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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

O Meu Pé de Laranja Lima: Emocionante!

Uma Leitura Recomendada! Ternurento!

Foto Original. Flor do Quintal. 2020. 04. jpg

 

Abordei a temática deste livro ainda em Setembro. Entretanto li-o, já há vários dias. Tendo-me debruçado sobre outros assuntos, demorei a ter oportunidade de escrever sobre o mesmo.

É um livro interessantíssimo. Extremamente emocional. Deve ser difícil a qualquer pessoa lê-lo, sem chorar ou reter as lágrimas, esforçando-se por não se emocionar demasiado. Também, quando menos se espera, nos proporciona momentos de riso, em que as gargalhadas se soltam, espontânea e saudavelmente. É de uma criatividade extraordinária, é difícil não nos sentirmos envolvidos empaticamente com o personagem primordial, Zezé, também narrador principal.

 

Zezé, menino de cinco anos, extremamente sensível, inteligente, precoce, que tinha um passarinho que cantava para dentro dele.

(Sabe o que é cantar para dentro?! Quase todos os poemas que escrevo ultimamente são escritos com música, que canto para dentro. Pena tenho não saber escrever música! Não sei se a música, que canto para dentro, é original ou não, isso já é outro plano de realidade. Mas que canto para dentro, isso é um facto meu, pessoal. Mas deixemos os devaneios pessoais…)

 

Zezé, que queria ser poeta e usar gravata de laço. Que aprendeu a ler sozinho, antes dos seis anos e assim entrou para a escola mais cedo. Que gostava imenso da Escola e da sua Professora… Que encontrou no Amigo Português, “Portuga”, o Pai que o verdadeiro pai não conseguia ser, vivendo a situação desesperada de desempregado e a sequente miséria de não conseguir governar o rancho de filhos.

 

Enfim… é um livro que nos toca magistralmente no mais sensível que tenhamos enquanto Seres Humanos.

Toda a pessoa devia ler. Principalmente, nós, os adultos. Quanto às crianças, muito sinceramente acho que não. O relato de vida tão sofredora, daquela criança, não sei se será adequado que outras crianças leiam… (Digo eu...!)

 

Zezé representa o Autor / Escritor, José Mauro de Vasconcelos, que relata, descreve, romanceia (?) a sua vida de infância.

Um livrinho!… não é um livro grande em dimensão, não chega a duzentas páginas, mas é um Livrão, em termos de qualidade literária, ideativa, sentimental, um romance emocionante.

 

Leia, SFF e formule o seu próprio juízo de valor!

(A foto?! Original, de flor do quintal. Não sei como se chama esta planta, mas sei que a trouxe, através de semente, já há vários anos, do Jardim Botânico de Lisboa.)

“Fado Português”: Amália – Oulman - Régio

Óbidos Castelo Foto original. 2019. 04. jpg

 

Aniversário do Blogue e Homenagem a Vultos da Cultura Portuguesa

Óbidos Rua. Foto Original. 2019. 04. jpg

 

Para elaborar o postal anterior, nº 806, transcrevi o texto poético do livro:

RÉGIO, J. – FADO – Klássicos – A BELA E O MONSTRO, EDIÇÕES Lda. Lisboa – Portugal – 2011.

Apesar de uma das normas da produção literária ser a sua não reprodução, penso que, ao divulgar o Poema de Régio, referindo as fontes, estou a valorizar a Obra e a dá-la a conhecer. (Publicidade, de que não recebo um tostão!)

Livraria Igreja Coro. Foto original. 2019. 04. jpg

Este livro é mesmo um clássico e está apresentado em formato de bolso, o que facilita o seu transporte para onde nos desloquemos. Foi comprado em Óbidos, numa Livraria icónica, situada numa antiga igreja católica, dessacralizada. A um preço super acessível: 3 Euros. Em Abril, do ano passado (2019).

Vou lendo e relendo. É daqueles livros que por ser de poesia e de autor que aprecio, vou sempre voltando a ele. É mesmo clássico!

 

Também pesquisei na net e os textos apresentados são sempre parcelares, relativamente à fonte documental referida. Há, obviamente, outras versões em livro, pois que na Introdução – “Da Vida à Obra”, elaborada por Isabel Pires de Lima, Professora Catedrática da Universidade do Porto, refere que o original é de 1941!

Não sei se essas versões alteraram a dimensão do texto e pormenores, porque também se notam pequenas diferenças, nalguns versos. (É natural que tenha acontecido, pois o processo criativo leva a modificações nas versões apresentadas, que qualquer autor vai realizando.)

A versão apresentada compõe-se de vinte sextilhas.

Estes postais organizei-os para “celebrar” os seis anos do blogue. E para homenagear José Régio, Amália e também Alain Oulman, neste postal.

Como sabemos, Amália cantou vários Poetas nacionais consagrados, neste caso, Régio e para esse facto o contributo de Alain Oulman foi marcante.

Sobre o disco contendo esses fados, eis a ligação.

Anexo as cinco estrofes apresentadas na net, constituindo excerto do poema de Régio, a parte cantada por Amália. (A Diva não podia, evidentemente, cantar as vinte estrofes. Comparando, pode observar as modificações e o que foi escolhido para cantar.)

 

“Fado Português” 

“O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.”

Óbidos. Trepadeira. Foto Original. 2019. 04. jpg

Ligações para postais sobre Régio e sobre Amália:

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/jose-regio-cinquentenario

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/momentos-de-poesia-e-casa-jose-regio

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/surgiu-no-palco-um-dia-um-bailarino

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/momentos-de-poesia-e-jose-regio

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/sera-portalegre-uma-cidade-de-poesia

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/poesia-em-regio-portalegre

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/autografo-de-amalia

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/o-meu-momento-amalia-ao-vivo

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/em-casa-damalia-tertulias-semanais

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/estranha-forma-de-vida-amalia-

 

 

"Fado Português" – Régio – Amália

Costa. Foto Original. 2020. 08. jpg

«III - FADO PORTUGUÊS

 

O fado nasceu num dia
Em que o vento mal bulia
E o céu o mar prolongava,
Na amurada dum veleiro,
No peito dum marinheiro
Que estando triste, cantava.

 

(- Saudades da terra firme,

Da terra onde o mar acabe,

Da casinha, e das mulheres,

Guitarra, vem assistir-me,

Que a gente é bruto e não sabe,

Expressa-as tu, se souberes…)

Por esse mar além fora,

A guitarra, dim…dom, chora,

Tem pausas, ais e soluços.

E tão bem faz isso à gente,

Que o triste bruto valente

Chora sobre ela de bruços!

 

(- Mãe, adeus! Adeus Maria!

Guarda bem no teu sentido

Que aqui te faço uma jura

Que ou te levo à sacristia,

Ou foi Deus que foi servido

Dar-me no mar sepultura!)

 

Por mar além, chão que treme,

O dim-dom da corda freme

De espanto, angústia, incerteza;

Mas reluz no olhar do triste

Não sei que alto apelo em riste

Contra essa humana fraqueza…

 

(- Que terra é esta…, este mar

Que só acaba nos céus,

Ou nem lá tem seu fim?...

Ou hei de o eu acabar,

Ou hei de, querendo Deus!,

Ou ele acabar a mim!)

 

Casada à trémula corda,

Sobe a voz trémula…, acorda

Tristezas do peito inteiro,

E as sereias que enlevadas

Se agarram às amuradas

Do frágil barco veleiro.


(- Ai que lindeza tamanha,
Meu chão, meu monte, meu vale,
De folhas, flores, frutas de ouro!
Vê se vês terras de Espanha,
Areias de Portugal,
Olhar ceguinho de choro…)

 

Deitando o olhar às lonjuras,

Só vê funduras, alturas

Das águas, dos céus, da bruma,

E as rijas pomas redondas,

De bico a boiar nas ondas,

Das sereias cor de espuma.

(- Sei eu, sequer, por que venho,

Deixando a jeira de chão

Que ao menos me não fugia,

Atrás de não sei que tenho

Tão dentro do coração

Que inté julguei que existia…?)

 

E à voz que sobe a tremer,

Morre lá longe…, e ao morrer,

Sobe outra vez, mais se aferra,

Que etéreo coro responde

De vozes que chegam de onde

Não seja nem mar nem terra!

 

(- Quem canta com voz tão benta

Que ou são os anjos nos céus

Ou é demónio a atentar?

Se é demónio, não me atenta,

Que a minh’alma é só de Deus,

O corpo, dou-o eu ao mar…)


Na boca do marinheiro
Do frágil barco veleiro,
Morrendo, a canção magoada
Diz o pungir dos desejos
Do lábio a queimar de beijos
Que beija o ar, e mais nada.


(- Mãe, adeus! Adeus, Maria!
Guarda bem no teu sentido
Que aqui te faço uma jura
Que ou te levo à sacristia,
Ou foi Deus que foi servido
Dar-me no mar sepultura!)

 

Sob o alvor da lua cheia,

Naquela noite, a sereia,

Cujo seio mais se enrista

Da aurora até ao sereno

Beijou o corpo moreno

Do moço nauta fadista…

 

(- Que terra é esta…, este mar

Que só acaba nos céus,

Ou nem lá tem seu fim?...

Ou hei de-o eu acabar,

Ou hei de, querendo Deus!,

Ou ele acabar a mim!)

 

Nas vias-lácteas faiscantes

Que esmigalhado em diamantes

O luar no mar espraia,

Um dim-dom…, dim-dom tremente,

Mais doces queixas de gente,

Vão ter a uma certa praia.

 

(- Ai que lindeza tamanha,
Meu chão, meu monte, meu vale,
De folhas, flores, frutas de ouro!
Vê se vês terras de Espanha,
Areias de Portugal,
Olhar ceguinho de choro…)

 

E as mães de filhos ausentes

Acordam batendo os dentes,

Torcendo as mãos, e carpindo,

Sabendo todas que é a morte

Que chega daquela sorte

No luar funéreo e lindo…


Ora eis que embora, outro dia,
Quando o vento nem bulia
E o céu o mar prolongava,
À proa doutro veleiro,
Velava outro marinheiro
Que estava triste e cantava.»

 

In.

RÉGIO, J. – FADO – Klássicos – A BELA E O MONSTRO, EDIÇÕES Lda. Lisboa – Portugal - 2011

 

Sexto Aniversário do Blogue!

Este blogue faz hoje seis anos. Uma criança!

Ninho Milheirinha. Foto Original. Aldeia. 2020. 08. jpg

Uma criança ainda, sem direito a entrar no 1º Ciclo, julgo eu, que não sei muito bem como são agora as regras de entrada. Ainda terá de ficar mais um ano na Pré-Primária.

Caminho a percorrer. Foto Original. Boi d'Água. 2020. 06. jpg

Apesar de criança, já produziu um número considerável de postais. Este é o nº 805!

Kiwis. Foto Original. Alagoa. 2020. 08. jpg

Desde o primeiro, Como começar?”, expressando a dúvida existencial face ao que fazer, como entrar neste mundo da realidade virtual, que, no referente aos blogues, desconhecia em absoluto. Agora pouco sei, face ao conhecimento incomensurável e sistemática atualização e renovação desses conhecimentos e novas aprendizagens. Mas, observando, notam-se alterações, algumas significativas, sobre a forma de estruturação e conteúdos desta minha plataforma comunicacional.

Tília. Foto Original. Alagoa. 2020. 08. jpg

Verdadeiramente o primeiro postal de conteúdo comunicacional foi o segundo. Uma crónica sobre acontecimentos locais de Aquém - Tejo. Incidindo sobre Poesia, Cante, Música, Corais…

Rosas d'Alexandria. Foto Original. Aldeia. 2020. 05. jpg

Verdadeiramente o postal comemorativo, celebrativo do aniversário, será também o seguinte, em que irei juntar Poesia e Fado!

Gaivota(s)... Foto Original. Costa Caparica. 2020. 08. jpg

 

Agressão a Médica de serviço em Centro de Saúde!

A estupidez de gente agressora!

Ainda ecoavam as vozes sobre “As vistas do Bairro Amarelo”, em Almada e consequentes repercussões mediáticas… Noticiam que uma paciente, de Centro de Saúde do Concelho, agredira uma Médica em serviço. Sem mais! In. JN 23/09/20.

Foto Original. Costa da Caparica. 2020. 08. jpg

Uma pessoa que agride, assim, um profissional em exercício das suas funções, não tem qualquer justificação.

Tem de haver atuação legal, legislativa e funcional que, de forma célere, permita agir, atuar, dar castigo exemplar a esta gente.

 

Caro/a Leitor/a, coloque-se no sentir da médica, SFF. Além do trabalho de grande responsabilidade que tem, a diversidade de consultas, as diferentes atividades a desempenhar, o stress natural, ainda o receio / medo, de lhe entrar pelo consultório uma desgovernada qualquer, que vai agredi-la!

Imagine, sendo profissional em serviço, se tiver de lidar com pessoas, que lhe pode aparecer um maluco qualquer, contrariado no atendimento, a dar-lhe um murro, só porque sim! Como se sentiria, Caro/a Leitor/a?! Como iria para o trabalho?

Se vai a um supermercado, imagine que querendo determinado produto, que não há em stock, chega à caixa e não está com meias medidas. Descarrega na rapariga em atendimento e dá – lhe um soco! Era capaz de fazer isso, Caro/a Leitor/a?!

 

A Médica meteu baixa, e fez muito bem. É ela que vai ser penalizada por isso e fica traumatizada. “Sinto-me um lixo!”, expressão da médica, na notícia.

Menos uma profissional a trabalhar no serviço. Menos gente que pode ser atendida, nomeadamente os pacientes dessa médica. As ações violentas dessa gente desgovernada refletem-se não só na pessoa agredida, mas em toda a comunidade, que também sai prejudicada pelas ações dessa gente tresloucada.

 

Não é assim que se resolvem as situações. Nem a pandemia desculpa, nem eventuais dificuldades da pessoa, poderão servir de atenuantes.

Se é pessoa doente, mais razão para ter calma: precisa dos profissionais de saúde.

Independentemente da pessoa, a respetiva ação tem de ser sempre penalizada.

Nestes casos ocorridos em contexto de trabalho deve haver queixa não só da vítima, como do serviço em que esta exerce funções e respetivas estruturas profissionais. Não deve é ficar em branco, nem haver protelamentos.

Se agressor/a já é pessoa com historial de agressividades, maior a necessidade de ação penal. Privação de liberdade, pagamento de multa, trabalho comunitário e nome e foto deveriam passar a figurar no local do delito, como forma de punição moral pelo mal infligido a toda a comunidade.

 

No referente a este Centro de Saúde, é imperioso e urgente que haja desdobramento do Centro, que serve duas freguesias.

(E voltamos ao início. Implica haver recursos e nestes, é fundamental haver recursos humanos. O que reforça a estupidez dessa gente agressora!)

O Meu Pé de Laranja Lima

Um livro a (re)ler, após a visualização do filme.

Meu Pé de Laranja Lima filme  in. cinemaville.net

(In. cinemaville.net)

Hoje vimos o filme “O Meu Pé de Laranja Lima”, de 2012, realização Marcos Bernstein, também co - autor do argumento com Melanie Dimantas.

Elenco principal: João Guilherme Ávila (Zézé), José de Abreu (Portuga), Caco Cioler (o Escritor).

Baseado no célebre livro homónimo, de José Mauro de Vasconcelos (1920 – 1984), publicado em 1968.

 

Tenho um exemplar do livro, 31ª edição – 1980, de Comp. Melhoramentos de São Paulo, Indústrias de Papel – Caixa Postal 8120, São Paulo.

Tê – lo -ei adquirido pelos anos oitenta e li-o nessa mesma data. Não anotei, como por vezes costumo, quando e onde comprei, quanto custou e quando li. Será o próximo livro que irei (re)ler.

 

Tanto o filme, como o livro, relatam uma história muito ternurenta, mas também muito dramática de uma criança, Zézé, de seis anos.

Da sua família mais pobre que pobre, mãe trabalhando na grande cidade, pai desempregado, irmãos cuidando uns dos outros. Zézé, de tão sensível e inteligente, desadaptado ao mundo real, criava seu próprio mundo imaginário com a sua “Minguinho” – o Pé de Laranja Lima, corcel correndo pelo sertão. Traquinas, era saco de pancada do pai e da irmã mais velha.

Da sua amizade com seu Manuel, “Portuga”, imigrante, desesperançando da vida, que encontrou na criança um filho que terá desejado e nunca tido, nas lonjuras do seu Portugal.

Zézé achou no “Portuga” a ternura que uma criança precisa para dar rumo ao seu crescer de menino.  

(…)

 

O Autor termina a sua narrativa, “ -  "Último Capítulo” – “A Confissão Final”

 

“OS ANOS SE PASSARAM, meu caro Manuel Valadares. Hoje tenho quarenta e oito anos e às vezes na minha saudade eu tenho impressão que continuo criança. Que você a qualquer momento vai me aparecer me trazendo figurinhas de artista de cinema ou mais bolas de gude. Foi você, quem me ensinou a ternura da vida, meu Portuga querido. (…)”

Ubatuba, 1967.

 

Então?!

Vamos à leitura, Caro/a Leitor/a!

Coisas da Net (II)

Mais algumas coisas que tenho constatado, apreendido e aprendido!

Foto Original. 2020. 08. jpg

Coisas que tenho observado e sobre que tenho aprendido, principalmente nos últimos meses, em que me tenho embrenhado um pouco mais nestas coisas da net.

Muitas desconhecia e assim tenho aprendido também.

A questão dos plágios: não é recente, tomei consciência desta situação mal comecei.

Os perfis falsos: algo de que já conhecia a existência, mas que constatei na prática, há pouco tempo.

Mais recentemente apercebi-me de perfis falsos de comentadores que são “outros eus” dos autores do blogue. De Anónimos, que respondem por vários perfis. Agora procuro selecionar onde comento, para não ficar enredado nessa teia confusa de quem é gente e de quem é apenas pseudónimo, sem conteúdo pessoal. Tenho aprendido!

Os indignados, os irritados da net. Há gente que anda sempre a dizer mal de tudo e todos. Há os que selecionam os respetivos ódios de estimação. Esta indignação segue ondas e modas. Se aparece uma gaffe qualquer, de um tipo ou tipa na moda, cai-lhe tudo em cima.

Também me apercebi que há “bloguers” / “bloguistas”, que têm uma agenda política e partidária muito bem definida. Só me apercebi disso há bem pouco tempo. Fazem propaganda de determinadas correntes políticas e partidárias, como se estivessem a opinar de forma isenta e inócua. Vamos percebendo com o tempo.

Há direcionamentos muito específicos sobre determinados assuntos. A ponto de, perante ocorrências do mesmo teor, face ao acontecimento x ou y, se for encarnado ou verde, toda a gente se atira, mas se for amarelo ou roxo, omite-se completamente opinião. Caso bem recente foi o das festas, festinhas, festanças e festarolas, romagens e romarias, que houve por aí.

Qualquer coisa serve para o pessoal se indignar, arrotar postas de pescada, quando não ofender.

Mas também tenho aprendido com todos estes cambiantes e atuações. Aprender até morrer!

E volto aos erros ortográficos?

Querer dizer. “Há” e escrever “Á”. É mais frequente do que parece.

E sobre o “Acordo”, com que metade dos internautas está em desacordo?!

Quem escreve errado? Quem o segue ou quem escreve segundo o normativo anterior?!

E continuamos a ter de estar sempre a verificar dados quando entramos nos vários sites. Um aborrecimento!

E algo positivo que aprendi a partir da comunicação na net, ainda não há muito tempo. Nos postais, dimensioná-los para uma página. Tenho a mania de escrever muito texto. Agora esforço-me por escrever menos e quando ultrapasso, faço dois postais. Obrigado a quem me ensinou!

Poema em Verso Desconverso!

Poema em 3 - 9 – 9 ou 27 Versos controversos!

 

Com isto de Covid

Não há quem nos convide

Para irmos passear

 

Vai-se a qualquer lado

Anda tudo mascarado

Dá para desconfiar

 

Com tanta mascarilha

Mais parece uma quadrilha

Que nos quer roubar

 

E por falar em roubo

Deu-se-me um arroubo

Pus-me a versejar

 

Que a roubalheira é tanta

Que até se assarapanta

Este meu pensar

 

E, pensando o pensamento

Pensei, breve momento

Em me despoetar

 

Mas pode a Poesia

Nossa maior Alegria

A gente abandonar

 

E por falar em abandono

Tirou-se-me o sono

E vou rematar

 

Que isto de Covid

Pode crer, não duvide

Vai um dia acabar!

 

Poema em 3 x 9 = 27 ou 3 / 9 / 9

9 estrofes de 3 versos (tercetos) – 27 versos controversos.

(Este postal também é o 797!)

 

Costa Caparica Foto Original. 2020. 08. jpg

Dado por concluído no dia em que terminou o Verão e começou o Outono – 22 de Setembro, de 2020. (22 / 09 / 20). (Esta é a 1ª versão deste texto poético, para ser “Dito” oralmente. Assim haja oportunidade. Que, com isto de Covid…)

(A foto, original, é da Costa. Da Caparica! As gaivotas, em volta dos restos do pescado, da "Pesca de arrasto", num dia de final de tarde, de finais de Agosto.)

A Teia de Aranha

Cicuta? Foto original. 2019. 05. jpg

Futebolices… Politiquices… Séries… Spin Doctor!

Argoladas!

Este postal era para ter sido designado “A Estratégia da Aranha”, mas como o título não seria original, reportando-se ao célebre filme de B. Bertolluci, resolvi mudar para “Teia de Aranha”.

Rosa Loureira. Foto Original. 2020. 08. jpg

Volto ao tema do célebre triunvirato, agora tão falado, a propósito de uma comissão de honra, de uma candidatura à presidência de um celebérrimo e glorioso clube de futebol.

Discordo em absoluto das promiscuidades de futebol e política, que designo habitualmente por futebolices e politiquices. Andam demasiado interligados e precisam de ser separados.

 

Voltando aos triúnviros. Se eu tivesse jeito para elaborar um cartoon, gostaria de criar um sobre o assunto. Uma teia de aranha, em que no centro colocaria uma aranha e, presas na teia, duas moscas.

Mas sou sincero. Não sei bem quem colocaria como aranha e quem colocaria como moscas.

 

Agora sobre séries, que subintitula o postal.

 

Se houve série que gostei de ver na RTP2, foi “Borgen”. Já passou várias vezes neste canal e também noutros. Foi este seriado que, de certo modo, me “enfeitiçou” no acompanhar das Séries RTP2 e também me agarrou na escrita sobre as mesmas. Que tenho continuado praticamente desde que iniciei o blogue, mas que não fora um tema previsto à partida. (A preferência dos/as leitores/as foi a motivação primeira. Obrigado!)

 

Em “Borgen” figurava um personagem designado por “spin doctor”. Um assessor da Primeira Ministra, que a ajudava, em múltiplas circunstâncias, para que não fossem cometidas gaffes, que a desprestigiariam.

Em Portugal não há assim uma figura personificada que ajude o Senhor Primeiro Ministro?!

Muito sinceramente, neste ano tão peculiar, e por isso mesmo, tenho acompanhado a atuação política com um pouco mais de atenção. Principalmente após a eclosão de Covid.

Inicialmente houve uma atuação muito assertiva. Mas principalmente com o designado “desconfinamento”, não sei se por Portugal ter sido tão gabado, muitas ações públicas caraterizaram-se pela desconexão, pela incongruência, por vezes desadequadas. Infelizes, em suma, se quiser ser simpático.

Esta última, total e completamente. Deveria ter havido discernimento para a separação das águas, principal e fundamentalmente pelo cargo desempenhado. Costuma-se dizer: Trabalho é trabalho, paisagem é paisagem.

 

Não haverá, por aí, algum Spin Doctor que ajude o Srº Drº António Costa, Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro?!

(…)

(As fotos?! Como nenhuma aranha me disponibilizou a respetiva teia, arranjei estas duas flores, terrivelmente enganadoras, porque venenosas. Cicuta, a primeira, embora não tenha a certeza. Rosa Loureira, a segunda, até no nome engana. Nem é rosa, nem loureiro. Alandro, aloendro, loendro, adelfa, tem mais nomes que eu sei lá!

Quem irá provar o veneno destas simbioses politiquices - futebolices?!)

 

“The Durrells” e Cidadania

Uma olhar diferente sobre uma Série divertida!

Oliveiras centenárias. Foto Original. 2020. 08.jpg

 

Este postal resulta da divisão que fiz do anterior, abordando separadamente a temática da Série.

 

A propósito de “Cidadania”, assunto de que tanto se falava há alguns dias, entretanto passou de moda, apresento excerto das “Linhas Orientadoras” de “Educação para a Cidadania”, para que possa analisar, avaliar, formular o seu próprio juízo de valor, Caro/a Leitor/a!

As “…diferentes dimensões da educação para a cidadania, tais como: educação para os direitos humanos; educação ambiental/desenvolvimento sustentável; educação rodoviária; educação financeira; educação do consumidor; educação para o empreendedorismo; educação para a igualdade de género; educação intercultural; educação para o desenvolvimento; educação para a defesa e a segurança/educação para a paz; voluntariado; educação para os media; dimensão europeia da educação; educação para a saúde e a sexualidade. (…)”

In. Direção - Geral da Educação Dez 2012, atualizado em Novembro de 2013.

 

E o que tem tudo isto a ver com a Série “The Durrells”?!

 

Porque as temáticas abordadas na série são uma verdadeira Aula de Educação para a Cidadania!

 

A maior preocupação da Mãe de Família, Louisa Durrell, é precisamente a Educação dos Filhos. Na série, nas quatro temporadas, podemos observar esse processo, no decurso dos cinco anos em que decorre a ação, predominantemente na Ilha de Corfu – Grécia, nos problemáticos anos de 1935 a 1939, na iminência da II guerra mundial.

Oliveira Milenar. Foto Original. 2020. 08. jpg

 

Caro/a Leitor/a, se acompanha o seriado, relacione com os temas supracitados e formule o seu próprio juízo de valor.

Verifique se a maioria dos temas da Disciplina não perpassam no desenvolvimento da narrativa, SFF!

 

Se, por acaso, não tem seguido a trama, tente apanhar ainda o comboio, ver o final, que se aproxima. Que o enredo deve estar a encontrar um desfecho, que desconheço. Mas como a guerra está iminente, e as viagens ficarão problematizadas, face às invasões já concretizadas e ao avanço da barbárie, presumo que a família, provavelmente, tentará regressar a Inglaterra.

Replicar, em sentido inverso, a viagem efetuada por Margot. De comboio, por França, Suíça, Itália. De barco, nas ligações entre as Ilhas e o Continente.

Digo eu! Que não li os livros base, inspiradores dos guionistas televisivos.

Mas não podem retardar-se… que a guerra está aí.

Veja a Série, e divirta-se, sem deixar de refletir!

E será que Louisa e Spiros ainda se decidem?! (…)

*******

E as fotos documentais?! (Fotos originais.) Oliveiras... de certo modo ligam-nos a Corfu, também povoada destas árvores. Quem sabe, não serão as documentadas, clone de algumas da Grécia?! 

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