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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

“O Milagre das Rosas” (II)

“São rosas, meu senhor, são rosas…”

Rosa de Alexandria. Foto Original. 2019. 05. jpg

Voltamos às perguntas do Rei, Dom Dinis, a Dona Isabel, a Rainha.

E às respostas.

Face à primeira, “- Onde ides…?”, a Rainha foi lesta, expedita.

- Pois saiba, meu Senhor e Rei que eu e minhas damas de companhia e de corte vamos a um “passeio higiénico”, aspirar uns ares puros da serra e brisas do mar. (Isto supondo que estaria em Óbidos). Não queremos saber de confinamentos, aliás, ninguém quer saber.

Rosas. Quintal. Foto original. 2020. 05. jpg

E que levais no regaço? Repetiu Sua Alteza Real, Dom Dinis.

Rosas. Alagoa. Foto original. 2020. 04. jpg

Esta é que era a questão fulcral, pois toda a gente sabia que a Rainha era uma esmoler, que dava a pobres e necessitados e o Rei um sovina, que achava que ela delapidava o tesouro real, com uns papo secos que ia distribuindo aqui e ali, pelas terras onde se deslocava a corte.

E essa fora a razão pela qual Dinis antecipara a sua vinda das javalinas.

E qual a resposta de Dona Isabel? (…)

Rosa grená. Foto Original. 2018. 07. jpg

Um murmúrio de vozes foi ecoando…

São rosas, senhor, são rosas… São rosas, senhor, são rosas… São rosas, senhor, são rosas…

O povoléu, incomodado com a interpelação do rei e querendo defender e ajudar a rainha, que estimavam e também sabedor da necessidade dos pãezinhos que lhes matavam a fome, recitava esta cantilena ancestral, pois também todos conheciam a estória do milagre.

“São rosas, senhor, são rosas…”

 

O Rei - o homem, Dinis, estava atónito, com aquele vozear em surdina pela barbacã, ecoando nas muralhas do castelo palaciano.

 

E a Rainha, continuava segurando o avental carregado e arrebanhado no regaço.

 

(E, agora, Caro/a Leitor/a, façamos um pequeno interregno, para nos questionarmos.

Acha que a Rainha, Dona Isabel, a Rainha Santa, trazia pãezinhos ou eram realmente rosas?!)

 

 

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