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“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 6 - Episódio 3

por Francisco Carita Mata, em 09.06.16

“Un Village Français

(Episódio Global nº 51)

(8 de Junho de 2016)

 

RTP 2

 

“La Corde” – “A Corda”

27 de Agosto de 1944

 

Título sugestivo: “La corde” -  “A corda”.

Que os alemães, comandados por Schneider, antes de abandonarem Villeneuve, face ao avanço das tropas aliadas, não sei se maioritária se exclusivamente americanas, deixaram ainda acentuadamente a sua marca de terror.

Convocaram a população, obrigaram (?!) os fascistas dos milicianos, para a execução - chacina de vários cidadãos da cidade, que enforcaram na praça, aos olhos aterrorizados e angustiados de familiares.

(Mas, nesta fase da guerra, como e porquê as designadas “autoridades” da cidade, ainda se sentem “obrigadas” a cumprirem ordens dos alemães?!

Como puderam tantas vezes, durante tanto tempo e tantos franceses serem autores ativos na morte de seus concidadãos, tão franceses como eles?!?!)

 

Como subtítulo também poderíamos designar:

A morte escusada / supérflua de uma Heroína (?)

Ou, a morte ignóbil (?), trágica, de uma Heroína (?)

 

Sim, porque neste episódio e no contexto dos enforcamentos, Marie Germain também sofreria a mesma sorte e morte de milhares dos seus concidadãos. Digamos, que mais uma vez, não sei se de forma trágica, se ignóbil, se escusada ou supérflua, Marie compartilhou a sua vida, a sua “Causa”, com os seus compatriotas.

Na minha perspetiva, fora eu guionista, e não “matava” a Heroína! Pelo menos assim...

Dar-lhe-ia um outro Destino. Glorificá-la-ia! Trataria de a fazer comparticipar nos festejos da Vitória.

Se a “matasse”, seria em batalha, em ação, em luta, sei lá, rebentando a ponte, ou com um tiro disparado por um inimigo.

Mas Destino é por vezes destino e neste quem manda é o guionista.

 

Irónico, mas extraordinariamente exemplificativo e paradigmático, é que o seu carrasco tenha sido Marchetti, esse personagem execrável, desumano, cheio de ódio pelos outros seres humanos...

Foi ele quem lhe pôs a corda ao pescoço, quem a prendeu, quem a esticou... mas quem a “puxou”  não terá sido a própria Marie?!

“Lacaio miserável...”

E Marchetti deu um pontapé no banco para onde obrigara Marie a subir. (E porque subira ela?!)

E ficou a baloiçar, presa na forca...

 

Que mal lhe fez a Humanidade?!”

(Lembramos que Jean Marchetti se referira a si mesmo, como um filho da “assistência pública”...)

 

Marie e  Raymond in. toutelatele.com

 

No seu idealismo, Marie merecia outra sorte e diferente morte!

Até porque andava novamente de amores com Raymond.

Que a ouviu chamá-lo, quando ela se aproximava da ponte antes de ser presa por uns soldados, que não consegui identificar totalmente.

Pareceu-me que Schneider os apelidou de “bávaros”...

 

E sobre bávaros, Baviera, Alemanha, lembramos Muller e Hortense.

“Casados” sob nome falso; “casados” sem aliança, mas de tesoura; “casados” por pacto de sangue... estão sós, auto centrados, entregues a si mesmos, na floresta, projetando fugir para a Alemanha, que para a Suíça se tornara de todo impossível, que o exército americano já ocupara essa via.

 

E foi também para a Alemanha que o resto do exército alemão ocupante de Villeneuve conseguiu fugir, sem o prometido (?) impedimento dos americanos.

 

Prometido ficou também o acordo firmado entre as ainda autoridades “legais” da cidade e os “Resistentes”.

Acordo difícil, finalmente selado por documento de papel assinado!

 

Da salvaguarda de redenção ficaram excluídos, entre outros personagens, os milicianos e Marchetti. Que está carregado de culpas no cartório!

No final do episódio, vimo-lo carregar a sua mala, a caminho de um destino improvável, pelas ruas amarguradas de uma Villeneuve antiga e pobre, marginal, diria eu que um antigo bairro suburbano, certamente de grupos sociais minoritários e ostracizados.

Digo eu, porque li em excerto de futuros episódios que ele se irá refugiar em casa de Rita, judia, e sua antiga amante...

 

Aguardemos...

 

Notícias boas: Antoine e Suzanne, novo par amoroso, conseguiram salvar-se.

 

 Temporada 6

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publicado às 16:14



Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

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