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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Bloqueios de escrita... e guerra (s)!

Aquém-Tejo e Apeadeiro da Mata!

As escritas nos blogues têm andado muito bloqueadas. Dado o contexto, poderíamos dizer "blogueadas"!

Questões de natureza pessoal, outras de ordem logística e técnica.

Também temáticas...

A guerra, esta guerra absurda, atroz, atormenta-nos. Não se vislumbra um final próximo. Como, Quando,  ...conseguirão, ... Quem conseguirá... parar aquela figura inominável, aquele personagem execrável e seus sequazes, que desencadearam tal guerra e invasão de país soberano?! Que, por nenhumas razões plausíveis, lógicas, têm destruído todo um território, massacrado todo um povo inocente!? Que, permanentemente, ameaçam fazer ainda pior! Gente(?!) em que não se vislumbra um olhar, um sorriso, um sinal de Humanidade! 

Como, Quem, Quando, vai terminar essa guerra?!

E a Covid, acha que já acabou?!

Por decreto governamental?!

Votos de Saúde e de Paz!

 

Finalmente, voltou o Sol!

Fim do “Prenúncio de Inverno Nuclear”?!

Que saudades já tinha de ver o sol. Apesar da seca persistente. Que tarda e teima em não chover! Mas que podemos nós?! Não mandamos, não temos poder!

Nesta semana, houve dias que o sol nunca se viu. Parecíamos estar num “Inverno nuclear”! Desde segunda-feira, catorze de março, com especial incidência na terça e quarta-feira, quinze e dezasseis, uma concentração de persistentes poeiras, provindas do deserto do Saara, tapava completamente o céu. Não eram várias nuvens altas, era uma só nuvem, baixa, contínua, homogénea, impedindo-nos do acesso à visibilidade do azul celestial. Este adquiriu tons de castanho avermelhado, uma luz coada por esse manto de partículas contínuas, de pós, cobrindo casas, carros, territórios. O sol nunca se dignou mostrar aos olhos destes povos peninsulares. Melhor, não nos foi permitido vê-lo! Com maior incidência para o centro da Península, também no interior de Portugal o fenómeno terá sido mais marcante. Uma irritação respiratória constante, dores de garganta, expetoração, alergias…

Ontem quinta-feira, dezassete, ao aproximarmo-nos de Arraiolos, foi com alegria que observámos a luz poente, ainda coada por essa poalha castanho avermelhada, ilustrando o castelo, a escola secundária, o casario da Vila, as Ilhas.

Hoje, 6ª feira, dezoito, na Cidade de Régio, a luminosidade já nos permitiu observar o azul do céu, algumas escassas nuvens destacando-se, libertando-se da submersão desse manto de poeiras, agora já mais cinzentas, alertando-nos para a perigosidade de um “holocausto nuclear”.

Para quê provocar guerras, para quê invadir territórios de povos livres, para quê ameaçar com o botão nuclear, se, periodicamente, a Natureza faz valer as suas próprias leis naturais?!

…São os vulcões, os terramotos, os maremotos, os tsunamis, os ciclones, as cheias, as secas, os fogos naturais, as epidemias… outros tantos desastres, que periodicamente assolam a face da Terra, independentemente da vontade humana.

Para além dos desastres que a Humanidade provoca por desmazelo, inépcia, ganância!

Ainda provocar as guerras… De vez em quando, solta-se um louco do manicómio do poder e põe o mundo em polvorosa.  Prendam-no, a esse louco que quer abrir a caixa de pandora da guerra nuclear. Já basta que abrisse a da guerra!

O problema é prendê-lo!

 (Dirá o/a Caro/a Leitor/a)

Saúde e Paz!

 

 

"Somos todos Ucranianos!"

O Povo Ucraniano quer a Paz! O Povo Russo quer a Paz! Todos os Povos querem a Paz!

Nesta “guerra da Ucrânia”, decorrente da invasão das tropas do regime russo, cuja fase recente se iniciou no mês passado, 24/02, que ela já dura há quase dez anos (!), não há como não estar solidário com os Ucranianos!

"Somos todos Ucranianos!"

(Digo eu, embora sabendo que muito boa e santa gente tem opinião contrária ou assim-assim, ou nem não, nem sim, isto é, nim!)

Que haja outras e variadas guerras por aí, todas condenáveis, porque o são, por várias vezes repudiadas no blogue, tanto em prosa como em verso, também esta repudio.

É preciso terminar a invasão. As tropas do regime russo devem sair da Ucrânia, país que deve ser independente e ser reconhecido como tal, sob todos os aspetos, pelo regime russo!

É preciso que o regime russo termine o que começou e desenvolvam conversações de Paz, sempre tendo na base a independência da Ucrânia. (E da sua integridade territorial, o que já será mais complicado, digo eu…)

Os Povos querem Paz! Não querem guerra. Todos os Povos.

(Os defensores da guerra são uma minoria, só que detêm o poder, como no vertente caso. E, depois, utilizam-no mal.)

 Não fazem sentido guerras, por disputas territoriais. Somos todos interdependentes, todos os países, todas as nações, todos os povos. Vivemos num mundo à escala global. Ele há tanta desgraça, calamidade, catástrofe natural; tanta degradação provocada pelo ser humano, nomeadamente no ambiente… para quê ainda buscar a guerra?! Ainda nem saímos da pandemia da Covid!

Senhores da guerra, desta e de outras: Buscai a Paz!

P.S. – Há muitas questões que poderiam ser analisadas sobre este assunto, nomeadamente as formas de se alcançar a Paz. Qual o papel ou papéis que deveriam desempenhar a União Europeia, os Estados Unidos, a NATO, a China, outros Países, outras Entidades, o Papa Francisco, por ex.

Mas há uma questão que é mais no domínio dos se…se… E se a Srª Merkel ainda chefiasse o governo alemão, quiçá, com papel determinante na União Europeia, as coisas teriam ocorrido assim?!

(Uma pergunta que fica no ar…)

Entretanto, resta-me apelar à Paz.

Negociações. Retirada das tropas. Acordos de Paz. O Povo Ucraniano não merece estar a sofrer esta calamidade.

(Que a guerra é a mãe de todas as desgraças!

As consequências projetam-se por todo o mundo.)

 

 

Na guerra, o preconceito racial.

Direito à compaixão e Amor!

 

Apelo às guardas ucranianas!

Sejam mais empáticas e humanas

Que também há gentes alentejanas

Parecendo pessoas africanas!

 

Mesmo que africanas elas sejam

Se a Liberdade elas almejam

Lhes concedam o que elas desejam.

Que as defendam! E até protejam!

 

Não protelem direito de sair

Não discriminem! Autorizem ir

Procurar futuro, outro porvir!

 

Todos temos sangue da mesma cor

Todos sofremos, todos temos dor

Direito à compaixão e Amor!

 

Um poema de denúncia do atropelo aos direitos de seres humanos que, por serem “negros”, estão a ser impedidos de sair da Ucrânia, sendo preteridos face a outros que são “brancos”.

(Este postal não segue necessariamente os cânones do considerado “politicamente correto”!)

A guerra leva aos maiores flagelos da Humanidade e a desumanidade vem ao de cima, pelas mais diversas razões e por variadas formas.

O racismo é bem expresso nestas atitudes dos guardas.

Há jovens portugueses, estudantes de Erasmus, de Medicina. Um até é alentejano, de Évora e até viveu em Portalegre. Distrito onde até temos Médicos ucranianos, que muito estimamos!

E também há cidadãos de outros países a sofrerem pela mesma razão discriminatória!

 

Eleições Antecipadas 30/01/22

Antevéspera, 28 de janeiro de 2022.

Laranjeira Limoeiro. Foto original. 2022.01.26.jpg

Sobre as eleições antecipadas já escrevi:

Debate...

Debates-da-pre-campanha...

Eleicões-antecipadas-30-de-janeiro...

Eleições-legislativas-antecipadas...

Por agora, não vou “mandar vir” mais sobre o assunto! O que desejo é que os resultados das eleições sejam esclarecedores e permitam formar um governo de estabilidade.

E que a Covid abrande, permitindo votar em segurança.

Limoeiro Laranjeiro. Foto Original. 2022.01.26.jpg

As fotos?! Uma Laranjeira -limoeiro ou Limoeiro – laranjeira! Que não sei qual é o porta-enxerto.

(Num quintal, em Palmela.)

Quem ficará com a Laranja?! Quem ficará com o Limão?!

Saúde, muita. E Obrigado!

Viagem de Comboio em 1990 (V)

Amendoeira de Palmela. Foto original. 2022.01.24.jpg

Respostas das Entidades (II)

Assembleia da República

Do PS, recebi carta manuscrita do Deputado Miranda Calha, datada de 27/3/90.

Excertos:

«Recebi, e agradeço… Infelizmente a realidade é tal como a conta.

Já me pronunciei diversas vezes na Assembleia sobre este assunto gravoso para o meu distrito e que o actual governo nunca respondeu às questões colocadas. Continuarei… a lutar para que no distrito de Portalegre existam melhores condições de deslocação – especialmente no sector respeitante à C.P. (…)

Os melhores cumprimentos

Júlio Miranda Calha»

*******

Por curiosidade, apresento foto da carta.

Fotocópia de carta. Foto Original. 2022.01.27.jpg

Fotocópia de carta. Foto Original. 2022.01.27.jpg

******

Do Grupo Parlamentar do PCP, responderam a 8 de Março de 1990, através do Gabinete de Apoio, em nome do Deputado Luís Roque, que agradece. Enviam uma “cópia de intervenção proferida em Plenário, sobre o assunto”.

É um texto de 4 páginas, da “Intervenção do Deputado Luís Roque – PCP, Sessão Plenária do Dia 9 de Janeiro de 1990 – PAOD”

Apresento alguns excertos da intervenção:

«Sr. Presidente

Srs. Deputados,

Resolveu o C.G. da CP encerrar ao tráfego de passageiros a partir de 1 de Janeiro de 1990 mais nove ramais ferroviários, a saber Valença/Monção, Vila Real/Chaves, Amarante/Arco de Baúlhe, Sernada/Viseu, Évora/Reguengos de Monsaraz, Évora/Estremoz/Vila Viçosa, Estremoz/Portalegre, Beja/Moura e o Ramal de Sines.

É de salientar que anteriormente já haviam sido encerrados a Linha do Dão e o troço Pocinho/Barca de Alva.

Esta decisão, concerteza concertada com o Ministério da Tutela, corta às regiões mais interiores o cordão umbilical que as ligava às regiões mais desenvolvidas do litoral, agravando mais ainda a assimetria litoral/interior, que hoje já é gritante.

(…)

…a CP e o Governo demonstram à saciedade quanto estão preocupados com o desenvolvimento económico e social do interior.

Em intervenção por mim aqui proferida em Maio de 88, aquando da implementação dos novos horários de Verão, prevíamos que o desajustamento dos mesmos em relação aos interesses dos utentes visava degradar a oferta com o fim de mais facilmente proceder aos encerramentos programados.

Para os incrédulos de então, aí está a resposta do Governo e da CP.

Estes planos visam o encerramento de 1000 Km de via e mais de 300 estações, ficando a rede ferroviária nacional reduzida ao eixo Braga/Lisboa/Faro, às ligações com Espanha e aos suburbanos de Lisboa, Porto e Coimbra.

Repare-se que no plano de modernização e reconversão dos caminhos de ferro (1988/1994), aprovado em Conselho de Ministros em Janeiro de 88, a rede secundária com 1076 Km absorve apenas 0,2% do total do investimento previsto no plano.

Este valor denuncia claramente quais são as intenções do Governo e da CP em relação a estas linhas, ou seja, encerrá-las.

O Governo com esta medida gravosa para as populações esquece um princípio que é aceite em todos os países comunitários, a função social do transporte de passageiros.   (…)»

*******

NOTAS Finais:

Os outros partidos da Assembleia não responderam.

Da Câmara Municipal de Portalegre também não recebi resposta.

O “Jornal Fonte Nova” publicou o texto.

O “Jornal Expresso” não fez referência ao assunto.

(Os negritos são de minha lavra.

Apresento os excertos que considerei mais relevantes.

Estes textos, traduzindo intervenções e tomadas de posição, mostram o posicionamento destes partidos face à situação.

São documentais. Fazem parte da nossa pequena história pessoal, pois vivemos esses tempos de viagens de comboio. Farão ou não parte da Grande História do nosso País. Para todos os efeitos os comboios fazem parte da História de Portugal.

Para se entender o historial dessa desativação dos comboios e subsequentes (re)utilizações ou abandonos, a leitura do livro já referido é fundamental.

Pelas Linhas da Nostalgia – Passeios a Pé nas Vias Férreas Abandonadas”, de Rui Cardoso e Mafalda César Machado, Edições Afrontamento, Novembro de 2008.

 E ainda haveremos de ir a Barca D'Alva?!

(A foto que titula o postal é de uma Amendoeira. Mas não de Barca D'Alva. Esta é de Palmela. Hei-de postar sobre ela!)

Boas Leituras! Muita Saúde. Boas Viagens, de Comboio. Muito Obrigado!

viagem-de-comboio-em-1990-iv

a-que-horas-parte-o-comboio-para-barca d'alva.

amoreira-da-barca-dalva-ii

Viagem de Comboio em 1990 (IV)

Respostas das Entidades (I)

Isto quase parece uma Série! Ou um Folhetim!

Respostas das Entidades, para quem enviei o texto publicado nos postais anteriores, acompanhado de uma carta específica para cada uma delas.

Rosa do Apeadeiro. Foto Original. 2021.05.02.jpg

CP - Caminhos de Ferro Portugueses, E.P. - enviei carta a 90/02/01, para a Administração. 

 Resposta textual obtida da CP, datada de 90/02/23:

Analisamos com muito interesse o relato enviado por V. Exª, que agradecemos.

Apresentamos as nossas desculpas pelos inconvenientes surgidos, originados sobretudo por avarias de material motor e pela necessidade de conceder enlace a passageiros vindos do Norte com destino ao Leste, que de outro modo se veriam obrigados a esperas muito mais longas.

Quanto à utilização de Automotoras Nohab, tal facto deve-se a necessidades de rentabilização do material disponível e das condições de exploração.

Esperando poder voltar a contar com V. Exª entre os nossos clientes, apresentamos os nossos melhores cumprimentos.”

Rubricado por: “O Director de Operações Sul”

*******

Assembleia da República

Para a Assembleia da República também enviei o texto. (Consultando a Wikipédia, à data, a composição da Assembleia seria como segue: PSD, PS, CDU, PRD, CDS. O Primeiro-Ministro era o Professor Doutor Cavaco Silva.) Não me lembro se enviei especificamente para cada grupo parlamentar, se genericamente para a Assembleia.

O texto enviado foi acompanhado pela carta seguinte, também com a data de 90/2/1:

«Excelentíssimo Senhor Deputado

Tomo a liberdade de me dirigir a Vossa Excelência, na qualidade de eleitor do distrito de Portalegre, no sentido de referir, através duma ocorrência factual, um assunto que vem problematizando muitos dos habitantes do distrito, mais concretamente a situação dos comboios. Não tenho, todavia, a pretensão de abordar o tema duma forma exaustiva, outros já o fizeram melhor.

Segue, em anexo, um texto testemunhando o ocorrido, acompanhado de algumas questões – reflexões sobre o tema e outros, que aparentemente díspares, a ele estarão bastante ligados, pelo agravamento da interioridade do Distrito.

Agradecendo a atenção prestada

Subscrevo-me de Vossa Excelência»

 *******

Caro/a Leitor/a, acha que recebi respostas de todos os grupos parlamentares?!

A resposta a esta pergunta só a poderei dar em próximo capítulo deste “Folhetim do Comboio de 1990”!

*******

(P.S. - A foto? Original. De Rosas do meu Quintal. É de uma Roseira que trouxe do Apeadeiro da Mata, local de chegada da narrativa deste folhetim "Viagem de comboio em 1990". Local também de partida para as muitas viagens que fiz de comboio, nos anos setenta, oitenta e inícios de noventa, do séc. XX. Estava junto à casa da guarda da passagem de nível. Daí, colhi um ramo que abacelei. E aí virá a Primavera em que florescerá novamente, em todo o seu esplendor. E que venha a Primavera e que traga chuva. Que o Inverno só nos tem trazido frio. Muita Saúde e muito Obrigado.)

 

Uma viagem de comboio em 1990 (III)

Uma série de perguntas… Com ou sem respostas? 

«Chover no Molhado» (III)

Aldeia e monumentos icónicos. Foto original. 2020.04.21.jpg

(…)

«Algumas pessoas comentavam que os dias de azar não são só as 6ªs feiras, mas como não sou de superstições, antes acredito que o futuro é fundamentalmente construído por nós próprios, gostaria de deixar algumas questões em aberto, à consideração de quem de direito e obrigação, sem pretensões a esgotar o assunto:

1 – Se, numa mesma viagem, há três avarias com três máquinas diferentes, será que estas, à saída das oficinas, estavam em condições para circulação?

2 – Ninguém prevê ou se preocupa com a eventualidade de possíveis acidentes a ocorrer, dadas as precárias condições de segurança em que se viaja? A memória é assim tão curta?

3 – Os tão propagandeados meios técnicos, a implantar nos comboios e que permitiriam uma resolução mais rápida de eventualidades como as descritas, continuam apenas a ser lembrados na altura dos acidentes? Depois são rapidamente esquecidos?

4 – Quando tanto se fala em investimento e progresso que, na Linha do Leste, em 1990, parece escrever-se RETROCESSO, será que ainda aqui veremos circular as máquinas a vapor? Estamos no Ano Europeu do Turismo!

5 – Será que teremos que passar a levar auscultadores para suportar o barulho da automotora? (Ou a CP passa a fornecê-los no acto de compra do bilhete?)

6.1. – Será que o objectivo das medidas recentemente tomadas (a extinção de certos ramais, acrescente-se também) pretende afastar os passageiros da utilização dos comboios como meio de transporte?

6.2. – Mas onde foram criadas alternativas válidas para muitas populações do Interior? Onde estão as boas estradas? Onde estão os bons meios de transporte rodoviários?

6.3. – Será de facto economicamente mais rentável, para o país, transportar passageiros por camioneta do que pelo comboio?

6.4. – Servindo-se das estruturas já existentes, não haverá modalidades de transporte ferroviário mais económicas do que as utilizadas?

(Supondo que será essa a razão principal da supressão de muitas das vias férreas.)

7 – Em suma, pretender-se-á, a longo prazo, uma ainda maior desertificação do Interior e um congestionamento e macrocefalia dos grandes centros urbanos?

8 – Será que o Interior está fatalmente destinado à florestação eucaliptal acompanhando a fuga das populações campesinas?

9 – Julgar-se-á que a actual divisão especializada das economias periféricas europeias e a respectiva superestrutura é eterna? Isto é, pensar-se-á que a estrutura da CEE é imutável e perene e que nós vamos ter sempre quem nos forneça muitos dos produtos que consumimos e injecções de capital financeiro para os adquirir?

Será que a nossa pasta de papel vai ser eternamente necessária nos países industrializados?!

Será que …? Será…?

Talvez sejam questões a que nós não mereçamos resposta… Talvez!»

Cova da Piedade / Lx, finais de Janeiro de 1990

*******

Estas foram as questões e considerações que formulei e enviei às Entidades com competências no assunto, juntamente com o texto descritivo da ocorrência.

(Valem o que valem, face ao contexto em que se inscrevem, ao tempo a que se reportam, e à importância de defender o Interior, sempre tão esquecido, há várias décadas.)

Enviei este texto completo, (sem negritos, estruturados para efeitos de blogue), para CP, para Assembleia da República, para Câmara Municipal de Portalegre, para Jornal “Fonte Nova”, para Jornal “Expresso”.

(Abordarei as respostas obtidas em próximo postal.

O/A Caro/a Leitor/a dirá que isto já parece um folhetim. E com razão, reconheço. Obrigado!)

 

Uma viagem de comboio em 1990 (II)

Na Linha do Leste: Peripécias e Avarias! 

Caminho para apeadeiro. Foto Original. 2021.12.01.jpg

«Chover no Molhado» (II)

«Lá arranca o dito na direcção Leste: V.N. da Barquinha… Stª Margarida, e… quase a chegarmos à estação do Tramagal, o comboio pára.

O que se passa? O que é? O que acontece? Perguntam-se os passageiros, questionam os funcionários em serviço (por sinal atenciosos), mas também estes, durante um certo tempo, pouco puderam explicar, pois entre o que se passava na máquina, onde certamente estava a avaria e se encontrava o maquinista e a carruagem, imediatamente a seguir, não havia qualquer meio de comunicação rádio. Só com a saída dum empregado, para falar com o maquinista, se soube que a máquina estava avariada. E como foi o contacto deste com a estação do Tramagal? A pé, até à estação, a comunicar a avaria, para que o chefe providenciasse a sua resolução.

Esteve-se mais de uma hora nisto, perto da estação do Tramagal, os ânimos exaltavam-se, os empregados atendiam o melhor que podiam e lá fora chovia, chovia no molhado…

Com um veículo amarelo, chamado “tractor” lá foi o comboio puxado para o Tramagal. Aí, ainda esperámos algum tempo (pouco, comparativamente com o que já esperáramos) pela vinda duma máquina do Entroncamento que, substituindo a outra, nos levaria para o resto da viagem em direcção a Badajoz. (No mesmo sentido que o nosso, mais atrás, seguia o da Beira Baixa e obviamente também atrasado e a atrasar-se, pois não podia ultrapassar-nos.)

Confiantes no nosso bom destino lá seguimos. Duas avarias na mesma viagem não é vulgar, mas… não há duas sem três.

Depois da Ponte de Sor, os sintomas que se verificaram antes do Tramagal reapareciam na máquina substituta: afrouxamento, quase a parar. A custo conseguiu chegar ao apeadeiro da Fazenda e a velocidade reduzida (20 à hora, comentava-se!) chegou-se a Torre das Vargens.

Estariam aí terminadas as peripécias desta viagem? De modo algum!

Nesta estação, houve que fazer transbordo para uma automotora Nohab, das que circulavam nos ramais de Portalegre e Évora, entretanto desactivados de circulação de passageiros. E que, este ano de 1990, passaram a fazer a ligação Torre das Vargens – Elvas e vice-versa, em certos horários, inclusivé nalguns bem movimentados de fim de semana, em que os passageiros vão à cunha, sem o mínimo de condições. O aquecimento sem funcionar, uma barulheira infernal na carruagem onde segue a máquina, muitos decibéis acima do que qualquer ouvido humano deve suportar e, no compartimento de 2ª classe,… bancos de pau. De pau, como nos velhos tempos do Oeste!

Finalmente, chegou-se! Com quase 3 horas de atraso, com todo o desconforto possível, desrespeito por quem paga bilhete e falta de comodidade e… SEGURANÇA. (…) »

Chegada a Aldeia. Foto Original. 2021.12.01.jpg

*******

Neste segundo excerto, relato as peripécias da viagem. Num terceiro, em próximo postal, explicitarei algumas questões que expús às Entidades a quem dirigi a missiva.

As fotos mostram o caminho na direção do Apeadeiro. A primeira no sentido de ida para a estação, para apanhar o comboio. A segunda, no sentido do regresso, proveniente do apeadeiro em direção à localidade: Aldeia da Mata. 

São 3Km, que percorri imensas vezes, sei lá quantas, indo ou provindo da viagem de comboio. À data, anos setenta e oitenta, demorava trinta minutos neste percurso, em passo acelerado.

Haja saúde e muito obrigado pela atenção!

 

Uma viagem de comboio em 1990 (I)

De Lisboa à Mata,  a propósito de Barca D’Alva!

Aldeia. Foto Original. 2021.12.22.jpg

Nos próximos postais publicarei um texto que escrevi sobre uma viagem de comboio entre Lisboa e a minha Aldeia, ocorrida em Janeiro de 1990. E as respetivas peripécias. (“Aos anos que isso já vai!”… Dirá o/a Caro/a Leitor/a e com muita razão.)

(Os postais anteriores sobre o “Comboio de Barca D’Alva” suscitaram-me essa lembrança. Postais, por sua vez suscitados pela Amoreira dessa mesma Localidade.)

Esse acontecimento ocorreu numa fase em que se verificavam desinvestimentos nos comboios, que se traduziam, entre outros aspetos, em avarias, atrasos, etc. E já várias linhas haviam sido desativadas, na segunda metade da década anterior. E outras destivações estavam planeadas.

Enviei esse texto, manifestando a minha opinião sobre o ocorrido, com considerações várias, a diversas Entidades públicas e privadas, alertando para a situação.

Com a publicação desse texto exteriorizo a minha faceta de intervenção cívica e cumpro um dos objetivos para que criei este blogue, em 2014. Publicar online textos antigos que escrevi. Tanto de prosa como de poesia, o que tem sido feito, embora de uma forma descontinuada. Porque tenho dado prioridade a “produções” recentes, que vou divulgando, à medida que vão surgindo.

 

Vamos então à primeira parte do texto. 

«Chover no molhado! 

Todos sabemos como Portugal tem seguido um desenvolvimento desarmonioso no que respeita às mais diversas condições, nomeadamente as geográficas. No que se refere a este aspecto, concentram-se as principais actividades económicas e o investimento nos dois ou três grandes centros urbanos, especialmente Lisboa e Porto. Também conhecemos as consequências de tal política, nomeadamente na explosão urbanística da Grande Cidade. Os erros sucessivamente acumulados provocam a falta duma qualidade mínima de vida condigna, para a grande maioria dos habitantes das grandes cidades, incluindo os que afluem do Interior, atraídos pela miragem da vida na Grande Cidade e falta de perspectivas no dia-a-dia do Campo.

Parecia lógico inverter tal situação procurando criar pólos de desenvolvimento no Interior, de forma a fixar aí as populações e, condição indispensável para qualquer investimento, construir boas vias de comunicação. Mas não! Esta conversa tão propalada periodicamente é rapidamente esquecida e, sublinho, constantemente contrariada na prática, como no caso que passarei a relatar.

No dia 27/01/90 desloquei-me, de comboio, à minha terra natal (Aldeia da Mata), situada na Linha do Leste, entre Torre das Vargens e Portalegre.

Às zero horas desse dia, terminara uma greve de maquinistas. Por tal motivo, de véspera, telefonei para as Informações da CP, a saber se haveria comboios no dia 27. Uma funcionária respondeu-me, simpática e convincentemente, que a partir das zero horas de 27/1 haveria todos os comboios.

De facto, segui no comboio que parte de Sta Apolónia às 11h 35’, em direcção ao Porto e que, no Entroncamento, dá ligação para a Linha do Leste, tendo como hora de chegada, à Mata, às 15h 22’. (O que já de si se pode considerar demorado para a distância de 195Km.) Mas nem a essa hora chegámos. Simplesmente a chegada verificou-se às 18h 10’, quase 3h. depois.

Até ao Entroncamento tudo decorreu normalmente. Chegou-se sensivelmente à hora habitual, havendo que fazer transbordo para o comboio do Leste, como é costume. Este deveria partir do Entroncamento às 13h 30’. Só que não partiu a essa hora, mas 1h e 10’ depois. E porquê? Porque na Linha do Norte avariou uma composição impedindo a chegada dum comboio que, vindo dessa Linha, trazia passageiros para o Leste. Compreende-se que se esperasse. Estes passageiros também pagaram o seu bilhete, também têm direito a chegar… pelo menos, em segurança ao seu destino.

Mas chegarão?! Chegaremos?!...»

*******

Caro/a Leitor/a, terminamos a 1ª parte.

Os sublinhados foram feitos no presente, A tecnologia de escrita, em 1990, não tinha as facilidades da atual, nos computadores. Era uma velhinha máquina de escrever mecânica. A ortografia era a que vigorava à data.

Obrigado pela sua atenção.

 

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