Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Não ponhas nem disponhas…

Sabe que planta é esta? (XI)

Árvores com história!

Loureiro. Foto original. 2021.03.04.jpg

Esta planta você sabe de certeza o que é. Mas eu não vou nomeá-la.

Transcrevo a quadra tradicional, mas na respetiva designação literal registo L*******

 

Não ponhas nem disponhas

L******* ao pé do caminho

Todos passam, todos colhem

Do l******* um raminho.

 

In. “De Altemira Fiz Um Ramo” Pag. 18

Loureiro. Foto original. 2021.03.04.jpg

Também é uma das Árvores que têm história, que é uma rubrica, melhor, tema, que tenho abordado com alguma frequência no blogue, embora não sistematicamente com direito a numeração.

Faz parte de um conjunto de plantas “irmãs” que comprei num supermercado na Sobreda, há alguns anos. Mas já neste milénio. Vinham todas no mesmo vaso. No quintal, transvasei-as, separando-as, para melhor se desenvolverem.

Plantei esta no Chão e outras, nos quintais. Dei exemplares a várias pessoas, familiares e amigas.

Todas têm crescido e até já deram frutos e já nasceram árvores destas iniciais.

Dão muitas sementes. Propagam-se com facilidade e a passarada ajuda à disseminação.

Loureiro. Foto original. 2021.02.19.jpg

Esta das fotos, está plantada num canto do Chão, perto do caminho - Azinhaga do Porcozunho, onde esta entronca com a Azinhaga do Poço dos Cães. No lado oposto do caminho está um poço. Aí vai esta planta beber, que é para isso que serve a água e as raízes para lá se deslocam, na respetiva procura: hidrotropismo.

Essa foi uma das razões por que a plantei no local referido.

Ramo Loureiro. Foto Original. 2021.03.04.jpg

A outra razão deve-se ao contraditório do que diz a quadra.

Coloquei-a ali, perto do caminho, para quem quiser, levar um raminho.

E esse facto verifica-se constantemente. Os ramos do lado da Azinhaga do Porcozunho vão sempre desaparecendo.

Bom proveito façam, a quem os leva. E que torne as comidas saborosas.

Sim, as folhas desta planta são muita usadas em culinária.

Já sabe que planta é? Sabe desde o início?

Também se chama a esta planta o “sempre sobra”. É uma espécie de anexim. Porque usando-se na comida, as respetivas folhas são postas de lado. Não são comidas.

Ramos Loureiro. Foto original. 2021.03.04.jpg

E esta é uma parte da História desta planta que é uma árvore tutelar, fazendo parte das florestas primitivas de Portugal: Continente e Ilhas.

 

Bons temperos. Com muita saúde.

 

 

 

Estatísticas do Blogue: uma mania minha?!

Destaques / Quadras Tradicionais III – Santos Populares.

Altemira na Rua. Foto original. 2021.05.22.jpg

Visualizações de Junho 2021

1.686 Visitas »» 55 Média diária  ////// 3.715 Visualizações »» 120 Média diária

Altemira florida. Quintal. Foto original. 2021.05.22.jpg

Páginas mais visitadas (Visualizações nos últimos 30 dias)

(Recolha realizada hoje, 1 de Julho 2021.)

ANÁLISE:

Os valores globais ultrapassaram as médias habituais, porque houve dois destaques.

Neste mês de Junho, mês dos “Santos Populares”, a rubrica Quadras Tradicionais III  teve 562 visualizações. Este conjunto de quadras versam precisamente essa temática.

Associadas também as “Quadras Tradicionais I” = 45.

As rubricas que têm visualizações mais ou menos regulares, figuram também.

« Alentejo, Meu Alentejo»  95

Cremação: Que Destino dar às Cinzas?!  58

As restantes rubricas foram editadas neste mês de Junho.

Veremos se continuarão a ser visualizadas no futuro.

Altemira florida. Foto original. 2021.05.22.jpg

Ainda...

Páginas mais visitadas: Visualizações no último anoRecolha a 01/07/21

Altemira no quintal. Foto original. 2021.05.22.jpg

E, neste postal, fico por aqui.

Ilustrado com fotos de “Altemira”, do quintal. Fotos originais, para compensar quando publiquei o postal das Quadras Tradicionais III não ter utilizado fotos minhas, que não tinha, nem sabia tirar fotos, à data.

A foto que utilizei foi retirada da net. Se reparar na flor, verá que é “singela”, apenas tem um conjunto de pétalas formando a corola. As que apresento hoje são compostas: várias pétalas constituindo a corola.

Obrigado pela sua atenção!

Painel Setúbal. Foto original. 2021.06.22.jpg

Ainda voltarei a Setúbal!

Me aguarde, SFF.

Na foto, um banquinho para sentar!

 

 

 

 

Plantas Silvestres: Por Caminhos de Aldeia.

Sabe que Planta(s) – (X)?!

 

Hoje, voltamos a percorrer Caminhos de Outrora. Aliás, de sempre. São caminhos que desbravamos com muita regularidade, “Percursos” não assinalados oficialmente, mas que mereciam sê-lo. Por “Fontes, Passadeiras e Pontes”!

 

Debruço-me sobre Plantas, que passam despercebidas à maioria de nós. Mas que desempenham o seu papel na Natureza, pese serem vistas como um estorvo. E, convenhamos, quando excessivas, tornar-se-ão.

Mas se até as Árvores são completamente ignoradas! A peculiar “Cegueira Botânica”!

 

Ora aí vamos nós.

Olhos de Mocho. Foto original. 2021.05.17.jpg

Olhos de Mocho: a flor que tutela o postal. Desde criança que assim vi nomear esta planta e respetiva flor.

Olho de Mocho. Foto original. 2021.05.17.jpg

Esta 2ª flor também já a vi designada, como "Olho de Mocho".

Borragem. Foto original. 2021.05.02.jpg

Borragem: planta muito melífera. As abelhas adoram!

Flor do Soajo. Foto Original. 2021.05.02.jpg

Flor do Soajo

Giesta florida. Foto Original. 2021.05.02.jpg

Uma variedade de Giesta?

(Esta planta não é muito exuberante, mas florida ganha outra dimensão. As giestas eram muito usadas, antigamente, para fazer vassouras. Antes de entrarmos nas eras dos plásticos e do consumismo. Digamos, anos sessenta / setenta.)

Papoilas. Foto Original. 2021.05.22.jpg

Papoilas, na berma da Azinhaga.

Foto Original. 2021.05.22.jpg 

Não sei o nome desta planta. Já o vi escrito, algures, mas não fixei, ou esqueci-me.

Altemira. Foto original. 2021.05.22.jpg

Altemira, no meio da Rua, mesmo ao pé de casa.

Corriola. Foto original. 2021.05.22.jpg

Corriola, também conhecida por Verdizela. (Este segundo nome vi no dicionário. Há uma povoação na Margem Sul, assim designada.) Esta planta, como muitas outras, tem a particularidade de, à medida que o sol se vai pondo, começar a fechar-se. Esta foto foi já tirada à tarde, por isso já está meio fechada, meio aberta.

Poejo. Foto original. 2021.05.22.jpg

Poejo

No meio da Rua / Travessa / Azinhaga. Este ano, um “poejal”!

Dente de Leão. Foto original. 2021.05.22.jpg

Dente de Leão.

Preparando-se para desempenhar o seu papel fundamental. “… Multiplicai-vos!”

 

Todas estas florações e fotos são de Maio. Saudades da Primavera! Apesar de, hoje, o dia estar muito fresco, pelo menos de manhã. Agradam-me especialmente estes dias assim, pelo menos as manhãs frescas. De tarde, ainda não sei bem, mas está mais quente. Por vezes: “de manhã neblina, de tarde, calor de rechina”.

(Já, ao por do sol, haveremos de ter calor, virtual. O jogo!)

Algumas destas plantas estavam na própria rua, na borda dos caminhos, a maioria. Crescem espontaneamente, que é esse o seu modo de ser.

(Azinhaga da Atafona, Azinhaga do Porcozunho, ou da Fonte das Pulhas, Azinhaga da Fonte do Salto: Locais de recolha das fotos. Em Maio, já escrevi. Primavera!

A propósito, sabe o que era uma atafona?!)

 

Senhor, para onde vai este caminho?

 

Depende… para onde o Senhor quiser ir!

 

Lírio Roxo. Foto original. 2021. 04. jpg

Nem mais nem menos, foi sensivelmente esta a resposta que me foi dada ontem, na Serra, em mais um dos habituais passeios campestres, perante a minha pergunta sobre onde se dirigia o caminho assinalado no percurso.

A “Filosofia Alentejana” plasmada numa simples frase. Peculiar, proverbial: um aforismo!

Perguntei mais por perguntar, pelo gosto que tenho de interpelar as pessoas que vou encontrando nas caminhadas, poucas, frise-se.

 

Melhor resposta só a do Poeta Andaluz:

“Caminhante não há caminho / O Caminho faz-se ao andar…/

(Cito de cor, não tenho o livro à mão, uma edição bilingue, que gosto de (re)ler. Hei-de encontrá-lo e citar parte do Poema.)

 

E a foto?!

Na foi tirada ontem, mas em anterior percurso, documentado no blogue.

(A “viagem” de ontem irei escrever sobre ela, que houve diversos percalços, apesar de praticamente toda realizada em trilhos assinalados. Também tenho que transpor as fotos para computador.)

Lírio roxo, num canteiro de muro, em vivenda frente ao Centro Vicentino da Serra, antes da inflexão para o Cabeço de Mouro.

Lírio Roxo. Foto original. 2021. 04. jpg

 

E termino com uma quadra:

 

Tu é que és o lírio, Lírio

Tu é que és a Lealdade

À porta do Cemitério

Acaba a nossa Amizade.

 

Figura no Livro: “De altemira fiz um ramo”, aqui muitas vezes referenciado.

Foi-me “dita” pela minha MÃE, e era habitualmente cantada pela Tia Antónia Carita.

(Estamos a referirmo-nos a Aldeia da Mata, finais de anos trinta, anos quarenta do séc. XX.)

Obrigado, muito, muitíssimo, a todos os meus Familiares!

 

Obrigado, também a Si, Caro/a Leitor/a, que teve a paciência de me ler até aqui!

 

 

 

Cremação(?!)

Um modo de lidar com a Morte!

Açucena Branca. Foto original. 2020. 05. jpg

Pode parecer estranho que o anterior postal tenha sido dedicado ao Natal e este, em seguimento, aborde a questão supracitada.

Sendo o Natal, evocativo do Nascimento de Cristo, mas associado simbolicamente ao nascimento de todos e de cada um de nós. E cremação associada a Morte!

Mas haverá correlação mais crucial e pungente que Nascimento e Morte?!

Quando nascemos, não temos certeza maior que essa. A de que morreremos. Mais tarde ou mais cedo. Por mais que tentemos afastar essa ideia.

Todavia, a Morte é sempre dolorosa. Ver “abalar” os nossos Entes Queridos, dói. Dói sempre!

A sugestão de publicar este postal sobreveio anteontem, 4ª feira, na leitura de um postal da plataforma SAPO, que, aliás, ontem, 5ª feira, surgiu destacado. Em que esta problemática da cremação era, de certo modo, abordada.

Por outro lado, na semana passada, ocorreu o falecimento de uma jovem na “flor da idade” e recordou-me de situação semelhante ocorrida na Família, em que uma jovem também nos abandonou repentinamente.

Situação sobre que escrevi e publiquei um poema.

Há pouco tempo também nos abandonou Eduardo Lourenço. Penso escrever um postal sobre “Tempo e Poesia”.

Flor branca. Foto original. 2020. 04. jpg

A Morte é uma constante da Vida! Todavia custa sempre. Muito!

Açucena Branca. Foto original. 2020. 05. jpg

Tomo a liberdade de manifestar os meus pêsames a todos os Familiares das Pessoas, cujos falecimentos são sugeridos por este postal. E pedir desculpa por, de algum modo, esta minha atitude poder parecer intrometida.

Rosa branca. Foto original. 2020. 05. jpg

Voltando à cremação!

A imagem documentando o postal referido, lembra-me o único local de cremação que conheço e em que estive por duas vezes em velórios de familiares. O crematório do Cemitério dos Olivais - Lisboa.

De facto, o cemitério não dispõe de um local devidamente respeitador da situação. Um cemitério é, deverá ser, sempre, um local de “Chão Sagrado”. E os espaços destinados à deposição das cinzas precisam ser mais valorizados. Não sei porque é que acontece assim, mas não está bem.

Foi precisamente, na sequência da segunda vez que estive no crematório e nesse cemitério, que resolvi escrever e publicar o texto sobre Cremação: Que destino dar às cinzas?!”, em 19 de Abril de 2017.

(As ideias já se congeminavam anteriormente, conforme explico, mas foi nessa data que as verti em texto escrito.)

Altemira. Foto Original. 2020. 05. jpg

Se quiser ter a amabilidade de ler, e opinar. SFF!

Passeio Virtual por Almada

Quem diz Almada, diz Rio: Tejo, a Ponte, Cacilhas…O Ginjal…

Arriba Elevador Ponte Foto original DAPL Out 2015.j

E quem diz Mar, diz: Costa

Costa Gaivotas 2020. 08. jpg

A Costa é uma imensidão de praia, oportunidade de lazer, mas também é trabalho... tradicional: Arte Xávega.

Arte Xávega. Foto Original. 2020. 09. jpg

Novo fim de semana de confinamento. Não sou especialmente contra a situação, penso que é necessário haver alguma contenção nos contactos sociais, esperemos que, deste modo, também exista diminuição dos contágios.

É assunto que já abordei várias vezes, isto da Covid, não me apetece falar mais no tema, pelo menos hoje, já basta o estar confinado…

Retidos em casa, todavia sempre é possível realizar os habituais “Passeios Virtuais”.

(Os últimos foram dedicados à “Minha Aldeia”.

Anteriormente destacara a “Cidade de Régio”, que também é uma das minhas Cidades.)

O de hoje, vai ser dedicado à “Cidade de Rio e de Mar”, que também é uma das minhas Cidades. “Alma Subtil…

Documentar sobre Almada, é inevitável abordar o Rio: Tejo e o Mar. E sobre este, imprescindível, a Costa. (Eu escrevi a Costa, a, friso…)

E hoje até esteve um dia convidativo para um passeio até às praias. As fotos aí foram tiradas, mas não hoje.

A paisagem envolvente da Costa é também património construído, testemunho de épocas transatas com outros hábitos de veraneio, documentadas por estas casinhas que mais parecem de brincar! As inevitáveis gaivotas!

Costa. Casas de veraneio. Foto original. 2020. 08.jpg

A Natureza, sempre. Com as suas peculiaridades. Uma Estrela do Mar! 

Costa. Estrela do mar. Foto original. 2019. 09.jpg

Falar de Almada é também lembrar a Casa da Cerca, documentada várias vezes no blogue. Também o Solar dos Zagallos.

Imagem da Casa da Cerca, com Lisboa em fundo.

Casa da Cerca. Foto original. 2019. 07. jpg

Também Arte, Música, Poesia, Cinema, Leituras, Bibliotecas... Teatro... Desporto... CULTURA.

Imagem de Oficina de Cultura: Exposição Anual da SCALA - Sociedade Cultural das Artes e Letras de Almada - 2019

Expo SCALA. Oficina Cultura. Foto Original. 2019. 03. jpg

E tradição: Loja tradicional em Almada Velha!

Loja Tradicional. Almada Velha. Foto Original. 2020. 01.jpg

E por falar em tradição e porque Almada, não é só Almada...

Antiga casa, melhor, "Vila", na Romeira - Cova da Piedade.

Testemunho de épocas e de modos de vida que desapareceram, mas que convém preservar.

Vila na Romeira. Foto original. 2018. 05. jpg

E por falar em preservação e manutenção... e reutilização...

O "Chalet", ali ao pé!

Chalet. Cova Piedade. Foto original. 2018.jpg

E para terminar... e mesmo aqui ao pé...

Malva Rosa no jardim, aqui mesmo ao pé de Casa. Plantada por "moi", "je". Soi disant!

Malva Rosa. Foto Original. 2020. 05. jpg

(Malva Rosa, Malva Rosa / Malva rosa sem ter pé / Quem te disse, ó Malva rosa / Que eu me chamo José?!)

(Quadra tradicional do Livro "De Altemira...", adaptada.)

“Com linha branca de luz” - António Nobre

“O novelo é a Lua - Cheia”

Estes versos fazem parte de uma quadra, que transcrevo e que também figura no livro “De Altemira fiz um ramo”. E é também uma quadra de autor erudito e consagrado, que foi incorporada no Cancioneiro Tradicional. Neste caso, de António Nobre (Porto – 1867 – 1900), inserta no livro “Só – O Livro Mais Triste Que Há Em Portugal”, editado originalmente em 1892.

Consultei numa edição de “Publicações Anagrama, Lda” – Porto - “Colecção Clássicos Anagrama Nº 19”. Especificamente no capítulo “Entre Douro e Minho”, subcapítulo “Para as Raparigas de Coimbra…”, quadra 16, pag. 51. Reportam-se, segundo o Autor, a Coimbra, 1890.

(O livro que tenho na minha posse não menciona data de edição. Sei que o comprei em 06/06/84, numa Feira do Livro, em Lisboa, por 125$00!)

 

“Nossa Senhora faz meia / Com linha branca de luz: / O novelo é a Lua – Cheia, / As meias são pra Jesus”.

 

Foi-me reproduzida, por D. Maria Belo, esta quadra, de modo ligeiramente diferente, no decurso da pesquisa efetuada sobre quadras tradicionais / cantigas de Aldeia da Mata, já neste quarto lustro do séc. XXI. Que a terá aprendido na sua infância ou adolescência, anos trinta ou quarenta do séc. XX.

 

Como se terá processado a incorporação desta e outras quadras já referenciadas, de autores célebres e eruditos, no contexto e âmbito do Cancioneiro Tradicional? (Afonso Lopes Vieira, João de Deus, …)

Na net também pesquisei e é igualmente mencionado que esta quadra também já fora recolhida nos anos trinta, em Elvas. E também foi cantada por Tristão da Silva (1927 - 1978).

 

Posso conjeturar uma hipótese, plausível, todavia sem certezas.

Certeza, apenas que não terá sido pelos meios ultra modernos que atualmente conhecemos.

 

Então como terá essa e outras quadras chegado ao conhecimento de pessoas trabalhando no campo, com poucos conhecimentos académicos, com imensas dificuldades de acesso a meios de comunicação?!

A hipótese que formulo é que terão sido estudantes de Coimbra que, no seu regresso às respetivas localidades de proveniência, cantassem essas quadras que haviam aprendido ou lido destes autores célebres, eles também frequentadores das tertúlias coimbrãs, nos finais do séc. XIX, princípios do séc. XX. Por essas vilas, aldeias e cidades do interior, em finais de séc. XIX, princípios de séc. XX, havia estudantes, filhos de famílias mais endinheiradas que frequentavam Coimbra, fosse em Medicina ou cursos de Direito ou Letras. É apenas uma hipótese.

Ao frequentarem, porque certamente o fariam, os arraiais e os bailes nas suas aldeias e vilas, também participariam nos despiques e desafios com os jovens das suas idades. Deste modo cantando e dando a conhecer as novas cantigas que traziam da Cidade dos estudantes, que seriam assim transmitidas oralmente, de geração em geração, de terra em terra.

 

Outra hipótese de divulgação: poderão ter sido os caminheiros, pedintes, cegos, que percorriam o Portugal de antanho, de lés – a - lés, que fossem os divulgadores dessas cantigas. Poderiam!

 

Esta quadra também a encontrei glosada em quatro quadras, por Teresa de Jesus, em “A Nossa Antologia” – Vol. X – 2002 – APP – Associação Portuguesa de Poetas. Foi aliás a partir dessa consulta fortuita que tomei conhecimento da respetiva autoria, que confirmei posteriormente na net e em livro.

 

E esta foi mais uma achega às aprendizagens a partir do livro “De Altemira…”

 

E oportunidade para recordar este Poeta. Quando puder, faça favor de ler “SÓ”!

Apresentação de Livro na Tertúlia da APP - Olivais

“DE ALTEMIRA FIZ UM RAMO”

“Versos e Prosas da Aldeia”

 

Aldeia. Vale de Baixo. Foto Original. 2014. jpg

 

 

Associação Portuguesa de Poetas

Sede – Rua Américo de Jesus Fernandes 16 A – Olivais LISBOA

 

28 de Abril (Domingo) – 2019 – 15h

 

Conforme previsto, realizou-se ontem, dia vinte e oito, a Tertúlia de final do mês, da APP – Associação Portuguesa de Poetas, na Sede, aos Olivais – Rua Américo de Jesus Fernandes – 16 A - Lisboa.

Como habitualmente, Poetas e Poetisas presentes disseram Poesia!

 

Nesta Tertúlia, inicialmente e de forma muito gratificante para mim, a Poesia dita e até cantada, consta do livro “De Altemira fiz um ramo…”, que foi apresentado nessa tarde de “Domingo de Pascoela”, precisamente nesse enquadramento, conforme tenho feito questão: divulgar o livro e a “Poesia Tradicional”, no âmbito dos grupos poéticos em que participo, enquanto sócio.

Na sede da SCALA – Almada; no âmbito do CNAP, no Centro de Dia de S. Sebastião da Pedreira e domingo, enquadrado nas atividades da APP. O lançamento fora a 30 de Dezembro, em Aldeia da Mata, na sede da Junta de Freguesia, como só poderia ser.

 

Gostei! Gostei muito! Parabéns e muito Obrigado à Associação. Parabéns e muito Obrigado à Direção da APP, que disponibilizou a logística ao lançamento e respetiva divulgação. Parabéns e muito Obrigado aos sócios, que tiveram a amabilidade e a possibilidade de estarem presentes. Muitíssimo Obrigado aos que, simpaticamente, se aprontaram para lerem e até cantarem quadras simples, despretensiosas, mas ricas de conteúdo e filosofia de Vida! Obrigadíssimo ainda mais aos que puderam contribuir para a concretização deste Projeto, adquirindo um exemplar de “… Versos e prosas da Aldeia”.

 

No respeitante a livros de minha autoria, talvez até uma próxima oportunidade, quem sabe?!... Num futuro, porque não publicar um livro com as minhas poesias?! “O Futuro, a Deus pertence…”

Que, no Presente, irei continuando a participar nas Tertúlias… Sempre que puder!

 

E nessa tarde, também cada um de nós teve oportunidade de “Dizer Poesia”, de sua autoria ou de outros Poetas de sua estima. E também cantar. Os que têm essa maestria. Parabéns e muito Obrigado a todos e a cada um!

E Viva a APP, recentemente aniversariante. E Viva a Poesia!

Tertúlia do CNAP de Fevereiro 2019

Apresentação "De altemira...

 

Valeu a pena?!

 

“Vale sempre a pena…”

 

Foto Original DAPL. Aldeia. jpg

 

Divulgar a Poesia é um dos propósitos destas apresentações. Divulgar a Poesia Tradicional. Divulgar a nossa Aldeia. Divulgar o nosso Alentejo! Divulgar o trabalho direto de Pessoas que participaram neste Projeto… (Sim! Porque de um Projeto se trata, a produção deste modesto livro: “De Altemira…”, nas suas diversas vertentes, ainda que não tivesse sido elaborado um plano formal, escrito. Que mentalmente ele existiu!)

Sublinhar a importância das Pessoas que nele participaram diretamente e das que nele estão incluídas indiretamente… Que estas “Cantigas” vieram de geração em geração, pelo menos desde o século dezanove, deduzo eu…

 

Nesta apresentação, de algum modo semelhante às anteriores, houve relevância muito especial dada às “Cantigas de Dona Maria Águeda”. Na apresentação na SCALA, as “Cantigas da Prima Teresa” despertaram especial atenção. Tem dependido da apreciação e do gosto que os “Dizedores de Poesia” presentes nas sessões revelam. “Alentejo, …”, “Balada da Aldeia”, “Festa da Aldeia”, “Namoro”…

Mas também outras “Cantigas”, “Cantigas de Oito Pontos”: “O sol é que domina…”; “As Maias”. “Uma cantiga brejeira” desperta sempre atenção…

De um modo geral foram abordadas quadras das várias Pessoas participantes.

 

Também foi estabelecida a inferência direta das cantigas para alguns dos seus elementos representativos, nomeadamente as plantas: a altemira, a alfazema, os lírios: roxo e branco… como forma de explicar a interligação direta dos versos e sua mensagem com a vida campestre.

E também houve o jogo da escolha aleatória de versos, a serem ditos, associada a uns bombons…

 

E quem “Disse…” e também disse “Presente!”

Drº Santos Silva, que na qualidade de Presidente da Associação, dirigiu a apresentação. E “Disse Poesia”, várias cantigas do livro. E não se coibiu de “Dizer Poesia” de Sophia de Mello Breyner, neste mesmo contexto. Obrigado!

D. Olívia Diniz Sampaio, Presidente do CNAP, também na direção da mesa. Luís Ferreira; Carlos Pinto Ribeiro, D. Fernanda de Carvalho. A todos, muito obrigado, por engrandecerem os versos “De Altemira…” com a vossa dicção!

João Carrajola, Rolando Raimundo, D. Ana Alves, compareceram, mas acho que não disseram ou leram Poesia. Mas Obrigado também!

 

Um Obrigado muito especial aos que adquiriram um livro. Sete euros é um preço acessível. E o “livrinho” merece. Tem uma qualidade muito boa. Desde logo, tecnicamente, está muito bem produzido. Muito mesmo! Tem um excelente conteúdo. Estas cantigas, quadras, rimas, versos, composições poéticas, compõem um Património Imaterial que já não faz parte do nosso quotidiano digital, mas seria uma pena que não fossem registadas, grafadas em livro. Já estão! Aprecie-as!

Neste blogue, também algumas delas figuram.

 Sobre a parte do trabalho que é da minha lavra não formulo juízos de valor.

A capa e a contracapa também estão muitíssimo bem conseguidas. A cor é por demais sugestiva. Reporta-nos para o Sol, para a Terra, para as Plantas, nomeadamente as Flores… As fotos são bem elucidativas.

O título “De Altemira…”, remete-nos para um regionalismo da minha Aldeia, “Altemira”, uma variedade de artemísia. Propositadamente!

 

E fico-me por aqui. E o meu renovado Obrigado a todos os participantes e colaborantes neste Projeto.

Sim! Qualquer projeto para ser concretizado precisa de financiamento.

E como eu gostaria de ter uma Entidade que me financiasse outros projetos neste âmbito, que tenho em mente…

 

Gostaria de adquirir um livro?

 

Poderá adquirir na Sede da Junta de Freguesia de Aldeia da Mata.

Na Livraria / Papelaria do Mosteiro de Flor da Rosa (Pousada).

Na SCALASociedade Cultural de Artes e Letras de Almada – (Almada Velha – Rua Conde Ferreira, Antiga Delegação Escolar).

 

E… Até uma próxima apresentação!

 

De Altemira Fiz Um Ramo

Versos e Prosas da Aldeia

Altemira Artemísia Foto DAPL 2016. jpg

 

E já que retomámos a escrita… Voltamos à Poesia. Desta vez, à Poesia Popular.

Temos em preparação, quase a ser editado, um livro estruturado a partir de recolha de “Cantigas”, quadras populares, coligidas em Aldeia da Mata, por várias Pessoas, algumas felizmente ainda vivas, outras que nos deixaram esse legado, mas já não estão entre nós.

A Poesia Popular é extraordinariamente rica. Na sua aparente simplicidade, tanto na estrutura formal, essencialmente quadras, como nos conteúdos, transmite-nos belas imagens poéticas, metafóricas, algumas de profunda e sensível ironia, intrinsecamente arreigada aos costumes e tradições do nosso Povo.

Através dela e nos contextos em que era dita, melhor, cantada, daí a designação de “cantigas”, educava, ensinava, veiculava Valores, Princípios, Atitudes, Comportamentos…

Era uma forma de transmissão oral de conhecimentos, de geração em geração. (Transmissão oral, pois que verdadeiramente só a partir dos finais dos anos quarenta é que a escolarização foi ganhando predominância. Até essas décadas – 40/50 - a população portuguesa era maioritariamente analfabeta.)

Ocorria num contexto predominantemente lúdico, de lazer: bailes e arraiais, convívio entre os vários intervenientes, essencialmente jovens, mas em que os mais velhos também participavam.

Mas também no enquadramento do trabalho campestre, entre os grupos, ranchos, que operavam nas várias atividades campesinas: nas mondas, nas ceifas, nas azeitonadas, durante a labuta diária e nas idas, ao nascer do sol e nos regressos das atividades, ao por do sol, enquadradas na sazonalidade das labutas no campo.

Estas tradições ocorriam ainda na década de cinquenta, enquanto o nosso país foi predominantemente rural, o setor primário dominante, antes das grandes correntes migratórias para as cidades em industrialização e das vagas emigratórias para a Europa mais desenvolvida, cujos grandes fluxos aconteceram na década de sessenta.

E antes de toda a novel tecnologia emergente a partir dessa década, nomeadamente rádio, televisão, gira discos, que foram modificando as tecnologias do lazer.

Bem! Mas toda esta conversa vem a propósito do mencionado livro, quase a ser editado, gostaríamos que ocorresse ainda este ano de 2018.

Apresentamos uma foto da imagem da capa, a “Altemira”, designação tradicional da artemísia em Aldeia da Mata e a quadra que sugestionou o título.

 

«De altemira fiz um ramo

De alfazema bem composto

O Amor que agora amo

Foi escolhido ao meu gosto.»

 

E outra foto, de uma figueira pingo - mel e também a quadra que a sugestiona.

Tal como a figueira também queremos produzir o fruto, o livro, mas também com flor, a “Altemira”!

 

Figueira Pingo Mel. Original DAPL. 2016.jpg

 

«Não olhes para mim, não olhes

Que eu não sou o teu amor

Eu não sou como a figueira

Que dá frutos sem ter flor.»

 

*******

 

(E a propósito desta figueira, plantada no Vale, no início desta segunda década, deste segundo milénio, também tem história, como quase todas as árvores que tenho plantado, a partir de sementeira, abacelamento ou que eventualmente comprei.

Veio do quintal do meu sogro de um ramo que cortei da figueira de São João. Foi abacelada num vaso, posteriormente transplantada para o terreno onde está, sempre supondo que era de São João.

Só quando ela começou a produzir é que me apercebi que era de pingo mel.

E como occorreu isso?! Milagre?! Transmutação genética?!

Não, de todo. 

O meu sogro tinha a figueira dele enxertada com duas qualidades: São João e Pingo Mel. E eu quando colhi os ramos para abacelar, desconhecendo o assunto, trouxe dos ramos de pingo mel e não dos de São João. São ambos figos deliciosos.

Mas agora já tenho num vaso um outro abacelamento, este de São João!)

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D