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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Coisas da Net (II)

Mais algumas coisas que tenho constatado, apreendido e aprendido!

Foto Original. 2020. 08. jpg

Coisas que tenho observado e sobre que tenho aprendido, principalmente nos últimos meses, em que me tenho embrenhado um pouco mais nestas coisas da net.

Muitas desconhecia e assim tenho aprendido também.

A questão dos plágios: não é recente, tomei consciência desta situação mal comecei.

Os perfis falsos: algo de que já conhecia a existência, mas que constatei na prática, há pouco tempo.

Mais recentemente apercebi-me de perfis falsos de comentadores que são “outros eus” dos autores do blogue. De Anónimos, que respondem por vários perfis. Agora procuro selecionar onde comento, para não ficar enredado nessa teia confusa de quem é gente e de quem é apenas pseudónimo, sem conteúdo pessoal. Tenho aprendido!

Os indignados, os irritados da net. Há gente que anda sempre a dizer mal de tudo e todos. Há os que selecionam os respetivos ódios de estimação. Esta indignação segue ondas e modas. Se aparece uma gaffe qualquer, de um tipo ou tipa na moda, cai-lhe tudo em cima.

Também me apercebi que há “bloguers” / “bloguistas”, que têm uma agenda política e partidária muito bem definida. Só me apercebi disso há bem pouco tempo. Fazem propaganda de determinadas correntes políticas e partidárias, como se estivessem a opinar de forma isenta e inócua. Vamos percebendo com o tempo.

Há direcionamentos muito específicos sobre determinados assuntos. A ponto de, perante ocorrências do mesmo teor, face ao acontecimento x ou y, se for encarnado ou verde, toda a gente se atira, mas se for amarelo ou roxo, omite-se completamente opinião. Caso bem recente foi o das festas, festinhas, festanças e festarolas, romagens e romarias, que houve por aí.

Qualquer coisa serve para o pessoal se indignar, arrotar postas de pescada, quando não ofender.

Mas também tenho aprendido com todos estes cambiantes e atuações. Aprender até morrer!

E volto aos erros ortográficos?

Querer dizer. “Há” e escrever “Á”. É mais frequente do que parece.

E sobre o “Acordo”, com que metade dos internautas está em desacordo?!

Quem escreve errado? Quem o segue ou quem escreve segundo o normativo anterior?!

E continuamos a ter de estar sempre a verificar dados quando entramos nos vários sites. Um aborrecimento!

E algo positivo que aprendi a partir da comunicação na net, ainda não há muito tempo. Nos postais, dimensioná-los para uma página. Tenho a mania de escrever muito texto. Agora esforço-me por escrever menos e quando ultrapasso, faço dois postais. Obrigado a quem me ensinou!

Acordo Ortográfico! Opinião de um Clássico e Mestre!

Sobre o ACORDO ORTOGRÁFICO!

Opinião de um Clássico e Mestre!

 

Deixo este texto à reflexão…

Extraído de um Clássico da nossa Literatura. Que os Clássicos são sempre fonte de ensinamentos!

 

Viagens na minha terra.jpg

 

“Sôbre orthographia (que é fôrça cada um fazer a sua entre nós, por que a não temos) direi que segui sempre a ethymologia em razão composta com a pronuncia; que accentos só os puz onde, sem elles, a palavra se confundiria com outra; e que de boamente seguirei qualquer methodo mais accertado, apenas haja algum geral, e racionavel em portuguez: o que tam facil e simples seria se a nossa academia, e govêrno em tam importante cousa se empenhassem”

 

Excerto de “Advertência”, no poema “Camões”, 1825, A. Garrett.

 

In.

PREFÁCIO, de  Prof. José Pereira Tavares

4 – “A nossa edição”, pág. XXX.

Garrett, Almeida. Viagens na Minha Terra. Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa. 1966

 

Água sem gás… H2O

E como, apesar de termos hoje mais um dia de chuva, um copo de água sabe sempre bem e refresca as ideias. E também não vamos colocar a rapariga, pois que de uma rapariga se trata, não a vamos colocar a pedir um copo de vinho!

Lembramos ainda que a ação decorrente da narrativa se situa num outro tempo, tanto cronológico como meteorológico. Por tudo isso segue:

 

Capítulo II

 

Saiu então ela, Odete, da Livraria, agitando a nota de cinco mil escudos, ainda por destrocar. Mas precisava urgentemente de dinheiro mais miúdo.

Pensou ir ao Café, tomar uma bebida, entregar a nota e assim eram obrigados a dar-lhe troco. Acabou por entrar na primeira Tasca da Esquina e dirigiu-se ao balcão, pedindo uma garrafa de agá, dois, ó, do Luso.

H 2 O. Foto de F.M.C.L.

- Menina, não sabe que o H não se lê?! E andam vocês a estudar, não sei para quê…

Não obtendo resposta, o taberneiro continuou:

- Então, porque o pronunciou?! Além do mais não percebo por que razão o Acordo Ortográfico não baniu completamente essa letra. Não faz falta nenhuma, só dá mais trabalho e gasta mais carga de esferográfica e tinta e ocupa espaço na folha. A menina quererá certamente… dois. Oh, tu que és do Luso, traz aí… Mas, menina, quer dois de quê?? Dois maços de tabaco, já se vê. Já fuma?! Tão novinha! Não sabe que o tabaco mata?! Mas, enfim, aqui tem dois maços de tabaco SG, já se vê, mais uns pregos para o seu caixão. Pagamento no ato de compra, do tabaco, não do caixão, que esse pode ser pago a prestações.

 

- Pagar com cinco mil escudos? Isto aqui não é nenhum antiquário. Parece que regressou você da Guerra dos Cem Anos, com tantos escudos. Cinco mil!!! Bem podia ter trazido uns euros, se vem lá dessas Europas… Além do mais, hoje em dia, na era das bombas e dos mísseis não há escudos que nos protejam, tal o arsenal de destruição que se acumula por esse mundo fora. E já ninguém quer os escudos, nem os espanhóis desde a Batalha de Aljubarrota, só mesmo Dom Quixote… agora é tudo em euros, ou dólares.

- Olhe, menina, não lhe vendo o tabaco, pois não tenho troco para tanto escudo. Ainda mal comecei o dia, não tenho quase nada na caixa.

 

Ela que assistira, impávida e serena, a todo este arrazoado de conversa, explodiu.

- Não, não tem nada na caixa, não! Nem na caixa nem no caixote. Tem a caixa dos pirolitos desregulada e o caixote todo desaparafusado. Seu caixote despregado!

E preparava-se para sair.

 

- Espere aí, menina, que também leva troco.

Voltou-se a rapariga, admirada por, de repente, o taberneiro já ter dinheiro na caixa para lhe dar troco, quando este lhe devolve o impropério figurado, atirando-lhe a água dum copo que enchia para um cliente que lhe pedira uma água sem gás.

- Toma lá um refresco para essas ideias tontas. Imagine-se pronunciar o agá. Onde já se viu?! Só mesmo para quem quer ofender um quase analfabeto como eu.

 

Com os cabelos escorrendo, realçando o cheiro a camomila do shampoo, xampô, sem h, ultra suave, que costumava usar, quedou-se um pouco, meditando sobre algumas questões de Química que a preocupavam. Se tivesse boa nota, nesta disciplina, melhorariam as hipóteses de entrar na Universidade. Oxalá saíssem muitos problemas, porque na Matemática estava ela bem. Ou não, H2O?!

 

 

Mais uma Nota!

Uma versão deste texto foi publicada no Boletim Cultural Nº 71, do Círculo Nacional D'Arte e Poesia, Ano XVI, Fev. 2005.

Estórias que parecem mentiras…

Introdução

 

Vamos iniciar un conjunto de seis "estórias", que serão publicadas diariamente em pequenos capítulos.

Hoje apresentamos uma pequena introdução.

 

Estas estórias, como todas as “estórias do arco-da-velha”, foram escritas num tempo já passado, embora não muito distante, mais concretamente nos anos oitenta do século XX, que agora já parece tão longínquo, tal a voracidade e velocidade com que cronos nos devora os dias e as noites, no suceder do nosso dia-a-dia.

 

Já foram publicadas, em pequenos capítulos, em Boletins Culturais do Círculo Nacional D’Arte e Poesia, em 2002, 2004, 2005, 2006, 2007, já século XXI e agora, tempos modernos, vamos dá-las a conhecer neste blog.

 

Quando publicadas no Boletim já aí lhes déramos algum tempero deste século XXI. Uma pitadinha de sal aqui, um grãozinho de pimenta acolá…

Agora nesta republicação, embora mantendo a estrutura e narrativa originais, tentaremos dar-lhes algum novo e pequeno aconchego, para que fiquem ainda mais saborosas. Usaremos a ortografia atual, pese embora o desacordo relativamente ao Acordo, mas como já o vimos utilizando há algum tempo, não nos parece já tão obtuso, apesar das reticências que ainda possamos ter no referente ao mesmo.

 

Vieram estas historietas dum tempo em que ainda havia escudos e notas de quinhentos e de mil e assim por diante e para trás, sendo que cada nota de mil escudos era designada por “um conto de réis”. Corresponde ao valor atual de cinco euros.

Será que ainda nos lembramos das notas de escudos e de contos com a efígie de Homens Ilustres do nosso passado histórico?! Ou já as esquecemos na voragem do nosso quotidiano de euros e cêntimos, o porta-moedas sempre cheio de unidades centesimais: um, dois, cinco… cinquenta cêntimos, uns quantos euros. Pretendendo lembrar-nos o nosso Primeiro Afonso, mas de uma forma tão abstrata, que não sei se alguém lá chega. Em contrapartida, presenteiam-nos com a imagem de reis de outros países seja da Espanha, da Bélgica, da Holanda…

E notas de pontes e arcos e arcos e pontes e arcos e… em verdade se diga que, hoje em dia e cada vez mais, as pessoas o que mais usam é o cartão de crédito!

Moedas e notas de Euros . Foto de F.M.C.L. 2014 

Pois estas histórias passaram-se ainda no tempo dos nossos velhinhos (!) escudos e contos, que provavelmente nós, os mais velhos, ainda não conseguimos esquecer completamente. Pelo menos quando calculamos mentalmente o preço de qualquer mercadoria, de valor mais avultado, e pretendemos comparar com outras compras que já tenhamos feito.

 

A personagem central destas estórias chama-se Odete, que já conhecemos de “Estória inverosímil”, historieta escrita já neste milénio e já publicada no blog.

 

Odete, nessa altura ainda não adquirira a condição de Dona, corria a Grande Cidade um pouco ao acaso, mas sempre com algum fim em vista. Finalidade nem a si mesma confessada, a maioria das vezes disfarçada por algum outro motivo plausível, razoável, que lhe permitia deambular pela urbe.

Fábula: O Hoje e o Amanhã

Vamos iniciar uma fábula...  

 

A fábula que vos vou contar ouvia-a à minha avó que já cá não mora, mas me a segredou ao ouvido, numa noite de insónia. Deve ser lida com sotaque de português do brasil, suave e adocicado, para que o “Acordo” seja levado com mais amenidade.

Tem quatro atos e a respetiva ação decorre em dois momentos: no “Hoje” e no “Amanhã”.

O “Hoje” é um dia que já é uma tarde… O sol já riu e chorou, buscou agasalho e refrigério, amou e desamou, já teve esperança e agora desalento.

O “Amanhã” tem o condão de, apesar do “Hoje” taciturno e deprimido, desesperançado e triste, trazer sempre a ilusão ou esperança possível de que “ amanhã é um novo dia” e o sol vai nascer radiante e luminoso.

O Hoje e o Amanhã situam-se num “Reino da Bicharada”, situado algures num espaço e num tempo em que os animais ainda falavam, pois que ainda havia liberdade de expressão e os ditos agiam, pensavam e sentiam como nós os humanos.

 

Apresenta-se o 1º Ato da fábula

Aproveitamos para lançar um repto: esta fábula ficaria muito bem se fosse ilustrada. Competência que nos escapa. Haverá algum eventual leitor que seja capaz de tal?!

 

Hoje - Ato Um

O Senhor Burro

 

O Senhor Burro que é trabalhador e honesto, pontual e assertivo, assíduo e proativo, experiente e motivado, com licenciatura e mestrado, que trabalha por objetivos, cumpre metas e horários, que é ‘burro de carga’, ‘pau para toda a obra’… foi despedido do local de trabalho que já exercia há vários anos.

Invocou as suas competências e qualidades, atitudes e valores, conhecimentos e experiência, sabedoria e sapiência, a dedicação à “Firma", o seu apego à "Casa”, mas nada! Era velho! Já não prestava para trabalhar, que pedisse a reforma antecipada, que mesmo penalizado, era melhor que nada!

Mencionou direitos. Que não, agora, “HOJE” “direitos são regalias”, poder trabalhar é um privilégio. Não há “direito ao trabalho”, os despedimentos são flexíveis…

 

Nota: Este ato pode ser representado por qualquer outro animal, especialmente burro, de qualquer idade e condição.

 

Hoje - Ato Dois

O Senhor Pato Ganso

 

No final do mês de novembro, o Senhor Pato Ganso abriu o seu e-mail para ver o seu estrato de conta e quanto recebera e verificou um acentuado decréscimo face ao que recebia habitualmente.

Foi falar com o contabilista da repartição onde trabalhava, não se tivesse este enganado.

Ouviu uma voz off, responder-lhe: você é pato, ainda por cima ganso, por isso recebe menos este mês, no subsídio de natal. Menos prendas compra. Hoje, é só pato ganso que recebe menos, amanhã será também o pato marreco. E assim por diante… Depois do pato vai o peru, direito à ceia de natal.

 

“Amanhã”  

 

Ato Três

Dona Galinha Có Ró Có 

 

Era dia de voto, de eleição, prática já enraizada entre os animais do Reino da Bicharada. Fora marcada a votação, para o primeiro dia do ano, primeiro de janeiro, que coincidira em domingo. Para poupar nos feriados, foram marcados o da “restauração”, o da “república”, o “primeiro de Maio” e o da “democracia”, todos neste mesmo dia! E mais alguns com outro significado, que assim se reduzia no feriado.

Dona Galinha Có Ró Có se apresentou para votar. Se vestira a preceito, de cravo no peito, cabelo arranjado, de ar anafado. Entrou na assembleia de voto e cacarejou: sou Galinha Có Ró Có, venho exercer o meu direito de voto.

Votar?! Galinha não vota! Galinha cacareja, está no galinheiro, põe ovo e dá pinto e, no fim, canja de galinha. Votar, só vota o Galo! Ouvia-se em off, a voz do “Pig Brother”.

Mas não, que tenho direito, que voto é livre, que é “Democracia”, respondia a Dona, abanava as asas, espanejava as penas.

Mas não, votar não votou, e tanto espanejou que a “ramona” a levou para caldo de galinha.

 

Ato Quatro

Dona Cachorra

 

Dona Cachorra, pêlo luzidio e preto, ar reluzente, feliz e contente, foi tomar o autocarro, para seguir para o trabalho.

Na paragem, viu sinal de “Aqui cachorro não entra!”, um sinal stop com imagem de cachorro preto em fundo, mas não ligou.

Tentou entrar no onibus, mas não, que não podia entrar, barraram-lhe a entrada, enquanto se ouvia “Aqui cachorro não entra!”, voz gravada em off, do mesmo “Pig Brother”. Mas Dona Cachorra, chamada de “Rosa”, argumentava que precisava de ir de autocarro, que tinha direito a ir, que tinha dinheiro, as vacinas em dia, os impostos pagos, trabalhava a horas, era cumpridora, honesta e trabalhadora, mãe de família, cachorra – diligente e fiel, sem parasitas, cidadã livre do Reino da Bicharada …

 

Será que Dona Cachorra Preta, chamada de “Rosa”, entrou e sentou no autocarro?...

 

Saber a resposta para esse Amanhã, só depende da Bicharada!

 A ler também, S.F.F.

Notas:

Esta fábula foi escrita em Dezembro de 2011. Como qualquer fábula não tem absolutamente nada a ver com a realidade.

Recebeu Menção Honrosa nos X Jogos Florais  da “Associação Cultural dos Amigos do Concelho de Avis” , em 2012.

Foi publicada no Boletim de  “Mensageiro da Poesia” nº 119 Ago/Set/Out 2013, pag. 25.

 

Ah! E continua lançado  o repto de algum leitor fazer ilustrações para a fábula.

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