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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

"Hospital Real" - Episódio 8

Série da RTP2

4ª Feira – 9 de Setembro de 2015

 

Deixaremos de desviar dinheiro do Hospital Real. Concentrar-nos-emos na produção do linho, cultura em expansão…” (…) “Temos de eliminar o nosso homem no Hospital.” Palavras do Alcaide, Dom Mendonza, para os seus apaniguados.

 

E Duarte foi vítima de tentativa de assassinato. Mas defendeu-se muito bem e saiu ileso, tendo o pretenso assassino sido ele próprio assassinado.

Mas como disse D.Úrsula, de parvo não tem ele nada. Automutilou-se com o estilete que utilizou nas mortes que cometeu, fingindo ser vítima do assassino à solta, o que não deixa de ser verdade.

Já antes engendrara um plano de defesa, pois não queimara todo o livro de contabilidade, tendo guardado folhas incriminatórias de Alcaide e Tesoureiro, que guardou numa carta como se tivesse sido enviada via postal. Simultaneamente escreveu outra carta, anónima, acusando o Alcaide sobre os crimes por ele mesmo cometidos.

Ferido, dirigiu-se ao Hospital para ser socorrido e, já no leito, após tratado, deu conhecimento do suposto correio que trazia para o Hospital.

Uma bomba!

 

A equipa de investigação tomou conhecimento e o Administrador deu andamento ao processo de averiguações, confrontando o alcaide com os factos.

Este, inicialmente negou, escudado na sua pretensa superioridade, com base nas suas funções, de Alcaide e Regedor do Conselho do Hospital, e no apoio que tem do Conde de Altamira. Num debate e confronto direto, Dom Andrés só conseguiu fazê-lo ceder, e assumir o ato do desvio de dinheiro, quando o ameaçou com a Santa Inquisição, para quem as suspeitas bastam

“Em primeiro lugar, o que tem a fazer é devolver o dinheiro roubado…”

Veremos o que vai acontecer hoje, em que julgo a série irá terminar…

 

Simultaneamente, com o regresso da mulher à Cidade, apesar de encerrada num palácio, à guarda de uma empregada, Flora, o sossego de Dom Andrés, é ainda menor.

Tendo ido visitá-la, foi seguido pela Enfermeira-Mor, que não desiste em descobrir o seu segredo e tramá-lo.

 

E, por artes do Diabo, na sequência desta situação houve um pequeno incêndio na cozinha do palácio e a esposa de Dom Andrés desapareceu.

E, também por artes do Demo, apareceria, de facto, no Hospital e à própria filha, Clara, a quem a freira dera o tónico adulterado e que ficou perturbadíssima, tendo piorado da sua doença psíquica, para a qual os médicos, apesar de todos os cuidados, não conseguem encontrar uma cura. Teve um ataque de epilepsia e ficou à beira da morte…

Na presença do cirurgião-mor, do médico auxiliar e do próprio pai, inconsolável junto dela, sentindo aproximar-se a hora fatídica, fez um último pedido, casar-se com Daniel, seu noivo prometido.

Este, após consultar a sua verdadeira amada, Olalla, como verdadeiro cavalheiro que é, anuiu. Celebrou-se o casamento, sendo celebrante o novo Capelão-Mor. Que de seguida logo lhe administrou a Santa Unção.

E assim tivemos uma cena quase de Romeu e Julieta!

 

Curioso que neste mesmo episódio já houvera outra cena algo perturbante. A mulher de um peregrino russo, adoecera e ao ser hospitalizada, à beira da morte, descobriram que estava grávida, mas a criança estava viva, apesar de ainda muito prematura. Morta a mãe e a criança viva, coloca-se o dilema de deixá-la morrer no ventre da progenitora ou tentar tirá-la do ventre da mãe, sabendo que também iria morrer logo a seguir…

Dilema moral, científico, técnico-medicinal e teológico-religioso, numa época em que todos estes aspetos eram altamente problemáticos.

Apesar de Dom Devesa achar que era contra natura, pois iam salvar a criança para ela morrer em seguida, prevaleceu a decisão de se fazer uma cesariana, por Doutor Daniel, defensor destas novas práticas. Simultaneamente logo a nascer seria batizado, Yakov, e administrada a Santa Unção, pelo Capelão-Mor.

Assim, o menino tinha direito ao Céu!

E assim, por contingências altamente improváveis e espúrias, se conciliou simultaneamente a modernidade científica e técnico-medicinal e os princípios tradicionais da Igreja.

 

Interior_Catedral_Santiago_de_Compostela.jpg

 

E outros aspetos do enredo?

 

Vamos sintetizar, que se faz tarde.

 

Dom Andrés pretende para membro do Conselho do Hospital, alguém que seja de confiança e em quem se possa depositar essa mesma confiança.

E contra todas as probabilidades e hipóteses irá propor Dona Irene, que aceitou, após ele lhe ter pedido muitas desculpas pela suposição absurda de que ela pudesse ser a assassina do fidalgo. E para quem já começou a obter a concordância de outros elementos.

 

Dona Elvira de Santamaria está nas ruas da amargura, falida, sem dinheiro, que nas lojas já nem fiam às criadas…

Num ato de desespero tenta matar Ulloa… num encontro supostamente de amor, mas que foi perturbado pela presença de Rebeca, fidalga-filha e verdadeira amante do Capitão, a quem este chamara também para esse encontro e que, após trocas e baldrocas, próprias destas situações rocambolescas, o verdadeiro Amor prevalece sempre e lá ficaram os verdadeiros amantes, Ulloa e Rebeca, enroscados e encostados ao sobreiro!

 

E, por agora, ficamos por aqui, que a narrativa começa a tomar conta do narrador e é preciso “postar” este texto, antes que se inicie o 9º Episódio! Último?!

 

E Dom Cristobal e a sua amada?!

E o Inquisidor?

…   …

 Veja também sobre episódio sete aqui!

Vejamos o episódio nono.

 

 

No referente a Leituras e Livros…

LEITURAS e LIVROS...

e também novelas e cinema...

 

Ainda, o clássico, "As Viagens na Minha Terra".

 

Sobre esta Obra da Literatura,  um clássico de meados do séc. XIX…

 

Ainda quero debruçar-me sobre o mesmo, a partir de dois posts que pretendo elaborar.

As Obras Clássicas têm esse condão. Sendo de épocas passadas, mas quando têm qualidade inexcedível ou foram produzidas por Artistas de competência inigualável, conseguem, apesar da passagem do tempo, manter atualidade, relativa é certo; no caso supra citado, ainda e apesar de terem passado quase cento e setenta anos.

 

As leituras entretanto realizadas.

 

mar morto in www.goodreads.com

 

Em Agosto ainda, e de uma assentada, li o emocionante livro de Jorge Amado, “Mar Morto”, que, como acontece com as Obras deste Autor, não deixo de ler enquanto não termino a Obra. Isto é, não faço pausas de dias ou semanas. Este li-o em dois dias, tal a força com que o enredo nos prende, sendo que não é, em termos de densidade de texto, propriamente uma “Tieta…”. Também é um livro praticamente da juventude do autor, dos seus 24 anos.

Jorge Amado produziu uma Obra notável, desde relativamente jovem. Paradoxalmente, e apesar dos muitos prémios que recebeu, nunca foi premiado com um Nobel.

As personagens dos seus livros são geralmente pessoas com quem se simpatiza facilmente. Normalmente são heróis da vida do dia-a-dia. Muitas de vidas muito atribuladas, mas sempre com uma grande carga de humanismo. As personagens nunca se revelam intrinsecamente más, pelo menos que me lembre. Algumas agem de forma errada, é certo, mas foi geralmente a vida, as agruras dum viver desesperançado que os levou à vida que levam, aos trilhos que pisam.

Jorge Amado revela uma especial predileção pelos deserdados de fortuna, sem eira nem beira, mas cheios de humanidade, que lutam e labutam no seu sustento diário.

Neste livro “… a história de Guma e de Lívia, que é a história da vida e do amor no mar.”

Homens e mulheres valentes que, cheios de coragem, mas também com o medo de todos os humanos, fazem e encaram a vida como uma luta pela Sobrevivência e Dignidade.

As mulheres são normalmente vistas com grande carinho e as mulheres de vida fácil, mulheres da vida, mulheres dama, têm um lugar sempre especial na narrativa, algumas até na categoria de heroínas e personagens principais, caso de Tieta, por ex.

A Baía, Ihéus, Itabuna, o Nordeste e o Mar, simultaneamente pai, mãe e carrasco dos homens e mulheres que nele labutam, as praias de areias sem fim de mundo, a densidade sincrética da cultura baiana, triângulo de miscigenação cultural de África – Europa – América, o erotismo, as mulatas e cabrochas que amam nas dunas embaladas pelo vento, são alguns dos ingredientes gostosos dos enredos literários que  o escritor confeciona como nenhum outro.

Muito fica por dizer sobre o Autor, de que conheço apenas algumas obras, algumas simultaneamente da literatura e da televisão, caso de Gabriela, que segui as duas novelas e reli o livro, e de Tieta, de que também vi a versão da TV (novela).

No caso de Gabriela é interessante mencionar que o Livro é um Obra ímpar. A primeira novela, com Sónia Braga e Armando Bógus, é outra Obra e a 2ª novela, remake da primeira, é uma terceira Obra. Têm pontos comuns entre si, mas também são relativamente diferentes, apesar de baseadas nas mesmas temáticas, em espiral sobre o texto primevo do Autor.

Também vi o filme “Dona Flor…”, assente no triângulo romanesco…

Dona_flor_e_seus_dois_maridos in wikipedia.jpg

 

E li “Os Subterrâneos da Liberdade” e “Capitães da Areia”, há bastante tempo. Este último, reli-o recentemente.

Ah e também já li e reli “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”! E adoro este conto.

 

E agora… 

Iniciei, há pouco tempo… Imagine-se! O livro que “Ninguém deveria ser autorizado a chegar à idade adulta sem ter previamente lido…” Eu que estou já a entrar na terceira idade…

Este livro já é do tipo que interrompo a leitura. Há dias que não lhe pego.

Também, agora, tenho-me dedicado muito ao blogue…

E qual é o Livro?!

Algumas dicas: é de um escritor de raiz anglo-saxónica, foi nobelizado e nasceu no século XIX.

 

… ? ?

 

 

 

Nova pergunta dirigida ao Excelentíssimo Senhor Ministro de Educação

2ª Pergunta

 

Partindo ainda do pressuposto da questão formulada ontem, isto é, que Sua Excelência o Senhor Ministro da Educação, o atual ou o que provavelmente se seguirá numa próxima legislatura, nunca irá ler a pergunta que coloco hoje…

Assente nessa premissa, e apesar disso, não deixo de questionar novamente.

 

E lecionar numa Escola de uma Zona Suburbana, maioritariamente enquadrada em Bairros Sociais, turmas de início de 2º Ciclo, 5º ano, com alunos provenientes de diferentes Escolas do 1º Ciclo, maioritariamente habitantes desses bairros, de famílias com bastantes dificuldades das mais diversas ordens: económicas, sociais, de integração. Alunos carenciados inclusive na alimentação básica, para além das carências afetivas e relacionais, tão comuns nessas idades e meios; provenientes de famílias disfuncionais, muitas monoparentais, progenitores ausentes física e psicologicamente; pertencentes a etnias, raças diversas; de diferentes nacionalidades e língua materna de base também diferente; de religiões também diferentes.

E com todas as dificuldades acrescidas nestes tempos de Crise: Progenitores desempregados, falta de meios de subsistência…

E, acrescente-se, integrar um naipe assim diversificado e constituir uma turma de 30 alunos!

Terá, Sua Excelência, o Senhor Ministro de Educação, ideia do que é ser Professor e ser Aluno numa Turma assim constituída?!

E ser Pai e ter Filhos numa Turma assim de 30 alunos?

 

"Hospital Real" - Episódio 7

 

Série da RTP2

3ª Feira – 8 de Setembro

 

org.wikipedia.pt.jpg

 

E o “assalto” ao Hospital Real já se equaciona às claras, não se subentende apenas...

 

O Alcaide e os seus apaniguados, reunidos no Clube só para homens, congeminam o ataque e definem estratégias e objetivos. Tomar conta do Hospital em duas frentes.

Economicamente, através de um fornecedor de víveres, que seja da sua confiança, alguém comandado por eles e que certamente já terão escolhido. Daí o assassinato do marido de Dona Irene, e das agressões e ameaças que lhe têm sido movidas, de modo a afastá-la dessa função.

Política e administrativamente, controlarem o Conselho do Hospital através da colocação de um elemento do grupo conspirador nesse mesmo órgão de decisão da Instituição. Presumo que o Alcaide, por inerência das funções exercidas na Cidade, já faça parte desse mesmo órgão decisor.

 

Paralelamente, os elementos do Clero também planeiam, verbalizam e expõem esse mesmo objetivo. Colocar o reverendo Somoza, inquisidor, nesse mesmo Conselho, no lugar vago deixado pelo fidalgo, entretanto assassinado, pelas mesmas razões de controlo da mina de dinheiro que é o Hospital.

 

Posta a situação neste ponto, com dois candidatos, a votação para a respetiva seleção estaria empatada, segundo as contas do Inquisidor, sendo que teria que ser o Administrador do Hospital a ter o voto de desempate. Será caso para dizer que “venha o diabo e escolha!”

 

O Administrador carregando nos ombros e no rosto todo o peso e fardo institucional, segundo disse a própria comerciante, vive atormentado, não só pela gestão e administração normais em qualquer instituição, mas pelos imbróglios que nela surgiram.

Primeiro, os assassinatos em série, todos relacionados com o Hospital; as mortes por envenenamento casual de funcionários e quase envenenamento dos doentes; a descoberta de um desfalque, aparentemente realizado pelo fidalgo; o roubo do livro da contabilidade, de que este era responsável.

Para além do peso e preocupação sempre presente na filha, portadora de uma doença psíquica, para que não encontram tratamento.

E, descobriu-se no final, que afinal a esposa não está morta, mas antes vive resguardada ou enclausurada, por ser portadora também de uma doença mental, que, à época, era um anátema que estigmatizava quem quer que dela fosse portador, bem como toda a família. Daí serem estas pessoas escondidas, isoladas do convívio social, quando os familiares tinham condições económicas para tal.

O facto de a mulher ainda ser viva faz-nos agora perceber a sua recusa e hesitação em aceitar outras mulheres, situação que até a “enfermeira entontada”, amada do boticário, uma vez se lhe referiu designando-o como “trouxa”.

 

E o nosso “Dragão”, de Komodo, lhe chamaria eu, sempre fareja o que de podre existe, a carniça morta. Está empenhada em descobrir o que o administrador esconde. O que nós já sabemos e que acabámos de revelar. A respetiva esposa ainda é viva!

Nesta sua obsessão em torturar e aproveitar-se sempre dos mais fracos e desvalidos, Irmã Úrsula, sempre à frente dos acontecimentos, com o vestido de noiva de Clara, que era o da sua própria mãe, encenou uma visita desta, supostamente morta, para que, Clara, a noiva prometida, imaginasse que seria a própria mãe que a teria vindo visitar de além-túmulo, deixando-lhe o nome, Clara, escrito a sangue na parede!

Cena macabra, que a todos deixou estarrecidos, mas que ela soube muito bem controlar, sempre impávida, serena, seráfica, santa, auto beatificada já em vida.

 

Mas sempre a organizar enredos e tramas.

Tendo sido interpelada pelo facto de ter supostamente descuidado as chaves do gabinete e armário do Administrador, o que foi um facto, ela, conhecedora dos meandros em que se movimenta nos corredores do Hospital, e das personagens com que se cruza, depressa deduziu que quem lhe terá roubado as chaves, assaltado o armário e levado o livro vermelho, só poderá ter sido Duarte.

E foi este interpelado nesse sentido.

“Tu não vales nada. Ninguém sabe que existes e se desapareceres também ninguém dará pela tua falta.” E lembrou-lhe a sua condição de exposto, marcado a ferro e de que fora ela que lhe valera, quando ele vagueava sem rumo pela Cidade. “Sei que foste tu que roubaste o livro, não sei ainda porquê… Que tu és mudo, mas não és parvo. O que te vale é o teu silêncio!” Terão sido sensivelmente deste teor as palavras proferidas pela enfermeira mor, para Duarte, moço de fretes e assassino.

 

E assim este rapaz, que serviu para tudo o que lhes convinha, agora vai-se tornando um estorvo, um empecilho a eliminar.

O Alcaide também já o informou diretamente desse propósito.

E, pelo que vislumbrámos do episódio que será transmitido hoje, atuou!

 

Aguardemos pelo que irá suceder.

 

E o destino do dinheiro roubado, melhor dizendo, desviado, pelo fidalgo, Senhor de Rastavales, para onde foi destinado?!

Esta pergunta também formula a equipa de investigação, agora formada pelos dois médicos e pelo administrador. A iniciante de enfermeira já não pertence a esta equipa, muita coisa mudou no enredo, para além dos handicaps que lhe são inerentes: ser mulher, jovem, aprendiz, de profissão subalterna, como o próprio amado, Dom Daniel, lhe fez ver!

 

E outros personagens e muitas outras questões ficam em aberto…

 

E Dona Irene?!

 

E Dona Elvira de Santamaria?

 

E Dom Cristobal, o boticário?

 

E o Capitão Ulloa?!

 

E os enredos romanescos?

E o par romântico e protagonistas da série?!

 ...   ... ...

protagonistas in. mag.sapo.pt.jpg

Mas caríssimo leitor/leitora, que teve a amabilidade e paciência de chegar até aqui, situação por que lhe estou eternamente grato, se eu fosse a rever tudo seria o guionista da série, não acha? E também não quero privar-lhe o prazer de congeminar as suas próprias análises e conclusões…

Pois, visualizemos o episódio oito, que ocorrerá dentro de poucas horas.

 

P.S. – Será que esta série terá sido baseada nalgum livro já existente?

 

 

 

“Hospital Real” – Episódio 6

Série Galega na RTP2

2ª feira – 7 de Setembro

 

Santiago Arcada na Rua do Villar. In wikipedia.jpg

 

Já me pediu vários favores. E, antes ou depois, vou-lhos cobrar!”

Resposta da enfermeira-mor, irmã Úrsula, para a fidalga viúva, Dona Elvira de Santa Maria, na sequência de uma questão com que esta a interpelou.

 

Nem sei por que ponta pegue na estória, se pela enfermeira, se pela viúva.

 

Esta, a fidalga, cada vez mais enredada na história, como na sua própria vida, sempre mais nós por desatar e criando mais embaraços na sua caminhada, tropeçando, até descambar de vez. Talvez.

Mas também sem desistir, como náufraga à deriva, agarrando-se a qualquer tábua de salvação, desesperada, perdendo até a sua honra, que tanto dizia defender. Até cair nas mãos dos inimigos que ela mesma criou, caso do Capitão Ulloa. Ah! Se ela tivesse sabido que ele era homem de fortuna! Fortuna que não herdou do marido, que só lhe deixou dívidas e falsos amigos, agora cínicos e indiferentes, caso do Alcaide. Fortuna sua que ele desbaratou.

 

Mas não deixa de congeminar trapaças para atingir os seus fins, nomeadamente o hipotético dote que receberia se o filho casasse com Clara, filha de Dom Andrés, administrador do Hospital e prometida de Dom Daniel.

Nem que para isso tenha que levar uma inocente à perdição, diligenciando para que um livro de Martinho Lutero, proibido pela Inquisição, fosse encontrado entre os respetivos pertences.

 

Falamos da enfermeira Rosália, apaixonada do boticário, que perante a iminência da sua amada ir parar aos calabouços da Santa Inquisição, num ato de puro altruísmo, assumiu ele a propriedade do livro e assim foi bater com os costados nas referidas tarimbas e antros de tortura.

 

E neste papel de condutora do enredo, sempre pelo lado da malvadez, mulher algoz, temos a nossa famigerada enfermeira-chefe, o Dragão.

Sempre a manipular, a congeminar artimanhas, a atormentar inocentes e criminosos, a criar teias e tramas onde, mais cedo ou mais tarde, possa prender as suas vítimas.

 

Duarte, carrasco e vítima, assassino a mando, vai executando os golpes de mão, agora diretamente às ordens do Alcaide. Em obediência a este, roubou um “livro vermelho”, ah! Os livros vermelhos!, do escritório do Administrador. Depreende-se ser o livro da contabilidade do Hospital, função que era exercida, imagine-se, por Dom Leopoldo!

Leitura, decifração, que o administrador andava tentando e não conseguia. Tal seria a trapalhada que nele haveria…

E em que estaria incriminado o próprio fidalgo e o alcaide, que eram face e coroa da mesma moeda: a corrupção!

E, agora, o Hospital! Frisou novamente.

 

Enquanto estes imbróglios aconteciam no Hospital e outros que omiti ou ainda não falei, o nosso bom Andrés, Dom Andrés, acompanhava a nossa boa Dona Irene pelas praias da Galiza, na busca de peixe para o Hospital.

 

Quando chegou, o primeiro grande impacto foi por causa da filha. Clara, fora sujeita a um brutal tratamento de choque de água fria, em pleno Fevereiro. (Assim confirmamos com exatidão o tempo em que decorre a ação da narrativa!)

Um reputado médico, Doutor de La Cueva, assim prescrevera essa tentativa de cura através da hidroterapia, em pleno Inverno, para a doença que lhe diagnosticara: histeria nervosa.

O nosso jovem e bom médico discordou. Explicou que Doutor Pinet, afamado médico francês, propunha para estas doenças outro tipo de tratamentos: atenção e acompanhamento do paciente.

Nada da brutalidade de enfiar a rapariga numa tina, cheia de água gelada e, posteriormente, após tapar-lhe a cabeça com uma toalha de linho, despejar-lhe um balde de água gelada pela cabeça abaixo! É caso para dizer que “se não se morre do mal se morre da cura”!

Tão impressionado ficou o nosso herói, que já se ofereceu para apressar o casamento para poder dar mais atenção à sua prometida noiva! E fazer dela sua esposa e, assim, com maior probabilidade ajudá-la a curar-se! Como se pode constatar, Dom Daniel tinha grande fé no matrimónio e até já esquecia a outra sua amada, a mocinha Olalla!

Só que o pai da prometida Clara, Dom Andrés, respondeu-lhe que não.

Que o problema era o pai dele, isto é, Dom Leopoldo!

 

E assim deixamos este relato da história, esta estória muito lacunar, que temos que ir visualizar o 7º episódio! 

 

 

"Momentos de Poesia" - Evento de Setembro:

"MOMENTOS de POESIA"

12 de Setembro, Sábado, Portalegre

Biblioteca Municipal

 

É sempre com grata satisfação que, neste blogue, divulgo a programação de Eventos de Poesia, nomeadamente os realizados ou a realizar nas Localidades que me estão mais próximas. Quem diz Poesia, quer também referir Poetas e Poetisas! E respetivas Organizações Poéticas.

Com especial carinho destaco os que ocorrem na bela Cidade de Régio.

Pois, com a devida autorização, anexo Cartaz elucidativo sobre os conceituados "Momentos de Poesia".

Momentos de Poesia Setembro_15_web.JPG

 Se quiser ter  a amabilidade, pode consultar também:

Momentos de Poesia

A Poesia de Jorge de Sena (Conferência)

Sessão de Poesia

Círculo Nacional D'Arte e Poesia

Humor e Cultura

Uma pergunta dirigida ao Excelentíssimo Senhor Ministro De Educação

 

Uma Pergunta…

 

Tenho plena consciência que a Pessoa a quem a questão se dirige, prioritariamente, nunca a irá ler, contudo, a pergunta é formulada:

 

Será que, Sua Excelência o Senhor Ministro de Educação, tem a noção do que é lecionar, em Portugal, no Ensino Básico e Secundário, a Turmas com 30 Alunos?!

Uma estória de escola de antigamente...

Nota Introdutória:

escola livros 4ª classe.jpg

Neste post nº 170, volto aos contos, ou estórias, como gosto de lhes chamar...

Estórias do arco-da-velha, assim eram nomeadas. Gostaria de as designar, agora, como "Estórias do Arco da Dona Augusta", parafraseando uma série de situações...

Esta é uma "estória" sobre aspetos de como era a Escola, antigamente.

Não há aqui qualquer saudosismo, nem qualquer constrangimento sobre essa "Escola de Outros Tempos".

São apenas vagas lembranças desses mesmos tempos.

Ocorreu-me divulgar este texto, também já escrito há alguns anos, hei-de ver quando, e que também ainda não fora publicado, inédito, portanto! 

Trazê-lo a lume, agora, que em breve irá começar novo ano letivo. Neste dia sete, de  Setembro, que na época era também a sete, mas de Outubro, que o ano letivo se iniciava. E, digamos, sem quaisquer artificialismos, chegava muito bem!

E tenho dito neste intróito. Faça favor de ler a estória e espero que goste.

 

 

Uma questão de orelhas

 

O Zé entrou na escola primária na década de sessenta, a sete de Outubro, data fixa da altura.

No primeiro dia de aulas a mãe foi levá-lo e, ao despedir-se, disse à professora:

- Senhora Professora, dele só quero uma orelha no final do ano!

 

Esta expressão fez-lhe muita confusão e ficou a matutar nela.

No dia anterior fora o pai que lhe dissera, à noite, após o jantar:

- Amanhã vais para a Escola. Olha que não quero aqui orelhas de burro em casa!

Para burros, aqui na rua, basta o burro do Mestre Paulo.

O dito burro conhecia ele. Toda a gente conhecia. Era tema do anedotário local.

Mas orelhas de burro?! Já ouvira contar, mas não sabia bem o que era.

Quanto a ficar só com uma orelha no final do ano, não se conformaria com tal.

Também nunca percebera muito bem o que isso significava: se, no final do ano, voltaria para casa só com uma orelha, mas mantendo tudo o resto, ou se dele restaria, no final do ano, apenas uma orelha, ficando o restante na escola.

 

Não tardou muito até saber o significado dessas expressões.

Mal começava a escola, também se iniciavam os famigerados trabalhos de casa.

No dia seguinte a serem marcados, logo no início da aula, a professora pedia os trabalhos de casa e todos colocavam os cadernos em cima da carteira.

A professora foi chamando os alunos um a um...

Após observar as contas, dar uma vista de olhos à cópia, punha um visto, guardando os cadernos, para ler as cópias mais tarde. Também prestava atenção ao asseio dos cadernos, alguns tão cheios de nódoas, de quem fazia os deveres na mesma mesa onde comia e enquanto comia... Também reparava para a limpeza da roupa.

 

Chegou a vez do Oliveira, da 2ª classe, mas já um corpanzil. Corpo grande alma de pau, dizia a avó.  Anda cá, Oliveira! Oliveeera! Gritava-lhe, quando ia para o campo da bola, um naco de pão, surripiado sem que a avó o visse escapulir para a brincadeira...

O Oliveira pegou no caderno, com aquela cara meio apalermada, sempre meio ausente das realidades... Andas sempre com a cabeça na bola! Parecia ouvir a avó.

Ao mostrar o caderno amarrotado, a professora torceu logo o nariz.

Então isto é caderno que se apresente?! E os trabalhos?

O Oliveira tentou abrir a boca, deglutiu a voz, fez-se vermelho e embatucou!...

No caderno estava iniciada uma cópia que não fora terminada, porque teve que ir marcar um golo na equipa do Saco, o bairro a que pertencia, contra a equipa do Terreiro, o outro bairro em que se dividia a aldeia: Terreiro – Saco, os dois rivais locais.

E os trabalhos?! Gritou a professora, atordoando os ouvidos do Oliveira...

Das contas apresentava apenas uma salganhada sem nexo, porque para a aritmética é que ele não dava mesmo nada e a tabuada ficara enredada nos passes mágicos dos adversários e nos gritos de gooollooo!!... do Sporting, que o Artur Agostinho ecoava na Emissora Nacional, aos domingos à tarde.

artur agostinho.jpg

O grito da professora chamou-o à realidade. Oliveira!!! O-li-vei-ra!... Sílabas e letras bem pronunciadas e sublinhadas. Queres ficar novamente de burro?! Ficas de castigo no intervalo, a fazer os trabalhos e agora vou mostrar-vos o que é ficar só com uma orelha!

 

Enfim, o Zé iria saber o que era isso. Ainda bem que não era a sua orelha!

A professora mandou o Oliveira sentar-se, começando a puxar-lhe uma das orelhas, sem deixar que ele se levantasse, pois com o braço esquerdo segurava-o na carteira, enquanto com a mão direita lhe puxava a respectiva orelha, que esticava, esticava... Era agora que ele ficava sem uma orelha, pensava o Zé e lá se cumpria a profecia da mãe, se calhar de todas as mães. Dele, só quero uma orelha no final!

Ainda bem que era o Oliveira, também a oliveira tem tantos ramos e folhas que, mais ramo menos folha, tanto faz. Ficava o Oliveira sem orelha e a oliveira sem folha.

Mas a professora acalmou e a orelha do Oliveira ficou a ganhar e, por enquanto ainda, no respectivo lugar, apesar de muito vermelha, cheio de dores o miúdo.

 

Quanto à segunda expressão orelhas de burro, só mais tarde, já próximo ao final do ano, haveria de saber o seu significado.

O Joaquim da Corneta andava na 4ª classe, sendo o mais velho da escola. Já repetira vários anos. Tinha este anexim, já de família, todos os irmãos o herdaram do pai, o ti Xico da Corneta, sendo que esta alcunha era quase um sobrenome.

À medida que se aproximavam os exames da quarta classe havia revisões de preparação, testando com provas escritas e orais os conhecimentos de cada um.

Quando chegou a vez do Joaquim a professora foi desesperando gradualmente.

Na leitura e interpretação do texto trocou alhos com bugalhos, nos problemas de Aritmética e Geometria derrapou ao comprimento e largura, estatelou-se na prova dos noves, porque já era velho, na História e Geografia trocou rios com serras, astros e linhas de caminho-de-ferro. Foi um desastre. O comboio descarrilou de vez.

Pensar em bater-lhe a professora pensou, mas achou que não valia a pena, não só por ser mais velho, como para tanta asneira não havia porrada que chegasse. Mas tinha que castigar, para dar o exemplo, para haver respeito. Vai daí usou a estratégia mais radical.

Enfiou-lhe na cabeça as ditas orelhas de burro, um círculo com duas grandes orelhas do dito animal e mandou-o colocar à janela, com a cabeça de fora, estando assim exposto todo o dia, sujeito aos ditos e dichotes dos passantes, que teciam comentários, uns divertidos, outros humilhantes ou toleirões, conforme quem lhos atirava à cara.

 

 

 Notas Finais.

Imagem de livros antigos da Escola, in: ciberjornal.wordpress.com.

Do saudoso Artur Agostinho in: restos decolecçao.blogspot.com e tesouroverde.blogspot.com.

Sobre "Orelhas de burro", busquem aqui e encontrarão imagens engraçadíssimas! 

(Posteriormente foi publicado em: Boletim Cultural do C. N. A. P.  Nº 125 - Ano XXVII - Nov. 2016.)

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