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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Na Revista Cor - de - Rosa!

Rosas de Cheiro. Original DAPL. 2016. jpg

 

Revista Cor – de – Rosa

 

Na revista cor – de - rosa

De gente bela e famosa

Anda tudo bem - disposto

Corre tudo a seu gosto

Na mais perfeita harmonia

Toda a noite e santo dia

Em permanente folia!

 

Tanto rei! Tanta princesa!

Mais rainhas de beleza

E plebeias promovidas

Ai! Que delirantes vidas

Anda todo o mundo feliz

Do mais velho ao mais petiz

Que isto é como quem diz…

 

E eu compro a revista

P’ra nela poisar a vista

Também quero pertencer(e)

Deixem-me aparecer(e)

Por esse mundo d’ílusão

Nas páginas do coração

Agora! Aqui! Pois então!

 

Este é mais um dos poemas que agora escrevo, debruçando-me sobre aspetos de cariz social. 

Neste ano: " Meu amor do facebook", "Selfie...", "Futebol é arrebol". Outros foram entretanto surgindo, contextualizando o conceito de "narrativas em verso"! Para além dos que já escrevera no ano anterior.

Neste há uma estruturação formal diferente dos anteriores.

Ultimamente digo estes poemas nas Tertúlias em que participo.

 

Nota final: Este é o post nº 614!

“Poesia à Solta”: Foi de arrasar!

Tertúlia da SCALA – “Poesia à Solta” - 29/09/18 – Sábado

Exposição de Pintura – João Pedro

 

Pensava que eu me esquecia da Sessão de Poesia na SCALA?! Nem mais nem por menos! Foi uma sessão de arrasar!

 

Pintura João Pedro in. facebook SCALA Almada

Além do mais e por demais, porque nesse mesmo dia foi inaugurada uma Exposição de um jovem Pintor, João Pedro, que é de fascinar. Pinturas constituindo todo um conjunto harmonioso, enquadradas esteticamente num estilo muito pessoal. É identitária a mostra, dado que nos direciona para uma mesma origem autoral. Mal se entra na sala, sempre muito bem organizada estruturalmente, percecionamos desde logo e à primeira vista, o fascínio e a qualidade do que nos é mostrado. E reconhecemos uma marca original, a mesma impressão digital! Enquadraria a temática numa estética abstrata. (Estarei correto?)

(Mas, simultaneamente, perceciono, percebo, um lado muito orgânico nos traços picturais. De algum modo, imagino estruturas microscópicas de seres vivos, plantas principalmente, ampliadas e pintadas. Imaginação minha! Que o pintor me disse não ser esse o modelo.)

Estão de parabéns o Autor e a SCALA. Esta Exposição não desmerece de figurar, futuramente, em qualquer Galeria de Arte, Museu, ou Sala a esse fim destinada. Só na Cidade de Almada há vários espaços onde este conjunto de Obras, estilisticamente personalizadas, devem ter honras de aparecer! Sala Pablo Neruda, Oficina de Cultura, Galeria, Casa da Cerca, eu sei lá!

Siga em frente, João!

(São da Exposição, as duas fotos de pinturas apresentadas no post: In. Facebook da SCALA, amabilidade de DAPL, que mas recolheu! Obrigado a todos.)

 

Pintura de João Pedro. In. facebook SCALA. Almada. 2018.jpg

 

Houve algum tempo para quem quisesse visualizar e apreciar os quadros expostos, dialogar, enquanto Gabriel, o Sanches, nos envolvia com a musicalidade do seu órgão. Esteve razoável público, pena não terem ficado todos para a Tertúlia. Ficaram ainda bastantes pessoas, maioritariamente familiares e amigos do pintor. (Éramos vinte, na totalidade, número que parece ser agora o habitual nas tertúlias!) E abrangendo várias gerações, pessoas bastante mais novas que as que normalmente habitam as várias tertúlias que frequento, em que somos jovens, é certo, mas de espírito. Que de idade, já estamos mais para lá do que para cá. Nesta Tertúlia tivemos o grato prazer de termos a assistir jovens, jovens mesmo, de idade!

Penso que não desmerecemos no trabalho que lhes apresentámos, porque todos, mas todos sem exceção, revelámos o nosso melhor!

Será fundamental que futuramente estes intercâmbios artísticos se entrecruzem. Nas várias atividades, proporcionar uma simultaneidade de eventos: Poesia e Arte de Mãos dadas! Será uma forma de estruturar públicos diversos e revelar a cada um desses públicos diferenciados que as várias Artes não são paralelas, mas convergem todas para um mesmo fim: revelar o que de melhor a Humanidade tem!

E frisar o que escrevo sempre: Pena que a comunicação social não valorize a Poesia! Só perdem!

 

E sobre a Tertúlia?!

Começo por referir quem disse: Presente! Clara Mestre, Maria Gertrudes Novais, Amélia Cortes, Palmira Clara, Gabriel Sanches, Arminda Vieira, além deste cronista.

João Pedro também se aventurou a ler um poema: “… vidas construídas…”. Continue, que estamos sempre a aprender.

A dizermos Poesia, continuadamente, fomos sete. Os Sete Magníficos! (Pretensiosismo meu?!) Poucos a dizer, quer dizer, que mais dissemos! (Houve cinco voltas de carrocel poético, para quem quis.)

 

Clara Mestre, disse, cantou, poesia sua e de outros autores: “Tudo pára, para ouvirmos só poesia…” “Amor combate”, de J. Pessoa; “Cinema”, de sua autoria; “A vida deve sorrir”, de Gertrudes Novais; “Silêncio e tanta gente”, de Mª Guinot.

 

Maria Gertrudes Novais disse, de sua autoria: “Amarras”, “Entre o céu e a natureza”, “Gritos de alma”; “Planície”, “Utopia” e finalizou com um poema sobre o teatro.

 

Amélia Cortes, também de sua autoria: “Maria dos ventos”, “A cabana no penhasco”, “Terra”, “Praga”, “Vento sueste”.

 

Francisco Carita Mata, de sua autoria: “Selfie”, “Amor do Facebook”, “O Futuro morre na praia!”, “Futebol é arrebol”, “Revista cor de rosa”.

 

Palmira Clara: “Cigarro”, de Gabriel Sanches; “Melodia”, de Gertrudes Novais; “Cântico Negro” de José Régio; “… em cada um de nós há um segredo…”, de Gertrudes Novais; “Por caminhos de Santiago”, de sua autoria.

 

Arminda Vieira disse, de Gertrudes Novais: “Novo amanhecer” e “Vento agreste”.

 

Gabriel Sanches também disse e também cantou poesia de sua autoria: “Nós poetas somos loucos…”, “Aos amigos quero oferecer”, “Se…outro planeta houvesse…”, “A minha vida de cão…”, e “Canção da promoção…”, com a música de J. Afonso de “eles comem tudo…” em que finalizou que um dos tais, que por aí andam a comer tudo, foi para o Céu pagar a dívida ao Espírito Santo!

 

Nem mais, nem por menos! Que esta crónica ultrapassou o limite de uma Página A4 e estará enviesada, como de costume. Mas, para a corrigir, conto com a sua colaboração, Caro/a Leitor/a.

Por vezes, apetece-me dar a volta ao texto, mas tento ser o mais objetivo, com o devido respeito que todos os intervenientes me merecem.

E Obrigado pela Vossa atenção e pelas Vossas prestações Artísticas! Que nos enriquecem!

 

 

 

 

“A Poesia é Força” - Tertúlia APP - Associação Portuguesa de Poetas

Tertúlia APP – Associação Portuguesa de Poetas

30 de Setembro 2018 - Domingo

 

Nesta Tertúlia, habitual no final de cada mês, na Sede da Associação, aos Olivais, em Lisboa, constava da “ementa poética”, a apresentação de livro “Um Braçado de Estrofes”, edição Modocromia, 2018, de Maria Lascasas, pseudónimo de Maria Beatriz Ferreira e a inauguração da minha primeira e individual “Exposição de Poesia Visual”.

 

Nela marcaram também presença: Carlos Cardoso Luís, Maria da Graça Melo, Rogélio Mena Gomes, Mabel Cavalcanti, Beatriz Fernanda, Camila Soares, Helena Guedes, Joaquim Horta Correia, Mário Bragança, Luiza Gregório Bragança, Júlia Pereira, Alcina Magro, Aires Plácido, Santos Zoio, Adelaide Zoio, Joaquim Sustelo, Bento Durão, Márcia Rocha e Lília Rocha.

 

Um minuto de silêncio, uma singela, mas bonita homenagem a São Reis, recentemente falecida.

 

Apresentação da Autora do livro “Um Braçado de Estrofes” e o melhor preito à Poesia: Dos presentes, todos os que quiseram, leram um poema. Previamente fora distribuído pelas cadeiras da sala, um, policopiado, assinado pela Autora e uma breve bibliografia. Ideia interessante! O que me calhou em “sorteio”, “A poesia é força”, divulgo-o neste post.

Parabéns à sua Autora! E continuação de boas e frutíferas colheitas de “Braçadas de Estrofes”. De Versos! E de Poemas!

 

Calhou-me a mim, em seguida, colher a atenção dos presentes, explicando, o melhor que pude e sei, sobre a Exposição. Li o poema “Ícaro”. Entreguei um exemplar do texto que divulguei no post anterior. Convidei os presentes a deixarem uma mensagem nos autógrafos, acrescentando às que já aí figuravam. Obrigado!

 

E navegámos para a Tertúlia propriamente dita. Aconteceu Poesia! Muita, bonita e marcante Poesia. Houve Fado, Canção e até um dueto quase improvável, mas extraordinariamente sentido! E um Poema dedicado a Mãe, presente pela primeira vez na Tertúlia: Dona Lília Rocha!

Foi uma tarde em que, mais uma vez, a Associação Portuguesa de Poetas dignificou e engrandeceu a Poesia! Parabéns e Bem - Haja a todos os Participantes!

(Ah! E houve também um agradável beberete!)

 

Foto DAPL 2015. jpg

 

“A poesia é força”

 

Se a poesia é vida

e o poeta um ser humanizado

a lágrima que brotar será a dor

que se junta à flor

à floresta queimada

ao escurecer de rochas

que mesmo duras e altivas

perderam o chão.

Se enfrentas, poeta, a realidade

e deténs teu olhar sobre a humanidade

escutarás o rumor do desespero

que chora no clarão da noite

junto dos enfraquecidos

dando-lhes o grito necessário.

 

Com mudas estrofes

indicas o melhor caminho

e seguras a mão molhada

dos que perderam tudo

e já não têm nada.

 

A chama queima-te os olhos

perante alguns, resta a indiferença

Porém, a tua raiva pura, indignada

é como força

que ateará novos sonhos

com a canção imaginada

no desenho de cada palavra nua.

 

Terás sempre outros, que não saberão

quão forte é em ti

a força da razão quando ela é tua.

 

Maria Lascasas; in. “Um Braçado de Estrofes”

 

 

 *******

Foto original DAPL - 2015: "Há sempre uma Flor - Poesia, um Verso, uma Estrofe que irão brotar no cinzento e indiferença dos dias!"

 

 

Exposição de “Poesia Visual”: Texto para Visitantes

Sede da APP – Associação Portuguesa de Poetas

Rua Américo de Jesus Fernandes, 16 - A – Olivais – Lisboa

30 de Setembro – 28 de Outubro / 2018

 

 

Esta Exposição tem por objetivo fundamental dar a conhecer um conjunto de trabalhos poéticos, que elaborei na segunda metade da década de oitenta, inspirados no conceito da designada “Poesia Visual”.

Alguns, fui-os divulgando no blogue “aquem-tejo.blogs.sapo.pt”, tal como tenho dado a conhecer outros textos poéticos ou em prosa, que fui elaborando ao longo dos vários anos em que escrevo.

 

O concurso da APP “Nau dos Sonhos” foi a oportunidade e o móbil imediato, que me levou a propor à Direção da APP, a realização desta mostra de Poesia, desde logo aceite.

Trabalhos desenvolvidos na época referida, inspirados na estética artística e poética mencionada, de que resultaram várias obras, em suporte de papel, seguindo metodologias diversas e contextos de inspiração variados.

Todos têm na base um poema, escrito na altura ou anteriormente, que estruturei visualmente face à temática a trabalhar. De alguns fiz mais do que uma versão, consoante a inspiração.

 

O poema azul de (a)mar é dos que construí mais do que uma versão.

A primeira, (85), inspirei-me numa célebre estampa japonesa. As subsequentes, (86), foram criadas num modo mais pessoal e original, em que a palavra – o significante, se foi gradualmente transformando no seu significado, o mar, a ponto de, no final do poema, as palavras e letras se confundirem com as próprias ondas do mar para que nos remetem. Da calmaria inicial para o movimento e rebentar das ondas… A azul, que azul é o mar!

(Deste trabalho, ofereço uma das versões à APP.)

 

O trabalho que intitulei, para efeitos de concurso como Poema Psicadélico”, de 1986, baseia-se num poema de 1979, intitulado “Fuga à Solidão”. (Este poema supostamente traduz a experiência multissensorial de uma pessoa sob o efeito do consumo de estupefacientes. Supostamente! Que “o Poeta é um fingidor…”)

Em “Poema Psicadélico”, os versos projetam-se nas paredes de um quarto, local de experimentações, como se de um filme se tratasse ou de uma banda desenhada.

Nele, há o recurso a variadas técnicas e possíveis conceitos estéticos, remetendo para várias Artes: desenho, pintura, evocando-nos o cinema, a banda desenhada, imaginariamente a música e até o desenho animado, pese embora a estática de um quadro; o graffiti, os murais… a colagem também, como meio, suporte, recurso e decisão consciente.

 

Com o título “Verso e “Reverso" , para efeitos de concurso, apresento um mesmo poema, escrito através de duas tecnologias pré-digitais: manuscrito, a esferográfica preta, porque escura é a ansiedade, e utilizando a ‘ancestral’ máquina mecânica. (São de 1987.)

Em ambas as tecnologias, procuro reportar o texto para uma dimensão visual para além do grafismo dos caracteres e das palavras. Uma aproximação ao desenho.

Formalmente, são os dois lados de uma mesma realidade e apresentam-se como se fizessem parte de um mostruário da designada “Literatura de Cordel”. (Esta ideia tomou forma também para efeitos de concurso.)

O poema é a interpretação analítica de um desenho não meu, de um jovem, que acompanhei quando trabalhava numa Instituição Profissional. (É uma interpretação, outras poderão ser possíveis.)

 

O mar enrola n’areia…” (1986), é quase um não-poema. Praticamente não há texto. Apresentando-se graficamente, um desenho produzido com a proverbial máquina de escrever mecânica, em duas versões experimentais, (Poesia experimental!).

Duas crianças, um menino e uma menina, à beira mar, entoando a célebre cantiga popular, e segurando papagaios de papel. Reporta-nos para o nosso imaginário infantil e, para além do grafismo do desenho, também para a cor e para a música. (Imaginariamente!) E que é da Poesia se não nos solta a Imaginação?!

 

A partir do poema Ícaro, publicado no Anuário Assírio Alvim, 1987, trabalhei duas versões.

Uma primeira, (86), reportando-me para a iconografia relativa ao mito grego: o labirinto, o minotauro, as ilhas gregas e as suas ruínas de templos. Ícaro, flutuando sobre as nuvens.

Este poema pretende ser uma desconstrução da simbologia inerente ao mito. (Os mitos suportam diversificadas interpretações.) Ícaro não caiu ao mar, com os seus sonhos, com a sua ânsia de liberdade e afirmação pessoal. Manteve-se, planando, não deixando de sonhar!

 

Uma segunda versão, de 87, 89 e que completei este ano, 2018, e estruturei deste modo para a Exposição, poderia intitulá-la, “Asas de Sonho” / “Asas de Ícaro”, baseia-se no mesmo poema, com a mesma desconstrução e transmutação ideativa, para a persistência e permanência da condição de sonhar! De sonhador(es)!

(Uma versão primeira, desta 2ª versão, foi publicada no Diário de Notícias, em 1987.)

 

A técnica, a tecnologia, os materiais utilizados, face ao mundo digital em que vivemos atualmente, são elementares, quase “pré-históricos”, ou melhor, pré-digitais. Trabalhos feitos manualmente, com recurso a esferográficas e canetas de feltro! A velhinha máquina de escrever mecânica! Algumas técnicas primárias de pintura…

Remetem-nos, sugestionam-nos os Textos Poéticos para outras formas de Arte.

 

Termino, dizendo o poema, Ícaro, que, de certo modo, traduz o meu pensar e sentir.

Nunca devemos desistir de sonhar!

 

(ÍCARO / Lá no alto, entre as nuvens / Ícaro, preso está. / Não perdoaram os deuses / Voos tão altos, com asas / tão de cera. / E Ícaro se quedou enredado. // É falso que ao mar haja caído / Espalhando-se no que seu nome tem / Por não seguir de Dédalo os conselhos. / Ficou somente preso, entre os seus sonhos, / Mas bem lá no cimo, entre nuvens.)

 

E Obrigado por me escutarem, por me terem possibilitado a concretização deste meu Sonho. Tal como Ícaro – Poema, nunca desisti de sonhar. Através desta materialização expositiva, concretizei um pouco dos meus sonhos.

Obrigado à APP. Obrigado, Sócios da APP. Obrigado, Direção da APP. Obrigado a todos os presentes. Obrigado a Amigos e à minha Família, que me incentivaram neste projeto!

 

*******

E uma Nota Final: Vários poemas reportam-nos para o tema Mar e o elemento Água.

Este poderia ser um aspeto também a abordar: o Mar e a Água, como fontes primordiais de Vida. O Mar e a Água, como arquétipos estruturantes da Humanidade. O Mar e a Água, como fatores fundamentais da vida terrestre (e haverá outro tipo de vida para além da terrestre?) e os cuidados para sua preservação e manutenção… (…)

Exposição Poesia Visual - Sede A. P. P.

Sede da Associação Portuguesa de Poetas

R. Américo de Jesus Fernandes - Olivais - Lisboa

Azul de amar 2018. jpg

Já está instalada a Exposição de Poesia Visual.

Nela estão expostos alguns trabalhos que elaborei segundo este conceito, na segunda metade da década de oitenta, agora estruturados para esta finalidade expositiva. Outros já organizados há algum tempo atrás.

Ícaro 2018. jpg

 

Obrigado ao  Presidente da Asssociação, Carlos Cardoso Luís, pela sua ajuda preciosíssima, na conceção, montagem, orgânica e estruturação da Exposição. Bem haja!

 

Ícaro 1989.jpg

 

Praxes: a parvoíce continua!

E lá volto eu a este assunto!

 

Original DAPL. 2016. jpg

 

Desde que utilizo esta ferramenta do blogue esta temática das praxes vem quase sempre à baila nesta altura. Pelo lado negativo!

Não me apetece nada voltar a este assunto. Mas vai ter que ser!

Quando vejo na Cidade de Régio aqueles bandos de carneiros mal mortos, a serem arrastados por aqueles mantos corvídeos, carregados de pinos, a blasfemarem umas quantas obscenidades e a executarem uns quantos disparates na rua… apetece-me sempre interpelar.

E já o tenho feito, ainda este ano o fiz no Campo de Sant’ Ana!

E quando é que as Autoridades resolvem intervir, como deve ser por esse país fora?!

Que as cenas repetem-se invariavelmente por todo o lado…

Recomenda-se: poetaporkedeusker

Recomendo vivamente a leitura deste blogue!

Inteiramente dedicado à Poesia, na sua vertente mais Clássica. De um perfeccionismo e idealismo poéticos dificilmente excedíveis.

Navegue, e poderá ajuizar por si mesmo.

Boas leituras!

                                                     https://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/

 

 

 

 

 

Futebol é arrebol!

Nascer Sol Tejo Foto original DAPL 2016.jpg

 

Futebol é arrebol!

 

Bye - Bye, Uruguai / Que você vai / Seguir avante

E eu vou ficar chorando / Aqui cantando / O meu descante.

 

Bye - Bye, Uruguai / Que já não vai / Seguir avante

Ficamos os dois, chorando / Aqui cantando / Nosso descante.

 

Quando a bola rola e rebola / No relvado

Você se sente herói / Quase um cow – boy

Cavalgando corcel alado!

 

Mas que tristeza… / Até vileza / Um mau resultado

Fica de certeza / De ego amarfanhado.

 

Mas, vale a pena / Tal cena / Tal desconforto

Se, quem joga no Benfica

Amanhã, se bem lhe fica

Já joga no Porto?!

 

Amigo, futebol é carcanhol! É milhões.

É arrebol, p’ra quem, de sol a sol / Se governa com tostões…

 

Mas que quer, amigo?!

Será sina? Talvez castigo

É ilusão… Também paixão

E, p´ra mim digo e desdigo / P´rós meus botões

Que´ ainda vou ganhar o Euromilhões!

 

E, agora vejo na televisão…

A bola rola e rebola

E vai ser mais um golão!

 

 

Pôr do Sol. Penha. Foto original DAPL. 2018.jpg

 

Este texto poético foi iniciado, em termos de inspiração, a trinta de Junho, quando Portugal jogou com Uruguai, e perdeu, no Mundial da Rússia – 2018. Deu origem ao 1º mote, em sentido lato. Uruguai que perdeu em seguida com a França. Surgiu o 2º mote, não seguindo estritamente o conceito formal da palavra.

O desenvolvimento do tema poético, contextualizado no seguimento de outros, que enquadro como “narrativas em verso” foi surgindo nos meses subsequentes. São poemas para serem ditos, para serem ouvidos, buscando o conceito de Poesia primordial, em que a palavra, versejando, contava e recontava narrativas, pensamentos, ensinamentos, de geração em geração…

Pretensão minha?!

(…)

Agora que o futebol voltou a estar na berra, que as futeboladas, as futebolices inundam os media… Chegou a altura de publicar no blogue… Continuando com a Poesia, que tem sido o tema dominante nestes últimos meses.

(As Fotos - originais DAPL, bonitas, reportam-nos para a noção de arrebol: ao nascer e pôr-do-sol, que o futebol inunda-nos toda noite e santo dia!)

 

Antigamente era assim!!!...

Rua do Norte  - Fundão. Foto FMCL. Anos 80. jpg

 

«Antigamente era assim!!!...»

 

I

«O Povo da minha Aldeia,

Em tempos, que já lá vão,

Trabalhava sol a sol,

Para  ganhar o seu pão.

 

II

Nobre povo, gente boa,

Povo pobre e sofredor,

Que trabalhava com frio,

Com gelo, chuva ou calor.

 

III

Que levavas no alforge?

Pão, azeitonas, toucinho,

Vinagre, sal e azeite,

P’ra salada de pepino.

 

IV

Era a azeitona, era a ceifa,

Era o milho era a cortiça;

Com frio ou com calor,

Não podia haver preguiça.

 

V

Remendava, remendava,

Sempre, sempre, a remendar,

Porque a roupa nova,

Não a podia comprar.

 

VI

Chega a casa, do trabalho,

Acende o lume faz a ceia;

E, depois, arruma a casa

E sempre à luz da candeia.

 

VII

E foi assim que outrora,

O nosso povo viveu;

Aqui lhe presto homenagem,

Por aquilo que sofreu.»

 

*******

 

Esta poesia é de autoria de uma Srª da Aldeia e faz parte de um conjunto de poemas que me foram confiados, como sucedeu com textos de outras Pessoas.

Neste, conforme já aconteceu noutra situação no blogue, não identificamos a autoria, a pedido da Pessoa, que me fez essa cedência e, em ambos os casos, por razões semelhantes, que supostamente deveriam estar erradicadas nestes nossos tempos em que houve tantas alterações, em tantos e tão variados aspetos, nomeadamente sócio – culturais. Mas, de facto, não estão! Persistência de tempos antigos.

As situações descritas fizeram parte da vivência quotidiana ainda dos nossos pais e da nossa infância também. A candeia já não, mas enquanto estudante, o candeeiro a petróleo foi o meu guia iluminante!

Parabéns à Autora do texto poético, muito elucidativo e bonito. Obrigado à Srª que fez chegar o poema às minhas mãos.

Ilustro com uma foto de um recanto da Aldeia, o mais antigo e, para mim, também o mais belo! De certo modo, é premonitório. A foto é dos anos oitenta (84?) e o despovoamento visível, infelizmente, já se concretizou. Como é imperioso e urgente repovoar o nosso Interior!

Como recordação e homenagem relembro Pessoas que viveram neste recanto e que ainda conheci:

O Ti Tonho Rei, inspirador de um dos meus poemas, que figura na 1ª Antologia em que participei, organizada por Luís Filipe Soares e a Srª Catarina; a Prima Antónia Caldeira e Primo Joaquim Mendes, a Srª Rosária Trindade, a Srª Maria Rosa Velez e Ti Zé Levita, a Srª Rosinda e Ti Brites; a Srª Catarina Matono, de quem tenho cantigas e contos gravados e transcritos e de que penso publicar alguns e o Ti Aníbal; a Avó Rosa, que tantas estórias e contos tradicionais me contou e o Padrinho Joaquim; a Srª Augusta, a Srª Dolores, que figura na foto e o Ti Manel Albano; a Srª Joaquina Calado e o Ti Olímpio, a Prima Rosa dos Remédios e o Primo Felizardo, a Srª Maria dos Remédios e a Srª Maria do Rosário, que ultrapassou a centena de anos! E ainda, o Ti Manel Henrique, que morava na Cunheira e vinha, em carro de mula, à Aldeia tratar dos terrenos.

(Algumas destas pessoas figuram na foto das "Maias").

E, por hoje, e do Alentejo da minha infância, me quedo por aqui.

E continua calor, apesar de algumas trovoadas molhadas!

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