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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

“Hospital Real” – 15º Episódio Television de Galicia - Comentários - Parte III

Série da RTP2

6ª Feira 18/09/15

Comentários

Parte III

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E não deixar de referir ainda…

 

No respeitante ao enredo… e também às personagens

 

Este enredo, neste décimo quinto capítulo, enredou-se bastante, devido aos desempenhos e ações de alguns personagens.

Para esse facto muito tem contribuído Duarte. Ao fazer-se passar por Doutor Alvarez de Castro, roubando-lhe a identidade em dois momentos da narrativa, cria situações problemáticas a várias personagens, nomeadamente ao próprio roubado.

 

A partir da certidão de nascimento do filho de Alicia e Cristobal, e que se chamava Martiño, mas que só agora o pai teve conhecimento, conseguiu que este se desentendesse com Rosália. Lembramos que Duarte soube do segredo de Alicia, quando a ouviu em confissão, como se de clérigo se tratasse. Pelo que a sua ida à paróquia de Santa Susana, a falar com Padre Manuel, já fazia parte dum plano….

Cristobal, na posse dessa certidão, confrontou Alicia sobre o facto de ter sido ela que a obtivera e colocara no quarto de Rosália.

Aquela completamente desconhecedora do facto, negou e supos ter sido Dona Úrsula que diligenciara nesse sentido e, sem mais delongas, a ela se dirigiu e, no calor da discussão, logo a ameaçou de dar a conhecer a situação desta com os Dominicanos, pois juntamente com Duarte haviam lido a carta que a Enfermeira Mor lhes enviara.

Foi como dar-lhe veneno a beber! Nunca víramos Dona Úrsula tão exaltada, tão fora de si, tão extravasada de emoções, que quase matou a jovem. O assunto em causa é sobre algo que mexe completamente com ela, no mais profundo do seu ser, ao ponto de ter deixado a sua postura seráfica, estátua ausente de sentimentos, que se move nos corredores e enfermarias, entre doentes, como se visitasse museu de cera…

Atirou ao rosto de Alicia tudo o que haviam feito por ela, que a haviam tirado da rua onde vivia e se entregava por um naco de pão. Que voltaria à rua, de onde nunca houvera de ter saído, que seria expulsa do Hospital, logo que o Administrador resolvesse abrir os portões.

O que logo que aconteceu, foi vê-la carregando a sua trouxa, com os seus pertences, na direção do portão de saída, sem lugar ou rumo a seguir, sem eira nem beira, nem dinheiro que Cristobal lhe quisera oferecer, que não queria esmolas e o dinheiro já viera alguns anos atrasado.

 

Dona Úrsula, torre preta, foi confrontada pelo Inquisidor, Dom Gaspar Somoza, bispo preto, que também quer depor o rei branco, pelo facto de ter na sua posse o original do tão célebre testamento do Padre Damião, que bastantes voltas já terá dado no túmulo, quantas o testamento tem volteado nos episódios. Que Somoza já encostara Dona Elvira à parede, que isto de um bispo querer ser Rei tem que se lhe diga. Que Dona Elvira fora a mão executora e Dona Úrsula a mão indutora do crime, pois mexer com a Santa Inquisição tem muito que se lhe diga e termos técnicos próprios de designação dos crimes. E, à partida, bastava ser suspeito. Era-se desde logo criminoso e, sendo ou não sendo, havia sempre maneira de o provar, para isso havia os suplícios. E não havia crime sem castigo e mesmo sem crime sempre se arranjava castigo. Que o dissesse o Padre Bernardo, que nada fizera, só não revelara um segredo de confissão.

 

E já que falamos de Padre Bernardo, que no tabuleiro poderia ser visto como bispo branco, mas agora de pouco valia porque decidia como preto, condicionado a Somoza… Ou seria antes um peão?

E o Padre Damião, enquanto vivo, não teria sido o bispo branco? Não esqueçamos, que na narrativa, o Arcebispo só apareceu mais tarde! Bispo branco que também foi comido, nas jogadas de poder do rei preto, assassinado pelo peão Duarte.

 

E ainda sobre Bernardo… Foi ele portador da carta de Aníbal, paciente que falecera no Hospital e que, no leito de morte, escrevera a célebre carta dirigida ao Doutor Sebastian Devesa, que erradamente fora parar às mãos de Úrsula, que a entregou a Somoza, para incriminar o Padre. E que o levou à prisão de que, há pouco, saíra.

E saíra e trouxera uma cópia dos ditos da dita carta, que ele transcrevera de memória, com a sua própria letra, pois que Somoza lhe dera o original a ler, para que lendo ele dissesse a quem ela se destinava na verdade. Só que ele não lhe revelara o nome proscrito, embora soubesse quem era, porque o ouvira em confissão, na qual se escudava para manter o segredo. Pagando com isso os costados na prisão. Que ele além de Homem de Honra era ungido e juramentado de Sacerdote.

E entregando a cópia dessa famigerada carta a Doutor Devesa e deixando-o a sós na Igreja, para que este a lesse para si próprio, este a leu alto, para que também ouvíssemos as palavras que nela estavam escritas, com o punho de Bernardo, pois também estávamos curiosos. E para que passados mais de dois séculos, pudéssemos também ajuizar da gravidade ou não de tão afamadas palavras, capazes de levar um Homem à prisão, condenação antecipada e fogueira do Santo Ofício.

Pois ouvida a leitura da carta, mas não retidas todas as frases, porque a memória nos atraiçoa, mas nos recordamos que genericamente continha só e apenas palavras formando frases bonitas, de um Amigo para outro Amigo, expressando-lhe o seu sentimento de Amizade, uma amizade mais forte e apegada, de que se subentendia o Amor.

E lendo, Doutor Devesa chorou. E das frases ditas me lembro de uma “… Uma vida arrebatada pela incompreensão…”

E, será pecado amar Alguém?! O próprio Jesus o disse dirigindo-se aos seus Apóstolos. “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!”

 

E sobre Doutor Sebastian Devesa, nos quedamos por aqui. Que ele anda atarefadíssimo nas suas funções de médico do Hospital Real de Santiago de Compostela, aonde chegaram dezenas de estropiados e feridos, moribundos e mortos, queimados vivos, tal qual ele teria sido se tivesse sido denunciado por Padre Bernardo. Provenientes da explosão havida no armazém de pólvora seca da Cidade Compostelana.

Não lhe bastariam já os doentes do mal que desconheciam o nome, bem como a cura, que é isso que o médico precisa saber; mas que inoculando transfusões de sangue da ama primeiramente atingida pela doença, constataram que nem todos morreram, alguns sobreviviam, que Doutor Daniel já lhe dissera. O que não sendo, per si e desde logo, conclusiva esta constatação, nos mostrava haver já algum avanço na Medicina e na Ciência, que aos poucos progrediam.

 

E permanecendo no Hospital e na enfermaria, cheia de doentes, olhamos agora para a nossa querida Olalla, a mocinha e heroína da história, aflitíssima com tanta gente precisando de ajuda, que as enfermeiras não tinham mãos a medir.

De entre a muita gente que chegava ao Hospital, nem todos eram feridos, também vinham familiares procurando por eventuais doentes seus e veio também o Capitão Ulloa, que não chegara a ir para a frente do Rossilhão, porque ficara na busca dos rebeldes de Laurier, que haviam despoletado a explosão, que eles isso mesmo comunicaram através de um bilhete, não foi por vídeo, que ainda não havia essa tecnologia, mas, pelos vistos, também conheciam os métodos de guerra psicológica.

E o Capitão também veio, para também ver a mocinha, por quem também era apaixonado, que para a heroína nunca faltam candidatos a heróis, mas também viera para lhe dizer que, entre os feridos com gravidade, estaria o seu irmão Breixo, que fora encontrado no próprio local da explosão.

E entre palavras e ações, a tranquilização de Dom Andrés para Olalla, de que fariam todos os possíveis por ele e ela que fosse para junto do irmão, que o ajudasse, lhe dissesse tudo o que havia para dizer, palavras também de Ulloa, pois supostamente Breixo iria morrer.

 

E nesta confusão de palavras e sentimentos, de atos e ações, não posso deixar de realçar uma sugestão de Padre Bernardo, sobre a forma de operacionalizar o modo de lidar e gerir o tratamento dos feridos.

E, como?! Colocando uma fitinha colorida em cada um dos doentes, de acordo com o respetivo grau de gravidade. O designado “Método de triagem de Manchester”, antes de tempo. Que era um dos méritos do Hospital, antecipar-se ao progresso e avançar cientificamente!

 

E Olalla foi para junto de uma cama onde estava um doente quase totalmente queimado, rosto irreconhecível, tapado por ligaduras, e supostamente seu irmão Breixo, a ele se dirigiu, o consolou, lhe disse o que achou ser importante dizer nessa hora atormentada e aí se deixou ficar, chorando.

Posteriormente, já mais consolada, por acaso, encontrou o seu amado Daniel, que o Destino assim quer e como haveria de ser se trabalham no mesmo Hospital, que não é nenhum Santa Maria ou São João, pois haveria de ser, se isto se passou há mais de duzentos anos!?

E Daniel não perdeu tempo e lhe disse que a amava e se beijaram, quando a sua esposa, Clara, chegou e os viu, ficando enraivecida, chamando mosca morta a Olalla e foi quando ela disse ao marido, Daniel, que ele iria ser pai. Mas isto já contei anteriormente e não volto a esse Caminho!

E terá sido também daí que ficou com raiva a Olalla e, quando esta estaria descansada no muro da escadaria, a empurrou e ela caiu no lajedo e Duarte lhe foi pegar, levando-a.

Aparentemente morta, mas eu estou em crer que não, pois assim se fecharia uma porta importante no enredo, pois como me referiram num comentário, com os protagonistas mortos, a série perderia completamente o interesse. O que é inteiramente verdade.

Mas eu estou convicto que nenhum deles morreu. Os guionistas apenas nos quiseram induzir nessa sugestão.

E, mesmo agora, li outro comentário em que me dão conhecimento que a 2ª temporada vai estrear na Galiza no Outono e que os protagonistas não terão morrido.

Pois é mesmo assim que eu também acho, que os guionistas devem dar seguimento à Série e ouvir ou ler o que dizem os “fazedores de opinião” das redes sociais.

E Muito Obrigado a quem tem a paciência de ler o que escrevo e ainda comentar!

 

E com este remate, proponho-me findar este comentário enviesado, mas sem antes também lembrar que não valia a pena tanto desconsolo de Olalla, porque o seu irmão, Breixo, supostamente quase morto na explosão, afinal não morreu, que nós o vimos posteriormente na Cidade. E mais uma vez o Destino teceu a sua teia na narrativa, e fez com que ele se cruzasse, melhor dizendo, esbarrasse com o Alcaide Mendonza, que o vinha procurando insistentemente, que isto como se diz, “quem procura, acha”, só que Mendonza procurando e achando, afinal não achou e mesmo dando um encontrão em Breixo, não o encontrou.

Porque Mendonza, agora, também era procurado, porque os homens do Arcebispo, procurando na sua casa, encontraram, acharam a máscara do assassino, em Série, “serial-killer”!

 Ver também, S.F.F. Parte I aqui e Parte II aqui

E aguardemos a próxima temporada da Série!

Afonso III de Fonseca in wikipedia.jpg

 Afonso III de Fonseca está pensativo sobre se há-de ou não apoiar, enquanto mecenas, a continuação da Série.

 Nota Final: A imagem inicial representa São Tiago, na fachada principal da Catedral. In Andarilho de Andanhos. Cortesia de Tamara Junior

“Hospital Real” – 14º Episódio Television de Galicia

Série da RTP2

5ª Feira 17/09/15

El Tres de Mayo, de Francisco Goya from Prado Muse

 

Ainda sobre o 13º Episódio,

 

Que um ponto ficou por esclarecer. Continuando a contar este conto, e aplicando o ditado, sempre acrescentando algum ponto!

 

E talvez seja bom começar, recomeçando sobre a personagem que designei de “noviça de freira”, que me foi esclarecido através de comentário, nomear-se esta categoria ou função, de “postulante” e agora me lembro de ouvir esta designação. E que o seu nome é Alicia.

Assim esclarecidos e feita a devida constatação, cabe-nos agradecer a quem tem a amabilidade de nos ler e ainda corrigir, quando é necessário. Obrigado!

Mas já que estamos na “postulante”, personagem sobre quem só falámos no texto anterior, referindo ser ela uma pessoa doce, também sofrida e humilhada, com um caso mal resolvido com o boticário, de que ela tinha uma péssima recordação. No episódio treze dispôs-se a confessar-se, não sei o que disse, que é segredo, mas pelos vistos parece-me que se confessou, mas com Duarte no confessionário! Este Duarte é melhor que a encomenda! Não sei até onde vai esta personagem…

Também se propôs falar a Rosália do mau caráter do boticário, pedindo a opinião da enfermeira mor, que anuiu. Mas não chegou a fazê-lo, pois que ao observar o derriço de Cristobal para com a enfermeira Rosália, tendo-se aquele revelado com uma postura e comportamento diferente do que lhe conhecia, não teve coragem de intervir e portanto não falou nada!

Personagem sofrida e sofredora, usada pela Enfermeira Mor, vítima constante de bullying (conceito desconhecido à época), mas por vezes revoltando-se pelas ações que ela lhe impõe, embora maioritariamente cedendo às chantagens e ameaças a que a “Dragão” a sujeita.

 

E, agora já no Episódio catorze, cheio de peripécias…

 

Alicia confessara-se mesmo a Duarte, ficando ele a saber o seu segredo.

E, conhecendo-o, tratou de o usar a seu favor.

Disfarçado e apresentando-se como Doutor Alvarez de Castro e expressando-se oral e corretamente, pediu a Padre Manuel, Pároco de Santa Susana, para consultar os registos do Hospital. E para quê?!

Ele próprio foi um enjeitado, recolhido pelo Hospital, quando Irmã Úrsula nele deu entrada, há trinta anos. Teria ele cerca de oito.

Isto soubemos porque Dom Cristobal por ele e pelas suas origens indagou à Enfermeira Mor. Que solícita e prestável, à sua maneira e para o que lhe convém, neste caso ter Duarte na mão, o avisou de que o Boticário andava querendo saber coisas dele.

Os entremeses entre o que escrevemos antes e o que escreveremos a seguir, desconhecemos, que nos filmes nunca mostram tudo, mas também temos a cabeça para pensar…

E o que se passou a seguir é que no quarto da menina enfermeira Rosália apareceu uma carta que era um registo de nascimento de uma criança, nascida em 1790, filho de Alicia Bermudez, solteira e de pai desconhecido… não sabemos como a carta lá foi parar, mas deduzimos, não acha?!

E está tudo dito e explicada a tristeza de Alicia e porque tanto se agarra às crianças e chora com o seu infortúnio e as suas desavenças com Cristobal e porque o considera tão mau caráter e porque queria avisar Rosália.

Rosália que ao tomar conhecimento deste assunto logo tratou de se ir embora do Hospital, abandonar a profissão, agora até com salário, para não mais ver esse mau caráter.

Só que não pôde, porque os portões do Hospital estavam fechados por ordem do Administrador, por razões de que falaremos, quando terminar este excerto, respeitante à enfermeira, monja postulante, de nome Alicia, de quem agora até já sabemos o sobrenome, personagem doce, meiga, sofrida e sofredora, de que pouco falara em capítulos anteriores.

 

 

E vamos ainda aos entretantos…

 

Quando nos dispomos a visualizar uma série, apelativa como esta e com personagens tão cativantes, agindo num contexto como o daquela época tão exacerbada de paixões, com contrastes tão marcantes sob variados aspetos, é difícil não nos enredarmos, não tomarmos posição, gostarmos de uns e detestarmos outros. Tomarmos partido, em suma.

E, neste posicionamento, pretendermos que a história siga este ou aquele rumo, castigarmos esta ou aquele personagem e premiar esse outro ou estoutra.

Só que não somos guionistas da série e estes é que determinam o Caminho da história, o percurso das personagens. Que nem sempre é do nosso agrado, nem corresponde às nossas previsões, motivações e simpatias.

 

E vamos lá saber porque os portões do Hospital estão fechados…

 

Seria devido à doença misteriosa que nele grassa, que tanto apoquenta médicos e enfermeiras, que tanto trabalho lhes dá, tanto desassossega o Administrador e tanto aflige, inquieta e perturba Alicia? Que só deixa indiferente a Enfermeira Mor, alma de gelo, coração de pedra?

 

Não, embora por vezes pudesse funcionar a quarentena!

 

À série chegou, por pouco tempo é certo, um novo interveniente, Breixo Tabuada, irmão da nossa estimada Olalla, podemos manifestar-lhe a nossa simpatia, pois quase unanimemente goza desse privilégio no Hospital, com exceção de quem nós sabemos!

Com ele chegaram também, declaradamente, os Ideais da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade, Fraternidade! Já havia simpatias por essa Causa, é certo, mais acentuadas em Dona Irene, com uma práxis toda para aí virada; menos acentuadamente em Dom Daniel, que até estudou em França!

Mas manifestar simpatias por esses princípios, para mais ainda atuar em conformidade, distribuindo panfletos nessa onda e contra a Guerra, quando a Espanha estava em guerra com a França, era pedir o direito à forca!

E era precisamente disso que Breixo fugia e que foi para Santiago, também para ver a irmã querida, mas ainda e prioritariamente para não sentir o nó apertar-se na corda ao pescoço. Pediu guarida à irmã, que não teve melhor ideia que levá-lo à mercearia de Dona Irene que, em consideração por Olalla, lhe deu asilo por uma noite.

Cedência de asilo que lhe irá custar muito caro, a si própria e aos que lhe são mais queridos.

Isto porque o Alcaide, que está ufano na mó de cima, à sua loja enviou, na manhã seguinte, uma patrulha para revistar a casa e apanhar o fugitivo. Na confusão e refrega que se seguiu, Dona Irene, num gesto espontâneo, embora irrefletido, puxou de uma tesoura e espetou-a no ajudante do oficial de justiça.

Ainda o levaram para o Hospital, Dona Irene, Breixo, também o Oficial. Não chamaram o INEM, que ainda não havia, nem sistema ambulatório. Os nossos médicos, nossos pela simpatia que lhes temos, os cirurgiões, de tudo fizeram para o salvar, tentaram estancar a hemorragia, o sangue escorria como em açougue, impressionando quem fosse de impressionar. Mas apesar de todos os esforços dos médicos, que também são cientistas dedicados à investigação, e embora todas as suas tentativas, o ajudante de oficial de justiça morreu.

Morrendo de morte assim, Dona Irene era uma assassina. Para além de também ter dado asilo a um desterrado e fugido à Justiça. Nesses tempos de guerra ou em quaisquer outros dessa época já se sabe qual seria o veredicto.

Estando no Hospital Real, com jurisdição própria, autonomia nesse e noutros campos, daí tão cobiçada a respetiva Administração, podia aí ficar com autorização do Administrador, com capacidade e poder de justiça civil, dentro do espaço territorial do Hospital.

E ele, também irrefletidamente (?), a essa atitude se prestou, nem que fosse para poder ficar um pouco mais com a Mulher que admira, mas também ama e que, finalmente, talvez sentindo o tempo escapar-lhe, a beijou. Em fundo, a música que, julgo eu, seriam variações sobre o tema “Concerto de Aranjuez”… Seria?

E, para proteger Dona Irene e impedir a entrada dos soldados do Alcaide, mandou fechar os portões do Hospital, não entrando nem saindo ninguém.

E assim se explica porque a menina Rosália não se pôde ir embora para a sua santa terrinha.

 

E, com este gesto, também o Administrador, Dom Andrés, aperta mais a corda que vai tendo ao pescoço, como já o Alcaide lhe fizera lembrar antes destes acontecimentos. Agora, e depois de tudo o que aconteceu, o que ocorrerá?! Esperemos o 15º Episódio. O último?!

 

E, voltando aos entretantos, e ao que vai acontecendo aos personagens. Vemos os que são execráveis, surfarem as ondas na maior e os que gozam das nossas simpatias serem maltratados. Será que os guionistas vão manter as coisas neste pé?! Ou vão ceder às pressões das audiências e das redes sociais, como nas novelas brasileiras? Aguardemos!

 

Vermos o Padre Bernardo nos calaboiços da Inquisição… Valeu-lhe, todavia, a intervenção do Arcebispo, Malvar de nome, que condicionou o Inquisidor a requisitar um médico, para o atender. Pronta e solicitamente, Doutor Devesa o foi auscultar e medicar, aconselhando-o a comer e a dizer a tudo que sim, ao que Somoza lhe pedisse, para ser libertado. Que, se não o fizesse, seria ele próprio, Sebastian Devesa, que divulgaria que a carta na posse do Inquisidor, a ele, Doutor Devesa, era dirigida.

E nós que gostaríamos de conhecer o conteúdo exato da célebre carta.

 

Vermos Clara num exercício de auto flagelação psicológica, a embebedar-se, toda desgrenhada e a ouvir a sogra, aparentemente contrita e com remorsos (?) dizer-lhe que para perpetuar a linhagem o apelido é mais importante que o sangue.

“Como é possível que consinta e apoie que eu engane o seu próprio filho e na sua própria casa?!”

 

E o marido, Doutor Daniel, substituído enquanto marido e como médico, sem ter conhecimento de nada.

Contudo, e enquanto Médico, o Doutor Alvarez de Castro, juntamente com Doutor Devesa, está a desempenhar o seu papel. Juntos, e sempre utilizando a metodologia científica, por deduções, a partir de hipóteses, foram construindo uma tese de que aguardam confirmação experimental no próprio ser humano.

Deduziram que é no sangue da ama-de-leite que está a explicação para o facto de o próprio filho não ser portador da doença misteriosa. Que esse facto não será apenas uma casualidade, mas antes a respetiva causalidade.

E, daí, inocularam sangue dessa paciente na outra doente também infetada e posteriormente nos bebés, para supostamente os defenderem da doença, imunizando-os. Ignoro se esta palavra já seria utilizada, ou se foram eles, enquanto cientistas, que descobriram o conceito e criaram a palavra, após saberem os resultados da experiência, que espero sejam positivos.

E esta experimentação, que não foi assim tão linear e simplista conforme a descrevo, foi decorrendo enquanto ocorriam muitas das peripécias já relatadas, até anteriormente a algumas delas, ou simultaneamente a outras.

Que esta narração ao que se desenrola nos episódios nem sempre é, nem pretende ser, exata e rigorosamente fidedigna. Me desculpem por tal!

 

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E ficamos por aqui, pela Ciência, que deu um salto qualitativo muito grande nesse final de século, conforme nos é mostrado no Hospital, que seria muito avançado para a época.

Até já têm microscópio, imagine-se! Para além de toda a experimentação e investigação que desenvolvem. E têm um corpo excelente de profissionais empenhados, os médicos, as enfermeiras, o boticário e o administrador, que tendo que dar aval a tudo quanto se passa, se revela moderno e esclarecido. Imagine-se que seria alguma das outras trempes a comandar o Hospital!

 

Bem, então até logo, no décimo quinto episódio!

 

 

 

 

 

 

“Hospital Real” – 10º Episódio

Série RTP2

6ª Feira - 11 de Setembro de 2015

 

E vamos de abordagem ao décimo episódio, ontem apresentado.

 

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Não tendo morrido Dona Clara, será que ressuscitou?

 

E, mais uma vez, se colocam em confronto, perspetivas contraditórias próprias de uma sociedade à beira de grandes transformações.

 

O lado científico, positivista, afirmava que teria havido uma sobredosagem de estramónio, tomado por iniciativa da própria paciente, mas que nós sabemos ter sido obra da malvada bruxa, encarnada de “Dragão”, disfarçada de monja.

Propunham-se comprová-lo, experimentando com uma rã, o que fizeram, confirmando a hipótese formulada e afirmando a tese de que a dose excessiva do medicamento provocou o pretenso estado de morte, aparente, e o subsequente despertar, após passar o efeito do mesmo.

Estavam deste lado da barricada os médicos, o boticário e o administrador.

 

Do outro lado, uma perspetiva metafísica, suportada pelos clérigos, afirmando ter sido uma Ressurreição. Mas com opiniões contrárias. O capelão, que fora Obra Divina, o inquisidor, que fora ação do Demo, querendo partir para exorcismo!

 

Valeu a chegada inesperada, mas providencial, do Arcebispo Malvar, que afirmou diretamente para o Administrador que “ Na recuperação de sua filha, não esteve o demónio, mas Deus!” e, deste modo, encerrando uma questão, que sendo experimental e científica, se tornara teológica e perigosa de discutir, porque ideologicamente contrária à vontade e desejo do Inquisidor, tornando-se motivo de heresia, com as consequências inquisitoriais da época.

Arcebispo que, publicamente, não se coibiu de afirmar a sua Amizade para com o Administrador, apesar de se verem pouco.

 

O Inquisidor, literalmente, “meteu o rabo entre as pernas”, desculpe-se-me a expressão e foi congeminar intrigas para corredores e esconsos do Hospital.

Aproveita-se da sinceridade ingénua do Capelão, que lhe entrega o original do testamento do Padre Damião, confirmando que houve troca fraudulenta do mesmo; e coloca em "xeque" o “Dragão”, Dona Úrsula, confrontando-a com o facto de ela ser, por isso, responsável e exige-lhe, em troca do seu silêncio, que ela diligencie no sentido de o Capelão ser expulso do Hospital, invocando que é Jesuíta, sendo que ele mesmo também o é.

Duas cobras-cascaveis em confronto, quem vencerá?

 

A Enfermeira Mor sempre a bisbilhotar tudo quanto se passa na Instituição, arrastando, silenciosa, o hábito, que a cobre e protege, as mãos que tantos crimes cometem, sempre escondidas, mas prontas a esconder, nesse mesmo manto encobridor, qualquer objeto que possa incriminar outros indefesos, desde um simples botão, achado em local inusitado, a uma carta possivelmente comprometedora.

 

E, a propósito de cartas, lembramos que, no nono episódio, Dom Andrés recebeu uma anónima, em que se afirmava “Conheço o teu segredo.”

E, no episódio de ontem, décimo, a empregada Flora, que trata da sua mulher, cujo nome ainda não fixei, entregou-lhe outra, quando ele foi visitar a esposa, que andara desaparecida, que supostamente regressou sozinha, mas nós sabemos que foi a bruxa má que a levou e que até bebericou um chazinho e papou, regalada, uns bolinhos, que ela é gulosa como a sua parenta da célebre história, que queria papar os meninos, na casinha de chocolate.

E nessa carta o que dizia?!

Que ele deveria ir depositar mil cruzados na Fonte de São Pedro, não sei se aí haveria alguma caixa de multibanco, nem se ela teria dado o IBAN, mas as chantagens já eram comuns na época!

Para que o seu segredo fosse guardado.

 

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E a narrativa vai neste ponto. E São Tiago observa e vela para que tudo se estruture bem no respetivo Caminho! 

 

Mas quando idealizei este post, pensei estrutura-lo de outro modo. Mas a narrativa toma conta de mim e leva-me por outros caminhos, que por vezes são atalhos.

 

Inicialmente projetara falar de Amor, Amizade e Morte! Mas comecei por Ressureição e daí o narrador foi seguindo ao sabor da narração.

 

De Morte que compõe e estrutura todo o enredo, seja provocada ou natural, que tanto assusta o novel médico, porque é suposto que a Medicina ajude a salvar quem precisa, mas que está sempre rodeada pela presença da imagem do segador de gadanha, ceifando a Vida.

Morte que, pelos vistos, também atemoriza o médico experiente, como é Doutor Devesa, que também soçobra perante a iminência da sua chegada junto de um Amigo de longa data, mas de prolongada ausência e afastamento, e que chegou ao Hospital, na esperança que o Amigo Sebastian o ajudasse a salvar-se. Este, consciente da sua impotência e incapaz de enfrentar a situação, refugia-se no álcool, percorre as tabernas da Cidade Santa, à procura de Baco e é achado por Duarte, essa figura providencial, para o Mal, mas também para o Bem, que o carrega de volta para o seu mester, a mando de Doutor Daniel, que foi incumbido de informar o paciente da irreversibilidade da chegada, dolorosa, da Dona Morte!

 

Da Morte, cujas novas também vêm por carta (agora chegam de SMS), mas foi por carta que o Intendente informou o Administrador que o soldado Salcedo fora enforcado nessa manhã. E também assim se soube que o Capitão Ulloa seria sujeito a castigo por ter participado na fuga do soldado e sorte tiveram as enfermeiras novatas de não serem também castigadas.

E o Capitão foi sujeito ao suplício das basquetas, passando entre duas filas de soldados, sendo que cada um deles o sovou nas costas com uma bastonada. Livrou-se da forca, que bem poderia ter acontecido. O facto de o Intendente ser seu tio terá tido alguma influência?

 

E cumprido o castigo, ficou o Capitão com as costas em chaga, para que a enfermeira Olalla lhe fizesse o curativo. E aqui falamos também de Amizade!

Mas ao falarmos de Olalla também falamos de Amor!

Do Amor que a une a Daniel, mas que agora convencionam ser Amizade, porque ele é casado com Clara, que sendo morta foi ressuscitada.

“Seremos Amigos, os melhores que há!”, lhe disse ela, ingénua, mas sensata, que foi o que lhe valeu, a sua sensatez! Se não, o que não valeria um simples botão encontrado em local inusitado?

E, por causa de um simples botão, foi sujeita a prova de fogo, humilhada pela bruxa má, à procura da integridade do seu botão de rosa!

E de Amor, também nomeamos o da enfermeira Rosália e do boticário Cristobal, apatetado é certo, mas confirmado, que nem foi precisa a intervenção cruel, cínica e despótica do “Dragão”, sempre pronta a humilhar os mais fracos.

 

E, de Amizade, também falamos da que une Dona Irene e Dom Andrés, que até se poderia transformar em Amor, até cheguei a supor que isso aconteceria, mas não pode, que a esposa ainda é viva e ele por ela demonstra muito carinho e também Amor. Pena que esteja louca!

 

E também de Amor e Paixão falamos dos sentimentos que unem Ulloa e Rebeca.

 

E de Amizade, embora já velha, também falamos da que unia Doutor Sebastian Devesa ao doente à beira da morte. Moribundo, que redigiu uma carta dirigida ao seu Amigo, mas que, desencaminhada, foi parar às mãos da bruxa má, sempre ela, que a guardou no regaço e logo que pode, abriu e ficou a conhecer o que nela estava escrito.

Alguma confissão, um hipotético segredo, que ela usará como melhor lhe convier! Ou não fosse ela uma das grandes condutoras dos trilhos do enredo da série.

 

Também podemos designar como Amizade o sentimento que Duarte nutre por Ollala e que vai manifestando por gestos simples, mas carinhosos, ao longo da trama. Ontem, após ela ter sido sujeita à humilhante e cruel prova de fogo, arrefecendo ao relento nos claustros, chegou este e colocou-lhe o seu casaco nos ombros.

 

Também podemos informar que Dona Irene, afinal, não está grávida. Na consulta com Doutor Daniel, este deu-lhe conhecimento que ela tinha um pólipo, que lhe seria extraído através de uma pequena operação.

À data, já seria possível realizar tal operação?! Não sei, foi o que foi verbalizado pelo médico, ele é que sabe…

 

E voltando ao início deste, já longo texto, de que se vive uma época de grandes transformações, de que eles próprios se apercebem, como referem os nossos protagonistas, o par romântico.

“Vivemos tempos extraordinários. Os reis perdem a cabeça. As moças da aldeia são enfermeiras no Hospital Real. Os mortos ressuscitam!”

Hospital Real” – 9º Episódio

Série da RTP2

5ª Feira, 10 de Setembro

 

Prólogo

 

Antes de escrevinhar alguns comentários sobre o nono episódio, devo, antes de tudo o mais, enquadrar algumas palavras neste breve prólogo.

Prologuemos então.

Estimado/a leitor/a,

Quero agradecer-lhe a amabilidade em visitar este blogue, a gentileza em percorrer os posts que nele vou colocando. As suas leituras muito têm contribuído para que as visitas e visualizações deste “canal de comunicação” tenham crescido substancialmente. Relativamente ao contexto em que se insere, claro!

Espero que aprecie os textos, que se divirta e que tire algum proveito dos mesmos.

Não tenho qualquer pretensão com o que escrevo. Apenas transmitir algumas opiniões, tecer uns breves comentários. E, sinceramente, desenvolvo esta atividade com gosto e por gosto! Sabendo que há quem leia, ainda me dá maior satisfação.

Pois continue lendo. Desejo que ganhe gosto a estas leituras. E que continue vendo a série.

E o meu sincero muito obrigado!

 

in thegypsynomads.com catedral santiago.jpg

 

Desenvolvimento

 

E prossigamos, então, para alguns comentários sobre a Série e o Episódio 9, de 5ª feira.

 

O desenrolar desta série não deixa de nos surpreender. Quando julgamos que vai terminar e o enredo se vai desenrolar, lá aparece outro nó na trama.

Ontem equivoquei-me, pois na 4ª feira vira mal a programação e supusera que na 5ª feira, ontem, haveria dois episódios e deste modo finalizariam a série. Erro meu… e o meu pedido de desculpas.

 

Que eu já estou ansioso não que ela termine, que as temáticas nos prendem ao enredo, mas por saber o final.

Se fosse livro, já o tinha lido todo. Como quando leio determinados romances, como já referi em post anterior, no respeitante a Jorge Amado.

 

Mas esta pequena novela tem algumas características que no-la tornam muito apelativa.

À partida é uma série histórica, pelo que se me torna desde logo e, à priori, apetecível. E, neste aspeto, é impecável, reconstituição exemplar do tempo histórico a que se reporta. Inclusive com o cuidado de nos ir situando nos momentos cruciais. Ontem, soubemos que a Espanha já estava em guerra com a França. Guerra de que já falámos em post anterior. Logo, a ação que ocorria nos primeiros meses de 1793, já foi também precisado o mês de Fevereiro, agora estará a processar-se na 2ª quinzena de Abril de 1793.

Num cenário de Guerra, o que altera completamente as vivências e o quotidiano das personagens. O Hospital já reuniu o respetivo Conselho, na sequência do conhecimento que o Administrador teve dessa declaração de Guerra, por meio de carta enviada diretamente do Rei, através de um emissário militar.

Militares que agora passam a ter um papel mais importante na narrativa, para além do que já desempenhava o nosso célebre Capitão, mas o desempenho deste, até agora, resumira-se apenas a outras lutas, que não as militares, nomeadamente o ferimento que o levara ao Hospital, nada teve a ver com Guerras. Só as de alcova.

 

E abrimos já duas vias neste pequeno excerto: falámos do Conselho e do papel dos Militares na narrativa…

 

No concernente ao Conselho, presenciámos a respetiva constituição: além do Administrador, o Cirurgião Mor, o Capelão Mor, Dona Irene e o Inquisidor e a Enfermeira Mor.

Surpreendeu-me não ter visto o Alcaide. Não pertencerá? A sua função será outra? Ou terá ido buscar o dinheiro do desfalque que fez?! Pois, sinceramente não sei!

Os jogos de Poder decorreram em cenas de momentos seguintes, nos corredores e meandros do Hospital.

O Inquisidor pressiona o Capelão, situando-o na sua verdadeira missão ali: agir no sentido de que o Inquisidor venha a ser o Administrador!

Por sua vez, faz um jogo tático com Dona Úrsula… é um verdadeiro jogador de xadrez, cerebral, no xadrez e campo de luta da política hospitalar.

 

Don Manuel de Godoy in lavozdegalicia.es.jpg

 

E tomando o rumo dos Militares… Quem foi para o xadrez, por enquanto apenas no Hospital, foi um soldado, cuja arma se disparou ou que ele fez disparar na mão esquerda. Em tempo de Guerra, tal procedimento, quando propositado, tem sentença de morte: a forca.

Que será, provavelmente o destino do imprudente soldado, que na ânsia de perder dois dedos com o disparo, com medo a perder a vida com os disparos na Guerra, acabará, provavelmente, por se finar, mas numa morte considerada desonrosa para si e família.

Foi submetido a julgamento, no próprio Hospital, que é autónomo jurisdicionalmente no respetivo espaço e contexto institucional. O Administrador considerou não haver provas suficientes de que o jovem militar agira propositadamente, mas o Oficial Militar, presente como membro do Júri, teve opinião contrária.

Pelo que o rapaz será condenado à forca, após estar curado.

 

“Então vamos mandá-lo para a morte depois de o termos curado?!” Interrogou a nossa mocinha, enfermeira ingénua, Olalla.

E fica esta questão como ponto de reflexão sobre a Guerra, sobre o sentido de todas as Guerras.

 

E pegando na deixa, Olalla… esta e o seu amado já avançaram bastante, no seu próprio quarto, no que de Amor se trata, mas por enquanto ainda se ficaram apenas por preliminares, valeu-lhe a sua própria sensatez! Que ela é uma verdadeira mocinha!

Já o seu amado, Daniel, o herói, resolveu armar-se em cow-boy e teve honras de abertura deste nono episódio, numa cena de pugilato, numa taberna dos subterrâneos de Santiago, para onde fora levado por Duarte, para afogar o desgosto pela morte da, agora, sua esposa, Clara. Enraivecido pela sua impotência enquanto médico, na incapacidade de salvar uma vida, quase matou, de raiva, o seu opositor. Valeu-lhe Duarte!

“… na nossa profissão, temos que nos habituar a conviver com a Morte…”, já o alertara o Cirurgião Mor, seu mentor, quase Pai espiritual. Que também lhe lembrou a importância das suas mãos, na profissão que exerce.

 

E a narrativa direciona-nos para o assunto com que queremos finalizar… mas aguardemos ainda.

 

Voltemos ao quarto de Ollala e da sua colega Rosália, enfermeira Castelo.

O quarto agora transformado em alcova…

Pois a enfermeira Rosália, mais expedita, não se ficou apenas pelos preliminares com o seu boticário…

E se ela já andava sempre meio na lua, agora ficou totalmente de olhar vagueando no espaço sideral.

 

O boticário tem também outras evasões, quem as não tem (?), mas tenta libertar-se da sua dependência do ópio.

 

Dona Irene descobre, sim, ela tomou consciência disso a pós a consulta com Doutor Daniel, apercebe-se que está grávida.

E, imagine-se, naqueles tempos de tantos preconceitos, uma senhora da sua condição, viúva, ficar grávida…

E cumulativamente resultante de uma violação, de que apenas ela tem conhecimento e também o seu bom amigo, Dom Andrés, para além de Dona Elvira, que presenciou a cena, que ocorreu no seu palácio e na sua mesa da sala!

Imagine-se a bomba, quando se souber… Numa sociedade tão recheada de tabus, falsidades e aparências.

Aguardemos como este assunto irá ser abordado.

 

Que outro aspeto enriquecedor nesta série é a forma como vai apresentando várias temáticas, sempre num contexto de época. Há certamente um trabalho de pesquisa prévio muito relevante.

Veja-se como nos apresenta os problemas do exercício da Medicina, agora a problemática da Guerra nos seus reflexos na Sociedade…

 

E ainda sobre personagens, Dona Elvira de Santamaria e Dona Úrsula.

Já foram episodicamente aliadas, agora definitivamente inimigas. Que Dona Úrsula já avisara que sempre cobra as dívidas. Mas não sabemos quem deve mais a quem, ou quem tem mais a temer.

Duas mulheres, no mesmo tempo e espaço ficcional, pertencentes a duas Classes Sociais distintas, mas poderosas na altura, uma da Nobreza, ainda que falida, a outra do Clero Regular, cada uma usando as armas de que dispõe, sempre tecendo e enredando a narrativa, pelo lado da malvadez. Harpias, que não se limitam a profetizar, mas agem condicionando e dirigindo a narração, no sentido que pretendem: o seu benefício pessoal, o seu egoísmo, os seus apetites, a sua fome de poder e influência, a fome que se avizinha com as guerras que se aproximam. Recorrendo a táticas e estratégias diversas, mas sempre com uma metodologia comum: pisar os outros, especialmente os mais fracos e indefesos; bajular os ricos e poderosos, mas apunhalando-os pelas costas, sempre que possível.

 

E, julgo que, agora, finalmente, vamos ao cerne do episódio.

 

Enquanto todos estes acontecimentos decorriam e os que eu não relatei, porque de todo não me é possível, Clara, a jovem que padecia de doença psíquica, incurável, que sofrera um ataque de epilepsia, provavelmente provocado pela bebida de estramónio que a “Dragão”, bruxa má e malvada, lhe dera, Clara, dizia, jazia no esquife, na Capela do Hospital.

Velada pelo pai, por Dona Irene, pelo marido, Dom Daniel, não sei se por mais alguém, que não vi e nem sempre foi possível estar gente a velar o seu corpo defunto.

Enquanto todos estes acontecimentos aconteciam, se desenrolavam intrigas e conluios nos corredores, nas enfermarias os doentes padeciam, os amantes se enrolavam nos quartos e escadarias do Hospital, e nas respetivas salas se discutiam assuntos nobres e se sabia de Guerras que aconteceriam nos Pirinéus, lá para a França e na taberna galega se guerreavam dois homens enraivecidos pelo Destino, e Dona Irene desmaiava e vomitava; enquanto tudo isto acontecia, Clara Osório, permanecia imóvel no seu esquife, uma quase santa, na Capela Real do Hospital de Santiago de Compostela, na Galiza, uma das Pátrias de Espanha e  irmã de Portugal, aguardando que a Morte chegasse e a viesse buscar.

Só que a Morte tardou… Não chegou. E não a veio buscar!

E a jovem doente e que fora prometida e agora já não era, porque sendo noiva se casou… a jovem Clara, não morreu!

 

 

 

 

"Hospital Real" - Episódio 7

 

Série da RTP2

3ª Feira – 8 de Setembro

 

org.wikipedia.pt.jpg

 

E o “assalto” ao Hospital Real já se equaciona às claras, não se subentende apenas...

 

O Alcaide e os seus apaniguados, reunidos no Clube só para homens, congeminam o ataque e definem estratégias e objetivos. Tomar conta do Hospital em duas frentes.

Economicamente, através de um fornecedor de víveres, que seja da sua confiança, alguém comandado por eles e que certamente já terão escolhido. Daí o assassinato do marido de Dona Irene, e das agressões e ameaças que lhe têm sido movidas, de modo a afastá-la dessa função.

Política e administrativamente, controlarem o Conselho do Hospital através da colocação de um elemento do grupo conspirador nesse mesmo órgão de decisão da Instituição. Presumo que o Alcaide, por inerência das funções exercidas na Cidade, já faça parte desse mesmo órgão decisor.

 

Paralelamente, os elementos do Clero também planeiam, verbalizam e expõem esse mesmo objetivo. Colocar o reverendo Somoza, inquisidor, nesse mesmo Conselho, no lugar vago deixado pelo fidalgo, entretanto assassinado, pelas mesmas razões de controlo da mina de dinheiro que é o Hospital.

 

Posta a situação neste ponto, com dois candidatos, a votação para a respetiva seleção estaria empatada, segundo as contas do Inquisidor, sendo que teria que ser o Administrador do Hospital a ter o voto de desempate. Será caso para dizer que “venha o diabo e escolha!”

 

O Administrador carregando nos ombros e no rosto todo o peso e fardo institucional, segundo disse a própria comerciante, vive atormentado, não só pela gestão e administração normais em qualquer instituição, mas pelos imbróglios que nela surgiram.

Primeiro, os assassinatos em série, todos relacionados com o Hospital; as mortes por envenenamento casual de funcionários e quase envenenamento dos doentes; a descoberta de um desfalque, aparentemente realizado pelo fidalgo; o roubo do livro da contabilidade, de que este era responsável.

Para além do peso e preocupação sempre presente na filha, portadora de uma doença psíquica, para que não encontram tratamento.

E, descobriu-se no final, que afinal a esposa não está morta, mas antes vive resguardada ou enclausurada, por ser portadora também de uma doença mental, que, à época, era um anátema que estigmatizava quem quer que dela fosse portador, bem como toda a família. Daí serem estas pessoas escondidas, isoladas do convívio social, quando os familiares tinham condições económicas para tal.

O facto de a mulher ainda ser viva faz-nos agora perceber a sua recusa e hesitação em aceitar outras mulheres, situação que até a “enfermeira entontada”, amada do boticário, uma vez se lhe referiu designando-o como “trouxa”.

 

E o nosso “Dragão”, de Komodo, lhe chamaria eu, sempre fareja o que de podre existe, a carniça morta. Está empenhada em descobrir o que o administrador esconde. O que nós já sabemos e que acabámos de revelar. A respetiva esposa ainda é viva!

Nesta sua obsessão em torturar e aproveitar-se sempre dos mais fracos e desvalidos, Irmã Úrsula, sempre à frente dos acontecimentos, com o vestido de noiva de Clara, que era o da sua própria mãe, encenou uma visita desta, supostamente morta, para que, Clara, a noiva prometida, imaginasse que seria a própria mãe que a teria vindo visitar de além-túmulo, deixando-lhe o nome, Clara, escrito a sangue na parede!

Cena macabra, que a todos deixou estarrecidos, mas que ela soube muito bem controlar, sempre impávida, serena, seráfica, santa, auto beatificada já em vida.

 

Mas sempre a organizar enredos e tramas.

Tendo sido interpelada pelo facto de ter supostamente descuidado as chaves do gabinete e armário do Administrador, o que foi um facto, ela, conhecedora dos meandros em que se movimenta nos corredores do Hospital, e das personagens com que se cruza, depressa deduziu que quem lhe terá roubado as chaves, assaltado o armário e levado o livro vermelho, só poderá ter sido Duarte.

E foi este interpelado nesse sentido.

“Tu não vales nada. Ninguém sabe que existes e se desapareceres também ninguém dará pela tua falta.” E lembrou-lhe a sua condição de exposto, marcado a ferro e de que fora ela que lhe valera, quando ele vagueava sem rumo pela Cidade. “Sei que foste tu que roubaste o livro, não sei ainda porquê… Que tu és mudo, mas não és parvo. O que te vale é o teu silêncio!” Terão sido sensivelmente deste teor as palavras proferidas pela enfermeira mor, para Duarte, moço de fretes e assassino.

 

E assim este rapaz, que serviu para tudo o que lhes convinha, agora vai-se tornando um estorvo, um empecilho a eliminar.

O Alcaide também já o informou diretamente desse propósito.

E, pelo que vislumbrámos do episódio que será transmitido hoje, atuou!

 

Aguardemos pelo que irá suceder.

 

E o destino do dinheiro roubado, melhor dizendo, desviado, pelo fidalgo, Senhor de Rastavales, para onde foi destinado?!

Esta pergunta também formula a equipa de investigação, agora formada pelos dois médicos e pelo administrador. A iniciante de enfermeira já não pertence a esta equipa, muita coisa mudou no enredo, para além dos handicaps que lhe são inerentes: ser mulher, jovem, aprendiz, de profissão subalterna, como o próprio amado, Dom Daniel, lhe fez ver!

 

E outros personagens e muitas outras questões ficam em aberto…

 

E Dona Irene?!

 

E Dona Elvira de Santamaria?

 

E Dom Cristobal, o boticário?

 

E o Capitão Ulloa?!

 

E os enredos romanescos?

E o par romântico e protagonistas da série?!

 ...   ... ...

protagonistas in. mag.sapo.pt.jpg

Mas caríssimo leitor/leitora, que teve a amabilidade e paciência de chegar até aqui, situação por que lhe estou eternamente grato, se eu fosse a rever tudo seria o guionista da série, não acha? E também não quero privar-lhe o prazer de congeminar as suas próprias análises e conclusões…

Pois, visualizemos o episódio oito, que ocorrerá dentro de poucas horas.

 

P.S. – Será que esta série terá sido baseada nalgum livro já existente?

 

 

 

“Hospital Real” – Episódio 6

Série Galega na RTP2

2ª feira – 7 de Setembro

 

Santiago Arcada na Rua do Villar. In wikipedia.jpg

 

Já me pediu vários favores. E, antes ou depois, vou-lhos cobrar!”

Resposta da enfermeira-mor, irmã Úrsula, para a fidalga viúva, Dona Elvira de Santa Maria, na sequência de uma questão com que esta a interpelou.

 

Nem sei por que ponta pegue na estória, se pela enfermeira, se pela viúva.

 

Esta, a fidalga, cada vez mais enredada na história, como na sua própria vida, sempre mais nós por desatar e criando mais embaraços na sua caminhada, tropeçando, até descambar de vez. Talvez.

Mas também sem desistir, como náufraga à deriva, agarrando-se a qualquer tábua de salvação, desesperada, perdendo até a sua honra, que tanto dizia defender. Até cair nas mãos dos inimigos que ela mesma criou, caso do Capitão Ulloa. Ah! Se ela tivesse sabido que ele era homem de fortuna! Fortuna que não herdou do marido, que só lhe deixou dívidas e falsos amigos, agora cínicos e indiferentes, caso do Alcaide. Fortuna sua que ele desbaratou.

 

Mas não deixa de congeminar trapaças para atingir os seus fins, nomeadamente o hipotético dote que receberia se o filho casasse com Clara, filha de Dom Andrés, administrador do Hospital e prometida de Dom Daniel.

Nem que para isso tenha que levar uma inocente à perdição, diligenciando para que um livro de Martinho Lutero, proibido pela Inquisição, fosse encontrado entre os respetivos pertences.

 

Falamos da enfermeira Rosália, apaixonada do boticário, que perante a iminência da sua amada ir parar aos calabouços da Santa Inquisição, num ato de puro altruísmo, assumiu ele a propriedade do livro e assim foi bater com os costados nas referidas tarimbas e antros de tortura.

 

E neste papel de condutora do enredo, sempre pelo lado da malvadez, mulher algoz, temos a nossa famigerada enfermeira-chefe, o Dragão.

Sempre a manipular, a congeminar artimanhas, a atormentar inocentes e criminosos, a criar teias e tramas onde, mais cedo ou mais tarde, possa prender as suas vítimas.

 

Duarte, carrasco e vítima, assassino a mando, vai executando os golpes de mão, agora diretamente às ordens do Alcaide. Em obediência a este, roubou um “livro vermelho”, ah! Os livros vermelhos!, do escritório do Administrador. Depreende-se ser o livro da contabilidade do Hospital, função que era exercida, imagine-se, por Dom Leopoldo!

Leitura, decifração, que o administrador andava tentando e não conseguia. Tal seria a trapalhada que nele haveria…

E em que estaria incriminado o próprio fidalgo e o alcaide, que eram face e coroa da mesma moeda: a corrupção!

E, agora, o Hospital! Frisou novamente.

 

Enquanto estes imbróglios aconteciam no Hospital e outros que omiti ou ainda não falei, o nosso bom Andrés, Dom Andrés, acompanhava a nossa boa Dona Irene pelas praias da Galiza, na busca de peixe para o Hospital.

 

Quando chegou, o primeiro grande impacto foi por causa da filha. Clara, fora sujeita a um brutal tratamento de choque de água fria, em pleno Fevereiro. (Assim confirmamos com exatidão o tempo em que decorre a ação da narrativa!)

Um reputado médico, Doutor de La Cueva, assim prescrevera essa tentativa de cura através da hidroterapia, em pleno Inverno, para a doença que lhe diagnosticara: histeria nervosa.

O nosso jovem e bom médico discordou. Explicou que Doutor Pinet, afamado médico francês, propunha para estas doenças outro tipo de tratamentos: atenção e acompanhamento do paciente.

Nada da brutalidade de enfiar a rapariga numa tina, cheia de água gelada e, posteriormente, após tapar-lhe a cabeça com uma toalha de linho, despejar-lhe um balde de água gelada pela cabeça abaixo! É caso para dizer que “se não se morre do mal se morre da cura”!

Tão impressionado ficou o nosso herói, que já se ofereceu para apressar o casamento para poder dar mais atenção à sua prometida noiva! E fazer dela sua esposa e, assim, com maior probabilidade ajudá-la a curar-se! Como se pode constatar, Dom Daniel tinha grande fé no matrimónio e até já esquecia a outra sua amada, a mocinha Olalla!

Só que o pai da prometida Clara, Dom Andrés, respondeu-lhe que não.

Que o problema era o pai dele, isto é, Dom Leopoldo!

 

E assim deixamos este relato da história, esta estória muito lacunar, que temos que ir visualizar o 7º episódio! 

 

 

Episódio 4 – “Hospital Real”

E a “criatura” voltou-se contra o “criador”!

 

pt.wikipedia.org.jpg 

Duarte, o moço de fretes, penso que é esta a respetiva função institucional, “pau-para-toda-a-obra” (aparentemente!), matou o seu mandante, o fidalgo falido, Dom Leopoldo Castro, senhor de Bastavales! Assassinou-o, com requintes de malvadez e crueldade, fazendo-o  conforme este pedira que fizesse a Dona Irene e o “serial-killer” executara nos outros dois assassinatos.

Agora, diretamente às ordens do verdadeiro mandante, o Alcaide da Cidade.

E, agora, vamos para o Hospital Real!”, frisou este último.

Todo este desenrolar do enredo, sabemos nós. Que a equipa de investigação está muito parada neste aspeto. Pouco mais deduziu. Esperemos que avancem no episódio de hoje.

Também esteve muito ocupada com outras ocorrências no Hospital. O envenenamento do despenseiro, da sua mulher, a cozinheira e do respetivo cão.

Animal que permitiu, ao cirurgião-mor, descobrir a causa das mortes, através da autópsia, visto que nos humanos ela não era autorizada!

E permitiu salvar os doentes que iriam comer da mesma comida. Envenenada ou simples desajuste na conservação do peixe, o causador das mortes?!

Então este último assassinato, o de Dom Leopoldo, assoberbou completamente a equipa de investigação!

Ah, afinal, o “pau mandado” da enfermeira-chefe, Duarte, não é mudo!

Que mais surpresas nos estarão para ser reveladas por esta personagem de “serial-killer”, “homem de mão” às ordens de outros, mas que é muito mais autónomo do que o julgam?!

Ficam-nos ainda muitas deixas sobre outras personagens…

A mulher do nobre falido, com um papel cada vez mais interveniente, na estrutura narrativa e na sua própria vida.

O amante da filha, militar e sobrinho do Intendente…

O boticário e a respetiva amada por quem agora ele se começa a interessar.

O administrador do Hospital e o seu relacionamento com a fornecedora dos víveres. Relacionamento comercial, por enquanto, apenas…

E o par romântico: o novel médico e a aprendiz de enfermeira…

Mas se eu fosse a narrar todos os pormenores, perder-se-ia o interesse em formular uma opinião pessoal. Que isto de contos, como diz o ditado: “Quem conta um conto, acrescenta um ponto.” E cada um de nós tem a sua visão pessoal e personalizada. E um enfoque mais ou menos direcionado para aspetos peculiares da narrativa. E ainda bem!

Pois, então, vejamos o quinto episódio, que vai começar em breve!

 Nota Final: Pintura - "Pórtico da Glória", da Catedral de Santiago. De Jenero Pérez Villaamil, 1849. In wikipedia.

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