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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

“A Herança” – Série Dinamarquesa T 2 – Ep. 4 e 5 (14º e 15º Episódios)

“Arvingerne” / “The Legacy”

 

 (22 e 23/03/16 – 3ª e 4ª Feira)

 

Depois de dois dias sem publicar, fiz como que uma espécie de luto, volto à Série!

 

Signe in. independent.co.uk.jpg

 

Mas, já estou como Signe. Farto daquela Família!

Que viver naquela e com aquela família é um verdadeiro pesadelo!

Diz ela: “Vivo com uma família que estraga tudo e não quer saber de mim!”

Os que fazendo parte daquela família alargada, ali vivem naquela Casa, Solar Gronnegaard, vive cada um a seu jeito, não querendo saber nada de Signe. Basicamente todos se aproveitam dela, da Casa, cirandando por ali, nos seus interesses, sem cuidar dos dela.

Thomas, sempre numa boa, tudo bem, que a passa ajuda muito, teve o desplante de semear cannabis por entre o cânhamo industrial. A fiscalização que, nestes aspetos é rigorosa, mandou cortar tudo e queimar. Lá se foi a produção agrícola. E Signe, que projetara ser agricultora, vê os seus sonhos serem consumidos pelo fogo.

 

O namoro com Martin, com um papel também relevante no Clube de Andebol, em que John é treinador, também se foi abaixo com o estatelamento de Martin, socado pelo Mister, pai da moça.

 

Decididamente a rapariga vai ficar para Tia!

 

Animal mitochondrion diagram In. wikipedia.png

 

Mas ela tem sangue de Verónica e, certamente, as respetivas mitocôndrias.

 

Tenta vender a Casa, prioritariamente a Frederik, cada vez mais alienado, vivendo isolado na casa de campo, com vista para braço de mar ou lago, que não observo sinais de marés. Abandonado pela mulher e filho, que é impossível viver com ele, dedica-se à pesca e abate de árvores centenárias. Acompanha-o a filha Hannah, mas mesmo esta será expulsa pelo pai, cada vez mais em perigo, para si mesmo e para os que o rodeiam.

Frederik não quer comprar.

Gro também não, exalta-se também com Signe, mas acaba por lhe oferecer um empréstimo de 200 mil, para ela continuar com o negócio agrícola e os seus Sonhos!

Signe não aceita.

 

Todavia, face aos fracassos: na venda do solar, no pretendido abandono da família alargada, na impossibilidade de voltar, ainda que temporariamente, à família de adoção, e a uma noite mal dormida no carro, à beira do porto, Signe retorna à sua Casa. O Solar Gronnegaard, seu, por Direito Familiar!

 

Começa por convidar a sair, melhor, expulsa o bando de artistas que Thomas, em mais uma das suas ideias luminosas dos anos sessenta, para aí levara, para formarem uma casa ou família comunitária, que não me lembro bem do termo exato.

Depois decide reunir todos os familiares que ali vivem: Tomás, Emil, Leone, Gro e Isa, entretanto também retornada com Melody.

E decide aceitar o empréstimo de Gro, impondo condições. E define regras e normas de conduta aos irmãos e Thomas, que são os que mais coabitam os espaços e deles usufruem.

Restringe e confina cada um deles a espaços específicos na Casa, proíbe-os de circularem livremente pela sua própria parte da Casa, fechando inclusivamente uma das entradas ao 1º andar.

Impõe-lhes uma renda pela utilização dos locais que lhes destinou, pois, de facto, tudo é sua propriedade. Aos que terão mais dificuldades financeiras, define-lhes trabalho na Casa, que há muito que fazer.

Ou seja, assumiu as rédeas da sua própria propriedade, de que eles usufruíam a seu bel prazer, sem pensarem nela.

Assumiu o Poder. Da sua própria Vida e Destino.

Interiorizou o papel de Matriarca, da matriarca Veronika, que, neste aspeto de Educação, deixara os filhos cada um para seu lado. Custa-me dizer, mas a palavra exata será que ela falhou na educação dos filhos, mais dedicada ao seu lado artístico.

Signe tomou esse papel de Educadora.

Impôs limites, regras, normas. Definiu quem manda ali. Quem é quem!

E, pelo menos aparentemente, todos aceitaram.

Isa até a elogiou: “És fantástica!”

 

No final, Robert regressou novamente cheio de amor por Gro.

Seguindo o seu conselho, fora a Hamburgo visitar os filhos, falar com a mulher Cláudia, mas voltou. Decidido a comprar um apartamento em comum, com quartos para os filhos os visitarem.

Por enquanto, regressaram ainda ao apartamento de Gro, em Copenhague, desejosos de renovarem os votos de amor eterno.

 

Mas quem tinham à espera, no corredor do andar?

 

Hannah, sobrinha de Gro, filha de Solveig e Frederik, que fora expulsa por este e de que não sabiam o paradeiro.

Aflita com o comportamento do pai, recorre à única ajuda, que julga possível.

A tia Gro, de certo modo também a Matriarca daquela Família!

 

Nota final:

Hoje decidi ilustrar o post com uma imagem diferente.

E o que será?!

Poderá ser o protótipo de uma nova instalação de Veronika, ainda não “descoberta” por Gro; também poderá ser o esboço de um berço ou porta bebés para Melody, mas também não.

E o que é?

É o desenho de uma “mitocôndria”, de que sabemos Signe será portadora das de Veronika.

E, hoje, ficamos por aqui, aguardando o desenrolar de próximos episódios, que não me admira que Signe ainda agarre a veia artística da Mãe biológica!

 

“A Herança” – Série Dinamarquesa T 2 – Ep. 3 (13º Episódio)

“Arvingerne” / “The Legacy

the legacy in. theeurotvplace.com

 

 (21/03/16 – 2ª Feira)

 

O episódio de ontem foi dramático e assustador.

 

Porque as condições daqueles prisioneiros são inumanas, terríficas. E, neste ponto, julgo que os guionistas também pretendem acentuar uma questão de denúncia, de uma clara e aviltante violação dos Direitos Humanos.

 

Também foi aterrador aquele excerto em que Frederik se lançou à irmã e quase a estrangulou.

Já antes fora assustadora a sua atitude com o procurador e o advogado, quando naquela reunião, enquadrada numa receção aparentemente cheia de nove horas, mas apenas de pura hipocrisia e falsidade, Frederik se passara, perante a verdadeira chantagem, disfarçada de lábia cheia de finura, em que o procurador procurava extorquir, disfarçadamente, mais dinheiro. Realmente seria difícil manter a calma, para mais para Frederik sempre destrambelhado.

Já anteriormente manifestara esse destrambelho, na visita ao irmão. (E em que condições se processam aquelas visitas!)

E eu que supusera que a leitura daquelas trocas de mensagens ente Emil e Solveig não o haviam perturbado. Que nada! Resolvera ir à Tailândia precisamente para se vingar!

 

Mas sendo inteligente como é e também profundamente apegado aos irmãos, especialmente aquele irmão, Emil, a quem o Pai, Carl, recomendara que o protegesse, em sua substituição, antes de se suicidar.

Todas estas situações marcam tragicamente Frederik, o perturbam, tornando-o um perigo para si mesmo, mais ainda para os outros que o rodeiam, como se viu.

(Neste ator, igualmente para os outros, realce-se o extraordinário desempenho do personagem, pessoa em permanente tensão.

Transparece nele, personagem, um forte recalcamento de pulsões primitivas. Que o ator muito bem evidencia.)

Mas, arrependido, tenso e perturbado como sempre, resolveu ir procurar o Governador, certamente daquela Província, sabendo que ele desenvolvia uma luta contra a corrupção, nomeadamente no respeitante ao Procurador e à Polícia.

E, interrompendo uma sua visita a uma Escola, arriscando-se a ser também preso ou mesmo morto, arrojou-se aos seus pés, tal qual faziam os antigos suplicantes em tempos ancestrais na nossa cultura ocidental, antes da constituição dos Estados de Direito e da consagração dos Direitos Humanos. E lhe rogou insistente e emotivamente que se dignasse ler o relatório que apresentava sobre o “julgamento” e prisão do irmão Emil.

E o Procurador leu e levou consigo para ler com mais atenção.

E, ao outro dia, o advogado, surpreendidíssimo, os informou que o procurador alterara a decisão judicial e que Emil seria libertado no dia seguinte, que podiam ir buscá-lo.

 

E foi Gro. Frederik não se atreveu!

 

E, nos entretantos, como correram as situações no Reino da Dinamarca?!

 

Bem e mal!

 

Bem, porque Signe lá vai dando conta do recado de agricultora.

Também diria que ainda dá em artista, tem veia de Veronika. Observe-se aquela instalação dos espantalhos nos campos de cânhamo. Num determinado campo visual e num certo contexto, pode ser considerada uma verdadeira “instalação artística”! Tal Mãe, tal filha! (Filha fica com letra minúscula, porque, artisticamente, Signe ainda não se compara com Veronika!)

Cumulativamente, a avaliação da Obra que ela adquirira foi um verdadeiro sucesso.

Para mais estando ela própria lá representada.

Todos ficaram agradavelmente surpreendidos com o impacto forte da peça.

“Pode mesmo ser a Obra-Prima dela!” Afirmou Kim.

A avaliadora valorizou-a de pelo menos novecentas mil coroas!

“Fizeste um negócio da China!”, lhe disse a advogada, Leone.

Também de amores as coisas estão a encaminhar-se bem e poderiam ter ido melhor.

Não fora...

 

Então o que correu mal?!

Estava Signe numa boa com o pretendente, julgo que se chama Martin, mas não tenho a certeza, quando chegou um intruso, indesejado.

Henrik, pai de Isa, veio com a própria, buscar a neta Melody e, apesar dos esforços de Signe e de Thomas, entretanto chegado, aquele conseguiu levá-la, melhor, roubá-la, para ser educada em família “normal”!

 

E por aqui ficamos. Que sobre normalidade e patologia há milhares de páginas escritas.

 

(Para mais informações:Ep. 12)

“A Herança” – Série Dinamarquesa - Temporada 2 – Episódio 2 (12º Episódio)

“Arvingerne” / “The Legacy”

A Herança

(18/03/16 – 6ª Feira)

 

"Família Gronnengaard

Especial "Dia Do Pai!"

 

Antes de começar numa abordagem a algumas ideias fundamentais do episódio, quero informar do seguinte.

Na 6 ª feira, constatei na programação da RTP2, que, ao referirem-se ao episódio dessa noite o etiquetavam como Temporada 2, Episódio 2. Eu não me apercebi dessa mudança de temporada, embora tivesse havido referência àquele hiato de “Um ano depois...”.

Logo, na 5ª feira, o episódio que numerei como 11º, é o 1º da Temporada 2.

O de 6ª feira é o segundo da segunda temporada. Mas vou ainda numerá-lo também como décimo segundo.

 

família. in. series2see.com

 

E vou narrar os acontecimentos principais, relativamente ao meu ponto de vista, que, como já explicitei anteriormente, é um foco de análise sempre parcelar, parcial, por vezes enviesada, conscientemente incompleta... para além de outras limitações que, agora, não me ocorrerão. Subjetiva, também!

 

O título do seriado continua o supracitado, não me apercebi de qualquer mudança.

Todavia, estando a questão da herança sempre presente na narrativa, esse aspeto vai-se desvanecendo simultaneamente que avança o enredo.

Não fora o título “Família ...” ser um estereotipo no “batismo” de dezenas de séries e filmes, eu atrever-me-ia a designar, melhor, subintitular, esta série, pelo menos a partir desta 2ª temporada, como “A Família Gronnengaard”.

 

E, neste episódio, o conceito de Família esteve sempre bem presente.

Conceito de Família no contexto e modo de funcionamento das famílias atuais. O modelo de família nuclear, tradicional, tentam Frederik e Solveig estruturar e manter. Com dificuldades, muitas dificuldades na 1ª temporada, agravadas com aquela cena do irmão “entrar”, “biblicamente” falando, na cunhada. Mas o disfuncionamento já existia antes desse facto.

Nesta 2ª temporada parecem muito entrosados. Frederik aparenta muito melhor aspeto, está muito mais descontraído, mais calmo, mais solto. Mais à vontade com todos, nomeadamente com os filhos. Moram numa casa de campo, mas também perto do mar ou de um braço de rio, ou canal. Lembremo-nos que a Dinamarca é formada por várias ilhas relativamente próximas.

Essa vivência no campo, longe do bulício da cidade, estar-lhe-á a fazer bem. Não sabemos se continuou ou não a fazer terapia, mas melhor, está, é evidente.

 

Mas ele, como todos os outros, se integra ou vive na órbita da “Família Gronnengaard”.

Um conceito de família alargada, disfuncional é certo, já no tempo de Veronika.

Neste início de temporada foi essa família alargada contemplada com mais um rebento, Melody.

Filha de mãe ausente, e doente mentalmente, Isa; de um pai babado, Thomas, extremoso, mas muito ocupado ultimamente, e com outra namorada, Leone, também integrante dessa grande família. Com duas mães substitutas, Gro, a “Grande-Mãe” e Signe, a madrinha, agora mãe de filha de outra mãe, ela que não quis assumir uma maternidade biológica com o namorado Andreas. (Sabemos, agora, que ele, Andreas, tão obcecado andava por ser Pai, hoje é 19 de Março, que até já se adiantou com a fisioterapeuta do clube, Mette, para esse papel. Não festeja é ainda neste ano, ela só está de meses...)

E a criança, Melody, anda sempre nesta roda-viva, de uns para outros, que é tudo gente muito ocupada. Signe, mesmo assim, paradoxalmente e, por ironia do destino, é a mais presente.

Emil, ausente fisicamente, porque preso nos calabouços tenebrosos da Tailândia, (reparei melhor, neste episódio, que os presos estão acorrentados nas pernas), como disse, Emil, embora ausente, está bem presente nas preocupações dos irmãos, muito acentuadamente em Gro, naquele seu instinto maternal.

Soube, agora, nós já soubéramos anteriormente, que o irmão foi acusado de traficante e que o castigo, que pensavam ser apenas uma multa, seria de prisão de vários anos.

Ela desdobra-se toda para conseguir a libertação do irmão, abandona uma reunião importante que coordenava, delega noutra pessoa essa função; vai falar com a advogada que contratara e, face ao não resultado obtido, despede-a; chateia o irmão Frederik para este lhe arranjar outro advogado melhor; este consegue um amigo, que, por favor, acede a analisar a situação, mas este lhe dá a mesma opinião da advogada recentemente despedida.

Finalmente e, após muita insistência e rogos, consegue que Frederik aceda a analisar o processo. Afinal ele é advogado de gabarito, apesar de ter jurado não querer nada com o irmão “traidor”, que lhe “comera” a mulher! (Comer é forma de falar que, a moça está bem vivinha da silva e Emil não é antropófago!)

Mas após analisar e verificar que no relatório policial constava a acusação de que Emil tinha oitenta charros, (oitenta!), ele pediu à irmã para saber que roupa ele trazia no dia em que fora preso.

E ela continuou no seu propósito, e conseguiu telefonar ao irmão e saber a password do seu e-mail e a hipótese de, no facebook do amigo Neil, haver alguma foto dele desse fatídico dia.

E, na posse desses dados, juntamente com Frederik, analisaram as fotos e a roupa e os bolsos da dita. E o irmão face ao tamanho de cada bolso e dos charros, que ele também conhecia, que Thomas os industriava nesses meandros, deduziu que era impossível Emil trazer na sua posse oitenta charros, mesmo que tivesse os bolsos todos completamente cheios. E esse seria o argumento a utilizar para rebater na polícia. E deu este trunfo à irmã, que partiria brevemente para a Tailândia, para aí analisar a situação com os advogados.

Mais tarde, já noite, e na posse da palavra passe, entrou, não biblicamente falando, no facebook do irmão e leu a respetiva correspondência, e aí achou a conversa entre ele e a sua mulher, agradecendo-lhe o que ela por ele fizera, pois, como sabemos, Solveig é que deu o dinheiro a Emil para ele viajar novamente para a Tailândia, para vender o empreendimento turístico.

Fiquei expectante sobre qual seria a respetiva reação, temi que estrambelhasse novamente, que voltasse àquele estado neurótico em que andara, mas não, manteve uma postura muito calma e tomou uma decisão muito racional, vindo ao de cima aquela função paternal que sempre tivera com o irmão mais novo e que o Pai, Carl, lhe recomendara.

Acordou a mulher, Solveig, por momentos pensei que faria algum disparate, despediu-se, deu recomendações aos filhos e informou que ia ter com Gro, que acompanharia à Tailândia.

E foi vê-los a encontrarem-se, e abraçarem-se, já no aeroporto, puxando as bagagens a caminho do avião. Para a Tailândia, mas não para Phuket! (E assim terminou este episódio. Veremos os resultados que obterão. Mas foi uma decisão sábia. E, mais uma vez, o conceito de Família a funcionar!)

E, lembrar, mais uma vez que todos os dias são “Dias de Pai”, mas, hoje, convencionou-se dedicar-lhes muito especialmente este Dia!

 

E, ficamos por aqui de enredo da série?!

 

Até poderíamos ficar e teríamos ficado com “chave de ouro”, lembrando este Dia!

Mas não!

 

Ainda referimos que Signe anda numa azáfama com a sua cultura do cânhamo, que precisa de ser regada, será verão, e teve que improvisar um aspersor com a ajuda de “Pai Tomás”, que faz papel de ambos os progenitores com a filha Melody.

Que a cultura, além da rega, ainda precisa de ser financiada e que o banco não lhe concedeu esse empréstimo, porque na Dinamarca ainda não perceberam as potencialidades do cânhamo como cultura industrial, sustentável e não poluente.

Que terá perdido Andreas, apesar de se amarem, mas ele com a pressa de ser Pai, que se aproximava Março, terá esquecido Signe, que não o esqueceu. Quem não a teria esquecido, palavras do próprio, teria sido um dos adjuntos do Pai de Signe, John, que continua arrastando a asa à jovem, que, por enquanto, parece não corresponder. Mas nunca se sabe, isto de enredo novelístico tem que conter romance, e o rapaz mostra-se persistente. “Ficas extremamente sensual, quando falas do cânhamo”, piropo que lhe ofertou o moço. (Piropo não é legalmente condenável naquele Reino, Estado muito liberal! E o cânhamo, quando usado com outros fins não industriais, também tem o efeito de soltar as pessoas e os afetos, que o diga Tomás, sempre a enroscar-se com Leone, que até Signe os encontrou naquele preparo!)

 

Ainda de Pai falamos, que nem a propósito. Quem chegou à trama da novela foi o pai de Isa, Henrik.

Signe, mais uma vez ela, telefonara-lhe, a saber de Isa, e ele foi ao Solar, no intuito de ajudar na criação da neta. Mas perante aquele panorama, ver Tomás a fumar um charro na presença de Melody, passou-se. Queria levar-lhe a criança e foi uma cena caricata ver Tomás a fugir com a menina na sacola, vestido com uma espécie de saia, também faz papel de mãe, e o avô da bebé, a correr atrás dele.

Explicaria que não podia ver tal coisa. Um Pai a tomar uma passa, que fora a partir do vício de fumar erva, que a filha se perdera e ele a perdera, que ela sofria de uma psicose induzida por cannabis!

Fosse qual a sua razão para o seu comportamento, foi corrido do Solar, por Gro, entretanto chegada, e ameaçado de polícia, caso ali torne.

 

E ainda de Família e de Afetos: maternais, filiais, fraternais, paternais, falamos; quando lembramos a partida de Gro e de Frederik para a Tailândia.

Para libertarem o irmão Emil.

 

E, Emil, naquela prisão atroz, mesmo sofrendo, ao ver outro preso em pior estado que o seu, com ele partilha a manta que da Embaixada lhe enviaram e lhe dá, um a um, dia a dia, os comprimidos de penicilina, também daí mandados.

Faz papel de irmão, também de pai, também de mãe, de amigo, de samaritano.

E lembra e conta ao prisioneiro a sua história e de como o irmão mais velho, Frederik, também dele cuidou, fazendo também de PAI, que praticamente Emil não conheceu!

 

 

 

 

 

“A Herança” – Série Dinamarquesa - 11º Episódio - T 2 - Ep. 1

“Arvingerne” / “The Legacy”

 

A Herança

(17/03/16 – 5ª Feira)

(Temporada 2 - Episódio 1)

 

Neste décimo primeiro episódio pudemos observar o que aconteceu a Emil, na Tailândia. Quando tudo parecia indicar ser breve a sua libertação das amarras daqueles poderes discricionários e corruptos, metem-no outra vez na choça. Não sem antes o terem desancado. Com tanta porrada, malhado que nem maçarocas, quando o milho era descarolado com moeiras, nas eiras ensolaradas dos nossos campos. Arrastado pelo chão, como se fora saco de lixo, e atirado para um tugúrio nojento, desprovido de qualquer iluminação e provavelmente arejamento. Numa solitária, um verdadeiro horror! Uma desqualificação de qualquer atitude minimamente humana.

Penso que os realizadores da série pretenderam também apresentar uma denúncia político – social, mostrar como são as condições de vida em países como a Tailândia, tão idealizados em termos turísticos, mas com sistemas organizativos que não respeitam minimamente os mais elementares Direitos Humanos. Talvez, também, para as questões das drogas que, nalguns destes países, são completamente proibidas, com leis férreas nestes aspetos. Não só no referente ao comércio, como no respeitante ao próprio consumo.

E, em contraponto, de algum modo, comparar com a situação, por ex. no país de origem de Emil, a Dinamarca, em que estas realidades são completamente diferentes.

Talvez também alertar, para que ao viajar-se para esses países “exóticos” ter em atenção essas “particularidades” comportamentais e legais.

Mas sobre tudo isto, opino eu.

 

Paralelamente, no Reino da Dinamarca decorria outra realidade, completamente diversa.

 

Convém referir previamente que, na série, como aliás é hábito neste modo de narrar televisivo, há sempre um pequeno introito, resumindo algo de temas anteriores e fazendo alguma ligação com a temática do episódio a ser apresentado.

 

Também neste décimo primeiro episódio, previamente nos informaram que o tempo narrativo se situava um ano após o que fora apresentado anteriormente. “Um ano depois...”

Situemo-nos, pois, no tempo.

Verónica redigiu a célebre carta na véspera de Natal de 2013, morrendo no próprio Dia festivo, no 1º Episódio!

Todo o enredo que se foi desenrolando nos nove episódios seguintes terá demorado alguns meses. Assistimos aos campos nevados, Inverno; mais tarde, já na posse do Solar, Signe projetava as futuras sementeiras a ocorrerem na futura Primavera. Quando ela fazia esses projetos, pela aparência dos campos, seria Verão. Tudo isto em 2014.

Também foi nessa época que chegou ao Solar a tal Isa, toda rosada, que viera da Índia e se embrenhara na música com Tomás. Veremos que não se ficaram apenas pela música...

Neste 11º episódio, Signe, juntamente com Isa, foram assistir, ajudar nas sementeiras do célebre cânhamo para fins industriais.

Participar não, Signe bem queria pegar no trator, mas o técnico responsável não autorizou.

Situando-nos então no tempo... Seria Primavera. De 2015.

 

Melody  in. politiken.dk.jpg

 

Também no início deste episódio vimos uma criança, de alguns meses, ao colo de Gro, toda enlevada. Também Signe cirandava à sua volta e lhe pegava.

Inicialmente pensei, será que Signe se esqueceu de tomar a pílula quando andava com Andreas e veio o rebento tão desejado por este? Ou será de Gro e Robert?!

Pois, nada disso.

 

A criança resultara das sessões extra musicais de Tomás e Isa. Mas não podia fugir à Música e chamava-se Melody. Bonito e sugestivo nome.

Iria ser batizada nesse dia.

(Quanto ao tempo narrativo e considerando que a gestação são nove meses e que a criança já teria alguns, pelo menos aparentava, então as contas não batem muito certas. Não sei. Posso estar enganado ao afirmar que seria verão quando Isa voltou da Índia, talvez fosse ainda primavera. Melhor, seria início do Verão: Junho. E assim as contas já batem certo.)

 

Bem, localizemo-nos no espaço. Situamo-nos no Solar, onde havia uma grande azáfama, pois haveria o batizado de Melody.

Tomás andava enlevadíssimo, não só com a filha, como com a festa que preparara. Um verdadeiro “happening”, um acontecimento, à moda dos anos sessenta.

Estava o elenco todo convidado e todos compareceriam. Aliás uma grande troupe de amigos do pai Tomás, músicos, “performers”, já lá estava. Cirandavam por todo o lado. Tresandaria a erva!

Quem não aparentava nenhum entusiasmo, era a mãe da criança, Isa. Nem pela bebé, muito menos pela festa ou sequer pelo batizado. Completamente alheada. Revelando vários sinais de perturbação. Só se sentia bem com Signe.

 

Signe, agora dona do Solar e dos campos, de algum modo herdara o modo de estar da mãe biológica: Veronika. Era a anfitriã daquela gente toda. Deixava correr... Provavelmente todos eles se sentiriam muito mais à vontade, em todos aqueles espaços, que já teriam frequentado durante a vida da Matriarca.

Todo o pessoal andava numa boa e se sentia perfeitamente na deles. Signe, por vezes, tinha que chamar a atenção de algum, mas deixava todos a seu modo.

Por desejo de Isa, iria ser a madrinha de Melody, contrariamente ao que haviam planeado inicialmente, pois previram que seria Gro, mas esta atemorizava Isa, que afirmava que ela lhe roubava a roupa da menina!

 

E os convidados foram chegando.

 

Frederik com a família. Vindos de uma nova casa, isolada, que ele havia comprado junto ao mar, mas afastada trinta quilómetros do centro. Idiossincrasias dele, que obrigava mulher e filhos a compartilharem.

Aparentemente tudo parecia melhor, na relação com mulher e filhos. Mas mal se falou em dinheiro, em vender mais uma peça de arte da Mãe, logo ele e Gro se engalfinharam.

Mas envolveu-se em todo aquele teatro do “batismo”. (Que mais se assemelhava a um ritual de praxe!)

Muito agarradinho à esposa, aos beijinhos, que até se esquecera dos filhos.

Estes também se perderam naqueles meandros. E terão tido, pelo menos Villads, a primeira visão de uma cena “hard-core”. Enquanto os pais os procuravam, estiveram eles num “pipe-show”, que aqueles casarões davam para tudo, sobremaneira naquele dia, com tanta gente e tanta passa, que até Hannah experimentou, na frente de Signe.

(Paralelamente ocorreriam as cenas de violência com Emil, na Tailândia. A tal análise comparativa de que falei, entre hábitos culturais completamente diferentes.)

Na cena de sexo, que eles tiveram oportunidade de observar, ao sentir-se observado, o homem voltou-se e pareceu-me, de relance, ser John!

 

 Sim, é preciso informar que John e Lise também compareceram, muito bem, muito amigos e bem-dispostos. Numa ótima, como se poderá comprovar até pela cena do palheiro, sobre que não tenho uma certeza absoluta e peço desculpa por isso, caso esteja a errar.

Também foram convidados para o batizado, Lise, um pouco deslocada daqueles ambientes, já se vê, até perguntou a Signe quem era o padre!

 

Pois quem fez de acólito principal naquele ritual, como referi, muito inspirado nos “sixties”, mas para mim, mais nas praxes, quem ritualizava, era Thomas, o celebrante!

Chefiava uma “procissão”, oficiava uma “cerimónia”, supostamente de batizar a filha. Numa plataforma que instalara num lago da quinta, aí se colocou mais a filha Gro, mais Signe, e Isa que segurava Melody, numa espécie de cesto que fora amorosamente confecionado por Gro.

Não vou descrever os passos anteriores da pretensa “cerimónia batismal” da menina, porque, sinceramente, não acho grande “piada” a este tipo de rituais. Que só me reportam para os das “Praxes”!

 

Isa, que, como já reportamos, não estaria nada bem, também não se sentia nada confortável naquela “cerimónia” e, invocando um desequilíbrio na plataforma, ou propositadamente como a câmara nos pretendeu mostrar, é certo que atirou a filha ao lago. Pelo menos, é o que se depreende da focalização da câmara. Ou a criança foi cuspida do cesto, com o balanço que houve na plataforma.

Desequilíbrio houve. Na plataforma foi evidente. Na cabeça de Isa também, já manifestara vários sinais, reforçados posteriormente com tudo o que ela atirou a Tomás, em que o menos foi dizer-lhe que fedia da boca.

Então, e a menina Melody? Salvou-se?!

Sim, valeram-lhe Gro, Signe e Tomás, que rapidamente se atiraram à água e Gro recolheu-a sã e salva. (O seu Moisés, versão feminina!). E batizadinha da silva.

 

E ficamos por aqui, não sem antes ainda contar que Emil, único ausente, esteve sempre presente e muito dele se falou, nomeadamente o sobrinho Villads, que questionou os pais sobre o dito cujo. A apodrecer na cadeia tailandesa, mas disso só sabemos ainda nós.

 

Uma sugestão que dou aos irmãos: tratem de ir à Embaixada e procurem resolver o assunto pelas vias diplomáticas, breve, mas breve!

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