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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Feira do Livro 2015

Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett

Editora Livraria Sá da Costa, Lisboa

1ª Edição, 1963

Reimpressão, 1966

 

85ª Feira do Livro de Lisboa.html C. M. Lisboa.jp

Está a decorrer a Feira do Livro, de Lisboa, na sua 85ª edição, no espaço tradicional, Parque Eduardo VII.

É um local de visita obrigatória, para quem goste de ler, folhear livros, ver novidades, passear… e eu estou a propagandear, mas já lá não vou há alguns anos… principalmente por comodismo.

Mas, nos anos setenta, principalmente a partir de 74, quando estudava na capital, confesso que me perdia na Feira e nos saldos… para além dos catálogos e todo o tipo de panfletos e acessórios das edições.

E, nos “Livros do Dia”!

 

Mas como estamos nesta época, resolvo partilhar convosco o livro que estou a (re)ler, de que apresento imagens digitalizadas da capa e contracapa:

Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett; Editora Livraria Sá da Costa, 1ª Edição, 1963; Reimpressão, 1966.

 

almeida garrett pt.wikipedia.org..jpg

 

Não vos vou falar nem do Autor, Almeida Garrett, 1799 - 1854, possuidor de uma atribulada biografia, que de algum ou diferentes modos transpôs para a sua Obra, notabilíssima, sendo Autor de uma bibliografia extraordinária.

Viveu em pleno os tempos conturbados dessa primeira metade do século XIX, enquanto Homem, Cidadão, Político,… paralela e concomitantemente publicando as suas Obras, precursoras e introdutoras da Modernidade. É considerado o “Pai do Romantismo” em Portugal.

A minha pretensão é simplesmente sugerir a leitura da Obra mencionada, 1846, um clássico da Literatura contemporânea.

Viagens na minha terra. Digitalização da capa jpg 

Esta edição tem um excelente prefácio e notas do Professor José Pereira Tavares, datado de 1953 e explanado em quatro momentos: 1 – “Escorço da biografia de Garrett”, 2 – “ A Obra”, 3 – “História das “Viagens” ”, 4 – “A nossa edição”. E o Prefácio dos Editores de 1846.

Só após, se inicia a Obra propriamente dita, até ao Capítulo XLIX.

Estou a iniciar a leitura do Capítulo XXVII, quando, na narrativa, o autor/narrador chega a Santarém.

Santarém. Torre das Cabaças. in wikipedia.jpg

 

O livro lê-se relativamente bem, sem pressas, lendo e refletindo, interrompendo, intervalando, ao sabor da narrativa, das considerações e divagações do Autor, das notas de rodapé. Os capítulos são curtos, o exemplar facilmente manuseável.

Exige, contudo, algum conhecimento do contexto espácio temporal, cultural, social e político em que se desenrola a ação.

Mas… e quando não se conhece algum significado, é sempre bom ter um dicionário e sobre os assuntos, uma enciclopédia ou a net também ajudam.

Aprende-se muito, para além da riqueza verbal e ideativa que o acompanha e que nele se explana.

O enredo romanesco, o romance propriamente dito entre Joaninha e Carlos, começa bem tarde na trama, nem sei mesmo se será a parte mais importante... Os diálogos dessa parte da narrativa são muito claros, transparentes, acessíveis, simples e compreensíveis, lembrando muito os do teatro, ou não fosse Garrett o criador do teatro moderno em Portugal.

Ao ler esses excertos, só imagino uma peça de teatro, de que tenho saudades, aliás. A televisão praticamente não transmite e é pena!

Viagens na minha terra. Digitalização da contracapa.jpg

Concretamente, o exemplar de livro que possuo tem alguma história associada.

Ganhei-o, sim foi ganho num concurso promovido pela antiga Emissora Nacional, não sei se nos finais de sessenta, se já no início de setenta do século XX, de qualquer modo antes de 74.

Foi dos primeiros livros meus, para além dos escolares, que os meus pais, apesar das dificuldades da época e dos sacrifícios que tinham que fazer para eu poder estudar, sempre fizeram questão de me comprar e que ainda guardo com carinho e estima.

Nessa época, anos 60 / primeira metade de 70, ter livros próprios era um luxo!

Por todas e as mais diversas razões, económicas, principalmente, mas também sociais e políticas, frise-se!

Por isso mesmo, quando foi a explosão de Liberdade após 25 de Abril de 74, a 1ª Feira do Livro em liberdade foi uma Festa!

Voltando ainda a este exemplar que possuo foi para mim uma enorme satisfação ao obtê-lo, não só pelo concurso, algo sem importância certamente, qualquer coisa como responder a alguma pergunta ou tema de que não me lembro, mas cuja resposta era “Lourenço Marques”, que anotei na 3ª página do exemplar. Só me esqueci de apor a data…

Eram tempos em que havia falta de tudo, não vivíamos, nem vislumbravamos viver alguma vez numa sociedade como a atual, nomeadamente no que concerne ao consumo e revolução tecnológica, às mudanças políticas e sociais.

Seria pura ficção científica imaginar sequer que poderia estar algum dia a comunicar neste “blog”! !!!!!!!!!!!!!!!!

Por isso, à data, ter um livro meu, para além dos escolares, e no âmbito da Grande Literatura era estar no píncaro!

Contudo e pelo que expliquei anteriormente, algum desconhecimento do contexto espácio temporal, cultural, social e político em que se desenrolava a ação; falta de vocabulário, praticamente nulos recursos de pesquisa, tive alguma dificuldade em ler e compreender a Obra.

Essa é uma das razões por que estou a reler o livro.

 

E, agora, lê-se maravilhosamente!

 

Procurem-no na Feira do Livro, SFF!

 

Feira do Livro de Lisboa 2015

 

“Humor e Cultura”

Apresentação do livro de João Coelho dos Santos

“Humor e Cultura”

 

Ontem, dia 12 de Novembro 4ª feira, deslocamo-nos à Biblioteca Municipal Central de Lisboa, no Palácio Galveias, para a sessão de apresentação do livro “Humor e Cultura”, de João Coelho dos Santos (1939).

 

Não conhecia o autor nem a obra, embora sabendo ser sócio da APP (Associação Portuguesa de Poetas), meio através do qual tive conhecimento do evento e que nos incentivou a comparecer.

 

Em boa hora fomos, pois foi uma sessão extremamente divertida e interessante, cheia de Humor e Cultura, conforme sugeria o título do livro.

 

A apresentação muito bem conduzida por Mariana Marques Vidal, Jornalista, entrelaçou momentos de intervenção de personalidades destacadas de vários ramos profissionais, Forças Armadas (Coronel Raul Dionísio), Medicina (Professor Doutor Mário Cordeiro), Direito (Drº Juiz Renato Barroso), Economia (Drº João Cantiga Esteves), Ensino (Drª Emília de Noronha), Televisão (Realizador Ferrão Katzenstein), todas pessoas amigas do autor, que no contexto mencionado contaram situações da sua vida profissional e pessoal em que o Humor esteve presente, descrições e vivências muito ricas e imaginativas, proporcionando-nos sadiamente o riso, expressão de sentimento tão salutar à vida humana, individual e coletiva.

 

A sessão iniciou-se e terminou com bonitos trechos musicais conduzidos por João Canto e Castro, em violino e João Amaral, à viola. Canto e Castro, intervindo entre as diversas personalidades, também nos brindou com excelentes momentos humorísticos, em que com textos, alguns muito conhecidos, imitou Pinto da Costa, Medina Carreira, Rebelo de Sousa…

 

Contou ainda com a leitura de poemas pelos Jograis da U.L.T.I. (Universidade de Lisboa para a Terceira Idade), de alguns excertos do livro por amigos e poetas, nomeadamente a representante da A.P.P., Associação Portuguesa de Poetas, Graça Melo.

 

Uma Pessoa que consegue cativar Amigos em tantas áreas diversificadas é certamente uma Pessoa de Mérito, faceta que os vários intervenientes frisaram nas suas intervenções, contextualizando os enquadramentos em que trabalharam conjuntamente, em diferentes e diversificados projetos de trabalho, de vida e cidadania. A faceta de Autor está bem presente nos livros até ao momento já publicados e que vêm consignados nas pp. 7 e 8 do livro em apresentação. Onze livros de poesia, oito de teatro, duas biografias históricas e sete pedagógicos / didáticos.

 

O livro apresenta textos muitíssimo diversificados, alguns conhecidos do grande público, outros não, com mais ou menos Humor, também com o muito Amor que se depreende da entrega do Autor naquilo que faz. Desde trechos bíblicos, a citações de autores célebres, pensamentos e sugestões, histórias e estórias, provérbios, curiosidades, anedotas também e porque não e também de Alentejanos?! Desta gama variada de textos e entre textos se traça e entrelaça a estrutura e narrativa do livro.

Abarcam os vários ramos do conhecimento, desde as várias ciências humanas, exatas e naturais, à literatura e poesia, passando pelas artes. As fontes, conforme referido pelo autor, são a wikipedia, a internet, os livros que publicou e “tantas outras fontes que não consegui identificar”. Provavelmente a Cultura e o Humor que a Vida foi ensinando ao Autor, ao longo da sua vivência e que tão bem consegue transmitir aos Outros, como aliás demonstrou no encerramento da sessão. Convém frisar que e mais uma vez citando: "Decidi escrever, condensar em livro, esta antologia de textos dispersos, por sugestão dos meus alunos da turma de Arte de Comunicar que, desde 2002, venho lecionando como professor convidado e voluntário na ULTI – Universidade de Lisboa para a Terceira Idade."

 

Esta explicação enquadra o livro nos seus vários aspetos. Livro que, aliás, se lê bem, de forma agradável e acessível, com um sorriso e muitas vezes um riso perspicaz e pertinente, com Humor. E com Cultura! Há trechos que já conhecemos, sim, mas também há muitas novidades e aprendemos sempre algo de novo e enriquecemos sempre mais a nossa bagagem cultural.

 

Como aspeto negativo na apresentação, nada a ver com o autor e respetiva organização, apenas a obsessão obsessiva que, hoje em dia, algumas pessoas têm pela utilização indiscriminada de meios eletrónicos, nomeadamente na recolha de imagens, não respeitando quem está a atuar ou a intervir, nem quem está a assistir.

 

No livro, numa futura edição, conviria melhorar alguns aspetos que, um dia, eventualmente, poderei explicitar ao Autor.

O livro tem os seus “quês” e “porquês”, conforme cito anteriormente, mas não posso deixar de frisar que, quando o adquiri, fi-lo na expetativa de ser um livro de originais!

 

Parabéns e bem-haja pelo seu Humor e Cultura!

 

Publicado em:

Boletim Informativo e Cultural Nº 69 de Associação Portuguesa de Poetas - Out./Nov./Dez. - 2014

 

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