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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

"Amália, um coração em nós"!

Foto Original. 2020. 10. jpg

“AMÁLIA, UM CORAÇÃO EM NÓS”

 

Costa Caparica. Foto Original. 2019. 09. jpg

 

«Sempre que cantas, estende-se um mar

Um lamento indizível, um choro, escuridão

Numa rua à noite, uma alma por libertar

Um grito de gaivota a quebrar solidão.

Sempre que cantas há uma infância a surgir

Uma névoa de pobreza, com tristeza a rimar

Há poetas, há telas, um barco negro a fluir

Que nos ensina a cantar, para não chorar.

Amália o teu canto faz comover

Amália nossa para bisar

Vem nossas penas sossegar.

Porque insistes em morrer

Se o teu fado é para cantar

Se o teu destino é para ficar?»

 

ROLANDO AMADO RAIMUNDO  - 30 / 10 / 2020

Hoje voltamos à Poesia!

Não de minha autoria, que neste blogue também se divulgam os trabalhos de outras pessoas, de outros poetas, de outras poetisas. Também esse é o propósito do blogue. Desde que me enviem poemas, que sejam publicáveis, terei muito gosto em fazê-lo.

É uma forma também de nos afastarmos das politiquices que abundam sempre por aí.

E, principalmente e neste caso específico, lembrarmos AMÁLIA. Que também admiramos. Tal como Rolando e Olívia Diniz Sampaio, também grande admiradora da nossa maior Cantante.

Um abraço amigo, virtual, que estas cenas da Covid obrigam-nos a estarmos afastados das tertúlias.

Para ilustrarmos o Poema, uma linda Rosa. (Amália era grande apreciadora de rosas.)

(Esta Rosa rosa pertence a uma roseira que enxertei numa base de roseira brava de cor branca. Fica um rosa mais claro. E floriu em Outubro, que é essa a riqueza do nosso clima: termos rosas praticamente todo o ano.)

E cuidem-se!

 

“Fado Português”: Amália – Oulman - Régio

Óbidos Castelo Foto original. 2019. 04. jpg

 

Aniversário do Blogue e Homenagem a Vultos da Cultura Portuguesa

Óbidos Rua. Foto Original. 2019. 04. jpg

 

Para elaborar o postal anterior, nº 806, transcrevi o texto poético do livro:

RÉGIO, J. – FADO – Klássicos – A BELA E O MONSTRO, EDIÇÕES Lda. Lisboa – Portugal – 2011.

Apesar de uma das normas da produção literária ser a sua não reprodução, penso que, ao divulgar o Poema de Régio, referindo as fontes, estou a valorizar a Obra e a dá-la a conhecer. (Publicidade, de que não recebo um tostão!)

Livraria Igreja Coro. Foto original. 2019. 04. jpg

Este livro é mesmo um clássico e está apresentado em formato de bolso, o que facilita o seu transporte para onde nos desloquemos. Foi comprado em Óbidos, numa Livraria icónica, situada numa antiga igreja católica, dessacralizada. A um preço super acessível: 3 Euros. Em Abril, do ano passado (2019).

Vou lendo e relendo. É daqueles livros que por ser de poesia e de autor que aprecio, vou sempre voltando a ele. É mesmo clássico!

 

Também pesquisei na net e os textos apresentados são sempre parcelares, relativamente à fonte documental referida. Há, obviamente, outras versões em livro, pois que na Introdução – “Da Vida à Obra”, elaborada por Isabel Pires de Lima, Professora Catedrática da Universidade do Porto, refere que o original é de 1941!

Não sei se essas versões alteraram a dimensão do texto e pormenores, porque também se notam pequenas diferenças, nalguns versos. (É natural que tenha acontecido, pois o processo criativo leva a modificações nas versões apresentadas, que qualquer autor vai realizando.)

A versão apresentada compõe-se de vinte sextilhas.

Estes postais organizei-os para “celebrar” os seis anos do blogue. E para homenagear José Régio, Amália e também Alain Oulman, neste postal.

Como sabemos, Amália cantou vários Poetas nacionais consagrados, neste caso, Régio e para esse facto o contributo de Alain Oulman foi marcante.

Sobre o disco contendo esses fados, eis a ligação.

Anexo as cinco estrofes apresentadas na net, constituindo excerto do poema de Régio, a parte cantada por Amália. (A Diva não podia, evidentemente, cantar as vinte estrofes. Comparando, pode observar as modificações e o que foi escolhido para cantar.)

 

“Fado Português” 

“O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.”

Óbidos. Trepadeira. Foto Original. 2019. 04. jpg

Ligações para postais sobre Régio e sobre Amália:

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/jose-regio-cinquentenario

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/momentos-de-poesia-e-casa-jose-regio

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/surgiu-no-palco-um-dia-um-bailarino

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/momentos-de-poesia-e-jose-regio

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/sera-portalegre-uma-cidade-de-poesia

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/poesia-em-regio-portalegre

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/autografo-de-amalia

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/o-meu-momento-amalia-ao-vivo

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/em-casa-damalia-tertulias-semanais

https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/estranha-forma-de-vida-amalia-

 

 

"Fado Português" – Régio – Amália

Costa. Foto Original. 2020. 08. jpg

«III - FADO PORTUGUÊS

 

O fado nasceu num dia
Em que o vento mal bulia
E o céu o mar prolongava,
Na amurada dum veleiro,
No peito dum marinheiro
Que estando triste, cantava.

 

(- Saudades da terra firme,

Da terra onde o mar acabe,

Da casinha, e das mulheres,

Guitarra, vem assistir-me,

Que a gente é bruto e não sabe,

Expressa-as tu, se souberes…)

Por esse mar além fora,

A guitarra, dim…dom, chora,

Tem pausas, ais e soluços.

E tão bem faz isso à gente,

Que o triste bruto valente

Chora sobre ela de bruços!

 

(- Mãe, adeus! Adeus Maria!

Guarda bem no teu sentido

Que aqui te faço uma jura

Que ou te levo à sacristia,

Ou foi Deus que foi servido

Dar-me no mar sepultura!)

 

Por mar além, chão que treme,

O dim-dom da corda freme

De espanto, angústia, incerteza;

Mas reluz no olhar do triste

Não sei que alto apelo em riste

Contra essa humana fraqueza…

 

(- Que terra é esta…, este mar

Que só acaba nos céus,

Ou nem lá tem seu fim?...

Ou hei de o eu acabar,

Ou hei de, querendo Deus!,

Ou ele acabar a mim!)

 

Casada à trémula corda,

Sobe a voz trémula…, acorda

Tristezas do peito inteiro,

E as sereias que enlevadas

Se agarram às amuradas

Do frágil barco veleiro.


(- Ai que lindeza tamanha,
Meu chão, meu monte, meu vale,
De folhas, flores, frutas de ouro!
Vê se vês terras de Espanha,
Areias de Portugal,
Olhar ceguinho de choro…)

 

Deitando o olhar às lonjuras,

Só vê funduras, alturas

Das águas, dos céus, da bruma,

E as rijas pomas redondas,

De bico a boiar nas ondas,

Das sereias cor de espuma.

(- Sei eu, sequer, por que venho,

Deixando a jeira de chão

Que ao menos me não fugia,

Atrás de não sei que tenho

Tão dentro do coração

Que inté julguei que existia…?)

 

E à voz que sobe a tremer,

Morre lá longe…, e ao morrer,

Sobe outra vez, mais se aferra,

Que etéreo coro responde

De vozes que chegam de onde

Não seja nem mar nem terra!

 

(- Quem canta com voz tão benta

Que ou são os anjos nos céus

Ou é demónio a atentar?

Se é demónio, não me atenta,

Que a minh’alma é só de Deus,

O corpo, dou-o eu ao mar…)


Na boca do marinheiro
Do frágil barco veleiro,
Morrendo, a canção magoada
Diz o pungir dos desejos
Do lábio a queimar de beijos
Que beija o ar, e mais nada.


(- Mãe, adeus! Adeus, Maria!
Guarda bem no teu sentido
Que aqui te faço uma jura
Que ou te levo à sacristia,
Ou foi Deus que foi servido
Dar-me no mar sepultura!)

 

Sob o alvor da lua cheia,

Naquela noite, a sereia,

Cujo seio mais se enrista

Da aurora até ao sereno

Beijou o corpo moreno

Do moço nauta fadista…

 

(- Que terra é esta…, este mar

Que só acaba nos céus,

Ou nem lá tem seu fim?...

Ou hei de-o eu acabar,

Ou hei de, querendo Deus!,

Ou ele acabar a mim!)

 

Nas vias-lácteas faiscantes

Que esmigalhado em diamantes

O luar no mar espraia,

Um dim-dom…, dim-dom tremente,

Mais doces queixas de gente,

Vão ter a uma certa praia.

 

(- Ai que lindeza tamanha,
Meu chão, meu monte, meu vale,
De folhas, flores, frutas de ouro!
Vê se vês terras de Espanha,
Areias de Portugal,
Olhar ceguinho de choro…)

 

E as mães de filhos ausentes

Acordam batendo os dentes,

Torcendo as mãos, e carpindo,

Sabendo todas que é a morte

Que chega daquela sorte

No luar funéreo e lindo…


Ora eis que embora, outro dia,
Quando o vento nem bulia
E o céu o mar prolongava,
À proa doutro veleiro,
Velava outro marinheiro
Que estava triste e cantava.»

 

In.

RÉGIO, J. – FADO – Klássicos – A BELA E O MONSTRO, EDIÇÕES Lda. Lisboa – Portugal - 2011

 

Sexto Aniversário do Blogue!

Este blogue faz hoje seis anos. Uma criança!

Ninho Milheirinha. Foto Original. Aldeia. 2020. 08. jpg

Uma criança ainda, sem direito a entrar no 1º Ciclo, julgo eu, que não sei muito bem como são agora as regras de entrada. Ainda terá de ficar mais um ano na Pré-Primária.

Caminho a percorrer. Foto Original. Boi d'Água. 2020. 06. jpg

Apesar de criança, já produziu um número considerável de postais. Este é o nº 805!

Kiwis. Foto Original. Alagoa. 2020. 08. jpg

Desde o primeiro, Como começar?”, expressando a dúvida existencial face ao que fazer, como entrar neste mundo da realidade virtual, que, no referente aos blogues, desconhecia em absoluto. Agora pouco sei, face ao conhecimento incomensurável e sistemática atualização e renovação desses conhecimentos e novas aprendizagens. Mas, observando, notam-se alterações, algumas significativas, sobre a forma de estruturação e conteúdos desta minha plataforma comunicacional.

Tília. Foto Original. Alagoa. 2020. 08. jpg

Verdadeiramente o primeiro postal de conteúdo comunicacional foi o segundo. Uma crónica sobre acontecimentos locais de Aquém - Tejo. Incidindo sobre Poesia, Cante, Música, Corais…

Rosas d'Alexandria. Foto Original. Aldeia. 2020. 05. jpg

Verdadeiramente o postal comemorativo, celebrativo do aniversário, será também o seguinte, em que irei juntar Poesia e Fado!

Gaivota(s)... Foto Original. Costa Caparica. 2020. 08. jpg

 

Autógrafo de Amália

Este é o meu postal nº 800.

Capa Visão. Amália. Foto Original. 2020. 09. jpg

(Cortesia da Revista "Visão", a que, todavia, não pedi autorização!)

É um número significativo de missivas, que tenho lançado na net. Múltiplos e variados temas, assuntos, bitaites, desabafos; em prosa, em verso, meus, de muitas pessoas amigas, ou simplesmente conhecidas, que comigo partilharam projetos, antologias, reais ou virtuais. Montes de fotos! (...)

 

Sendo um número “redondo”, basicamente dois algarismos, o oito e o zero, duplamente. (8, que graficamente é praticamente também dois zeros.)

 

Merece ser festejado, com algo de valioso, partilhado, a partir deste espaço virtual, com todos os internautas, como é evidente. Todos temos consciência que o que publicamos eletronicamente, deixa de ser nosso. Para o Bem e para o mal!

Também se aproxima a data deste blogue festejar os anos. A 8 de Outubro fará 6 anos: 08/10/2020!

 

E o que vou partilhar?! Como se titula, é algo sobre Amália!

(Que em 6 de Outubro - 06/ 10/ 2020 - fará 21 anos que faleceu.)

 (... ?!)

Pois, precisamente o Autógrafo que a Diva do Fado me deu, na sequência da visualização do filme, "Fado – História de uma Cantadeira”, na Cinemateca, em 1986, a 13 de Março – (13/03/86).  

Sobre este assunto contei, no postal nº 768, a 27/ 07/ 2020. “O meu momento Amália! Ao vivo!

Postal que foi destacado pela Equipa do SAPO. Novamente, o meu Obrigado!

 

E assim, segue-se foto do Autógrafo, da pagela e de parte do bilhete.

 

Autógrafo Amália. Foto Original. 2020. 09. .jpg

 

Autógrafo Amália. Foto original. 2020. 09. jpg

(Obrigado a Amália, porque continua a (en)cantar-nos! Está passando na RTP1, um documentário produzido em 1995, sobre Amália. Imperdível!)

O “meu momento” Amália! Ao Vivo!

"Fado – História de uma Cantadeira"

Foto Original. Homenagem Amália. Rosa. 2020. 04.jpg

 

No dia 23 de Julho, comemorou-se o centenário do nascimento de Amália Rodrigues. As redes sociais, como é hábito nestas situações, foram inundadas de notícias, reportagens, postais, sobre a Artista. Eu, como quase sempre, “atrasado, fora de modas”, só hoje vou abordar o “meu momento com Amália”.

Começo por referir que nunca assisti a nenhum concerto ao vivo de Amália. Também nunca fui a uma casa de fados ouvi-la. Assistir a fado, em casa típica, lembro-me de ter ido algumas vezes a uma casa de “fado vadio” que havia no Bairro Alto, em meados dos anos oitenta, que julgo se chamava “Arroz Doce”. Não tenho a certeza se era esse o nome ou se ainda existirá.

 

Então como aconteceu esse “momento Amália”?!

 

Também nessa segunda metade da década de oitenta, a Cinemateca Portuguesa passava vários ciclos de cinema temáticos. Centrados em géneros fílmicos, em atores / atrizes, realizadores, cinematografias por países, etc.

Em 1986, projetaram um conjunto de filmes enquadrados no tema “Encontro com o Cinema Português” - Ciclo “O Musical”. Para além da visualização do filme, proporcionavam sempre umas pagelas informativas sobre o mesmo, assinadas por especialistas, que procurava obter e colecionar, para aprender com quem sabia da poda.

 

Sobre esta temática, visualizei :

“A Severa” - 1931, de J. Leitão de Barros, com Dina Teresa, no papel de Severa. (Foi o 99º encontro – 9 Jan. 1986.)

“Capas Negras” - 1947, de Armando de Miranda, com Amália Rodrigues, no papel de Maria de Lisboa; contracenando, entre outros, com Alberto Ribeiro. (106º encontro – 6 de Março 1986.)

 

Fado – História de uma cantadeira” – 1947, de Perdigão Queiroga, com Amália, no papel de Ana Maria; contracenando com Virgílio Teixeira, entre outros atores de renome. (107º encontro – 13 de Março de 1986.)

Foi na sequência da projeção desse filme que ocorreu “o meu momento Amália”.

Como?!

Passarei a explicar…

 

(Mas primeiro quero mencionar que, também na Cinemateca, ainda assisti a outro filme de Amália como protagonista:

“Fado Corrido” – 1964, de Jorge Brum do Canto. Amália Rodrigues, no papel de Maria do Amparo, cantando alguns dos seus melhores trabalhos, “Gaivota”, “Madrugada de Alfama”, “Estranha forma de vida”, … Também Carlos Ramos, cantando fado titulando o filme. Direção musical de Shegundo Galarza; solos de piano, Carlos Paredes. (…)

Contracenando com Jorge Brum do Canto e muitos outros atores e atrizes de nomeada e gabarito.

A projeção deste filme ocorreu em 30 de Abril de 1990, e frise-se, num outro Ciclo de Cinema, este dedicado a “Isabel de Castro e os Cinemas Portugueses”, desempenhando esta atriz de renome, um papel secundário: “Mira”.)

 

Retorno a "Fado – História de uma cantadeira" e ao “meu momento Amália”.

 

Após a projeção, a visualização do genérico e audição das derradeiras sonoridades, e ao sair, tendo já debandado a maioria da assistência, reparo duas ou três filas atrás, uma senhora, ainda sentada, tentando passar despercebida. Não terá passado sem ser notada, certamente para a maioria dos espetadores, embora mais ninguém tivesse tido a minha lata. Era a protagonista do filme, acabado de transmitir: Amália.

Ultrapassando a minha proverbial timidez, dirigi-me à senhora, cumprimentei, dei os parabéns, elogiei o filme e a respetiva participação e, perdendo ainda mais a vergonha, atrevi-me a pedir-lhe um autógrafo, a que prontamente acedeu, e que ficou registado na pagela elucidativa sobre o filme. Pagela que ainda guardo como recordação, juntamente com a metade do bilhete de ingresso, que colei na primeira página do texto. (A propósito, o preço fora de 50$00 – 13 / 03 / 86.)

 

E este foi “o meu momento Amália”! Ao vivo!

 

Tenho o LP “Cantigas numa Língua Antiga”, Edição Círculo de Leitores, Lda. – 1979. Que ouço, quando tenho oportunidade. Hei - de falar nisso.

Da revista “Visão Biografia”, já aqui falei, bem como do fado “Estranha forma de vida”.

E de "Casa de Amália..."

“Em Casa D’Amália” – Tertúlias semanais na RTP1

Fado – Poesia - Cultura

Fafá de Belém, Waldemar Bastos, Dany Silva - André Dias e Bernardo Viana

Apresentação de José Gonçalez

 

 

Foto Original. 2019. 05.jpg

 

Programa da RTP1, tertúlia transmitida às 6ªs feiras, à noite. Na passada sexta, dia 19, já o nono programa. Em semanas anteriores, algumas vezes visualizei excertos do programa. Neste último, face aos tertulianos presentes, deixei-me, em boa hora, levar na onda. Quando e onde podemos ouvir, assim numa assentada, Fafá de Belém, Waldemar Bastos, Dany Silva, acompanhados por André Dias e Bernardo Viana, dois jovens músicos, engrandecendo a tríade de cantores?! Dany e Waldemar também executantes.

 

Num jeito muito informal, apresentação de José Gonçalez, precisamente na Casa de Amália, à Rua de São Bento, na sala, deduzo eu, bem bonita, por sinal.

Programa, homenageando a Diva do Fado, recriando, de certo modo, as tertúlias que Amália promovia na sua própria casa. Neste programa foi precisamente lembrada a célebre tertúlia em que participou Vinícius de Morais, também Ary, Natália Correia, David Mourão Ferreira, em 1968, génese de disco editado em 1970: Amália – Vinícius.  

 

Programa excelente! Parabéns aos participantes. E Obrigado pela beleza de Música e Canções que nos trouxeram.

 

E que saudades tenho das tertúlias. Das Tertúlias de Poesia, confinadas, com esta coisa do Corona!

 

Da APP – Associação Portuguesa de Poetas. Na sede, aos Olivais; no Vá – Vá, na Avenida de Roma. Ambas em Lisboa.

Do CNAP - Círculo Nacional D’Arte e Poesia. Ultimamente no Café Império. Anteriormente, ao Centro de Dia de S. Sebastião da Pedreira. Também em Lisboa.

De “Momentos de Poesia”, no Café José Régio, antigamente “Café Facha”, em Portalegre.

Da SCALA – Sociedade Cultural das Artes e Letras de Almada, na Sede – R. Conde Ferreira – Almada Velha ou na Oficina de Cultura, no centro de Almada.

 

E.. Viva  a Poesia! Viva o Fado! Viva Amália!

 

E novamente parabéns a todos os participantes e organizadores do Programa da RTP1, supramencionado.

Cinco Estrelas!

“Estranha Forma de Vida” – Amália

(Amália - 1920 – 1999)

 

Na Visão Biografia - Out. Nov. Dez. nº3 – 2019, através de Bolsa de Investigação Jornalística Gulbenkian, apresenta-se: “AMÁLIA – A História Secreta:

Como a “Rainha do Fado” conviveu com a Ditadura, escapou à PIDE, conspirou com comunistas, ajudou presos políticos e financiou a resistência ao Estado Novo.”

 

Surpreende-se pelo título e subtítulo desta análise biográfica?!

 

Mais surpreendido/a ficará quando se embrenhar na leitura desta visão sobre a vida da maior Cantante do Fado. Uma análise focando vários aspetos da vida da Diva do Fado, essencialmente centrada nos subtítulos citados, que nos traz uma perspetiva desconhecida para a maioria de nós, certamente. Também aspetos de alguns Personagens a ela ligados, com papel relevante. Outros ficaram por realçar, digo eu.

Comprei ontem a revista e compulsivamente li os artigos todos. Não resisti a parar ou adiar as leituras.

Um trabalho exemplar de Miguel Carvalho – “Grande Repórter”!

 

(Todavia acho que algumas fotos coletivas deveriam ter as pessoas nomeadas. Deduzo que para quem conhece bem o meio, muitas dessas pessoas serão identificáveis, mas para a maioria dos possíveis leitores, leigos como eu, são relativamente desconhecidas. A da pag. 38 intrigou-me sobremaneira!)

 

E como neste blogue, a Poesia está sempre presente, segue-se a letra do fado que intitula o post, da autoria da própria Amália. (Não sei se a letra estará totalmente correta, pois encontrei versões ligeiramente diversas na net.)

Na reportagem conta-se a curiosa história deste fado e de outros não menos interessantes. Afinal Amália cantou alguns dos nossos maiores Poetas!

 

“Estranha Forma de Vida”

 

“Foi por vontade de Deus

Que eu vivo nesta ansiedade

Que todos os ais são meus

Que é toda minha a saudade

Foi por vontade de Deus

 

Que estranha forma de vida

Tem este meu coração

Vive de vida perdida

Quem lhe daria o condão?

Que estranha forma de vida

 

Coração independente

Coração que não comando

Vive perdido entre a gente

Teimosamente sangrando

Coração independente

 

Eu não te acompanho mais

Pára, deixa de bater

Se não sabes onde vais

Porque teimas em correr

Eu não te acompanho mais

 

Se não sabes onde vais

Porque teimas em correr

Eu não te acompanho mais.”

 

 

Dia treze de Maio de dois mil e dezassete!

13/05/2017

/

A persistência dos Effes

/

A ocorrência de um milagre?!

 

eurovisão. in. media.rtp.pt..jpg

 

Não posso deixar de cronicar um pouco sobre o dia de ontem e sobre três acontecimentos mediáticos em que Portugal esteve envolvido. Sobre os quais friso, desde já, que opino sequencialmente por ordem cronológica da sua ocorrência.

Mais ou menos consensuais, tocando em maior ou menor grau a população portuguesa, sendo vividos e vivenciados, quer de forma tendencial ou claramente positiva ou predominantemente pelo lado negativo; de algum modo, todos, (e cada um deles), terão sido sentidos se não por todo o povo, pelo menos pela grande maioria.

Quer se gostasse ou não, houvesse ou não identificação, os media fartaram-se de perorar sobre os mesmos! E a realidade, quer factual, quer virtual, permanentemente nos chamou a atenção para estas ocorrências. Dificilmente nos poderiam deixar indiferentes!

Todavia uns serão, à priori, mais abrangentes que outros. Ou talvez não!

Em todos eles se verifica a permanência, a reminiscência ou persistência, do celebérrimo conceito identitário de Portugal associado à trilogia dos EFFES, atualmente, quer se aceite ou não, muito mais alargada.

 

Num deles, e no meu ponto de vista, tendencioso, já se vê, a imanência de um verdadeiro milagre!

 

A vinda de Sua Santidade, o Papa Francisco, a Portugal, mais especificamente a Fátima, foi, certamente o acontecimento que terá envolvido mais recursos quer materiais, quer humanos, terá consumido mais tempo e mais canseiras de milhares e milhares de pessoas. (Digo eu!)

Todavia, não poderemos afirmar que tenha sido totalmente consensual, dado que Portugal, ainda que, tradicionalmente, de maioria católica, religiosamente falando, não o é na totalidade.

E quem não segue essa orientação religiosa, não se identifica de todo, em princípio, com a situação.

E mesmo há quem, sendo católico, não se revê no objeto da visita de Sua Santidade, o Papa Francisco!

(E sobre o assunto, tenho dito. Por agora!)

 

O segundo acontecimento teve o seu espaço fundamental de ação e clímax ali para os lados da Segunda Circular, em Lisboa. O desfecho e epílogo no Marquês, coração, aonde convergiu o sangue de toda a nação benfiquista da Grande Lisboa, mas ter-se-á alargado a todo o País e comunidades onde haja adeptos do clube da Águia.

Falo de Futebol!

Não podemos esquecer, contudo, que para os benfiquistas festejarem e ficarem contentes, ficarão tristes… sportinguistas, portistas, pelo menos estes, de maior relevância numérica e de maior impacto em termos de aspiração a conquistas de campeonatos. Mas também não poderei esquecer os bracarenses, os vimaranenses, os pacenses, os flavienses, os setubalenses… eu sei lá…

Pela minha parte fiquei muito contente. Felicito o Benfica, a sua equipa e todos os que trabalharam para alcançar este êxito.

E, já agora….

E porque não, o penta?!

 

A terceira ocorrência, acontecida a partir das vinte horas, foi o Festival… da Eurovisão.

Aqui trata-se de Música, não apenas de fado, mas tem sido um Fado, triste, que Portugal, que concorre desde 1964, há mais de meio século, com algumas ausências pelo meio, nunca havia ganho nem obtivera classificações significativas.

E se Portugal concorreu com canções merecedoras e com verdadeiro impacto! Mas nunca haviam despertado os favores eurovisivos.

E logo esta canção!

Não que ela não seja merecedora. Que o é, total e completamente! Só que, à partida, não seria festivaleira.

Não seria, mas foi! E ganhou o Festival!

Atrevo-me a afirmar que, neste ano de 2017, como acontecia nos anos sessenta e setenta, maioritariamente, Portugal esteve colado ao ecrã televisivo, durante a transmissão. Quanto mais não fosse durante a atribuição pontual. Nunca acontecera tal! Que Portugal estivesse sempre colocado no primeiro lugar, a receber tanta pontuação máxima, a ter a simpatia e preferência tanto dos vários júris nacionais, como do público, como da imprensa.

 

(Lembro que, nestas coisas da Eurovisão, não é a primeira vez que ganha uma balada, posso classificar assim a canção “Amar pelos Dois”?

Recordo Gigliola Cinquetti - “Non Ho L’età”, pela Itália, em 1964; Johnny Logan, pela Irlanda, em 1980, com “What’s another year?”...) (Curiosa a data de nascimento deste cantor.)

 

(Mas isso já vai há tanto tempo, dir-me-á. Isso é quase do tempo da “Maria Carqueja”! Pois, é verdade, mas é do tempo em que eu via os festivais da eurovisão.)

 

Neste ano uma hipotética vitória começou a delinear-se logo cedo, nas redes sociais, que atualmente são um bom barómetro das opiniões, mas ao longo de diversos anos criaram-se tantas expectativas… relativamente a várias canções e intérpretes, que depois saíram completamente defraudadas… que seria mais um em que tal aconteceria.

Mas não foi.

 

A canção “Amar pelos dois” saiu vencedora. Com inteiro mérito.

 

Parabéns ao cantor, Salvador Sobral e à compositora, Luísa Sobral.

 

(Mas será que no meio disto tudo terá havido algum milagre?!)

 

E o dueto final foi magnífico!

 

(Interessante como este Salvador lembra o outro “salvador”, no célebre jogo de Portugal com a França, em que Portugal também venceu o Europeu de futebol.)

 

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/salvador-sobral

Obrigado e Parabéns, A. P. P.!

Associação Portuguesa de Poetas

XXXII Aniversário

 

Original DAPL 2016 .jpg

 

Conforme previsto, decorreram no dia três de Abril, segunda-feira de tarde, as atividades celebrativas do trigésimo segundo aniversário da APP – Associação Portuguesa de Poetas, na respetiva sede, na Rua Américo de Jesus Fernandes – 16 A, aos Olivais, Lisboa.

 

Sala completamente cheia, muitas pessoas de pé e no exterior.

A Poesia foi Rainha, o Fado de braço dado. Irmanados e observados pela Pintura, Arte expectante que, nas paredes da sala, nos observava e nos convidava também a uma visita e observação mais detalhadas.

 

Homenagearam-se os sócios mais antigos, com placas alusivas aos quinze e vinte e cinco anos de associados. Simpática e comovente lembrança da atual Direção.

Também se rendeu preito aos sócios fundadores, bem como a antigos membros de Direções anteriores. E alguns puderam honrar-nos, a todos, com a sua presença.

E os sócios, todos os sócios, independentemente da maior ou menor longevidade da sua aderência à APP. Que sem sócios como se estrutura uma Associação?!

 

Lembraram-se os Ausentes. Aqueles que, de algum modo, tiveram e desempenharam papéis mais ou menos relevantes no âmbito da Associação, mas que, a seu modo, contribuíram para que a APP chegasse aos trinta e dois anos, cheia de vitalidade e dinamismo!

E que, agora, embora fisicamente não nos acompanhem, estarão connosco numa outra dimensão!

 

Foi anunciado o vencedor do concurso “Nau dos Sonhos”.

 

E, como não poderia deixar de acontecer, cantaram-se os parabéns, repartiu-se o bolo de aniversário e compartilharam-se comidas e bebidas.

Foi um evento notável e merecedor de encómios.

 

Parabéns! Parabéns à Associação. Parabéns e Felicitações a Todos!

 

E Obrigado!

 

Obrigado é mais qu’uma palavra!

Nela se lavra em nobre gratidão

Sentimento que Alma nos desbrava

E se nos grava, grato, no Coração!

 

 

E muito Obrigado pelo Vosso Trabalho, pelo que é visível e pelo que, não sendo diretamente observável, é manifesto e subjacente ao que observamos.

Renovados parabéns e agradecimentos!

 

Obrigado é mais qu’uma palavra!

Nela se grava nobre sentimento

Sentir que nosso coração nos lavra

E em nós desbrava um nov’alento!

 

(Fotografia Original DAPL 2016)

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