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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Redução da Velocidade nas Localidades!

Vigílias, marcha lenta e petição evocam hoje a memória das vítimas da estrada

Nardos no quintal. Foto Original. 2021.08.08.jpg

Interessante esta notícia.

Nardos no quintal. Foto Original. 2021.08.08.jpg

 

Andava há algum tempo para elaborar um postal sobre este assunto e estava a pensar publicá-lo por estes dias.

Todos constatamos nas mais diversas localidades, sejam elas aldeias, vilas ou cidades, o excesso de velocidade a que circulam os nossos automobilistas.

Um peão atravessar uma rua, mesmo numa passadeira, é um risco permanente.

Não há limitações de trânsito que condicionem a velocidade a que muito bom e santo automobilista, homem ou mulher, jovem ou velho, de qualquer condição, circule pelas nossas localidades.

Todos e todas correm como se não houvesse amanhã.

Às horas de ponta, de manhã ou de tarde, às horas de almoço, então “é um ver se te avias”. Anda tudo a correr em excesso de velocidade para onde quer que se vá.

A meu ver existe um método relativamente simples que condicionaria, à priori, qualquer excesso de velocidade. (Bem sei que existem sempre “os chicos-espertos”!)

Os carros novos são já todos(?!) “Carros inteligentes”! (Mais inteligentes que os donos?! Não sei!)

Dispõem de variadas funcionalidades automáticas.

Então, a meu ver, que não sou técnico, nem cientista, nem iluminado sob qualquer condição, e, admitindo que possa estar completamente errado, bastaria (?) o seguinte:

- Dotar todos os carros de um mecanismo que, perante a condição de ter de se cumprir determinado limite de velocidade, os ditos carros previamente avisariam os condutores desses limites a cumprir.

Apenas isso?! Perguntar-me-á, Caro/a Leitor/a.

Não!

Não só avisariam previamente, com a necessária antecedência, como logo que a ocorrência limitativa acontecesse, eles próprios diminuíam automaticamente a velocidade.

Tão simples assim!?

A ideia está lançada. Duvido que seja original. Certamente alguém mais iluminado/a que esta cabecinha pensadora já a terá congeminado.

Senhores e Senhoras Decisores, destas e doutras coisas, ponham-na em execução que é concretizável com toda a tecnologia atualmente existente e conhecimentos disponíveis.

Haja vontade de a executar! Que possível é.

Têm de me pagar alguma coisa por ela?! Não, que eu trabalho pro bono!

Se num futuro relativamente curto, puder atravessar passadeiras e circular com mais segurança dou-me por agradecido.

(Os carros antigos. Teriam de ser dotados com a nova tecnologia. Imaginem o impacto que tudo isto teria na indústria. E na VIDA das PESSOAS!)

Haja Saúde! E velocidade reduzida! (Menos ferocidade nas estradas e autoestradas!)

Nardos no quintal. Foto Original. 2021.08.08.jpg

Fotos?

Nardos no Quintal! Evocativos das Pessoas sinistradas em acidentes.

 

INTERSEÇÕES

INTERSECÇÕES

 

Decepados os sexos, cortadas as mãos

Desfigurados os rostos

Mutiladas…

Imóveis!

Erguiam-se as estátuas

À beira das estradas.

 

Intersetando a imagem

Cruzando o recorte das estátuas,

Velozes…

Corriam os automóveis

Imagens fugidias, impressivas,

De movimento feito tela

Sobre que arremessadas foram

                                            tintas.

 

A Memória do Tempo: as estátuas

E um tempo construindo sua memória:

- os automóveis. Auto Móveis.

Movimento opondo-se à Imobilidade.

Dois objetos se contrapondo num terceiro: o televisor.

No qual a memória foge

Como no real, em écran desfocado, redutor.

Algum dia sendo, num futuro…

Três objetos carregados de Memória

                                       entretanto perdida

Significantes do Tempo que, passado,

Unirá uma vez mais três objetos.

Destituídos da sua condição de uso

Desprovidos de utilidade.

Expostos Algures… ou abandonados

À Indiferença dos passantes

Nesta via, vida, sem finito.

 

 

 

Escrito em 1988.

Publicado no Boletim Cultural Nº 59, Ano XII, do Círculo Nacional D’Arte e Poesia, Maio 2001.

 

 

 

 

As Árvores Morrem de Pé?!

Porque se abatem as árvores, à beira das estradas?

Perguntou, inocente (ou atrevida?) a criança.

 

Porque impedem o alargamento das estradas.

Respondeu, categórico, o Presidente da Junta.

Porque os automobilistas nelas esbarram, esmagando os seus automóveis e as suas carolas nos troncos obtusos das árvores, que estacionam nos dois sentidos, não respeitando as regras de trânsito.

Sentenciou, sabedor, o Autarca Diligente.

 

Então… e a sombra? E o oxigénio?

 

E para que serve a sombra à beira das estradas?

Já ninguém anda a pé nem de carroça.

E temos toldos e guarda-sóis. Que há muitos no Hipermercado.

 

E o oxigénio compra-se em garrafas, não tarda muito.

 

E temos o ar condicionado!

 

Para que queremos árvores e natureza, se no meu Supermercado temos de tudo e é a verdadeira natureza?!

Para que precisamos de árvores, se temos tantas de plástico, perenes, sem folhas caindo, à venda no Hiper?!

Se temos tantas árvores empalhadas prontas a serem compradas para o Natal?!

Atalhou, solícito, o Dono de Uma Cadeia de Supermercados.

 

E as chatices que nos dão as árvores…

São as folhas que caem no Outono e voam por todo o lado.

E os ramos que têm que ser podados no Inverno…

E na Primavera enchem-se de flores e causam-nos alergias. Para depois murcharem e caírem…

E têm que ser regadas no Verão. E os frutos têm que ser colhidos, Quando há tantos na frutaria, À mão de semear…!

E trazem-nos mosquitos. E os pássaros. E os seus dejetos!

Acrescentou, pragmático, o Senhor Senso Comum.

 

E quando eu fizer anos, em Dezembro, e chegarem as cegonhas?

Que vão elas dizer das suas casas devassadas?!

Atreveu-se, ainda, a perguntar, impertinente, a criança.

 

O tempo das cegonhas já passou. Ou ainda acreditas nas cegonhas?

Pouco importa quando chegam. Nem como! Nem onde!

O tempo agora é digital. Mede-se nos écrans gigantes plantados nas bermas das vias rápidas, nos painéis publicitários anunciando o Novo Detergente. (Em vez das árvores que distraem os homens com os seus ramos a baloiçarem ao vento.)

Não há tempo, nem tempos, cronológico ou meteorológico que nos interessem. Não há Fim dos Tempos, que o Tempo é Eterno e Efémero.

Rematou, convincente, o Político Instalado no Poder.

 

E, a criança,

Perante tamanhas Sabedorias, calou-se.

Mas doeu-lhe muito ver tantos troncos de árvores

Cortados às rodelas, nas bermas das estradas!

 

E… Quando chegarem as cegonhas?

Que vão elas dizer…?!

Estas perguntas ficaram ecoando, em ressonância,

Na mente da criança.

Notas:

Escrito em Portalegre, Set. 2000.

Publicado no Boletim Cultural Nº 58, do Círculo Nacional D’Arte e Poesia, Dez. 2000

Um conto...

 

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