Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

“Uma Aldeia Francesa” - "Dito de Espírito" em "Nome Próprio"

 “Un Village Français”

"Tequiero" e "Marcel Pagnol"

 

Série RTP2

 

O prometido é devido!

 

Embora eu, por vezes, ao abordar alguns temas, faça intenção de retornar-lhes para esclarecer algum aspeto e expresse essa intencionalidade, nem sempre o tenho feito e nem sempre me é possível concretizar essa intenção prometida.

Neste caso não quero deixar de o fazer.

Até para mostrar que a memória, de certo modo, nos atraiçoa nalguns aspetos, passados cinquenta anos.

E também porque localizei o livro de Francês: “Regardons vers le Pays de France”; Coimbra Editora, Limitada; 1967. Coordenação de Túlio R. Ferro Ramires Braz. Era destinado a “Classes du Deuxième Cycle des Lycées”.

 

Embora na estória que contei sobre o texto de Marcel Pagnol tivesse havido esse “dito de espírito” sobre o seu nome, o interlocutor direto de Marcel não foi o seu Professor de Latim, M. Socrate, mas sim o colega do lado, Jacques Lagneau.

 

Apresento o excerto do texto do post, com que iniciei as minhas prosas sobre a série “Uma Aldeia Francesa”.

 

“Lembra-me um célebre texto de Marcel Pagnol, apresentado no livro de Francês do antigo 3º ano (anos sessenta), atual 7ºano de escolaridade, que tanto me intrigava na altura e só bem mais tarde compreendi. Quando, no primeiro dia de aulas, o Professor lhe perguntava o nome, ele respondia “Je suis Pagnol”. Esta frase escrita percebe-se, mas quando dita oralmente pelo próprio, à data e certamente para quem ouvia, soaria “Je sui’spanhol”. E o mestre perceberia que Pagnol se dizia espanhol! E tudo isto dava uma grande confusão no texto, que eu só mais tarde entenderia, pela diferença entre texto escrito e oralidade. Mas, naqueles primeiros anos de Língua Francesa era difícil entender esses cambiantes.

(Estou a lembrar-me de factos de há algumas dezenas de anos e também de cor. Quando tiver acesso ao livro tentarei transcrever esse excerto!)”

 

Le temps des Secrets in. www.chapitre.com

 

E, agora, o excerto do texto, que faz parte de um trecho maior, intitulado no livro como “La Première Classe de Latin”, em que Marcel Pagnol nos conta sobre a sua primeira aula de Latim, no primeiro ano, no Liceu de Marselha.

Esse trecho integra-se no livro do autor, “Le Temps des Secrets. Souvenirs d’Enfance III. (Éditions Pastorelly)”

(Interessante que, na série, o 1º episódio da 3ª temporada também se designa “O tempo dos segredos”, ocorrências de 28 de Setembro de 1941!)

 

Parte do texto:

«...

..., mon voisin demanda:

- Comment t’appelles-tu?

Je lui montrai mon nom sur la couverture de mon cahier.

Il le regarda une seconde, cligna de l’oiel, et me dit finement:

- Est-ce Pagnol?

- je fus ravi de ce trait d’esprit(4), qui était encore nouveau pour moi.

(...)»

 

Nota de rodapé ao texto:

« (4) – Un trait d’esprit est l’expression vive, ingénieuse d’une idée. Ici le trait d’esprit consiste dans un jeu de mots amusant: “Est-ce Pagnol?” et espagnol se prononcent de la même manière.»

 

Não continuo com mais transcrição do excerto do texto, sendo os sublinhados de minha autoria.

Quem tiver oportunidade, dispondo do antigo livro de Francês, ou tendo o original de Marcel Pagnol, pode continuar a leitura do excerto, em que o “dito de espírito” continua com o nome do colega de Marcel, de sobrenome Lagneau, que oralmente se pode também confundir com l’agneau, “o cordeiro” e é sobre esse dito que há intervenção do Professor de Latim.

 

Por hoje, não maço mais com estas minhas idiossincrasias, obrigado por me ler até aqui e até breve!

 

Tequiero in. forums.france 3.fr.jpg

 

Permito-me lembrar-lhe que tudo isto veio a propósito de, no 1º episódio da 1ª temporada, ter sido atribuído o nome de “Tequiero”, à criança nascida no consultório de Drº Daniel, filho da refugiada espanhola. Criança que foi adotada pelo casal Larcher!

 

"Uma Aldeia Francesa” - Temporada 5 - Episódios 1 e 2

“Un Village Français

(Episódios Globais nºs 37 e 38 – 19 e 20/05/2016)

RTP 2

 

Trabalho obrigatório In.frenchcinetv.com

 

“Travail obligatoire” – “Trabalho Obrigatório”

23 Setembro 1943

 

“Le jour des alliances” – “O dia / O momento / O tempo das alianças”

24 de Setembro de 1943

 

A ação decorrendo ainda e sempre em Villeneuve e arredores, desenrola-se já em 1943, tomando a guerra outros rumos.

Que o próprio Heinrich Muller, cada vez mais dependente da morfina, ainda assim tem a clarividência de dar a conhecer à sua amada Hortense, que irão perder a guerra. Estão sempre a perder tanques, sem possibilidade de os recuperaram. Por cada um que perdem, os americanos e os russos constroem dezenas deles. É uma questão de matemática!

A “batalha de Estalinegrado” terminara, em Fevereiro de 1943, com a rendição alemã.

A “campanha do Norte Africana” também terminara com a derrota alemã, em Maio.

A “campanha de Itália” iniciara-se em Setembro.

Estava imparável a vitória dos Aliados, mas ainda demoraria quase dois anos.

 

Necessitando de “carne para canhão”, para lutarem na frente Leste, os nazis precisavam de homens para combaterem. Para isso requisitaram todos os jovens franceses de 20 anos.

 

Em Villeneuve o novo presidente da Câmara, Philippe Chassagne, personagem peripatética da ópera bufa que era a república de Vichy, coadjuvado pelo servil Servier, promoveu uma festa na Escola, para apresentação dos jovens a enviar para a frente, ao serviço dos nazis. Escassa meia dúzia, cabisbaixos, tristeza em pessoa, cara de quem sabe que vai buscar a morte, como carneiros para o matadouro. Alguns algemados, que os jovens que podiam fugiam a essa incorporação no exército alemão, tornando-se refratários.

E os jovens refratários são um grupo de novos personagens que emergem na narrativa e na história.

Em oposição, o discurso empolgado, encomiástico aos alemães, do presidente, seria um texto de comédia, não fora a situação trágica que se vivia, de jovens arregimentados para o massacre, em que se tornara a frente Leste e posteriormente todas as zonas de guerra. Nada de heroísmos, apenas mortes aos milhões, na loucura a que um “cabo militar” levara toda a Humanidade.

Esta situação é o mote para o título do Episódio um: “Trabalho obrigatório”.

Foto presidencial tvmag.lefigaro.jpg

Neste episódio e sequencialmente ao discurso do novo e empolgado presidente, este sofreu um atentado. Foi alvejado por um tiro, disparado por um supostamente varredor, que se entretinha no pátio da escola, a fazer que varria, enquanto sua excelência presidencial se ajeitava nas fotos do acontecimento, com a sua esposa Jeannine, ex-Schwartz.

O atirador conseguiu fugir, seria certamente membro de algum grupo resistente, não sabemos qual.

 

A Resistência vinha ganhando mais adeptos e promovendo também ações de guerrilha. Os comunistas, a partir de ideia de Suzanne, planeiam atacar camiões alemães, que sabem trazerem armas. Se planeiam, aprovado pela direção do partido, passarão à execução e o assalto é concretizado. Não sem baixas, que Julien acaba por morrer, por falta de assistência médica, de todo impossível, que as condições de vida dos Resistentes eram duríssimas. Mas os alemães perderam três soldados e acréscimo de desânimo, que isso levou à afirmação anterior do psicopata, Muller, que ainda há poucos meses se considerava invencível, superior a tudo e todos. E até tinha que ouvir reprimendas do comandante militar alemão, Kollwitz.

Nesta sequência, o tresloucado impôs à cidade de Villeneuve, a deportação de mais cinquenta cidadãos, com a anuência complacente de Servier e o entusiasmo idólatra e bajulador do presidente Chassagne! (Que apresentou as condolências ao SS, em nome da cidade!!!)

 

O Episódio 2, intitulado “Le jour des alliances”, que traduzi por “O dia / O momento / O tempo das alianças”, pode transportar-nos para a emergência política da realização de acordos, alianças, entre os vários grupos de Resistentes: comunistas, gaulistas. E, agora, também aliar, juntar à Resistência, os jovens refratários, ideologicamente meio perdidos, mas esfomeados e a necessitarem de um enquadramento estruturante das suas errâncias. Foi o que visualizámos no final do 2º episódio em que reapareceu Marie Germain, comandando um pequeno grupo de “partisans”, “maquis”, chegando ao acampamento improvisado e rudimentar dos jovens refratários, provavelmente aliciando-os para a “Resistência”. Aguardemos.

Também nos pode remeter para a situação conjugal de Suzanne, da célula comunista, que sendo casada, mas cujo marido estivera preso durante três anos e que, tendo fugido, agora reapareceu, pretendendo reatar o casamento e saber da aliança de casamento que ela já não usava, desde aquela célebre morte encenada, pelo seu atual namorado, Marcel Larcher, supostamente seu executor. Mas tudo isso aconteceu no final da 3ª temporada, em Novembro de 1941. Muita água passou por baixo da ponte de demarcação.

Vimos que, após muita reflexão e análise entre os vários intervenientes, ela acabou por devolver a dita aliança ao ex-marido.

 

E explicado o enquadramento dos títulos, aproveito para abordar sobre a estruturação narrativa, no respeitante ao prólogo e ao final.

Também nestes dois episódios observei que se mantém a ligação que já referi em post anterior.

(Provavelmente tem sido assim em todos, só que eu, dado não ter visto a série completa, nem sequer vários episódios na totalidade, só agora constatei esse facto. Irei continuar a observar esse aspeto.

É como se a narrativa girasse em espiral, em torno de um leit-motiv, e, no final, circundasse paralelamente esse tema.)

O 1º episódio iniciou-se com o caso de Antoine, na serração, com Raymond, seu cunhado, problematizando a questão do serviço militar, da sua isenção ou fuga para a Suíça.

O final, após as diferentes peripécias do enredo, termina na ida de Raymond à casa abandonada por Crémieux, onde deixara Antoine escondido, no intuito de o levar para a Suíça, já não o tendo encontrado.

O 2º episódio continua com a temática dominante dos “refratários”. Inicia-se com a fuga de Antoine e de Claude, igualmente refratário, pelas ruas da cidade e a subsequente perseguição que lhes é movida pelos “gendarmes”, que os mandam parar, apontando-lhes as armas. Logrando eles, todavia, escapar.

O final, já o abordei parcialmente. Estavam os vários jovens no acampamento improvisado, subitamente invadido pela chegada do camponês a quem eles haviam roubado galinhas, de espingarda em punho. Acompanhado de mais guerrilheiros, comandados por Marie.

Resta-nos saber qual vai ser o destino que lhes cabe.

Por mim, penso que vão engrossar as fileiras da Resistência.

O que acha?!

Só têm a ganhar com isso.

 

E estes dois episódios e deduzo que também os subsequentes, centram-se bastante na importância crescente da Resistência. Esta 5ª temporada intitula-se precisamente “Escolher a Resistência”.

 

E sobre outros personagens?

 

Surgiu uma nova personagem em cena, na Escola, na pessoa de uma nova professora, colocada a meio do ano, para a música.

Suscitou principalmente a curiosidade e desconfiança de Lucienne, que não esteve com meias medidas, enquanto não soube o conteúdo de uma carta que a professora, de nome Margarida, recebera do suposto marido preso num stalag.

Arranjou um pretexto para ir ao quarto da rapariga arranjar-lhe a persiana, de a mandar sair a buscar um pano para limpar as mãos e lá está ela a abrir a carta.

Lida esta, confirmou ser de teor diferente e não haver ali marido algum.

Continuou de intriga com o marido que falou com a moça, que também não é menos curiosa que Lucienne e o que quer é saber se Bériot pertence à Resistência.

Ele negou, que todo o cuidado é pouco, apesar de ela lhe apresentar dados aparentemente fiáveis.

Vejamos o que dali sairá, que agora, e pelo menos, o que constatamos são muitas mentiras, ou, pelo menos, apenas meias verdades.

 

Sobre Marchetti, a quem já tínhamos atribuído algum crédito positivo, no final da 4ª Temporada, pelo apoio dado a Rita de Witte, constamos que não tem salvação possível. Continua o mesmo escroque, a usar e abusar discricionariamente do seu poder.

Matou, a sangue frio e pelas costas, um jovem refratário, como se abatesse um coelho; serve-se de Eliane; pretenderá enquadrar Bériot no atentado ao presidente, para protelar a pesquisa sobre a morte do soldado alemão, na fronteira Suíça, que, como sabemos, foi de sua autoria, para que Rita seguisse a sua viagem para a Liberdade.

 

Sobre Muller já sabemos que entrou num abismo de loucura e dependência da droga, consciente que a guerra está perdida, é só uma questão de tempo, e arrastando Hortense com ele.

Esta agarra-se-lhe, como se não houvesse mais luz no universo, vai implorar morfina ao ex-marido, que, agora mais lúcido, lha nega.

Não desiste, cede à fatalidade da sua condição de mulher e oferece a aliança, para o subalterno do amante ir adquirir droga ao mercado negro.

 

Hortense tequiero in. lamagiedeslivres.skyrock.com

 

E já que falámos do médico, Daniel Larcher, sabemos que reside noutra localidade, Moissey, faz consultas em Villeneuve duas vezes por semana, e costuma trazer o pequenote Tequiero.

E foi comovente ver o miúdo a correr para a mãe adotiva, Hortense, e esta abraçada a ele.

 

E ficamos por aqui, aguardando próximos episódios e temporadas!

 

 

“Un Village Français” - Início da 5ª Temporada

“Uma Aldeia Francesa”

RTP2

Retrospetiva das quatro Temporadas

 

Introito

Esta série francesa, de 2009, que tem estado a ser transmitida pela RTP2, desde 29 de Março transato, com sete anos de atraso, mas ainda muito a tempo, pois reportando-se a um passado paradigmático, de há setenta anos, mantém todo o interesse.

Quanto mais não seja pele imperiosidade de lembrar, de uma forma bastante didática, um passado que convém não esquecer.

Que a memória dos Homens é curta e, pasme-se (!) até negacionista.

 

Entrou ontem, dia 19 de Maio, na sua 5ª Temporada.

 

Intitula-se no original “Un Village Français”, vertida naturalmente para português, como “Uma Aldeia Francesa”.

Decorre a ação em Villeneuve, uma cidade, sim, cidade, porque Villeneuve, de aldeia, não tem nada. Os recursos de que dispõe: câmara municipal, “polícia política”, “gendarmerie”, hospital, hotel, restaurante “5 estrelas”, estação de caminho-de-ferro, camionagem, indústrias, vários grupos profissionais, que me lembre, categorizam-na mais como cidade do que como aldeia. Apenas no ensino se comparará a uma aldeia, dado que, do que me apercebi, só tem ensino primário.

Mas vamos adiante, que ninguém me convidou para padrinho.

Cidade fictícia, situa-se no Departamento do Jura, no Franco Condado, no Leste de França, junto da fronteira com a Suíça e perto da “Linha de Demarcação”, que separou a França em “Zona Ocupada” pelos alemães, e a designada “Zona Livre” sujeita ao governo de Vichy.

A cidade fica na zona ocupada.

 

A ação desenrola-se de 12 de Junho de 1940, data de início da ocupação alemã, até 1945, já após a Libertação.

 

Nesta série, os personagens organizam-se por laços familiares, englobando o núcleo central da família, mas também membros colaterais numa estrutura mais alargada; e ainda personagens segundo laços sócio- profissionais.

As relações amorosas entrecruzam-se nestes grupos.

 

Estrutura-se em sete temporadas, das quais já foram visualizadas as quatro primeiras, iniciando-se, agora, a quinta.

 

Cada temporada tem um título englobante dos temas narrados e reporta-se a um tempo específico, sendo que, em cada episódio se estrutura e desenrola a narrativa respeitante a um dia, por várias vezes, dias com algum significado histórico, no respeitante à ocupação e à guerra ou concernentes à história política ou social de França.

 

Vejamos a 1ª Temporada, 1940: “Viver é escolher.”

 

Tem seis episódios e decorre de 12 de Junho de 1940, dia de início da ocupação da França pelos alemães, como vencedores. Até ao sexto, respeitante ao dia 11 de Novembro, dia de feriado nacional em França, habitualmente de grandes festejos nacionalistas, porque celebra o dia 11 de Novembro de 1918, em que os alemães, através do Kaiser, se renderam, capitulando e assim se deu fim à “Grande Guerra”, assim designada, porque nessa data ainda não houvera outra de caráter mundial e com efeito tão devastador. E os alemães foram vencidos!

 

Episódio 1 – O Desembarque – 12 de Junho de 1940

Episódio 2 – Caos – 24 de Junho de 1940

Episódio 3 – Atravessar a Linha - 30 de Setembro de 1940

Episódio 4 – Assim na Terra como no Céu – 15 de Outubro de 1940

Episódio 5 - Mercados Negros – 7 de Novembro de 1940

Episódio 6  – Rajada de Frio – 11 de Novembro de 1940.

 

Desta temporada apenas vi o 1º e o último episódio.

Saison 1 d'Un village français

.

2ª Temporada

1941: “Viver as suas escolhas.”

Esta 2ª temporada, também de seis episódios, já relata ocorrências de 1941, de Janeiro a Março.

Não me debrucei sobre nenhum dos episódios, apenas vi excertos de alguns.

Do episódio três, “Aula Prática”, lembro-me da entrada dos alemães na Escola, na sequência de uma denúncia, à procura de uma arma de fogo, supostamente guardada pelo professor Jules Bériot, e que viria a ser descoberta no relógio de parede. Uma velha arma de caça, já enferrujada, do seu avô.

A tudo assistiram as crianças, nesta aula prática, presenciando, no seu dia-a-dia, o abuso discricionário da ocupação alemã.

 

Episódio 1 – A Lotaria – 10 de Janeiro de 1941

Episódio 2 – O Aliciamento – 5 de Fevereiro de 1941

Episódio 3 – Aula Prática – 12 de Fevereiro de 1941

Episódio 4 - O teu Nome assemelha-se um pouco a Judeu – 4 de Março de 1941

Episódio 5 – Perigo de Morte – 10 de Março de 1941.

Episódio 6 – Golpe de Misericórdia – 11 de março de 1941.

Saison 2 d'Un village français.

.

 3ª Temporada

1941: “Viver as suas escolhas.”

 

“Esta 3ª temporada retrata as ocorrências em Villeneuve, durante o Outono de 1941, de Setembro a Novembro.

O quotidiano dos habitantes degrada-se. A ocupação e as consequências da guerra acentuam-se.

Os racionamentos, a penúria e falta de víveres essenciais, o mercado negro, as requisições forçadas, os toques a recolher e o recolher obrigatório, as arianizações, fazem sentir-se pesadamente nas populações.

Sofre-se no corpo, os espíritos exaltam-se...

Mas cada um vive as suas próprias escolhas, que nem sempre são tão fáceis quanto aparentam.

Há os que colaboram com os alemães, os que celebram o marechal (Pétain), mas também os que radicalizam a luta, arriscando as suas próprias vidas e a de familiares.

O Amor circula sempre no ar, ou não tivesse esta série também o seu lado romanesco bastante acentuado.”

Estas foram algumas ideias base que explanei no relato sobre os “Episódios”.

Remeto também para a narração respeitante ao episódio 6 – “La Java Bleue”.

 

Nesta temporada já consegui ver alguns episódios, nomeadamente o sexto, que também contextualiza a ação, remetendo para uma festa tradicional francesa, os festejos de “Les Catherinettes” e para uma canção romântica, em voga na altura, intitulada “La Java Bleue”.

 

 Saison 3 d'Un village français.

 

Episódios

 

  1. - Le temps des secrets(28 Setembro 1941) / O tempo dos segredos
  2. - Notre père(17 Outubro 1941) / O nosso pai
  3. -La planque(19 Outubro 1941) / O esconderijo
  4. - Si j'étais libre (20 Outubro 1941) / Se eu fosse livre
  5.  - Le choix des armes (23 Outubro 1941) / A escolha das armas
  6. - La Java Bleue (25  Outubro 1941). / (A Java azul)
  7. - Une chance sur deux(26 Outubro 1941) / Uma oportunidade para dois / Uma oportunidade em duas?
  8. - Le choix (27 de Outubro de 1941) / A escolha
  9. - Quel est votre nom ?(28 Outubro 1941) / Como se chama? / Qual é o nome?
  10. - Par amour(29  Outubro 1941) / Por amor.
  11. - Le Traître (31 Outubro 1941) / O traidor
  12. - Règlements de comptes(1er Novembro  1941) / Liquidação de contas / Ajuste de contas.

 

 

Temporada 4

A 4ª temporada, iniciada a 3 de Maio e esta semana concluída, 18 de Maio, centra-se fundamentalmente na problemática dos judeus e na sua deportação para os campos de concentração.

E na ação da Resistência e dos Resistentes, fundamentalmente estruturados em dois grupos: os comunistas e os gaullistas e na sua tentativa de realização de ações conjuntas.

 Intitula-se “A hora das escolhas”, e reporta-se a 1942 e ao mês de Julho, nos primeiros seis episódios e ao mês de Novembro, nos restantes seis.

 

saisaon 4 in. pluzzvad.francet..jpg

 

Episódios:

1 – “Le train” – “O comboio” - Dia 20 de Julho.

2– “Un jour sans pain” – “Um dia sem pão”, ou melhor, “Um dia sem comida” – Dia 21.

3 – “Mille et une nuits” – “Mil e uma noites”, parafraseando Xerazade: Dia 22

4 – “Une évasion” – “Uma evasão”- Dia 23.

5 – “La mission” – “A missão” – 24/07/1942

6 – “La libération” - “A libertação” – idem

7 – “Le visiteur” – “O visitante” – 8 Novembro 1942

8 – “Tel est pris qui croyait prendre” – “Quem quer apanhar, apanhado se vê”, ou seja, “o jogo do gato e do rato”. – 9 de Novembro de 1942

9 -  “Baisers volés” – “Beijos roubados”. – 11 de Novembro de 1942.

10 – “Des nouvelles d’Anna” – “Notícias de Anna”: 12/11/1942

11 – “La souriciére” – “A ratoeira / armadilha”.

12 – “La frontière” – “ A fronteira”.

 

5ª Temporada

1943

“Choisir la Résistence” – “Escolher a Resistência”

 

A ação decorre quase um ano após o último episódio da 4ª temporada, em 1943, durante os meses de Setembro, Outubro e Novembro.

 

saison 5 in. pluzzvad.francet..jpg

 

Saison 5 d'Un village français.

Episódios:

  1. Travail obligatoire(23 septembre 1943) – “Trabalho Obrigatório”
  2. Le jour des alliances(24 septembre 1943) – “O tempo/ o momento das alianças”
  3. Naissance d'un chef(25 septembre 1943) – “O nascimento de um chefe”
  4. La répétition(25 octobre 1943) – “A repetição”
  5. L'arrestation(26 octobre 1943) – A captura / A detenção
  6. Le déménagement(27 octobre 1943) – O despejo / A mudança de casa (?)
  7. La livraison(8 novembre 1943) -  A entrega /A entrega ao domicílio (?)
  8. Les trois coups(9 novembre 1943) – Os três golpes/pancadas/tiros (?)
  9. Un acte de naissance(10 novembre 1943) – Um ato de nascimento / Uma escritura de nascimento (?)
  10. L'Alsace et la Lorraine(11 novembre 1943) – “A Alsácia e a Lorena”
  11. Le jour d'après(12 novembre 1943) – O dia seguinte (?)
  12. Un sens au monde(13 novembre 1943) Um sentido para o mundo (?)

 

Notas Finais.

Arrisquei-me a “traduzir” os títulos, com plena consciência que alguns talvez sejam disparates.

Alguns termos traduzirão expressões idiomáticas e a minha “tradução” é literal.

Possivelmente com a visualização de alguns episódios talvez possa aceder a uma tradução correta.

O meu pedido de desculpas.

Fica o convite para assistir a esta 5ª Temporada, S. F. F..

O episódio de ontem, o primeiro, foi deveras interessante.

Les Personnages

 

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 4 - Episódio 12

“Un Village Français

 

(Episódio global 36 - 18 de Maio de 2016)

RTP2

La frontière” – “ A fronteira”.

 

Começo com a tentativa de resposta à pergunta formulada na última narração.

O que fora fazer Rita De Witte, de bicicleta, na direção do local onde o namorado, Jean Marchetti, participava na armadilha montada aos Resistentes?!

 

Pois, lamento, mas não vos posso informar. Ontem só consegui visualizar o final do episódio e a possível resposta a essa interrogação já teria sido apresentada.

Só pude ver a partir do facto de Rita manifestar o seu descontentamento face a Jean, o informar que se iria embora, que não se esquecia do que ele fizera à sua mãe, nem o ia perdoar.

 

Bem pôde ele manifestar-lhe que tudo fizera por Amor, que isto do amor é como um cesto roto, cabe lá tudo o que se quiser... Que, se não fora assim, e a mãe nunca a libertaria, (há mães muito possessivas com as filhas...), que tinha um filho dele, que a amava, a não queria perder, que iria com ela para a Suíça...

Nada a demoveu, sarcasticamente lhe induziu se o filho seria dele (?!), que nunca o conheceria e partiu mesmo para a Suíça.

E, nisso, ele ajudou-a em tudo o que pôde. Primeiro a saber o modo e o como, o caminho de ir e, segundo, acompanhando-a e, como já disse, querendo segui-la para viverem nesse país.

 

Deixaria a polícia, teria outra identidade, ela também, e começariam nova vida, esquecendo o passado.

Nada, nada a fez voltar atrás e seguiu só, descendo a montanha, na direção do vale, onde corria o rio e, no outro lado, a libertação.

E ele também só, a chorar, de certa maneira, redimindo-se, capaz também de atos abnegados e altruístas, apesar de todas as perfídias cometidas.

E mais! Notando a presença de um policial de fronteira, ajustando o seu rifle telescópico e pronto a disparar, pediu-lhe que o não fizesse, e face à respetiva recusa, ordenou-lhe que parasse, mostrando-lhe o seu cartão também de polícia. Perante a persistência do atirador, que tinha ordens expressas de matar, não esteve com meias medidas e ele próprio puxou da sua pistola e assassinou o colega.

 

Estranhos, insondáveis e dramáticos, os caminhos do Amor, que levam a atos supostamente impensáveis de quem é tão apegado ao Dever.

Deste modo, a sua amada seguiu descansada, como ele e nós pudemos observar, através do monóculo da arma do colega.

Assim também ele se terá, de certo modo, libertado, aliviado, do mal que aos outros tem feito, reportando para si mesmo um castigo, a que não ficará certamente impune. Aguardemos futuras narrativas, em próxima temporada.

 

Que a quarta terminou ontem com o 12º episódio.

 

E como decorreu a emboscada aos Resistentes?

Também não soube pormenores.

O que sei, tive conhecimento pela boca de Raymond Schwartz, que lia as “Notícias”, jornal local, que dava conhecimento da morte de Albert Crémieux, com foto estampada na primeira página e outra de Marie Germain, mas não me perguntem sobre o respetivo destino.

Estranho o Destino que nos dá conhecimento do ocorrido, através da boca de Raymond que, como sabemos, fora amante de Marie, cuja quinta onde ocorreu o acontecido, aliás, lhe fora oferecida pelo próprio.

E a forma como ele larga o jornal para o chão: páginas caídas, espalhadas e esvoaçando pela rua enlameada...

Arrancou com o carro e a nova amante (?), namorada (?), já mulher? Também não sei ainda, nem ele nos convidou ou participou do casamento...

Esta, que se chama realmente Joséphine, empregada na firma, antes de subir para o carro com o patrão, questionou-o sobre qual era sua posição sobre os acontecimentos narrados.

Muito diplomaticamente, desviou-se da resposta, que era empresário e o que fazia eram negócios.

Como também sabemos ele fora e era um dos grandes fornecedores dos alemães ocupantes, com quem negociava bastante.

Os factos, que presenciava e lia através do “Notícias”, não lhe seriam indiferentes, como é óbvio, tanto no aspeto pessoal, como social e de cidadão francês. Conveniências!

Sabemos que, em futura temporada, virá a envolver-se também com a Resistência. O apelo da Razão e do Afeto, digo eu, far-lhe-ão tomar um posicionamento.

Que, para todos os efeitos, é isso que tem feito. Fez as suas próprias escolhas e, até ao momento, e principalmente, tem agido do lado dos ocupantes. Em seu próprio benefício, diga-se.

 

Lucienne in. telerama.fr.jpg

 

E não há mais notícias?!

Ah! Há, sim!

Sabemos que Lucienne gostou muito das novas experiências com o marido, Jules, a ponto de pretender saber onde foram as aprendizagens.

Embasbacado, tímido, meio atrapalhado, acabou por induzir que foi em novas oportunidades!

 

E, por aqui ficamos, que talvez ainda traga outras novas.

Que, em princípio, irá iniciar-se, hoje, a 5ª Temporada!

 

E, ainda me ocorre reportar que o ex- Presidente da Câmara, Daniel, vai abandonar Villeneuve, com a família nuclear que lhe resta. Irá para Besançon, para casa de uma tia!

E, também finalmente, pudemos ver o pequenote e traquinas Tequiero!

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 4 - Episódio 11

“Un Village Français

 

(Episódio global 35 - 17 de Maio de 2016)

RTP2

“La Souriciére” – “A Ratoeira / A Armadilha”: 12/11/1942

 

 

Na apresentação de cada episódio há uma estruturação técnica sempre comum, sob vários aspetos. Um deles é um introito em que, de algum modo, nos ligamos ao episódio anterior e ao que vai ser apresentado a seguir, como se fosse um leit-motiv do mesmo. No final, também nos apresentam algo que nos deixa em suspense para a temática do episódio seguinte.

No anterior, décimo primeiro, em ambos estes excertos da narrativa, foi dada relevância a uma mesma personagem, que nestes últimos episódios tem sido destacada no enredo. Trata-se de Rita De Witte.

(Sinceramente, não sei se esta tem sido a metodologia de todos os episódios. Neste, observei-a.)

 

Rita in. television.telerama.fr.jpg

 

Voltando à personagem.

No introito, apresentou-se ela perante o namorado, Jean Marchetti, na subprefeitura, após ter vindo do médico, conhecedora da existência da carta, ignorante do respetivo conteúdo.

Apreensiva, temerosa e com cautela, que muitos dissabores já passou, confrontou-o, muito subtilmente e com cuidado, sobre eventuais notícias que ele pudesse ter da mãe, sem nunca aflorar algo que a pudesse indiciar de conhecimento da missiva. Os medos serão múltiplos e diversos.

A conversa ficou-se por muitas e meias palavras, sentimentos aflorados e retraídos, tensão de ambos os protagonistas, que ele é um personagem cheio de contradições, aliás, próprias de qualquer ser humano, por demais em tempos tão conturbados e incertos. E ela é uma mulher só, num mundo hostil, uma náufraga perdida, em que o amado é um pedaço de madeira, frágil e inseguro, mas o único que lhe ofereceu um amparo e sustento e mais um rebento a nascer.

E que, apesar de todas as improbabilidades, a ama, a quer fazer sua mulher, e ser pai da criança a caminho.

Rita andou todo o episódio ausente.

Foi motivo de preocupação exacerbada do amante, que, inclusive, esqueceu as suas prioridades profissionais, ordenando imperiosidade na sua procura (!)

Dirigiu-se, arrogante e prepotente, a casa do médico Daniel Larcher, arrombou-lhe a porta, agrediu-o, invadiu-lhe os espaços, até ao quarto onde agonizava Madame Morhange, que aproveitou para, no leito de morte, o confrontar com a sua crueldade e cupidez, que fora ele que deportara a mãe da própria amada, a quem ela dera conhecimento do facto.

Desesperado, louco por saber do possível paradeiro de Rita, ameaçou de morte Sarah, chantageando Daniel, que apenas lhe disse o que sabia, que Rita planeava fugir para a Suiça.

Providencialmente, chegou o tão desejado Henri de Kervern, namorado de Madame Morhange, que enfrentou a fera enraivecida, lhe disse, com os punhos, o que ele há muito pedia, que é um pulha, um canalha, um escroque. E estatelou-o no chão.

Só assim a besta fugiu.

 

Marchetti   In. telerama.fr.jpg

 

Fugiu. E foi dedicar-se, de alma e coração, ao frenesim da sua missão. Prender, matar ou enviar para a morte franceses como ele, mas que vem perseguindo já anteriormente ao começo da guerra e da própria invasão nazi. Comunistas, bolcheviques, judeus e agora também os gaulistas. Em suma, os oprimidos e os lutadores pela Liberdade.

À data, já ao serviço dos boches, dos nazis, dos ocupantes. Querendo agradar-lhes, servi-los e dar-lhos como prémio.

Assim montaram a “ratoeira / armadilha” para apanharem os resistentes que se reunirão na quinta de Marie. Mercê da delação de Albert Crémieux, que mantem a sua falsidade e colaboração com os seus próprios algozes até ao fim.

 

Constate-se o aparato nessa armação, com todos os meios que os representantes de Vichy dispunham. Todos os efetivos policiais, exceto Vernet; um batalhão de “gendarmes”, o subprefeito em pessoa, Servier, servil instrumento da ocupação.

E até um novo personagem que tem andado a contracenar com a também fascista, Jeannine, de nome Philippe Chassagne, à procura de protagonismo, finalmente alcançado, que soubemos, foi nomeado novo presidente de câmara, que Daniel Larcher já não servia, nem compactuava com o colaboracionismo.

Todo este aparato para tentarem prender, de preferência matar, mais propriamente, chacinar compatriotas! Que era esse o seu propósito.

Aguardemos o episódio doze, derradeiro desta 4ª temporada.

 

E que viram e vimos nós também no final do episódio?!

 

Um ciclista que se aproximava.

Mais um membro da célula que vinha para a reunião?!

Que apenas houvera chegado um outro ciclista, Marcel Larcher. Comunista, mas muito voluntarioso e idealista, insistira em comparecer, apesar das recomendações de Edmond, mais conhecedor que ele do funcionamento partidário e dos cuidados da clandestinidade. Que um outro camarada, Roger, não comparecera previamente, sinal que haveria algum perigo e a reunião deveria ser suspensa.

O aviso transmitido por Jules Bériot à “menina” da “Maison Berthe” terá sido eficaz.

 

(Muitas, muitas situações ficam cortadas nesta minha narração, mas é de todo impossível transcrevê-las. Também não sou o guionista, não é?)

 

E, voltamos ao ciclista.

Marchetti pediu o binóculo para visualizar.

E quem viu ele, juntamente connosco?

Pois, nem mais nem menos que a sua amada Rita!

E que fará ela, ali, naquele momento tão crucial, agora que estão quase a atacar?!

 

Tanta força e energia, tantos recursos, para atacarem gente quase indefesa e não se voltarem contra os ocupantes que planeiam continuar a invadir a Zona Sul! E que perspetivam os franceses ocupados, como diminuídos.

E aqui bem caberia falar de Hortense... Que bem personifica a situação da França ocupada, face aos ocupantes.

 

Morhange In. a suivre.org..jpg

 

Mas não. Vou terminar com o que previra começar.

A morte assistida de Madame Judith Morhange.

Assistida pelo médico Daniel Larcher, em ambos os sentidos, e pelo seu amado, Henri de kervern.

Ambos choravam.

Antes de se tornar “invisível”, ainda pode contar os horrores que presenciara em Drancy!

(...)

 Un Village Français

"Uma Aldeia Francesa” - Temporada 4 - Episódio 10

“Un Village Français”

 

(Episódio global 34 -  16 de Maio de 2016)

RTP2

“Des nouvelles d’Anna” – “Notícias de Anna”: 12/11/1942

 

Anna, reporta-se a Anna Crémieux, judia austríaca, mulher de Albert, judeu francês, antigo industrial e, atualmente, resistente gaulista, a viver clandestino no campo e que foi preso no final do episódio anterior, nono, a 11/11/1942.

Afinal, constatei, com base na carta enviada por Anna a Albert, que Hélène, a filha de ambos, não fora resgatada, conforme eu julgava.

A partir dessa missiva, houve notícias de Anna para o marido, enviadas de Drancy.

Notícias deturpadas por Marchetti e colega, que redigiu nova carta, alterando-a, de modo a dar falsas esperanças a Albert de que, caso ele colaborasse, poderia vir a ter novamente a mulher e a filha, que Marchetti intercederia nesse sentido junto de Servier e dos alemães.

E, Albert, fragilizado pela prisão, pelo isolamento em que estivera, desesperado da ausência de ambas, que não falava de outro assunto, cedeu. E delatou todos os nomes dos colegas resistentes, local de refúgio e reunião, meios de que dispunham...

E, no próximo episódio, 11º, os polícias franceses irão montar uma armadilha aos Resistentes Gaulistas.

 

Abominável atitude e desmesurada ambição destes polícias, que preferem prender e levar à morte os seus compatriotas, que lutarem pela Libertação da sua Pátria!

 

Mas Marchetti fez ainda pior.

Porque houve outra carta, esta enviada a Rita, pela sua mãe, presa nesse mesmo campo temporário, em trânsito para um dos campos de concentração e extermínio, no Leste da Europa.

 

Rita Witte in. canalplay.com

 

No final do episódio, constatamos que Rita de Witte, grávida de Jean, foi à consulta do Drº Daniel, contrariamente ao que o amante lhe recomendara, mas pela questão fortuita do outro médico da cidade ter faltado ao serviço. (Situações das que ocorrem nos seriados, para empolar a narrativa.)

Após consultada e, ao despedir-se, o médico, numa atitude simpática, interpelou-a sobre se ela terá gostado de ter tido notícias da mãe.

Perante a admiração da mesma, questionou-a se ele não lhe deu a ler a carta.

“- Que carta?!”, interrogou-o, Rita, estupefacta e apreensiva.

 

Nós que estamos de fora, como telespetadores, a observar tudo, vimos bem o que o malvado fez... todavia, figura ambivalente, um espelho da França, que simultaneamente que assim procede, também anda a tratar de tudo para casar com a moça, arriscando-se, bem como a própria carreira, ao pretender ligar-se a uma mulher judia!

Aguardemos o próximo desenrolar do enredo.

 

Mas estamos abordando sobre cartas... E como foi o correio?

Quem serviu de correio, clandestino, foi Madame Morhange, antiga Diretora da Escola, que foi “devolvida” do campo de Drancy, por estar muito doente, mercê da intervenção de Servier. E foi recebida na casa do médico, Daniel Larcher, pois ela pretendia que este lhe “achasse” o namorado, Henri de Kervern, bem como entregar-lhe as cartas. Só que estas foram surripiadas por Marchetti, como vimos, e que lhes deu aquele destino...

 

Daniel teve uma ação fundamental neste episódio, desdobrando-se nos seus múltiplos papéis.

Tio extremoso de Gustave, a quem ajudou nos trabalhos de casa; para além do médico de serviço, sempre pronto a ajudar os pacientes; e do seu papel de “Resistente”, não propriamente oficial, elo de ligação mais ou menos voluntário, entre todos. Tem ainda tempo para aturar a mulher, Hortense, que o manipula sistematicamente, que faz dele “manso”, aconchegando-se-lhe no corpo, como uma criança carente e mimada, após ter regressado de um jantar com o boche torturador e assassino.

Quem ficou despeitada e perturbada, com a perceção desse evidente arrulho, foi Sarah, que tendo vindo inesperadamente da Zona Sul, de manhã, certamente para matar saudades, se depara com a evidência dos factos. Supostamente viria para ser amante, mas factos são factos e dez anos de casamento, para Daniel, não se atiram assim borda fora. E de amada, reduziu-se à condição de criada e foi fazer ovos estrelados!

Mas altiva, bela, jovem e recatada (?), não deixou de lhe atirar: “Ela faz de si o que quer. Vou partir amanhã. Prefiro desenrascar-me sozinha!”

Veremos o que acontecerá no futuro!

 

Beriot Marie in. tv.skyrock.com

 

E preparando e lutando pelo Futuro destacam-se os “Resistentes”.

Após um conciliábulo, parcialmente fortuito, entre Jules Bériot e Marcel Larcher, em casa de Madame Berthe, comunistas e gaullistas, reúnem-se de forma estruturada. Confianças e desconfianças recíprocas, resolvidos alguns mal entendidos iniciais, alterada a chefia da célula comunista, no decurso da própria reunião, acabam por definir estratégias de atuação, futuras reuniões e ações conjuntas, na luta contra o inimigo comum: o invasor e ocupante alemão e os colaboracionistas e o governo de Vichy.

Aguardemos que, como também já referimos, Albert Crémieux, também da célula gaullista, denunciou-os e Marchetti prepara-lhes uma ratoeira.

 

Nesta reunião houve, acidentalmente, o esclarecimento de um assunto que já vem na narrativa há vários episódios e que tantos atritos tem provocado na célula comunista. O da possível delação de Suzanne relativamente a Yvon.

Foi aqui desvendado, fortuitamente, que ela não fora a traidora, nem terá havido propriamente um traidor. Apenas fora Edmond que, na sequência do atentado, fora visto pelo polícia Vernet, a sair do local onde se acoitava Yvon. E Vernet, também participante na reunião, pois é resistente gaullista, e que, como policial, nunca esquece um rosto, reconheceu Edmond.

(Não compreendi todas as cambiantes desta situação, pois talvez não tenha visto o episódio.)

 

Não quero deixar de ainda abordar um pequeno, de somenos importância (?), pormenor.

O que foi o Professor e Diretor da Escola, Jules Bériot, fazer a casa de Madame Berthe, caftina da cidade, pelos vistos, pela primeira vez, tendo ele uma mulher tão bela, jovem e sedutora, em casa?!

Terá ido angariar alunas para algum curso noturno?! Para umas novas “Novas Oportunidades”? Preparar para exame ad-hoc à Universidade?

Não, ele foi precisamente buscar aconselhamento, com a experiente Madame, para dar outra cor e uma nova oportunidade ao seu casamento.

E, pelo que foi supostamente visto e ouvido, parece ter dado resultado.

Será a partir de agora que começam a tratar-se por tu?!

 Temporada 4 - Episódio 4

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 4 - Episódios 7, 8 e 9

“Un Village Français”

 

(Episódios globais 31, 32 e 33 – 11, 12 e 13 de Maio de 2016)

RTP2

 

A última vez que me debrucei sobre a Série, reportei-me ao 4º episódio da 4ª temporada, ainda a decorrer.

Intitulava-se “Une Évasion” / “Uma Evasão” e relatava as peripécias ocorridas a 23 de Julho de 1942, correspondendo ao episódio global nº 28, tendo sido transmitido na RTP2,na 6ª feira, 6 de Maio de 2016.

Anteriormente, na transmissão desta 4ª Temporada, intitulada “A hora das escolhas”, cujo início de transmissão aconteceu a 3 de Maio, tinham sido apresentados quatro episódios, todos reportados a 1942 e ao mês de Julho:

1 – “Le Train” – “O comboio” - Dia 20.

2– “Un jour sans pain” – “Um dia sem pão”, ou melhor, “Um dia sem comida” – Dia 21.

3 – “Mille et une nuits” – “Mil e uma noites”, parafraseando Xerazade: Dia 22

4 – “Une évasion” – “Uma evasão”- Dia 23.

 

Posteriormente ocorreram os episódios:

5 – “La mission” – “A missão” – 24/07/1942

6 – “La libération” - “A libertação” – idem

 

7 – “Le visiteur” – “O visitante” – 8 Novembro 1942

8 – “Tel est pris qui croyait prendre” – “Quem quer apanhar, apanhado se vê”, ou seja, “o jogo do gato e do rato”. – 9 de Novembro de 1942

E o 9º episódio: “Baisers volés” – “Beijos roubados”. – 11 de Novembro de 1942.

 

Ficarão ainda os episódios, 10, 11 e 12, para a próxima semana.

10 – “Des nouvelles d’Anna” – “Notícias de Anna”: 12/11/1942 (Anna, julgo que será Anna Crémieux, judia austríaca, mulher de Albert, judeu francês, antigo industrial e, atualmente, resistente gaulista, a viver clandestino no campo e que foi preso no final do 9º episódio, 11/11/1942.)

11 – “La souriciére” –  “A ratoeira / armadilha”.

12 – “La frontière” – “ A fronteira”.

 

Nos episódios que visualizei, sétimo, oitavo e nono, a ação já decorre em Novembro de 1942 e o teatro de guerra na Europa e no Mundo ganha outros contornos.

Os americanos já haviam entrado na guerra, o ataque a Pearl Harbor fora em 7/12/1941. Iniciariam a ofensiva no Norte de África nesta data, Novembro 1942. Simultaneamente na frente Leste ocorria o célebre cerco a Estalinegrado.

A Resistência ganhava força dentro da própria França, não só a liderada pelos comunistas mas também a gaulista, infiltrada em vários setores da vida quotidiana de Villeneuve. Começavam a receber ajuda externa, ainda que limitada, da “França Livre”, através da Inglaterra.

Os comunistas, aliás, pretendiam organizar uma Frente Nacional de Resistência, englobando todos os Resistentes.

Mesmo a população mais alheada dessas problemáticas via-se confrontada a tomar posição, que a chegada do comboio com os prisioneiros, as sevícias a que foram sujeitos e o povo anónimo presenciou, não podiam deixar ninguém indiferente, mesmo os corações mais empedernidos e os espíritos mais arreigados à ideologia pétainista.

O papel da rádio, iniciático, tornava-se um meio comunicacional que alimentava a Esperança dos que resistiam e almejavam a Liberdade.

A consciencialização do papel e importância de oposição ao governo de Vichy e à ocupação alemã ganhava mais adeptos.

Restavam os indefetíveis, às ordens cegas do Marechal e aos pés dos ocupantes, querendo ser mais eficientes que os próprios nazis, na perseguição aos judeus, aos comunistas e gaulistas, lutadores pela Liberdade, mas intitulados de “terroristas”. Mostravam assim o seu servilismo ao marechal e aos ocupantes boches. Marchetti e Servier eram os protótipos máximos desta atitude, apesar das contradições próprias da condição humana, que Jean Marchetti mantinha em segredo uma amante, Rita, que era judia e de quem esperava um filho.

 

Marcel Suzanne in. tv.skyrock.com

 

Essas contradições explicitavam-se noutros grupos, mesmo entre os resistentes. Na célula comunista os atritos entre os “camaradas” estavam bem presentes, nomeadamente no pressuposto da denúncia do camarada, Yvon, atribuída a Suzanne, mas muito mal sustentada pelo acusador, Edmond; nas lutas pelo poder, na estrutura triangular entre ele, Max e Marcel; nas atitudes estalinistas do mesmo Edmond, na suposta abnegação e entrega ao “Partido” e sua clarividência, no purismo ideológico de atitudes dimanadas da origem de classe de cada um. “Enfin, camaraderie”!

 

Também na polícia, apesar da sua ação persecutória aos próprios franceses, a Resistência agia, na pessoa de Vernet, que servia de contacto com os gaulistas, informando-os das ações da mesma.

 

O presidente da câmara e médico da cidade, (já o afirmei, Villeneuve não é, de modo algum, uma aldeia, uma cidade, sim, tais os recursos de que dispõe), o “maire”, Daniel Larcher, desenvolve uma ação notável no contexto da ajuda aos seus concidadãos, conforme pode, servindo de elo de ligação entre as várias forças presentes, dado que, pelas suas funções e cargo que desempenha, contacta com todas elas, mas procurando sempre reverter benefícios para os seus munícipes. Ideologicamente e face às atrocidades que tem vindo a presenciar e ele próprio sofreu, o seu posicionamento deixou de ser “pétainista”, cada vez menos colaboracionista e mais adepto da Liberdade e dos oprimidos.

 

O comboio com os prisioneiros judeus já partiu, para destino desconhecido pela maioria dos franceses, sabemos agora, que para destino e “solução final”. Facto acontecido em anterior episódio, que não visualizei, mas os resistentes conseguiram resgatar Hélène Crémieux.

 

No episódio sete, “Le visiteur” – “O visitante” – 8 Novembro 1942, Villeneuve recebeu a “visita” de três paraquedistas provenientes de Inglaterra, mas dos quais apenas um conseguiu escapar ileso, Vincent. Um foi logo morto pelos alemães, ao aterrar, outro ficou ferido, acabando por ser capturado pela polícia, mas suicidou-se, ajudado pelo médico Daniel, com cianeto contido num providencial anel, com receio de falar e denunciar a sua ação e os seus correligionários da “França Livre”.

 

Vincent, o único que se safou, procurou o camarada “Dominique”, desconhecendo que não era um Domingos, mas, afinal, uma Domingas, Marie, chefe da célula gaulista da cidade.

 

Mas além destes visitantes caídos de paraquedas perto da cidade e do seu aeródromo, quanto a mim, houve um outro visitante que também vagueou por Villeneuve. Aliás, tem estado sempre constante na narrativa romanesca. E esse visitante tem sido, o sempre presente, Cupido.

Visitou Lucienne, através do seu marido Jules Bériot, embora este se distraísse com as notícias da Rádio Londres, que anunciou a invasão dos territórios franceses no Norte de África, pelas tropas americanas. Logo notícia tão importante em momento tão crucial!

Também visitou Daniel, através de Sarah Meyer, jovem judia, por ele libertada (?)

Jean et Rita in. silencio.unblob.fr.jpg

Teve também uma visita de todo improvável, mas concretizada, na pessoa de Rita e Jean, vitima e carrasco, que as setas desse pequeno deus não conhecem alvos impossíveis.

E houve ainda outra visita, esta permanente e também renovada, mas de um cupido, simultaneamente anjo exterminador e abominável. Trata-se de Heinrich Muller, oficial das SS, que novamente se instalou na cidade, para as suas ações de exterminação, agora como chefe máximo da polícia do Leste de França ocupada.

E este cupido não tem feito outra coisa, além da sua função de carrasco, à procura de vítimas, que não adejar as asas junto de Hortense, que, para o próprio, também não passa disso: uma conquista a obter, um prémio a ganhar, tão mais apetecível, quanto mais difícil de alcançar.

Esta, contudo ainda não esqueceu o seu lado torturador e, segundo a mesma, apenas o recorda como um sonho mau, ou seja, um pesadelo!

vernissage in. france5.fr.jpg

Agora toda virada para as artes plásticas, virou pintora de auto retratos, tal o narcisismo da personagem, e embevece-se com a possível comparação a Modigliani e outros pintores célebres, opinião de apreciador italiano, arrematador de todos os seus quadros, que a faz sonhar com vernissages em Florença e Veneza, mas que não é, mais nem menos, que o alter ego de Heinrich Muller, um italiano às ordens de um alemão, que, de certo modo, também era assim que Hitler via Mussolini! Que os nazis consideravam-se superiores a tudo e todos!

 

Na França ocupada, na série, representada pela ação narrativa centrada em Villeneuve, qualquer que fosse o lado em que estivessem, aguardavam, com ansiedade, as notícias veiculadas através da rádio, que lhes permitia acederem ao que se passaria no Mundo e aos “palcos” onde se desenrolava a guerra, à data mundializada, mas especialmente preocupados com os acontecimentos relacionados com a sua Pátria, não sei se dizer preferencialmente, Pátrias, porque, afinal, coexistiam duas Franças.

Os defensores da Liberdade, dos ideais da “França Livre”, ancorados na tradição republicana “Liberté, Égalité, Fraternité”, ansiavam por notícias da Rádio Londres, sonhavam com a vinda dos americanos que os libertariam da opressão alemã.

Os apaniguados de Vichy, desesperavam pelos discursos do Maréchal, que receavam desertasse para a Argélia, conforme corriam os rumores que tal aconteceria e os deixasse órfãos, no seu desespero de enteados de uma França Republicana, que tinham plena consciência haviam traído e de que temiam o julgamento da História futura, que adivinhavam e pressentiam.

Nem a propósito, no final do nono episódio, “Baisers volés” – “Beijos roubados” – 11 de Novembro de 1942, Marie Germain, ex-mulher de Lorrain e ex-amante de Raymond; e Vincent, o paraquedista provindo de Inglaterra para enviar informações da cidade para o governo da “França Livre”, chefiado por De Gaulle, e sediado em Londres, presenciam a invasão pelas tropas nazis, da designada “Zona Livre”, parte de França, governada por Pétain e que, até à data, não estava ocupada pelas tropas alemãs.

 

invasão zona livre. in. paperblog.fr.jpg

 

(...)   (...)

 

Então, e fica-se por aqui?!

Nem mais! Que se fosse a contar tudo ao pormenor dos três episódios, nem amanhã terminaria.

 

Mas, ainda assim, não quero deixar de referir um aspeto mais técnico, do que outra coisa, na estruturação da narrativa.

A perseguição ao filho de Marie, Raoul, movida pelos policiais, Marchetti e quase todo o seu departamento policial. Durou tanto tempo, percorreu tantos espaços, urbanos e rurais; envolveu todos os agentes da polícia, com exceção de Vernet, e utilizou diferentes meios, que só não terá sido detetada pelo perseguido, porque certamente o rapaz será tremendamente distraído. Ou então vinha tão enlevado e absorvido pelos beijos roubados, no linguado que conseguiu surripiar naqueles tempos de escassez alimentar, que lhe passou completamente despercebida tal ação persecutória!

 

E, por agora, de série, fico-me realmente por aqui, até que tenha oportunidade de visualizar outro episódio.

 

Quero também ver se trato mais dois temas sobre que se tem falado muito, um dos quais já aqui abordei a propósito do Mestre Almeida Garrett.

Até breve!

 

“Un Village Français” - Temporada 4 – Episódio 4

“Uma Aldeia Francesa”

 

“Une Évasion” / “Uma Evasão” - 23 de Julho de 1942

(Episódio nº 28 – 6ª feira – 6 de Maio de 2016)

 

Desde que se iniciou, na passada 3ª feira, a transmissão desta 4ª temporada, intitulada “A hora das escolhas”, foram apresentados quatro episódios, todos reportados a 1942 e ao mês de Julho:

1 – “Le train” – “O comboio” - Dia 20.

2 – “Un jour sans pain” – “Um dia sem pão”, ou melhor, “Um dia sem comida” – Dia 21.

3 – “Mille et une nuits” – “Mil e uma noites”, parafraseando Xerazade: Dia 22

4 – “Une évasion” – “Uma evasão”- Dia 23.

 

crianças presas in. video streaming.orange.fr.jpg

 

Nesses escassos quatro dias do mês de Julho, em que decorre a ação, desde que o comboio chegou a Villeneuve, com famílias judaicas a caminho de serem deportadas para os supostos “campos de trabalho”, muitos acontecimentos ocorreram nessa prisão improvisada a que crianças, velhos e adultos, homens e mulheres, estiveram temporariamente sujeitos na cidade.

Situações dramáticas, como a da alimentação de tantas pessoas, num contexto de penúria geral na cidade sujeita a racionamento e senhas para compras de bens.

 

(Não posso deixar de me reportar para a realidade e lembrar que essa situação de carência de bens, com especial realce para os alimentares, porque mais imprescindíveis, foi geral em toda a Europa, mesmo nos países que não estavam diretamente envolvidos na guerra. Como, no caso, Portugal, onde o racionamento e o comprar com senhas também foi comum durante o mesmo período.

Todo o trabalho produtivo era canalizado para o designado “esforço de guerra”.

Pasme-se e medite-se sobre a insanidade humana: andar a produzir só para destruir! E além de matar, deixar milhões morrerem à fome. Porque a guerra afetou todos: agressores e agredidos e esta situação dual alterou-se completamente no decurso da mesma.)

 

Mas deixemo-nos de “devaneios”... e não nos desviemos da matriz essencial deste meu contar.

Uma das situações ocorridas, mais dramáticas e chocantes, foi a separação das crianças dos respetivos progenitores.

 

crianças  in. video streaming.orange.fr.jpg

 

Ontem, na parte final do episódio, era suposto que as crianças se juntariam novamente aos pais e mães... Ação resultante do esforço negocial do Presidente da Câmara e de Madame Morhange, a porta-voz do grupo de judeus.

Era suposto... E, inclusive, chegou mesmo a concretizar-se parcialmente. Que Madame Crémieux conseguiu juntar-se com a filha, Hélène, e, ao chegar, anunciou que o autocarro com as crianças já aí vinha.

E é de imaginar o alvoroço, especialmente daquelas mães ansiosas, esperando a chegada dos filhos, mais ainda quando se ouviam os motores de carros se aproximando...

 

E chegaram! Mas anunciando-se com alarido e choque, estacionaram carros de tropas alemãs, soldados e oficial, boches, melhor dizendo.

Chegaram gritando e ameaçando tudo e todos, que o oficial berrou, para melhor atemorizar, que todos iriam pagar, porque houvera uma evasão, de entre os prisioneiros.

E, perante a abordagem e aproximação do chefe dos “gendarmes” franceses, não esteve com meias medidas, e pespegou-lhe um valente chapadão, que o deixou estatelado no chão!

 

E esta chapada e o estatelanço do “gendarme” traduzem, metaforicamente, a situação da Nação francesa colaboracionista. Estatelada no pó, às ordens do exército alemão.

 

Mas, frise-se, que essa obsessão pela perseguição aos judeus e aos comunistas não era “idiossincrasia” apenas dos nazis alemães. Em França, como noutros países europeus, ela fazia parte da práxis dos regimes vigentes, pelo menos desde a década de trinta.

Na série, esse aspeto é bem presente, por ex. na atuação do chefe da polícia de Villeneuve, Jean Marchetti, cuja preocupação profissional é prender uns e outros.

E é isso que torna a fazer neste episódio: consegue prender Sarah Meyer, que se escondia em casa do presidente da Câmara, Daniel Larcher, com o seu consentimento e da ainda esposa, Hortense.

 

E nos quedamos por aqui.

Que sobre Hortense muito haveria que contar.

E o comboio que levará os prisioneiros ainda vai demorar...

 "Un village français"

Uma Aldeia Francesa - Temporada 3 - Episódio 11

“Un Village Français”

 

Uma Aldeia Francesa

Temporada 3

 

Episódio 11 – “Le traître” (31 Outubro 1941) / O traidor

(Episódio 23 – 29 de Abril de 2016 -6ª feira)

 

(Ponto Prévio: Após, no último post, ter abordado temáticas dimanadas de uma Aldeia, portuguesa, no post de hoje, volto a debruçar-me sobre assuntos respeitantes a outra Aldeia, mas esta francesa.)

 

A vivência diária em Villeneuve, resultante da ocupação alemã, degrada-se a olhos vistos.

A situação dos principais personagens é cada vez mais problemática.

 

Daniel e Heinrich. in. lexpress.fr. jpg

 

Daniel Larcher, médico e autarca, dedicado a pacientes e munícipes, pai adotivo e extremoso de Tequiero, tio amigo e pai substituto de Gustave, marido desfeiteado pela esposa, encontra-se preso e a ser torturado pelo polícia da Gestapo, Heinrich, facínora psicopata e, cumulativamente, amante da sua mulher, Hortense.

Esta, já menos tresloucada de paixão pelo boche, todavia ainda desceu ao mais baixo da condição humana, ou melhor, destituiu-se dessa condição. Remeteu-se à categoria de objeto a ser usado como moeda de troca de favores. Digamos que, apesar de tudo, por uma boa causa. Pois, após ter presenciado a tortura sobre o jovem militante comunista, e ter desviado o olhar, ainda assim denunciou o cunhado Marcel. Mas não podia ficar indiferente à prisão e tortura do próprio marido, sujeito às sevícias do seu amante torcionário, que o agrediu, prendeu e torturou para saber do paradeiro do irmão Marcel.

Hortense moveu influências junto de Marchetti...

Todavia nada disso a livrou de ela própria conhecer os horrores da tortura, que o seu amante boche, não é homem de se desviar dos fins pretendidos.

E o objetivo por que se moviam os ocupantes e os policiais colaboracionistas era “caçar os terroristas”, que é como quem diz, os comunistas, personificados no operário Marcel Larcher!

 

Daniel não cedeu por ele mesmo, mas ir-se-ia abaixo por ela, para não a presenciar agredida selvaticamente pelo torturador alemão.

Valeu-lhes a providencial (?) chegada do comandante alemão, Kollwitz, pelos vistos não adepto da tortura nem do próprio Heinrich Muller e menos ainda da prisão do Presidente da Câmara, de quem providenciou a libertação. E farto (?) dos métodos do polícia da Gestapo, veio desde logo provido de guia de marcha do mesmo para Minsk, na Bielo Rússia, onde os exércitos hitlerianos se esforçavam, selvática, mas ingloriamente, por alcançar Moscovo, antes da chegada do “General Inverno”!

E foi de ver, marido e mulher, presidente da câmara e primeira-dama, a regressarem a casa, feridos, deslavados, roupas desalinhadas, rostos combalidos, sob o olhar atónito e interrogador dos munícipes de Villeneuve.

Daniel ainda tratou da mulher, a quem já declarara, finalmente (!) que se iria divorciar, apesar das lamechices, manipulações e subtilezas de Hortense, das tentativas de branquear a situação e “dar-lhe mais uma oportunidade”!

A ver vamos o que acontecerá!

 

Entretanto o irmão Marcel acoitava-se nuns campos de floresta e penedias, para aonde terá ido, em tempos de criança e adolescente, brincar com o irmão, certamente aos polícias e ladrões, não direi aos cow-boys, que, na época em que foram adolescentes, ainda não faziam parte do imaginário europeu.

Aí também se reunia com os camaradas do partido, os “partisans”, que lhe iam dando conhecimento da situação na cidadezinha e planeando ações de guerrilha contra os boches.

E interessantes também estes encontros clandestinos, os posicionamentos hierárquicos de cada um, segundo a respetiva condição de classe, o relacionamento e o papel atribuído a operários e intelectuais e as funções e tarefas “central e democraticamente” destinadas, precisamente de acordo com esse estatuto diferenciado!

E Suzanne, na qualidade de mulher operária e inteligente, frisou bem esse aspeto, não sem que lhe fosse mostrada, na prática, a sua situação de subalterna face à estrutura hierárquica inter-regional. “Nós, os operários, cavamos! E onde vão os intelectuais?!”

E mal sabia ela já ter o destino traçado.

Porque se Yvon foi denunciado e o próprio Marcel também, pois quem poderia ter sido o delator?

Edmond houvera pesquisado, investigado e descoberto que o traidor, melhor, a traidora, era Suzanne.

E como se paga a traição? Pois, só com a morte!

E, para esse fim, entregaram a Marcel uma pistola com três balas, para que ele resolvesse o problema, isto é, mandasse Suzanne para os anjinhos. Que ele é que a trouxera para a rede...

 

Marcel e Suzanne in. tv.skyrock.com

 

E que acha, caro leitor, cara leitora?!

Irá Marcel enviar Suzanne para a “outra camarada”?!

Aguardemos o próximo episódio do seriado.

 

E não falamos de Raymond e de Marie? E de Jeannine?

Nem de Henri Kervern e Judith?

Nem de Servier, o sub-prefeito?

 

Falamos de Sarah que, na qualidade de judia, será enviada para um dos campos especialmente destinados para esse fim, de acolhimento de judeus, em Pithiviers. Uma antecâmara para locais ainda mais sinistros!

Recebeu ordem de prisão direta do sub-prefeito, que se antecipou aos alemães, no sentido de a poupar a piores condições.

Prisão a que assistiu Gustave, sobrinho do prefeito e filho de Marcel, criança muito desperta para todas estas realidades, sobre as quais interrogou o tio que, naturalmente, teve dificuldade em explicar-lhe os motivos absurdos de tal detenção arbitrária.

 

E, nesta série, é muito interessante a perspetiva das crianças sobre os enredos da guerra, os excertos em que as crianças, e muito especificamente Gustave, são as protagonistas.

 

E que sentido fará a guerra aos olhos de qualquer criança?

E só das crianças?

Qual o sentido lógico de encetar todo um processo produtivo de armas e munições, gastando energia, matérias-primas, consumindo mão-de-obra, investindo capital, para ser tudo destruído, simultaneamente que se destroem outros bens, serviços, estruturas e infraestruturas, para além de matar milhões de pessoas, animais e os mais diversos seres vivos, nomeadamente plantas e alimentos?!

Este é um aspeto que ainda nos merecerá subsequentes abordagens.

 

E, já após ter escrito este texto, na sequência do anterior, publicado em 30 de Abril, e evocativo do “Dia da Mãe”, ocorreu-me uma abordagem da temática da série na perspetiva das mães que agem no enredo.

 Ou dos filhos, as crianças que se desenvencilham no seriado e sobre as quais os episódios sempre se debruçam, nalguns casos como assunto primordial.

“Un Village Français” - Temporada 3 - Ep. 6 – “La Java Bleue”

Uma Aldeia Francesa

Temporada 3

 

Episódio 6 – “La Java Bleue” – 25 de Outubro de 1941

(Episódio 18 – 21 de Abril de 2016)

 

Excerto do texto que escrevi no post anterior sobre este episódio específico:

 

“A rede da Resistência, encabeçada pelo Partido Comunista, continua os preparativos para um atentado contra um oficial alemão, planeando assassinar o comandante, quando ele visitar R. Schwartz.

Daniel tem conhecimento disso e tenta dissuadir o irmão, Marcel, de participar nessa ação.

Kurt é enviado para a frente russa, que estava no auge do ataque nazi, porque o seu relacionamento com Lucienne foi denunciado por uma carta anónima.

Hortense abandonou Daniel e vive no hotel.

O corpo de Caberni, que foi assassinado por Raymond Schwartz, é encontrado.”

 

*******

Na quinta-feira, dia vinte e um, tive oportunidade de ver um episódio completo.

É uma série que merece ser vista com atenção. Ao contar sobre ela não sei se conto pelo lado sério, que a temática assim o pede, se cedo à ironia, que também me apetece.

Guerra sem quartel In. www.allocine.fr.jpg

 Interessante este episódio, pois não sabia o significado do título.

Tive oportunidade de saber.

La Java Bleue” é o título de uma canção tradicional francesa, de 1939. Cantada por Madame Morhange, a antiga Diretora da Escola, que fora expulsa por ser judia, certamente no contexto da designada “arianização”.

Encantou na Festa das “Catherinettes”, raparigas de vinte e cinco anos, casadoiras e prontas a arranjar um marido, organizada na Escola Primária de Villeneuve. Com direito a discurso mais ou menos oficial, por Madame Schwartz, apologista dos ideais da “Nova França”, que é como quem diz do governo fascizante do Marechal (Pétain)!

E a canção estaria na moda, pois era recente e toda agente se pôs a dançar. A começar pelo Professor e Diretor da Escola, Jules Bériot, que depressa arranjou par entre as moças casadoiras. E quase todos lhe seguiram o exemplo, inclusive a Professora Lucienne com o seu amado alemão, Kurt, que viera de folga a visitá-la. (Que a guerra propriamente dita, em 1941, andava lá para a Frente Leste, para onde nenhum alemão queria ir.)

Assim também assumia publicamente o seu Amor, contra maus-olhados, olhadelas de soslaio, preconceitos e mexeriquices.

 

Lucienne Kurt In. www.allocine.fr.jpg

 

E muito haveria a contar sobre este episódio e a série.

 

Sobre o seriado, assinalo o título: “Uma Aldeia...

Pelo movimento, pelos recursos de que dispõe, acho que "Villeneuve" é mais uma cidade. Uma cidadezinha de província, é certo, nada que se compare a Paris, mas “Uma Aldeia” designa mal a categoria da povoação.

O meu reparo está feito.

 

Neste episódio assinalo o preâmbulo: os guerrilheiros comunistas a prepararem-se para matarem o comandante alemão, mas, dir-me-ão, isso já foi referido no resumo do episódio, no início do post.

No decurso do episódio assistimos à perseguição movida a Marcel, que, apesar de tudo, conseguiu escapar de ser preso.

 

Destaco também o início do episódio propriamente dito.

Hortense, teve honras, (ou desonras?) de abertura. Esparramada com Heinrich, na cama do hotel, numa cena ousada (?) de sexo. Cada um faz a guerra à sua maneira e Hortense faz guerra de alcova.

 

E, neste enredo, os personagens uns são mais idealistas, uns mais corajosos que outros. Uns mais heróis, outros situacionistas ou mesmo cobardes. Cada um toma as posições que entende e não há ali personagens neutras, pelo menos é o que me parece.

 

Marcel Daniel in.www.allocine.fr.jpg

 

O marido de Hortense, Daniel, Médico e Presidente da Câmara, pela sua profissão, pelo cargo que ocupa, desempenha papel crucial em toda a cidade. Dedica-se totalmente à causa dos seus concidadãos, ao ponto de se ir apresentar no comando do exército alemão, para ficar como refém, em substituição de todos os habitantes da sua cidade, que estão presos nessa situação, ameaçados de fuzilamento, caso o “ladrão da pistola” não se denuncie!

Herói, à moda antiga!

Concomitantemente, com a mulher, Hortense, que anda de alcova para alcova e ainda tem o desplante de voltar a casa, como se tivesse ido às compras, ao outro lado da linha de demarcação, (talvez a Badajoz comprar caramelos!), Daniel, porta-se, deixem-me que vos diga, como “um verdadeiro banana”! (Por enquanto.)

 

E, nesta descrição, lá estou eu a levar a narração por desvios ínvios. Hesitante em contar com a idoneidade que o tema merece, dado o contexto de guerra atroz, que foi a segunda grande guerra; ou se haverei de desenvolver a estória pelo lado mais mordaz, como, por vezes, a "pena" me pede.

 

Mas se sou tentado para uma abordagem mais ligeira é porque a forma como a narrativa se desenrola me pode levar por esse caminho.

Vejamos:

Decorre uma Guerra, com as atrocidades que lhe são inerentes, mas na série tudo ocorre distante. Em França, pelo menos até ao momento, houve apenas uma “ocupação”, uma invasão, aparentemente, ainda pouco destrutiva! Os efeitos devastadores da guerra ainda não se fizeram sentir. Com o avançar da narrativa esses momentos chegarão... Certamente!

 

Também se fala em fuzilamentos, mas foram noutras cidades. Mas essa ameaça também paira sobre cidadãos de Villeneuve!

 

tortura. Mas a forma com ela é apresentada parece que é apanágio apenas de um alemão psicopata; de profissão, polícia da Gestapo; que a executa como parte do “seu trabalho”, ansioso para voltar aos abraços fatais da mulher do “maîre”.

 

Não! A prática da tortura não era apenas uma idiossincrasia de um homem perturbado e viciado no ópio.

A tortura era o modo generalizado de atuação não só da polícia, mas de todo o sistema fascista que governava a França, sob as ordens e com o beneplácito dos ocupantes nazis. Estes, por sua vez, utilizavam-na sistemática e continuamente, sobre todos os que eles consideravam seres inferiores, com destaque especial para judeus, ou oponentes, caso dos comunistas.

Dir-me-ão. Na série e no contexto dos personagens, o indivíduo que personifica a Gestapo, traduz, na sua representação, essa atuação e, desse modo, significando o todo institucional.

Aceito!

Mas é sempre imprescindível lembrar que a tortura é um modo de operar de toda e qualquer ditadura, de qualquer cor! (Recado especial para o nosso “País Irmão”. Grave, muito grave, gravíssimo! Ao nível a que chegou a situação.)

 

E há ainda a tortura psicológica, moral, social, resultante do opróbrio e humilhação de um País ocupado por tropas estrangeiras; de Cidadãos, orgulhosos e briosos da sua identidade de Nação Independente, a rebaixarem-se permanentemente, para poderem coexistir, com alguma Dignidade!

 

Por outro lado, no guião da Série, há uma relevância acentuada para o lado lúdico da vida. Que até a personagem da Madame Schwartz, delatora, colaboracionista, “pétainista”, fascistoide, defensora da ocupação; comentava para o seu correligionário, o subprefeito Sérvier, que os concidadãos se queixavam da ocupação, mas nunca houvera tantas festas como à data. Isto no decurso e a propósito da “Festa das Catherinettes”.

 

Mas, poderá ser dito: E que quer que as pessoas façam perante a incerteza, a angústia e o medo, naquele contexto espacial e temporal; a não ser divertirem-se, provando e usufruindo dos prazeres da vida, que a morte é certa e pode espreitar na esquina; ao alcance de um tiro de um soldado nazi, de um ataque de panzers alemães ou de um caça transviado, a fazer tiro ao alvo a crianças indefesas, numa merenda com os professores?!

 

E, na perspetiva da Série, que poderão os guionistas inventar para cativar audiências num seriado, a não ser apimentar o enredo com cenas de amor mais ou menos romântico ou paixões proibidas e exacerbadas pelo desvario do desejo?!

Que uma série não é um documentário.

Para isso tivemos a “Queda do Reich”!

 

Mas os tempos que correm, aqui e agora, com tantos milhares de refugiados a fugirem de guerras dessas Áfricas e do Médio Oriente, lembram tanto e de maneira tão acutilante, os refugiados da 2ª grande guerra!!!

É por isso digo que o modo de narrar os episódios da guerra me parece muito suave. Diria “soft”! (Não me queria socorrer de uma palavra estrangeira, mas é a que me surge de momento!)

Mas dir-me-ão também. Não esqueça que a Série é de 2009, bem antes da situação que vivemos atualmente.

Mas, poderei contrapor: O conhecimento do que realmente foi a guerra é algo que não pode ser ignorado.

Dir-me-ão: A ação decorre em 1941 e, à época, a realidade do que de facto foi a guerra, com todo o seu cortejo de horrores, só seria conhecida mais tarde.

(...)

Estão desculpados os guionistas pelo lado “ameno” com que tratam o assunto.

 

A força do teclado, (já não se escreve com penas), levou-me por estes caminhos e sobre o episódio apenas relembro que o corpo de Caberni, que não sei quem seja, apareceu à tona de àgua, a jusante do rio que faz demarcação de território ocupado. Precisamente quando Raymond Schwartz, o suposto assassino, não me questionem como ou porquê, regressava das compras no outro lado, com a sua amada Marie!

Ele não fora simplesmente às compras, mas sim buscar uma encomenda para Crémieux, o judeu a quem adquirira a fábrica de betão e que era oposicionista à ocupação e ao regime de Vichy. Integrando-se num outro grupo de opositores, julgo que os “Gaulistas”. A cujo corpo acho que também pertencia o Professor Jules Bériot! (Questões a deslindar em futuros episódios.)

 

E, para isso, iremos continuar a visualizar a série, sempre que pudermos!

 Temporada 1 - Episódio 6

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D