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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Casa da Cerca – Almada: Uma experiência multissensorial!

Uma visita em Dezembro, em Dia muito, muito especial!

Celebração Natalícia!

 

ALMADA é uma Cidade em que a ocorrência de eventos culturais, de diversificadas tipologias, é uma constante.

Por vezes, o difícil é escolher.

Agora, por ex., nestes meados de Dezembro, entre várias atividades possíveis, ocorrem o “Mercado de Natal Amigo da Terra” e o “Ciclo de Cinema Católico”! Ambos acontecendo bem no centro de Almada, na Praça São João Batista, com o Metro ali mesmo a jeito.

 

Mas não vos venho falar de nenhum destes acontecimentos, por agora…

Trago-vos a conhecimento, um espaço, para além de outros, em que regularmente acontecem atos culturais variados, ligados às Artes.

Para além desses eventos, acontecimentos, ocorrências, atividades, “happenings”, … o próprio espaço, o espaço envolvente, e o espaço disponível como visionamento… são uma montra artística permanente. Merecem uma visita, uma não, várias e periódicas visitas.

Já aí fiz voluntariado! Que é uma das atividades regulares que aí são promovidas.

 

Falo-vos da CASA da CERCA.

Que visitámos recentemente, neste final de Outono, quase Inverno, num início de Dezembro, em dia celebrativo e que fica de recordação.

Apresentamos, caso não conheçam, alguns espaços mais emblemáticos da “Casa”, pretendemos sugestionar-vos uma possível visita, caso não tenhais feito, deixamos algumas fotos, como quase sempre, originais de D.A.P.L. (De telemóvel, registe-se!)

Este post, como muitíssimos outros, resulta de um Trabalho de Equipa. Daí o plural...

(Caso não possais fazer de outro modo, que, ao menos, fique uma breve visita virtual. Conto ainda voltar a este tema!)

 

*******

 

Átrio Principal, visto do lado norte, mostrando a entrada na Casa propriamente dita. (Duas esculturas, integrantes de uma Exposição em curso.)

 

Atrio principal. Original DAPL. 2017.jpg

 

Entrada para o “Jardim dos Pintores

 

Entrada Jardim pintores. Original DAPL. 2017.jpg

 

Neste ano de 2017, neste Jardim enquadra-se um espaço especialíssimo intitulado “Jardim Sensorial”.

Nele, vários subespaços enquadram plantas, seus derivados, estruturas, elementos arquitetónicos, sugestionando-nos os cinco sentidos, no sentido de vivenciarmos a realidade subjacente, mais especificamente direcionada para: Visão, Olfato, Sabor, Audição e Tato. Com sugestivas etiquetas…

Contemple, não esquecendo que uma visita presencial torna a perceção muito mais apelativa.

 

4 Sentidos. Original DAPl.  2017.jpg

(Sim! Nesta imagem há apenas a perceção de quatro sentidos. O quinto, que falta na imagem, ouve-se, escuta-se, no contexto real!)

 

Eis cada um dos cinco sentidos!

 

Visão / Olhar: “Olhe para mim! Look at me!”

Visão. Original DAPL 2017.jpg

 

Olfato / Cheiro: “Cheire-me! Smell me!”

Olfato Cheiro. Original DAPL. 2017.jpg

(É neste conjunto que consigo identificar a maioria das plantas: alfazema, alecrim, erva-princípe, tomilho...)

 

Gosto / Sabor: “Prove-me! Taste me!”

Sabor Gosto. Original DAPL. 2017.jpg

(Neste caso, não abuse das malaguetas!)

 

Audição / Ouvido: “Escute-me! Listen to me!”

Audição. Original DAPL. 2017.jpg

(Este é o tal quinto sentido que falta na imagem inicial e também a muito boa gente!)

 

Tato: “Toque-me! Touch me!”

Tacto. Original DAPL. 2017.jpg

(Que impressão me faz ao tacto, melhor, aos cinco sentidos, escrever tato! E os pontos de exclamação (!) são meus.)

 

Ainda haveremos de voltar para observarmos melhor e elaborar novo post.

 

E ainda ficam as vistas gerais.

 

Da Cidade de Almada antiga.

Almada Velha. Original DAPL. 2017.jpg

 

Do Rio Tejo e de Lisboa.

Barco Rio. Original DAPL. 2017.jpg

(Bem sossegado o Rio! Só um barquinho...)

 

Da Ponte sobre o Tejo - “Vinte e Cinco de Abril” e do Cristo Rei e do pôr-do-sol!

 

Ponte e Cristo Rei Original DAPL. 2017.jpg

 

E ainda fica muito por contar…

 

E lembrar que no início do Verão, altura do solstício, aí promovem habitualmente uma Festa Final…

E, ao longo do ano, há múltiplos e variados eventos, em que já tenho participado, nomeadamente em colóquios.

 

E, no final desta parcelar, mas muito enternecedora visita, ainda pode tomar um chá especial - uma infusão de ervas aromáticas, bebido em especiais canecas, marca da Casa.

Mas não esqueça!

Bebe o chá, mas não leva as canecas!

 

Chá. Original DAPL. 2017.jpg

(E a propósito de canecas. Quem não leva o caneco da Taça, este ano, é o Benfica!)

Ação! Imbecilidades... E Raposices!

Crónica de Outubro I, em sete Pontos!

Algumas ações positivas – outras tantas imbecilidades

Crónica de Descontentamento(s) (IV)

E alguns Contentamentos

 

Intitulo esta crónica, de Outubro, desconhecendo se ainda virei a publicar mais alguma referente a este mês.

 

in. br.depositphotos.com

 

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(I)

 

Começo por uma ação de lado positivo, que observámos na passada 6ª feira, 13 de Outubro.

 

Na estrada de Estremoz – Vimieiro, constatámos algo de muito positivo.

Já perto da povoação do Vimieiro andavam técnicos a recolher o lixo, que os automobilistas “educados e asseados” atiram borda fora quando viajam pelas estradas deste nosso Portugal, que “muito boa e educada e asseada gente” insiste em transformar num enorme caixote de despejo das respetivas imundícies.

 

Nas bermas da estrada, haviam cortado o pasto que prolifera nas valetas e espaço circundante do alcatrão até às lindas das propriedades particulares.

Um trabalho que é imprescindível e imperioso seja feito todos os anos pelas entidades competentes, nomeadamente as autarquias ou outros órgãos e agentes públicos que têm que interiorizar essa obrigação anual.

Como forma preventiva de Incêndios.

E que além do mais dá trabalho a muito pessoal. (Tanta gente que se queixa que não tem trabalho!)

 

Na sequência dessa limpeza, desse desbaste de ervas e matos, chamemos-lhe aceire, fica visível toda a quantidade de garrafas de plástico e de vidro, garrafões, embalagens, sacos de plástico e papel, de lixos diversos, eu sei lá, que variedade de porcarias que atiram pelas janelas… (Nem falo das beatas de cigarro acesas…)

Pois, vários funcionários, não me perguntem de que Entidade, andavam juntando esses detritos em sacos. Deduzo que os levarão para reciclagem… pelo menos retiram-nos das bermas e valetas, com todos os perigos que aí representam.

 

Ações meritórias, sem dúvida: Limpezas e aceires. E subsequente recolha de lixo.

Pena e deplorável é que neste lindo País, à beira mar plantado, ande tanta gente a conspurcá-lo. O País e o Mar!

 

Porque não há razão para se atirarem os lixos para qualquer lugar, com tantos meios de recolha adequada.

 

*******

(II)

 

Extrato de Notícia de “RR – Renascença in. Sapo.pt/”, de 12/10/17 – 13:02, de Eunice Lourenço, Paula Caeiro Varela

 

«Relatório da comissão independente entregue no Parlamento.»

(…)

«No que diz respeito à prevenção, apontam como “maior constrangimento” a falta de cumprimento das regras sobre vegetação (50 metros em volta das edificações, 10 metros para cada lado da rede viária e 100 metros à volta dos aglomerados populacionais). Ou seja, havia vegetação onde não devia haver.»

(…)

 

Refere-se esta notícia ao incêndio de Pedrógão.

Realço este excerto, porque é na concretização desta ação que tem que residir a base primária e permanente de toda a PREVENÇÃO.

Pode crer, caro/a leitor/a que a serem realizadas, anualmente, estas atividades de limpezas, de aceires, haverá um risco bastante menor de incêndios.

E trabalho que assim é possibilitado a tanta gente que se queixa que não tem emprego! (!!)

E o que se pouca em tantos milhões e milhões e perdas de vidas humanas, que não têm preço!

 

E já agora e novamente, reforço uma sugestão que já fiz em diferentes contextos.

Estruturem e criem “unidades fabris” que aproveitem toda essa matéria vegetal: lenhosa, arbustiva ou herbácea.

Implementem centrais de produção de energia ou de produção de compostagem, a partir de todos esses materiais. Situadas estrategicamente no Interior do País.

 

Haja vontade, vontades políticas para concretizar tais projetos.

Fica a sugestão. Ficam as ideias!

 

*******

 

Também tenho que cronicar algumas imbecilidades.

 

(III)

 

Na passada 5ª feira, 12 de Outubro, decorriam também na minha Cidade, na Cidade de Régio, as imbecilidades das praxes.

Da zona antiga da Cidade desaguaram no lago do Jardim do Tarro…

Quem observe e tenha capacidade crítica, pode avaliar quão negativas são as ações praticadas.

Uma verdadeira imbecilidade. (É o termo mais adequado para qualificar tais práticas.)

Quando é que as Autoridades, todas as Autoridades, desde o topo da Administração do Poder Central, até às Autoridades Locais, resolvem agir sobre atos de desrespeito do Ser Humano, ademais perpetrados na via pública?! (?!)

 

*******

(IV)

 

Paralelamente ou nem por isso, nesse mesmo dia, à noite, decorreu na Praça do Campo Pequeno mais uma “tourada à antiga portuguesa”.

Com direito a transmissão televisiva via RTP1.

Sem mais e sem comentários!

 

*******

(V)

 

Ainda na mesma onda e em rota igualmente paralela, dia 13 de Outubro, 6ª feira, (é caso para dizer, sexta feira treze!) o Parlamento Português aprovou a “…permissão de animais de companhia em estabelecimentos fechados de restauração…”

 

(Já aqui informara sobre os bebedoiros comuns!)

Também não são precisos comentários!

 

Só pergunto:

- Então, mas os nossos legisladores não têm mais com que se ocupar?!

(E praticamente não houve oposição. Raríssimas vozes isoladas! Abstenção do PSD.

Uns, a grande maioria, concordam inteiramente que “cães e gatos” comam à mesa dos restaurantes, outros tanto lhes faz!

Simplesmente, fico confuso com tantas modernidades!

E admiram-se que o pessoal nem vote.

Mas votar em quem?! Se todos afinam pelo mesmo diapasão!)

 

Supõe-se, tradicionalmente, estarem a referir-se a “cães e gatos”, a “comerem e beberem” à mesma mesa dos restaurantes…

Mas, como esta questão de “animais de estimação” é dúbia e não está definida em termos de objeto, mas apenas de sujeito…

E se um sujeito qualquer se lembra de levar para o restaurante qualquer outro “Animal”?!

 

*******

(VI)

 

E já que entrámos na onda das politiquices…

Também quero perorar algo sobre as Autárquicas.

Principalmente a inquinação futebolística da linguagem exacerbada sobre as mesmas, após os resultados:

“Ganhou… perdeu… grande vencedor… grande derrotado…, meteu autarcas…” Eu sei lá!

 

Importante será que todos venham a trabalhar para o Bem Comum, de todos os Cidadãos, das Comunidades.

Irão?!

 

*******

(VII)

 

E já que nesta crónica também falámos de Animais, não posso deixar de terminar com uma questão em jeito de fábula.

 

E como é possível que, para guarda de alguns “galinheiros”, até tenham concorrido “raposos” e para um até foi um declarado raposão que "ganhou"?!

 

(……..)

 

E termino. Que a crónica já vai longa e tem sete pontos.

E se acrescentasse outro seriam oito.

E bem que gostaria de falar sobre algumas questões internacionais. Prementes. Mas ainda não é desta!

Obrigado por ter lido até aqui!

(Imagem in. br.depositphotos.com)

 

Tarde de CANTE no Feijó!

Saudades do Alentejo

 

Cante - Cultura - Cidadania!

 

Conforme divulguei em post de 16 de Março, realizou-se ontem, “Dia do Pai”, o espetáculo comemorativo do 30º Aniversário de “Associação Grupo Coral e Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó”, no CRF – Clube Recreativo do Feijó.

Uma comemoração aniversariante, em Dia também muito especial.

 

E, a propósito do Dia e da sua significação, e, no concernente ao Cante, se lhe atribuíssemos uma filiação, quem seria o Pai? Do Cante, diga-se. E supostamente tendo Pai, também terá Mãe. E quem será a Mãe?

Pois, penso não haver muita dúvida.

O Pai é o Alentejo! E a Mãe, pois, a Mãe é a Saudade! Não é o Cante irmão do Fado?! Atualmente até irmanados e perfilhados internacionalmente pela UNESCO, dando-lhes reconhecimento e foro de Cidadania Mundial.

O Pai do Cante é o “Alentejo” que, do dito, o espalhou também pela Grande Lisboa, com especial incidência na Margem Sul, e muito particularmente em Almada, Feijó!

 

Foto original DAPL Rosas no Feijó 2015.jpg

 

Alentejo que é sempre Aquém – Tejo! Geográfica e sentimentalmente e no plano identitário!

E de Identidade e de Sentimentos falamos, quando nos reportamos ao Cante.

E são sempre os Sentimentos que passam e perpassam e nos repassam de emoção, por vezes contendo as lágrimas, mas embargados por ela, quando escutamos as canções ou modas como são designadas, numa Sessão de Cante, num ambiente quente como o que se viveu na tarde passada, terminando já à noitinha. Que os Cantadores também sentem, e de que maneira! São os que mais sentem, ou não cantariam com a Alma e o Coração, como fazem!

Que até o tempo também sentiu, ouviu, escutando, aquelas vozes telúricas, se emocionou e não conteve as lágrimas. As ruas do Feijó estavam molhadas de comoção!

 

A Emoção, a Saudade, sempre a Saudade, a Nostalgia de tempos que muitos de nós vivenciaram mais pelas imagens e recordações das gentes que amámos, que, hoje, apenas lembramos, com Afeto, com Amor, com Saudade. Muito especialmente num dia dedicado aos Pais, que todos os dias o são!

Embora muitos de nós, ainda, tenhamos percorrido, trilhado, aqueles lugares, aqueles tempos, quanto mais não fosse, enquanto pastores, mesmo a tempo parcial.

Mas o Cante não é só Nostalgia. É também Alegria. Modas e cantares de trabalho e de festa!

 

Pelo Clube passaram as Cores do nosso Alentejo. A garridice das papoilas, o amarelo das searas da nossa memória.

Évora, Cidade, capital do Alto Alentejo, esteve bem presente, nas canções e no Grupo representativo. Misto. Etnográfico, compondo trajares e modas, de modos de vida que os nossos Pais e Mães usaram: pelicos, safões, calças de serrobeco, traje de mondadeira...

Palavras sábias do Mestre: “...É urgente dialogarmos com os novos Grupos...”

 

Sons místicos! Sons míticos! Ancestrais, quase religiosos, panteístas, quando o coro se empolga, transborda de sentimento, nos transporta a tempos de outros tempos, sem tempo, nem memória, porque intemporais, universais, comuns a toda a Humanidade, daí a categorização, quer se note ou não a sua importância...

 

E de Afetos e Sentimentos ainda falamos: de Amizade, Companheirismo, Camaradagem, nestes encontros de grupos corais, na troca de prendas e galhardetes, intercâmbio de modas. Nos agradecimentos a quem ajuda, a quem trabalha, que muito trabalho dá organizar estes eventos. Na felicitação ao Aniversariante. Momentos bonitos!

Até de apadrinhamento, à boa moda alentejana, diria portuguesa, também falamos. Que os Grupos Corais das Paivas e da Amadora apadrinharam, há trinta anos, o “Grupo de Cante do Feijó”! (Que, na minha modesta e irrelevante opinião, de leigo no assunto, a designação do Grupo precisaria de ser menos extensa...)

Estes dois Grupos não são etnográficos, pelo que trajam todos os elementos com o mesmo tipo de vestuário. O Grupo das Paivas tem a particularidade de se designar de “Operário”.

Sendo estes Grupos formados no contexto das migrações do Alentejo para a Grande Lisboa, a partir dos anos cinquenta do século XX, refletirão a composição sócio profissional inerente à zona onde estão sediados e aos locais de trabalho dos seus componentes.

Há certamente estudos feitos sobre o assunto.

(Em todos os Grupos também se nota uma caraterística comum, que é o nível etário elevado dos seus componentes.

Aliás, a assistência também é maioritariamente composta por cidadãos na 3ª idade ou próximos da mesma!)

 

Os Grupos, todos, etnográficos ou não, nos trouxeram lindas modas, em que também entoaram loas ao Amor, à Paixão, aos amores e desamores, à sublimação dos amores...

Às paisagens do nosso saudoso Alentejo, à neve que também cai na planície, quem não viu os campos transtaganos cobertos de neve, não tem uma experiência completa e inolvidável do mesmo... às flores, rosas, metáforas da Mulher. Recomendações e cuidados a ter na ida à fonte...

Foto original DAPL 2015 Fonte do Salto. Aldeia da Mata. jpg

 

A Poesia, sempre! Cada moda é sempre um Poema carregado de significações sentimentais. Por vezes mais particularmente. Num singelo e comovente Poema dedicado aos Pais. Noutro, peculiar, sobre “...a ceifeira de aço...”!

Na dedicatória e evocação de Poeta (Fialho de Almeida).

 

No confronto entre “ponto” e “alto”, no troar harmónico do coro, ecoando nas planuras de searas ondulantes, marulhando nos mares da “Charneca em flor!”.

 

E, para o final, o Grupo Anfitrião reservou-nos dois Grupos de Música Tradicional.

“Grupo de Trovas Campestres”, de Faro. (Há quem designe, sendo do Algarve, que os Algarvios são “Alentejanos destrambelhados”, cito.)

Quatro Artistas, trouxeram-nos a Alegria do Alentejo, sediada no Algarve!

Cantaram um “Hino ao Mineiro”, uma evocação sul-americana, reportando-nos para o Chile, de Allende?! (Merecia da assistência um outro escutar, mas já havia algum “destrambelhamento” entre o público, desculpa-se-lhes, que até se portaram muito bem, houve momentos de absoluto e cerimonial silêncio durante os outros cantares.)

Encerrou o “Grupo Comtradições”, da Cova da Piedade, com muita e muita Alegria!

E já muita gente dançava! Dançava!

Que para os participantes ainda haveria jantar.

E que bem que cheirava!

Cheiros de um tempo de outros tempos.

Cheiros que o tempo guarda!

 

Parabéns a todos os Participantes!

Parabéns a todos os Organizadores! E Colaboradores!

A todos os que trabalham na sombra para que estes Eventos sejam organizados e nos deleitem e emocionem com a sua Qualidade Artística.

Felicitações especiais ao Grupo Anfitrião e Aniversariante: “Associação Grupo Coral e Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó – Almada”!

(Grupo, além de Coral, também Etnográfico, documentando um memorial de trajares transtaganos, nas nossas recordações de infância e juventude.

Grupo que, aliás, teve a honra de abrir a Sessão com o brilhantismo que lhe é inerente e as vozes portentosas de que dispõe, também elas carregadas e emocionadas de Sentimentos!)

 

Foto original DAPL Almada Ginjal 2015.jpg

 

E, diga-me lá, se teve a simpatia de me ler até aqui, se Almada é ou não a Capital do Cante?

(Nota Final: Que acrescento, hoje, dia 21, Dia também tão especial.

As Fotos são originais de D.A.P.L. e reportam-se ao "meu Alentejo", que é sempre "Aquém - Tejo"!)

 

 

Cante alentejano: UNESCO aprova classificação como Património da Humanidade

Notícia de última hora!

 

Foto extraída da net

 

Não! Não se trata, propositadamente, de mais um "caso mediático" . Não!!!

 

Trata-se de algo que nos toca, especialmente.

 

Segundo noticiado por Agência Lusa,

 

A UNESCO aprova classificação do Cante Alentejano como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

 

PARABÉNS a TODOS, mas a TODOS os INTERVENIENTES neste processo!

 

 

Reporto-vos para a leitura de "posts" deste blog:

 

"Almada será a Capital do Cante?" (19/11/14)

 

Cante Laranjeiro Foto de F.M.C.L.

 

"Crónica do Feijó 1 - A força do coletivo!"  (8/10/14).

 

Digitalizações  Cante no Feijó

 

O Topónimo “Aldeia da Mata”

Foto1395.jpg

 

O Topónimo “Aldeia da Mata” define a localidade na sua essência, aldeia: pequena localidade, geralmente com poucos habitantes, núcleo populacional feito de casas contíguas, tipo alentejano. “Nos começos da Nacionalidade designava não uma povoação mas um casal ou herdade existente num sítio ermo.”(1)

Quanto ao primeiro termo do topónimo, Aldeia, entende-se facilmente o seu significado.

 

No referente aos outros, da Mata, já se nos levantam interrogações, dado que na atualidade não existe nenhuma mata significativa, justificativa do topónimo.

Mas se o nome consagra esses termos é porque terá existido alguma mata importante, para que a povoação tenha incorporado essa nomenclatura. Que mata terá sido essa, suficientemente importante para daí derivar o nome de Aldeia da Mata?!

 

Nas Memórias Paroquiais consultadas, séc. XVIII, já não há qualquer referência a essa Mata.

Mas, segundo diversos autores, essa mata existiu e dela deriva o topónimo.

Alarcão, J., in Revista Portuguesa de Arqueologia, volume 15, 2012, menciona esse facto, a partir do documento de doação da herdade que D. Sancho II, em 1232, fez à Ordem dos Hospitalários, mais tarde designada por Ordem Militar de Malta, consultado a partir da respetiva publicação em 1800, por José Anastácio Figueiredo.

O documento refere que um dos limites dessa Herdade é a mata de Alfeijolas.

 

Curioso que o nome Alfeijolas persiste na região, no termo Alfeijós, designando a Ribeira de Alfeijós, com vários nomes, conforme os locais por onde corre.

 Inicialmente designa-se Ribeira do Fraguil e tem origem em ribeiros que nascem a norte do Monte da Taipa. Corre a leste da Cunheira, dirige-se para sul, passa nos Pegos, adquirindo o respetivo nome: Ribeira dos Pegos.

Correndo na direção norte-sul atravessa a Linha do caminho-de-ferro do Leste, e a sul desta Linha, adquire o nome de Ribeira de Alfeijós. Corre a oeste dos “Cabeços do Barreiro”, Altos Barreiros, cuja cota mais elevada, 194 metros de altitude, se situa no monte de ALFEIJÓS.

A jusante situam-se dois Montes de habitação, também designados de Alfeijós: a leste da Ribeira, o Monte de Alfeijós de Cima e a oeste, o Monte de Alfeijós de Baixo.

A mencionada Ribeira de Alfeijós desagua na Ribeira de Seda, a jusante da foz da Ribeira de Cujancas e a montante da ponte romana de Vila Formosa.

 

É pois interessante que ainda atualmente o nome de Alfeijós, corruptela de Alfeijólas, persista na região, embora não existam sinais da referida mata.

As Memórias Paroquiais de 1758 também referem a Ribeira de Alfeijolos, assim designada pelo pároco da “villa” de Seda, embora já não referenciem a mata.

 

Qual o espaço territorial ocupado por essa mata que em 1232 seria significativa e foi inclusive, nessa época, motivo de disputas pela sua posse?!

 

As matas eram uma fonte de sustento, de recursos energéticos, de matérias-primas, sendo muito relevantes para povos e localidades. Mas estiveram sempre sujeitas a delapidação constante: corte, desbaste, fogos, arroteamento para agricultura.

Seria certamente uma mata de árvores e arbustos próprios destas condições climáticas: azinheira, sobreiro, carvalho negral, carrasco, zambujeiro. Medronheiro, aroeira, sanguinho e, entre as plantas mais arbustivas, a giesta, a esteva, o trovisco, a silva, a madressilva, etc. Ao longo das linhas de água, a mata ribeirinha: freixos, salgueiros, choupos, sabugueiros...

 

E geograficamente, ocuparia apenas a região atualmente a sul da Linha do Leste, onde persiste o respetivo nome? Prolongar-se-ia para norte, pela bacia hidrográfica da Ribeira de Alfeijós/Pegos/Fraguil até à Ola e Taipa? Ocuparia o território entre esta Ribeira e a Ribeira de Cujancas, inclusive ultrapassando-a e aproximando-se do espaço da atual freguesia de Aldeia? Teria uma área ainda mais vasta, conforme alguma documentação faz supor?!

 

Segundo o documento de 1232, esta “Matam de Alfeigolas” fazia parte dos limites da referida herdade. Curioso que o limite sul/sudoeste do atual concelho de Crato também se situe precisamente a sul/sudoeste de Aldeia da Mata. Outros limites do atual concelho do Crato também coincidem ou se aproximam de limites dessa herdade, referidos no citado documento de doação por D. Sancho II, à Ordem dos Hospitalários ou de São João de Jerusalém, designada por Ordem Militar de Malta, a partir de 1530.

 

A oeste, o Sume; a norte/noroeste e nordeste, o Rio Sor em parte significativa do seu percurso; a leste, Almojanda e parte do troço da Ribeira de Seda, sendo que esta Ribeira também delimita a sul. Ainda a sul, o limite segue numa linha relativamente paralela entre as Ribeiras do Cornado e de Linhais, pelos Cabeços de S. Lourenço e de S. Martinho. Ainda nesta direção sul, Alter do Chão, também é referida no documento como um dos limites.

E, frise-se, a mencionada Mata de Alfeijolas como um dos limites da herdade.

 

mapa  concelho crato.gif

 

A mata existente no século XIII (1232), já não existente no século XVIII, até quando terá persistido enquanto tal?

Teria sido o nome da aldeia alguma vez Aldeia da Mata de Alfeijolas? Haverá documentos comprovativos? Ou terá sido sempre Aldeia da Mata, dada a importância da própria mata?!

 

 

Nota final:

 - Agradecimento ao Srº Carlos Eustáquio pela prestimosa colaboração na consulta das Cartas topográficas referentes aos concelhos do distrito de Portalegre.

 

Fontes de Consulta (algumas):

- ALARCÃO, Jorge; Notas de Arqueologia, Epigrafia e Toponímia; Revista Portuguesa de Arqueologia, volume 15; Direção Geral do Património Cultural, 2012.

- FIGUEIREDO, Jozé Anastasio; Nova História da Militar Ordem de Malta, e dos Senhores Grão-Priores della, em Portugal; Officina de Simão Thaddeo Ferreira, Lisboa, 1800.

- MACHADO, José Pedro; Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, Livros Horizonte, 7ª edição, 1995.

- SAA, Mário; As Grandes Vias da Lusitânia, o Itinerário de Antonino Pio, Tomo II, MCMLIX.

- (1) Lexicoteca, Moderna Enciclopédia Universal, Círculo de Leitores, Tomo I, 1ª edição, 1984.

- Cartas Topográficas do Instituto Geográfico do Exército.

- Wikipédia, enciclopédia livre.

 

Texto publicado no Jornal "A Mensagem", Nov. 2014

Almada será a Capital do Cante?!

SESSÃO de CANTE

C.I.R.L. – Clube de Instrução e Recreio do Laranjeiro

Sábado, 15/11/14

Cante Laranjeiro. Foto de F.M.C.L.

Não sei responder, pois ignoro o que se passa noutras regiões, nomeadamente no Alentejo do Sul onde certamente existirão regularmente sessões de cante, pois há muitos grupos nessa região.

 

Havendo ou não noutros lugares certo é que, em Almada, frequentemente acontecem eventos desta natureza com a participação de vários grupos de outras zonas. E foi também aqui, mais precisamente na Biblioteca José Saramago, que pela primeira vez ouvi, com ouvidos de ouvir, um grupo no seu exercício e arte de cantar, o “Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó”. Grupo a que, aliás, se deve a organização de vários destes acontecimentos artísticos.

 

Este Grupo, como o próprio nome indica, tem também a preocupação de evocar, através dos trajes, algumas das profissões em voga no Alentejo até aos anos sessenta, quiçá setenta, algumas ainda terão persistido. Feitor, almocreve, pastor, moço de fretes… são mais de uma dezena, as profissões evocadas através dos trajes.

 

Numa altura em que está em execução a proposta de candidatura do Cante a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, cuja decisão se espera no final deste mês, o Cante ganha cada vez mais foros de Cultura e Cidadania Nacionais, merecendo inclusive direito a ser tema de estudo na Universidade, como comprovado por alunas do Curso de Antropologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa que neste dia se encontravam, in loco, a realizar uma investigação sobre o assunto, através do Grupo Coral mencionado.

 

Fui a esta sessão para ouvir os vários Grupos, com especial curiosidade para com os grupos femininos, pois nunca ouvira senhoras a cantar e atuar neste contexto do Cante.

 

Após os entremezes habituais, apresentações das entidades organizadoras, oficiais e participantes, os discursos da praxe, iniciou a sessão o “Grupo Coral Alentejano Recordar a Mocidade”, grupo anfitrião e organizador, que atua e canta há dezasseis anos. As senhoras, de fato completo, saia e colete, azul-escuro, camisa amarela e laço.

De braço dado, ondulando em evocação das searas e conforme manda a tradição, cantaram modas tradicionais: “vai correr a silva…”, “O Alentejo canta”, “Ceifeira linda ceifeira”…

 

Seguidamente interveio Dr. Teixeira, pessoa envolvida na questão da Candidatura do Cante, que, entre outros aspetos relevantes, frisou a importância dos Grupos para a persistência do Cante, para a sua não extinção, para a sua capacidade de resistência ao desinteresse pelo assunto, que houve até mais ou menos há quinze/vinte anos. E que foi essa resistência que permitiu que o Cante se mantivesse vivo e não se tenha extinguido. 

Realçou o papel das coletividades onde normalmente estão sediados, bem como das entidades e autarquias que os apoiam.

E acentuou, algo que concordo absolutamente, isto é, a necessidade de transmissão às novas gerações, ação que tem que ser prioritária, nomeadamente ensinando-o nas Escolas.

Tomaria a liberdade de acrescentar, apesar de leigo no assunto, que também é preciso renovar no conteúdo e também na forma. Mantendo embora a ligação ao tradicional, ensaiar modas novas e apresentar-se com sinais de atualidade. Algo que me encantou no Grupo de jovens que atuou no dia 4/10/14, no Clube Recreativo do Feijó, “Os Bubedanas”, que mantendo o modelo tradicional, como matriz de referência, na estrutura, na forma, no conteúdo, no espírito e na sua essência, agem de forma moderna e atual, tanto nas modas como nos figurinos. Desde grupo só acho que pecam pelo nome que, à priori, nos remete para estereótipos que não têm nada a ver com a qualidade que ostentam. Mas essa é outra estória.

 

Em seguida, atuou o “Grupo Feminino e Etnográfico As Margaridas”, de Peroguarda, Ferreira do Alentejo, trajadas com fatos à moda antiga, de trabalhadoras das lides no campo. Dez senhoras, queixando-se a ensaiadora de que são cada vez menos. Cantaram modas tradicionais: “Não quero que vás à monda”, “Os lírios são lírios”, “Oh, vizinha dê lá lume” e “É tão grande o Alentejo”.

 

O terceiro grupo a atuar foi o “Grupo Coral Amigos do Independente”, de Setúbal. O ensaiador e apresentador do Grupo teve sempre o cuidado de, antes de cada moda, referir os respetivos solistas: o “ponto” e o “alto”. Frisou o conceito de “Catedral do Cante”, reportando-se ao local em que e quando Grupos de Cante estão a atuar.

E fez muito bem pois algo aborrecido em praticamente toda esta sessão de Cante foi o barulho que persistiu em quase todo o evento…

Cantaram, sem microfone, “Ceifeiros do Alentejo”, “Ao romper da bela aurora”, “Na planície alentejana” e “Alentejo é nossa terra”.

 

O quarto grupo a atuar foram “As Madrugadeiras de Alvito”, cujo nome evoca a moda “Ao romper da madrugada”. O ensaiador é o senhor Manuel Cansado, sendo o porta-estandarte também um senhor. Estão integradas no Grupo Cultural de Alvito, pois como já foi referido são as sedes destes grupos culturais ou recreativos que permitem manter a logística dos Grupos de Cante. Também atuam de braço dado e no tradicional movimento ondulatório, evocativo do vento ondulando as searas. Fizeram sete anos.

Cantaram: “Já lá vem o romper da aurora”, “Alentejo és lindo”, uma terceira moda dedicada a Alvito e “No Alentejo ganho o pão”.

 

Alguns gestos são também marcantes e identitários da cultura do Cante: no final, as senhoras agitam lenços e os homens tiram o chapéu, sinais de estima, consideração e respeito, como era tradição no ALENTEJO!

 

O quinto e último grupo foi o “Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó”, que apresenta os trajares tradicionais, identificativos de profissões de uma certa época da vida alentejana. Também atuam segundo o padrão tradicional e sempre, antes de cada moda, o apresentador identificou o “ponto” e o “alto”.

Cantaram, também sem microfone, as seguintes modas: “Quando eu fui ao jardim”, “Ai que noite tão serena”, “O grande lago”, moda criada por um elemento do Grupo e encerraram com “chave de ouro”, com a moda “Há lobos sem ser na serra”!

Haverá melhor metáfora para o que o Cante sempre representou no “Alentejo profundo”?!

 

Quero dar os meus sinceros Parabéns a todos os Grupos participantes, sem exceção, a todos os elementos dos grupos, a todas as pessoas envolvidas para que estes acontecimentos possam ocorrer. Muito trabalho, muita dedicação, muito amor, muitos aborrecimentos também, por vezes, para que se possam operacionalizar estes eventos, que merecem toda a nossa consideração.

Nesta tarde, a sala, objetivamente, nunca encheu e praticamente só “aqueceu” no final, só aí se pressentiu o calor humano sempre tão presente nas sessões de CANTE e que as tornam tão mágicas e extraordinárias.

Lamentavelmente, houve sempre barulho, algumas pessoas a falarem, outras a mandarem calar e outros barulhos de desatenção e desconsideração. Como foi referido, é fundamental “uma plateia que respeite o cante, o silêncio de quem ouve”!

Ao assistir-se a uma Sessão de Cante é preciso, antes de tudo o mais, qualquer pessoa ter a consciência de que os protagonistas são os cantores e que há que saber ouvir, escutar com os ouvidos, mas também com o coração. Que quem vai cantar são pessoas que desenvolvem esta atividade como Amadores, no sentido de que amam o que estão a fazer, que não recebem qualquer cachet, que fazem muitos sacrifícios, muitos deslocando-se de longe para ali estarem, que há muito trabalho realizado antes e depois do evento, que passa despercebido. Que há muita “carolice” em toda a execução de um evento destes! E que é preciso respeitar o trabalho de quem está ali, como deve ser feito em qualquer espetáculo a que se vá assistir, ou então não se vai. Paradoxalmente, observei que, por vezes, são elementos de outros grupos que não se aquietam antes ou depois das respetivas atuações, talvez por nervosismo ou inquietação, não sei…

 

Interessante nestes eventos é sempre a “troca de galhardetes”, as prendas oferecidas entre os grupos e neste caso, ou não estivéssemos entre alentejanos, houve as suas cenas com piada e o humor que nos é próprio!

 

Termino, parafraseando, mais uma vez, o senhor Afonso, como encerramento da sessão: “as melhores prendas são a Amizade, a Colaboração, o Préstimo…”

 

E que a CANDIDATURA seja aceite!

 

 P. S. - Digamos que estes foram alguns apontamentos de quem assistiu ao espetáculo com atenção, com interesse e “devoção”, mas que está numa fase de iniciação ao conhecimento do CANTE! Por isso e provavelmente haverão falhas na perceção do que foi observado e aqui escrito e descrito!

Um Jardim na Cidade!

O Jardim de Dona Vanda!

 

Muitas vezes havia passado na Rua Almada Negreiros, no Feijó.  

 

Entre dois prédios, de um conjunto habitacional de uma conhecida construtora do concelho de Almada, num espaço vago, terreno saibroso e pobre, alguém construiu um bonito jardim, bem delineado, harmónico, simples mas sugestivo, contrastando pela positiva com o espaço em que se enquadra, preenchendo um vazio, uma ausência tão caraterística nestas zonas suburbanas em que a megalomania construtiva das últimas décadas foi subitamente interrompida pela “Crise”, deixando múltiplos espaços projetados, mas não concluídos ou nem sequer iniciados.

Jardim de Dona Vanda 4. Foto de F.M.C.L.

Quando por ali passava, quase sempre me quedava admirando a obra executada, e me inquiria sobre quem seria o artista daquela peça de artesanato campestre no meio da “selva urbana”! Refletindo, agora, de algum modo lembrava-me a Rua onde nasci na minha Aldeia no tempo em que era criança e as vizinhas tinham às portas uns vasos de flores, quando não um alegrete, onde pontificavam roseiras, malmequeres, begónias, malvas sardinhas, craveiros…

Mas nunca aconteceu ver alguém que me pudesse esclarecer sobre o autor da peça artística ali exposta à contemplação dos passantes.

Jardim de Dona Vanda 1. Foto de F.M.C.L.

Tive essa grata oportunidade no passado domingo, quase sol-posto, lusco-fusco, como é o entardecer e anoitecer repentinos em meados de Novembro.

 

Ao passar a alguma distância apercebi-me que havia uma pessoa debruçada sobre o terreno, num enquadramento típico de quem estava a mondar as ervas daninhas.

 Dirigi-me ao local, constatei ser uma senhora, a quem cumprimentei e com quem tive o prazer de ter uns nacos de prosa sobre o Jardim.

 

Além das plantas já mencionadas tem ainda uns pés de alecrim, que pegam por estaca, como referiu, e eu bem sei; umas flores semelhantes às “alegrias da casa” e que me autorizou a tirar alguns pés, quando forem maiores, sem estragar; um pé de boldo, planta terapêutica e muito boa para chás, que também me prometeu dar um pedaço; umas flores amarelas a que chamam malmequeres, mas que não são e de que tenho também muitos exemplares no quintal, mas de que também não sei o nome; duas macieiras, uma bananeira, gladíolos, jarros, goivos, boas noites e mais “flores”  e outras plantas que  não sei identificar…

Jardim de Dona Vanda 3. Foto de F.M.C.L.

Elogiei o jardim, que inclusive, segundo lhe contou um filho, “está no facebook”. Também ali esteve um senhor da Câmara, que ficou encantado e a quem pediu um fontanário, que daria muito jeito, mas que não pode ser, pois o terreno é particular…

 

Levando eu umas landes, o fruto do sobreiro, para semear no Vale, logo lhe propus semear ali uns exemplares. Não se fazem árvores grandes?! Sim, farão se nascerem e se as deixarem crescer, mas levam ainda trinta anos, tempo em que, se Deus quiser, já cá não estaremos. E muito provavelmente este espaço, que é particular, será urbanizado entretanto, mas que demore ainda muito tempo para que o jardim se conserve e nós não vejamos a sua destruição… E lá foram semeadas as landes.

 

Foi uma conversa muito construtiva sobre as plantas, que a senhora também consulta e estuda sobre as mesmas, falámos também sobre as suas origens, os desaires e vicissitudes da vida, as dificuldades, as mudanças abruptas, mas também os recomeços sempre com novas forças e esperanças, sem se deixar abater pelas contrariedades do destino.

 

Finalmente e após tantas vezes por ali ter passado, soube de quem era a autoria da Obra de Arte: Dona Vanda - um exemplo, um modelo a seguir, simultaneamente arquiteta paisagista e jardineira do lugar.

 

Se nas nossas Cidades todos tivéssemos a iniciativa de embelezar os tantos espaços desaproveitados que por aí abundam e com tanto vagar desleixado que por aí anda à solta, como as nossas ruas, aldeias, vilas e cidades ficariam bem mais bonitas e agradáveis. Porque esta função não pode ser apenas das autarquias. Que no caso de Almada, até é uma câmara muito preocupada com estas questões! Mas o papel de cada um também é imprescindível!

Jardim de Dona Vanda 2. Foto de F.M.CL.

 

Obrigado, Dona Vanda, por construir um Jardim tão bonito para deleite e usufruto de vizinhos e passeantes!

“Humor e Cultura”

Apresentação do livro de João Coelho dos Santos

“Humor e Cultura”

 

Ontem, dia 12 de Novembro 4ª feira, deslocamo-nos à Biblioteca Municipal Central de Lisboa, no Palácio Galveias, para a sessão de apresentação do livro “Humor e Cultura”, de João Coelho dos Santos (1939).

 

Não conhecia o autor nem a obra, embora sabendo ser sócio da APP (Associação Portuguesa de Poetas), meio através do qual tive conhecimento do evento e que nos incentivou a comparecer.

 

Em boa hora fomos, pois foi uma sessão extremamente divertida e interessante, cheia de Humor e Cultura, conforme sugeria o título do livro.

 

A apresentação muito bem conduzida por Mariana Marques Vidal, Jornalista, entrelaçou momentos de intervenção de personalidades destacadas de vários ramos profissionais, Forças Armadas (Coronel Raul Dionísio), Medicina (Professor Doutor Mário Cordeiro), Direito (Drº Juiz Renato Barroso), Economia (Drº João Cantiga Esteves), Ensino (Drª Emília de Noronha), Televisão (Realizador Ferrão Katzenstein), todas pessoas amigas do autor, que no contexto mencionado contaram situações da sua vida profissional e pessoal em que o Humor esteve presente, descrições e vivências muito ricas e imaginativas, proporcionando-nos sadiamente o riso, expressão de sentimento tão salutar à vida humana, individual e coletiva.

 

A sessão iniciou-se e terminou com bonitos trechos musicais conduzidos por João Canto e Castro, em violino e João Amaral, à viola. Canto e Castro, intervindo entre as diversas personalidades, também nos brindou com excelentes momentos humorísticos, em que com textos, alguns muito conhecidos, imitou Pinto da Costa, Medina Carreira, Rebelo de Sousa…

 

Contou ainda com a leitura de poemas pelos Jograis da U.L.T.I. (Universidade de Lisboa para a Terceira Idade), de alguns excertos do livro por amigos e poetas, nomeadamente a representante da A.P.P., Associação Portuguesa de Poetas, Graça Melo.

 

Uma Pessoa que consegue cativar Amigos em tantas áreas diversificadas é certamente uma Pessoa de Mérito, faceta que os vários intervenientes frisaram nas suas intervenções, contextualizando os enquadramentos em que trabalharam conjuntamente, em diferentes e diversificados projetos de trabalho, de vida e cidadania. A faceta de Autor está bem presente nos livros até ao momento já publicados e que vêm consignados nas pp. 7 e 8 do livro em apresentação. Onze livros de poesia, oito de teatro, duas biografias históricas e sete pedagógicos / didáticos.

 

O livro apresenta textos muitíssimo diversificados, alguns conhecidos do grande público, outros não, com mais ou menos Humor, também com o muito Amor que se depreende da entrega do Autor naquilo que faz. Desde trechos bíblicos, a citações de autores célebres, pensamentos e sugestões, histórias e estórias, provérbios, curiosidades, anedotas também e porque não e também de Alentejanos?! Desta gama variada de textos e entre textos se traça e entrelaça a estrutura e narrativa do livro.

Abarcam os vários ramos do conhecimento, desde as várias ciências humanas, exatas e naturais, à literatura e poesia, passando pelas artes. As fontes, conforme referido pelo autor, são a wikipedia, a internet, os livros que publicou e “tantas outras fontes que não consegui identificar”. Provavelmente a Cultura e o Humor que a Vida foi ensinando ao Autor, ao longo da sua vivência e que tão bem consegue transmitir aos Outros, como aliás demonstrou no encerramento da sessão. Convém frisar que e mais uma vez citando: "Decidi escrever, condensar em livro, esta antologia de textos dispersos, por sugestão dos meus alunos da turma de Arte de Comunicar que, desde 2002, venho lecionando como professor convidado e voluntário na ULTI – Universidade de Lisboa para a Terceira Idade."

 

Esta explicação enquadra o livro nos seus vários aspetos. Livro que, aliás, se lê bem, de forma agradável e acessível, com um sorriso e muitas vezes um riso perspicaz e pertinente, com Humor. E com Cultura! Há trechos que já conhecemos, sim, mas também há muitas novidades e aprendemos sempre algo de novo e enriquecemos sempre mais a nossa bagagem cultural.

 

Como aspeto negativo na apresentação, nada a ver com o autor e respetiva organização, apenas a obsessão obsessiva que, hoje em dia, algumas pessoas têm pela utilização indiscriminada de meios eletrónicos, nomeadamente na recolha de imagens, não respeitando quem está a atuar ou a intervir, nem quem está a assistir.

 

No livro, numa futura edição, conviria melhorar alguns aspetos que, um dia, eventualmente, poderei explicitar ao Autor.

O livro tem os seus “quês” e “porquês”, conforme cito anteriormente, mas não posso deixar de frisar que, quando o adquiri, fi-lo na expetativa de ser um livro de originais!

 

Parabéns e bem-haja pelo seu Humor e Cultura!

 

Publicado em:

Boletim Informativo e Cultural Nº 69 de Associação Portuguesa de Poetas - Out./Nov./Dez. - 2014

 

As “Alminhas” de Aldeia da Mata e “O Combate de Flor da Rosa"

Será que as lendas têm um fundo de verdade”?

A leste da freguesia de Aldeia da Mata, concelho de Crato, existem dois monumentos peculiares e singelos, mas muito significativos, conhecidos como “As Alminhas”. Um fica mais destacado à saída da povoação, à beira da estrada nacional, na direção da sede de concelho e pela sua localização é facilmente referenciável, sempre que se entre ou saia da localidade na direção mencionada. O outro, um pouco mais recatado, encontra-se relativamente próximo do primeiro na continuação da estrada, mas na direção de Alter do Chão, antes de se chegar ao Cemitério da Aldeia, precisamente na Rua das Alminhas.

 

Estes monumentos que são relativamente comuns por todo o Portugal, seja nas zonas rurais ou urbanas, nas aldeias ou nas cidades têm um significado muito especial que se tem vindo a perder, mas que muitos têm escrito na respetiva estrutura: “Rezai pelas Alminhas”… “Mais do que uma forma de arte, as Alminhas nasceram com uma função: salvar e rezar às almas do purgatório.”(1)

 

Aos monumentos da Mata estão associadas algumas estórias ou lendas e tradições que se perderam na azáfama dos tempos modernos.

Uma das estórias que se contavam referia-se à “Unha de Boi”.

Outra estória ou lenda dizia que os dois monumentos assinalavam o local onde decorrera uma batalha ou guerra e que delimitavam o espaço onde correra o sangue derramado pelos intervenientes nessa contenda. Esta estória foi passando de geração em geração, e era-nos contada em crianças, quando por ali passávamos ou íamos festejar os “Santinhos”, no dia um de Novembro. Não sei se ainda hoje será contada às crianças de agora, nesta Aldeia globalizada …

 

Ao ler o livro “Guerra das Laranjas 1801”, do Professor Doutor António Ventura, integrado na coleção “Guerras e Campanhas Militares da História de Portugal”, Editora QuidNovi, 2008, deparou-se-me um capítulo muito curioso designado pelo autor como “O Combate de Flor da Rosa”.

Muito sinteticamente, esta “Guerra” resultou da invasão de Portugal, pelas tropas espanholas comandadas pelo generalíssimo D. Manoel de Godoy, através do Alentejo e ocorreu durante Maio e Junho de 1801. Esta ofensiva já se integra na designada “Guerra Peninsular”(2), precede as denominadas “Invasões Francesas” de 1807, 1809 e 1810 e foi um desastre para Portugal. (Entre outros aspetos, Portugal perdeu a soberania sobre Olivença, que nunca mais seria incorporada no Estado Português.)

 

Em 20/05/1801, com várias Divisões, os espanhóis iniciaram as ações militares sobre as praças de Olivença, Juromenha, Elvas e Campo Maior.

As principais cidades e vilas fronteiriças acabaram por ser ocupadas ou neutralizadas pelo exército espanhol.

Olivença e Juromenha, praças-fortes, renderam-se sem oferecerem resistência.

Elvas foi cercada, o governador não aceitou a rendição, mas esta praça-forte, considerada “a chave do reino” ficou neutralizada até final da Guerra, não tendo havido propriamente ataques em força, mas cercando-a e com pequenas ações, os espanhóis controlaram a situação, impedindo as tropas de saírem da cidade.

 

No dia vinte e nove de Maio, o inimigo atacou fortemente Arronches, sendo “a derrota dos portugueses rápida e completa”(3), tendo as tropas portuguesas abandonado o campo de batalha.

As tropas portuguesas estacionadas entre esta vila e Alegrete foram-se dirigindo para Portalegre.

Campo Maior, cercada desde vinte de Maio, resistiu e combateu com denodo nas condições disponíveis, sofrendo o cerco até seis de Junho, quando em conselho de guerra foi decidido aceitar a rendição, em termos honrosos. A capitulação foi assinada no dia sete, mas os defensores saíram com todas as honras militares.

 

A vinte e nove de Maio, houve um conselho de guerra em Portalegre, presidido pelo Duque de Lafões, que era o comandante em chefe de todas as tropas portuguesas, com o posto de marechal general. Decidiu-se a retirada do exército lusitano na direção do Tejo. De passagem, em Alpalhão, em novo conselho de guerra, decidiram concentrar o exército em Gavião, tendo acampado junto desta localidade a trinta e um de Maio.

 

É neste contexto de retirada do exército que se enquadra o referido “Combate” que tendo-se iniciado em Flor da Rosa se haveria de concluir junto a Aldeia da Mata.

 

 Por ordem do Duque de Lafões e visando a recolha de abastecimentos, saíram as tropas, ao final da tarde de três de Junho, do campo do Gavião com destino a Flor da Rosa e Crato, com passagem por Tolosa e Gáfete. O comando foi entregue a D. José Carcome Lobo, que comandara as tropas portuguesas em Arronches. Constituía este corpo de tropas, 4 Companhias de Granadeiros, 2 de Caçadores, num total de 600 homens de Infantaria; 68 de Cavalaria, 40 portugueses e 28 ingleses e 4 peças de Artilharia. Eram seguidos por 70 carros, requisitados na região, alguns puxados por mulas, a maioria por bois, para o transporte das mercadorias. Segundo o comandante, chegaram a Flor da Rosa entre as dez e as onze horas do dia 4 de Junho, tendo percorrido parte do trajeto durante a noite, rompendo-lhes o dia perto de Tolosa.

No dia um de Junho, a partir de Arronches, os espanhóis marcharam em direção a Portalegre, passando por Alegrete, tomando-a sem resistência, o que aconteceu também com a cidade. No dia dois de Junho ocuparam Castelo de Vide e atacaram Marvão, que repeliu o invasor. Foram também destacadas forças para o Crato e Flor da Rosa, onde o exército português, na fuga precipitada que fora fazendo ao longo do norte do Alentejo, havia deixado provisões, indispensáveis a qualquer dos exércitos. Estas forças inimigas partiram de Portalegre, pela manhã do dia quatro de Junho, sendo seu comandante o Marechal de Campo, Marquês de Mora, comandando 2500 homens de Cavalaria e três batalhões de Infantaria.

 

A leitura deste trecho do livro motivou-me para consultar no Arquivo Histórico Militar, no Museu Militar, em Lisboa, o documento relatando o ocorrido neste combate.

 

Mas deixemos o próprio comandante das tropas portuguesas, coronel D. José Carcome Lobo, narrar os acontecimentos:

“… pela uma para as duas horas da tarde, deram parte as Vedetas e avançadas de vir o inimigo pelo lado de Portalegre, fiz imediatamente pegar em armas a toda a tropa… coloquei duas bocas de fogo em lugar próprio de bater o inimigo de frente logo que chegasse ao alcance… destaquei duas Companhias de Caçadores… para vir ganhando pelos lados os flancos do inimigo… ordenando também aos 40 Cavaleiros portugueses e 28 Dragões ingleses que sustentassem cada um destes partidos…

Adiantou-se o inimigo e principiou a Artilharia a jogar sobre ele… porém a Cavalaria tanto inglesa como portuguesa fugiu a toda a brida, atropelando não só a Infantaria, mas até a minha própria pessoa e então expostas, sem nenhum apoio, as Companhias de Caçadores fizeram quanto puderam e mesmo perdendo muita gente que lhe foi morta e ferida… se vieram retirando… atirando sempre sobre o inimigo… fomos seguindo a nossa retirada com muito trabalho por causa da Cavalaria que nos seguia sobre quem fizemos fogo; porém enfraquecendo cada vez mais não só pela gente que íamos perdendo ferida e morta, mas pelos muitos que se iam extraviando e fugindo e, nesta ordem de aperto, aproveitando todo o lugar pedregoso que mais nos pusesse ao abrigo da Cavalaria inimiga, vencemos légua e meia de terreno até Aldeia da Mata, aonde encontrando um pequeno bosque com um pequeno muro de pedra solta fiz entrar a Infantaria que me restasse e guarnecer o mesmo muro, tomando-o como parapeito… aonde nos defendemos, fazendo fogo sobre o inimigo por espaço de duas horas. (…)

Acabadas todas as nossas munições e ameaçados de ser passados a espada e atacados por todos os lados e até com a Artilharia adiante de nós, pronta a bater o bosque, eu capitulei a condição de bom trato à Tropa…”(4)

Este excerto faz parte de “Narração fiel e detalhada do Combate do dia 4 de Junho, entre as Tropas Portuguezas comandadas pelo Coronel D. Jozé Carcome Lobo, e Hespanholas pelo Marechal de Campo o Marquez de Mora junto a Vila de Flor da Roza. 1801” - Arquivo Histórico Militar – 1ª Divisão – 12ª Secção – Caixa nº 3 – nº 19.

 

 

E voltando à questão inicial, se as lendas têm um fundo de verdade, verifica-se, neste caso, haver correlação entre o relato de tradição oral, parcialmente sobre a forma lendária e a ocorrência factual dum combate no local referenciado. Combate que tendo-se iniciado em Flor da Rosa teve o seu epílogo à entrada de Aldeia da Mata.

 

Paralelamente ao desenrolar das operações de guerra, decorriam conversações para assinatura da Paz que seria datada de seis de Junho, pelo “Tratado de Badajoz”.

 

P.S. – Já após ter delineado este texto, tive a oportunidade de ler alguns excertos do livro “a nossa terra” do “senhor João”, João Guerreiro da Purificação, constante na bibliografia consultada. Na pág. 218, ao escrever sobre “As Alminhas Novas”, refere também a hipótese de que elas possam estar relacionadas com o combate supra mencionado. Recomendo vivamente a leitura deste livro, bem como das outras fontes referenciadas.

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Vários outros documentos, inclusive espanhóis, referem a ocorrência deste combate, junto a Aldeia da Mata, de acordo com citações de alguns dos autores mencionados na Bibliografia. Tal ocorrência é pois um facto histórico comprovado.

 

Quanto à evocação deste “Combate” através das “Alminhas” pois que outra “guerra” e outro “combate” senão o referido, poderão evocar os mencionados monumentos singelos e peculiares?

Aliás essa evocação de acontecimentos trágicos, sejam eles de natureza individual ou coletiva, é uma das características das “Alminhas” espalhadas por todo o país, com especial incidência a Norte.

 

Curioso que, no Porto, na Ribeira, exista também um painel de “Alminhas”, permanentemente iluminado, junto à Ponte D. Luís, evocando um acontecimento trágico aí ocorrido durante a designada 2ª Invasão Francesa, quando a população da cidade, em fuga face à aproximação dos exércitos de Soult, em 1809, tentou atravessar o Rio Douro na designada “Ponte das Barcas”, que ruiu devido ao excesso de peso, tendo morrido milhares de pessoas. “Desastre da Ponte das Barcas” é assim conhecido.

Interessante a proximidade histórica destes dois acontecimentos: “Combate de Flor da Rosa”, 1801; “Desastre da Ponte das Barcas”, 1809. Ambos os acontecimentos integrados na designada “Guerra Peninsular”.

 

BIBLIOGRAFIA

 

- Arquivo Histórico Militar – 1ª Divisão – 12ª Secção – Caixa nº 3 – nº 19.

  “Narração fiel e detalhada do Combate do dia 4 de Junho, entre as Tropas Portuguezas comandadas pelo Coronel D. Jozé Carcome Lobo, e Hespanholas pelo Marechal de Campo o Marquez de Mora junto a Vila de Flor da Roza. 1801.”(4)

- NATÁRIO, Rui; As Grandes Batalhas da História de Portugal; 1ª edição, Barcarena, Marcador Editora, Março 2013.

- OLIVEIRA MARQUES, A. H.; História de Portugal, Vol II – Do Renascimento às Revoluções Liberais; 13ª edição, Lisboa, Editorial Presença, Jan. 1998.

- PURIFICAÇÃO, João Guerreiro da; A nossa terra;1ª edição, Lisboa; Há Cultura. Criação e Produção de Eventos Culturais, Lda / Associação de Amizade à Infância e Terceira Idade de Aldeia da Mata, 2000.

- RAMOS, R. et.al.; História de Portugal; 4ª edição, Lisboa, A Esfera dos Livros, Fev. 2010.

- VENTURA, António; Guerras e Campanhas Militares da História de Portugal, Guerra das Laranjas, 1801; 1ª edição, Lisboa, QuidNovi, 2008. (3)

- VENTURA, António; O Combate de Flor da Rosa – Conflito Luso-Espanhol de 1801; Lisboa, Edições Colibri, Junho 1996.

- VICENTE, António Pedro; Guerras e Campanhas Militares da História de Portugal, Guerra Peninsular 1801 / 1814; 1ª edição, Lisboa, QuidNovi, 2007. (2)

 

WEBGRAFIA

 RODRIGUES, Olinda Maria de Jesus; As Alminhas em Portugal e a Devolução da Memória, Estudo Recuperação e Conservação – Tese de Mestrado em Arte, Património e Teoria do Restauro. Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2010. (1)

Wikipédia – Enciclopédia Livre  - http://pt.wikipédia.org.

http://www.arqnet.pt/exercito/laranja4.html 

 

 

Versões deste texto foram publicadas em:

Jornal “A Mensagem” nº 475, Janeiro 2014

Boletim Cultural nº 114 do Círculo Nacional D’Arte e Poesia, Fev. 2014

Crónica do Feijó 2: CATS

CATS: Gatos e Gatas

Na pretérita 5ª feira, na noite de 16 de outubro, fomos Além Tejo para assistir a um espetáculo numa centenária sala (1892), renovada e adaptada aos tempos e modos atuais. Sendo, à nascença, sala de lides tauromáquicas, por onde passaram nomes lendários da festa brava, registados com as respetivas datas de atuação nos diversos camarotes por toda a praça, tem agora uma função generalista e polivalente, quem sabe talvez num futuro a sua única função, apresentando os mais diversos eventos, para além de funcionar também como um centro comercial. Nessa noite o espetáculo era de gatos e gatas, ou seja CATS, na praça de toiros do Campo Pequeno!

 

Lisboa já há alguns anos faz parte da rota dos grandes espetáculos internacionais dos mais diversos artistas e repetiu agora a exibição de tão afamado musical!

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Com um cenário estruturado à base de objetos atirados ao lixo, um carro velho, pneus de carro e rodas de bicicleta, parte de uma porta velha, o resto de um fogão, um cano de esgoto e outros artefactos não identificáveis, tudo num enquadramento de semi-destruição e abandono de lixeira, em noite de lua cheia, como convém a gatos e gatas… Neste enquadramento, só ligeiramente alterado em poucas cenas, se desenrolou a ação e o enredo da peça musical.

A música é um dos grandes chamarizes desta peça, uma fábula sobre vários tipos humanos, sentimentos, estados de alma e estádios de vida, com realce para a velhice, os velhos, a sua sabedoria, a ascensão à merecida felicidade eterna, em contraste com a pujança, a força e os arroubos da juventude. As melodias, muitas são ícones da música, quem não recorda “Memory…”, mal começam os primeiros acordes? Recorda-se e persiste na memória a lembrança de tão bela melodia. Mesmo das mais desconhecidas ressalta geralmente uma lembrança. Passando das baladas para os ritmos mais frenéticos são todas empolgantes, tendo os artistas-cantores um desempenho notável. São artistas, atores, cantores, bailarinos, contorcionistas, ágeis como verdadeiros gatos e gatas, corpos de elástico, representando tipos humanos mascarados de felinos.

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Com variadas mudanças de indumentária ou de acessórios se passava de uma cena à seguinte, transportando-nos ao cerne do enredo. Realce aos artistas que se transfiguravam nessas mudanças e personagens, sempre artisticamente maquilhados e caraterizados, verdadeiras obras de arte, sendo sempre felinos, mas gatos diferentes ou outros animais: canídeos, baratas, ratos. 

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Eram no total 28 artistas envolvidos, sendo 6 apenas cantores. Curioso que, no decurso das várias cenas coletivas, nunca estavam mais que vinte e um, três vezes sete, ou não tivessem os gatos sete vidas!

Coreografias e bailados mágicos e alucinantes, jogos de luzes, música a jorros, sempre encantatória ou não fosse Andrew Lloyd Webber o compositor.

A sala estava bastante bem composta, não estando totalmente cheia. Assistindo ao espetáculo da galeria, pese o inconveniente da distância, tem-se uma visão global da sala e da assistência e para quem tem que se socorrer das legendas até é conveniente.

O público não era o que habitualmente encontro nos espetáculos locais, como seria de esperar. Sinais de bem-estar e desafogo económico notavam-se sob vários ângulos, sendo que o trajar era o mais óbvio. Muitos jovens!

Antes do musical, ou chamar-lhe-ei ópera?, petiscámos na zona da restauração. Cheio, cheio, o espaço! (Crisis, what crisis?!)

Qual não é o meu espanto, quando vejo chegar, marcante presença e atraindo as atenções, a “tia Tété Gui, a rainha dos reality shows”. Mal chegou ao espaço restaurativo, talvez surpresa por ver tantos comensais em tempo de crise, sei lá!, estancou naquela atitude tão peculiar pondo a mão na anca! Mas, passada a surpresa inicial, fez pose e lá seguiu, provavelmente à procura de  mesa.

big.jpg

 

Este não será o melhor final para esta crónica, mas uma fofoca apimenta o conteúdo.

Final, final, é dizer que adorámos o espetáculo!!!

François 004.jpg

 

François 006.jpg

 

E que tal pesquisarem no Youtube uma versão da melodia "Memory". Por ex.  a versão de Barbra Streisand, a de Susan Boyle ou uma original de CATS?

Nota final: as fotos foram quase todas digitalizadas a partir do programa - www.uau.pt

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