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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

"Uma Aldeia Francesa” - Temporada 4 - Episódio 10

“Un Village Français”

 

(Episódio global 34 -  16 de Maio de 2016)

RTP2

“Des nouvelles d’Anna” – “Notícias de Anna”: 12/11/1942

 

Anna, reporta-se a Anna Crémieux, judia austríaca, mulher de Albert, judeu francês, antigo industrial e, atualmente, resistente gaulista, a viver clandestino no campo e que foi preso no final do episódio anterior, nono, a 11/11/1942.

Afinal, constatei, com base na carta enviada por Anna a Albert, que Hélène, a filha de ambos, não fora resgatada, conforme eu julgava.

A partir dessa missiva, houve notícias de Anna para o marido, enviadas de Drancy.

Notícias deturpadas por Marchetti e colega, que redigiu nova carta, alterando-a, de modo a dar falsas esperanças a Albert de que, caso ele colaborasse, poderia vir a ter novamente a mulher e a filha, que Marchetti intercederia nesse sentido junto de Servier e dos alemães.

E, Albert, fragilizado pela prisão, pelo isolamento em que estivera, desesperado da ausência de ambas, que não falava de outro assunto, cedeu. E delatou todos os nomes dos colegas resistentes, local de refúgio e reunião, meios de que dispunham...

E, no próximo episódio, 11º, os polícias franceses irão montar uma armadilha aos Resistentes Gaulistas.

 

Abominável atitude e desmesurada ambição destes polícias, que preferem prender e levar à morte os seus compatriotas, que lutarem pela Libertação da sua Pátria!

 

Mas Marchetti fez ainda pior.

Porque houve outra carta, esta enviada a Rita, pela sua mãe, presa nesse mesmo campo temporário, em trânsito para um dos campos de concentração e extermínio, no Leste da Europa.

 

Rita Witte in. canalplay.com

 

No final do episódio, constatamos que Rita de Witte, grávida de Jean, foi à consulta do Drº Daniel, contrariamente ao que o amante lhe recomendara, mas pela questão fortuita do outro médico da cidade ter faltado ao serviço. (Situações das que ocorrem nos seriados, para empolar a narrativa.)

Após consultada e, ao despedir-se, o médico, numa atitude simpática, interpelou-a sobre se ela terá gostado de ter tido notícias da mãe.

Perante a admiração da mesma, questionou-a se ele não lhe deu a ler a carta.

“- Que carta?!”, interrogou-o, Rita, estupefacta e apreensiva.

 

Nós que estamos de fora, como telespetadores, a observar tudo, vimos bem o que o malvado fez... todavia, figura ambivalente, um espelho da França, que simultaneamente que assim procede, também anda a tratar de tudo para casar com a moça, arriscando-se, bem como a própria carreira, ao pretender ligar-se a uma mulher judia!

Aguardemos o próximo desenrolar do enredo.

 

Mas estamos abordando sobre cartas... E como foi o correio?

Quem serviu de correio, clandestino, foi Madame Morhange, antiga Diretora da Escola, que foi “devolvida” do campo de Drancy, por estar muito doente, mercê da intervenção de Servier. E foi recebida na casa do médico, Daniel Larcher, pois ela pretendia que este lhe “achasse” o namorado, Henri de Kervern, bem como entregar-lhe as cartas. Só que estas foram surripiadas por Marchetti, como vimos, e que lhes deu aquele destino...

 

Daniel teve uma ação fundamental neste episódio, desdobrando-se nos seus múltiplos papéis.

Tio extremoso de Gustave, a quem ajudou nos trabalhos de casa; para além do médico de serviço, sempre pronto a ajudar os pacientes; e do seu papel de “Resistente”, não propriamente oficial, elo de ligação mais ou menos voluntário, entre todos. Tem ainda tempo para aturar a mulher, Hortense, que o manipula sistematicamente, que faz dele “manso”, aconchegando-se-lhe no corpo, como uma criança carente e mimada, após ter regressado de um jantar com o boche torturador e assassino.

Quem ficou despeitada e perturbada, com a perceção desse evidente arrulho, foi Sarah, que tendo vindo inesperadamente da Zona Sul, de manhã, certamente para matar saudades, se depara com a evidência dos factos. Supostamente viria para ser amante, mas factos são factos e dez anos de casamento, para Daniel, não se atiram assim borda fora. E de amada, reduziu-se à condição de criada e foi fazer ovos estrelados!

Mas altiva, bela, jovem e recatada (?), não deixou de lhe atirar: “Ela faz de si o que quer. Vou partir amanhã. Prefiro desenrascar-me sozinha!”

Veremos o que acontecerá no futuro!

 

Beriot Marie in. tv.skyrock.com

 

E preparando e lutando pelo Futuro destacam-se os “Resistentes”.

Após um conciliábulo, parcialmente fortuito, entre Jules Bériot e Marcel Larcher, em casa de Madame Berthe, comunistas e gaullistas, reúnem-se de forma estruturada. Confianças e desconfianças recíprocas, resolvidos alguns mal entendidos iniciais, alterada a chefia da célula comunista, no decurso da própria reunião, acabam por definir estratégias de atuação, futuras reuniões e ações conjuntas, na luta contra o inimigo comum: o invasor e ocupante alemão e os colaboracionistas e o governo de Vichy.

Aguardemos que, como também já referimos, Albert Crémieux, também da célula gaullista, denunciou-os e Marchetti prepara-lhes uma ratoeira.

 

Nesta reunião houve, acidentalmente, o esclarecimento de um assunto que já vem na narrativa há vários episódios e que tantos atritos tem provocado na célula comunista. O da possível delação de Suzanne relativamente a Yvon.

Foi aqui desvendado, fortuitamente, que ela não fora a traidora, nem terá havido propriamente um traidor. Apenas fora Edmond que, na sequência do atentado, fora visto pelo polícia Vernet, a sair do local onde se acoitava Yvon. E Vernet, também participante na reunião, pois é resistente gaullista, e que, como policial, nunca esquece um rosto, reconheceu Edmond.

(Não compreendi todas as cambiantes desta situação, pois talvez não tenha visto o episódio.)

 

Não quero deixar de ainda abordar um pequeno, de somenos importância (?), pormenor.

O que foi o Professor e Diretor da Escola, Jules Bériot, fazer a casa de Madame Berthe, caftina da cidade, pelos vistos, pela primeira vez, tendo ele uma mulher tão bela, jovem e sedutora, em casa?!

Terá ido angariar alunas para algum curso noturno?! Para umas novas “Novas Oportunidades”? Preparar para exame ad-hoc à Universidade?

Não, ele foi precisamente buscar aconselhamento, com a experiente Madame, para dar outra cor e uma nova oportunidade ao seu casamento.

E, pelo que foi supostamente visto e ouvido, parece ter dado resultado.

Será a partir de agora que começam a tratar-se por tu?!

 Temporada 4 - Episódio 4

Felicitações ao Benfica!

Parabéns à equipa da Benfica, a todos os seus jogadores!

Benfica in.rtp.pt.jpg

 

E, como sempre, algumas questões...

 

Não posso deixar de referenciar este tema.

Hoje, agora, mais arrefecido o calor dos festejos, o clamor da vitória menos exacerbado, que as redes sociais quase entupiram de tanta comunicação.

 

Felicitações, ao seu treinador, que conseguiu levar o conjunto de todos eles, a vencer este trigésimo quinto título de campeão nacional.

 

Vitória merecida, mas muito suada e sofrida, por isso ainda de mais valor. Vitória que, hoje, não se conquista apenas no campo, porque todo o enredo, todo o ruído, barulho ensurdecedor, que se desenrola à volta dos campeonatos, é de levar qualquer pessoa à loucura. É preciso muita serenidade, cabeça fria, não se envolver em questiúnculas despropositadas, trabalhar, trabalhar sempre, para se alcançarem resultados. E foi isso que obtiveram.

 

Renovadas congratulações a todos!

 

*******

 

Uma Questão desprovida de sentido, dado o modo e o móbil atual do futebol, mas que não quero deixar de colocar:

- Porque é que os jogos de futebol não se realizam todos à mesma hora, no mesmo dia, como ocorriam no tempo, não saudoso, em que este País era categorizado de “3 FFF”?! (...) (...)

(Bem! Digamos que nunca, como agora, este nosso País foi tanto de effes. Que até me apetecia dizer um palavrão, devidamente contextualizado, realce-se!)

 

*******

 

Igualmente de parabéns o jovem que irá para a Alemanha.

Mais um emigrante. Só que este não será um emigrante qualquer. Nem um emigrante qualificado, mas, em contrapartida, prevê-se muitíssimo bem remunerado. Pelo que proporcionará considerável retorno financeiro... Em princípio, que, agora, com tantos paraísos fiscais longe da costa...

 

Questiono:

- Não é impressionável como se fala assim, despudoradamente, levianamente, de milhões, a torto-e-direito?!

- Donde provem tanto dinheiro?!

Abençoado País que tem tais talentos!

 

Não olvidando que estes casos são como uma moeda. Não têm só uma face.

Há sempre o outro lado. Para que haja um Ronaldo ou um Renato, há milhões de ronaldos, de renatos, que os idolatram, que sonham e almejam virem a ser como eles, de eRRe grande, sustentando-os, suportando-os, naquilo que eles se tornaram.

 

Sim, porque seria do futebol se não houvesse milhões e milhões de adeptos que aspiram aos seus ídolos, idealizando serem um deles e com eles se identificando e neles se projetando?!

Que o dinheiro não suba à cabeça do rapaz! Que saiba construir o seu futuro. Que não esqueça nem renegue as suas origens. Que se inspire em Ronaldo, naquilo que este tem de valor!

 

*******

E ainda outra questão:

- Não faz alguma impressão o facto de, perante estas “transações”, sim, porque é disso que se trata, falar-se de “Fulano foi vendido...”, “Sicrano foi comprado...”?!

 

Que esta é a pura verdade, trata-se de uma transação, uma compra, uma venda, uma troca, em suma. De Seres Humanos.

 

- Mas não será, de algum modo, incongruente, que, quando se prevê “descoisificar” juridicamente a situação dos animais, os Seres Humanos sejam tratados como simples mercadorias, afinal como coisas, que se compram e se vendem?!

- Não ficamos com a ideia de assistirmos a um certo retrocesso civilizacional?

 

Bom, que não tenhamos quaisquer dúvidas, não nos iludamos. Os senhores Donos do Dinheiro, que é como se diz, “Donos Disto Tudo”, percecionam todos os outros seres humanos, com letra minúscula e como simples coisas e mercadorias!

 

E, por aqui me fico, que a prosa já vai longa.

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 4 - Episódios 7, 8 e 9

“Un Village Français”

 

(Episódios globais 31, 32 e 33 – 11, 12 e 13 de Maio de 2016)

RTP2

 

A última vez que me debrucei sobre a Série, reportei-me ao 4º episódio da 4ª temporada, ainda a decorrer.

Intitulava-se “Une Évasion” / “Uma Evasão” e relatava as peripécias ocorridas a 23 de Julho de 1942, correspondendo ao episódio global nº 28, tendo sido transmitido na RTP2,na 6ª feira, 6 de Maio de 2016.

Anteriormente, na transmissão desta 4ª Temporada, intitulada “A hora das escolhas”, cujo início de transmissão aconteceu a 3 de Maio, tinham sido apresentados quatro episódios, todos reportados a 1942 e ao mês de Julho:

1 – “Le Train” – “O comboio” - Dia 20.

2– “Un jour sans pain” – “Um dia sem pão”, ou melhor, “Um dia sem comida” – Dia 21.

3 – “Mille et une nuits” – “Mil e uma noites”, parafraseando Xerazade: Dia 22

4 – “Une évasion” – “Uma evasão”- Dia 23.

 

Posteriormente ocorreram os episódios:

5 – “La mission” – “A missão” – 24/07/1942

6 – “La libération” - “A libertação” – idem

 

7 – “Le visiteur” – “O visitante” – 8 Novembro 1942

8 – “Tel est pris qui croyait prendre” – “Quem quer apanhar, apanhado se vê”, ou seja, “o jogo do gato e do rato”. – 9 de Novembro de 1942

E o 9º episódio: “Baisers volés” – “Beijos roubados”. – 11 de Novembro de 1942.

 

Ficarão ainda os episódios, 10, 11 e 12, para a próxima semana.

10 – “Des nouvelles d’Anna” – “Notícias de Anna”: 12/11/1942 (Anna, julgo que será Anna Crémieux, judia austríaca, mulher de Albert, judeu francês, antigo industrial e, atualmente, resistente gaulista, a viver clandestino no campo e que foi preso no final do 9º episódio, 11/11/1942.)

11 – “La souriciére” –  “A ratoeira / armadilha”.

12 – “La frontière” – “ A fronteira”.

 

Nos episódios que visualizei, sétimo, oitavo e nono, a ação já decorre em Novembro de 1942 e o teatro de guerra na Europa e no Mundo ganha outros contornos.

Os americanos já haviam entrado na guerra, o ataque a Pearl Harbor fora em 7/12/1941. Iniciariam a ofensiva no Norte de África nesta data, Novembro 1942. Simultaneamente na frente Leste ocorria o célebre cerco a Estalinegrado.

A Resistência ganhava força dentro da própria França, não só a liderada pelos comunistas mas também a gaulista, infiltrada em vários setores da vida quotidiana de Villeneuve. Começavam a receber ajuda externa, ainda que limitada, da “França Livre”, através da Inglaterra.

Os comunistas, aliás, pretendiam organizar uma Frente Nacional de Resistência, englobando todos os Resistentes.

Mesmo a população mais alheada dessas problemáticas via-se confrontada a tomar posição, que a chegada do comboio com os prisioneiros, as sevícias a que foram sujeitos e o povo anónimo presenciou, não podiam deixar ninguém indiferente, mesmo os corações mais empedernidos e os espíritos mais arreigados à ideologia pétainista.

O papel da rádio, iniciático, tornava-se um meio comunicacional que alimentava a Esperança dos que resistiam e almejavam a Liberdade.

A consciencialização do papel e importância de oposição ao governo de Vichy e à ocupação alemã ganhava mais adeptos.

Restavam os indefetíveis, às ordens cegas do Marechal e aos pés dos ocupantes, querendo ser mais eficientes que os próprios nazis, na perseguição aos judeus, aos comunistas e gaulistas, lutadores pela Liberdade, mas intitulados de “terroristas”. Mostravam assim o seu servilismo ao marechal e aos ocupantes boches. Marchetti e Servier eram os protótipos máximos desta atitude, apesar das contradições próprias da condição humana, que Jean Marchetti mantinha em segredo uma amante, Rita, que era judia e de quem esperava um filho.

 

Marcel Suzanne in. tv.skyrock.com

 

Essas contradições explicitavam-se noutros grupos, mesmo entre os resistentes. Na célula comunista os atritos entre os “camaradas” estavam bem presentes, nomeadamente no pressuposto da denúncia do camarada, Yvon, atribuída a Suzanne, mas muito mal sustentada pelo acusador, Edmond; nas lutas pelo poder, na estrutura triangular entre ele, Max e Marcel; nas atitudes estalinistas do mesmo Edmond, na suposta abnegação e entrega ao “Partido” e sua clarividência, no purismo ideológico de atitudes dimanadas da origem de classe de cada um. “Enfin, camaraderie”!

 

Também na polícia, apesar da sua ação persecutória aos próprios franceses, a Resistência agia, na pessoa de Vernet, que servia de contacto com os gaulistas, informando-os das ações da mesma.

 

O presidente da câmara e médico da cidade, (já o afirmei, Villeneuve não é, de modo algum, uma aldeia, uma cidade, sim, tais os recursos de que dispõe), o “maire”, Daniel Larcher, desenvolve uma ação notável no contexto da ajuda aos seus concidadãos, conforme pode, servindo de elo de ligação entre as várias forças presentes, dado que, pelas suas funções e cargo que desempenha, contacta com todas elas, mas procurando sempre reverter benefícios para os seus munícipes. Ideologicamente e face às atrocidades que tem vindo a presenciar e ele próprio sofreu, o seu posicionamento deixou de ser “pétainista”, cada vez menos colaboracionista e mais adepto da Liberdade e dos oprimidos.

 

O comboio com os prisioneiros judeus já partiu, para destino desconhecido pela maioria dos franceses, sabemos agora, que para destino e “solução final”. Facto acontecido em anterior episódio, que não visualizei, mas os resistentes conseguiram resgatar Hélène Crémieux.

 

No episódio sete, “Le visiteur” – “O visitante” – 8 Novembro 1942, Villeneuve recebeu a “visita” de três paraquedistas provenientes de Inglaterra, mas dos quais apenas um conseguiu escapar ileso, Vincent. Um foi logo morto pelos alemães, ao aterrar, outro ficou ferido, acabando por ser capturado pela polícia, mas suicidou-se, ajudado pelo médico Daniel, com cianeto contido num providencial anel, com receio de falar e denunciar a sua ação e os seus correligionários da “França Livre”.

 

Vincent, o único que se safou, procurou o camarada “Dominique”, desconhecendo que não era um Domingos, mas, afinal, uma Domingas, Marie, chefe da célula gaulista da cidade.

 

Mas além destes visitantes caídos de paraquedas perto da cidade e do seu aeródromo, quanto a mim, houve um outro visitante que também vagueou por Villeneuve. Aliás, tem estado sempre constante na narrativa romanesca. E esse visitante tem sido, o sempre presente, Cupido.

Visitou Lucienne, através do seu marido Jules Bériot, embora este se distraísse com as notícias da Rádio Londres, que anunciou a invasão dos territórios franceses no Norte de África, pelas tropas americanas. Logo notícia tão importante em momento tão crucial!

Também visitou Daniel, através de Sarah Meyer, jovem judia, por ele libertada (?)

Jean et Rita in. silencio.unblob.fr.jpg

Teve também uma visita de todo improvável, mas concretizada, na pessoa de Rita e Jean, vitima e carrasco, que as setas desse pequeno deus não conhecem alvos impossíveis.

E houve ainda outra visita, esta permanente e também renovada, mas de um cupido, simultaneamente anjo exterminador e abominável. Trata-se de Heinrich Muller, oficial das SS, que novamente se instalou na cidade, para as suas ações de exterminação, agora como chefe máximo da polícia do Leste de França ocupada.

E este cupido não tem feito outra coisa, além da sua função de carrasco, à procura de vítimas, que não adejar as asas junto de Hortense, que, para o próprio, também não passa disso: uma conquista a obter, um prémio a ganhar, tão mais apetecível, quanto mais difícil de alcançar.

Esta, contudo ainda não esqueceu o seu lado torturador e, segundo a mesma, apenas o recorda como um sonho mau, ou seja, um pesadelo!

vernissage in. france5.fr.jpg

Agora toda virada para as artes plásticas, virou pintora de auto retratos, tal o narcisismo da personagem, e embevece-se com a possível comparação a Modigliani e outros pintores célebres, opinião de apreciador italiano, arrematador de todos os seus quadros, que a faz sonhar com vernissages em Florença e Veneza, mas que não é, mais nem menos, que o alter ego de Heinrich Muller, um italiano às ordens de um alemão, que, de certo modo, também era assim que Hitler via Mussolini! Que os nazis consideravam-se superiores a tudo e todos!

 

Na França ocupada, na série, representada pela ação narrativa centrada em Villeneuve, qualquer que fosse o lado em que estivessem, aguardavam, com ansiedade, as notícias veiculadas através da rádio, que lhes permitia acederem ao que se passaria no Mundo e aos “palcos” onde se desenrolava a guerra, à data mundializada, mas especialmente preocupados com os acontecimentos relacionados com a sua Pátria, não sei se dizer preferencialmente, Pátrias, porque, afinal, coexistiam duas Franças.

Os defensores da Liberdade, dos ideais da “França Livre”, ancorados na tradição republicana “Liberté, Égalité, Fraternité”, ansiavam por notícias da Rádio Londres, sonhavam com a vinda dos americanos que os libertariam da opressão alemã.

Os apaniguados de Vichy, desesperavam pelos discursos do Maréchal, que receavam desertasse para a Argélia, conforme corriam os rumores que tal aconteceria e os deixasse órfãos, no seu desespero de enteados de uma França Republicana, que tinham plena consciência haviam traído e de que temiam o julgamento da História futura, que adivinhavam e pressentiam.

Nem a propósito, no final do nono episódio, “Baisers volés” – “Beijos roubados” – 11 de Novembro de 1942, Marie Germain, ex-mulher de Lorrain e ex-amante de Raymond; e Vincent, o paraquedista provindo de Inglaterra para enviar informações da cidade para o governo da “França Livre”, chefiado por De Gaulle, e sediado em Londres, presenciam a invasão pelas tropas nazis, da designada “Zona Livre”, parte de França, governada por Pétain e que, até à data, não estava ocupada pelas tropas alemãs.

 

invasão zona livre. in. paperblog.fr.jpg

 

(...)   (...)

 

Então, e fica-se por aqui?!

Nem mais! Que se fosse a contar tudo ao pormenor dos três episódios, nem amanhã terminaria.

 

Mas, ainda assim, não quero deixar de referir um aspeto mais técnico, do que outra coisa, na estruturação da narrativa.

A perseguição ao filho de Marie, Raoul, movida pelos policiais, Marchetti e quase todo o seu departamento policial. Durou tanto tempo, percorreu tantos espaços, urbanos e rurais; envolveu todos os agentes da polícia, com exceção de Vernet, e utilizou diferentes meios, que só não terá sido detetada pelo perseguido, porque certamente o rapaz será tremendamente distraído. Ou então vinha tão enlevado e absorvido pelos beijos roubados, no linguado que conseguiu surripiar naqueles tempos de escassez alimentar, que lhe passou completamente despercebida tal ação persecutória!

 

E, por agora, de série, fico-me realmente por aqui, até que tenha oportunidade de visualizar outro episódio.

 

Quero também ver se trato mais dois temas sobre que se tem falado muito, um dos quais já aqui abordei a propósito do Mestre Almeida Garrett.

Até breve!

 

“Un Village Français” - Temporada 4 – Episódio 4

“Uma Aldeia Francesa”

 

“Une Évasion” / “Uma Evasão” - 23 de Julho de 1942

(Episódio nº 28 – 6ª feira – 6 de Maio de 2016)

 

Desde que se iniciou, na passada 3ª feira, a transmissão desta 4ª temporada, intitulada “A hora das escolhas”, foram apresentados quatro episódios, todos reportados a 1942 e ao mês de Julho:

1 – “Le train” – “O comboio” - Dia 20.

2 – “Un jour sans pain” – “Um dia sem pão”, ou melhor, “Um dia sem comida” – Dia 21.

3 – “Mille et une nuits” – “Mil e uma noites”, parafraseando Xerazade: Dia 22

4 – “Une évasion” – “Uma evasão”- Dia 23.

 

crianças presas in. video streaming.orange.fr.jpg

 

Nesses escassos quatro dias do mês de Julho, em que decorre a ação, desde que o comboio chegou a Villeneuve, com famílias judaicas a caminho de serem deportadas para os supostos “campos de trabalho”, muitos acontecimentos ocorreram nessa prisão improvisada a que crianças, velhos e adultos, homens e mulheres, estiveram temporariamente sujeitos na cidade.

Situações dramáticas, como a da alimentação de tantas pessoas, num contexto de penúria geral na cidade sujeita a racionamento e senhas para compras de bens.

 

(Não posso deixar de me reportar para a realidade e lembrar que essa situação de carência de bens, com especial realce para os alimentares, porque mais imprescindíveis, foi geral em toda a Europa, mesmo nos países que não estavam diretamente envolvidos na guerra. Como, no caso, Portugal, onde o racionamento e o comprar com senhas também foi comum durante o mesmo período.

Todo o trabalho produtivo era canalizado para o designado “esforço de guerra”.

Pasme-se e medite-se sobre a insanidade humana: andar a produzir só para destruir! E além de matar, deixar milhões morrerem à fome. Porque a guerra afetou todos: agressores e agredidos e esta situação dual alterou-se completamente no decurso da mesma.)

 

Mas deixemo-nos de “devaneios”... e não nos desviemos da matriz essencial deste meu contar.

Uma das situações ocorridas, mais dramáticas e chocantes, foi a separação das crianças dos respetivos progenitores.

 

crianças  in. video streaming.orange.fr.jpg

 

Ontem, na parte final do episódio, era suposto que as crianças se juntariam novamente aos pais e mães... Ação resultante do esforço negocial do Presidente da Câmara e de Madame Morhange, a porta-voz do grupo de judeus.

Era suposto... E, inclusive, chegou mesmo a concretizar-se parcialmente. Que Madame Crémieux conseguiu juntar-se com a filha, Hélène, e, ao chegar, anunciou que o autocarro com as crianças já aí vinha.

E é de imaginar o alvoroço, especialmente daquelas mães ansiosas, esperando a chegada dos filhos, mais ainda quando se ouviam os motores de carros se aproximando...

 

E chegaram! Mas anunciando-se com alarido e choque, estacionaram carros de tropas alemãs, soldados e oficial, boches, melhor dizendo.

Chegaram gritando e ameaçando tudo e todos, que o oficial berrou, para melhor atemorizar, que todos iriam pagar, porque houvera uma evasão, de entre os prisioneiros.

E, perante a abordagem e aproximação do chefe dos “gendarmes” franceses, não esteve com meias medidas, e pespegou-lhe um valente chapadão, que o deixou estatelado no chão!

 

E esta chapada e o estatelanço do “gendarme” traduzem, metaforicamente, a situação da Nação francesa colaboracionista. Estatelada no pó, às ordens do exército alemão.

 

Mas, frise-se, que essa obsessão pela perseguição aos judeus e aos comunistas não era “idiossincrasia” apenas dos nazis alemães. Em França, como noutros países europeus, ela fazia parte da práxis dos regimes vigentes, pelo menos desde a década de trinta.

Na série, esse aspeto é bem presente, por ex. na atuação do chefe da polícia de Villeneuve, Jean Marchetti, cuja preocupação profissional é prender uns e outros.

E é isso que torna a fazer neste episódio: consegue prender Sarah Meyer, que se escondia em casa do presidente da Câmara, Daniel Larcher, com o seu consentimento e da ainda esposa, Hortense.

 

E nos quedamos por aqui.

Que sobre Hortense muito haveria que contar.

E o comboio que levará os prisioneiros ainda vai demorar...

 "Un village français"

“Un Village Français” - Temporada 4

Uma Aldeia Francesa

 

Início de  Temporada 4 – 3 de Maio de 2016

 

 

Iniciou-se, na passada 3ª feira, 3 de Maio, a 4ª Temporada da Série “Un Village Français”. Também de 12 episódios, reportados igualmente a um dia específico de 1942, desde Julho a Novembro, conforme link da wikipedia, apresentado anteriormente.

 

Episódio 1 – “Le train” / “O comboio” – 20 de Julho de 1942.

 

Deportação de Judeus In. programme.tv.jpg

 

Um comboio militar alemão aportou a VIlleneuve para deixar, temporariamente, cerca de uma centena de homens, mulheres e crianças, famílias completas, de judeus, em trânsito para um destino incerto, para os próprios, para os franceses residentes na cidade, para as próprias autoridades francesas colaboracionistas nessa ação. Para uns supostamente designados “campos de trabalho”!

 

No primeiro episódio, somos nós telespectadores, desde logo, também transportados para uma das situações mais trágicas, mais vis, mais absurdas, mais chocantes, mais humilhantes, mais degradantes, mais repugnantes, da 2ª grande guerra: a deportação de judeus, com todo o cortejo de horrores que lhe conhecemos. Sim. Que conhecemos e que, hoje, não podemos ignorar, ainda que passadas sete décadas.

 

Não é fácil abordar a temática desta temporada, como habitualmente tenho feito nas abordagens das outras séries, dado que os acontecimentos narrados têm uma base demasiado verdadeira e chocante, tanto mais porque, ao que observamos, passados setenta anos do final da guerra, a Humanidade não aprendeu, a respeitar-se. Nem a respeitar o Outro, enquanto Ser Humano!

 

Mais do que narrar sobre o enredo vou, antes, questionar:

 

- Como foi possível que tais acontecimentos tivessem ocorrido e durante tanto tempo, sob o olhar indiferente, complacente, colaborante, de tanta gente responsável?!

- Como foi possível que seres humanos tenham tratado outros seres humanos assim e daquele modo?!

 

- Mais... Como é possível, e agora no presente, que tais situações, ou semelhantes, ainda aconteçam e humanos continuem a cometer atrocidades iguais ou idênticas às perpetradas?!

 

- Que, ao longo destes setenta anos, a humanidade tenha continuado a exercitar todo um cortejo de horrores pelos mais diversos países, por esse mundo afora?

 

- E como é possível que os descendentes das vítimas, dos agredidos e sofredores nessa guerra atroz, sejam eles agora que agem como agressores, exercendo sevícias análogas às que sofreram os seus ascendentes?

 

- E como explicar que após setenta anos em que líderes tresloucados dirigiram os destinos de várias potências beligerantes nessa guerra, um deles, o detonador de todo aquele enredo catastrófico, eleito, ainda seja possível haver um candidato de igual cariz, a tentar ser eleito para a chefia do estado mais poderoso do planeta?

 

- Sim! Como é possível?!

 

Falta demasiado bom senso à Humanidade. Pelo menos a uma parte significativa dessa humanidade!

 

E fico-me por aqui, que o comboio chegou à cidade de Villeneuve, mas ainda não partiu.

 

Mas, e ainda sobre o enredo, não posso deixar de referir que assomam sinais de Esperança e Altruísmo nalgumas personagens, que, apesar de todas as atrocidades, nos fazem crer numa Redenção possível!

 

É de visualizar a Série e refletir sobre as ocorrências!

Les Personnages

 

Uma Aldeia Francesa - Temporada 3 - Episódio 11

“Un Village Français”

 

Uma Aldeia Francesa

Temporada 3

 

Episódio 11 – “Le traître” (31 Outubro 1941) / O traidor

(Episódio 23 – 29 de Abril de 2016 -6ª feira)

 

(Ponto Prévio: Após, no último post, ter abordado temáticas dimanadas de uma Aldeia, portuguesa, no post de hoje, volto a debruçar-me sobre assuntos respeitantes a outra Aldeia, mas esta francesa.)

 

A vivência diária em Villeneuve, resultante da ocupação alemã, degrada-se a olhos vistos.

A situação dos principais personagens é cada vez mais problemática.

 

Daniel e Heinrich. in. lexpress.fr. jpg

 

Daniel Larcher, médico e autarca, dedicado a pacientes e munícipes, pai adotivo e extremoso de Tequiero, tio amigo e pai substituto de Gustave, marido desfeiteado pela esposa, encontra-se preso e a ser torturado pelo polícia da Gestapo, Heinrich, facínora psicopata e, cumulativamente, amante da sua mulher, Hortense.

Esta, já menos tresloucada de paixão pelo boche, todavia ainda desceu ao mais baixo da condição humana, ou melhor, destituiu-se dessa condição. Remeteu-se à categoria de objeto a ser usado como moeda de troca de favores. Digamos que, apesar de tudo, por uma boa causa. Pois, após ter presenciado a tortura sobre o jovem militante comunista, e ter desviado o olhar, ainda assim denunciou o cunhado Marcel. Mas não podia ficar indiferente à prisão e tortura do próprio marido, sujeito às sevícias do seu amante torcionário, que o agrediu, prendeu e torturou para saber do paradeiro do irmão Marcel.

Hortense moveu influências junto de Marchetti...

Todavia nada disso a livrou de ela própria conhecer os horrores da tortura, que o seu amante boche, não é homem de se desviar dos fins pretendidos.

E o objetivo por que se moviam os ocupantes e os policiais colaboracionistas era “caçar os terroristas”, que é como quem diz, os comunistas, personificados no operário Marcel Larcher!

 

Daniel não cedeu por ele mesmo, mas ir-se-ia abaixo por ela, para não a presenciar agredida selvaticamente pelo torturador alemão.

Valeu-lhes a providencial (?) chegada do comandante alemão, Kollwitz, pelos vistos não adepto da tortura nem do próprio Heinrich Muller e menos ainda da prisão do Presidente da Câmara, de quem providenciou a libertação. E farto (?) dos métodos do polícia da Gestapo, veio desde logo provido de guia de marcha do mesmo para Minsk, na Bielo Rússia, onde os exércitos hitlerianos se esforçavam, selvática, mas ingloriamente, por alcançar Moscovo, antes da chegada do “General Inverno”!

E foi de ver, marido e mulher, presidente da câmara e primeira-dama, a regressarem a casa, feridos, deslavados, roupas desalinhadas, rostos combalidos, sob o olhar atónito e interrogador dos munícipes de Villeneuve.

Daniel ainda tratou da mulher, a quem já declarara, finalmente (!) que se iria divorciar, apesar das lamechices, manipulações e subtilezas de Hortense, das tentativas de branquear a situação e “dar-lhe mais uma oportunidade”!

A ver vamos o que acontecerá!

 

Entretanto o irmão Marcel acoitava-se nuns campos de floresta e penedias, para aonde terá ido, em tempos de criança e adolescente, brincar com o irmão, certamente aos polícias e ladrões, não direi aos cow-boys, que, na época em que foram adolescentes, ainda não faziam parte do imaginário europeu.

Aí também se reunia com os camaradas do partido, os “partisans”, que lhe iam dando conhecimento da situação na cidadezinha e planeando ações de guerrilha contra os boches.

E interessantes também estes encontros clandestinos, os posicionamentos hierárquicos de cada um, segundo a respetiva condição de classe, o relacionamento e o papel atribuído a operários e intelectuais e as funções e tarefas “central e democraticamente” destinadas, precisamente de acordo com esse estatuto diferenciado!

E Suzanne, na qualidade de mulher operária e inteligente, frisou bem esse aspeto, não sem que lhe fosse mostrada, na prática, a sua situação de subalterna face à estrutura hierárquica inter-regional. “Nós, os operários, cavamos! E onde vão os intelectuais?!”

E mal sabia ela já ter o destino traçado.

Porque se Yvon foi denunciado e o próprio Marcel também, pois quem poderia ter sido o delator?

Edmond houvera pesquisado, investigado e descoberto que o traidor, melhor, a traidora, era Suzanne.

E como se paga a traição? Pois, só com a morte!

E, para esse fim, entregaram a Marcel uma pistola com três balas, para que ele resolvesse o problema, isto é, mandasse Suzanne para os anjinhos. Que ele é que a trouxera para a rede...

 

Marcel e Suzanne in. tv.skyrock.com

 

E que acha, caro leitor, cara leitora?!

Irá Marcel enviar Suzanne para a “outra camarada”?!

Aguardemos o próximo episódio do seriado.

 

E não falamos de Raymond e de Marie? E de Jeannine?

Nem de Henri Kervern e Judith?

Nem de Servier, o sub-prefeito?

 

Falamos de Sarah que, na qualidade de judia, será enviada para um dos campos especialmente destinados para esse fim, de acolhimento de judeus, em Pithiviers. Uma antecâmara para locais ainda mais sinistros!

Recebeu ordem de prisão direta do sub-prefeito, que se antecipou aos alemães, no sentido de a poupar a piores condições.

Prisão a que assistiu Gustave, sobrinho do prefeito e filho de Marcel, criança muito desperta para todas estas realidades, sobre as quais interrogou o tio que, naturalmente, teve dificuldade em explicar-lhe os motivos absurdos de tal detenção arbitrária.

 

E, nesta série, é muito interessante a perspetiva das crianças sobre os enredos da guerra, os excertos em que as crianças, e muito especificamente Gustave, são as protagonistas.

 

E que sentido fará a guerra aos olhos de qualquer criança?

E só das crianças?

Qual o sentido lógico de encetar todo um processo produtivo de armas e munições, gastando energia, matérias-primas, consumindo mão-de-obra, investindo capital, para ser tudo destruído, simultaneamente que se destroem outros bens, serviços, estruturas e infraestruturas, para além de matar milhões de pessoas, animais e os mais diversos seres vivos, nomeadamente plantas e alimentos?!

Este é um aspeto que ainda nos merecerá subsequentes abordagens.

 

E, já após ter escrito este texto, na sequência do anterior, publicado em 30 de Abril, e evocativo do “Dia da Mãe”, ocorreu-me uma abordagem da temática da série na perspetiva das mães que agem no enredo.

 Ou dos filhos, as crianças que se desenvencilham no seriado e sobre as quais os episódios sempre se debruçam, nalguns casos como assunto primordial.

“Uma Aldeia Francesa” – Episódios

Nova Série Europeia na RTP2

Un Village Français

Temporada 3

 

EPISÓDIOS

 

Nesta série, apesar de a considerar muito interessante, não tive oportunidade de visualizar a maioria dos episódios. Por isso, não comecei a escrever sobre ela, pois não tinha uma perceção adequada da mesma, nem sequer dos personagens. Fiz alguma pesquisa para ir percebendo melhor o enredo. Deixo um novo link, informativo das várias temporadas, para quem tiver oportunidade e curiosidade de aprofundar o respetivo conhecimento. No qual me baseei para redigir os excertos subsequentes.

 

No post atual irei deixar a estruturação das primeiras três temporadas e a designação dos vários episódios, traduzindo os títulos, desconhecendo se foi essa a tradução apresentada pela RTP2, nem garantindo que esteja sempre bem feita.

 

Na estruturação da narrativa, para além do jogo de personagens, centrado nos grupos sócio familiares que apresentei, cada temporada refere-se a um determinado tempo da ocupação alemã, a partir da data de chegada dos invasores, em 12 de Junho de 1940.

Cada episódio narra os acontecimentos reportados a um dia específico.

 

Alguns dias, para além do contexto resultante da situação de país invadido e ocupado, são também dias especiais para a França.

É o caso do dia 11 de Novembro, relatado no episódio 6, da 1ª temporada, que visualizei e sobre o qual escrevi.

Não sei se há mais, pois não conheço suficientemente a História de França.

 

Esta série será especialmente significativa para os franceses, principalmente para os mais velhos que terão vivido ou vivenciado aqueles tempos conturbados.

Que as gerações mais novas estarão longe dessas ocorrências, não só pela idade, mas também porque a população e a composição sócio cultural de França alterou-se imenso a partir da década de 60, do século XX, com a imigração maciça de outros povos, de diferentes países: europeus, africanos, do médio oriente...

 

Segue-se então a designação correspondente, de cada episódio das primeiras três temporadas, sendo que decorre atualmente a terceira. Ontem, 20 de Abril, ocorreu o quinto episódio: “A escolha das armas”.

 

1ª Temporada

1940: “Viver é escolher.”

 

Episódio 1 – O Desembarque – 12 de Junho de 1940

Episódio 2 – Caos – 24 de Junho de 1940

Episódio 3 – Atravessar a Linha - 30 de Setembro de 1940

Episódio 4 – Assim na Terra como no Céu – 15 de Outubro de 1940

Episódio 5 - Mercados Negros – 7 de Novembro de 1940

Episódio 6 – Rajada de Frio – 11 de Novembro de 1940.

 Saison 1 d'Un village français.

2ª Temporada

saison 2.jpg

 

1941: “Viver as suas escolhas.”

 

Episódio 1 – A Lotaria – 10 de Janeiro de 1941

Episódio 2 – O Aliciamento – 5 de Fevereiro de 1941

Episódio 3 – Aula Prática – 12 de Fevereiro de 1941

Episódio 4 - O teu Nome assemelha-se um pouco a Judeu – 4 de Março de 1941

Episódio 5 – Perigo de Morte – 10 de Março de 1941.

Episódio 6 – Golpe de Misericórdia – 11 de Março de 1941.

Saison 2 d'Un village français.

 

3ª Temporada

1941: “Viver as suas escolhas.”

 

Saison 3. copyright Charlotte Schousboe jpg

 

Esta 3ª temporada retrata as ocorrências em Villeneuve durante o Outono de 1941.

 

O quotidiano dos habitantes degrada-se.

A ocupação e as consequências da guerra acentuam-se.

Os racionamentos, a penúria e falta de víveres essenciais, o mercado negro, as requisições forçadas, os toques a recolher e o recolher obrigatório, as arianizações, fazem sentir-se pesadamente nas populações.

Sofre-se no corpo, os espíritos exaltam-se, táticas delineam-se... estruturam-se estratégias.

 

Mas cada um vive as suas próprias escolhas, que nem sempre são tão fáceis quanto aparentam. São sempre condicionadas pelas circunstâncias, mesmo para os mais corajosos, como se viu no episódio cinco: “A escolha das armas”.

Há os que colaboram com os alemães, os que celebram o marechal (Pétain), mas também os que radicalizam a luta, arriscando as suas próprias vidas e a de familiares. Os comunistas agem e preparam ações contra os invasores, sendo por isso procurados, perseguidos, presos e torturados.

 

O Amor circula sempre no ar, ou não tivesse esta série também o seu lado romanesco bastante acentuado, para captar igualmente os espetadores. E que é das séries sem relações/ralações amorosas?!

Há quem se ligue de amores, mais ou menos idealistas, mais ou menos sinceros, mesmo com o inimigo.

As ligações entre os diversos personagens intensificam-se, tornam-se mais complexas e intrincadas.

 

 Saison 3 d'Un village français.

 

Episódios

- Le temps des secrets (28 Setembro 1941) / O tempo dos segredos

2 - Notre père (17 Outubro 1941) / O nosso Pai

3 - La planque (19 Outubro 1941) / O esconderijo

4 - Si j'étais libre (20 Outubro 1941) / Se eu fosse livre

 

5 - Le choix des armes (23 Outubro 1941) / A escolha das armas

– Daniel, enquanto presidente da Câmara, procurou saber, com a ajuda providencial de Sarah, a origem da falta de abastecimento de víveres essenciais a Villeneuve... Paralelamente, os laços amorosos de sua mulher, Hortense e da professora, Lucienne, com alemães, são do conhecimento público... Simultaneamente Marcel “invade” o bordel e tira a arma a um oficial alemão...

 

 6 - La java bleue (25  Outubro 1941). / (A Java Azul) (É o nome de uma canção em voga.)

A rede da Resistência, encabeçada pelo Partido Comunista, continua os preparativos para um atentado contra um oficial alemão, planeando assassinar o comandante, quando ele visitar R. Schwartz.

Daniel tem conhecimento disso e tenta dissuadir o irmão, Marcel, de participar nessa ação.

Kurt é enviado para a frente russa, que estava no auge do ataque nazi, porque o seu relacionamento com Lucienne foi denunciado por uma carta anónima.

Hortense abandonou Daniel e vive no hotel.

O corpo de Caberni, que foi assassinado por Raymond Schwartz, é encontrado.

 

 - Une chance sur deux (26 Outubro 1941) / Uma oportunidade para dois / Uma oportunidade em duas?

 

Agora, que Kurt foi enviado para a frente russa, Lucienne está só e grávida. Aceita casar-se com Jules Bériot, colega e diretor da Escola.

O Presidente da Câmara, Daniel Larcher, quer ficar de refém, em vez dos seus munícipes.

Yvon e Marcel encontram-se numa farmácia e atiram sobre dois oficiais alemães, antes de escaparem.

 

 8 - Le choix (27 de Outubro de 1941) / A escolha

 

Um dos oficiais alemães foi morto em Villeneuve, certamente no atentado realizado por Marcel e Yvon.

Se os “terroristas”, era assim que os “Resistentes” eram considerados pelos alemães e governantes de Vichy, não se denunciassem, vinte reféns seriam fuzilados.

O sub-prefeito propõe estabelecer ele mesmo a lista, caso o comandante alemão consinta em diminui-la para dez nomes. (!!!!!)

Crémieux pede novamente a Marie e Raymond para trazerem uma encomenda do outro lado da linha de demarcação.

Jean Marchetti, recentemente promovido, volta a Villeneuve, encarregue de encontrar os autores do atentado.

 

 9 - Quel est votre nom ? (28 Outubro 1941) / Como se chama? / Qual é o nome?

O farmacêutico identifica Yvon como a atirador do atentado.

Marchetti desejaria que ele os levasse a Marcel... Mas o sub-prefeito insiste para que ele seja preso...

Heinrich informa...

Yvon foi preso, mas morre antes de dizer o que quer que fosse, a não ser o seu nome.

Gustave está convencido que o seu pai está na Suíça e decide dirigir-se para lá, para o encontrar. Tira dinheiro ao tio Daniel e apanha o autocarro, acompanhado de Helena, a filha de Crémieux. Cai numa ribeira.

 

 10 - Par amour (29  Outubro 1941) / Por amor.

Heinrich informa Hortense que ele será transferido para a frente russa, a partir do dia seguinte, se não encontrar Marcel.

Gustave apanhou uma pneumonia, na sequência da fuga e descansa na casa do tio Daniel, que cuida dele.

O seu pai, Marcel, prometeu passar para vê-lo e conta isso a Hortense, sua cunhada, que o denuncia a Heinrich, seu amante.

Enquanto Jules Bériot organiza a festa dos seus esponsais com Lucienne, Kurt volta a Villeneuve por escassas horas e considera desertar para se refugiar na Suíça com Lucienne e aí cuidarem do filho de ambos. Mas, após ter revisto Kurt, ela volta para festejar os seus desposórios com Jules Bériot.

Marcel escapa a Heinrich, que prende o seu irmão Daniel, após tê-lo espancado a pontapés, na barriga.

 

 11 - Le traître (31 Outubro 1941) / O Traidor

Hortense lamenta ter denunciado Marcel a Heinrich, ao ver que Daniel foi preso e está ferido. Vai pedir ajuda a Marchetti para o libertar. É torturada pelo seu amante para fazer falar o seu marido a respeito de Marcel.

Raymond oferece uma quinta a Marie e aos filhos, que deixam a casa de De Kervern e Judith.

Sarah é presa e enviada para um campo para judeus, em Pithiviers.

De Kervern aceita a proposta do sobrinho do sub-prefeito: dinheiro em troca do nome do assassino de Caberni.

O Partido Comunista procura o traidor que terá denunciado Yvon.

Heinrich é transferido para Minsk, na frente russa.

 

 12 - Règlements de comptes (1er Novembro  1941) / Liquidação de contas / Ajuste de contas.

O Partido Comunista encarrega Marcel de eliminar Suzanne, que eles pensam ter sido a traidora que denunciou Yvon. Depois mandam-no esconder-se em Paris.

(Que acha?! Irá ele eliminar a sua amada ou recambiam-se os dois para Paris, a ver a Torre Eiffel?!)

Daniel tenta libertar Sarah.

Crémieux pede ajuda a Bériot para imprimir panfletos para a Resistência. Lucienne é contra, porque eles prestaram juramento ao Marechal. (Pétain, já se vê!)

(Seria caso para fazer algumas perguntas à menina, mas ficamos por aqui!)

Raymond considera deixar a mulher para se juntar com Marie.

De Kervern e Judith deixam Villeneuve, dirigindo-se para Paris, a fim de que ela seja operada.

Raymond informa a mulher que a deixa. É ferido com uma bala nas costas, pelo sobrinho do sub-prefeito.

Daniel pede, exige(?) à mulher, Hortense, para abandonar a casa de ambos. Ela faz uma tentativa de suicídio! (Sempre melodramática,  "a nossa Joséphine”, nesta série, Hortense!)

 

Notas Finais:

- Estes textos, que são uma tentativa de tradução dos que pesquisei no link que explicitei, mereceriam muito mais comentários, como habitualmente faço. Mas falta-me tempo, a narração já vai longa e os assuntos são sérios, apesar de ser apenas um seriado.                                                                                               (Veja também, SFF)

- Nem sempre é possível ser isento perante as situações e os personagens.

- Também, sem ver os episódios, por vezes é difícil saber o significado exato das palavras francesas que podem ter cambiantes diferentes consoante o contexto. (Foi o caso do nome do resistente preso, torturado e morto, que só entendi mais tarde, já na 4ª temporada e entretanto emendei.)

- A tradução é a possível. Caso encontre mais algum erro flagrante, informe-me, se faz favor.

- E, Obrigado!

 Temporada 4

 Início Temporada 5

Les Personnages

 

“Uma Aldeia Francesa” – Personagens

Nova Série Europeia na RTP2

 “Un Village Français

Temporada 3

1941

"Vivre ses Choix"

 

Un village français saison 3. In. commeaucinema.com. jpg

 

Estou a redigir este texto sinopse sobre as personagens da série, quando se está iniciando a 3ª temporada. Concretamente na 6ª feira passada, 15 de Abril, ocorreu o 14º episódio global da série, o 2º da Temporada 3.

As duas primeiras temporadas tiveram, cada uma, seis episódios. A 3ª temporada tem 12 episódios. E as duas subsequentes, 4ª e 5ª, também têm, cada uma, 12 episódios.

Hei-de apresentar sinopse.

Tenho visto apenas alguns episódios, esporadicamente e nalguns, apenas excertos. De modo que não conheço muito bem todo o enredo, nem sequer muito bem todos os personagens. Daí ter resolvido pesquisar e organizar um texto sobre as personagens principais, com base no que li e também no que tenho apreendido, a partir dos episódios que tive oportunidade de visualizar.

 

PERSONAGENS

elenco 3 in. npa2009.org.jpg

 

(Algumas que considero principais. E que têm aparecido até ao momento e baseando-me no que eu tenho observado. Ao longo do seriado ainda surgirão outros personagens, que não desenvolvo, deixando aqui o link para o original do texto.)

“Os Larcher”

 

- Daniel Larcher (Robin Renucci): médico e presidente da Câmara de Villeneuve. Marido de Hortense, pai adotivo de Tequiero, a cujo nascimento assistiu. Irmão de Marcel e, portanto, tio de Gustave.

- Hortense Larcher, (Audrey Fleurot, a “nossa célebre Joséphine de “Crime e Castigo”), enfermeira e esposa de Daniel e, correlativamente com os graus de parentesco respeitantes aos familiares do marido. Mulher sedutora, foi amante de Jean Marchetti e será também de Muller. No episódio 13, num célebre jantar, exibe todos os seus dotes de “femme fatale”, sobre o alemão, para ciúmes do marido.

- Sarah Meyer, (Laura Stainkrycer), judia, de origem checoslovaca. Inicialmente fora empregada dos Schwartz, atualmente, nesta 3ª temporada, dos Larcher. Será amante de Daniel Larcher, na 4ª temporada.

- Marcel Larcher, (Fabrizio Rongione), irmão de Daniel, pai de Gustave. É viúvo de Micheline, que morreu na 1ª temporada. É empregado na serração, é ativista contra a ocupação alemã e, já antes da guerra, nos finais da década de trinta, era perseguido pelas suas ideias e atividades políticas. É amante de Suzanne, militante local do Partido Comunista clandestino. (Não cheguei ainda a perceber muito bem se ele é também militante ou apenas ativista, dado ter visto poucos episódios.)

Gustave Larcher, (Maxim Driesen), filho de Marcel e Micheline. E, logicamente, sobrinho de Daniel e Hortense. (Tem um papel interessantíssimo no desenrolar do enredo, pelas particularidades dos seus ascendentes e de como se entrosam as respetivas vivências. E como ele se desenvolve, naquele contexto da ocupação alemã, face aos vários contratempos que vão surgindo. Logo desde o 1º episódio em que ele desaparece, na sequência do bombardeamento do caça alemão ao piquenique das crianças da escola.)

(Neste enquadramento familiar também se inclui Tequiero Larcher, que nasceu no 1º episódio, e cujo nome me suscitou a referência a Marcel Pagnol, aspeto que terei que esclarecer melhor.)

 

“Os Schwartz”

 

Raymond Schwartz, (Thierry Godard, o nosso célebre “Gilou” da série “Um Crime, Um Castigo / “Les Engrenages”). É o patrão da serração. Colabora com os ocupantes alemães de quem é fornecedor. É casado com Jeannine, a verdadeira patroa, cujo pai é o capitalista da firma. É amante de Marie Germain, empregada na fábrica, e agente da rede anti alemã.

Pai de Marceau.

(A sua situação familiar, bem como a sua relação face aos ocupantes, irá mudar ao longo das várias temporadas. Mas aguardemos, que ainda agora começou a terceira.)

Jeannine Schwartz, (Emmanuelle Bach, a jornalista intrépida da série “Les Hommes de L’Ombre”). Esposa de Raymond e mãe de Marceau. Mulher atraiçoada, ama loucamente o marido, de quem tem, fundamentadamente, ciúmes exacerbados.

A sua situação também irá mudar no desenrolar da série.

Marceau Schwartz, (Max Renaudin), filho de Raymond e Jeannine. É amigo de Gustave Larcher, de quem é colega de escola. (Ao longo do seriado, têm oportunidade de apresentar a sua versão pessoal de crianças sobre o mundo dos adultos e a situação da ocupação alemã.)

(Neste campo familiar ainda irão surgir outros personagens.)

Joséphine Schwartz, (Natalie Bienaimé), empregada dos Schwartz, na 3ª e 4ª temporada; esposa de Raymond na 5ª temporada.

 

“Os Germain”

 

Lorrain Germain, (Dan Herzberg), caseiro dos Schwartz, marido de Marie Germain, pai de Raoul e Justin. Morreu na 2ª temporada, morto pela mulher. (Não vi este episódio.)

Marie Germain, (Nade Dieu), mulher de Lorrain e mãe de Raoul e Justin. Faz parte da Resistência Gaullista, juntamente com Albert Crémieux e Jules Bériot. Torna-se chefe dum movimento da Resistência. É amante de Raymond.

Desempenha um papel relevante no seriado não só no contexto político-social, como no campo romanesco.

Neste enquadramento familiar incluem-se os filhos do casal, Raoul e Justin, mas que ainda não me apercebi da sua participação nos episódios.

 

“Os Crémieux”

 

Albert Crémieux, (Laurent Bateau), industrial judeu, que nesta 3ª temporada está em negociações com Raymond Schwartz, para este lhe comprar a sua fábrica de betão, como forma de os alemães não se apropriarem da mesma.

Não tendo este dinheiro, nem sendo o do sogro suficiente para tal fim, Crémieux oferece-lhe emprestado, a juros convidativos e na condição de que ao terminarem as hostilidades e a serem abolidas as leis anti-semitas, metade da firma reverta para os Crémieux.

(Esta situação ocorreu no episódio treze, julgo que o negócio terá sido concretizado, talvez no episódio catorze, o último, que não vi.)

Após a transação, Albert envolve-se na Resistência, juntamente com Marie Germain, Jules Bériot e Vernet.

(Segundo li, será morto na temporada quatro, no decurso de uma ação movida pela polícia de Vichy contra a sua rede.)

Nesta família incluem-se ainda Anna, a esposa de Albert e a filha de ambos, Hélène, e igualmente judias. Terão sido ambas assassinadas em Drancy.

 

“No Comissariado”

 

Henri de Kerven, (Patrick Descamps), companheiro de Judith Morhange. Inicialmente era o Comissário Chefe da Polícia de Villeneuve, mas será substituído por Marchetti. Está envolvido na Resistência, deixa Villeneuve, na temporada quatro e será prefeito de De Gaulle, em 1944, temporada seis. Tem um papel fundamental na guerrilha anti alemã e anti colaboracionista, pela posição e função nefrálgica que ocupa e desempenha na vila.

(Será ferido pelos milicianos e salvo por Daniel com a ajuda de Kurt.)

Jean Marchetti, (Nicolas Gob), agente dos Serviços de Informações Gerais, uma espécie de “Polícia Política”. Esteve encarregue da perseguição aos comunistas, desde a primeira temporada, ainda antes do começo da guerra. Inicialmente comissário de polícia de Villeneuve tornar-se-á chefe. É colaboracionista.

Amante de Hortense Larcher, mais tarde de Rita Witte, uma judia, que ele esconde. Terão um filho: David.

(Como já referi, nesta série, o Amor não conhece barreiras!)

No final da sexta temporada, será preso pela Polícia Francesa e transferido para Dijon, para aí ser julgado.

No Comissariado ainda há mais um agente também pertencente à Resistência, Vernet, que será assassinado pelos milicianos, juntamente com a mulher e os dois filhos.

 

“Na Escola”

 

Lucienne Borderie, (Marie Kremer), jovem professora primária, ingénua e apaixonada, protagonista e despertadora de amores e paixões, desde o primeiro episódio, em que o seu colega, e primeiro flirt, foi abatido pelo caça alemão , durante o piquenique dos alunos.

Ao longo dos poucos episódios que tenho visto, essa faceta amorosa está sempre presente, para além do lado carinhoso e maternal que transparece na sua relação com as crianças.

Violada pelo chefe da Gestapo, Henrich Muller, na sequência da sua luta pela libertação do colega e diretor da Escola, Jules Bériot, que fora preso por esconder uma velha arma de caça, no relógio de sala, existente na Escola.

Jules que tem uma verdadeira idolatria por ela, a ponto de a desposar, apesar de a saber grávida de uma outra sua paixão, Kurt, um soldado alemão, após este ter sido enviado para a frente leste da guerra.

Judith Morhange, (Nathalie Cerda), inicialmente diretora da Escola, perdeu o lugar, por ser judia. Companheira do comissário da Polícia, Henri de Kerven, será enviada para Drancy, mas escapa à deportação, graças à intervenção do sub-prefeito, Servier. Voltará a Villeneuve, morrendo na temporada quatro.

Jules Bériot, (François Loriquet), sucede a Judith na direção da Escola. Apaixonado por Lucienne, com ela casará, na temporada 4.

É franco-maçon, opõe-se ao regime de Vichy, tornando-se responsável pela Resistência em Villeneuve.

 

“Resistentes Comunistas e Gaulistas”

 

Marcel Suzanne In. culturclub.com

 

Destaca-se Suzanne Richard, (Constance Dollé), funcionária dos Correios, protagonista de vários enredos e ações anti alemãs e anti governamentais, enquanto militante na rede clandestina. É amante de Marcel Larcher, como ele próprio declarou, no célebre episódio dos panfletos “Boches, fora!

Deste enquadramento ainda se nomeiam: Edmond, Max, Natacha, Émilie, Madame Berthe, Yvon, Victor, Vincent, Claude, Anselme.

 

Outro contexto de personagens enquadra “Os Habitantes de Villeneuve”, em que se incluem Ezechiel, judeu, Eliane e Inès, secretária de Raymond, na serração.

 

As “Autoridades Francesas”, incluindo Servier, Philippe Chassagne, Morel e Dupas. Todos “pétainistas” e colaboracionistas.

 

“Autoridades Alemãs”

Helmut von Ritter, (Gotz Burger), Kreiskommandant de Villeneuve. Transferido para a frente de Leste, no final da 2ª temporada.

Heinrich Müller, (Richard Sammel), Chefe da Gestapo. Torna-se amante de Hortense no decurso desta 3ª temporada. Tem ainda muita história para contar, para além do que já protagonizou. 

Kollwitz, (Peter Bonke), Kreiskommandant de Villeneuve em substituição de Von Ritter.

Kurt, (Samuel Theis), soldado alemão, amante de Lucienne e pai biológico da sua filha. Será enviado para a frente russa, regressando posteriormente a Villeneuve. Safou-se de morrer na frente Leste...

Há ainda outros intervenientes: Ludwig, Schneider, Krüger.

 

 

As “Milícias Francesas”, um corpo para-militar armado, formadas por fascistas, incluem: André Janvier, Alain Blanchon, Alban, Xavier.

 

E ainda “As Autoridades Americanas”, capitaneadas por Bridgewater, (John-Christian Bateman), a quem Maria pede para se dirigirem para Villeneuve, para afastarem os alemães e impedirem uma repressão, como certamente eles teriam feito ao retirarem, face ao avanço dos Aliados.

Mas isso ocorrerá só lá para a sexta temporada e ainda a série vai na terceira!

 

Vamos acompanhando a Série, à medida que pudermos!

 

Et, au revoir!

Les Personnages

 

“Uma Aldeia Francesa” – Enquadramento espacial

Nova Série Europeia na RTP2

 “Un Village Français

Temporada 1

 

Volto novamente à temática da série “Un Village Français”.

Especialmente para leitores que gostam de perceber os contextos em que se desenrolam as temáticas das séries. Que embora sendo elas fictícias, mas baseadas em factos históricos, mais ou menos verosímeis, reportam-se a tempos e espaços próprios.

Neste caso especificamente para contextualizar o enquadramento espacial em que decorre a ação.

Fundamentalmente, o enredo desenrola-se em Villeneuve, subprefeitura francesa fictícia, do departamento do “Jura”, situado no “Franco Condado”.

Franche Comté in. www.interfrance.com

 No Centro Nordeste de França, junto da fronteira com a Suíça.

França e Franco Condado In. britanica.com

  

E próximo da zona de demarcação, definida pelo exército alemão, durante a ocupação de França, de 1940 a 1945.

Vichy France. In. wikipedia.GIF

 Les Personnages

“Uma Aldeia Francesa” – Nova Série Europeia na RTP2

“Un Village Français”

Temporada 1 – Episódio 1

(29 – 03 – 2016)

 

Estreou uma nova série na RTP 2.

Um série francesa, de 2009, com seis temporadas, e sete anos de atraso, centrando-se nos anos de ocupação alemã da França, a partir de 1940.

Promete!

 

Un village français in. coulisses - tv.fr. jpg

 

A ação decorre em Villeneuve, uma subprefeitura francesa, fictícia, do departamento do "Jura", no Franco Condado (La Franche Comté), perto de Besançon. Mui cerca da linha de demarcação imposta pelos invasores alemães, em 1940.

 

Linha de demarcação In.cinemaenlimousin.jpg

 

Os alemães já chegaram!”

Isto assim dito até parece que os franceses esperavam com ansiedade gente amiga e da mesma Família, para alguma “party”!

 

Promete, esta série, que nos traz alguns atores já nossos conhecidos de outros seriados, nomeadamente de “Les Engrenages / Um Crime, Um Castigo”. A célebre advogada “Joséphine”, a atriz Audrey Fleurot e o “capitão mosqueteiro, Gilou”, o ator Thierry Godard. Para além de pelo menos outra atriz, Emmanuelle Bach, que desempenhava o papel de jornalista numa série sobre os bastidores do poder político, “Les Hommes de l’ombre”.

 

Inicia-se com bons augúrios, pois traz-nos o nascimento de um menino. Por momentos ainda pensei que fosse da “nossa querida capitã, Laure Berthaud”, que, como nos lembraremos, ficara grávida no final da última temporada. Não tendo continuado o seriado, pelo que, quando e se alguma vez houver continuação, já a criança terá nascido.

 

O menino que nasceu nesta nova série é filho de uma espanhola, fugida da Espanha franquista(?), que após dar à luz, lhe disse: “Te quiero, Te quiero...” O médico francês, que lhe perguntara que nome queria dar ao bebé, ao ouvir essas palavras, julgou ser o nome a atribuir-lhe e o menino chamar-se-á Tequiero!

 

Lembra-me um célebre texto de Marcel Pagnol, apresentado no livro de Francês do antigo 3º ano (anos sessenta), atual 7ºano de escolaridade, que tanto me intrigava na altura e só bem mais tarde compreendi. Quando, no primeiro dia de aulas, o Professor lhe perguntava o nome, ele respondia “Je suis Pagnol”. Esta frase escrita percebe-se, mas quando dita oralmente pelo próprio, à data e certamente para quem ouvia, soaria “Je sui’spanhol”. E o mestre perceberia que Pagnol se dizia espanhol! E tudo isto dava uma grande confusão no texto, que eu só mais tarde entenderia, pela diferença entre texto escrito e oralidade. Mas, naqueles primeiros anos de Língua Francesa era difícil entender esses cambiantes.

(Estou a lembrar-me de factos de há algumas dezenas de anos e também de cor. Quando tiver acesso ao livro tentarei transcrever esse excerto!)

 

Mas não é disso que trata a Série.

 

Mas já sabemos como eu trato estas narrativas sempre de forma muito enviesada...

Vamos a ver se tenho oportunidade de visualizar o seriado e escrever alguns textos!

 

Deixo um link com os elementos sobre a Série, a partir da wikipédia, para quem quiser ter uma ideia mais aprofundada do respetivo conteúdo.

Personagens

Les Personnages

 

Também tentarei, ainda, colocar um post sobre a “Herança”, logo que tenha oportunidade.

 

Até Breve! 

 

Temporada 1 - Episódio 6

Temporada 3 - Episódio 11

Temporada 4

Temporada 4 - Episódios 7, 8 e 9

5ª Temporada

Temporada 5 - Episódio 9

 

Temporada-7-Tópicos

 

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