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“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 5 - Episódio 12

por Francisco Carita Mata, em 05.06.16

“Un Village Français

(Episódio Global nº 48 – 03/06/2016)

 

RTP 2

 

“Un Sens au Monde”  - “Um sentido para o Mundo”

(13 de Novembro de 1943)

 

Na passada 6ª feira, três de Junho, ocorreu a finalização da 5ª Temporada da Série, cuja ação decorreu em 1943, em dias específicos dos meses de Setembro, Outubro e Novembro.

O 12º episódio, quadragésimo oitavo global, retrata os acontecimentos do dia 13 de Novembro, dois dias após o célebre desfile dos Resistentes na cidade fictícia de Villeneuve, representação do que realmente aconteceu na cidade real de Oyonnax, nessa mesma data, em 11 de Novembro de 1943.

 

E, para finalização de temporada e de ciclo de representação, apresenta um título, por demais sugestivo: “Um sentido para o Mundo”.

 

(Lembro que a temporada seguinte, a sexta, a iniciar-se, em princípio, na próxima 2ª feira, 6 de Junho, relembrará os acontecimentos ocorridos após a Libertação de Paris, em 25 de Agosto de 1944.

Retratará ocorrências posteriores de quase um ano e num contexto completamente diferente: pós ocupação e “Libertação”. Trazendo outras problemáticas igualmente pertinentes.)

 

É pois adequado o título para este último episódio : a busca de um sentido para o Mundo.

E esse sentido, ou essa busca de sentido, é nos dado pelas falas da peça teatral de « As Muralhas » ( ?), encenada por Claude e por ele representada, mais os três colegas refratários, que temeram a subida do penhasco para a Liberdade e aguardam a chegada dos nazis, à gruta toda iluminada, para essa primeira e derradeira representação.

Os boches chegaram, prontos a intervir, mas pararam, às ordens de Muller, atento ao que presenciava. Os alemães, ali, os únicos espetadores daquele original espetáculo.

Interessante seria relembrar todos os diálogos, mas fica a última fala, que responde ao título do episódio.

« …

Que apenas o AMOR dá sentido ao MUNDO ! »

 

E neste tema universal, temporal e espacialmente, continuamos.

 

Comovente a cena do enterramento de Marcel, fuzilado às mãos dos soldados boches, sob supervisão de Muller e do comandante das tropas nazis.

O corpo, excecionalmente não foi para vala comum, foi entregue a Daniel, que o compôs o melhor que pôde para o enterro.

Com Suzanne, amada de Marcel, o médico discutiu os pormenores do funeral.

Com ou sem padre, em jazigo de família ou campa térrea, como ele quereria...

Prevaleceu, sensatamente, a opinião da Mulher, e Marcel foi enterrado no jardim, em campa rasa, em simples caixão de madeira, “ao ar livre, com os pássaros, a terra” e sem acompanhamento religioso.

A acompanhá-lo, só e apenas, três personagens marcantes na sua Vida!

Daniel, o irmão mais velho, Amor Fraternal, simbolicamente apanha um punhado de terra, Terra-Mãe, atirando-a sobre o caixão.

Gustave, o filho, Amor Filial, trouxe-lhe um ramo singelo de flores campestres, que espontaneamente lançou sobre o féretro do pai. Com elas o ar, as aves e a liberdade que lhes assiste.

Suzanne, comovida, lançou-lhe a sua aliança de ouro, metal puro, precioso e eterno, que ele trouxera como penhor ao pescoço, prova do seu Amor, nos tempos em que estiveram ausentes.

E, deste modo, se cumpriu o Destino de um personagem que, simbólica e idealmente, lutou por causas em que acreditava de forma altruísta, apesar de todas as contrariedades e contradições inerentes às mesmas e seus protagonistas.

 

E ainda de Amor falamos, que, nesta série, é um tema transversal a toda a narrativa.

 

Fuzilamento Marcel in. commeaucinema.com

 

Muller assistiu e supervisionou os fuzilamentos de Marcel e Chassagne. (Se não estranho, pelo menos peculiar este acoplamento destes dois personagens neste final trágico!)

Os sentenciados à morte têm direito à satisfação de um último desejo e o do ex-presidente foi fumar um cigarro turco, que compartilhou com Marcel.

Este pediu para lhe entregarem uma mensagem ao filho, recebida por Muller.

O Resistente quase chorava, lembrando-se de quando criança, em miúdo, das suas diatribes e de como o irmão, Daniel, lhas escondia ao pai, e pagava pelos seus erros.

Soçobraria aos tiros dos soldados nazis, lembrando o pai a sovar o irmão com um cinto, por uma patifaria sua.

 

Teve, melhor, tiveram os dois fuzilados, ainda, “direito” a um derradeiro tiro na nuca, por via das dúvidas!

 

Mas, dir-me-ão...

Que falávamos de Amor... E agora, neste excerto, de que falámos, foi de Morte!

 

Muller, portador do bilhete de Marcel, dirigiu-se a casa de Hortense, em busca de Gustave, que estava a fazer os trabalhos de casa, “os deveres”.

“O teu pai morreu. Foi fuzilado há pouco. Foi muito corajoso. Era um grande combatente!

Ele deu-me uma mensagem para ti, justamente antes.” E deu-lhe o papel já meio amarrotado.

A criança desdobrou-o e tê-lo-á lido.

Nós também lemos.

“Amo-te.

Sê um Homem!”

E falamos também e então de Amor: Paternal!

 

E falaremos novamente e ainda de Amor, se falarmos de Lucienne, de Bériot, de Marguerite. Num triângulo em que Lucienne será o vértice!

Mas não vamos falar muito, porque não vi nem o episódio décimo nem o décimo primeiro, mas deduzo que a ação das duas mulheres terá sido determinante para a execução do desfile.

Marguerite foi presa e foi com ela na prisão e o interrogatório escabroso de Marchetti, que o episódio se iniciou, no habitual introito.

Pressionada de forma ignóbil, como Marchetti sabe fazer, acabaria por ceder e denunciar o local de acoitamento dos Resistentes.

Por isso pagaria também. Mas às mãos de Vernet, polícia, mas também Resistente, que em tempos de guerra a justiça faz-se pelas próprias mãos e não há mãos a medir para tanta morte.

Amor e Morte sempre presentes! Que no Amor sempre se morre um pouco também.

E Lucienne foi cúmplice por omissão nessa mesma morte. Morte de Amor?!

A intervenção na disputa salomónica, entre duas meninas no recreio, sobre a posse de uma boneca, foi apenas o pretexto para desviar o olhar, deixando que a execução ocorresse.

 

E da execução desse personagem execrável, investido em presidente da câmara, às ordens dos nazis, de nome Philippe Chassagne, já falámos. Terá sido entregue ao pelotão de fuzilamento, porque um puré de batata terá sido indigesto a Muller... personagem psicopata, paradigma simbólico dos dirigentes nazis.

De entre os dirigentes franceses, colaboracionistas, das nojices de Marchetti, também já referimos.

Servier, continua nas suas sabujices e servilismo, mas também de aprendizado político, que a esposa lhe ensina, à mesa do restaurante, de pratos escondidos debaixo da ementa, que os tempos são de fome e escassez de bens, com realce para os alimentares.

 

E estes personagens irão ser sentenciados após a Libertação?

Pagarão eles pelos seus crimes?!

Ou serão “inocentados”, como tantas vezes acontece?!

 

E os Resistentes corajosos, Antoine, Anselme, e os seus correligionários, que conseguiram escalar o penhasco, conseguirão escapar?!

 

E muito ainda fica por contar!

 

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publicado às 20:06



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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