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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Futebol - Covid - Solidariedade, precisa-se!

Futebol: Postal suscitado por um comentário ao postal anterior.

Janela de Castelo. Alentejo. 2018. 02. jpg

 

No postal anterior sobre o futebol, escrevi que não iria escrever mais. Supostamente sobre o dito cujo da bola. Mas, nunca deves dizer nunca…

A propósito de um comentário de “Kruzes Kanhoto”, que transcrevo, respondi, como por norma faço. Não concordo nada com as pessoas que não respondem aos comentários que lhes deixam.

Mas fiquei com alguns aspetos por dizer, para não alargar muito a resposta. Resolvi fazer outro postal sobre o assunto, que tem pano para mangas…

Transcrição de comentário e da minha resposta:

“Será, todos concordamos, muito dinheiro. Mas, mesmo a sério, alguém acredita que se eles ganhassem menos alguma coisa mudaria no mundo? Não sejamos ingénuos...”

(…)

Respondendo simplesmente à sua pergunta, de facto, também julgo que não. Porque o que tem que mudar é alguma coisa no Mundo para que também mude no futebol. E a crise que estamos vivendo, cujo final ignoramos em todos os aspetos, tanto no como, mais ainda no quando terminará, deverá ser uma oportunidade para algo mudar. É imperioso e urgente que o seja!

(…)

As medidas a tomar deverão ter em conta alguns princípios básicos de resolução, que passam necessariamente pela solidariedade a todos os níveis, pela entreajuda e procura de soluções globais.

A distribuição mais equitativa da riqueza deverá ser uma premissa básica para resolver esta crise e principalmente as que se adivinharão, que a continuar esta situação por muito tempo, problemas mais graves ainda sobrevirão.

A questão do futebol é um dos exemplos, pela sua importância à escala global, a todos os níveis. Para que o mesmo continue, que alcance, a breve trecho, a pujança que tinha, é necessário que quem tem mais poder económico, financeiro, saiba repartir com quem tem menos e abdicar do excesso de capital habitualmente disponível, para que os mais fracos possam ter algum para também sobreviverem.

Porque de que adiantará se houver clubes ou jogadores excessivamente ricos, se os que militam em clubes de menor poder financeiro não conseguirem o mínimo para poderem sequer jogar?

Esta repartição deverá ser inclusive institucionalizada no futuro.

No caso português, por ex., habitualmente são três clubes que aspiram à liderança no campeonato. Nestas duas décadas praticamente têm sido dois. Depois há a taça, em que há maior diversificação. Estes Clubes são os que ascendem aos jogos europeus. Daí, desses jogos internacionais, advêm verbas avultadas, para além das inerentes ao vencerem as provas nacionais.

Dessas verbas, e esta ideia nem é propriamente original da minha parte e julgo que até se pratica nalguns países, dessas verbas, uma percentagem predefinida deveria ser distribuída equitativamente por todas as equipas que tivessem participado no campeonato. Haveria assim uma distribuição mais igualitária da riqueza e teoricamente levaria a um fortalecimento das equipas de menor relevância e plausivelmente até a campeonatos mais competitivos.

Porque reconheçamos, pese embora as preferências clubísticas que temos, um campeonato em que ganham sempre os mesmos, em que à partida, ou ganha A ou B é muito menos aliciante, dá muito menos pica!

Como as coisas estão, até quase bastava sugerir jogar uma final A com B e decidia-se o campeonato. Neste ano, como estavam as coisas até na taça será (?) A com B!!!! Nalguns países, como na Itália, a Juventus já ganha há não sei quantos campeonatos!!!!

E as verbas publicitárias como são distribuídas?!

E os direitos televisivos?!

E, friso novamente, os ordenados dos futebolistas são, de facto, imorais, face à realidade em que vivemos!

E que seria de nós se não houvesse gente a trabalhar, para sustentar a nossa “quarentena”?!

E que será de nós se os agentes de saúde soçobrarem no seu combate?!

Resumindo e concluindo, goste-se ou não, o futebol marca as nossas sociedades à escala global. Gera imenso valor acrescentado em variadíssimos contextos sócio económicos. Mas também é verdade que serve para que muitos dinheiros, perdidos ou achados não sei onde, sejam encaminhados para os rios de dinheiro que correm à superfície… (Para bom entendedor…)

E, por isso e até por isso, também é verdade que os jogadores de futebol, os craques, os que militam nas grandes equipas, auferem vencimentos astronomicamente “pornográficos”! Frise-se!

(E a foto?! Representa como nos sentimos: emparedados, uma réstea de luz, mas sem ver nada de nada definido.)

 

 

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