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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Antigamente era assim!!!...

Rua do Norte  - Fundão. Foto FMCL. Anos 80. jpg

 

«Antigamente era assim!!!...»

 

I

«O Povo da minha Aldeia,

Em tempos, que já lá vão,

Trabalhava sol a sol,

Para  ganhar o seu pão.

 

II

Nobre povo, gente boa,

Povo pobre e sofredor,

Que trabalhava com frio,

Com gelo, chuva ou calor.

 

III

Que levavas no alforge?

Pão, azeitonas, toucinho,

Vinagre, sal e azeite,

P’ra salada de pepino.

 

IV

Era a azeitona, era a ceifa,

Era o milho era a cortiça;

Com frio ou com calor,

Não podia haver preguiça.

 

V

Remendava, remendava,

Sempre, sempre, a remendar,

Porque a roupa nova,

Não a podia comprar.

 

VI

Chega a casa, do trabalho,

Acende o lume faz a ceia;

E, depois, arruma a casa

E sempre à luz da candeia.

 

VII

E foi assim que outrora,

O nosso povo viveu;

Aqui lhe presto homenagem,

Por aquilo que sofreu.»

 

*******

 

Esta poesia é de autoria de uma Srª da Aldeia e faz parte de um conjunto de poemas que me foram confiados, como sucedeu com textos de outras Pessoas.

Neste, conforme já aconteceu noutra situação no blogue, não identificamos a autoria, a pedido da Pessoa, que me fez essa cedência e, em ambos os casos, por razões semelhantes, que supostamente deveriam estar erradicadas nestes nossos tempos em que houve tantas alterações, em tantos e tão variados aspetos, nomeadamente sócio – culturais. Mas, de facto, não estão! Persistência de tempos antigos.

As situações descritas fizeram parte da vivência quotidiana ainda dos nossos pais e da nossa infância também. A candeia já não, mas enquanto estudante, o candeeiro a petróleo foi o meu guia iluminante!

Parabéns à Autora do texto poético, muito elucidativo e bonito. Obrigado à Srª que fez chegar o poema às minhas mãos.

Ilustro com uma foto de um recanto da Aldeia, o mais antigo e, para mim, também o mais belo! De certo modo, é premonitório. A foto é dos anos oitenta (84?) e o despovoamento visível, infelizmente, já se concretizou. Como é imperioso e urgente repovoar o nosso Interior!

Como recordação e homenagem relembro Pessoas que viveram neste recanto e que ainda conheci:

O Ti Tonho Rei, inspirador de um dos meus poemas, que figura na 1ª Antologia em que participei, organizada por Luís Filipe Soares e a Srª Catarina; a Prima Antónia Caldeira e Primo Joaquim Mendes, a Srª Rosária Trindade, a Srª Maria Rosa Velez e Ti Zé Levita, a Srª Rosinda e Ti Brites; a Srª Catarina Matono, de quem tenho cantigas e contos gravados e transcritos e de que penso publicar alguns e o Ti Aníbal; a Avó Rosa, que tantas estórias e contos tradicionais me contou e o Padrinho Joaquim; a Srª Augusta, a Srª Dolores, que figura na foto e o Ti Manel Albano; a Srª Joaquina Calado e o Ti Olímpio, a Prima Rosa dos Remédios e o Primo Felizardo, a Srª Maria dos Remédios e a Srª Maria do Rosário, que ultrapassou a centena de anos! E ainda, o Ti Manel Henrique, que morava na Cunheira e vinha, em carro de mula, à Aldeia tratar dos terrenos.

(Algumas destas pessoas figuram na foto das "Maias").

E, por hoje, e do Alentejo da minha infância, me quedo por aqui.

E continua calor, apesar de algumas trovoadas molhadas!

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