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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 6 – Episódio 11

“Un Village Français

 

(Episódio Global nº 59)

(20 de Junho de 2016) 

RTP 2

 

Episódio 11- “Arrestations” – “Detenções”

Setembro de 1944

 

A sacanagem da baixa política!

 

“Jean Marchetti esconde-se em casa de Rita. Os problemas do quotidiano agravam-se: abastecimento, saúde, alojamento… É a penúria.” (…)

 

Os aliados de ontem tornam-se, hoje, adversários, melhor, inimigos, dados os métodos que utilizam para conquistar o poder!

 

Faltam bens essenciais, falta de tudo, em Villeneuve. A população revolta-se, que onde há fome... fazem-se pilhagens. Reina a desordem. As esperanças associadas à Libertação esvaem-se, por entre a incapacidade de a República dar de comer a quem tem fome. Há quem tenha saudades de Vichy!

As autoridades na pessoa do prefeito, Bériot; do chefe da polícia, Antoine; do presidente do CDL, Edmond, tentam dar resposta às múltiplas necessidades, mas onde não há pão, não há mantimentos para distribuir...

Também, entre eles, a baixa política insere-se ignominiosamente, insidiosa, da pior maneira.

As gentes envolvem-se à pancada por um pedaço de pão.

 

(E não posso deixar de reportar para o que se passa ainda e atualmente. E já que estamos em França, onde atualmente decorre o “Euro”, para aquela cena de ignomínia dos adeptos (?) ingleses a atirarem moedas a crianças pobres!!! E vão estes... que chamar-lhes (?), votar sobre a permanência ou saída do Reino Unido da União Europeia!!)

 

E à pancada andou Ezechiel Cohen, por causa do abastecimento e nada trouxe, além da cara esmurrada.

“Apertamos o cinto”, lhe disse Rita.

“Penso cada vez mais na Palestina” (E sobre este assunto também há tanto para inferir...)

E Ezechiel falou-lhe das vantagens de seguirem como família, apesar de Rita não ter papéis... Que em Lyon preparam idas para esse território.

 

E Rita chamou Jean: “Jean, vem, por favor!”

E apresentou-os. “Acho que já se conhecem”

Jean, vem do hebraico, de Yonah: “Deus tem piedade!” Comentou Ezechiel.

Terá?! Pergunto eu. Merece piedade?! Obterá o perdão?!

 

Suzanne, agora desamparada de amor, que “o gaullista” a deixou para outra da mesma geração, vagueia pela rua e dirige-se à sede do CDL, onde houvera uma invasão da turbamulta.

Edmond arrumava as mesas e cadeiras derrubadas...

Falaram da omissão da vida privada, no contexto do partido... (Onde e sobre quem tanto essa situação foi sonegada durante décadas, melhor, durante a vida inteira, de um certo e emblemático e carismático personagem da vida política portuguesa?)

Edmond morrera-lhe a mulher há dois meses, nada dissera. “Morreu por um ideal.”

“E tu, que queres? Lamentares-te ou bateres-te por ideais?” Edmond interpolou a militante Suzanne.

“O partido quer conquistar a câmara. Derrotar Bériot.”

 

E Edmond encomendou, a Suzanne, que soubesse se nos arquivos da esquadra haveria alguma coisa que tramasse Bériot e a mulher, que, em tempos, se falara de uma paixoneta desta por um boche. (Paixoneta!)

Suzanne tinha, na polícia, dois “conhecimentos” chave. O chefe, o “gaullista” Antoine e Loriot, (como classificá-lo?), novamente membro da esquadra. Ambos também suas paixões ou paixonetas.

E Suzanne, à partida, excluiu Antoine, não iria manipulá-lo e atacou Loriot, o “bigode mais jeitoso de Villeneuve”!

Inicialmente o polícia retraiu-se, não confiava totalmente nela.

 

Lembra-se, caro/a leitor/a, que foi devido a esse relacionamento que Suzanne foi considerada traidora, no contexto da célula do partido?

Onde isso já vai, me dirá.

 

Mas há lá homem que resista ao elogio do bigode, para mais provindo de uma cara bonita  e charmosa?!

E Loriot comprometeu-se. “A troco de nada. Em nome dos velhos tempos.”

Em troco de nada, Loriot, que já anteriormente informara de que Antoine andava de amores com a irmã de Alban, eu pensei que ela já saberia... Loriot, repito, a troco de nada sempre trouxe alguma coisa.

Em primeiro lugar, que ele é um senhor galante, ofereceu-lhe um ramo de flores. Lembrando velhos tempos ou preparando os novos, que a rapariga anda desamparada.

E o pretendido. Nada sobre Bériot, vasculhados os arquivos de 41, mas algo sobre outra pessoa. Ainda melhor!

E que pessoa acha que será? (Pensei em Lucienne.)

 

E Suzanne entregou o documento a Edmond, que sorriu, cinicamente, como é habitual no seu personagem.

 

Lembremos que este documento será, em princípio, para tramar Bériot.

Daniel in. leblogtvnews.com

 

Este, como também já referimos, convidara o médico, Daniel Larcher, para colaborar com ele na prefeitura, sob condições mutuamente estabelecidas.

Encarregara-o de inventariar situações de resolução de três problemáticas prementes na Cidade: Saúde, Alojamento, Alimentação.

(Lembram-se da canção “Liberdade” de Sérgio Godinho?! “Casa, Pão, ...”

E estas prioridades também foram algumas das emblemáticas após o 25 de Abril.)

 

Voltemos à realidade ficcional.

Larcher desempenhou as suas funções muitíssimo bem, apresentando as soluções encontradas, em reunião com o prefeito e o secretário, Hector.

Sobre a Saúde, com recurso às freiras do convento, que haviam concordado e disponibilizado os seus meios; sobre Habitação, também explicitou soluções concretas e sobre Alimentação, não trouxe ainda dados precisos, mas propôs reunir-se com Servier, que sabe, de certeza, onde buscar víveres.

Dito e feito, reunido com o dito cujo, este concordou em dizer-lhe onde achar alimentos, na condição de lhe trazerem um salvo-conduto para emigrar para a Suíça e um bom jantar para a mesa.

(É caso, para dizer: Que mamão! Que foi o que ele fez em toda a ocupação, mamar, lamber botas, servir e servir-se.)

 

E, em “reunião de prefeitura”, a que compareciam também membros do CDL, presidido por Edmond, que fora encarregado por Bériot de chefiar a questão do abastecimento da cidade, o prefeito contava apresentar Larcher, e as suas pesquisas, como um trunfo.

Enganou-se. Mas lá iremos.

 

Antes, julgo que em reunião anterior, em que estiveram ambos os chefes das fações, agora oposicionistas; Bériot, gaulista e Edmond, comunista, atiraram-se “mimos elogiosos” um ao outro, sob os auspícios de um retrato do General De Gaulle.

Edmond, “elogiando” Bériot, cuja polícia, chefiada por Antoine, libertava colaboracionistas, referia-se à chata da Jeannine; em vez de prendê-los, que o “carniceiro” Marchetti ainda andava a monte.

Bériot, por sua vez, mimoseava Edmond, cujo abastecimento, de que era o delegado, era uma desgraça.

Andavam numa inventariação fictícia das necessidades da população, quando não havia nada para distribuir, aproveitando para propor às pessoas a adesão a um determinado partido, cujo nome não disse.

Igualmente defendeu Loriot, pela sua competência; Edmond não o saberia ainda, Bériot provará, sem o saber, do veneno dessa mesma eficiência.

Também Daniel Larcher teve direito a ser defendido, e concordo inteiramente, pela sua “Generosidade e sentido de Humanidade”.

 

 

E, voltando à reunião de prefeitura em que Bériot apresentou Larcher como colaborador, elogiando a sua competência no encontrar de soluções, para três problemas prementes na Cidade: Abastecimento, Alojamento, Saúde.

Edmond, cínico, questionou-o:

- “Confia nele?!”

E lançou a bomba.

“A partir de um documento que, por acaso, nos veio parar às mãos, sabemos que Daniel Larcher era, em 1943, informador da polícia alemã!”

E apresentou o documento assinado por Heinrich Muller.

Lembramo-nos perfeitamente dessa situação de quando o médico estava preso juntamente com o irmão, Marcel...

 

Que acha senhor/a leitor/a ?!

 

Neste caso, eu opino sem quaisquer dúvidas ou hesitações.

Foi uma verdadeira “sacanagem”!

 

E foi um lavar de roupa suja e atirar de lama... sobre um ser humano intrinsecamente bom, apesar das contradições inerentes ao comportamento de qualquer homem ou mulher, para mais em tempos tão complicados.

Ma é assim a política, para mais a baixa política!

E o médico foi logo ali despedido, que Bériot pode, quer e manda, e enviado para prisão domiciliária, a juntar-se à mulher Hortense, que foi a alma dos seus pecados. Mas também a razão de estar vivo.

Que as vivências, os comportamentos, as atitudes dos diversos personagens são multifacetadas.

Como, aliás, de todo e qualquer Ser Humano.

Nem sempre preto é preto, nem branco é branco!

 

Veja-se que Daniel, apesar de o considerarmos um homem bom, ainda rematou:

“Vou contar quem é o seu hóspede.

O hóspede já se foi.” Retorquiu o prefeito.

(Afinal não terá sido este médico que passou a certidão de óbito, como eu julgara.)

 

E ainda há mais para contar?

 

Já referi que Jeannine fora presa pela “purga”, chefiada por Anselme, que queria saber do dinheiro que ela ganhara a reparar tanques dos boches e para o ir buscar, para poderem comprar alimentos para os necessitados.

E que a queriam julgar e mais tornas e deixas nestes casos.

 

Mas havia ordens superiores de Bériot, sempre ele, de que ela fosse recuperada e dessa ordem e execução se encarregaram Antoine e Loriot.

 

(E foi uma verdadeira cena de duelo, de filme de “cow-boys”, a que só faltou o herói, Antoine, ir montado no seu corcel branco.

Esclareça-se, que, à data, este género de filmes ainda não dominava o mercado, nem sei se já teria surgido, nem a filmografia americana ainda era dominante, nem sequer a indústria cinematográfica atingira a importância que viria a alcançar nas décadas seguintes, no pós-guerra.)

 

Certo é que Antoine libertou Jeannine!

 

E sobre outro verdadeiro colaboracionista e verdadeiro criminoso, per si, que a guerra não justificava as suas atitudes criminais, nem as ações que praticou, sobre o “carniceiro” quero ainda falar.

 

A cena final em que o “miúdo”, Antoine, que Loriot julgara enganar, voltou à casa onde o criminoso, Marchetti, se acoitava e os apanhou, a ambos, a conversar, paradoxalmente Jean com o filho David ao colo, foi uma cena antológica de filme de ação.

 

E aguardemos o próximo e último episódio desta sexta temporada, certamente o derradeiro da série, porque a sétima provavelmente nunca mais aparecerá, nem sei se já foi concluída a sua realização, nem se já passou em França.

E, ao que me parece, a RTP2 retorna a outra série já apresentada anteriormente.

 

E, como sempre, muito ficou ainda por contar!

 

 

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 6 - Episódio 5

“Un Village Français

(Episódio Global nº 53)

(10 de Junho de 2016)

 

RTP 2

 

Episódio 5 – “L'homme sans nom” – “O Homem sem Nome”

28 de Agosto de 1944 

 

 

Quem é este “Homem sem nome”?

 

Muller, “caçado” com Hortense, ambos presos pelos americanos, que ela afirma ser seu cliente de favores sexuais, assumindo-se como prostituta, e negando terminantemente conhecê-lo?!

 

Marchetti, de nome por demais conhecido, ativamente procurado pelos “Resistentes”, mas passando despercebido aos mesmos, sonegando o nome, renegando-se enquanto tal, inclusive afirmando-se de judeu, (!), escondendo-se no celeiro e, mais uma vez, incógnito aos seus “caçadores”?! Enquanto Rita, o filho, David, ao colo, se apresenta aos perseguidores, ficando ele, cobarde e cinicamente, a vê-los partir, por entre as frinchas do palheiro, sorrindo de soslaio...?

 

Ou Kurt, amado sempre esperado por Lucienne, que faz de enfermeira, coadjuvando o Drº  Daniel Larcher, sempre na secreta e remota esperança de ele um dia voltar, de preferência à civil, que é como quem diz, em paz?!

 

Nesse difícil papel de enfermeira, ela que era apenas professora primária, na Escola transformada em hospital de campanha, para tratamento dos feridos alemães, Lucienne tratava com desvelo os jovens feridos e politraumatizados, sempre na guardada fé, não declarada, segredo seu, apenas revelado a soldado moribundo, que ele, Kurt, o seu eterno romance, um dia retornasse.

E, fosse ou não Kurt, não sei, apenas me apercebi que, no findar do episódio, Lucienne, ao destapar a mão entaipada, do soldado queimado, todo enrolado em ligaduras, nessa mão descobriu a do seu Kurt. E a beijou e acariciou como tal.

Será ou não será?! Ou será que ela nele vê e revê o que o seu coração deseja?!

Ou é apenas uma partida do guionista para nos deixar presos para o próximo episódio, para mais ainda com fim-de-semana prolongado de permeio e o “Europeu” também em França?!

Sinceramente, não sei!

(E, dir-me-á que há aqui incongruências...)

 

Neste episódio verificámos que, afinal, os alemães ainda não abandonaram de todo Villeneuve. Para além dos feridos, ainda há soldados ativos, e a fazerem estragos.

Na espera do aguardado comboio que levaria os restantes para Belfort, juntamente com os milicianos e os judeus presos, o comandante alemão, julgo que Schneider, ordena aos milicianos que abatam os judeus.

Estes, finalmente(!) recusam-se a obedecer e face à tentativa dos alemães agirem, disparando selvaticamente sobre inocentes, Marchetti, também ali presente, e alguns milicianos, disparam sobre os boches, impedindo um massacre de crianças e mulheres judias.

Acha abnegada e altruísta a atitude de Marchetti, o “carniceiro de Villeneuve”?!

Desengane-se.

Marchetti apenas quis salvar o próprio filho e a mulher que amou, a judia Rita de Witte!

 

E com ela e o filho foge, deambulando pelo campo, até que se acoitam numa quinta abandonada.

Nessa deambulação e caminhada foi uma oportunidade de se confrontarem sobre amor e desamor, sobre o passado recente de ambos, de como ela e porquê regressou da Suíça, para onde ele a levara; do que ele fizera nesse tempo, dos crimes que cometera entretanto, para além de prender crianças e mulheres, do porquê do epíteto que lhe atribuíam.

Também do seu passado remoto, dos pais que ambos não conheceram... Também de futuro, do que fazerem, reatarem ou não o relacionamento, que Rita não deseja, que por ele apenas sente “mágoa e desprezo”. Da atribuição de paternidade a David, filho de ambos, que Rita também recusa, que “David é uma criança sem pai”!

Rita já não quer nada com a França. Não esqueceu 1942 e a forma como os franceses trataram os judeus. Talvez vá para a América... Londres... Portugal...

 

Marchetti é perseguido encarniçadamente. Por enquanto, ainda não foi apanhado...

Por enquanto... Que Rita, apesar de tudo, e de todas as razões que tem para o odiar, não o denunciou.

 

Hortense e Muller foram presos pelos americanos.

Negam conhecer-se, ela afirma-se prostituta, (fugiu-lhe a boca para a verdade?!), sujeita a interrogatório, confirma sempre essa versão, tenta seduzir o oficial americano, mas é presa numa cave juntamente com outras mulheres francesas suspeitas.

E quem vai ela encontrar na mesma condição de suspeita, mas como supostamente espia?!

Pois precisamente a temperamental Jeannine.

Entram em conciliábulo. Jeannine sugere não revelarem os seus segredos, mas, mal é levada presa e ameaçada de ir a julgamento para Besançon, e não ser eventualmente socorrida pelo providencial papá, logo imediatamente denuncia Hortense dando a conhecer que o respetivo “cliente” é nem mais nem menos que Heinrich Muller, o célebre e procurado chefe do SD de Villeneuve!

 

Gustave in. youtube.com

 

Gustave, filho de Marcel e sobrinho de Daniel, foi apanhado pelos alemães a fazer contrabando no mercado negro.

Ia ser fuzilado, não fora a providencial chegada do tio Daniel, que conseguiu, com calma e persuasão, apesar de armas apontadas, convencer o soldado alemão que podia colaborar com eles, ajudando-os a salvar e operar feridos, na sua qualidade de médico. 

Daniel in. telestar.fr.jpg

E foi nesse contexto que ele reiniciou a efetiva colaboração com a designada, circunstancialmente, enfermeira, a professora primária, Lucienne!

 

E que acontecerá a todas estas personagens?!

 

Quem também regressou ao elenco e ao enredo foi o enigmático De Kervern.

Agora todo-poderoso e cheio de ares de prosápia. Investido na qualidade de prefeito da cidade.

Dando ordens e afirmando objetivos de ação: Restabelecer a ordem, prioritariamente; apanhar colaboracionistas, sem perdoar...

Despediu-se: “Meus Senhores...”

Mas foi corrigido por Suzanne: “Meus Senhores e minha Senhora!”

Foi olhada de soslaio...

 

Estou na Resistência, desde 1940!”

 

Suzanne in. toutelatele.com

 

Esta personagem, Suzanne, é por demais interessante sob múltiplos aspetos: enquanto mulher, cidadã, política, trabalhadora, “Resistente”, militante...

Agora de namoro com Antoine, o herói romântico do “Desfile”, bem tenta encaminhá-lo... Mas ele apenas quer brincar com ela ao jogo de “pedra, papel tesoura” ou mesmo à “macaca”.

Ou que ela lhe narre o conto da “fonte do ouro”.

 

“... a fonte do ouro está no teu coração.”

 

E, deste modo, por hoje, termina esta narração!

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 6 - Episódio 3

“Un Village Français

(Episódio Global nº 51)

(8 de Junho de 2016)

 

RTP 2

 

“La Corde” – “A Corda”

27 de Agosto de 1944

 

Título sugestivo: “La corde” -  “A corda”.

Que os alemães, comandados por Schneider, antes de abandonarem Villeneuve, face ao avanço das tropas aliadas, não sei se maioritária se exclusivamente americanas, deixaram ainda acentuadamente a sua marca de terror.

Convocaram a população, obrigaram (?!) os fascistas dos milicianos, para a execução - chacina de vários cidadãos da cidade, que enforcaram na praça, aos olhos aterrorizados e angustiados de familiares.

(Mas, nesta fase da guerra, como e porquê as designadas “autoridades” da cidade, ainda se sentem “obrigadas” a cumprirem ordens dos alemães?!

Como puderam tantas vezes, durante tanto tempo e tantos franceses serem autores ativos na morte de seus concidadãos, tão franceses como eles?!?!)

 

Como subtítulo também poderíamos designar:

A morte escusada / supérflua de uma Heroína (?)

Ou, a morte ignóbil (?), trágica, de uma Heroína (?)

 

Sim, porque neste episódio e no contexto dos enforcamentos, Marie Germain também sofreria a mesma sorte e morte de milhares dos seus concidadãos. Digamos, que mais uma vez, não sei se de forma trágica, se ignóbil, se escusada ou supérflua, Marie compartilhou a sua vida, a sua “Causa”, com os seus compatriotas.

Na minha perspetiva, fora eu guionista, e não “matava” a Heroína! Pelo menos assim...

Dar-lhe-ia um outro Destino. Glorificá-la-ia! Trataria de a fazer comparticipar nos festejos da Vitória.

Se a “matasse”, seria em batalha, em ação, em luta, sei lá, rebentando a ponte, ou com um tiro disparado por um inimigo.

Mas Destino é por vezes destino e neste quem manda é o guionista.

 

Irónico, mas extraordinariamente exemplificativo e paradigmático, é que o seu carrasco tenha sido Marchetti, esse personagem execrável, desumano, cheio de ódio pelos outros seres humanos...

Foi ele quem lhe pôs a corda ao pescoço, quem a prendeu, quem a esticou... mas quem a “puxou”  não terá sido a própria Marie?!

“Lacaio miserável...”

E Marchetti deu um pontapé no banco para onde obrigara Marie a subir. (E porque subira ela?!)

E ficou a baloiçar, presa na forca...

 

Que mal lhe fez a Humanidade?!”

(Lembramos que Jean Marchetti se referira a si mesmo, como um filho da “assistência pública”...)

 

Marie e  Raymond in. toutelatele.com

 

No seu idealismo, Marie merecia outra sorte e diferente morte!

Até porque andava novamente de amores com Raymond.

Que a ouviu chamá-lo, quando ela se aproximava da ponte antes de ser presa por uns soldados, que não consegui identificar totalmente.

Pareceu-me que Schneider os apelidou de “bávaros”...

 

E sobre bávaros, Baviera, Alemanha, lembramos Muller e Hortense.

“Casados” sob nome falso; “casados” sem aliança, mas de tesoura; “casados” por pacto de sangue... estão sós, auto centrados, entregues a si mesmos, na floresta, projetando fugir para a Alemanha, que para a Suíça se tornara de todo impossível, que o exército americano já ocupara essa via.

 

E foi também para a Alemanha que o resto do exército alemão ocupante de Villeneuve conseguiu fugir, sem o prometido (?) impedimento dos americanos.

 

Prometido ficou também o acordo firmado entre as ainda autoridades “legais” da cidade e os “Resistentes”.

Acordo difícil, finalmente selado por documento de papel assinado!

 

Da salvaguarda de redenção ficaram excluídos, entre outros personagens, os milicianos e Marchetti. Que está carregado de culpas no cartório!

No final do episódio, vimo-lo carregar a sua mala, a caminho de um destino improvável, pelas ruas amarguradas de uma Villeneuve antiga e pobre, marginal, diria eu que um antigo bairro suburbano, certamente de grupos sociais minoritários e ostracizados.

Digo eu, porque li em excerto de futuros episódios que ele se irá refugiar em casa de Rita, judia, e sua antiga amante...

 

Aguardemos...

 

Notícias boas: Antoine e Suzanne, novo par amoroso, conseguiram salvar-se.

 

 Temporada 6

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 6 - Episódios 1 e 2

“Un Village Français

(Episódios Globais nº 49 e nº 50)

(6 e 7 de Junho de 2016)

 

RTP 2

 

Paris Libertada in. vitruvius.com.br.jpg

 

Episódio 1 – “Paris libéré” – “Paris Libertada”

25 de Agosto de 1944

 

Episódio 2 – “Le pont” – A Ponte

26 de Agosto de 1944

 

Teve início o 1º episódio com o discurso do General De Gaulle, proferido na Câmara Municipal da Cidade e transmitido na rádio, anunciando a “Libertação de Paris”.

“...

Paris ! Paris outragé ! Paris brisé ! Paris martyrisé ! mais Paris libéré ! libéré par lui-même, libéré par son peuple avec le concours des armées de la France, avec l'appui et le concours de la France tout entière, de la France qui se bat, de la seule France, de la vraie France, de la France éternelle.

...”

 

Discurso heróico, encomiástico e galvanizador da França... O apelo ao ego dos Franceses, mobilizando-os para a reconquista da Liberdade. Portador de Esperança!

Em Villeneuve, como provavelmente em toda a França, terá ele sido escutado por todos os franceses, pelo menos os que tivessem acesso a rádio.

As reações ao mesmo, as expetativas de cada um, as esperanças, os receios, as alegrias e tristezas concernentes, dependiam do respetivo posicionamento durante a ocupação.

 

Entre os “milicianos”, grupo paramilitar fascista, o seu chefe, Janvier, ameaçou desde logo que, antes da Libertação, em Villeneuve, ainda haveria de correr muito sangue...

E se ameaçou, melhor fez cumprir.

Ele e o seu grupo de fanáticos delinquentes não tiveram pudor de chacinar Vernet, a mulher, e os dois filhos. Uma família inteira.

(Lembremos, ironicamente, que a ideologia fascista, entre outros pressupostos, assentava na célebre trilogia: Deus, Pátria, Família...)

 

Entre os “Resistentes” aumentava a Esperança, agora que os exércitos libertadores, encabeçados pelos americanos, também se aproximavam.

A ação dos Resistentes o seu papel na “Libertação” era cada vez mais fundamental. O apoio logístico dos americanos e a colaboração com os mesmos já se iniciara há algum tempo, ainda que de forma limitada, pois as tropas aliadas ainda estavam a alguma distância, o exército alemão ainda ocupava a cidade, a estrutura político-militar de Vichy ainda estava operacional.

Os recursos, os meios e os efetivos humanos ainda eram poucos, mas havia ação.

 

Contudo esta nem sempre era possível de concretizar.

E, caso exemplificativo: Antoine e Suzanne assistiram, impotentes, revoltadíssimos, ao assassinato de Vernet e família.

Mas juraram agir, que não podiam ficar indiferentes a tal massacre.

 

Mais tarde, com a ajuda de Max e outros camaradas, invadiram a casa do facínora, deixando-o ferido de morte.

 

Fugindo à perseguição que lhes foi movida, acoitar-se-iam em casa de Gerard, o ex-marido de Suzanne, viúva de Marcel, como sabemos e, novidade, embeiçada por Antoine! Aliás é namoro assumido, ainda não concretizado, porque os tempos são difíceis, as oportunidades não são muitas, para quem anda sem eira nem beira, e o rapaz ainda está como veio ao mundo e, nessa condição, há sempre uma maior inibição, acanhamento... Aguardemos!

 

(Dirá o leitor que começámos com um registo heróico, abordámos um tema trágico, continuámos em temática amorosa e terminámos em registo irónico...

Mas a estrutura narrativa aborda estes e muitos outros cambiantes. Para além de que o “teclado” me vai levando por caminhos que, à partida, não delineei de todo.)

 

Em casa de Gerard, que vive com uma prima e a sua filha e de Suzanne, o amor pela ex-mulher ainda não se extinguiu da parte dele, que não dela, que, como sabemos, já dele se desligara há muito.

A reação da filha relativamente a Suzanne, foi de muita carência, necessidade de afeto, da presença da mãe, pedindo-lhe que voltasse...

Já aqui falei noutras vezes, como seria interessante abordar a guerra, segundo o olhar das crianças: Gustave, Tequiero, os filhos de Vernet, assistindo à execução sádica dos progenitores, e, agora, a filha de Suzanne... as crianças na Escola...

Parafraseando precisamente Suzanne, é imprescindível nunca esquecer o olhar das crianças!

 

(E lá está o sentido, o fio condutor da narrativa a desviar-se novamente...)

 

Acoitados por Gerard, pela prima, chegaram os milicianos que vasculharam a casa.

Alban, o executante das crianças de Vernet, a mando do padrinho Janvier, dialogou com a filha de Suzanne, questionando-a... viu os foragidos que procurava, mas não os denunciou...

Nestas personagens perdidas de si mesmas, em tempos tão incertos e de tantas mudanças e perplexidades, nestas e nestes personagens há muitas dúvidas, muitas ambivalências.

Muitos não sabem para que lado balançar, nem onde está o certo e o errado.

E, questiono-me, haverá sempre, simplesmente e apenas o preto e branco?!

O que acha?!

 

Mesmo entre os Resistentes, unidos num propósito comum é certo, persistiam muitas dúvidas: sobre os caminhos a prosseguir, como e quando agir, a quem seguir e obedecer, o que fazer e como fazer...

Também, ainda que irmanados nesse objetivo comum, a estrutura funcional, o ideário, as ideologias em que se integravam, por vezes dividiam-nos.

 

E Antoine e Suzanne sairiam de casa de Gerard que a prima deste, supostamente, fora avisar um resistente a trabalhar no café, para os vir buscar de carrinha.

Combinação feita, ao chegar a carrinha, eventualmente libertadora, tiveram a desagradável surpresa de terem Marchetti a esperá-los.

 

Levá-los-ia para a esquadra, mas isso veremos apenas no 3º episódio...

 

O célebre par amoroso que tem percorrido a narrativa, Hortense e Muller, está de pedra e cal.

Vão selando o seu amor, (e porque não Amor?!), até ao final. Arrastando-se para o abismo.

Prossegue o seu enlace, que Hortense é persistente, também não tem para onde cair morta, que é como quem diz... Ele também está de beiço caído por ela e ambos abandonam tudo e todos. E fogem para a Suíça.

Pelo caminho, as incertezas, dúvidas, perplexidades, medos, face ao futuro.

Conscientes do passado maldito (?), amaldiçoados no futuro, prosseguem a sua senda em direção ao precipício em que inexoravelmente cairão.

 

As autoridades francesas “legais”, que é como quem diz, Servier, Marchetti e os polícias, só pensam como sair ilesos ou o menos chamuscados, no futuro, que aguardam e temem.

Projetam negociar com os “Resistentes”, representantes da nova e futura legalidade e daí a captura de Antoine e Suzanne, como penhor de futuras negociações, encetadas inicialmente, mas goradas, com a ajuda do médico, Daniel Larcher.

 

Os Resistentes, já com a ajuda dos americanos, planeiam e agem no sentido da destruição da ponte que liga Villeneuve ao mundo exterior e que serviria, e servirá, para a saída das tropas alemãs.

Os americanos ajudam com logística e homens, mas o ataque saiu gorado, o detonador não funcionou, obter um substituto demorou e foi muito mais complicado do que seria expectável, os americanos também revelam muitas hesitações, que a tática é sempre perder o menor número de vidas possível e não correr riscos desnecessários.

A ponte não será destruída e, como veremos no 3º episódio, os alemães por ela abandonarão a cidade.

 

Em toda esta problemática da ponte, na tentativa de a sabotar, na sua ocupação posterior, nas negociações entre as várias fações, tem tido um papel determinante, como aliás já há bastante tempo, em toda a “Resistência”, a personagem de Marie Germain.

 

Que terá um destino cruel e trágico no 3º episódio: “A corda”!

 

Aqui termino esta narração tão incompleta, tardia e enviesada.

Obrigado por me ter lido até aqui!

Que nesta estória, muita história fica por contar e ainda mais História por narrar!

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 6

“Un Village Français

(Episódios Globais nº 49 a nº 60)

 

RTP 2

 

Prólogo:

5ª Temporada – 1943 - “Choisir la Résistence” – “Escolher a Resistência”

A ação decorreu em 1943, durante os meses de Setembro, Outubro e Novembro.

 

.Episódios:

  1. Travail obligatoire - (23 septembre 1943) – “Trabalho Obrigatório”
  2. Le jour des alliances - (24 septembre 1943) – “O tempo/ o momento das alianças”
  3. Naissance d'un chef - (25 septembre 1943) – “Nascimento de um chefe”
  4. La répétition - (25 octobre 1943) – “A repetição”
  5. L'arrestation - (26 octobre 1943) – A captura / A detenção
  6. Le déménagement - (27 octobre 1943) – O despejo / A mudança de casa (?)
  7. La livraison - (8 novembre 1943) -  A entrega /A entrega ao domicílio (?)
  8. Les trois coups - (9 novembre 1943) – Os três golpes/pancadas/tiros (?)
  9. Un acte de naissance - (10 novembre 1943) – “Uma Certidão de Nascimento”
  10. L'Alsace et la Lorraine - (11 novembre 1943) – “A Alsácia e a Lorena”
  11. Le jour d'après - (12 novembre 1943) – "O dia seguinte" (?)
  12. Un sens au monde - (13 novembre 1943) - “Um sentido para o mundo”

 

Desenvolvimento:

Terminou a 5ª Temporada, cujo título era “Escolher a Resistência”. Porque essa foi a temática global do enredo: a escolha do caminho, da opção de resistência e luta face ao invasor alemão.

De uma forma mais ou menos organizada, maior ou menor empenhamento, foi essa a atitude de cada vez mais personagens, para além dos que se foram constituindo como resistentes, logo desde o início. Muitos ficaram pelo caminho, muitos sofreram torturas e opróbios. (...)

Outros, cada vez menos, permaneceram indefetíveis no apoio e colaboração com os ocupantes... e, supostamente, em obediência ao governo de Vichy.

 

saison 6 in. toutelatele.com

 

Vai iniciar-se a 6ª Temporada.

Também com 12 episódios, desde a Libertação de Paris, ocorrida a 25 de Agosto de 1944, até à Libertação de Villeneuve, ocorrida em Setembro, também de 1944, mas sem um dia específico, pois, como sabemos, a cidade é fictícia, e por isso os guionistas não sabem uma data exata sobre a respetiva libertação. (!)

 

Apresento a listagem e títulos dos episódios, um brevíssimo resumo do conteúdo de cada um deles, “traduzido” por mim.

Espero que ajude para quem queira ficar com uma breve ideia sobre a temática de cada um deles.

Anexei também este link original, em francês, para quem se possa aventurar nesse campo melhor que eu.

EPISÓDIOS

Episódio 1 - "Paris libéré" – Paris Libertada

Episódio 2 - "Le pont" – A Ponte

Episódio 3 - "La corde" – A Corda

Episódio 4 - "Sur le quai" – No Cais / Na Gare

Episódio 5 - "L'homme sans nom" – O Homem sem Nome

Episódio 6 - "Le groupe" – O Grupo

Episódio 7 - "Une explosion" – A Explosão

Episódio 8 - "Le procès" – O Processo

Episódio 9 - "Le crépuscule avant la nuit" – O Crepúsculo antes da Noite

Episódio 10 - "La loi du désir" – A Lei do Desejo

Episódio 11- "Arrestations" – Detenções

Episódio 12 – "Libération" - Libertação

 

Episódio 1 – “Paris libéré” – Paris Libertada

25 de Agosto de 1944

O General De Gaulle anuncia, na rádio, a Libertação de Paris.

Villeneuve vive as suas últimas horas sob a “Ocupação”. (...)

 

Episódio 2 – “Le pont” – A Ponte

26 de Agosto de 1944

Hortense e Heinrich prosseguem o seu caminho em direção à Suíça, enquanto Suzanne e Antoine são ativamente procurados pelas autoridades. (…)

 

Episódio 3 – “La corde” – A Corda

27 de Agosto de 1944

Jean Marchetti e o sub-prefeito, Servier, contam aproveitar-se da prisão de Antoine e Suzanne, para negociarem, algumas garantias de proteção, com os Resistentes e o C.D.L. (…)

 

Episódio 4 - "Sur le quai" – No Cais / Na Gare

28 de Agosto de1944

Na estação de caminho de ferro, Jean Marchetti, os milicianos e as suas famílias, aguardam o comboio que os deverá levar para longe de Villeneuve. (…)

 

Episódio 5 – “L'homme sans nom” – O Homem sem Nome

28 de Agosto de 1944 

Agora, nas mãos dos americanos, Heinrich e Hortense são separados. (…)

 

Episódio 6 – “Le groupe” – O Grupo

29 de Agosto 1944

Daniel, ajudado por Lucienne, cuida dos feridos da unidade alemã, refugiada na Escola, a fim de se salvar bem como Gustave. (…)

 

Episódio 7 – “Une explosion” – Uma Explosão

Setembro de 1944

Os alemães deixaram Villeneuve, mas um grupo de milicianos retem ainda reféns na Escola. (…)

 

Episódio 8 – " Le procès " – O Processo

Setembro de 1944

Após a rendição dos milicianos e perante a impossibilidade de os transportar para Besançon, para o respetivo julgamento, Bériot decide instalar um tribunal marcial na Escola de Villeneuve. (…)

 

Episódio 9 – “Le crépuscule avant la nuit” – O Crepúsculo antes da Noite

Setembro de 1944

No decurso do grande baile comemorativo da Libertação , Villeneuve canta, dança e liberta as suas pulsões. (…)

 

Episódio 10 – “La loi du désir” – A Lei do Desejo

Setembro de 1944

Dez milicianos são executados, no fim de um processo falseado. Bériot propõe a Antoine, que encetou uma relação com a irmã de um miliciano, de se tornar chefe da polícia. (…)

 

Episódio 11- “Arrestations” – Detenções

Setembro de 1944

Enquanto que Jean se esconde permanentemente em casa de Rita, os problemas do quotidiano se agravam : Abastecimento, saúde, alojamento… É a penúria. (…)

 

Episódio 12 – "Libération" – Libertação

Setembro de 1944

Daniel e Hortense, sós e vilipendiados pela multidão, (turbamulta), apressam-se a deixar a cidade.

Antoine prendeu Marchetti. Bériot pede-lhe para o transferir secretamente para Dijon, mas a notícia espalha-se como um rastilho de pólvora.

Em breve, Antoine, Suzanne, Marchetti, Daniel e Hortense vão enfrentar o seu Destino…

 

*******

Epílogo :

 

Este post estrutura, de forma muitíssimo sintética, alguns dos tópicos dos episódios futuros.

É um convite à visualização desta nova temporada, para conhecermos o desenrolar da vida em Villeneuve, após a Libertação.

E o evoluir dos Personagens nesse novo contexto.

Apetecia-me tecer já alguns comentários. Mas prefiro guardá-los para quando visualizar algum episódio...

Les Personnages

 

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 5 - Episódio 12

“Un Village Français

(Episódio Global nº 48 – 03/06/2016)

 

RTP 2

 

“Un Sens au Monde”  - “Um sentido para o Mundo”

(13 de Novembro de 1943)

 

Na passada 6ª feira, três de Junho, ocorreu a finalização da 5ª Temporada da Série, cuja ação decorreu em 1943, em dias específicos dos meses de Setembro, Outubro e Novembro.

O 12º episódio, quadragésimo oitavo global, retrata os acontecimentos do dia 13 de Novembro, dois dias após o célebre desfile dos Resistentes na cidade fictícia de Villeneuve, representação do que realmente aconteceu na cidade real de Oyonnax, nessa mesma data, em 11 de Novembro de 1943.

 

E, para finalização de temporada e de ciclo de representação, apresenta um título, por demais sugestivo: “Um sentido para o Mundo”.

 

(Lembro que a temporada seguinte, a sexta, a iniciar-se, em princípio, na próxima 2ª feira, 6 de Junho, relembrará os acontecimentos ocorridos após a Libertação de Paris, em 25 de Agosto de 1944.

Retratará ocorrências posteriores de quase um ano e num contexto completamente diferente: pós ocupação e “Libertação”. Trazendo outras problemáticas igualmente pertinentes.)

 

É pois adequado o título para este último episódio : a busca de um sentido para o Mundo.

E esse sentido, ou essa busca de sentido, é nos dado pelas falas da peça teatral de « As Muralhas » ( ?), encenada por Claude e por ele representada, mais os três colegas refratários, que temeram a subida do penhasco para a Liberdade e aguardam a chegada dos nazis, à gruta toda iluminada, para essa primeira e derradeira representação.

Os boches chegaram, prontos a intervir, mas pararam, às ordens de Muller, atento ao que presenciava. Os alemães, ali, os únicos espetadores daquele original espetáculo.

Interessante seria relembrar todos os diálogos, mas fica a última fala, que responde ao título do episódio.

« …

Que apenas o AMOR dá sentido ao MUNDO ! »

 

E neste tema universal, temporal e espacialmente, continuamos.

 

Comovente a cena do enterramento de Marcel, fuzilado às mãos dos soldados boches, sob supervisão de Muller e do comandante das tropas nazis.

O corpo, excecionalmente não foi para vala comum, foi entregue a Daniel, que o compôs o melhor que pôde para o enterro.

Com Suzanne, amada de Marcel, o médico discutiu os pormenores do funeral.

Com ou sem padre, em jazigo de família ou campa térrea, como ele quereria...

Prevaleceu, sensatamente, a opinião da Mulher, e Marcel foi enterrado no jardim, em campa rasa, em simples caixão de madeira, “ao ar livre, com os pássaros, a terra” e sem acompanhamento religioso.

A acompanhá-lo, só e apenas, três personagens marcantes na sua Vida!

Daniel, o irmão mais velho, Amor Fraternal, simbolicamente apanha um punhado de terra, Terra-Mãe, atirando-a sobre o caixão.

Gustave, o filho, Amor Filial, trouxe-lhe um ramo singelo de flores campestres, que espontaneamente lançou sobre o féretro do pai. Com elas o ar, as aves e a liberdade que lhes assiste.

Suzanne, comovida, lançou-lhe a sua aliança de ouro, metal puro, precioso e eterno, que ele trouxera como penhor ao pescoço, prova do seu Amor, nos tempos em que estiveram ausentes.

E, deste modo, se cumpriu o Destino de um personagem que, simbólica e idealmente, lutou por causas em que acreditava de forma altruísta, apesar de todas as contrariedades e contradições inerentes às mesmas e seus protagonistas.

 

E ainda de Amor falamos, que, nesta série, é um tema transversal a toda a narrativa.

 

Fuzilamento Marcel in. commeaucinema.com

 

Muller assistiu e supervisionou os fuzilamentos de Marcel e Chassagne. (Se não estranho, pelo menos peculiar este acoplamento destes dois personagens neste final trágico!)

Os sentenciados à morte têm direito à satisfação de um último desejo e o do ex-presidente foi fumar um cigarro turco, que compartilhou com Marcel.

Este pediu para lhe entregarem uma mensagem ao filho, recebida por Muller.

O Resistente quase chorava, lembrando-se de quando criança, em miúdo, das suas diatribes e de como o irmão, Daniel, lhas escondia ao pai, e pagava pelos seus erros.

Soçobraria aos tiros dos soldados nazis, lembrando o pai a sovar o irmão com um cinto, por uma patifaria sua.

 

Teve, melhor, tiveram os dois fuzilados, ainda, “direito” a um derradeiro tiro na nuca, por via das dúvidas!

 

Mas, dir-me-ão...

Que falávamos de Amor... E agora, neste excerto, de que falámos, foi de Morte!

 

Muller, portador do bilhete de Marcel, dirigiu-se a casa de Hortense, em busca de Gustave, que estava a fazer os trabalhos de casa, “os deveres”.

“O teu pai morreu. Foi fuzilado há pouco. Foi muito corajoso. Era um grande combatente!

Ele deu-me uma mensagem para ti, justamente antes.” E deu-lhe o papel já meio amarrotado.

A criança desdobrou-o e tê-lo-á lido.

Nós também lemos.

“Amo-te.

Sê um Homem!”

E falamos também e então de Amor: Paternal!

 

E falaremos novamente e ainda de Amor, se falarmos de Lucienne, de Bériot, de Marguerite. Num triângulo em que Lucienne será o vértice!

Mas não vamos falar muito, porque não vi nem o episódio décimo nem o décimo primeiro, mas deduzo que a ação das duas mulheres terá sido determinante para a execução do desfile.

Marguerite foi presa e foi com ela na prisão e o interrogatório escabroso de Marchetti, que o episódio se iniciou, no habitual introito.

Pressionada de forma ignóbil, como Marchetti sabe fazer, acabaria por ceder e denunciar o local de acoitamento dos Resistentes.

Por isso pagaria também. Mas às mãos de Vernet, polícia, mas também Resistente, que em tempos de guerra a justiça faz-se pelas próprias mãos e não há mãos a medir para tanta morte.

Amor e Morte sempre presentes! Que no Amor sempre se morre um pouco também.

E Lucienne foi cúmplice por omissão nessa mesma morte. Morte de Amor?!

A intervenção na disputa salomónica, entre duas meninas no recreio, sobre a posse de uma boneca, foi apenas o pretexto para desviar o olhar, deixando que a execução ocorresse.

 

E da execução desse personagem execrável, investido em presidente da câmara, às ordens dos nazis, de nome Philippe Chassagne, já falámos. Terá sido entregue ao pelotão de fuzilamento, porque um puré de batata terá sido indigesto a Muller... personagem psicopata, paradigma simbólico dos dirigentes nazis.

De entre os dirigentes franceses, colaboracionistas, das nojices de Marchetti, também já referimos.

Servier, continua nas suas sabujices e servilismo, mas também de aprendizado político, que a esposa lhe ensina, à mesa do restaurante, de pratos escondidos debaixo da ementa, que os tempos são de fome e escassez de bens, com realce para os alimentares.

 

E estes personagens irão ser sentenciados após a Libertação?

Pagarão eles pelos seus crimes?!

Ou serão “inocentados”, como tantas vezes acontece?!

 

E os Resistentes corajosos, Antoine, Anselme, e os seus correligionários, que conseguiram escalar o penhasco, conseguirão escapar?!

 

E muito ainda fica por contar!

 

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 5 - Episódio 9

“Un Village Français

(Episódio Global nº 45 – 31/05/2016)

 

RTP 2

 

 

Prólogo:

5ª Temporada – 1943 - “Choisir la Résistence” – “Escolher a Resistência”

 

A ação decorre em 1943, durante os meses de Setembro, Outubro e Novembro.

 

Saison 5 d'Un village français.

Episódios:

  1. Travail obligatoire(23 septembre 1943) – “Trabalho Obrigatório
  2. Le jour des alliances(24 septembre 1943) – “O tempo/ o momento das alianças”
  3. Naissance d'un chef(25 septembre 1943) – “Nascimento de um chefe
  4. La répétition(25 octobre 1943) – “A repetição
  5. L'arrestation(26 octobre 1943) – A captura / A detenção
  6. Le déménagement(27 octobre 1943) – O despejo / A mudança de casa (?)
  7. La livraison(8 novembre 1943) -  A entrega /A entrega ao domicílio (?)
  8. Les trois coups(9 novembre 1943) – Os três golpes/pancadas/tiros (?)
  9. Un acte de naissance(10 novembre 1943) – Um ato de nascimento / Uma escritura                de nascimento (?)
  10. L'Alsace et la Lorraine(11 novembre 1943) – “A Alsácia e a Lorena”
  11. Le jour d'après(12 novembre 1943) – O dia seguinte (?)
  12. Un sens au monde(13 novembre 1943) Um sentido para o mundo (?)

 

DESENVOLVIMENTO:

Episódio 9

“Un acte de naissance” – “Certidão de nascimento”

10 Novembro de 1943

 

Transmitiram ontem, 31 de Maio, 3ª feira, o episódio 9 desta 5ª temporada, de que relembro, no Prólogo, os títulos dos vários episódios, conforme apresentei quando ela se iniciou, realçando os que consegui visualizar, e os três que ainda faltam, concluindo-se a totalidade, em princípio, nesta semana.

 

“Certidão de nascimento”, documento imprescindível de que Eliane precisava para se casar com Jean Marchetti.

Fora-lhe prometida a respetiva devolução por Monsieur Raymond Schwartz, que com ela ficara, certamente no ato de a admitir como empregada na fábrica de serração, mas que nunca a devolvera, tantos os acontecimentos e a celeridade da sua ocorrência.

Em má hora conseguiu recuperá-la na fábrica abandonada. Raymond também já participa na Resistência e a segunda mulher Joséphine está morta e enterrada, que ele até já ressuscitou com o velho, mas sempre renovado amor, Marie!

Marie e Raymond commeaucinema.com

 

E logo Raymond haveria de voltar nessa hora, juntamente com Antoine, para levarem os camiões para a ação que planeiam para o dia seguinte, 11 de Novembro.

Eliane obteve a certidão, mas não o casamento almejado. Morreu nos braços de Marchetti, seu prometido noivo, mas não Amor, que eles não se amavam, era um casamento de conveniência. Alvejada às mãos do Destino, que a fez morrer de bala disparada por Antoine.

Marchetti amparou-a nos últimos suspiros, tendo ela direito a visão de estrelas!

 

E este poderá ser o começo desta narração, com que o guionista findou a narrativa original do nono episódio.

 

Marcel Daniel in. television.telerama.fr..jpg

 

Que o começo foram cenas de Daniel e Marcel, na cadeia. Feridos, partidos, esfolados vivos, enjaulados, à mercê dos torturadores boches.

Os dois irmãos mais uma vez unidos numa mesma Causa: Presos, mas em luta pela Liberdade dos Outros. Compartilhando infortúnios, num mesmo espaço e tempo, a que chegaram, ainda que por caminhos diversos.

Marcel preso pelas razões que já sabemos, que vinha sendo perseguido há anos, ainda antes do começo da guerra. Que até a mãe de Hortense, quando esta lhe telefonou e disse que Marcel iria ser fuzilado, lhe respondeu “que já não era sem tempo”!

Daniel foi preso, porque escondia uma judia, como sabemos: Sarah Meyer.

E neste campo de desgraça ainda assim têm tempo para se confrontarem nas suas trivialidades/rivalidades fraternais.

Que Daniel, mais velho, sempre se considerou pai substituto de Marcel. E censura-o por ele não ter comunicado com o filho, Gustave, há mais de um ano, que o miúdo já nem pergunta por ele.

Marcel não gosta dessas lições de paternidade e lhe devolve sobre as falcatruas na adoção de Tequiero e as mentiras relativamente ao verdadeiro pai, o espanhol Alberto Rodriguez, entretanto também fuzilado.

Caso para se dizer que não terá sido má a adoção da criança, bem pelo contrário.

Pelo menos teve pai e mãe, ainda que Hortense fosse mãe ausente, mãe apenas uma vez em cada seis meses, como lhe disse Daniel. Mas este desempenhou os dois papéis e também teve a ajuda de Sarah, esta mais numa de irmã mais velha, que ela é muito jovem.

E esta discussão entre irmãos, à beira do pelotão de fuzilamento, é interrompida com a chegada de soldados alemães para levarem Daniel para nova sessão de tortura.

De que voltaria derreado de pancada, por um brutamontes da SD, mas não tendo falado, nem denunciado sobre o paradeiro dos Resistentes.

 

Daniel Marcel commeaucinema.jpg

 

E já que falamos dos Resistentes, e antes de abordarmos mais sobre o médico, informamos, sem denunciarmos, que eles estão mais ou menos acoitados numa floresta recôndita nas montanhas, provavelmente do Jura, ou dos Alpes, que não sei.

Um grupo, já bastante grande, heterogéneo, que Antoine comanda, coadjuvado por Claude, que os ensaia em cenas da peça “As Muralhas”. (Baseada em “Hamlet”, de Shakespeare?)

Como par amoroso, Antoine e Marie! Cheios de constrangimentos, mais pela pouca experiência do chefe, em cenas de beijo teatral.

Maior e total o constrangimento, após Antoine ter presenciado Raymond, o ex-cunhado, em cena de sexo real com Marie, sua ex-amante, e amada ainda que não declarada de Antoine.

Cena mais que suficiente para transmutar toda a peça a encenar.

Que por vontade de Antoine, ou não fora ele o chefe, mudou de possível espetáculo teatralizado para a realidade. Passaram a ensaiar sim, mas um desfile de tropas dos Resistentes, devidamente fardados, que se apresentariam publicamente, contra todas as previsões e afrontando todos os perigos, e contrariedades, na cidade de VIlleneuve, de modo a mostrarem a sua força perante a população, que assim ganharia mais confiança e ânimo na Resistência e na Liberdade que haverá de chegar. Cantando a Marselhesa, que estão pela “França Livre”.

E esta apresentação pública da força e coragem da Resistência, julgo que ocorrerá no próximo episódio, provavelmente o de hoje, dia 1 de Junho.

E face ao contraponto realidade - ficção, friso que a encenação prevista retrata ficcionalmente algo que aconteceu na realidade em 11 de Novembro de 1943, na cidade de Oyonnax e que os franceses ainda hoje comemoram.

 

E é sobre a preparação desse desfile que os resistentes concentram agora todas as suas energias, esforços, estratégias, envolvendo todos os que podem organizar-se nesse sentido.

 

E nesse fito comparticipa Marguerithe, envolvendo também, ainda que relutante e um pouco contrariada, a colega Lucienne, que não participa diretamente na Resistência, mas que neste caso, se vê na contingência da inevitabilidade da sua participação, dado que o marido, Jules, não está em Villeneuve. Além de que a função em que é necessária a respetiva colaboração se concretiza precisamente na Escola, onde funciona a estação de rádio alemã, que é preciso neutralizar no dia onze, antes do meio-dia.

 

Nesta fase da ocupação alemã, vários intervenientes, anteriormente colaboracionistas, já apoiam a Resistência.

Já falámos de Raymond.

A primeira mulher dele, Jeannine, atual esposa do atual presidente da câmara, também já é apoiante da “Causa”. Não vamos fazer comentários...

Apoia os resistentes com dinheiro, que é o que mais tem. E também com informações.

Conhecedora, pelo marido, de que havia um agente colaboracionista infiltrado entre a “Resistência”, de nome Galbier, vai disso informar um empregado do Café, designado Martin, que, como é natural, se faz de novas, mas regista a informação, pois houve resultados.

Mais tarde, o marido, Chassagne, dir-lhe-ia que Galbier fora morto com dois tiros na boca!

 

E ainda volto ao personagem Daniel. Para informar que ele foi libertado, precisamente pelo mais improvável personagem da série: Muller!

Na sequência deste ter estado na sua casa, aonde apareceu opulento, trajado a rigor, para visitar a sua amada Hortense, a fazer de ex-esposa dedicada, o ex-marido ausente, desconhecendo o seu paradeiro; e a cuidar do filho, Tequiero, e do sobrinho, Gustave, que fez de porteiro, franqueando-lhe a entrada.

Muller pediu-lhe desculpa, ele, o todo-poderoso SS. Almoçaram juntos, sopa, que Gustave sorvia fazendo barulho, incomodativo para o facínora, que, por momentos, temi que ele espetasse uma chapadona à criança!

 

E já pela noite, Tequiero a dormir, Gustave supostamente no quarto, Hortense preparou-se para amar!

Muller, inicialmente renitente, pelos condicionalismos envolventes, mas dada a persistência da amante, foi buscar mais morfina para se injetar!

E foi então que foi surpreendido por Gustave apontando-lhe uma arma!

 

Gustave in. youtube.com

 

E, por aqui me fico, neste “Dia Mundial da Criança”, com tantas crianças, ainda e passados setenta anos do findar da guerra, envolvidas e usadas e mortas e abusadas, e violentadas, em tantas guerras!

Que a Humanidade não tem emenda!

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 5 - Episódio 3

“Un Village  Français

(Episódio Global nº 39 – 23/05/2016)

 

RTP 2

 

“Naissance d'un chef” – “Nascimento de um chefe”

25 de Setembro de 1943

 

E este episódio nº3 da 5ª temporada, episódio global nº 39, cuja ocorrência se reporta a 25 de Setembro de 1943, relata-nos precisamente a forma como emerge um chefe a partir, primeiro, do grupo desarmónico de jovens refratários e, no final, depreendemos essa chefia nascente, no próprio grupo de resistentes a que Antoine, convictamente, aderiu.

 

Quanto à estrutura narrativa confirma-se a metodologia já referenciada.

No prólogo, continua-se o final do episódio dois: Marie Germain e Antoine dialogam e articulam sobre a possível adesão de Antoine e eventualmente de outros refratários à Resistência. À “Causa” que os move: a “França Livre”!

 

No decurso do episódio esse é um assunto dominante, em diferentes contextos e envolvendo variadas personagens, e, no final, novamente Marie e Antoine, agora já aderente, analisam a situação. Situação que está um pouco aquém das expetativas de Antoine, que almejava haver mais ação. Marie explica-lhe que os “Movimentos Unidos de Resistência” pretendem criar um exército secreto, mas que não pode ser já. Não têm armas, não têm chefes, precisam de ajuda externa, que tarda, até porque a desejada invasão dos aliados não será ainda este ano. E os inimigos são fortes.

Antoine ter-lhe-á respondido qualquer coisa como: “Encontraremos armas e seremos fortes!”

 

E a temática da Resistência foi dominante na narrativa. As condições de vida dos Resistentes são muito precárias e enfrentam perigos de toda a ordem, em que se realça a perseguição que lhes é movida pelas próprias autoridades francesas, a “polícia de segurança”, encabeçada por Marchetti e os “gendarmes”; para além dos ocupantes alemães, “os boches”, tanto na pessoa dos SS, como do exército alemão.

 

A investigação ao assassinato do guarda alemão, acontecido no ano anterior, continuou. E, por dois mais dois, os colegas de Marchetti já sabem que ele foi o autor, e um deles deu-lhe isso a conhecer, na sua própria casa, na hora de jantar, já ele se preparava para a sobremesa, depois de uma deliciosa sopa de coisa quase nenhuma, que não havia nem azeite, nem toucinho.

 

jantar in. serieviewer.com

 

Contrariamente, em casa do senhor presidente da câmara e da sua querida esposa, houve um lauto jantar de frango do campo, acompanhado de um, provavelmente delicioso, puré de batata. Mas que só e apenas sua excelência o senhor residente terá provado, que terá, pelo menos, lambido os beiços.

Para esse jantar foram convidados, excecionalmente, o SS Heinrich Muller e a sua concubina Hortense, que o presidente quer progredir na carreira política e para isso precisa do apoio alemão.

No decurso do jantar, o senhor presidente lá foi perorando sobre uns projetos mais ou menos estrambólicos que pretenderia concretizar em Villeneuve, sempre no pressuposto que os alemães vencerão a guerra e com eles, os franceses colaboracionistas e fascistas, como ele próprio, Philippe Chassagne. Ao mesmo tempo pretendia meter uma cunha a Muller, para um cargo ou função qualquer a que aspira.

 

Heinrich que, para além de alemão ocupante, boche, nazi, SS, morfinómano, louco, é igualmente inteligente, cada vez mais convicto de que a guerra será perdida pela Alemanha e farto daquele discurso irreal, não esteve com meias medidas. Depois de lhe fazer, ele também, uma prédica consistente sobre a inconsistência do puré, aproximando o rosto presidencial do mesmo, esborracha-lhe o focinho, que é o que Chassagne tem, no dito puré ainda não encetado. Sendo assim, apenas sua excelência presidencial, terá sido o único conviva que teve o prazer de saborear tão deliciosas batatas, adquiridas no mercado negro, e convertidas em puré.

Que o jantar se ficou por ali. E guerra é guerra!

 

Mas não ficaram por aí as bizarrias políticas de Philippe Chassagne.

Noutro provavelmente delicioso jantar, agora com o servil Servier e a sua amantíssima esposa, para além de Jeannine, já se vê, e o próprio Philippe Chassagne, continuou este com a explanação dos seus projetos futuristas, para que Servier interviesse junto dos ocupantes alemães, ele que tão bem sabe ser servil. (?!)

 

E é nisto que se entretêm as autoridades francesas colaboracionistas. Acomodadas na sua situação, aos pés dos ocupantes e servindo-os, servindo-se a si mesmas, renegam a sua condição de homens e franceses livres.

 

Organizassem-se eles para lutar contra o ocupante, e talvez essa ocupação tivesse sido menos aviltante!

 

Paralelamente, grupos de homens e mulheres, destaca-se na série o papel relevante de duas delas, com parcas condições, organizam-se e opõem-se à ocupação, com risco permanente das suas próprias vidas e de próximos e familiares.

 

Outros, mesmo não fazendo parte de nenhuma organização, caso do médico Daniel Larcher, diligenciam tudo o que podem para ajudar os seus semelhantes. Neste episódio, mais um judeu acolheu em casa, para além de Sara, mas esta é um caso diferente.

Trata-se de Ezechiel Cohen, que, entre outras situações observadas em episódios anteriores, foi ele o protagonista da célebre evasão da Escola, agora está ferido de bala, que foi de sua autoria o atentado falhado contra o atual presidente da câmara, ocorrido também na mesmíssima Escola.

Terá sido também ele o autor da encomenda de morte presidencial, que foi endereçada posteriormente, através de um modelo de caixão, em miniatura, muito bem trabalhado e envernizado?!

 

"Uma Aldeia Francesa” - Temporada 5 - Episódios 1 e 2

“Un Village Français

(Episódios Globais nºs 37 e 38 – 19 e 20/05/2016)

RTP 2

 

Trabalho obrigatório In.frenchcinetv.com

 

“Travail obligatoire” – “Trabalho Obrigatório”

23 Setembro 1943

 

“Le jour des alliances” – “O dia / O momento / O tempo das alianças”

24 de Setembro de 1943

 

A ação decorrendo ainda e sempre em Villeneuve e arredores, desenrola-se já em 1943, tomando a guerra outros rumos.

Que o próprio Heinrich Muller, cada vez mais dependente da morfina, ainda assim tem a clarividência de dar a conhecer à sua amada Hortense, que irão perder a guerra. Estão sempre a perder tanques, sem possibilidade de os recuperaram. Por cada um que perdem, os americanos e os russos constroem dezenas deles. É uma questão de matemática!

A “batalha de Estalinegrado” terminara, em Fevereiro de 1943, com a rendição alemã.

A “campanha do Norte Africana” também terminara com a derrota alemã, em Maio.

A “campanha de Itália” iniciara-se em Setembro.

Estava imparável a vitória dos Aliados, mas ainda demoraria quase dois anos.

 

Necessitando de “carne para canhão”, para lutarem na frente Leste, os nazis precisavam de homens para combaterem. Para isso requisitaram todos os jovens franceses de 20 anos.

 

Em Villeneuve o novo presidente da Câmara, Philippe Chassagne, personagem peripatética da ópera bufa que era a república de Vichy, coadjuvado pelo servil Servier, promoveu uma festa na Escola, para apresentação dos jovens a enviar para a frente, ao serviço dos nazis. Escassa meia dúzia, cabisbaixos, tristeza em pessoa, cara de quem sabe que vai buscar a morte, como carneiros para o matadouro. Alguns algemados, que os jovens que podiam fugiam a essa incorporação no exército alemão, tornando-se refratários.

E os jovens refratários são um grupo de novos personagens que emergem na narrativa e na história.

Em oposição, o discurso empolgado, encomiástico aos alemães, do presidente, seria um texto de comédia, não fora a situação trágica que se vivia, de jovens arregimentados para o massacre, em que se tornara a frente Leste e posteriormente todas as zonas de guerra. Nada de heroísmos, apenas mortes aos milhões, na loucura a que um “cabo militar” levara toda a Humanidade.

Esta situação é o mote para o título do Episódio um: “Trabalho obrigatório”.

Foto presidencial tvmag.lefigaro.jpg

Neste episódio e sequencialmente ao discurso do novo e empolgado presidente, este sofreu um atentado. Foi alvejado por um tiro, disparado por um supostamente varredor, que se entretinha no pátio da escola, a fazer que varria, enquanto sua excelência presidencial se ajeitava nas fotos do acontecimento, com a sua esposa Jeannine, ex-Schwartz.

O atirador conseguiu fugir, seria certamente membro de algum grupo resistente, não sabemos qual.

 

A Resistência vinha ganhando mais adeptos e promovendo também ações de guerrilha. Os comunistas, a partir de ideia de Suzanne, planeiam atacar camiões alemães, que sabem trazerem armas. Se planeiam, aprovado pela direção do partido, passarão à execução e o assalto é concretizado. Não sem baixas, que Julien acaba por morrer, por falta de assistência médica, de todo impossível, que as condições de vida dos Resistentes eram duríssimas. Mas os alemães perderam três soldados e acréscimo de desânimo, que isso levou à afirmação anterior do psicopata, Muller, que ainda há poucos meses se considerava invencível, superior a tudo e todos. E até tinha que ouvir reprimendas do comandante militar alemão, Kollwitz.

Nesta sequência, o tresloucado impôs à cidade de Villeneuve, a deportação de mais cinquenta cidadãos, com a anuência complacente de Servier e o entusiasmo idólatra e bajulador do presidente Chassagne! (Que apresentou as condolências ao SS, em nome da cidade!!!)

 

O Episódio 2, intitulado “Le jour des alliances”, que traduzi por “O dia / O momento / O tempo das alianças”, pode transportar-nos para a emergência política da realização de acordos, alianças, entre os vários grupos de Resistentes: comunistas, gaulistas. E, agora, também aliar, juntar à Resistência, os jovens refratários, ideologicamente meio perdidos, mas esfomeados e a necessitarem de um enquadramento estruturante das suas errâncias. Foi o que visualizámos no final do 2º episódio em que reapareceu Marie Germain, comandando um pequeno grupo de “partisans”, “maquis”, chegando ao acampamento improvisado e rudimentar dos jovens refratários, provavelmente aliciando-os para a “Resistência”. Aguardemos.

Também nos pode remeter para a situação conjugal de Suzanne, da célula comunista, que sendo casada, mas cujo marido estivera preso durante três anos e que, tendo fugido, agora reapareceu, pretendendo reatar o casamento e saber da aliança de casamento que ela já não usava, desde aquela célebre morte encenada, pelo seu atual namorado, Marcel Larcher, supostamente seu executor. Mas tudo isso aconteceu no final da 3ª temporada, em Novembro de 1941. Muita água passou por baixo da ponte de demarcação.

Vimos que, após muita reflexão e análise entre os vários intervenientes, ela acabou por devolver a dita aliança ao ex-marido.

 

E explicado o enquadramento dos títulos, aproveito para abordar sobre a estruturação narrativa, no respeitante ao prólogo e ao final.

Também nestes dois episódios observei que se mantém a ligação que já referi em post anterior.

(Provavelmente tem sido assim em todos, só que eu, dado não ter visto a série completa, nem sequer vários episódios na totalidade, só agora constatei esse facto. Irei continuar a observar esse aspeto.

É como se a narrativa girasse em espiral, em torno de um leit-motiv, e, no final, circundasse paralelamente esse tema.)

O 1º episódio iniciou-se com o caso de Antoine, na serração, com Raymond, seu cunhado, problematizando a questão do serviço militar, da sua isenção ou fuga para a Suíça.

O final, após as diferentes peripécias do enredo, termina na ida de Raymond à casa abandonada por Crémieux, onde deixara Antoine escondido, no intuito de o levar para a Suíça, já não o tendo encontrado.

O 2º episódio continua com a temática dominante dos “refratários”. Inicia-se com a fuga de Antoine e de Claude, igualmente refratário, pelas ruas da cidade e a subsequente perseguição que lhes é movida pelos “gendarmes”, que os mandam parar, apontando-lhes as armas. Logrando eles, todavia, escapar.

O final, já o abordei parcialmente. Estavam os vários jovens no acampamento improvisado, subitamente invadido pela chegada do camponês a quem eles haviam roubado galinhas, de espingarda em punho. Acompanhado de mais guerrilheiros, comandados por Marie.

Resta-nos saber qual vai ser o destino que lhes cabe.

Por mim, penso que vão engrossar as fileiras da Resistência.

O que acha?!

Só têm a ganhar com isso.

 

E estes dois episódios e deduzo que também os subsequentes, centram-se bastante na importância crescente da Resistência. Esta 5ª temporada intitula-se precisamente “Escolher a Resistência”.

 

E sobre outros personagens?

 

Surgiu uma nova personagem em cena, na Escola, na pessoa de uma nova professora, colocada a meio do ano, para a música.

Suscitou principalmente a curiosidade e desconfiança de Lucienne, que não esteve com meias medidas, enquanto não soube o conteúdo de uma carta que a professora, de nome Margarida, recebera do suposto marido preso num stalag.

Arranjou um pretexto para ir ao quarto da rapariga arranjar-lhe a persiana, de a mandar sair a buscar um pano para limpar as mãos e lá está ela a abrir a carta.

Lida esta, confirmou ser de teor diferente e não haver ali marido algum.

Continuou de intriga com o marido que falou com a moça, que também não é menos curiosa que Lucienne e o que quer é saber se Bériot pertence à Resistência.

Ele negou, que todo o cuidado é pouco, apesar de ela lhe apresentar dados aparentemente fiáveis.

Vejamos o que dali sairá, que agora, e pelo menos, o que constatamos são muitas mentiras, ou, pelo menos, apenas meias verdades.

 

Sobre Marchetti, a quem já tínhamos atribuído algum crédito positivo, no final da 4ª Temporada, pelo apoio dado a Rita de Witte, constamos que não tem salvação possível. Continua o mesmo escroque, a usar e abusar discricionariamente do seu poder.

Matou, a sangue frio e pelas costas, um jovem refratário, como se abatesse um coelho; serve-se de Eliane; pretenderá enquadrar Bériot no atentado ao presidente, para protelar a pesquisa sobre a morte do soldado alemão, na fronteira Suíça, que, como sabemos, foi de sua autoria, para que Rita seguisse a sua viagem para a Liberdade.

 

Sobre Muller já sabemos que entrou num abismo de loucura e dependência da droga, consciente que a guerra está perdida, é só uma questão de tempo, e arrastando Hortense com ele.

Esta agarra-se-lhe, como se não houvesse mais luz no universo, vai implorar morfina ao ex-marido, que, agora mais lúcido, lha nega.

Não desiste, cede à fatalidade da sua condição de mulher e oferece a aliança, para o subalterno do amante ir adquirir droga ao mercado negro.

 

Hortense tequiero in. lamagiedeslivres.skyrock.com

 

E já que falámos do médico, Daniel Larcher, sabemos que reside noutra localidade, Moissey, faz consultas em Villeneuve duas vezes por semana, e costuma trazer o pequenote Tequiero.

E foi comovente ver o miúdo a correr para a mãe adotiva, Hortense, e esta abraçada a ele.

 

E ficamos por aqui, aguardando próximos episódios e temporadas!

 

 

“Uma Aldeia Francesa” - Temporada 4 - Episódio 11

“Un Village Français

 

(Episódio global 35 - 17 de Maio de 2016)

RTP2

“La Souriciére” – “A Ratoeira / A Armadilha”: 12/11/1942

 

 

Na apresentação de cada episódio há uma estruturação técnica sempre comum, sob vários aspetos. Um deles é um introito em que, de algum modo, nos ligamos ao episódio anterior e ao que vai ser apresentado a seguir, como se fosse um leit-motiv do mesmo. No final, também nos apresentam algo que nos deixa em suspense para a temática do episódio seguinte.

No anterior, décimo primeiro, em ambos estes excertos da narrativa, foi dada relevância a uma mesma personagem, que nestes últimos episódios tem sido destacada no enredo. Trata-se de Rita De Witte.

(Sinceramente, não sei se esta tem sido a metodologia de todos os episódios. Neste, observei-a.)

 

Rita in. television.telerama.fr.jpg

 

Voltando à personagem.

No introito, apresentou-se ela perante o namorado, Jean Marchetti, na subprefeitura, após ter vindo do médico, conhecedora da existência da carta, ignorante do respetivo conteúdo.

Apreensiva, temerosa e com cautela, que muitos dissabores já passou, confrontou-o, muito subtilmente e com cuidado, sobre eventuais notícias que ele pudesse ter da mãe, sem nunca aflorar algo que a pudesse indiciar de conhecimento da missiva. Os medos serão múltiplos e diversos.

A conversa ficou-se por muitas e meias palavras, sentimentos aflorados e retraídos, tensão de ambos os protagonistas, que ele é um personagem cheio de contradições, aliás, próprias de qualquer ser humano, por demais em tempos tão conturbados e incertos. E ela é uma mulher só, num mundo hostil, uma náufraga perdida, em que o amado é um pedaço de madeira, frágil e inseguro, mas o único que lhe ofereceu um amparo e sustento e mais um rebento a nascer.

E que, apesar de todas as improbabilidades, a ama, a quer fazer sua mulher, e ser pai da criança a caminho.

Rita andou todo o episódio ausente.

Foi motivo de preocupação exacerbada do amante, que, inclusive, esqueceu as suas prioridades profissionais, ordenando imperiosidade na sua procura (!)

Dirigiu-se, arrogante e prepotente, a casa do médico Daniel Larcher, arrombou-lhe a porta, agrediu-o, invadiu-lhe os espaços, até ao quarto onde agonizava Madame Morhange, que aproveitou para, no leito de morte, o confrontar com a sua crueldade e cupidez, que fora ele que deportara a mãe da própria amada, a quem ela dera conhecimento do facto.

Desesperado, louco por saber do possível paradeiro de Rita, ameaçou de morte Sarah, chantageando Daniel, que apenas lhe disse o que sabia, que Rita planeava fugir para a Suiça.

Providencialmente, chegou o tão desejado Henri de Kervern, namorado de Madame Morhange, que enfrentou a fera enraivecida, lhe disse, com os punhos, o que ele há muito pedia, que é um pulha, um canalha, um escroque. E estatelou-o no chão.

Só assim a besta fugiu.

 

Marchetti   In. telerama.fr.jpg

 

Fugiu. E foi dedicar-se, de alma e coração, ao frenesim da sua missão. Prender, matar ou enviar para a morte franceses como ele, mas que vem perseguindo já anteriormente ao começo da guerra e da própria invasão nazi. Comunistas, bolcheviques, judeus e agora também os gaulistas. Em suma, os oprimidos e os lutadores pela Liberdade.

À data, já ao serviço dos boches, dos nazis, dos ocupantes. Querendo agradar-lhes, servi-los e dar-lhos como prémio.

Assim montaram a “ratoeira / armadilha” para apanharem os resistentes que se reunirão na quinta de Marie. Mercê da delação de Albert Crémieux, que mantem a sua falsidade e colaboração com os seus próprios algozes até ao fim.

 

Constate-se o aparato nessa armação, com todos os meios que os representantes de Vichy dispunham. Todos os efetivos policiais, exceto Vernet; um batalhão de “gendarmes”, o subprefeito em pessoa, Servier, servil instrumento da ocupação.

E até um novo personagem que tem andado a contracenar com a também fascista, Jeannine, de nome Philippe Chassagne, à procura de protagonismo, finalmente alcançado, que soubemos, foi nomeado novo presidente de câmara, que Daniel Larcher já não servia, nem compactuava com o colaboracionismo.

Todo este aparato para tentarem prender, de preferência matar, mais propriamente, chacinar compatriotas! Que era esse o seu propósito.

Aguardemos o episódio doze, derradeiro desta 4ª temporada.

 

E que viram e vimos nós também no final do episódio?!

 

Um ciclista que se aproximava.

Mais um membro da célula que vinha para a reunião?!

Que apenas houvera chegado um outro ciclista, Marcel Larcher. Comunista, mas muito voluntarioso e idealista, insistira em comparecer, apesar das recomendações de Edmond, mais conhecedor que ele do funcionamento partidário e dos cuidados da clandestinidade. Que um outro camarada, Roger, não comparecera previamente, sinal que haveria algum perigo e a reunião deveria ser suspensa.

O aviso transmitido por Jules Bériot à “menina” da “Maison Berthe” terá sido eficaz.

 

(Muitas, muitas situações ficam cortadas nesta minha narração, mas é de todo impossível transcrevê-las. Também não sou o guionista, não é?)

 

E, voltamos ao ciclista.

Marchetti pediu o binóculo para visualizar.

E quem viu ele, juntamente connosco?

Pois, nem mais nem menos que a sua amada Rita!

E que fará ela, ali, naquele momento tão crucial, agora que estão quase a atacar?!

 

Tanta força e energia, tantos recursos, para atacarem gente quase indefesa e não se voltarem contra os ocupantes que planeiam continuar a invadir a Zona Sul! E que perspetivam os franceses ocupados, como diminuídos.

E aqui bem caberia falar de Hortense... Que bem personifica a situação da França ocupada, face aos ocupantes.

 

Morhange In. a suivre.org..jpg

 

Mas não. Vou terminar com o que previra começar.

A morte assistida de Madame Judith Morhange.

Assistida pelo médico Daniel Larcher, em ambos os sentidos, e pelo seu amado, Henri de kervern.

Ambos choravam.

Antes de se tornar “invisível”, ainda pode contar os horrores que presenciara em Drancy!

(...)

 Un Village Français

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