpelados de fatos domingueiros, penteados, de rosa na abotoadeira, com ar festivo, como se aguardassem o início de uma viagem celebrativa e libertadora no Além…

 

Iniciadas as devidas investigações por toda uma equipa de vários técnicos especializados, de diferentes domínios, em diversos contextos, rapidamente (!) se cruzam as linhas investigadoras e se entroncam num ponto comum.

Todos eles haviam desaparecido, há pelo menos três anos e todos tinham em comum o conhecimento de uma mulher, fotógrafa de profissão, Catherine Keemer, também ela sem dar sinais de vida no mesmo espaço temporal. Que apenas dissera "adieu" ao marido e às filhas, acenando um adeus e até já e nunca mais ninguém lhe pusera a vista em cima…

 

Subitamente e nem a propósito, reaparece, perdida, amnésica, numa rua movimentada da cidade, não sei bem qual, saída de um carro, atarantada, perguntando: “Onde está ele? Onde está ele? …”

 

Perante a evidência dos factos, além de internada no hospital, também é presa…

 

(Cabe aqui um parêntesis.

Porque quem protagoniza esta personagem é nem mais nem menos que a talentosa atriz Audrey Fleurot, a célebre Josephine de “Um Crime, Um Castigo” e a celebérrima Hortense, de “Uma Aldeia Francesa”!

Promete esta 2ª temporada.)

 

Prosseguindo nas investigações…

Sandra Winckler descobriu a relação de semelhança deste crime com outro acontecido cinco anos antes.

Também um autocarro fantasma, onde fora encontrado também um corpo de homem congelado, também uma mulher envolvida, que à data, também fora recentemente mãe.

 

Ah, sim! Falta, entre muitas outras coisas que omito, dizer que, relativamente a Catherine Keemer, os médicos, nas observações que lhe fizeram, detetaram que ela fora recentemente mãe, há cerca de seis meses.

 

E este facto parece ser o elo que irá permitir à personagem ir recuperando a memória. (E à atriz compor o seu papel, que é sempre notável o desempenho de Audrey Fleurot.)

 

No final do episódio, enquanto Catherine, fugindo da enfermaria em que estava internada e prisioneira, se quedava extasiada a olhar os bebés na maternidade do hospital; Sandra investigava o autocarro fantasma de há cinco anos, abandonado num sucateiro de automóveis velhos.

 

Subitamente, como que por magia, ou descuido da investigadora que não apagara o cigarro (?), o dito autocarro fantasma incendiou-se…

 

(imagem. in. allocine.fr)

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publicado às 11:09

"Lei e Corrupção" - "Line of Duty"

por Francisco Carita Mata, em 20.06.17

Série Britânica

RTP2 

Line of duty in. amazon.co.uk.jpg

 

Já que hoje recomecei a escrever, de forma limitada, é certo, que o calor imenso torna qualquer tarefa insuportável… nada como retornar, escrevendo sobre a série atualmente em exibição na RTP2. (Séries!)

 

Line of Duty”, “Cumprimento do Dever”, série britânica, intitulada “Lei e Corrupção”.

 

Bem, não vou propriamente perorar muito sobre o respetivo conteúdo.

Reporto para alguns sites.

https://www.rtp.pt/programa/tv/

https://www.rtp.pt/programa/tv

 

A ação decorre essencialmente em Londres, megalópole multicultural.

Personagens carismáticos/as, enredo de desenrolar e desfechos imprevisíveis, já vai na terceira temporada. Julgo que serão quatro temporadas, cada uma de poucos episódios. Cinco?

 

Cada temporada centra-se na “busca” / “procura” / “perseguição”, de um suposto policial corrupto. Ação desenvolvida por uma equipa integrada numa Brigada Anti Corrupção.

 

Cada personagem, per si, tanto entre os “perseguidos” como entre os “perseguidores” é um verdadeiro “tratado”, em que a linha que separa o “cumprimento do dever” da transgressão é por demais difusa, quando não total e completamente ultrapassada!

 

Caso para parafrasear o célebre chavão: “Com policiais assim, para que nos serve haver criminosos?!”

 

Veja a série, S. F. F.!

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publicado às 18:17

“Jordskott” - Série Sueca na RTP 2

por Francisco Carita Mata, em 24.03.17

Séries Europeias na RTP2

 

 Terminou ontem, 5ª feira, 23 de Março, 2017, esta série sueca.

 

Sueca, não de jogo, célebre de cartas, mas de origem territorial. Que soube que era esta a origem geográfica, praticamente apenas nos últimos episódios, pois pensava ser norueguesa.

 

jordskott_t117859 in. filmow.com

 

Não vi os primeiros episódios.

Acabando de ver “A Mafiosa – Le Clan”, cinco temporadas, quarenta episódios, resolvi fazer quarentena.

E não iniciei “Jordskott”.

O título também não era nada apelativo, à priori, não era significante de nada, e pensei ser identidade de pessoa ou lugar.

Também só soube o que significava, no último e décimo episódio. Um superalimento, que uma personagem, Ylva, que percorria as ruas da cidadezinha, com um carrinho de compras do supermercado, dava a um peixe para o fazer super forte, antes de o lançar no rio.

Super alimento que Harry Storm, o assassino da série, tomaria no final e que o tornaria em super monstro.

 

Quando peguei na série custei muito a entender o enredo. Mas fui sempre vendo, ficando, como curiosidade, como vontade de descobrir e desenlaçar a trama, de ir tentando compreender toda a temática. À partida, não me agradava muito parte dessa temática, mas fui-me deixando ficar, talvez até, enredar.

 

O facto de o conteúdo temático fazer apelo a mitos, lendas e narrativas tradicionais, escritas e orais, de povos nórdicos, não sei se exclusivamente suecos, se de comuns e ancestrais antepassados de povos da floresta, esse facto fez com que muitos aspetos não se compreendessem na totalidade. Porque nos reporta para ancestralidades, tradições, conhecimentos, que nos são afastados culturalmente.

Mas fui-me deixando agarrar por esse desconhecido e vontade de perceber, entender, conhecer.

 

Achei também os assuntos, os/as personagens muito sombrios/as, tristes, pouco luminosos. Angústia, medo, sombras, pouca luz, muita ansiedade. Aspetos que me repeliam e, simultaneamente, me chamavam para a visualização.

Conclui a visão da série!

 

E, tenho que realçar, que teve aspetos muito positivos no final.

Foi uma série, mini, conclusiva.

As tramas enleadas, destrançaram-se. Resolveram-se os enigmas. Não nos restaram a angústia, a incerteza e a ansiedade, com que os guionistas teimam em deixar-nos, quando jogam com a provável continuidade dos seriados. Ademais, quando lidam com crianças raptadas ou desaparecidas. Lembro “Amber.

 

Nesta, as crianças foram todas resgatadas da gruta, para onde teriam sido levadas por um Muns, que não sei que era ou quem era.

(Talvez fosse Ylva, essa personagem, que o vulgo consideraria bruxa, mas que era um dos últimos seres especiais que restavam desse povo desaparecido, que teria vivido na floresta sagrada.)

 

Esse achamento das crianças na gruta foi realizado por Tom Aronsson, polícia e investigador local, que as encontrou através da filha, Ida, criança supostamente autista, mas que se revelou dotada de extraordinários poderes, como, aliás, a maioria daqueles personagens invulgares e excêntricos. Menina que se reencontrou consigo mesma e com o pai, com quem ela queria, de facto, compartilhar a sua vida.

Libertadas as crianças e entregues aos progenitores. Resolveu-se, deste modo satisfatoriamente, um dos enigmas que entrosou todo o conteúdo temático.

 

Os “maus”, digamos assim, foram “castigados”, usemos estas expressões reducionistas.

O “assassino”, Storm, foi ele morto pelo super peixe, ou o quer que fosse o ser que se movimentava oculto nas águas.

 

Gerda Gunnarsson que, por debaixo da mesa, foi sempre congeminando o seguimento do enredo, também morreria, de causas “naturais”, falemos assim da doença que a vitimou, o cancro.

Destino a que a sua ação na fábrica e ganância especulativa não seria alheia, em termos narrativos.

 

Lembremos que outra das temáticas assentava na existência de uma empresa madeireira, “Thornblad  Cellulosa”, também fábrica de celulose (?), que destruía a floresta, como fonte de matéria-prima; libertava fumos tóxicos, expelia águas residuais contaminadas, para o rio e lago das proximidades.

Esta era a parte da estrutura narrativa que espelhava a realidade, que todos conhecemos, um pouco por todo o mundo e os consequentes problemas ambientais.

 

Pelo meio, a ganância, a cupidez dos acionistas fabris, através do conselho de administração e de Gustaf Boren, sócio maioritário, de aumentarem a produção, de alargar a sua ação até outros setores.

Sabia-se, sabiam os dirigentes, conheciam alguns do povoado, a existência de filões de prata, que nas grutas afloravam à superfície.

Esse submundo subterrâneo, onde “reinaria” um povo, fugido da floresta (?), esta foi uma das partes que não consegui entender, essas grutas, bem como a floresta eram sagradas e deveriam ser mantidas intactas.

Existia até um acordo selado, no século XVIII, entre os antepassados de Eva Thornblad, detetive e filha de Johan Thornblad, e esse povo antigo.

Acordo que o pai, Johan, recentemente falecido, a respetiva firma madeireira e os atuais dirigentes vinham desrespeitando.

Inclusive, o pai de Eva, Johan, havia lançado desfoliante na floresta, já na década de setenta do século XX, matando muitos dos seus habitantes autóctones, que ele mandou posteriormente incinerar.

 

E estes seriam alguns dos aspetos, trágica e fatalmente realistas do enredo, sempre enovelados nos assuntos lendários, mitómanos e fantásticos.

 

E nesse contexto, simultaneamente “realista” e lendário, se situava o desaparecimento, sete anos antes, da filha de Eva, Josefine.

A morte de Johan Thornbald fora o motivo imediato do regresso de Eva a “Silver Height”, “Colina da Prata”, local onde residira com o pai e de onde se ausentara na sequência do trágico desaparecimento da filha, cujo corpo nunca aparecera.

O seu regresso e subsequente envolvimento na narrativa e busca das crianças desaparecidas e da sua própria filha foram um dos leitmotiv dos vários episódios, que, como já mencionado, tiveram um desfecho conclusivo.

 

E ainda e também neste contexto e ainda no lado positivamente conclusivo da narrativa.

 

Eva conseguiu que a firma reconsiderasse a sua ação, indiretamente a suspensão da prospeção do minério de prata e recuperou, perdendo, a sua filha Josefine

 

Esta “pertenceria”, faria parte, da Natureza, não me pergunte como nem porquê, e, Eva embora tendo-a recuperado, porque a perdera há sete anos, teve que aceitar, calma e naturalmente, como algo inexorável, a sua perda.

A criança – jovem, incorporar-se-ia, no território da floresta, na própria Terra Mãe, a que pertencia, transformando-se numa planta, rocha, integrada na própria terra, como se fora, quiçá, novo elemento mineral, talvez até fazendo parte do futuro filão de prata. Não sei.

 

E porque nesta pequena série parte do tema e dos personagens eram jovens e crianças, também o personagem Nicklas, filho de Gerda e do pai de Eva, seu meio-irmão, portanto, jovem supostamente doente mental, destrambelhado, se revelou, no final, extraordinariamente adulto e capaz de assumir os seus próprios destinos autonomamente.

A defesa dos interesses do filho, como forma de o afastar da instituição / hospital psiquiátrico, onde ele era internado e mal tratado, procurando assegurar-lhe um futuro financeiro estável, era a motivação egoísta, que levava Gerda, a engendrar as mais diversas artimanhas, culminando nas detonações das grutas, na busca da prata, sem se preocupar com as crianças aí retidas.

 

Valeu a intervenção de Eva e do meio-irmão, Nicklas, que apesar do seu aparente deficit cognitivo, mas extremamente afetuoso, conseguiu ainda que a mãe suspendesse essa intervenção desastrosa.

 

E, como tal, e é bom reforçar, as crianças salvaram-se!

 

Não julgo que tenha sido uma série, que tenha conseguido cativar muito público, digo eu.

Talvez fale por mim.

Foi difícil iniciar-me nela, não entendi todo o enredo, mas se a repetissem talvez procurasse segui-la, logo de início, para posterior melhor entendimento.

Gostei do final! Foi conclusivo e positivo.

 

E faltou contar muito sobre o narrado?!

Sim. Imenso!

E não falei de dois personagens que desempenharam papéis fulcrais.

Goran Wass, investigador e da jovem Esmeralda, nome sugestivo, ambos seres especiais, dotados de poderes sobrenaturais, fundamentais no enredo, mas sobre que já não vou perorar.

Apenas realço que eram dos poucos seres restantes desse povo antigo.

E que Goran fora precisamente colocado nessa investigação ao desaparecimento das crianças, que se iniciara com Anton, filho de um dos administradores da "Cellulosa", precisamente para tentar salvar os membros remanescentes e raros desse povo.

 

Se a RTP2 voltar a transmitir a série, vou ver se consigo visualizá-la e prestar atenção ao que não assisti.

E, talvez, contar desde o início e de outro modo, mais analítico.

 

Aqui tem, caro/a leitor/a, o que me foi possível. Especialmente para si, que gosta de séries!

E, obrigado, pela sua leitura!

 

 

 

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publicado às 17:51

“A Mafiosa – Le Clan” - Temporada 5 – Episódio 8

por Francisco Carita Mata, em 09.03.17

Série Francesa

RTP2

Episódio Global 40

(08 de Março 2017 – 4ª feira)

 

Mafiosa in. pinterest.com

 

Ocorreu ontem, oito de Março, o oitavo episódio da quinta temporada desta série. O último, segundo as filmagens já realizadas. Se será o derradeiro, isso não sabemos.

Os guionistas dos seriados têm o triste hábito de não concluírem os enredos, para nos deixarem pendurados para eventuais, hipotéticas, presumíveis continuações, em futuras temporadas.

Foi também o que aconteceu ontem.

 

*******

 

Mas antes de começar a abordagem do conteúdo do episódio quero fazer alguns reparos para a RTP2.

 

Estava previsto o findar da série.

Habitualmente o respetivo começo processa-se pouco depois das 22 horas.

Julgo ser uma boa hora para ver séries. Também acho bem que a RTP2 mantenha este horário. (Pese embora todos os facilitismos, que atualmente possuímos, de retroceder na visualização dos diversos conteúdos televisivos.)

Mas a RTP2, numa prática que vários canais televisivos usam e abusam, resolveu introduzir outro programa no horário das séries e empurrar o episódio final de “A Mafiosa”, para quase uma hora e meia depois.

Não gostei. Não se faz.

Estive quase para “postar” a minha discordância, no momento. (Outra facilidade de que dispomos atualmente!)

Não esteve em causa o programa emitido. Que até julgo ser importante. Muito importante. Tratava-se de Teatro. “Trapos e Conversas Frívolas”.

E é, de facto, fundamental que a RTP transmita Teatro. Já o frisei também neste blogue.

Mas não assim, não daquele modo.

Transmitiam o episódio final e, após, passavam a peça de teatro.

Ou então formulo outra sugestão.

Quando terminarem uma série, especialmente se for longa como esta, no dia seguinte, apresentem uma boa peça de Teatro.

Explicando e anunciando devidamente a situação aos telespetadores.

Não apresentem logo imediatamente nova série, novo enredo, novas personagens. Eu gosto de “descansar” um pouco, de um conteúdo, que fica a “macerar”, antes de me atirar logo, logo, para novas temáticas.

Julgo que seria uma atitude mais correta, mais consentânea com o discernimento e inteligência, capacidade de opção e escolha das pessoas que veem as séries.

Assim, do modo como procederam, NÃO!

Fica a sugestão.

 

O que fiz?!

Vi a peça de teatro?! Não. E, provavelmente, teria valido a pena e, se fora posteriormente ao episódio, certamente até veria.

Fiz zapping. (Os senhores programadores televisivos, esquecem que também temos essa funcionalidade?!)

Aterrei no aeroporto JFK, New York, através do Canal National Geographic, onde uma equipa policial nos mostrava como atua perante suspeitos de serem “mulas” / “correios” de droga. Umas vezes com sucesso, outras com insucesso.

Concluído o documentário, continuei a navegar, até começar a série, e, sintomaticamente, aportei à Sicília, onde através do Canal Odisseia, um documentário abordava os relacionamentos entre máfia siciliana, política democrática cristã e a igreja católica, nos anos sessenta, oitenta. (…) O célebre “mega julgamento de Palermo”!

Peculiar, sugestivo, e no hiato de “A Mafiosa – Le Clan”!

Aqui fica outra sugestão.

No dia seguinte a uma série como a supramencionada, um documentário destes ficava a matar!

 

*******       *******       *******

 

E por falar em matar!

Vamos ao conteúdo do episódio. Que, na continuação dos anteriores, foi matar, matar, matar à fartazana, se é correto usar esta palavra.

 

E o assassinato de Jean Luc foi, de facto, o leit-motiv para os desenvolvimentos subsequentes.

Tony encabeçou que fora Orso que tratara desse “julgamento sumário”, desse “ajuste de contas”. E, contrariamente aos conselhos ou sugestões de Manu ou mesmo de Sandra, e “dando a volta” a Manu, que, involuntariamente o cobriu, mas foi coberto por ele, (apetecia-me usar outro termo, mas aqui neste blogue não se escrevem palavrões), como disse, Tony assassinou Orso, a sangue frio, como é seu hábito.

Agora, cada vez mais transfigurado, cadavérico, que parece morto e desenterrado, com as mãos cheias de sangue das dezenas que mandou desta para melhor; o coração recalcado de ódio, que nem Saudade consegue amaciar; a cabeça e o corpo a destilar e feder aos cadáveres que atirou borda fora.

Não só se usou de Manu, de quem se diz amigo e irmão, (estranha amizade e irmandade a daquela gente), exige que aquele o “cubra” e se cale, do que, involuntária e inocentemente, Manu foi conivente.

 

Manu, é justo que se diga, andava naqueles imbróglios todos, mas as mortes, os assassinatos incomodavam-no. Havia nele algum resto de humanidade e comiseração.

E digo havia, porque teve o mesmo destino dos outros.

Vou encurtar a narração, que, hoje, já me expandi em considerandos.

Manu também foi morto, cobardemente, por ódio, orgulho, inveja, recalcamento, com um tiro pelas costas, acrescido de outros, a completar a tarefa medonha.

E por quem.

Pois, precisamente por Tony.

 

Tudo isto terá fugido ao controlo de Sandra, ainda que em determinados momentos anteriores, ela isso tivesse desejado e planeado.

Mas, agora, mais amaciada pelos amores de Charly, foi esquecendo mais as vinganças congeminadas.

Talvez até quisesse que eles todos se harmonizassem.

 

Mas esclarecidas as coisas, tendo Tony tomado conhecimento, através de Saudade e de Sandra do papel de padrinho que Manu reservara ao casal, na adoção congeminada pelo advogado, (também estranha e egoísta adoção, diga-se), e consciencializado a “enormidade” do seu ato, consciência pesada, aceitou, complacente, que lhe seja feita “justiça”, à moda daquela gente.

Acordou também ser “justiçado”, à porta do “Aghia”, tal qual falcão que sobrevoe os céus da Córsega. Apenas pediu que não o atingissem na cara, queria que Saudade ainda o beijasse, depois de morto!

E morto seria, com tiros disparados por motociclistas, nem mais que não fossem os filhos de Orso e primos de Sandra.

Esta, qual “Juíza Suprema” decidira, só com o olhar, a execução da “lei”, habitual entre eles, que tem certamente uma designação própria.

 

Que a Lei e a Justiça, as Autoridades não existem naquela terra!

 

Se alguma foi feita, resultou das “normas” existentes no meio em que nasceram e frequentaram toda a vida.

Thomas, o polícia tresmalhado, consciente e conhecedor delas, serviu voluntariamente de seu catalisador.

 

Alain de tudo isso se apercebeu e comprovou.

Ameaçando o colega de o denunciar, se ele não se ausentasse, para outra delegação, este retorquiu que daria conhecimento do acordo de Carmen com os nacionalistas.

Estão todos embrulhados no mesmo saco, para não escrever a palavra que Thomas usou.

 

Mais tarde, Alain iria a casa de Carmen, não a encontrando.

Achou uma missiva, manuscrita: “Meu amor…” Resvalou o rascunho para a piscina e não lemos o conteúdo.

 

Carmen estava na casa da tia, em Cisco, a que ia ser vendida.

Sandra acabara de folhear recordações da família, em álbuns de fotos antigas e findara de visualizar filme de oitenta, em que ela e o irmão Jean Michel, brincavam aos pistoleiros.

Ela também se projetara na tela, tentando agarrar o irmão, a infância, o passado, a vida que perdera.

Acabada a película, apenas ela se projetava na parede, chorando suas mágoas, agora completamente iluminada pelo foco do projetor.

 

Carmen apontava-lhe uma pistola, não no filme caseiro e antigo, mas na “realidade” da série.

Mas as mãos tremiam-lhe.

Carmen! Falou Sandra, para a sobrinha, num misto de ternura maternal e algum desassossego e inquietação.

 

Não vimos disparar. Não ouvimos tiros. Não sabemos se Carmen disparou ou não. Ou se, eventualmente tendo disparado, terá ou não acertado.

Não sabemos nada. Se foi feita a “justiça”, à moda daquela gente.

Os guionistas adoram deixar-nos nessas incertezas, com é o seu apanágio!

 

 

(Este episódio final teve algumas cenas que ainda quero realçar.

A missa do funeral de Manu. Tantas viúvas negras! Apelando a cenário de tragédia grega.

E, por contraponto, a cena de família, em piquenique na praia, cinco meses depois.

Foram paradigmáticas! A escuridão da noite e a claridade do dia!)

 

E, por hoje, termino a narração deste episódio oito. E o narrar sobre esta série.

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publicado às 13:04


Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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