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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Pessoas «» Animais – Discriminações!

A “Ditadura do Politicamente Correto”

Crónica(s) de Descontentamento (III)

 

As Pessoas não devem ser discriminadas sob aspeto algum relativamente a si mesmas, enquanto Pessoas. Este é um axioma, inseparável da condição humana.

Mas uma realidade, é a das pessoas, seres humanos, outra, a dos animais. São realidades distintas.

Isso de os donos de “animais de estimação” não serem discriminados no acesso à habitação, por esse facto, levanta-me a questão de saber se os moradores dos prédios urbanos, que por qualquer razão se achem no direito, igualmente legítimo, de não coabitarem com “animais de estimação” não se sentirão eles próprios discriminados e lesados nos seus direitos enquanto cidadãos.

Que essa atitude, agora tão na moda, de que os “animais de estimação” fazem parte da “família”, não tem que ser necessariamente aceite por todas as Pessoas.

Quem vive num prédio urbano, destinado a Pessoas, tem o direito de viver nele sem ser incomodado pelos diferentes atropelos a que estão sujeitos pelos donos de “animais de estimação”.  

E tem o direito de contestar e não aceitar essa coabitação que lhe é imposta.

 

A preocupação legalista pelos direitos dos animais faz, genericamente, todo o sentido.

 

Mas e no referente aos ditos “animais de estimação” e, como já reportei noutro post, convinha, antes de tudo o mais, definir, preto no branco, quais são os animais de estimação.

Que é um conceito quase impossível de definir em termos de objeto, porque essa definição depende de muitos contextos.

Desde logo se se trata de um contexto urbano, se de um rural.

Como é evidente, num contexto rural, de pessoas que disponham de espaço e condições, há um conjunto de animais que podem ser tidos como animais ditos de estimação, que num contexto urbano são completamente impossíveis de considerar.

 

Mas há por aí gente tão louca, que levam os mais imponderáveis animais como de “estimação” para os respetivos andares nos prédios das nossas cidades!

 

E, também no respeitante ao tratamento dado aos animais, atuar e autuar sobre espetáculos em que os animais são objetivamente torturados.

Isto é, haver a coragem de “pegar o touro pelos cornos”!

 

Mas os aspetos fundamentais neste assunto dos “direitos dos animais” continuam a ser esquecidos!

 

Para não referir que com esta preocupação dos “direitos dos animais” se esquecem dos “Direitos do Ser Humano”.

Porque em quantos contextos não são os Seres Humanos tratados abaixo de lixo?!

Para não falar daqueles Humanos que vivem abaixo das condições mínimas de dignidade e que todos os dias constatamos nas nossas cidades. E a quem já nem ligamos! É só vermos com olhos de ver!

 

Que eu sou totalmente contra o maltrato dos animais.

 

Mas os animais são os animais. E as pessoas têm o Dever de serem Pessoas!

O que não acontece.

 

*******

 

Hoje, atualmente, nestas modernidades a que o conceito de “politicamente correto” nos tem levado e neste enquadramento dos cães, que são os animais em que há unanimidade em considera-los como de estimação, a tudo nos querem sujeitar.

 

Para além de, ao sairmos do nosso apartamento,

- depararmos com um caniche qualquer a defecar ou urinar nas escadas, caso frequente;

- de as ombreiras dos prédios, os muros e muretes, pilares e postes e equipamentos coletivos, de variados serviços públicos, estarem devidamente “esterilizados” por milhares de mijadelas;

- de passeios, jardins e relvados, altamente estrumados por cacas de canídeos;

- ainda nos querem, as sumidades “defensoras” dos animais, brindar-nos com mais alguns "presentes".

 

Por ex., o “Jornal de Arroios” Nº 11, Junho 17, pg. 15, informa-nos que “Agora donos e cães podem partilhar o mesmo bebedouro de água”.

Mais!

Esta medida é destacada no próprio Editorial, como se tratasse da mais iluminada e iluminante modernidade!

 

Paralelamente, ou nem por isso, também se prevê no nosso Parlamento legislar sobre a entrada franca de animais de estimação nos cafés e restaurantes, sentarem-se à mesma mesa que clientes humanos. Talvez tomarem café e bagaço juntos!

Assombrosa e estimulante modernidade!

 

Que este país gosta de viver na m****, não duvido.

 

Mal saiu ainda da pré-história do saneamento básico… Sim, não é ainda há muito tempo que neste país existem as condições mínimas neste aspeto…

 

Pois, agora, que praticamente os alojamentos atuais estão dotados dessas serventias, pois é vermos as ruas, os passeios, os jardins, os parques, cheios de lixo e porcaria.

 

in. ndonline.com.br..jpe

 

É só olhar e passear com olhos de ver!

 

E é esta a “modernidade” a que nos leva o “politicamente correto”!

E para que os nossos representantes se ocupam no nosso suprassumo legislativo!  

 

(Notas Finais:

Imagem: in. ndonline.com.br.

Esta imagem foi propositadamente escolhida da net, por ser dúbia e irónica.

É por demais evidente que há "pedidos / exigências" que não podemos esperar dos animais. Precisamente. Porque pessoas são, em princípio, Pessoas. Animais são animais!

Mas há muito boa gente que acha que é tudo igual!)

Neste País, valoriza-se o Trabalho?!

Dá-se valor a quem trabalha?!

Incentiva-se quem tem vontade, interesse, motivação, disponibilidade, competência, para trabalhar?!

 

Crónica(s) de Descontentamento (II)

(Candidatura frustrada a um Trabalho)

 

Não posso deixar de contar, brevemente, uma história ocorrida com uma Pessoa Amiga.

Estando reformada, ou aposentada, que não sei qual o termo mais indicado, Pessoa Amiga candidatou-se a função/atividade, deveras interessante, a exercer em Instituição Pública. Atividade de contacto com o público, num trabalho de campo, que já exercera na juventude, propôs-se e candidatou-se à função, a partir de um anúncio que vira numa Junta de Freguesia.

Formulou uma proposta de interesse, via mail; recebeu confirmação também online, com formulário de inscrição, a que respondeu, após várias “lembranças” da Entidade, aos vários itens aí consignados, reiterando a sua disponibilidade: inscrevendo-se, não omitindo a sua condição profissional.

Posteriormente, seria notificado para comparecer a entrevista coletiva na Sede da Instituição, no pretérito dia dezoito de Setembro, marcada para as nove e trinta. A que compareceu com muito gosto. (Foi o primeiro candidato a chegar! Assistiu à chegada de todos os outros, como pretendera.)

Estiveram presentes mais nove candidatos. Um total de dez: seis homens e quatro mulheres. Terão faltado quase outros tantos.

(A sessão, como é triste apanágio dos portugueses, iniciou-se com um quarto de hora de atraso.)

 

Após a representante da Entidade ter equacionado e explicado os vários e possíveis enquadramentos institucionais da atividade/função; ter respondido e esclarecido dúvidas suscitadas pelos intervenientes; propôs a apresentação dos vários candidatos, como é de “praxe”, numa entrevista coletiva.

Iniciou-se essa apresentação por essa Pessoa, minha Amiga.

 

E foi, quando explicitou a sua situação de reformada, que lhe foi dito que não poderia candidatar-se à função, porque não podiam estabelecer um contrato consigo.

 

Não interessa o facto em si, dessa cláusula ter sido ou não explicitada previamente, que várias pessoas foram nessa condição, nem de a Pessoa ter ido em vão à entrevista, que isso nem chateou o Sujeito. (E foi interessante reviver situações de grupo em que participou tantas vezes ao longo de vários anos… Pena não se ter lembrado de pedir permissão para assistir às apresentações dos restantes candidatos…)

 

O que me interessa aqui e neste post questionar é:

 

Então, mas que país, (com letra minúscula), é este, que não aproveita nem valoriza as Pessoas realmente motivadas e interessadas em trabalhar?

Que não dá valor às competências dos seus compatriotas que querem dispor-se a trabalhar?!

Ou o que interessa é o oportunismo de quem quer é o subsídio de desemprego, disto ou daquilo, receber o pilim ao fim do mês e estar-se nas tintas para o Trabalho?!

Triste país que desperdiça os seus talentos!

 

Frutos Outono I 2015 Original DAPL.jpg

 (Frutos de Outono. Original D.A.P.L. - 2015)

“Praxes”: Setembro 2017

Crónica(s) de Descontentamento (I)

 

Setembro é sempre um tempo de recomeços. Começou o Outono, outro e um novo outono. É sempre tempo de retorno, de retornos. De inícios, de reinícios.

(Um outono que continua a vaga de secura que nos vem assolando. Nunca mais chove!

E quando chover?... E os campos serranos, da “Zona do Pinhal”, tisnados pelos fogos?!

…)

 

Os tempos outonais trazem-nos sempre um novo ano letivo, nomeadamente no ensino superior. (E como é agreste recomeçar com este calor!)

Para quem será agradável este recomeço, com sol e calor, será para os “praxados”! Será?!

 

Uma tristeza! Uma lástima, que estudantes (?), ademais universitários (?!) tanto se empenhem em práticas humilhantes e ainda as venham mostrar para as montras mais concorridas da cidade.

Lisboa, invadida (?) por turistas, uma verdadeira chusma de estrangeiros calcorreando a Baixa Lisboeta, vem cumulativamente sendo enxameada por hordas de jovens universitários, que em bandos, mais ou menos ajaezados, descem o Chiado, percorrem as mais concorridas artérias pombalinas, pousam em locais emblemáticos a testarem as capacidades de absorção alcoólica, desaguam no Rossio.

Sintomaticamente, nesta Praça, aos pés da estátua de Dom Pedro IV, paladino do Liberalismo, jovens (?), ajoelhados, em genuflexão perante outros de capa e batina, (a adoração que esta juventude atual tem por fardas!), num arrazoado de frases feitas e cantilenas, em palavras de ordem, mais ou menos chocalheiras, repetindo-as às ordens de comando de uns supostos “doutores”! (Na verdade, seus iguais, mas que se assumem como superiores…)

Paradoxalmente, numa Praça que já foi palco, de entre outros eventos de barbárie, numerosos autos de fé, em tempos que julgávamos ultrapassados, reeditam estes jovens universitários (!) atitudes e comportamentos de aviltamento da condição humana, rebaixando-se e rebaixando outros iguais, à condição de inferiores, de subespécie, de “bichos”.

Atos e ações não supostamente atribuíveis a Pessoas, jovens, estudantes, universitários.

 

Na passada 2ª feira, dezoito de Setembro, rapazes e raparigas, estas na maioria (!!!), de Medicina(!!) e da Nova(!), submetiam e submetiam-se a estas práticas junto ao pedestal, onde se diz estar representado o Rei Soldado, frente ao teatro Dona Maria II, aos olhos de Garrett!

Que dirão estes ideólogos da Liberdade, do ideário da Revolução Francesa, face a estes atos de aviltamento dos Direitos e Liberdades fundamentais?

 

E numa Praça que também tem sido palco de eventos de Liberdade, nomeadamente antes e depois do 25 de Abril de 74?!

 

Que nada!

As praxes, supostamente, estão para ficar.

(Tornaram-se um negócio, e tudo quanto envolve “money”…)

Também não haverá muitas hipóteses alternativas. Haverá?! E é urgente e imperioso que elas existam. Atividades construtivas de integração dos novos alunos, envolvendo todas as academias, em que todos se empenhem e se sintam participantes.

E que contribuam para a integração e companheirismo.

 

Todavia, no meio daquela chinfrinada “praxeira”, nem tudo é negativo.

As atuações das Tunas são e proporcionam momentos interessantes. Nesse mesmo dia, ao meio da tarde, ao cimo da Rua do Carmo, tivemos a oportunidade de presenciar uns momentos deveras interessantes, na atuação da Tuna da Faculdade de Belas Artes, frente a uma afamada gelataria.

Valeu o gelado, mas também os encores da Tuna. (Infiro que a respetiva atuação estivesse também incluída em presumíveis “praxes”. Teria estado?! Antes não estivesse.)

Neste caso, algo positivo. E que ainda rendeu pecúlio assinalável aos seus promotores, que eles estenderam a manta e os transeuntes, que pararam para assistir, na maioria turistas estrangeiros, não se fizeram rogados.

 

Aqui está uma atividade que deverá ser fomentada na integração dos jovens estudantes.

 

O resto visível?! Na maioria e no mínimo, uma tristeza!

 

in. empregopelomundo.com

 (Imagem in. empregopelomundo.com)

 

 

Valerá alguma coisa apelar à rejeição das “praxes”?!

 

 

 

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