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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 5 - Episódio 12

“Un Village Français

(Episódio Global nº 48 – 03/06/2016)

 

RTP 2

 

“Un Sens au Monde”  - “Um sentido para o Mundo”

(13 de Novembro de 1943)

 

Na passada 6ª feira, três de Junho, ocorreu a finalização da 5ª Temporada da Série, cuja ação decorreu em 1943, em dias específicos dos meses de Setembro, Outubro e Novembro.

O 12º episódio, quadragésimo oitavo global, retrata os acontecimentos do dia 13 de Novembro, dois dias após o célebre desfile dos Resistentes na cidade fictícia de Villeneuve, representação do que realmente aconteceu na cidade real de Oyonnax, nessa mesma data, em 11 de Novembro de 1943.

 

E, para finalização de temporada e de ciclo de representação, apresenta um título, por demais sugestivo: “Um sentido para o Mundo”.

 

(Lembro que a temporada seguinte, a sexta, a iniciar-se, em princípio, na próxima 2ª feira, 6 de Junho, relembrará os acontecimentos ocorridos após a Libertação de Paris, em 25 de Agosto de 1944.

Retratará ocorrências posteriores de quase um ano e num contexto completamente diferente: pós ocupação e “Libertação”. Trazendo outras problemáticas igualmente pertinentes.)

 

É pois adequado o título para este último episódio : a busca de um sentido para o Mundo.

E esse sentido, ou essa busca de sentido, é nos dado pelas falas da peça teatral de « As Muralhas » ( ?), encenada por Claude e por ele representada, mais os três colegas refratários, que temeram a subida do penhasco para a Liberdade e aguardam a chegada dos nazis, à gruta toda iluminada, para essa primeira e derradeira representação.

Os boches chegaram, prontos a intervir, mas pararam, às ordens de Muller, atento ao que presenciava. Os alemães, ali, os únicos espetadores daquele original espetáculo.

Interessante seria relembrar todos os diálogos, mas fica a última fala, que responde ao título do episódio.

« …

Que apenas o AMOR dá sentido ao MUNDO ! »

 

E neste tema universal, temporal e espacialmente, continuamos.

 

Comovente a cena do enterramento de Marcel, fuzilado às mãos dos soldados boches, sob supervisão de Muller e do comandante das tropas nazis.

O corpo, excecionalmente não foi para vala comum, foi entregue a Daniel, que o compôs o melhor que pôde para o enterro.

Com Suzanne, amada de Marcel, o médico discutiu os pormenores do funeral.

Com ou sem padre, em jazigo de família ou campa térrea, como ele quereria...

Prevaleceu, sensatamente, a opinião da Mulher, e Marcel foi enterrado no jardim, em campa rasa, em simples caixão de madeira, “ao ar livre, com os pássaros, a terra” e sem acompanhamento religioso.

A acompanhá-lo, só e apenas, três personagens marcantes na sua Vida!

Daniel, o irmão mais velho, Amor Fraternal, simbolicamente apanha um punhado de terra, Terra-Mãe, atirando-a sobre o caixão.

Gustave, o filho, Amor Filial, trouxe-lhe um ramo singelo de flores campestres, que espontaneamente lançou sobre o féretro do pai. Com elas o ar, as aves e a liberdade que lhes assiste.

Suzanne, comovida, lançou-lhe a sua aliança de ouro, metal puro, precioso e eterno, que ele trouxera como penhor ao pescoço, prova do seu Amor, nos tempos em que estiveram ausentes.

E, deste modo, se cumpriu o Destino de um personagem que, simbólica e idealmente, lutou por causas em que acreditava de forma altruísta, apesar de todas as contrariedades e contradições inerentes às mesmas e seus protagonistas.

 

E ainda de Amor falamos, que, nesta série, é um tema transversal a toda a narrativa.

 

Fuzilamento Marcel in. commeaucinema.com

 

Muller assistiu e supervisionou os fuzilamentos de Marcel e Chassagne. (Se não estranho, pelo menos peculiar este acoplamento destes dois personagens neste final trágico!)

Os sentenciados à morte têm direito à satisfação de um último desejo e o do ex-presidente foi fumar um cigarro turco, que compartilhou com Marcel.

Este pediu para lhe entregarem uma mensagem ao filho, recebida por Muller.

O Resistente quase chorava, lembrando-se de quando criança, em miúdo, das suas diatribes e de como o irmão, Daniel, lhas escondia ao pai, e pagava pelos seus erros.

Soçobraria aos tiros dos soldados nazis, lembrando o pai a sovar o irmão com um cinto, por uma patifaria sua.

 

Teve, melhor, tiveram os dois fuzilados, ainda, “direito” a um derradeiro tiro na nuca, por via das dúvidas!

 

Mas, dir-me-ão...

Que falávamos de Amor... E agora, neste excerto, de que falámos, foi de Morte!

 

Muller, portador do bilhete de Marcel, dirigiu-se a casa de Hortense, em busca de Gustave, que estava a fazer os trabalhos de casa, “os deveres”.

“O teu pai morreu. Foi fuzilado há pouco. Foi muito corajoso. Era um grande combatente!

Ele deu-me uma mensagem para ti, justamente antes.” E deu-lhe o papel já meio amarrotado.

A criança desdobrou-o e tê-lo-á lido.

Nós também lemos.

“Amo-te.

Sê um Homem!”

E falamos também e então de Amor: Paternal!

 

E falaremos novamente e ainda de Amor, se falarmos de Lucienne, de Bériot, de Marguerite. Num triângulo em que Lucienne será o vértice!

Mas não vamos falar muito, porque não vi nem o episódio décimo nem o décimo primeiro, mas deduzo que a ação das duas mulheres terá sido determinante para a execução do desfile.

Marguerite foi presa e foi com ela na prisão e o interrogatório escabroso de Marchetti, que o episódio se iniciou, no habitual introito.

Pressionada de forma ignóbil, como Marchetti sabe fazer, acabaria por ceder e denunciar o local de acoitamento dos Resistentes.

Por isso pagaria também. Mas às mãos de Vernet, polícia, mas também Resistente, que em tempos de guerra a justiça faz-se pelas próprias mãos e não há mãos a medir para tanta morte.

Amor e Morte sempre presentes! Que no Amor sempre se morre um pouco também.

E Lucienne foi cúmplice por omissão nessa mesma morte. Morte de Amor?!

A intervenção na disputa salomónica, entre duas meninas no recreio, sobre a posse de uma boneca, foi apenas o pretexto para desviar o olhar, deixando que a execução ocorresse.

 

E da execução desse personagem execrável, investido em presidente da câmara, às ordens dos nazis, de nome Philippe Chassagne, já falámos. Terá sido entregue ao pelotão de fuzilamento, porque um puré de batata terá sido indigesto a Muller... personagem psicopata, paradigma simbólico dos dirigentes nazis.

De entre os dirigentes franceses, colaboracionistas, das nojices de Marchetti, também já referimos.

Servier, continua nas suas sabujices e servilismo, mas também de aprendizado político, que a esposa lhe ensina, à mesa do restaurante, de pratos escondidos debaixo da ementa, que os tempos são de fome e escassez de bens, com realce para os alimentares.

 

E estes personagens irão ser sentenciados após a Libertação?

Pagarão eles pelos seus crimes?!

Ou serão “inocentados”, como tantas vezes acontece?!

 

E os Resistentes corajosos, Antoine, Anselme, e os seus correligionários, que conseguiram escalar o penhasco, conseguirão escapar?!

 

E muito ainda fica por contar!

 

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 5 - Episódio 9

“Un Village Français

(Episódio Global nº 45 – 31/05/2016)

 

RTP 2

 

 

Prólogo:

5ª Temporada – 1943 - “Choisir la Résistence” – “Escolher a Resistência”

 

A ação decorre em 1943, durante os meses de Setembro, Outubro e Novembro.

 

Saison 5 d'Un village français.

Episódios:

  1. Travail obligatoire(23 septembre 1943) – “Trabalho Obrigatório
  2. Le jour des alliances(24 septembre 1943) – “O tempo/ o momento das alianças”
  3. Naissance d'un chef(25 septembre 1943) – “Nascimento de um chefe
  4. La répétition(25 octobre 1943) – “A repetição
  5. L'arrestation(26 octobre 1943) – A captura / A detenção
  6. Le déménagement(27 octobre 1943) – O despejo / A mudança de casa (?)
  7. La livraison(8 novembre 1943) -  A entrega /A entrega ao domicílio (?)
  8. Les trois coups(9 novembre 1943) – Os três golpes/pancadas/tiros (?)
  9. Un acte de naissance(10 novembre 1943) – Um ato de nascimento / Uma escritura                de nascimento (?)
  10. L'Alsace et la Lorraine(11 novembre 1943) – “A Alsácia e a Lorena”
  11. Le jour d'après(12 novembre 1943) – O dia seguinte (?)
  12. Un sens au monde(13 novembre 1943) Um sentido para o mundo (?)

 

DESENVOLVIMENTO:

Episódio 9

“Un acte de naissance” – “Certidão de nascimento”

10 Novembro de 1943

 

Transmitiram ontem, 31 de Maio, 3ª feira, o episódio 9 desta 5ª temporada, de que relembro, no Prólogo, os títulos dos vários episódios, conforme apresentei quando ela se iniciou, realçando os que consegui visualizar, e os três que ainda faltam, concluindo-se a totalidade, em princípio, nesta semana.

 

“Certidão de nascimento”, documento imprescindível de que Eliane precisava para se casar com Jean Marchetti.

Fora-lhe prometida a respetiva devolução por Monsieur Raymond Schwartz, que com ela ficara, certamente no ato de a admitir como empregada na fábrica de serração, mas que nunca a devolvera, tantos os acontecimentos e a celeridade da sua ocorrência.

Em má hora conseguiu recuperá-la na fábrica abandonada. Raymond também já participa na Resistência e a segunda mulher Joséphine está morta e enterrada, que ele até já ressuscitou com o velho, mas sempre renovado amor, Marie!

Marie e Raymond commeaucinema.com

 

E logo Raymond haveria de voltar nessa hora, juntamente com Antoine, para levarem os camiões para a ação que planeiam para o dia seguinte, 11 de Novembro.

Eliane obteve a certidão, mas não o casamento almejado. Morreu nos braços de Marchetti, seu prometido noivo, mas não Amor, que eles não se amavam, era um casamento de conveniência. Alvejada às mãos do Destino, que a fez morrer de bala disparada por Antoine.

Marchetti amparou-a nos últimos suspiros, tendo ela direito a visão de estrelas!

 

E este poderá ser o começo desta narração, com que o guionista findou a narrativa original do nono episódio.

 

Marcel Daniel in. television.telerama.fr..jpg

 

Que o começo foram cenas de Daniel e Marcel, na cadeia. Feridos, partidos, esfolados vivos, enjaulados, à mercê dos torturadores boches.

Os dois irmãos mais uma vez unidos numa mesma Causa: Presos, mas em luta pela Liberdade dos Outros. Compartilhando infortúnios, num mesmo espaço e tempo, a que chegaram, ainda que por caminhos diversos.

Marcel preso pelas razões que já sabemos, que vinha sendo perseguido há anos, ainda antes do começo da guerra. Que até a mãe de Hortense, quando esta lhe telefonou e disse que Marcel iria ser fuzilado, lhe respondeu “que já não era sem tempo”!

Daniel foi preso, porque escondia uma judia, como sabemos: Sarah Meyer.

E neste campo de desgraça ainda assim têm tempo para se confrontarem nas suas trivialidades/rivalidades fraternais.

Que Daniel, mais velho, sempre se considerou pai substituto de Marcel. E censura-o por ele não ter comunicado com o filho, Gustave, há mais de um ano, que o miúdo já nem pergunta por ele.

Marcel não gosta dessas lições de paternidade e lhe devolve sobre as falcatruas na adoção de Tequiero e as mentiras relativamente ao verdadeiro pai, o espanhol Alberto Rodriguez, entretanto também fuzilado.

Caso para se dizer que não terá sido má a adoção da criança, bem pelo contrário.

Pelo menos teve pai e mãe, ainda que Hortense fosse mãe ausente, mãe apenas uma vez em cada seis meses, como lhe disse Daniel. Mas este desempenhou os dois papéis e também teve a ajuda de Sarah, esta mais numa de irmã mais velha, que ela é muito jovem.

E esta discussão entre irmãos, à beira do pelotão de fuzilamento, é interrompida com a chegada de soldados alemães para levarem Daniel para nova sessão de tortura.

De que voltaria derreado de pancada, por um brutamontes da SD, mas não tendo falado, nem denunciado sobre o paradeiro dos Resistentes.

 

Daniel Marcel commeaucinema.jpg

 

E já que falamos dos Resistentes, e antes de abordarmos mais sobre o médico, informamos, sem denunciarmos, que eles estão mais ou menos acoitados numa floresta recôndita nas montanhas, provavelmente do Jura, ou dos Alpes, que não sei.

Um grupo, já bastante grande, heterogéneo, que Antoine comanda, coadjuvado por Claude, que os ensaia em cenas da peça “As Muralhas”. (Baseada em “Hamlet”, de Shakespeare?)

Como par amoroso, Antoine e Marie! Cheios de constrangimentos, mais pela pouca experiência do chefe, em cenas de beijo teatral.

Maior e total o constrangimento, após Antoine ter presenciado Raymond, o ex-cunhado, em cena de sexo real com Marie, sua ex-amante, e amada ainda que não declarada de Antoine.

Cena mais que suficiente para transmutar toda a peça a encenar.

Que por vontade de Antoine, ou não fora ele o chefe, mudou de possível espetáculo teatralizado para a realidade. Passaram a ensaiar sim, mas um desfile de tropas dos Resistentes, devidamente fardados, que se apresentariam publicamente, contra todas as previsões e afrontando todos os perigos, e contrariedades, na cidade de VIlleneuve, de modo a mostrarem a sua força perante a população, que assim ganharia mais confiança e ânimo na Resistência e na Liberdade que haverá de chegar. Cantando a Marselhesa, que estão pela “França Livre”.

E esta apresentação pública da força e coragem da Resistência, julgo que ocorrerá no próximo episódio, provavelmente o de hoje, dia 1 de Junho.

E face ao contraponto realidade - ficção, friso que a encenação prevista retrata ficcionalmente algo que aconteceu na realidade em 11 de Novembro de 1943, na cidade de Oyonnax e que os franceses ainda hoje comemoram.

 

E é sobre a preparação desse desfile que os resistentes concentram agora todas as suas energias, esforços, estratégias, envolvendo todos os que podem organizar-se nesse sentido.

 

E nesse fito comparticipa Marguerithe, envolvendo também, ainda que relutante e um pouco contrariada, a colega Lucienne, que não participa diretamente na Resistência, mas que neste caso, se vê na contingência da inevitabilidade da sua participação, dado que o marido, Jules, não está em Villeneuve. Além de que a função em que é necessária a respetiva colaboração se concretiza precisamente na Escola, onde funciona a estação de rádio alemã, que é preciso neutralizar no dia onze, antes do meio-dia.

 

Nesta fase da ocupação alemã, vários intervenientes, anteriormente colaboracionistas, já apoiam a Resistência.

Já falámos de Raymond.

A primeira mulher dele, Jeannine, atual esposa do atual presidente da câmara, também já é apoiante da “Causa”. Não vamos fazer comentários...

Apoia os resistentes com dinheiro, que é o que mais tem. E também com informações.

Conhecedora, pelo marido, de que havia um agente colaboracionista infiltrado entre a “Resistência”, de nome Galbier, vai disso informar um empregado do Café, designado Martin, que, como é natural, se faz de novas, mas regista a informação, pois houve resultados.

Mais tarde, o marido, Chassagne, dir-lhe-ia que Galbier fora morto com dois tiros na boca!

 

E ainda volto ao personagem Daniel. Para informar que ele foi libertado, precisamente pelo mais improvável personagem da série: Muller!

Na sequência deste ter estado na sua casa, aonde apareceu opulento, trajado a rigor, para visitar a sua amada Hortense, a fazer de ex-esposa dedicada, o ex-marido ausente, desconhecendo o seu paradeiro; e a cuidar do filho, Tequiero, e do sobrinho, Gustave, que fez de porteiro, franqueando-lhe a entrada.

Muller pediu-lhe desculpa, ele, o todo-poderoso SS. Almoçaram juntos, sopa, que Gustave sorvia fazendo barulho, incomodativo para o facínora, que, por momentos, temi que ele espetasse uma chapadona à criança!

 

E já pela noite, Tequiero a dormir, Gustave supostamente no quarto, Hortense preparou-se para amar!

Muller, inicialmente renitente, pelos condicionalismos envolventes, mas dada a persistência da amante, foi buscar mais morfina para se injetar!

E foi então que foi surpreendido por Gustave apontando-lhe uma arma!

 

Gustave in. youtube.com

 

E, por aqui me fico, neste “Dia Mundial da Criança”, com tantas crianças, ainda e passados setenta anos do findar da guerra, envolvidas e usadas e mortas e abusadas, e violentadas, em tantas guerras!

Que a Humanidade não tem emenda!

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 5 - Episódio 4

“Un Village Français

(Episódio Global nº 40 – 24/05/2016)

 

RTP 2

 

“La répétition” / “A repetição”

25 de Outubro de 1943

 

Relativamente a este 4º episódio, começo por referir que não o vi na totalidade, nem percebo o significado do título, talvez precisamente pela razão anterior.

 

Também fiquei surpreso pelo facto de, contrariamente ao que me apercebera no final do episódio três, Antoine e o seu grupo de refratários não aderiram à Resistência. Ignoro o porquê, pois pareciam bem encaminhados para tal.

Continuam em grupo, ainda maior, são cerca de vinte, vivem num acampamento bastante improvisado nas montanhas, são liderados por Antoine, coadjuvado por Claude, que continua a tentar empenhá-los através do teatro. Fazem exercício físico, bebem chá pela manhã, não sei o que comem ao almoço, se caçam ou não e tiveram uma visão do paraíso, na pessoa de uma Eva, nadando num lago próximo.

Eva, que não a Braun, mas também acompanhada por um boche, que afinal eram dois e elas também duas, mas francesas, que foram curtir a folga dos rapazes alemães para os ares da montanha, para não estarem sujeitos a olhares indiscretos, pois eles estavam proibidos de contatar com autóctones. Mas sabemos como são estas coisas de amores.

E afinal havia não só vários pares de olhos indiscretos, mas até um binóculo.

E ainda fica muito por contar...

 

E sobre discrição e indiscrição também relatamos que Hortense, por mais discreta que tivesse querido ser, acabou por ser presa pela polícia e levada para a câmara municipal.

E porquê?!

Munida de duas pistolas embrulhadas numa mala, sentada num carro, não sei de quem, se dela própria, trocou as ditas armas por um frasquinho de morfina, a uns traficantes, que, após a transação, lhe pediram para esperar cinco minutos antes de abalar. E ela esperou!

Isto é, deu tempo para que chegasse a polícia, lhe pedisse a documentação, a interrogasse sobre o que ela guardava na mão e a algemasse, com direito a sentar-se numa sala da câmara, que ela conheceria de outros tempos mais afortunados, mas agora estava ali como criminosa.

E o presidente, o novo, mas de ideias velhas, chegou.

E lhe disse que ela caíra numa esparrela trivial de traficantes e polícias, que, no final, dividem o lucro a meias. Graciosamente a libertou, lhe devolveu até o produto, a recomendou ao marido, que o favor que fazia era do atual presidente para a esposa do anterior. Tudo presidencial.

E que, quando quisesse mais daquela encomenda, se lhe dirigisse. Pelos vistos, deduzo que ele será o vértice de tal negócio.

Que nestas coisas de guerras e necessidades, há sempre quem se aproveite da desgraça alheia!

Que também ainda haveria mais que contar... Mas não deixo de referir que, quando ela voltou para junto do seu amante, a trabalhar no respetivo gabinete, o operador de câmara, não a municipal, certamente por ordem da realização, fez o favor de nos mostrar, evidenciando em grande plano, nem mais nem menos que a celebérrima bandeira da suástica!

Para que ficasse bem presente do que e de quem se tratava!

Para que nós, telespetadores não nos esquecêssemos, nem ignorássemos ao que Hortense ia e com quem ia.

Não sei se ela teria plena consciência desse significado!

 

Marie in. toutelatele.com

 

E sempre de discrição se trata, se abordamos a forma ultra discreta como Jules Bériot e Marie Germain se reúnem, para tratarem de assuntos referentes à Resistência, no referente à fação (?) a que pertencem, a designada “França Livre”.

Encontraram-se na igreja. Bériot informou-a que o desejado “descarregamento” de armas saiu gorado, que os para-quedas não caíram no local certo, apesar do espaço devidamente assinalado com luzes.

Calharam-lhes umas quantas bíblias, por demais necessárias para as ações de guerrilha, certamente espiritual e caixas de bolachas. Deu-lhe uma bolachita e a moça não se fez de rogada, achou-a deliciosa.

Insistiu para que ela tentasse arregimentar os refratários, que os almejados apoios do exterior também dependem do número de aderentes.

 

Quanto aos Resistentes enquadrados no lado comunista, não temos sabido nada!

 

Quem também agiu com discrição, foi Lucienne que, ouvindo soluços do quarto de Marguerithe, com ela foi conversar e ambas desabafaram.

Não sabemos se a professora de Música foi totalmente sincera no que revelou, mas Lucienne confiou e, esta, sim, foi sincera e falou-lhe também dos seus amores passados, ignoramos se também futuros.

 

Lucienne e amores in. cultur.club.com

 

E sobre o futuro não sei. Nem vou especular, para não me enganar. Fico apenas por aqui!

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 5 - Episódio 3

“Un Village  Français

(Episódio Global nº 39 – 23/05/2016)

 

RTP 2

 

“Naissance d'un chef” – “Nascimento de um chefe”

25 de Setembro de 1943

 

E este episódio nº3 da 5ª temporada, episódio global nº 39, cuja ocorrência se reporta a 25 de Setembro de 1943, relata-nos precisamente a forma como emerge um chefe a partir, primeiro, do grupo desarmónico de jovens refratários e, no final, depreendemos essa chefia nascente, no próprio grupo de resistentes a que Antoine, convictamente, aderiu.

 

Quanto à estrutura narrativa confirma-se a metodologia já referenciada.

No prólogo, continua-se o final do episódio dois: Marie Germain e Antoine dialogam e articulam sobre a possível adesão de Antoine e eventualmente de outros refratários à Resistência. À “Causa” que os move: a “França Livre”!

 

No decurso do episódio esse é um assunto dominante, em diferentes contextos e envolvendo variadas personagens, e, no final, novamente Marie e Antoine, agora já aderente, analisam a situação. Situação que está um pouco aquém das expetativas de Antoine, que almejava haver mais ação. Marie explica-lhe que os “Movimentos Unidos de Resistência” pretendem criar um exército secreto, mas que não pode ser já. Não têm armas, não têm chefes, precisam de ajuda externa, que tarda, até porque a desejada invasão dos aliados não será ainda este ano. E os inimigos são fortes.

Antoine ter-lhe-á respondido qualquer coisa como: “Encontraremos armas e seremos fortes!”

 

E a temática da Resistência foi dominante na narrativa. As condições de vida dos Resistentes são muito precárias e enfrentam perigos de toda a ordem, em que se realça a perseguição que lhes é movida pelas próprias autoridades francesas, a “polícia de segurança”, encabeçada por Marchetti e os “gendarmes”; para além dos ocupantes alemães, “os boches”, tanto na pessoa dos SS, como do exército alemão.

 

A investigação ao assassinato do guarda alemão, acontecido no ano anterior, continuou. E, por dois mais dois, os colegas de Marchetti já sabem que ele foi o autor, e um deles deu-lhe isso a conhecer, na sua própria casa, na hora de jantar, já ele se preparava para a sobremesa, depois de uma deliciosa sopa de coisa quase nenhuma, que não havia nem azeite, nem toucinho.

 

jantar in. serieviewer.com

 

Contrariamente, em casa do senhor presidente da câmara e da sua querida esposa, houve um lauto jantar de frango do campo, acompanhado de um, provavelmente delicioso, puré de batata. Mas que só e apenas sua excelência o senhor residente terá provado, que terá, pelo menos, lambido os beiços.

Para esse jantar foram convidados, excecionalmente, o SS Heinrich Muller e a sua concubina Hortense, que o presidente quer progredir na carreira política e para isso precisa do apoio alemão.

No decurso do jantar, o senhor presidente lá foi perorando sobre uns projetos mais ou menos estrambólicos que pretenderia concretizar em Villeneuve, sempre no pressuposto que os alemães vencerão a guerra e com eles, os franceses colaboracionistas e fascistas, como ele próprio, Philippe Chassagne. Ao mesmo tempo pretendia meter uma cunha a Muller, para um cargo ou função qualquer a que aspira.

 

Heinrich que, para além de alemão ocupante, boche, nazi, SS, morfinómano, louco, é igualmente inteligente, cada vez mais convicto de que a guerra será perdida pela Alemanha e farto daquele discurso irreal, não esteve com meias medidas. Depois de lhe fazer, ele também, uma prédica consistente sobre a inconsistência do puré, aproximando o rosto presidencial do mesmo, esborracha-lhe o focinho, que é o que Chassagne tem, no dito puré ainda não encetado. Sendo assim, apenas sua excelência presidencial, terá sido o único conviva que teve o prazer de saborear tão deliciosas batatas, adquiridas no mercado negro, e convertidas em puré.

Que o jantar se ficou por ali. E guerra é guerra!

 

Mas não ficaram por aí as bizarrias políticas de Philippe Chassagne.

Noutro provavelmente delicioso jantar, agora com o servil Servier e a sua amantíssima esposa, para além de Jeannine, já se vê, e o próprio Philippe Chassagne, continuou este com a explanação dos seus projetos futuristas, para que Servier interviesse junto dos ocupantes alemães, ele que tão bem sabe ser servil. (?!)

 

E é nisto que se entretêm as autoridades francesas colaboracionistas. Acomodadas na sua situação, aos pés dos ocupantes e servindo-os, servindo-se a si mesmas, renegam a sua condição de homens e franceses livres.

 

Organizassem-se eles para lutar contra o ocupante, e talvez essa ocupação tivesse sido menos aviltante!

 

Paralelamente, grupos de homens e mulheres, destaca-se na série o papel relevante de duas delas, com parcas condições, organizam-se e opõem-se à ocupação, com risco permanente das suas próprias vidas e de próximos e familiares.

 

Outros, mesmo não fazendo parte de nenhuma organização, caso do médico Daniel Larcher, diligenciam tudo o que podem para ajudar os seus semelhantes. Neste episódio, mais um judeu acolheu em casa, para além de Sara, mas esta é um caso diferente.

Trata-se de Ezechiel Cohen, que, entre outras situações observadas em episódios anteriores, foi ele o protagonista da célebre evasão da Escola, agora está ferido de bala, que foi de sua autoria o atentado falhado contra o atual presidente da câmara, ocorrido também na mesmíssima Escola.

Terá sido também ele o autor da encomenda de morte presidencial, que foi endereçada posteriormente, através de um modelo de caixão, em miniatura, muito bem trabalhado e envernizado?!

 

“Un Village Français” - Início da 5ª Temporada

“Uma Aldeia Francesa”

RTP2

Retrospetiva das quatro Temporadas

 

Introito

Esta série francesa, de 2009, que tem estado a ser transmitida pela RTP2, desde 29 de Março transato, com sete anos de atraso, mas ainda muito a tempo, pois reportando-se a um passado paradigmático, de há setenta anos, mantém todo o interesse.

Quanto mais não seja pele imperiosidade de lembrar, de uma forma bastante didática, um passado que convém não esquecer.

Que a memória dos Homens é curta e, pasme-se (!) até negacionista.

 

Entrou ontem, dia 19 de Maio, na sua 5ª Temporada.

 

Intitula-se no original “Un Village Français”, vertida naturalmente para português, como “Uma Aldeia Francesa”.

Decorre a ação em Villeneuve, uma cidade, sim, cidade, porque Villeneuve, de aldeia, não tem nada. Os recursos de que dispõe: câmara municipal, “polícia política”, “gendarmerie”, hospital, hotel, restaurante “5 estrelas”, estação de caminho-de-ferro, camionagem, indústrias, vários grupos profissionais, que me lembre, categorizam-na mais como cidade do que como aldeia. Apenas no ensino se comparará a uma aldeia, dado que, do que me apercebi, só tem ensino primário.

Mas vamos adiante, que ninguém me convidou para padrinho.

Cidade fictícia, situa-se no Departamento do Jura, no Franco Condado, no Leste de França, junto da fronteira com a Suíça e perto da “Linha de Demarcação”, que separou a França em “Zona Ocupada” pelos alemães, e a designada “Zona Livre” sujeita ao governo de Vichy.

A cidade fica na zona ocupada.

 

A ação desenrola-se de 12 de Junho de 1940, data de início da ocupação alemã, até 1945, já após a Libertação.

 

Nesta série, os personagens organizam-se por laços familiares, englobando o núcleo central da família, mas também membros colaterais numa estrutura mais alargada; e ainda personagens segundo laços sócio- profissionais.

As relações amorosas entrecruzam-se nestes grupos.

 

Estrutura-se em sete temporadas, das quais já foram visualizadas as quatro primeiras, iniciando-se, agora, a quinta.

 

Cada temporada tem um título englobante dos temas narrados e reporta-se a um tempo específico, sendo que, em cada episódio se estrutura e desenrola a narrativa respeitante a um dia, por várias vezes, dias com algum significado histórico, no respeitante à ocupação e à guerra ou concernentes à história política ou social de França.

 

Vejamos a 1ª Temporada, 1940: “Viver é escolher.”

 

Tem seis episódios e decorre de 12 de Junho de 1940, dia de início da ocupação da França pelos alemães, como vencedores. Até ao sexto, respeitante ao dia 11 de Novembro, dia de feriado nacional em França, habitualmente de grandes festejos nacionalistas, porque celebra o dia 11 de Novembro de 1918, em que os alemães, através do Kaiser, se renderam, capitulando e assim se deu fim à “Grande Guerra”, assim designada, porque nessa data ainda não houvera outra de caráter mundial e com efeito tão devastador. E os alemães foram vencidos!

 

Episódio 1 – O Desembarque – 12 de Junho de 1940

Episódio 2 – Caos – 24 de Junho de 1940

Episódio 3 – Atravessar a Linha - 30 de Setembro de 1940

Episódio 4 – Assim na Terra como no Céu – 15 de Outubro de 1940

Episódio 5 - Mercados Negros – 7 de Novembro de 1940

Episódio 6  – Rajada de Frio – 11 de Novembro de 1940.

 

Desta temporada apenas vi o 1º e o último episódio.

Saison 1 d'Un village français

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2ª Temporada

1941: “Viver as suas escolhas.”

Esta 2ª temporada, também de seis episódios, já relata ocorrências de 1941, de Janeiro a Março.

Não me debrucei sobre nenhum dos episódios, apenas vi excertos de alguns.

Do episódio três, “Aula Prática”, lembro-me da entrada dos alemães na Escola, na sequência de uma denúncia, à procura de uma arma de fogo, supostamente guardada pelo professor Jules Bériot, e que viria a ser descoberta no relógio de parede. Uma velha arma de caça, já enferrujada, do seu avô.

A tudo assistiram as crianças, nesta aula prática, presenciando, no seu dia-a-dia, o abuso discricionário da ocupação alemã.

 

Episódio 1 – A Lotaria – 10 de Janeiro de 1941

Episódio 2 – O Aliciamento – 5 de Fevereiro de 1941

Episódio 3 – Aula Prática – 12 de Fevereiro de 1941

Episódio 4 - O teu Nome assemelha-se um pouco a Judeu – 4 de Março de 1941

Episódio 5 – Perigo de Morte – 10 de Março de 1941.

Episódio 6 – Golpe de Misericórdia – 11 de março de 1941.

Saison 2 d'Un village français.

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 3ª Temporada

1941: “Viver as suas escolhas.”

 

“Esta 3ª temporada retrata as ocorrências em Villeneuve, durante o Outono de 1941, de Setembro a Novembro.

O quotidiano dos habitantes degrada-se. A ocupação e as consequências da guerra acentuam-se.

Os racionamentos, a penúria e falta de víveres essenciais, o mercado negro, as requisições forçadas, os toques a recolher e o recolher obrigatório, as arianizações, fazem sentir-se pesadamente nas populações.

Sofre-se no corpo, os espíritos exaltam-se...

Mas cada um vive as suas próprias escolhas, que nem sempre são tão fáceis quanto aparentam.

Há os que colaboram com os alemães, os que celebram o marechal (Pétain), mas também os que radicalizam a luta, arriscando as suas próprias vidas e a de familiares.

O Amor circula sempre no ar, ou não tivesse esta série também o seu lado romanesco bastante acentuado.”

Estas foram algumas ideias base que explanei no relato sobre os “Episódios”.

Remeto também para a narração respeitante ao episódio 6 – “La Java Bleue”.

 

Nesta temporada já consegui ver alguns episódios, nomeadamente o sexto, que também contextualiza a ação, remetendo para uma festa tradicional francesa, os festejos de “Les Catherinettes” e para uma canção romântica, em voga na altura, intitulada “La Java Bleue”.

 

 Saison 3 d'Un village français.

 

Episódios

 

  1. - Le temps des secrets(28 Setembro 1941) / O tempo dos segredos
  2. - Notre père(17 Outubro 1941) / O nosso pai
  3. -La planque(19 Outubro 1941) / O esconderijo
  4. - Si j'étais libre (20 Outubro 1941) / Se eu fosse livre
  5.  - Le choix des armes (23 Outubro 1941) / A escolha das armas
  6. - La Java Bleue (25  Outubro 1941). / (A Java azul)
  7. - Une chance sur deux(26 Outubro 1941) / Uma oportunidade para dois / Uma oportunidade em duas?
  8. - Le choix (27 de Outubro de 1941) / A escolha
  9. - Quel est votre nom ?(28 Outubro 1941) / Como se chama? / Qual é o nome?
  10. - Par amour(29  Outubro 1941) / Por amor.
  11. - Le Traître (31 Outubro 1941) / O traidor
  12. - Règlements de comptes(1er Novembro  1941) / Liquidação de contas / Ajuste de contas.

 

 

Temporada 4

A 4ª temporada, iniciada a 3 de Maio e esta semana concluída, 18 de Maio, centra-se fundamentalmente na problemática dos judeus e na sua deportação para os campos de concentração.

E na ação da Resistência e dos Resistentes, fundamentalmente estruturados em dois grupos: os comunistas e os gaullistas e na sua tentativa de realização de ações conjuntas.

 Intitula-se “A hora das escolhas”, e reporta-se a 1942 e ao mês de Julho, nos primeiros seis episódios e ao mês de Novembro, nos restantes seis.

 

saisaon 4 in. pluzzvad.francet..jpg

 

Episódios:

1 – “Le train” – “O comboio” - Dia 20 de Julho.

2– “Un jour sans pain” – “Um dia sem pão”, ou melhor, “Um dia sem comida” – Dia 21.

3 – “Mille et une nuits” – “Mil e uma noites”, parafraseando Xerazade: Dia 22

4 – “Une évasion” – “Uma evasão”- Dia 23.

5 – “La mission” – “A missão” – 24/07/1942

6 – “La libération” - “A libertação” – idem

7 – “Le visiteur” – “O visitante” – 8 Novembro 1942

8 – “Tel est pris qui croyait prendre” – “Quem quer apanhar, apanhado se vê”, ou seja, “o jogo do gato e do rato”. – 9 de Novembro de 1942

9 -  “Baisers volés” – “Beijos roubados”. – 11 de Novembro de 1942.

10 – “Des nouvelles d’Anna” – “Notícias de Anna”: 12/11/1942

11 – “La souriciére” – “A ratoeira / armadilha”.

12 – “La frontière” – “ A fronteira”.

 

5ª Temporada

1943

“Choisir la Résistence” – “Escolher a Resistência”

 

A ação decorre quase um ano após o último episódio da 4ª temporada, em 1943, durante os meses de Setembro, Outubro e Novembro.

 

saison 5 in. pluzzvad.francet..jpg

 

Saison 5 d'Un village français.

Episódios:

  1. Travail obligatoire(23 septembre 1943) – “Trabalho Obrigatório”
  2. Le jour des alliances(24 septembre 1943) – “O tempo/ o momento das alianças”
  3. Naissance d'un chef(25 septembre 1943) – “O nascimento de um chefe”
  4. La répétition(25 octobre 1943) – “A repetição”
  5. L'arrestation(26 octobre 1943) – A captura / A detenção
  6. Le déménagement(27 octobre 1943) – O despejo / A mudança de casa (?)
  7. La livraison(8 novembre 1943) -  A entrega /A entrega ao domicílio (?)
  8. Les trois coups(9 novembre 1943) – Os três golpes/pancadas/tiros (?)
  9. Un acte de naissance(10 novembre 1943) – Um ato de nascimento / Uma escritura de nascimento (?)
  10. L'Alsace et la Lorraine(11 novembre 1943) – “A Alsácia e a Lorena”
  11. Le jour d'après(12 novembre 1943) – O dia seguinte (?)
  12. Un sens au monde(13 novembre 1943) Um sentido para o mundo (?)

 

Notas Finais.

Arrisquei-me a “traduzir” os títulos, com plena consciência que alguns talvez sejam disparates.

Alguns termos traduzirão expressões idiomáticas e a minha “tradução” é literal.

Possivelmente com a visualização de alguns episódios talvez possa aceder a uma tradução correta.

O meu pedido de desculpas.

Fica o convite para assistir a esta 5ª Temporada, S. F. F..

O episódio de ontem, o primeiro, foi deveras interessante.

Les Personnages

 

"A Família Krupp” - Série Alemã - RTP2

“A Família Krupp” - Série Alemã

RTP2 – Episódio II, III e IV (?)

4ª, 5ª, 6ª Feira (?) – 14, 15, 16 (?) /Outubro/2015

 

E a saga da “Família Krupp” continuou nesta semana, presumo eu, que, ontem, não vi. E na 5ª feira também não vi o episódio na totalidade.

 

Então, como escrever sobre o que não vi?! Será que ontem, 6ª feira, terminou a mini série?!

 

Na 4ª feira, no episódio dois, Bertha Krupp, doente, continuou a sua narrativa, no presente, em 1957, falando com a criada de quarto, enquanto aguarda a visita do filho Alfried, dono, diretor, gestor da firma Krupp.

Paralelamente recorda o passado desses conturbados anos iniciais do século XX, que incluem a Grande Guerra, 1914 – 1918. De má memória, neles e deles, senhores que foram dessa grande guerra, que fornecedores foram e abastecedores de armamento, indireta ou diretamente causadores de milhões de mortos e mutilados, nas trincheiras de França, nas Verdun e outras batalhas, de tormentosas e inúteis lembranças.

Quando é que a Humanidade deixará de glorificar essas tamanhas atrocidades de guerra?!

A visita do Kaiser à Villa Huguell, âncora e porto de abrigo da família, quase no final da Guerra, a conversa de caserna daquele com o seu Estado-Maior, a contenda quase perdida; a opinião do mesmo sobre os Krupp, que os achava “sem honra nem patriotismo”, que vendiam armas a todos os contendores, o que era verdade, “uns mesquinhos”!

 

Alfried, também narrador principal, paralelamente, conversa com o irmão mais novo, Harald, também em 1957. Estas conversas são também um ajuste de contas deles entre si e com eles mesmos; uns com os outros, irmão com irmão e mãe com filho; e um deve e haver também com o passado, com o seu passado enquanto cidadãos na sociedade em que viveram e em que foram protagonistas principais dessa sociedade alemã, nessa primeira metade do século XX.

 

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Atores, agentes, fautores da História Alemã, de muito má memória nesses cinquenta anos. O seu ajuste de contas é também com esse seu mau passado, de algum modo uma catársis necessária ao entrosamento com eles próprios e com a nova sociedade em que se inserem e onde continuam a ter papel relevante, no mundo pós guerra.

Protagonistas que foram dessa História, de má memória, sempre ligados ao Poder instalado, conseguindo sobreviver mesmo nos anos conturbados da revolução proletária do final da Primeira Grande Guerra, passando as fileiras do “Exército Vermelho do Ruhr”, 1920, para o aconchego das montanhas alpinas da Áustria.

Sempre negociando, comprando e vendendo, mesmo aos mais improváveis clientes, no caso Lenine, vencedor da Revolução Russa, que, no início da década de vinte, precisou de comprar milhares de Km de ferrovia, aos Krupp, pagando em ouro. Negócio que ajudou a firma a sair do desespero económico e financeiro em que se encontrava, acabada a guerra, sem encomendas do estado alemão vencido e com restrições impostas ao respetivo desenvolvimento industrial, pelas potências vencedoras, Inglaterra e França.

 

Que a Família Krupp, segundo os próprios, não era apenas a família nuclear e alargada aos consanguíneos, mas eram todos os que trabalhavam na firma, nas várias fábricas e serviços: “os Kruppianos”. Cada um no seu lugar e função, claro! E a verdadeira mentora da firma era Bertha, uma verdadeira Krupp, que o marido, Gustav, apesar de ser o gestor durante os primeiros quarenta anos do século, era-o, porque fora o marido que o Kaiser lhe havia destinado, no início do século, após a morte do pai, Fritz, em 1902.

 

Ela, Bertha, e o filho, Alfried, esses, sim, eram verdadeiros Krupp!

 

E era Gustav quem realizava esses negócios. Não interessava a cor do dinheiro.

 

Mas Bertha, apesar de inicialmente manifestar alguma relutância ideológica e moral face aos mesmos, acabaria por aceitá-los.

O que aconteceria também com Hitler nas décadas de trinta e quarenta durante a 2ª Grande Guerra.

Até gritaria e faria a célebre saudação nazi!

Que isto do Dinheiro e do Poder pode muito.

 

E, nestes episódios, a narrativa com a visão dicotómica e muitas vezes antagónica destes dois protagonistas, mãe e filho primogénito e herdeiro da firma, continuou em diferentes momentos marcantes dos cinquenta anos primeiros do século XX. Tendo sempre como base limite o ano de 1957, retrocede aos anos da 1ª Guerra, 1916, Verdun; aos anos vinte, revolução proletária; ao início dos anos trinta, ascensão hitleriana; aos anos da 2ª Guerra, 1943, os próprios filhos mais novos também na frente… ao final da guerra, 1945.

 

E esse confronto interpessoal centrava-se também no assumir da gestão das empresas por Alfried, que adiava sistematicamente essa decisão. Paralelamente o pai, Gustav, marido de Bertha, um Krupp apenas de nome, dirigia as empresas desde que casara na primeira década do século, adquirindo então o nome, mágico e emblemático, por decisão do Kaiser, mas a idade e a doença avançando, tornavam premente essa decisão.   

E na vida pessoal do filho também a mãe intervinha. Destinando e determinando com quem casar, que isso o filho também lhe arremessara na cara, num dos confrontos de vontades em que se embateram.

E a assunção da gestão da firma viria a acontecer em 1943, em plena II Grande Guerra, já o prenúncio do fim se anunciava, os bombardeamentos na Alemanha já se vislumbravam ao longe. Mas foi aí, na reunião do conselho de administração, que Bertha também entoaria loas a Hitler!

 

br.sputniknews.com

 

E os bombardeamentos atingiram o Ruhr industrial e a cidade de Essen e as fábricas da firma, coração da indústria alemã, motor do armamento das forças armadas alemãs, isto é, de Hitler e do nazismo. E vê-se Alfried no meio dos escombros, das suas fábricas em ruínas, e aconselhado a fugir, ripostou “para onde?”. Sim, para onde poderia fugir, se a Alemanha estava acossada a Leste pelos soviéticos e a Oeste pelos aliados e, em breve, estaria ocupada e destruída pelos exércitos ocupantes? Só uma fuga tipo a que encetaram Hitler e os seus mais fiéis seguidores…

Alfried ficou e foi na sua Villa Huguell que os exércitos americanos o foram buscar. Estará preso alguns anos, até 1953.

 

E, como temos visto, em 1957, já reassumira as funções de direção das fábricas, porque era um verdadeiro Krupp e fora para isso que o haviam preparado desde criança.

 

E com este remate, também remato o final desta narração, porque também não tenho a certeza se a história desta família que se confunde com a História da Alemanha e do Mundo, durante a última metade do século XIX e a primeira do século XX, se essa história, narrada na mini série, terminou na 5ª, se na 6ª feira.

 

Mas ainda há uma questão final que gostaria de colocar.

Será que estes Personagens da História tiveram realmente consciência do seu papel malévolo nessa mesma História, enquanto fabricantes e fornecedores de armas e alimentadores das Guerras?!

 

Que muito conto fica por contar nesta narração, que não se pretende exaustiva relativamente à narrativa original!

 

 

 

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