Há quem do Tejo só veja
o além porque é distância.
Mas quem de Além Tejo almeja
um sabor, uma fragrância,
estando aquém ou além verseja,
do Alentejo a substância.
Há quem do Tejo só veja
o além porque é distância.
Mas quem de Além Tejo almeja
um sabor, uma fragrância,
estando aquém ou além verseja,
do Alentejo a substância.
E hoje inicio o post com uma imagem dos Artistas que compõem o elenco de personagens da Série. Para realçar o seu desempenho! Que é notável e muito equilibrado no seu conjunto.
São artistas que nós não conhecemos, alguns são galegos, outros de outras regiões de Espanha, Estado de várias nações. Porque as séries europeias passam pouco nas televisões portuguesas, honrosa exceção a da RTP2, que, de espanholas, passara “El Princípe”, de que esperamos venha outra temporada. E, agora, a também excelente “Hospital Real”.
Que julgo terminar na próxima 6ª feira, em que ocorrerá o décimo quinto episódio. Pelas pesquisas que fiz, mas eu julgara-a com uma duração bem menor. Esperemos que, agora, não me engane.
Desenvolvimento
Sobre o episódio de ontem, décimo segundo…
O Alcaide regressou em força, impante de poder! Eu que supusera que ele voltaria para repor o desfalque, não! Soberbo, inchado, ufano, cruel, vingativo, egoísta, em suma, execrável.
E eu desejoso de ver o final da série, pois espero que esta personagem tenha o fim que merece. De preferência às mãos do serial-killer.
Este, Duarte, tece e constrói o enredo sempre na sombra, sorrateiramente, resguardado na sua falsa mudez. Personagem inteligente, simultaneamente amado e odiado, suscetível de rejeição e simpatia. Capaz de ser crudelíssimo, bem como amável e carinhoso.
Cose uma jaqueta, não percebi de quem nem para quê, troca propositadamente as agulhas da operação da irmã Úrsula, criatura “obediente”… ir-se-á voltar novamente contra o criador?!
Abre a carta desta enfermeira mor, dirigida aos dominicanos, com a navalha com que degola as suas vítimas, conhece o respetivo conteúdo, pois sabe ler e escrever, competência igualmente ignorada pelos outros, que o julgam analfabeto.
Voltando ao Alcaide, agora episodicamente aliado de Dona Elvira, não sócio, como frisou. Chantageando-a pelo dinheiro que lhe cedeu e por eventuais e futuras represálias, obriga-a a executar tarefas tão abomináveis, quanto ele é execrável! Obriga-a?! Ou esta mulher, arrogando-se pertença de uma classe superior, faz tudo pelo dinheiro, falsa posição e estatuto social?! Vendendo-se, vendendo os próprios filhos, até a quem chama cinicamente de filha. Aliando-se novamente à monja, como se visualizou na sinopse do episódio que decorrerá hoje. “Meta Clara na cama de Mendonza!”
Espero que estas personagens tenham um castigo à medida dos seus crimes. Fora eu o guionista!
Dona Úrsula, irmã (?), monja, enfermeira mor “dragão”, foi operada a uma catarata. Duarte tentou sabotar a operação, é certo que não conseguiu, pois o ferreiro ainda providenciou agulhas em condições. Doutor Devesa, não fora o seu brio profissional, a sua honestidade, honradez e competência, e vontade não lhe faltaria de a deixar ir desta para melhor… Valeu ao “Dragão” que nem todos afinam pelo seu diapasão. Se todos fossem do mesmo calibre…
Mas Sebastian, Doutor Devesa, fez questão de lhe frisar que não a perdoou, nem perdoará. Só aguarda o momento adequado.
Curioso que na época já fizessem este tipo de operações às cataratas!
Época em que se iniciam grandes transformações sociais, como já mencionei.
Até já discutem o papel da Mulher na Sociedade em mudança, através de uma palestra de um letrado proveniente da capital, palestra organizada por Dona Irene, feminista antes de tempo, empresária de sucesso, conhecedora dos meandros da política internacional, afrancesada, epíteto muito atribuído nesses tempos antecipatórios das invasões francesas.
Sociedade que não reconhecia direitos iguais para todos. Que vedava o acesso das mulheres a uma profissão nobre, como Medicina.
Atualmente, a maioria dos estudantes das Faculdades de Medicina são raparigas!
Mas a 1ª médica cirurgiã, em Portugal, Carolina Beatriz Ângelo, também só se formou no início do século XX, 1902, tendo também sido a 1ª mulher a exercer o direito de voto, em 1911. E as primeiras médicas em Portugal formaram-se na última década do séc. XIX.
Lembremos que o tempo em que ocorre a série é última década de século XVIII, 1793.
Clara, mulher frágil, vítima do Destino e das circunstâncias da Vida, quer também tomar nas suas próprias mãos o seu próprio destino. Mas o ser filha de quem é, principalmente pelo cargo que o Pai ocupa e das funções que desempenha, tão invejadas e cobiçadas, faz com que seja joguete e vítima nas mãos destes três criminosos, até agora impunes: Úrsula, Elvira e Mendonza.
Daniel, médico jovem, casado por conveniência do pai e da mãe, para salvar a família falida; homem apaixonado por jovem camponesa, candidata a enfermeira, acha-se perdido enquanto profissional e enquanto homem… esperemos que encontre o seu próprio rumo ou que o guionista encontre uma saída para que ele encontre o seu próprio Caminho! Talvez lhe valha Santiago!
Dom Andrés, homem solitário e só, com o peso do Hospital nos ombros; mas afirmando para o letrado palestrante, proveniente e recambiado para a capital, que relativamente a Dona Irene, “Nem o caminho nem Dona Irene estão livres”… Sinal de que não quer ficar só eternamente? Mas a esposa não está ainda viva?!
Esperemos que ele também encontre o seu próprio Caminho neste campo de que falamos agora, o Amor. Que para Santiago, como para o Amor, há muitos e diversos Caminhos.
Continua a ser chantageado, pelo seu segredo. Pena não haver Judiciária, nesse tempo. Apenas Inquisição. Cujo Inquisidor o que quer é proibir as palestras… de temas insidiosos! E prender inocentes!
E o baile de Ulloa e Olalla! Um par de encantar, rodopiando no claustro! A música! E imagens da Cidade Compostelana, em fundo!
A sorte grande a pegar ao colo na terminação!
E com esta deixa, termino, que não sei, se continuando, aonde me leva a narração.
Atualmente muitas Famílias, entendendo este conceito no âmbito de Família Alargada, organizam eventos deste tipo, com esta designação ou outra similar, de modo a conviverem várias gerações e ramos de Famílias nucleares, com um tronco comum de ascendentes.
O “Almoço dos Primos”, a que me refiro, ocorre anualmente e nele se reúnem, em confraternização, Famílias de sobrenome Proença, Pereira e Velez, mesmo que, eventualmente, alguns membros já não usem este apelido.
Estas Famílias têm a sua origem geográfica nas Vilas Alentejanas de Monforte e Fronteira, remontando a sua estrutura nuclear de base ao século XIX, nas referidas localidades.
Atualmente, os descendentes destes Progenitores encontram-se domiciliados por todo o Portugal e também no estrangeiro.
Por ex., no almoço realizado no passado domingo, dia treze de Setembro, acorreram convivas provenientes desde o Norte de Portugal, da Cidade-Berço, Guimarães, até ao Algarve. Também muitos vieram das Lisboas e uma parte significativa do Norte Alentejano, aldeias, vilas e cidades dos Distritos de Portalegre e Évora.
No total estiveram mais de cem comensais. E teve a particularidade de ter sido o vigésimo quinto convívio organizado com estas características.
Têm-se realizado estes almoços em diferentes restaurantes e povoações dos referidos distritos, não só porque esta região é o núcleo de origem das Famílias mencionadas, bem como residindo uma parte significativa dos familiares em povoações destes distritos, a maioria até no de Portalegre, faz todo o sentido que o local de realização aí esteja sediado. Que me lembre, já houve almoço em Monforte, Estremoz, Portagem, Fortios e, ultimamente, em Cabeço de Vide.
Nesta localidade, o almoço tem-se realizado no Restaurante da Estalagem Rainha Dona Leonor, situada na emblemática e antiga Estação de Caminho-de-Ferro.
A ementa incluiu os habituais aperitivos, à base das carnes fumadas de porco, azeitonas e queijo. Bebidas à discrição, para além da água e refrigerantes, também sangria e vinho tinto da Herdade dos Muachos. E cerveja, para quem preferisse esta bebida. Que me lembre!
Houve duas sopas, de legumes e de canja. Este ano só comi da canja e tive pena de não ter havido sopa de cachola, de que gosto sempre. Ficará para outra vez.
O cardápio incluiu dois pratos de base, um de peixe, bacalhau com broa e um de carne, bochechas de porco, com migas e batatas no forno.
No final, numa mesa bem composta, os doces, de que as pessoas se serviram à vontade. Não me perguntem os nomes de todos, porque não sei. Havia frutas, melão, ananás, pudins diversos, sericaia, e mais que desconheço.
Quem quis, bebeu ainda café e continuou a beber, se teve vontade!
Foi um almoço bem servido e bem composto, que dará gosto repetir.
Não me perguntem o preço, porque não sei. Agradeço à minha Sogra, que faz o favor de me convidar.
Antes, durante e após o almoço foi-se convivendo com os familiares, que nem sempre há oportunidade de estarmos todos juntos.
Pôr em ação um acontecimento destes, aparentemente simples, dá imenso trabalho. Só quem organiza, sabe bem dar o valor a tal!
E, neste caso e já há alguns anos, quem organiza é a Prima Bela. Coadjuvada pela Tia Bia e pelo marido, Tó. Deduzo eu. Talvez mais algumas pessoas deem alguma ajuda, não sei.
Bem, não importa, estão de Parabéns e o nosso Muito Obrigado!
E também muito obrigado a todos os convivas participantes, por compartilharmos todos uma tarde agradável, de convívio e degustação de boa comida e bebida.
E, por falarmos em organização, não podemos nem devemos esquecer a Alma Criadora destes convívios: o Primo Abílio! Durante vários anos, enquanto teve saúde e foi vivo, deve-se a este Primo a organização do “Almoço dos Primos”. Não sei durante quantos anos.
Que esteja em Paz com a sua Alma!
E este Voto é também para Todos os que, também já cá não estando, nos deram a Alegria da sua Companhia, durante os anos em que puderam comparecer.
A Todos Muito obrigado!
Finalizando, anexo uma foto memorial do convívio, com os participantes em pose de grupo. Gentileza do Primo Quilito, que tem um acervo documental extraordinário de fotos destes eventos.
Especificamente esta foto foi clicada por um funcionário do restaurante, mas penso que a idealização é do referido Primo. Obrigado, também.
Tenho sempre alguma relutância em colocar fotos de Pessoas na net, conforme já referi noutro post, especialmente quando incluam crianças, mas provavelmente será um preconceito meu.
Porque tudo o que colocamos na internet deixa de ser "nosso". Especialmente fotos!
Bem, de qualquer modo se alguém se sentir incomodado, agradeço que me dê conhecimento e colocá-la-ei em modo privado.
“Gostaria que fizesse algo por mim.” Palavras do Alcaide, para Dona Elvira.
Assim também ficámos a saber como a fidalga obteve o dinheiro para saldar a dívida e pagar a Ulloa. A carta misteriosa que ela recebera teria sido proveniente do Alcaide, não sabemos é o que ele terá andado a fazer nestes episódios em que esteve desaparecido. Dinheiro continua a ter. Também irá repor o correspondente ao desfalque que fez? Aguardemos. Mas visualizámos a sinopse do próximo episódio e tudo indica que irá ter papel importante!
E aqui focamos um dos subtemas que vem perpassando na série. O modo de vida da fidalguia de nome e linhagem antiga, vivendo acima das posses, desbaratando as heranças dos antepassados, enchendo-se de dívidas, usando todos os mecanismos de sobrevivência, para se manter à tona da sociedade. De que o modo de atuação de Dona Elvira serve de mote e que ela pretende continuar, assumindo o papel de Homem da Casa, a chefia da Família, já que o filho optou por outro modo de ganhar a vida, recorrendo ao Trabalho, fator e base de desenvolvimento da Nova Sociedade que se adivinha.
Exemplificando a queda do Antigo Regime de que a Revolução Francesa foi o motor, à data, ainda em primeira velocidade, mas de que a Guerra do Rossilhão, no início, já prenuncia a futura entrada dos exércitos napoleónicos na Península.
O filho, Dom/Doutor Daniel, no papel principal do enredo, em múltiplas facetas.
Enquanto fidalgo, nos princípios e valores ainda espelha a sua educação de base; mas também no papel de médico, exercendo uma profissão mediante salário, de formação académica superior, obtida em França, no início da Revolução, inovador nos métodos, na pesquisa e experimentação, perfil de investigador, aliando teoria e prática.
Enquanto herói apaixonado por uma mocinha da aldeia, do campo, Amor que pretende salvaguardar, prenúncio do Romantismo. Simultaneamente casado, segundo os cânones da Ordem Antiga, por conveniência, casamento combinado pelas famílias, e formalizado por um acaso excecional, mas que ele pretende manter, porque deu a sua palavra, selando um compromisso. Contudo, não amando a sua esposa, ainda não conseguiu consumar o matrimónio. O que se tornou tema do enredo, envolvendo a esposa, Clara, viva, que já foi morta; o Pai, Dom Andrés, confidente da filha que já não tem mãe, ou julga não ter, ou não se lembra, o que dá no mesmo. E também Dona Elvira, que, assim, fica a saber dos desaires do filho.
Mas o rapaz acaba por concretizar o ato! Numa cena filmada com o classicismo e a contenção de outros tempos, em que as ações são mais sugeridas do que explicitadas. Mais imaginadas que vistas.
De caráter exaltado não consegue controlar as pulsões viris, fácil e irrefletidamente se envolve em disputas cegas e absurdas, de que a briga na taberna foi o paradigma e cujas consequências lhe rebentaram nas mãos, quando se viu perante o paciente, que quase rebentara de pancadaria. Agora, na sala de operações, onde seria suposto Daniel, enquanto médico, salvar.
E voltam as palavras sábias do seu colega e mentor, Doutor Devesa, de que as mãos são o seu bem mais precioso, que não são para desbaratar em sessões de boxe, que não sei se já assim seria designado esse desporto briguento.
Doutor Devesa, papel crucial no Hospital, enquanto Cirurgião Mor e membro do Conselho Hospitalar, numa vida dedicada aos Outros, tentando salvar Vidas, mas também consciente dos fracassos sempre inerentes dessa função. Inovador quanto baste enquanto profissional, mas apoiando as pesquisas do novel médico, pragmático e sensato, que a idade tudo leva e tudo traz. Portador de um segredo, que confessou ao Capelão e certamente dedutível a partir das palavras gravadas numa carta que um seu Amigo escreveu na hora da Morte e que foi parar em endereço errado, passando das mãos da víbora Úrsula para as da cascavel Somoza. Destino trágico e cruel!
Dona Irene, feminista antes de tempo, ao sujeitar-se a uma operação a um pólipo no Hospital, aliviada de não ser gravidez, pode observar internamente o respetivo funcionamento. Uma vantagem para todos.
Constatando que as enfermeiras eram pouco mais que escravas na Instituição, propôs que elas recebessem um salário.
Proposta ousada na altura, sob todos os aspetos, muito para além do lado financeiro, ou eventual prejuízo para o Hospital, que ela se propôs cobrir, abdicando de alguns benefícios no seu negócio de abastecimento de víveres.
Sujeita a votação no Conselho, foi a proposta aprovada, revelando-se Dom Andrés, além de excelente administrador, também exímio estratega.
Doutor Devesa votou a favor, sendo igualmente portador do voto favorável da comerciante, que estava ainda de convalescença. O Inquisidor e a Enfermeira Mor foram, naturalmente, opositores. E aí, Dom Andrés pediu o voto do Capelão Mor, que também foi favorável, situando-se, assim, em oposição, mais uma vez, ao Inquisidor, desobedecendo-lhe. Calcule-se como este ficou a ferver por dentro, pronto a explodir, o que acontece umas linhas adiante.
Estava a proposta aprovada, mesmo sem sequer ser precisa a votação do Administrador.
Mas sendo este interpelado pelo Inquisidor para que o fizesse, foi também a sua opinião no sentido de aprovar um salário para as Enfermeiras.
E, assim, definiu também os papéis de cada um no Conselho e reforçou o seu Poder, que o Inquisidor tanto deseja.
Este, após a ocorrência e nos bastidores, no corredor, perante o Capelão, Padre Bernardo, saltou-lhe completamente a tampa, berrou-lhe que nem fera enlouquecida, não o engoliu vivo porque não pôde, explodiu de raiva e informou-o de que o iria mandar prender pelo Santo Ofício.
E isto porque a carta, que o amigo de Doutor Devesa lhe escreveu, foi parar às mãos da Enfermeira Mor, Dona Úrsula, o “Dragão”, de Komodo, lhe chamo eu, víbora que também é cascavel. Que conduz a narrativa pelos caminhos ínvios da destruição e malvadez.
Portadora da carta e conhecedora do segredo do Doutor Devesa, resolveu mudar-lhe o endereço e atribuir-lhe outro destinatário: o Capelão Mor, Padre Bernardo, Alma caridosa e boa, que não merecia tal destino. Assim, simultaneamente, atacava dois opositores, de forma imediata, o Capelão e quem sabe, futuramente, o Cirurgião!
Na posse da carta dirige-se ao Inquisidor, supondo que levava um trunfo imbatível, exigindo ou propondo, não sei bem, a troca da carta pelo original do testamento do Padre Damião, que ela falsificara.
Pensava ela que levava um trunfo imbatível, disse eu. Só que o feitiço se virou contra o feiticeiro e, o Inquisidor, víbora ainda mais peçonhenta, não só lhe confiscou a carta, como não lhe deu o testamento, e cumulativamente ameaçou-a de Tribunal e cadeia e ainda a subjugou mais à sua vontade e fome de Poder!
Do Poder que quer ganhar no Hospital, que nós já sabíamos, pois ele já o explicitara ao Capelão, frisando-lhe que o seu papel na Instituição era precisamente esse e não outro qualquer. Ajudá-lo a obter o lugar de Administrador, retirando-o a Dom Andrés. E, por isso mesmo, fora designado para as funções de Capelão Mor.
Objetivo que, a partir de agora, Dom Andrés também já ficou sabedor, pois que o Capelão lho deu a conhecer, quando dele se foi despedir.
Que o Capelão não quis esperar que viessem buscá-lo para ir para a prisão do Santo Ofício. “Adianto-me aos seus enviados. Ninguém sentirá a minha falta”, disse ele a Somoza, Inquisidor Mor, ao apresentar-se para ser preso.
Que não lhe sentissem a falta não é verdade, que Dom Andrés manifestou-lhe logo a sua estima e relevância no Hospital.
Doutor Devesa, ao saber que era devido à célebre carta, em que certamente se falaria de uma amizade, só que colorida e, malevolamente, fora endereçada para o Capelão, logo ali quis assumir os seus pecados, que ninguém tinha que pagar por eles. O Capelão lhe disse que os seus pecados, já confessados, expiaram com a morte do seu Amigo, Aníbal.
Interrogando-se como a carta poderá ter ido parar a Somoza e deduzindo que só poderia ter sido a cascavel, a ela se dirigiu, apelidando-a precisamente de víbora, o que nós já fazemos há alguns episódios, e, exaltado, lhe gritou: “Vou encarregar-me que pague pelo que fez com Bernardo!”
Pelo que bisbilhotámos do próximo episódio, vislumbrámos que o Destino se vai encarregar desta ameaça!
E ficam-nos sempre temáticas por abordar, personagens por mencionar, excertos por comentar.
Já referi a simpatia de Duarte por Olalla.
Ontem, quando no quarto dela entrou, muitas ideias malévolas se supuseram! Quando abriu a navalha com que degolou as suas vítimas, e da jovem se aproximou, um arrepio surgiu, como se ele fosse executar o papel do Destino…
Afinal, tão somente e apenas se abeirou dela para lhe cortar uma madeixa de cabelo, que guardou cuidadosamente num bolso, junto ao coração.
E é assim, este assassino. Simultaneamente crudelíssimo e ao mesmo tempo capaz de gestos simples de carinho, só carinho (?), nomeadamente quando olha, enlevado, para a mocinha, heroína da novela!
E, a outra moça, Rosália, continua se derretendo com o seu Cristobal, o boticário!
Já falei de “Visita Guiada”, que é apresentado às 2ªs Feiras, após a exibição da série.
Na passada 2ª feira, dia 7 de Setembro, repetiram o episódio sobre a Fundação Ricardo Espírito Santo Silva e Escola Superior de Artes Decorativas, sediadas em Lisboa, Alfama.
Uma Obra verdadeiramente iluminada pelo espírito artístico!
Na próxima 2ª feira, apresentarão outro episódio.
Aos sábados, à noite, agora estão passando filmes do consagrado realizador italiano, Roberto Rossellini. No sábado passado, projetaram “Roma, Cidade Aberta”, filme de 1945, estando ainda prevista a visualização de mais duas obras deste Mestre da 7ª Arte.
Além da temática dos filmes, obras marcantes de uma época, o Cinema Italiano tinha projeção internacional, consagrado de realizadores aclamados e também grandes atores e atrizes. Filmado em cenários reais, “Roma, Cidade Aberta”, maioritariamente com atores amadores, em que as crianças são um exemplo vivo de purismo e inocência representativa, destacam-se os profissionais Aldo Fabrizi, como Dom Pietro e a fabulosa Anna Magnani, no papel de Pina.
Recebeu o grande prémio do festival de Cannes de 1946,
Um filme que se revê sempre com muito agrado!
Também na semana passada, no dia quatro, à noite, projetaram um documentário de José Salvador, “Douro – O Rio do Vinho”, sobre a épica região produtora de vinhos, que é a Região Demarcada do Douro. Um trabalho de divulgação excelente, convidativo a uma viagem a um espaço geográfico e humano tão empolgante, criado, trabalhado, como uma Obra de Arte, durante séculos, pela mão e labuta de Homens, Heróis que naqueles terrenos alcantilados construíram uma epopeia, desde o século XVIII. E consagrado e reconhecido como Património Mundial da Humanidade, pela UNESCO, desde 2001.
Pena, enquanto vemos estes documentários, apenas podermos ver e ouvir e ainda não seja possível, que acredito um dia será, podermos também degustar o agradável vinho e saborear os petiscos que são apresentados e saboreados pelos participantes!
Tempos virão em que isso será possível.
BORGEN, nunca é demais repetir, continua a ser uma das minhas séries preferidas.
Procuro sempre rever os episódios, nos domingos à noite!
Pois continuam a projetar esta excelente série europeia.
Também passaram, há algum tempo, não sei precisar quando, julgo que ainda em Agosto, o filme “Getúlio”, que havia visto na 10ª Mostra do Cinema Brasileiro. Ainda comecei a revê-lo, mas, nessa noite, a minha TV pregou-me a partida e transformou o écran numa tela impressionista!
E vamos de abordagem ao décimo episódio, ontem apresentado.
Não tendo morrido Dona Clara, será que ressuscitou?
E, mais uma vez, se colocam em confronto, perspetivas contraditórias próprias de uma sociedade à beira de grandes transformações.
O lado científico, positivista, afirmava que teria havido uma sobredosagem de estramónio, tomado por iniciativa da própria paciente, mas que nós sabemos ter sido obra da malvada bruxa, encarnada de “Dragão”, disfarçada de monja.
Propunham-se comprová-lo, experimentando com uma rã, o que fizeram, confirmando a hipótese formulada e afirmando a tese de que a dose excessiva do medicamento provocou o pretenso estado de morte, aparente, e o subsequente despertar, após passar o efeito do mesmo.
Estavam deste lado da barricada os médicos, o boticário e o administrador.
Do outro lado, uma perspetiva metafísica, suportada pelos clérigos, afirmando ter sido uma Ressurreição. Mas com opiniões contrárias. O capelão, que fora Obra Divina, o inquisidor, que fora ação do Demo, querendo partir para exorcismo!
Valeu a chegada inesperada, mas providencial, do Arcebispo Malvar, que afirmou diretamente para o Administrador que “ Na recuperação de sua filha, não esteve o demónio, mas Deus!” e, deste modo, encerrando uma questão, que sendo experimental e científica, se tornara teológica e perigosa de discutir, porque ideologicamente contrária à vontade e desejo do Inquisidor, tornando-se motivo de heresia, com as consequências inquisitoriais da época.
Arcebispo que, publicamente, não se coibiu de afirmar a sua Amizade para com o Administrador, apesar de se verem pouco.
O Inquisidor, literalmente, “meteu o rabo entre as pernas”, desculpe-se-me a expressão e foi congeminar intrigas para corredores e esconsos do Hospital.
Aproveita-se da sinceridade ingénua do Capelão, que lhe entrega o original do testamento do Padre Damião, confirmando que houve troca fraudulenta do mesmo; e coloca em "xeque" o “Dragão”, Dona Úrsula, confrontando-a com o facto de ela ser, por isso, responsável e exige-lhe, em troca do seu silêncio, que ela diligencie no sentido de o Capelão ser expulso do Hospital, invocando que é Jesuíta, sendo que ele mesmo também o é.
Duas cobras-cascaveis em confronto, quem vencerá?
A Enfermeira Mor sempre a bisbilhotar tudo quanto se passa na Instituição, arrastando, silenciosa, o hábito, que a cobre e protege, as mãos que tantos crimes cometem, sempre escondidas, mas prontas a esconder, nesse mesmo manto encobridor, qualquer objeto que possa incriminar outros indefesos, desde um simples botão, achado em local inusitado, a uma carta possivelmente comprometedora.
E, a propósito de cartas, lembramos que, no nono episódio, Dom Andrés recebeu uma anónima, em que se afirmava “Conheço o teu segredo.”
E, no episódio de ontem, décimo, a empregada Flora, que trata da sua mulher, cujo nome ainda não fixei, entregou-lhe outra, quando ele foi visitar a esposa, que andara desaparecida, que supostamente regressou sozinha, mas nós sabemos que foi a bruxa má que a levou e que até bebericou um chazinho e papou, regalada, uns bolinhos, que ela é gulosa como a sua parenta da célebre história, que queria papar os meninos, na casinha de chocolate.
E nessa carta o que dizia?!
Que ele deveria ir depositar mil cruzados na Fonte de São Pedro, não sei se aí haveria alguma caixa de multibanco, nem se ela teria dado o IBAN, mas as chantagens já eram comuns na época!
Para que o seu segredo fosse guardado.
E a narrativa vai neste ponto. E São Tiago observa e vela para que tudo se estruture bem no respetivo Caminho!
Mas quando idealizei este post, pensei estrutura-lo de outro modo. Mas a narrativa toma conta de mim e leva-me por outros caminhos, que por vezes são atalhos.
Inicialmente projetara falar de Amor, Amizade e Morte! Mas comecei por Ressureição e daí o narrador foi seguindo ao sabor da narração.
De Morte que compõe e estrutura todo o enredo, seja provocada ou natural, que tanto assusta o novel médico, porque é suposto que a Medicina ajude a salvar quem precisa, mas que está sempre rodeada pela presença da imagem do segador de gadanha, ceifando a Vida.
Morte que, pelos vistos, também atemoriza o médico experiente, como é Doutor Devesa, que também soçobra perante a iminência da sua chegada junto de um Amigo de longa data, mas de prolongada ausência e afastamento, e que chegou ao Hospital, na esperança que o Amigo Sebastian o ajudasse a salvar-se. Este, consciente da sua impotência e incapaz de enfrentar a situação, refugia-se no álcool, percorre as tabernas da Cidade Santa, à procura de Baco e é achado por Duarte, essa figura providencial, para o Mal, mas também para o Bem, que o carrega de volta para o seu mester, a mando de Doutor Daniel, que foi incumbido de informar o paciente da irreversibilidade da chegada, dolorosa, da Dona Morte!
Da Morte, cujas novas também vêm por carta (agora chegam de SMS), mas foi por carta que o Intendente informou o Administrador que o soldado Salcedo fora enforcado nessa manhã. E também assim se soube que o Capitão Ulloa seria sujeito a castigo por ter participado na fuga do soldado e sorte tiveram as enfermeiras novatas de não serem também castigadas.
E o Capitão foi sujeito ao suplício das basquetas, passando entre duas filas de soldados, sendo que cada um deles o sovou nas costas com uma bastonada. Livrou-se da forca, que bem poderia ter acontecido. O facto de o Intendente ser seu tio terá tido alguma influência?
E cumprido o castigo, ficou o Capitão com as costas em chaga, para que a enfermeira Olalla lhe fizesse o curativo. E aqui falamos também de Amizade!
Mas ao falarmos de Olalla também falamos de Amor!
Do Amor que a une a Daniel, mas que agora convencionam ser Amizade, porque ele é casado com Clara, que sendo morta foi ressuscitada.
“Seremos Amigos, os melhores que há!”, lhe disse ela, ingénua, mas sensata, que foi o que lhe valeu, a sua sensatez! Se não, o que não valeria um simples botão encontrado em local inusitado?
E, por causa de um simples botão, foi sujeita a prova de fogo, humilhada pela bruxa má, à procura da integridade do seu botão de rosa!
E de Amor, também nomeamos o da enfermeira Rosália e do boticário Cristobal, apatetado é certo, mas confirmado, que nem foi precisa a intervenção cruel, cínica e despótica do “Dragão”, sempre pronta a humilhar os mais fracos.
E, de Amizade, também falamos da que une Dona Irene e Dom Andrés, que até se poderia transformar em Amor, até cheguei a supor que isso aconteceria, mas não pode, que a esposa ainda é viva e ele por ela demonstra muito carinho e também Amor. Pena que esteja louca!
E também de Amor e Paixão falamos dos sentimentos que unem Ulloa e Rebeca.
E de Amizade, embora já velha, também falamos da que unia Doutor Sebastian Devesa ao doente à beira da morte. Moribundo, que redigiu uma carta dirigida ao seu Amigo, mas que, desencaminhada, foi parar às mãos da bruxa má, sempre ela, que a guardou no regaço e logo que pode, abriu e ficou a conhecer o que nela estava escrito.
Alguma confissão, um hipotético segredo, que ela usará como melhor lhe convier! Ou não fosse ela uma das grandes condutoras dos trilhos do enredo da série.
Também podemos designar como Amizade o sentimento que Duarte nutre por Ollala e que vai manifestando por gestos simples, mas carinhosos, ao longo da trama. Ontem, após ela ter sido sujeita à humilhante e cruel prova de fogo, arrefecendo ao relento nos claustros, chegou este e colocou-lhe o seu casaco nos ombros.
Também podemos informar que Dona Irene, afinal, não está grávida. Na consulta com Doutor Daniel, este deu-lhe conhecimento que ela tinha um pólipo, que lhe seria extraído através de uma pequena operação.
À data, já seria possível realizar tal operação?! Não sei, foi o que foi verbalizado pelo médico, ele é que sabe…
E voltando ao início deste, já longo texto, de que se vive uma época de grandes transformações, de que eles próprios se apercebem, como referem os nossos protagonistas, o par romântico.
“Vivemos tempos extraordinários. Os reis perdem a cabeça. As moças da aldeia são enfermeiras no Hospital Real. Os mortos ressuscitam!”
E uma vez que, neste mês, iniciámos a abordagem de temáticas relativas à EDUCAÇÃO,
não podemos deixar de tratar, ainda que muito sinteticamente, o tema das PRAXES!
Agora que se concluiu a 1ª Fase de Acesso ao Ensino Superior, que os Alunos, que tiveram entrada nesta 1ª Fase de Candidatura, terão realizado as respetivas Matrículas, nas Escolas Superiores em que tiveram entrada, ir-se-ão iniciar as respetivas Aulas.
E, com este início, também o desenrolar das PRAXES.
Sobre o assunto pouco mais poderei dizer, para além do que quase toda agente conhece, já que, nos últimos anos, estes acontecimentos têm sido muito comentados nos media.
Para quem quiser aprofundar e conhecer melhor o tema, e acho que deve fazê-lo, consulte, por ex., o excelente artigo da wikipédia e este acervo de imagens.
E formule o seu próprio juízo crítico.
Quanto a mim, tenho opinião formada.
NÃO, às PRAXES, da forma como têm sido concretizadas, embora nos últimos anos, principalmente após os acontecimentos trágicos que ocorreram recentemente, tenha havido alguma modificação no respetivo modus faciendi.
SIM, a ATIVIDADES de INTEGRAÇÃO dos NOVOS ALUNOS, nas respetivas INSTITUIÇÕES do ENSINO SUPERIOR e nas LOCALIDADES e MEIO em que estas se inserem.
ATIVIDADES organizadas por Alunos, Professores, Entidades Académicas, Instituições do Ensino Superior, que não se podem nem devem colocar à margem destas iniciativas.
Felizmente e, como digo, principalmente nos anos mais recentes, têm-se verificado mudanças pela positiva!
A si, que é ALUNO, caso já esteja a frequentar o Ensino Superior, e caso participe nas Atividades de Entrada dos novos Alunos, seja qual for a respetiva designação, não se envolva em ações em que não respeite os seus colegas novos, enquanto seus IGUAIS. Nenhum Aluno é superior a outro Aluno, só porque este acabou de entrar este ano no Ensino Superior, que você já frequenta há mais anos!
Para si, que é ALUNO recentemente entrado no Ensino Superior, não se sujeite a atividades em que não seja respeitado e tratado enquanto IGUAL, a
todos os seus outros colegas mais velhos, de anos mais avançados de estudos, pretensamente auto intitulados de graus supostamente de ascendência nobiliárquica, invocando o peso de uma falsa tradição, destituída de sentido racional e que só existiu em tempos recuados de atraso civilizacional.
Não se vem construindo uma DEMOCRACIA, há mais de quarenta anos, em que é suposto todos os CIDADÃOS serem LIVRES e IGUAIS em DIREITOS e DEVERES, para se retroceder a tempos e modos de agir socialmente que já nem no tempo final do Estado Novo existiam.
E ocorrendo em Instituições onde é suposto formarem-se Pessoas, Cidadãos, com graus académicos de nível superior!
Ninguém tem o direito de lhe impor, de o coagir, física ou psicologicamente, a ter atitudes e comportamentos em que seja humilhado, rebaixado e não seja tratado enquanto CIDADÃO LIVRE e IGUAL!
As questões formuladas são diretamente dirigidas a quem tem a amabilidade de as ler, sendo que será pouco provável que o seu principal destinatário, alguma vez venha a executar tal tarefa.
Questão:
Será que Sua Excelência, o Senhor Ministro de Educação, tem conhecimento que muitos Professores lecionam em Escolas distantes da respetiva residência, fazendo por isso muitas centenas de quilómetros, alguns diariamente, no trajeto Casa – Escola – Casa?!
Antes de escrevinhar alguns comentários sobre o nono episódio, devo, antes de tudo o mais, enquadrar algumas palavras neste breve prólogo.
Prologuemos então.
Estimado/a leitor/a,
Quero agradecer-lhe a amabilidade em visitar este blogue, a gentileza em percorrer os posts que nele vou colocando. As suas leituras muito têm contribuído para que as visitas e visualizações deste “canal de comunicação” tenham crescido substancialmente. Relativamente ao contexto em que se insere, claro!
Espero que aprecie os textos, que se divirta e que tire algum proveito dos mesmos.
Não tenho qualquer pretensão com o que escrevo. Apenas transmitir algumas opiniões, tecer uns breves comentários. E, sinceramente, desenvolvo esta atividade com gosto e por gosto! Sabendo que há quem leia, ainda me dá maior satisfação.
Pois continue lendo. Desejo que ganhe gosto a estas leituras. E que continue vendo a série.
E o meu sincero muito obrigado!
Desenvolvimento
E prossigamos, então, para alguns comentários sobre a Série e o Episódio 9, de 5ª feira.
O desenrolar desta série não deixa de nos surpreender. Quando julgamos que vai terminar e o enredo se vai desenrolar, lá aparece outro nó na trama.
Ontem equivoquei-me, pois na 4ª feira vira mal a programação e supusera que na 5ª feira, ontem, haveria dois episódios e deste modo finalizariam a série. Erro meu… e o meu pedido de desculpas.
Que eu já estou ansioso não que ela termine, que as temáticas nos prendem ao enredo, mas por saber o final.
Se fosse livro, já o tinha lido todo. Como quando leio determinados romances, como já referi em post anterior, no respeitante a Jorge Amado.
Mas esta pequena novela tem algumas características que no-la tornam muito apelativa.
À partida é uma série histórica, pelo que se me torna desde logo e, à priori, apetecível. E, neste aspeto, é impecável, reconstituição exemplar do tempo histórico a que se reporta. Inclusive com o cuidado de nos ir situando nos momentos cruciais. Ontem, soubemos que a Espanha já estava em guerra com a França. Guerra de que já falámos em post anterior. Logo, a ação que ocorria nos primeiros meses de 1793, já foi também precisado o mês de Fevereiro, agora estará a processar-se na 2ª quinzena de Abril de 1793.
Num cenário de Guerra, o que altera completamente as vivências e o quotidiano das personagens. O Hospital já reuniu o respetivo Conselho, na sequência do conhecimento que o Administrador teve dessa declaração de Guerra, por meio de carta enviada diretamente do Rei, através de um emissário militar.
Militares que agora passam a ter um papel mais importante na narrativa, para além do que já desempenhava o nosso célebre Capitão, mas o desempenho deste, até agora, resumira-se apenas a outras lutas, que não as militares, nomeadamente o ferimento que o levara ao Hospital, nada teve a ver com Guerras. Só as de alcova.
E abrimos já duas vias neste pequeno excerto: falámos do Conselho e do papel dos Militares na narrativa…
No concernente ao Conselho, presenciámos a respetiva constituição: além do Administrador, o Cirurgião Mor, o Capelão Mor, Dona Irene e o Inquisidor e a Enfermeira Mor.
Surpreendeu-me não ter visto o Alcaide. Não pertencerá? A sua função será outra? Ou terá ido buscar o dinheiro do desfalque que fez?! Pois, sinceramente não sei!
Os jogos de Poder decorreram em cenas de momentos seguintes, nos corredores e meandros do Hospital.
O Inquisidor pressiona o Capelão, situando-o na sua verdadeira missão ali: agir no sentido de que o Inquisidor venha a ser o Administrador!
Por sua vez, faz um jogo tático com Dona Úrsula… é um verdadeiro jogador de xadrez, cerebral, no xadrez e campo de luta da política hospitalar.
E tomando o rumo dos Militares… Quem foi para o xadrez, por enquanto apenas no Hospital, foi um soldado, cuja arma se disparou ou que ele fez disparar na mão esquerda. Em tempo de Guerra, tal procedimento, quando propositado, tem sentença de morte: a forca.
Que será, provavelmente o destino do imprudente soldado, que na ânsia de perder dois dedos com o disparo, com medo a perder a vida com os disparos na Guerra, acabará, provavelmente, por se finar, mas numa morte considerada desonrosa para si e família.
Foi submetido a julgamento, no próprio Hospital, que é autónomo jurisdicionalmente no respetivo espaço e contexto institucional. O Administrador considerou não haver provas suficientes de que o jovem militar agira propositadamente, mas o Oficial Militar, presente como membro do Júri, teve opinião contrária.
Pelo que o rapaz será condenado à forca, após estar curado.
“Então vamos mandá-lo para a morte depois de o termos curado?!” Interrogou a nossa mocinha, enfermeira ingénua, Olalla.
E fica esta questão como ponto de reflexão sobre a Guerra, sobre o sentido de todas as Guerras.
E pegando na deixa, Olalla… esta e o seu amado já avançaram bastante, no seu próprio quarto, no que de Amor se trata, mas por enquanto ainda se ficaram apenas por preliminares, valeu-lhe a sua própria sensatez! Que ela é uma verdadeira mocinha!
Já o seu amado, Daniel, o herói, resolveu armar-se em cow-boy e teve honras de abertura deste nono episódio, numa cena de pugilato, numa taberna dos subterrâneos de Santiago, para onde fora levado por Duarte, para afogar o desgosto pela morte da, agora, sua esposa, Clara. Enraivecido pela sua impotência enquanto médico, na incapacidade de salvar uma vida, quase matou, de raiva, o seu opositor. Valeu-lhe Duarte!
“… na nossa profissão, temos que nos habituar a conviver com a Morte…”, já o alertara o Cirurgião Mor, seu mentor, quase Pai espiritual. Que também lhe lembrou a importância das suas mãos, na profissão que exerce.
E a narrativa direciona-nos para o assunto com que queremos finalizar… mas aguardemos ainda.
Voltemos ao quarto de Ollala e da sua colega Rosália, enfermeira Castelo.
O quarto agora transformado em alcova…
Pois a enfermeira Rosália, mais expedita, não se ficou apenas pelos preliminares com o seu boticário…
E se ela já andava sempre meio na lua, agora ficou totalmente de olhar vagueando no espaço sideral.
O boticário tem também outras evasões, quem as não tem (?), mas tenta libertar-se da sua dependência do ópio.
Dona Irene descobre, sim, ela tomou consciência disso a pós a consulta com Doutor Daniel, apercebe-se que está grávida.
E, imagine-se, naqueles tempos de tantos preconceitos, uma senhora da sua condição, viúva, ficar grávida…
E cumulativamente resultante de uma violação, de que apenas ela tem conhecimento e também o seu bom amigo, Dom Andrés, para além de Dona Elvira, que presenciou a cena, que ocorreu no seu palácio e na sua mesa da sala!
Imagine-se a bomba, quando se souber… Numa sociedade tão recheada de tabus, falsidades e aparências.
Aguardemos como este assunto irá ser abordado.
Que outro aspeto enriquecedor nesta série é a forma como vai apresentando várias temáticas, sempre num contexto de época. Há certamente um trabalho de pesquisa prévio muito relevante.
Veja-se como nos apresenta os problemas do exercício da Medicina, agora a problemática da Guerra nos seus reflexos na Sociedade…
E ainda sobre personagens, Dona Elvira de Santamaria e Dona Úrsula.
Já foram episodicamente aliadas, agora definitivamente inimigas. Que Dona Úrsula já avisara que sempre cobra as dívidas. Mas não sabemos quem deve mais a quem, ou quem tem mais a temer.
Duas mulheres, no mesmo tempo e espaço ficcional, pertencentes a duas Classes Sociais distintas, mas poderosas na altura, uma da Nobreza, ainda que falida, a outra do Clero Regular, cada uma usando as armas de que dispõe, sempre tecendo e enredando a narrativa, pelo lado da malvadez. Harpias, que não se limitam a profetizar, mas agem condicionando e dirigindo a narração, no sentido que pretendem: o seu benefício pessoal, o seu egoísmo, os seus apetites, a sua fome de poder e influência, a fome que se avizinha com as guerras que se aproximam. Recorrendo a táticas e estratégias diversas, mas sempre com uma metodologia comum: pisar os outros, especialmente os mais fracos e indefesos; bajular os ricos e poderosos, mas apunhalando-os pelas costas, sempre que possível.
E, julgo que, agora, finalmente, vamos ao cerne do episódio.
Enquanto todos estes acontecimentos decorriam e os que eu não relatei, porque de todo não me é possível, Clara, a jovem que padecia de doença psíquica, incurável, que sofrera um ataque de epilepsia, provavelmente provocado pela bebida de estramónio que a “Dragão”, bruxa má e malvada, lhe dera, Clara, dizia, jazia no esquife, na Capela do Hospital.
Velada pelo pai, por Dona Irene, pelo marido, Dom Daniel, não sei se por mais alguém, que não vi e nem sempre foi possível estar gente a velar o seu corpo defunto.
Enquanto todos estes acontecimentos aconteciam, se desenrolavam intrigas e conluios nos corredores, nas enfermarias os doentes padeciam, os amantes se enrolavam nos quartos e escadarias do Hospital, e nas respetivas salas se discutiam assuntos nobres e se sabia de Guerras que aconteceriam nos Pirinéus, lá para a França e na taberna galega se guerreavam dois homens enraivecidos pelo Destino, e Dona Irene desmaiava e vomitava; enquanto tudo isto acontecia, Clara Osório, permanecia imóvel no seu esquife, uma quase santa, na Capela Real do Hospital de Santiago de Compostela, na Galiza, uma das Pátrias de Espanha e irmã de Portugal, aguardando que a Morte chegasse e a viesse buscar.
Só que a Morte tardou… Não chegou. E não a veio buscar!
E a jovem doente e que fora prometida e agora já não era, porque sendo noiva se casou… a jovem Clara, não morreu!