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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Adelaide João – Evocação / Evocações

Este postal aborda a certeza mais certa que todos temos!

Flor no quintal. Foto original. 2020. 04. jpg

Faleceu recentemente, 03/02/21, esta Atriz. No dia a seguir ao da Senhora da Luz. O funeral será só a 12 de Fevereiro, no crematório dos Olivais. Já aqui falei sobre cremação. Um modelo cada vez mais utilizado de inumação. (Com a pandemia não há crematórios que cheguem.)

 

Assisti a uma representação desta Atriz, numa peça extraordinária, na Casa da Comédia, um teatro existente em Lisboa, às Janelas Verdes, perto do Museu Nacional de Arte Antiga. Dirigida por Filipe La Féria, que aí desenvolveu um trabalho notabilíssimo. A “Paixão segundo Pier Paolo Pasolini”.

Esta peça foi impactante, tanto, que foi um êxito, estando muito tempo em cena. Ocorreu em 1980.

Tendo sido uma peça extraordinária, globalmente, acho interessante que a imagem que retive nestes anos todos, mais de quarenta, foi a representação desta Atriz. Desempenhava o papel de Mãe de Cristo e recordo a cena icónica de Pietá – Piedade – Senhora da Piedade. Ela, Mãe, com Cristo morto, O Filho, no seu colo. Era um papel secundário, mas marcante, na sua simplicidade, singeleza, de Mater Dolorosa, sofrendo em silêncio, dor profunda. O rosto na sua expressão, aparente quietude, reportava-nos para essa situação, de Dor sem peso nem medida, de Mãe que perde um Filho, ademais em situação tão trágica.

Num saber estar e ser de Artista que nunca terá desempenhado primeiros papéis, mas nos que representava, deixava a sua marca pessoal, conforme referem as crónicas sobre ela agora escritas. Peculiar que tenha sido essa lembrança que me ficou ao longo de todos estes anos, a imagem comovente da Atriz, naquele seu desempenho simples, modesto, mas carismático, traduzindo o sofrimento da Mãe que perde O Filho, um sentir universal, incomensurável.

 

A peça foi marcante até na construção do cenário. O palco entrava pela plateia, de modo que os atores representavam no meio da própria assistência e os espetadores era como se estivessem também dentro do palco, do enredo, da encenação. Vários atores se revelaram nessa peça.

 

Um dos atores marcantes, já com grande currículo, foi João D’Ávila.

Outra peça a que assisti também, na Casa da Comédia, foi Eva Péron. “Don’t cry for me, Argentina - Não chores por mim, Argentina…” Protagonizada por Teresa Roby, falecida há alguns anos. Também numa representação marcante, contracenando com o ator referido, que desempenhava o papel de Juan Péron.

 

Peças levadas à cena, naquela época, na Casa da Comédia, foram emblemáticas, no panorama do Teatro português naqueles anos: finais de 70s e década de 80.

 

João d’Ávila, também nos anos oitenta, realizou no Teatro Dona Maria uma atividade ligada à Poesia: “Adiafa da Poesia”. Participei nessa atividade. Hei-de procurar documentação sobre o assunto e divulgar no blogue. (Que um dos objetivos primeiros por que criei este blog, foi precisamente para registar online trabalhos que tenho publicados em papel. Entretanto foram surgindo outros caminhos e este espaço foi consideravelmente alargado na sua temática.)

P. S. – Ainda no âmbito do Teatro.

Já após ter escrito este postal, tive conhecimento do falecimento de José Mascarenhas, uma figura incontornável do Teatro Portalegrense. Do Teatro, em suma! Que Teatro é Teatro, seja qual for o local em que se desenrolem as representações. E o Teatro da Província não é menor que o da Capital. As peças até são muitas vezes as mesmas. Talvez tenha menos recursos. Por isso tem ainda mais valor.

José Mascarenhas, uma Alma inquieta numa Personagem irrequieta, neste Teatro do Absurdo, que muitas vezes é a Vida!

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