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"Uma Aldeia Francesa” - Temporada 5 - Episódios 1 e 2

por Francisco Carita Mata, em 21.05.16

“Un Village Français

(Episódios Globais nºs 37 e 38 – 19 e 20/05/2016)

RTP 2

 

Trabalho obrigatório In.frenchcinetv.com

 

“Travail obligatoire” – “Trabalho Obrigatório”

23 Setembro 1943

 

“Le jour des alliances” – “O dia / O momento / O tempo das alianças”

24 de Setembro de 1943

 

A ação decorrendo ainda e sempre em Villeneuve e arredores, desenrola-se já em 1943, tomando a guerra outros rumos.

Que o próprio Heinrich Muller, cada vez mais dependente da morfina, ainda assim tem a clarividência de dar a conhecer à sua amada Hortense, que irão perder a guerra. Estão sempre a perder tanques, sem possibilidade de os recuperaram. Por cada um que perdem, os americanos e os russos constroem dezenas deles. É uma questão de matemática!

A “batalha de Estalinegrado” terminara, em Fevereiro de 1943, com a rendição alemã.

A “campanha do Norte Africana” também terminara com a derrota alemã, em Maio.

A “campanha de Itália” iniciara-se em Setembro.

Estava imparável a vitória dos Aliados, mas ainda demoraria quase dois anos.

 

Necessitando de “carne para canhão”, para lutarem na frente Leste, os nazis precisavam de homens para combaterem. Para isso requisitaram todos os jovens franceses de 20 anos.

 

Em Villeneuve o novo presidente da Câmara, Philippe Chassagne, personagem peripatética da ópera bufa que era a república de Vichy, coadjuvado pelo servil Servier, promoveu uma festa na Escola, para apresentação dos jovens a enviar para a frente, ao serviço dos nazis. Escassa meia dúzia, cabisbaixos, tristeza em pessoa, cara de quem sabe que vai buscar a morte, como carneiros para o matadouro. Alguns algemados, que os jovens que podiam fugiam a essa incorporação no exército alemão, tornando-se refratários.

E os jovens refratários são um grupo de novos personagens que emergem na narrativa e na história.

Em oposição, o discurso empolgado, encomiástico aos alemães, do presidente, seria um texto de comédia, não fora a situação trágica que se vivia, de jovens arregimentados para o massacre, em que se tornara a frente Leste e posteriormente todas as zonas de guerra. Nada de heroísmos, apenas mortes aos milhões, na loucura a que um “cabo militar” levara toda a Humanidade.

Esta situação é o mote para o título do Episódio um: “Trabalho obrigatório”.

Foto presidencial tvmag.lefigaro.jpg

Neste episódio e sequencialmente ao discurso do novo e empolgado presidente, este sofreu um atentado. Foi alvejado por um tiro, disparado por um supostamente varredor, que se entretinha no pátio da escola, a fazer que varria, enquanto sua excelência presidencial se ajeitava nas fotos do acontecimento, com a sua esposa Jeannine, ex-Schwartz.

O atirador conseguiu fugir, seria certamente membro de algum grupo resistente, não sabemos qual.

 

A Resistência vinha ganhando mais adeptos e promovendo também ações de guerrilha. Os comunistas, a partir de ideia de Suzanne, planeiam atacar camiões alemães, que sabem trazerem armas. Se planeiam, aprovado pela direção do partido, passarão à execução e o assalto é concretizado. Não sem baixas, que Julien acaba por morrer, por falta de assistência médica, de todo impossível, que as condições de vida dos Resistentes eram duríssimas. Mas os alemães perderam três soldados e acréscimo de desânimo, que isso levou à afirmação anterior do psicopata, Muller, que ainda há poucos meses se considerava invencível, superior a tudo e todos. E até tinha que ouvir reprimendas do comandante militar alemão, Kollwitz.

Nesta sequência, o tresloucado impôs à cidade de Villeneuve, a deportação de mais cinquenta cidadãos, com a anuência complacente de Servier e o entusiasmo idólatra e bajulador do presidente Chassagne! (Que apresentou as condolências ao SS, em nome da cidade!!!)

 

O Episódio 2, intitulado “Le jour des alliances”, que traduzi por “O dia / O momento / O tempo das alianças”, pode transportar-nos para a emergência política da realização de acordos, alianças, entre os vários grupos de Resistentes: comunistas, gaulistas. E, agora, também aliar, juntar à Resistência, os jovens refratários, ideologicamente meio perdidos, mas esfomeados e a necessitarem de um enquadramento estruturante das suas errâncias. Foi o que visualizámos no final do 2º episódio em que reapareceu Marie Germain, comandando um pequeno grupo de “partisans”, “maquis”, chegando ao acampamento improvisado e rudimentar dos jovens refratários, provavelmente aliciando-os para a “Resistência”. Aguardemos.

Também nos pode remeter para a situação conjugal de Suzanne, da célula comunista, que sendo casada, mas cujo marido estivera preso durante três anos e que, tendo fugido, agora reapareceu, pretendendo reatar o casamento e saber da aliança de casamento que ela já não usava, desde aquela célebre morte encenada, pelo seu atual namorado, Marcel Larcher, supostamente seu executor. Mas tudo isso aconteceu no final da 3ª temporada, em Novembro de 1941. Muita água passou por baixo da ponte de demarcação.

Vimos que, após muita reflexão e análise entre os vários intervenientes, ela acabou por devolver a dita aliança ao ex-marido.

 

E explicado o enquadramento dos títulos, aproveito para abordar sobre a estruturação narrativa, no respeitante ao prólogo e ao final.

Também nestes dois episódios observei que se mantém a ligação que já referi em post anterior.

(Provavelmente tem sido assim em todos, só que eu, dado não ter visto a série completa, nem sequer vários episódios na totalidade, só agora constatei esse facto. Irei continuar a observar esse aspeto.

É como se a narrativa girasse em espiral, em torno de um leit-motiv, e, no final, circundasse paralelamente esse tema.)

O 1º episódio iniciou-se com o caso de Antoine, na serração, com Raymond, seu cunhado, problematizando a questão do serviço militar, da sua isenção ou fuga para a Suíça.

O final, após as diferentes peripécias do enredo, termina na ida de Raymond à casa abandonada por Crémieux, onde deixara Antoine escondido, no intuito de o levar para a Suíça, já não o tendo encontrado.

O 2º episódio continua com a temática dominante dos “refratários”. Inicia-se com a fuga de Antoine e de Claude, igualmente refratário, pelas ruas da cidade e a subsequente perseguição que lhes é movida pelos “gendarmes”, que os mandam parar, apontando-lhes as armas. Logrando eles, todavia, escapar.

O final, já o abordei parcialmente. Estavam os vários jovens no acampamento improvisado, subitamente invadido pela chegada do camponês a quem eles haviam roubado galinhas, de espingarda em punho. Acompanhado de mais guerrilheiros, comandados por Marie.

Resta-nos saber qual vai ser o destino que lhes cabe.

Por mim, penso que vão engrossar as fileiras da Resistência.

O que acha?!

Só têm a ganhar com isso.

 

E estes dois episódios e deduzo que também os subsequentes, centram-se bastante na importância crescente da Resistência. Esta 5ª temporada intitula-se precisamente “Escolher a Resistência”.

 

E sobre outros personagens?

 

Surgiu uma nova personagem em cena, na Escola, na pessoa de uma nova professora, colocada a meio do ano, para a música.

Suscitou principalmente a curiosidade e desconfiança de Lucienne, que não esteve com meias medidas, enquanto não soube o conteúdo de uma carta que a professora, de nome Margarida, recebera do suposto marido preso num stalag.

Arranjou um pretexto para ir ao quarto da rapariga arranjar-lhe a persiana, de a mandar sair a buscar um pano para limpar as mãos e lá está ela a abrir a carta.

Lida esta, confirmou ser de teor diferente e não haver ali marido algum.

Continuou de intriga com o marido que falou com a moça, que também não é menos curiosa que Lucienne e o que quer é saber se Bériot pertence à Resistência.

Ele negou, que todo o cuidado é pouco, apesar de ela lhe apresentar dados aparentemente fiáveis.

Vejamos o que dali sairá, que agora, e pelo menos, o que constatamos são muitas mentiras, ou, pelo menos, apenas meias verdades.

 

Sobre Marchetti, a quem já tínhamos atribuído algum crédito positivo, no final da 4ª Temporada, pelo apoio dado a Rita de Witte, constamos que não tem salvação possível. Continua o mesmo escroque, a usar e abusar discricionariamente do seu poder.

Matou, a sangue frio e pelas costas, um jovem refratário, como se abatesse um coelho; serve-se de Eliane; pretenderá enquadrar Bériot no atentado ao presidente, para protelar a pesquisa sobre a morte do soldado alemão, na fronteira Suíça, que, como sabemos, foi de sua autoria, para que Rita seguisse a sua viagem para a Liberdade.

 

Sobre Muller já sabemos que entrou num abismo de loucura e dependência da droga, consciente que a guerra está perdida, é só uma questão de tempo, e arrastando Hortense com ele.

Esta agarra-se-lhe, como se não houvesse mais luz no universo, vai implorar morfina ao ex-marido, que, agora mais lúcido, lha nega.

Não desiste, cede à fatalidade da sua condição de mulher e oferece a aliança, para o subalterno do amante ir adquirir droga ao mercado negro.

 

Hortense tequiero in. lamagiedeslivres.skyrock.com

 

E já que falámos do médico, Daniel Larcher, sabemos que reside noutra localidade, Moissey, faz consultas em Villeneuve duas vezes por semana, e costuma trazer o pequenote Tequiero.

E foi comovente ver o miúdo a correr para a mãe adotiva, Hortense, e esta abraçada a ele.

 

E ficamos por aqui, aguardando próximos episódios e temporadas!

 

 

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publicado às 21:11



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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