Há quem do Tejo só veja
o além porque é distância.
Mas quem de Além Tejo almeja
um sabor, uma fragrância,
estando aquém ou além verseja,
do Alentejo a substância.
Há quem do Tejo só veja
o além porque é distância.
Mas quem de Além Tejo almeja
um sabor, uma fragrância,
estando aquém ou além verseja,
do Alentejo a substância.
Será que o " Povão" já esqueceu o papel desempenhado pelas Ditaduras Militares em toda a AMÉRICA LATINA, nomeadamente na AMÉRICA DO SUL e muito especificamente no BRASIL??!!!
A pergunta poderá surpreender. Terão as Árvores também História ou terão pelo menos a sua história?
Já apresentei imagens de árvores impregnadas de História ou uma oliveira várias vezes centenária, quiçá milenar, é ou não um ser vivo carregado de História?! Um verdadeiro monumento vivo!
E esta “auracária-de-norfolk”, estando embora em propriedade particular é quase um ex-libris da Aldeia, pois faz sempre recorte na paisagem, nos mais diversos ângulos sobre a localidade.
Esta que apresentamos quantos anos tem? Diz-se que cada anel de ramos representa um ano de crescimento. Quem a semeou? Quem a plantou? Quando?
As árvores têm a sua História, a sua origem enquanto espécies, muito antes da Humanidade. E como seres vivos são complementares e interdependentes de e com os outros seres vivos, nomeada e especificamente com o Homem.
Todas as árvores têm a sua idade marcada nos respetivos anéis de crescimento. Ao cortar-se uma vêem-se perfeitamente no tronco esses círculos concêntricos que delimitam o quanto a árvore se desenvolveu anualmente, segundo as estações.
A Amendoeira, como espécie, é originária da Ásia Menor, outras fontes referem o Norte de África. É uma árvore tipicamente adaptada ao clima mediterrânico.
Esta, cujas fotos apresentamos, tem cerca de quarenta anos. Foi semeada no início da segunda metade da década de setenta do século XX, num caqueiro, resto de um asado ou infusa de barro que se partira, ficando apenas o fundo e parte do vaso.
Neste caqueiro coloquei terra estrumada e a semente, uma amêndoa de casca. E aí nasceu a planta.
Quando atingiu uma certa altura, passados dois, três anos, talvez, transplantei-a para o local onde se encontra. Plantada, protegia-a com uma rede para que o gado, as ovelhas, não a comesse. Devidamente regada no verão aí está ela, entrando nos quarenta…
Não é muito produtora, alguns anos em que muito apressada, ou enganada pelo tempo, logo floresce em dezembro e começa a frutificar, vêm geadas e tudo se perde.
Mas permanece e resiste ao clima destemperado do Alentejo interior e às vicissitudes da vida isolada, com poucas irmãs, por vezes com dificuldade na própria fecundação.
É proveniente de semente que trouxe de amendoeiras que bordejavam a estrada Crato – Aldeia, na zona das “Covas de Mau Vinho” até à “Meia Légua”, junto à “Lage do Meio Dia”. Havia várias, mas só já resta uma que ainda há pouca permanecia florida frente à Tapada da “Meia Légua”, onde muitos anos guardei ovelhas, nas férias. Provavelmente terá sido dessa ou de outra que havia perto que trouxe a amêndoa de casca para semear no vaso improvisado, mas usual na época, para plantar “flores”.
Todos os anos, ultrapassando todas as contrariedades, alegra o espaço e o caminho que bordeja com o seu manto alvar e virginal.
E algo que nunca vemos, mas que é um dos papéis imprescindíveis das árvores e de qualquer planta, até da mais rasteira ervinha. Dá-nos todos os dias, durante cada dia, através da fotossíntese, a sua dose de oxigénio, que nos é tão indispensável à nossa vivência diária.
A nossa vida é complementar e interdependente da das plantas.
Nunca lhes somos suficientemente gratos.
Realidade que não visualizamos, que a maioria de nós desconhece, que poucos de nós valorizam. Mas é um bem inestimável e incomensurável, esse contributo da mais humilde violeta, para além do inebriante perfume das suas flores ou mesmo de qualquer erva daninha! O oxigénio, O2, que todos os dias nos ofertam, sem nada nos pedirem em troca!
P.S.
Estou a escrever este post scriptum a 1 de Setembro de 2015, 3ª feira, pela tarde. Vantagens de escrever online. Pode-se sempre reescrever!
E é só para frisar que, este ano, a Amendoeira foi extraordinariamente produtiva!
É de inteira justiça frisar este facto!
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E volto a escrever diretamente no post.
Para informar que, em 2017, a árvore floriu apenas em Fevereiro. No dia um de fevereiro de 2017, apenas estavam em flor os ramos do lado leste e sul. Os do lado norte e oeste, ainda estavam em botão.
Este Inverno tem sido muito problemático. Apenas arrefeceu e começou a chover, ainda que pouco, no final de Janeiro. Até aí, houve sol, temperaturas moderadas e nada, absolutamente nada, de chuva. Que só caiu mesmo nos últimos dias desse primeiro mês. Terá esse facto influenciado a floração da árvore?
Como será a produção neste Verão de 2017?!
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Ainda outra questão, esta técnica. Se, hoje, oito de Fevereiro - 2017, refizesse facilmente este post, colocaria as fotografias mais realçadas, nomeadamente noutra dimensão. Merecem! Só que não é fácil refazer o post.
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Hoje, dia 9/Março/2018, volto a escrever no post.
No ano de 2017, todos sabemos como foi o Verão. Incêndios desde 17 de Junho, até 15 de Outubro.
Verão sequíssimo. Contudo a árvore deu quase 1000 amêndoas.
E a árvore também secou, apesar de ter um rebento nascido, que já protegi do gado.
Neste Inverno de 2018, o quintal e o caminho ficaram mais pobres. A árvore já não floriu!
E, finalmente, e só em Março, choveu de jeito. Hoje, até demais. Chuva e vento!
“Oh, Primavera de lindas flores, elas são tantas, mas não são iguais.
Primavera vai e volta sempre, só a Mocidade vai e não volta mais…”
É assim, com algumas variações regionais, que canta a moda tradicional.
Que a Primavera traz sempre uma grande variedade e diversidade de flores é verdade, mas será que a Primavera que volta é sempre a mesma Primavera?!
Todos os anos vem a Primavera, mas nunca é a mesma Primavera. Uns anos anuncia-se mais cedo, noutros tem uma epifania mais tardia.
Como será este ano a Primavera?! Um Inverno praticamente em que não choveu. Dezembro, Janeiro e Fevereiro, mal caiu uma gota de água. Um tempo com bastantes dias de frio e temperaturas abaixo de zero, muitas camadas de geada…
Como será este ano a Primavera?!
As árvores, arbustos e ervas, cada uma a seu tempo, este ano talvez um pouco atrasadas, têm dado um ar da sua graça, florescendo.
Há alguma sequência na floração das árvores e plantas. Algumas florescem ainda o Inverno não começou. Nunca observaram o inebriante aroma das nespereiras floridas que acontece ainda em Novembro?! Não será já um anúncio da Primavera com alguns meses de antecipação ainda antes sequer da ocorrência do solstício de Inverno?! Ou não terá nada a ver com o assunto?
A primeira flor do ano é a da amendoeira, diz o ditado. Mas há anos em que algumas amendoeiras, segundo a sua variedade, as condições do tempo e localização geográfica, iniciam a floração ainda em Dezembro. Outras variedades só em Março, tal qual a Primavera!
Foto de D.A.P.L.
As andorinhas também já chegaram. Ainda em final de Fevereiro, já rasavam as planuras alentejanas, à cata de insetos. Também já as vi aos pares, descansando nos fios, na cidade de Almada. Daqui a pouco começam a construir os ninhos.
A Primavera vai e volta sempre. Mas será que é a mesma Primavera?! Não, não é! Cada Primavera é uma diferente Primavera.
E mesmo vindo cada Primavera, cada ano, nós sendo os mesmos, nunca somos os mesmos!
E a Mocidade não volta mais?! Ou será que volta?
Nos nossos filhos e filhas, nos nossos afilhados e afilhadas, nos nossos sobrinhos e sobrinhas, nos nossos netos e netas, nos filhos e filhas dos nossos amigos, nos nossos alunos e alunas, não estaremos sempre perante a Mocidade?! Não a nossa mocidade, mas a Mocidade. Outra mocidade é certo, outras mocidades, mas sempre a Mocidade!
Não, de facto, a nossa mocidade não volta mais, mas a Mocidade volta sempre. Mas não a mesma Mocidade, tal como a Primavera vai e volta, mas nunca a mesma Primavera!
Foto de D.A.P.L.
Nota Final: As fotos são de Primavera! Mas onde está a Mocidade?!
A Primavera anuncia-se, manifesta-se muito antes ainda da data oficial do seu começo, 20 de Março, este ano.
A Natureza tem ciclos de vida regulares, cadenciados, que ocorrem gradualmente, por vezes de forma brusca é certo, mas que geralmente se vão manifestando por sinais ainda pouco percetíveis, mas que nos vão descodificando o seu significado.
Nas nossas latitudes, a estação do ano referida, a Primavera, que, ciclicamente, nos traz imagens de renovação e esperança, vai-nos aparecendo de forma gradual, nomeadamente com a floração de diversas plantas, árvores e arbustos que nos indiciam, de forma ligeira e singela, o estontear da estação, que ocorrerá em Abril e Maio, que, no Alentejo é uma festa!
No domínio das árvores, em Janeiro e Fevereiro, ainda no Inverno, inicia-se a floração, primeiro das amendoeiras, algumas mais temporãs florescem ainda em Dezembro. Diz o povo, que a flor da amendoeira é a primeira do ano.
Foto de D.A.P.L.
Fevereiro é a apoteose das acácias amarelas, conhecidas por mimosas, planta nativa da Austrália, mas que se apropria de qualquer território em que seja plantada, tornando-se invasora e de difícil erradicação, uma vez instalada.
Foto de D.A.P.L.
No campo das plantas mais modestas, ervas como mais vulgarmente são conhecidas, uma das mais temporãs na floração é a erva-canária ou azedas, também amarelas, com umas lindas flores em campainha e que também não são autóctones, são originárias da Africa do Sul, mas de tal modo se disseminaram que enchem vales e bordejam caminhos como se naturais fossem. (Note-se que existem “azedas” plantas autóctones que inclusive são comestíveis em saladas e sopas, nalgumas regiões do País. Mas são diferentes da referida “erva – canária”.)
Neste domínio das plantas ou ervas rasteiras destacam-se as camomilas ou margaridas que pintam de branco os valados e planícies e encostas soalheiras. Este ano um pouco atrasadas, mas agora em Março já são bem visíveis.
As amendoeiras, como referi, têm diferentes datas de floração, conforme a variedade, a região em que estão plantadas e as condições meteorológicas de cada ano.
As fotos que apresento são datadas de onze de Fevereiro, estando esta amendoeira, em plena floração. Nalguns anos chega a iniciar a floração ainda em Dezembro!
Outra árvore da mesma espécie, mas de diferente variedade, à data, apenas tinha ligeiros botões ainda totalmente fechados. Apenas em Março floresce. Contudo estão no mesmo quintal, a escassos cinco ou seis metros…
Este “post” tem precisamente o objetivo de “anunciar” a Primavera, valorizando a Amendoeira e, muito especialmente, as Fotos das sua Flores…