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Aquém Tejo

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

Há quem do Tejo só veja o além porque é distância. Mas quem de Além Tejo almeja um sabor, uma fragrância, estando aquém ou além verseja, do Alentejo a substância.

“A Mafiosa – Le Clan” - Temporada 5 – Episódios 2, 3 e 4

Série Francesa

RTP2

Episódios Globais 34, 35, 36

(28/02 e 01 e 02 de Março 2017 – 3ª, 4ª e 5ª feira)

carmen e alain in. pinterest.com

 

Carmen vem assumindo cada vez mais protagonismo. Tem sido ela quem confronta e mais se opõe diretamente à tia.

Tendo apontado a arma a Sandra, na realidade, não a disparou. Ou porque não conseguiria, nunca o fez anteriormente, ou porque não é esse o caminho por que pretende enveredar, apesar de ter oferecido todo aquele dinheirame aos assassinos, Tony e Manu.

Ou porque o guionista da série nos quer direcionar num outro sentido na narrativa.

 

Tony e Manu estão aliados, estrategicamente, a Sandra e vice-versa. Mas projetam eliminar-se reciprocamente.

Por sua vez, a Mafiosa também se juntou ao tio Orso Paoli, com o objetivo principal de este a ajudar na erradicação definitiva dos compinchas criminosos.

Estão todos taticamente unidos no projeto comum de conseguirem “comprar” o passivo da empresa de Lívia, os ferries Tavera, tomando assim conta desta firma e, de certo modo, enveredarem por negócios mais claros e legais!

 

Como o dinheiro de que dispõem não é suficiente, mesmo após os dois compinchas terem vendido todos os “negócios” legais que têm na Córsega, unem-se num golpe, um assalto a uma Caixa de Fundos, julgo que em Paris ou Marselha, que não sei bem.

Neste golpe, habitual e já planeado por Orso e filhos, a eles se juntaram os “capangas” de Sandra, por sua exigência.

O assalto não correu mal, se é correto ver o assunto nessa perspetiva.

Houve tiros, cena policial ou “coboiesca”, à americana. Um dos filhos de Orso foi salvo por Tony, que assim ficou credor e, nestas cenas se geram laços, apesar de estarem todos uns contra os outros, prontos para se matarem à mínima oportunidade.

Arrecadaram dez milhões, que guardaram numa garagem de Christelle, num anexo de um complexo habitacional.

 

A polícia, que nesta temporada já parece estar mais “desperta” e que os tem todos vigiados, alertada pelas notícias, imagens guardadas e escutas telefónicas, prendeu a trupe na totalidade, a chefona incluída.

 

Nos interrogatórios subsequentes, todos eles se fizeram de parvos, mas há sempre um elo mais fraco, algo que lhes escapa.

Um dos filhos, o que conduziu a carrinha na ida e volta, tinha uma chave suspeita.

Vai-se a ver, era da garagem da irmã.

E aí, valeu o faro do comandante da polícia, Thomas. Seria descoberto um malão a abarrotar de maços de notas! Do assalto realizado no continente.

Pierre Marie Paolli reclamou a posse do dinheiro e, em princípio, pagará ele vinte anos por esse assalto.

 

Ficaram, deste modo, de mãos a abanar.

 

A polícia judiciária, protagonizada por dois comissários, Alain e Thomas, está mais atuante.

Para o processo em causa, também protagoniza um Juiz de instrução.

Thomas, para quem a suprema satisfação seria que eles, os criminosos, se matassem todos e nesse sentido tem agido, sempre que pode, trabalhou, (ou trapalhou?) algumas vezes de forma pouco convencional, ilegal até, e com o Juiz tem sido incorreto, frise-se, ultrapassando e ignorando as respetivas diretivas e ordens.

Por um acumular de situações, verá o caso ser-lhes retirado e transferido para a “gendarmerie”!

Num ato de transgressão, ou de paranoia, que parece ir possuindo aquela gente toda, não esteve com meias medidas, bêbedo, rouba o carrão de Tony, leva-o para um descampado e pega-lhe fogo, tal e qual como os criminosos usam e abusam.

Quererá, certamente, lançar mais achas para a fogueira e colocá-los ainda mais uns contra os outros, como tem sido a sua estratégia. Deixá-los matar-se entre si.

 

Mas estou a deixar de lado o fulcro da narrativa nestes episódios e temporada: os ferries Tavera e a luta pela conquista do respetivo controlo, através da compra da dívida de sessenta milhões.

Lívia recebe ofertas do grupo de Sandra, através do respetivo advogado, contratado para fazer como os três macaquinhos.

Que Lívia rejeita, que não quer nada com a mafiosa.

E também do grupo dos nacionalistas, que fomentam uma greve, como chantagem, e que mais ainda arruína a firma. Que ela também recusa, que não os quer na direção da empresa.

Procura financiamento externo, consegue-o e realiza um contrato com um estrangeiro, Freeman, na presença de Carmen, que Lívia puxa para trabalhar com ela.

Mas Freeman será ameaçado de morte por encapuçados, os capangas de Sandra, que lhe partem o carro.

 

Lívia não desiste, busca soluções e será Carmen, cada vez mais próxima da “madrasta”, que lhe dará uma deixa, supostamente a pensar que assim dissuadiria a tia.

Lívia fá-la sua legatária universal.

Desta situação a jovem vai dar conhecimento à tia, enfrentando-a novamente e na presença do advogado dos macaquinhos!

“- Se queres ficar com a empresa é à tua sobrinha que a tens que arrancar!”

 

mafiosa in. pinterest.com

 

Desiste Sandra?!

Nem pensar!

Menos ainda Tony e Manu. Mais o primeiro, que é uma autêntica hiena, (desculpem-me as ditas), sempre à procura de carne mortiça e dinheiro.

 

E decidem os três atemorizar, mais ainda, Lívia. Com recomendação de Sandra, que Carmen não assistisse.

 

Bomba colocada no carro da empresária, morta esta, Carmen quase indo também desta para melhor, não fossem os escrúpulos e remorsos de Manu, que até se confessara antes e que, por isso, acionou a bomba antes da moça entrar no veículo.

(Esta gente é também dada a religiosidades, Sandra, inclusive.)

 

Carmen foi hospitalizada, inconsciente e assim permaneceu algum tempo.

A tia foi visitá-la, ainda ela a dormir, e até o polícia Alain, que agora liberto da investigação, se deu ao incómodo de fazer uma visita à jovem, agora, herdeira universal de Lívia.

Seria ele que a moça viu logo que acordou.

Seria ele que a rapariga chamaria, quando ao regressar para casa, na primeira noite sozinha, sentiu alguma apreensão.

Haveremos daqui rimance?!

 

Nesta temporada o romance tem prosseguido por caminhos improváveis, para além de Tony e Saudade, que já tem mais que saudades dos tempos de solteira (!); Manu e Christelle reataram, apesar de mudar o ator e até Sandra tem protagonizado uma verdadeira peça de teatro com uma siciliana! Sem contar com o comandante da polícia, Thomas, que vive numa rulote no parque de campismo e se dedica a incendiar carros e provavelmente também foi ele que “atuou” na casa de Saudade e Tony, quando este esteve preso!

 

No funeral de Lívia, Carmen desempenha papel de destaque. É a herdeira. Não só de bens patrimoniais, mas de todo um legado imaterial, duma vontade, de um modo de vida.

Encarou o Juiz: “Está satisfeito?!”

Recebeu oferta dos nacionalistas para “entrarem” nos ferries.

 

Passou pelo porto, observando os cartazes dos grevistas.

Foi para a empresa, para o lugar da madrasta.

Recebeu telefonema da tia e, contrariamente ao que fizera até aí, atendeu-a.

Marcaram encontro.

Conversaram, mas não acordaram.

 

“- Já não tenho mão. Não sou eu que mando. É o sistema!”, respondeu Sandra, perante a acusação da sobrinha de que ela nunca assumia as respetivas culpas.

 

Mais tarde, após o incêndio do carro executado pelo comandante Thomas, vê-la-íamos a telefonar ao chefe dos nacionalistas, Paul Bonafedi, a dizer-lhe que quer fazer acordo!

 

 http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/gomorra-serie-rtp2

“A Mafiosa – Le Clan” - Temporada 5 – Episódio 1

Série Francesa

RTP2

Episódio Global 33

(27/02/17 – 2ª feira)

 

in pinterest.com 3c7589f6ee470f317fd1491252f95955.

 

Recomeçou a série com o início da 5ª temporada. E última! Esperemos um desfecho adequado!

 

Sandra esteve presa, tal como Ange, que a transportou, de barco, de França para a Córsega e vice-versa, após o assassinato de Jean Michel Paoli.

 

Mas estiveram pouco tempo presos. Com o advogado, engendraram um plano maquiavélico, em que, de facto, tendo Ange transportado Sandra na ida e na volta, ela teria falado com o irmão, na resolução dos respetivos diferendos, mas ela ter-se-ia ido embora e quem ficou com Jean Michel foi Mikael Giácomi, tendo sido este indivíduo certamente o último a vê-lo vivo. Não Sandra!

Como o jovem, ex-namorado de Carmen, já está morto, ainda que tivesse sido mal enterrado, não tem como se defender e, supostamente, foi ele o assassino.

 

Assim, na reconstituição efetuada, com a presença de Sandra, do respetivo advogado, de Ange e perante o juiz e os polícias da investigação, assim, deste modo, foi ela ilibada, com a conivência e anuência de Ange, que também foi industriado para isso pelo advogado.

 

Desta maneira, rapidamente foram libertados.

 

Mas continua tudo na mesma.

 

Sandra, saindo, assume mudar de vida dedicar-se a negócios lícitos, planeia investir nos ferries de Lívia Tavera, cuja empresa tem um passivo enorme.

Independentemente e para além da vontade desta e da sobrinha Carmen, que nem uma nem outra a querem na sua casa.

Nesse negócio, quer juntar Tony e Manu, mesmo sabendo que eles planearam matá-la.

Tudo parece encaminhar-se para concretizar o imbróglio, ainda que, de cada lado da parceria, projetem livrar-se uns dos outros: Sandra livrar-se deles e os parceiros dela!

 

Novidades, novidades!

 

Tony Campana deu o nó com Saudade.

Também projeta mudar de modo de vida, ser sério e honesto, ter filhos com a Madame Campana. Mas como vimos, quer aliar-se à Mafiosa, mas desfazer-se dela, logo que possa.

E, para concretizar esse objetivo, juntamente com Manu, já ajudou a despachar Ange, depois de o terem envolvido nas tramoias habituais. De nada a este valeu ter sido libertado ou ter cometido perjúrio.

 

A maior das novidades é que o personagem Manu, a quem dera um badagaio, afinal não morreu como personagem.

Pelos vistos, o efeito do desmaio repercutiu-se, de facto, no ator. Não no personagem.

E isto porquê?!

Porque, como deve ter reparado, o ator que personifica Manu não é o mesmo.

Particularidades de séries!

Não teria sido mais consentâneo ter deixado cair o personagem?

O que terá acontecido ao ator?! Outros compromissos?!

 

Em contrapartida, Carmen parece ganhar mais protagonismo.

Oferece 800 mil euros, em dinheiro, à dupla criminosa, para assassinarem a tia.

O que, para eles, é sopa no mel. Ganham em dois carrinhos!

Irá também ela enveredar pelos caminhos das vinganças, ajustes de contas e crimes?!

 

No final do episódio, após discussão com a tia, vimo-la a apontar-lhe a pistola que Sandra, ousadamente, lhe dera.

 

E que foi feito de Milka?!

Foi para a prateleira?!

E o que fazem aqueles pastelões dos polícias?!

Bem sei que os mecanismos “legais” favorecem mais quem prevarica!

 

http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/a-mafiosa-le-clan-temporada-5-138900

 

http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/a-mafiosa-le-clan-temporada-5-139106 

 

“Portugal “O” Meeting – 2017”

ALDEIA da MATA

25 Fevereiro 2017 – Sábado

(Ou como uma ida aos espargos se converteu numa observação “participante” de um acontecimento desportivo mundial.)

 

in. sportlife..jpg (in. opraticante.pt/)

 

Nestes dias finais de Fevereiro, 25 a 28, tem estado a decorrer no Alto Alentejo, concelhos de Alter do Chão, Crato e Portalegre, um evento do Desporto designado “ORIENTAÇÃO”, palavra, para mim, tão carregada de significações.

 

Inesperadamente, para muita gente, de surpresa, viu-se a Aldeia envolvida, “invadida”, tomada, por este evento desportivo extraordinário, que nos dias 25 e 26 decorreu em Aldeia da Mata. No povoado e nos campos limítrofes.

 

Apenas presenciei uma parte do acontecimento, não em todas as suas vertentes, nem em todos os espaços em que decorreu, mas pude observá-lo naqueles locais, que, habitualmente, frequento. E quero realçar que gostei, não direi muito, mas muitíssimo, do que pude observar e, de algum modo, vivenciar.

 

Antes de tudo o mais, realçar algo extraordinariamente positivo. Na sequência e no decurso do acontecimento e após a sua finalização, em todos os espaços que percorri, observei algo que raramente acontece nos variados eventos, espetáculos, acontecimentos, que ocorrem por esse Portugal e mesmo no dia-a-dia das localidades portuguesas.

Neste evento, não constatei uma “gota” de lixo por lugar algum dos que eu tenha observado e percorrido.

Esperemos que acontecimentos destes, com esta envergadura ou noutra escala, se venham a repetir!

 

Foi extraordinariamente belo, ver, campos, por onde não aparece vivalma, percorridos por pessoas de todas as idades e condições, homens e mulheres, jovens e velhos, crianças e adolescentes e das mais diversas nações, de todo o Mundo, dando cor e movimento, a terrenos onde só as ovelhas e bezerros pisoteiam e estrumam todo o ano.

E praticando DESPORTO!

 

in. o praticante.pt.jpg

 (in. sportlife.com)

 

Nessa manhã e tarde de sábado, ausentes os animais, as Tapadas das Freiras, do Rescão, das Cegonhas, da Lavandeira, o Chão Grande, ganharam outros habitantes, que os humanos raramente as frequentam. (Alguns caçadores, na respetiva época, alguns colhedores de espargos ou túberas, no seu tempo devido.)

 

Tapada do Rescão - Original DAPL 2016.jpg

 

Quando chegaram os primeiros corredores, já eu havia executado uma das tarefas que vinha delineando desde o ano passado.

 

“O que são os espargos?”, me interrogou um português, que acompanhava o filho e a filha, participantes na corrida.

 

Foi um espetáculo divertido e reconfortante ver, tanta gente e tão colorida, descendo e subindo os alcantilados destas terras com passagem obrigatória pela Ponte do Salto e respetiva Fonte.

 

Fonte Salto Original DAPL 2015.jpg

 

Es potable?”, me perguntou um jovem, sobre a água refrescante, enquanto eu enchia um garrafão.

Lá bebeu e terá ido mais reconfortado.

 

A Fonte, onde havia um posto de controlo, terá ficado intrigada com tão inusitado movimento, há anos que debita, quase inútil, mas persistente, a excelente água que produz, desligada da indiferença dos conterrâneos!

Já mais pela tarde, uma senhora descia do Caminho da Arca da Fonte, talvez um pouco desorientada, um contrassenso numa prova de orientação, me questionou, aflita:

“- Onde fica a ponte? Onde fica a ponte?”

E a Ponte ali, tão perto… E lá seguiu, agradecendo muito.

 

Salto Original DAPL 2015.jpg

 

(E, a propósito da Ponte, sobre que por vezes se refere a sua provável, possível, hipotética, antiguidade, sabe que nas “Memórias Paroquiais”, tanto nas de 1747, como nas de 1758, não vem qualquer referência à Ponte?!)

 

Nunca, os Caminhos, do Salto, da Arca da Fonte; as Azinhagas, do Porco Zunho, do Poço dos Cães, a Azinhaga Estreitinha, foram tão movimentados, nem nos tempos em que os campos eram a base da sustentação do povoado, nem sequer quando, crianças e adolescentes ainda brincavam por tapadas, caminhos e ribeiras.

 

Igreja e araucária - Original DAPL 2015 (1).jpg

 

Junto ao Adro de São Martinho se estruturava a chegada dos atletas.

Igreja, torre sineira, araucária, ter-se-ão questionado sobre o porquê de tanto movimento inusitado.

 

Até a amendoeira, que tem história, gostaria de ter presenciado a ocorrência umas semanas antes, no início do mês, quando ainda estava florida!

 

Amendoeira florida - Original DAPL 2015 (2).jpg

 

Nas ruas só se viam essencialmente estrangeiros, uma verdadeira Babel instalada no povoado, o barulho característico das molas dos sapatos próprios para estas corridas!

Pena que o entrave da Língua, não tenha proporcionado uma maior interação.

Terminado o evento, resta-nos o silêncio das casas abandonadas ou de segunda estadia e a Lembrança e a Saudade dos ausentes.

 

Rua do Norte  - FMCL - anos 80.jpg

 

Na estrada até à ponte da Ribeira das Pedras estava todo o lado nascente da via, com carros estacionados. Não como nesta imagem!

 

Aldeia Original DAPL 2014.jpg

 

Não tirei qualquer foto do evento, por várias razões.

Primeiro, tenho sempre alguma relutância em fotografar pessoas e divulgar na net. Mas já abri exceções!

Segundo, estou de mal com o telemóvel.

E, terceiro, a minha colaboradora do blogue e que me documenta e fornece o acervo fotográfico, estava ausente.

Mas é precisamente desse acervo e dessa prestimosa colaboração que me sirvo para documentar este post. Para além de uma foto minha, já antiga, que digitalizei.

 

E este post, além de documental é também um convite, a si que nos brindou com o seu colorido, o seu entusiasmo atlético e desportivo, nos campos e ruas de Aldeia…

E que, preocupado com o mapa, para onde olhava permanentemente, para a localização dos pontos cardeais, eventualmente buscando a direção do sol, e principalmente a localização dos postos de controlo, preocupado em registar com o aparelhómetro no dedo…

Para si, que não olhou, nem observou a beleza destes campos, nem destas ruas e singelos monumentos…

Para que nos visite com mais calma, sem correrias, nem pressa de chegar, ou de ser o primeiro…

E aprecie estes belos campos, que a partir de Março atingem todo o seu esplendor, glorificando a Primavera, explodindo em Maio.

Numa apoteose de cores e perfumes e sinfonia de rouxinóis.

 

Maio Original DAPL 2014.jpeg

 

 

(Bem sei que você não lê Português…

É pena!

Pode ser que ainda consiga traduzir este excerto…)

 

E, para si que é Conterrâneo, que é Português.

Lembre-se do que frisei no início.

Este pessoal não deixou lixo nos terrenos!

Então, porque deixar lixo nos caminhos velhos, nas bermas da estrada, nas margens da Fonte, no leito da Ribeira do Salto ou de outra qualquer, arremessado para debaixo da Ponte?!

Porquê?! Porquê?!

 

*******       *******       *******

Deixo alguns links, se quiser aprofundar mais sobre o evento.

Agradeço as imagens que tomei a liberdade de retirar de sites alusivos à ocorrência.

http://pom.pt/2017/en/apresentacao/

http://pom.pt/2017/en/2017/02/20/final-bulletin/ 

http://pom.pt/2017/en/2017/02/26/day-1-video/

http://pom.pt/2017/en/252-middle-distance/

http://pom.pt/2017/en/262-long-distance/

http://news.worldofo.com/2017/02/26/portugal-o-meeting-2017-day-1-2-maps-and-results/ 

“A Mafiosa – Le Clan” - Episódio Global 31

Série Francesa

RTP2

Temporada 4 – Episódio 7

(23/02/17 – 5ª feira)

 

Carmen Paoli in. rtp.pt. phpThumb.jpg

 

Como já se vinha delineando, Carmen Paoli está a ser um elemento fundamental no desenrolar da narrativa.

As suas tentativas de saber quem matou o pai não param.

Desenlaçados alguns nós no enredo, caso da descoberta do corpo de Mikael Giacomi, as dúvidas e interrogações da jovem continuam e prossegue a sua demanda da verdade.

A tantas portas bateu, a todas as que lhe foram possíveis, que desembocou na esquadra, a saber do andamento das investigações.

Calhou-lhe na rifa a, igualmente jovem, aprendiz de polícia judiciária: Mika.

Conversa de praticamente duas adolescentes: uma a perguntar, Carmen, a outra a responder, Mika, sem nada dizer de concreto e, para desespero de Carmen, também Mika faz perguntas.

 

Entrada no gabinete dos dois polícias mais velhos, que chamando Mika ao exterior, lhe dão um raspanete, por ela estar assim a atender Carmen, de forma tão superficial e ligeira, dado o caso em causa e o tipo de pessoas em questão.

Voltando ao gabinete, o chefe da polícia, após interpelar Carmen se ela queria saber quem realmente matou o pai, para desespero do outro colega e perplexidade da jovem polícia, coloca-a perante a audição da gravação de telemóvel, em que um dos “empregados” do pai dá a conhecer à madrasta, que Sandra Paoli foi a assassina do irmão, Jean Michel.

 

Calcule-se como ficou a jovem Carmen! Desamparada e destroçada de todo, vagueando nas bermas dos ancoradoiros do porto, amargando as lágrimas do sal da traição.

 

Veremos como ela irá agir e se os objetivos do polícia terão algum resultado no futuro processo de investigação, que, como ele se desculpou para Mika, para a sua atitude, com as escutas e os telefones não resolvem nada, nem convencem qualquer juiz, pois não têm qualquer consistência de prova. Assim talvez os criminosos se esgadanhem entre eles e prossigam a auto destruição.

 

Para Mika terá sido o constatar de uma dura realidade, pois que, embora sabendo que os Paoli são uns “sacanas”, eles, polícias, na sua visão adolescente e romântica, de quem quer muito aprender, não o seriam, nem deveriam comportar-se do mesmo modo.

 

Veremos como estes jovens vão continuar. E, principalmente, como Carmen se irá aguentar e o modo como irá proceder!

E como irá agir relativamente à tia, que também se encontra destroçada. Para além da morte do irmão que lhe pesa na consciência, como uma corrente de prisão, agora vê-se igualmente rejeitada pelo namorado, Enzo Manfredi.

E nela, o desespero e a loucura paranoide que a possuem, o consumo exagerado de álcool e drogas, poderão levá-la a ações ainda mais loucas que as que já vem cometendo.

 

E qual será o papel do sobrinho de Tony Campana e da sua mãe, nessa inexorável auto destruição?!

 

Aguardemos o findar desta quarta temporada, que será hoje.

 

Mas, como notas finais, que poderiam figurar no início, como introito, não posso deixar de frisar que:

O chão que Sandra e os “amigos” pisam está juncado de cadáveres.

O ar que respiram tresanda ao sangue derramado, ao cheiro nauseabundo dos mortos mal enterrados nas montanhas córsicas. Ao odor do medo que infundem aos cidadãos inocentes, que querem viver as suas vidas e exercer os seus misteres, de forma livre e honesta.

O dinheiro que manuseiam está manchado da extorsão, tem sangue espalhado nas notas, o trato e o tacto da ignomínia, da traição, da perfídia e chantagem.

 

“A Mafiosa – Le Clan”

Série Policial Francesa

RTP2

Temporada 4 – Episódios 5 e 6

 

Há algum tempo que não me debruço sobre a temática de séries. Praticamente este ano ainda mal abordei o tema. Não que não ande a seguir nenhuma. Que até tenho andado. Só que não me tem puxado para a escrita.

 

A última sobre que comentei foi A Fraude – Bedrag”. Vi os dois últimos episódios, mas também não perorei sobre os mesmos. Que deveria tê-lo feito. Mas fui adiando, preguiçando, e acabei por não falar sobre os mesmos. Talvez ainda, um dia, teça alguns comentários, pois apontei algumas notas e verifico nas visualizações, que a temática do seriado ainda é procurada. Pode ser que desentorpeça.

 

A “Mafiosa”, tenho acompanhado desde o início.

Mas a temática não me motivou muito para escrever. E ainda bem. Porque se fosse escrevendo, episódio a episódio, como tenho feito nos seriados que me motivam, por vezes nem saberia como pegar nos assuntos.

E, ao princípio, nem entendia muito bem toda a trama e os personagens sempre a mudarem. Sim, porque nesta série são tantas, mas tantas, as mortes violentas e macabras, melhor dizendo, os assassinatos, que os personagens estão sempre a mudar.

 

A série já vai na quarta temporada. São cinco, de oito episódios cada uma. Quarenta episódios no total. Chegou ao trigésimo ontem, 4ª feira, 22/02, 6º episódio da temporada em curso. Temporada que está quase a terminar, em princípio, na próxima 6ª feira. Na próxima semana iniciar-se-ão os episódios da 5ª e última.

 

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Mas vamos aos finalmentes. Deixemo-nos de entretantos.

 

A ação, na trama, decorre principalmente na Córsega, ilha mediterrânica, território francês. Pátria de Napoleão, o corso. Terra de corsos, nos vários sentidos da palavra.

Também Marselha e Paris acolhem cenas e excertos de episódios, à medida que os negócios dos Paoli se alargam e estendem ao território continental.

 

Sandra Paoli, desempenho de Héllène Fillières, é a personagem principal. Herdou os “negócios” do pai, François Paoli, que, oficialmente, seria seu tio.

Segredo que só lhe foi revelado em adulta.

Os “negócios” incluem todo o tipo de atividades lícitas e ilícitas, legais e não legais, ligadas ao submundo do crime organizado, na ilha e no continente. Portanto, predominantemente ilícitas e ilegais.

Não foi muito bem aceite a sua “legitimidade” nessa herda, dentro da própria família, nomeadamente, pelo “meio-irmão” Jean Michel Paoli. Ela foi-se entrosando no meio, construindo e conquistando esse “direito”, ao longo das primeiras temporadas, consolidando-o, e alargando-o até, afirmando-se como chefe do clã.

 

Essa construção assentou em dezenas de mortes “matadas”, assassinatos, por encomenda, por ordem sua, direta ou indireta, ou resultantes das guerras entre os vários gangs rivais, na Córsega e no território continental.

Nessa sua pretendida e conseguida afirmação, num mundo de “homens machos”, para além de ordenar mortes também as executou. Nem mais nem menos a de figuras poderosas no meio, “milieu”.

A de um dos chefes principais dos “nacionalistas” e a do próprio irmão.

Estas mortes trouxeram-lhe o almejado “respeito” e temor, mas também os ódios de muita gente e o enredar cada vez mais apertado nas malhas policiais.

 

Mas mais grave e forte e acutilante no seu ser, no seu sentir, no seu viver, foi o assassinato do irmão, às suas próprias mãos.

Foi esse assassínio, planeado e executado a sangue frio, por cupidez, vingança, calculismo, que a está a levar à sua auto destruição. Drogas, álcool, comportamentos psicóticos, visões, audição de vozes acusadoras, obsessão pela morte, fobia de perseguição, em todos vendo eventuais denunciantes.

Loucura que só engendra novas mortes, mesmo dos amigos indefetíveis, como Jean Santini, um pau mandado, “cão” fidelíssimo, que ela não teve pejo de mandar assassinar, nem os “amigos” de executarem a sentença.

 

Nesta quarta temporada assiste-se a esse caminhar inexorável para o abismo, à transfiguração física da sua própria personagem e imagem, cada vez mais masculinizada, andrógina, mórbida, cruel e vingativa, quase desprovida de sentimentos.

Às suas ordens tem uma série de assassinos, destacando-se Manu e Tony, capazes de matar qualquer um a sangue frio, despudoradamente.

 

Dos vários grupos envolvidos no enredo tem-nos praticamente todos contra ela. Os donos dos maiores casinos de jogo de Paris, os Acquaviva, mandantes do atentado que sofreu, mas que ela acaba por ter nas mãos, que além de um dos filhos do sócio principal, morto selvaticamente e queimado, também mandou executar o outro sócio.

O pequeno atentado que ela sofreu, executado por um dos destacados “nacionalistas”, para quem ela é um alvo a abater, também já foi retaliado, tendo sido esses nacionalistas também já vitimados pela ação dos “amigos” de Sandra. E o chefe principal também foi ameaçado para se remeter ao silêncio.

Pelo que, se no 5º episódio ela parecia até fisicamente em vias de derrotada, no sexto, parece ressurgir em toda a sua cruel criminalidade.

 

A polícia de Bastia, que para ali tem andado enredada nos novelos traçados pelos criminosos e pelas dificuldades de ação dimanadas na execução da Lei; finalmente, e pela ajuda preciosa de uma jovem polícia, tem um organigrama estruturado com o enredo das mortes, a partir de escutas e telemóveis. Aliás, eles já sabem, através da viúva de Jean Michel, que foi Sandra que o matou. Precisam de o confirmar e estruturar a informação, para eventualmente apresentarem em tribunal.

Isto se lá chegarem os criminosos. Que tanto se vão assassinando entre eles, que poucos restarão.

 

E será que Sandra lá chegará?! Certamente, que ainda está para vir a quinta temporada!

 

Internamente, parece que a própria estrutura ameaça ceder, pelas dissensões que vão surgindo entre alguns dos protagonistas.

 

Na própria família, o papel da sobrinha de Sandra e filha de Jean Michel, Carmen, está a ser relevante para o desenrolar e desfecho interno dos acontecimentos. Cada vez mais, questiona sobre a morte do pai, a todos interroga e pergunta, a todos os que sabem, mas não lhe dizem.

Até onde irá a sua capacidade de perguntar e até onde e quando os envolvidos e sabedores aguentarão as perguntas?!

Irão despachá-la como têm feito a todos os que os incomodam?

E até quando os que sabem irão guardar o segredo?

 

E a polícia conseguirá estruturar meios de prova contra os criminosos?

Haverá uma atitude pedagógica e didática na narrativa?!

 

E volto ao início, e à minha dificuldade em estruturar a minha escrita sobre o conteúdo da trama. Residia ela, entre outros aspetos, nos personagens principais e nas suas ações. Todos eles são execráveis. Não há ali ponta por onde se pegue. Não há a possibilidade de “pegar” nuns, contrapondo-os a outros. São todos, farinha do mesmo saco.

Só agora, a polícia parece estar a colocar alguma “ordem” na narrativa, com o surgimento daquela jovem idealista e cheia de genica!

 

http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/a-mafiosa-le-clan-episodio-global-31

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DIA M na Gulbenkian – “Rising Stars”

Dia da Música

 

“PORTAS ABERTAS – RISING STARS”

 

Fundação Calouste Gulbenkian – 19 de Fevereiro – Domingo

 

Portas-Abertas Claudia Hohne Rising stars.jpg

 (Imagem "Rising Stars" - cortesia Claudia Hohne)

 

*******

 

A “Gulbenkian Música” reeditou este ano “Portas Abertas”, hoje, domingo, 19 de Fevereiro. (Clique em "Portas Abertas", para conhecer o programa, se faz favor.)

 

Foi um evento memorável, pelo menos nos concertos a que assistimos.

 

No Grande Auditório, ouvimos Horácio Ferreira, em clarinete, acompanhado por Dávid Bekker, ao piano, pelas quinze horas.

Mariam Batsashvilli, ao piano, pelas dezassete.

Pelas dezanove, Tamsin Waley-Cohen, em violino, acompanhada ao piano por James Baillieu.

 

Não teve oportunidade de assistir a nenhum dos concertos ou outras atividades realizadas hoje na Gulbenkian?! Nem sabe o que perdeu!

 

Nunca me lembro de ter visto a Fundação com tanta gente. Em concomitância, decorre a Exposição sobre Almada Negreiros.

De modo que nem lhe digo. Imensa gente por todo o lado, na parte de tarde. De manhã, não sei!

De tarde, além da Música e atividades correlativas, gratuitas, a entrada nos Museus também é grátis.

Filas na restauração, filas nas atividades musicais, filas nos museus e respetivas entradas.

 

Gostámos especialmente do clarinetista, Horácio Ferreira, para que remetemos o seguinte link no youtube.

(Para além da música, não quero deixar de relator a postura do executante. Praticamente ele dança com o clarinete, com ele mesmo e com a pauta. Um aparte a registar.

A executante ao piano, Mariam Batsashvilli, para além da sua maestria enquanto artista, também é muito característica na sua expressão corporal. E executa várias peças sem pauta. De memória, certamente!)

 

Se não teve ocasião para assistir, no programa distribuído, referem que a RTP – Antena 2 gravou os “Concertos Rising Stars”. Aproveite. Não perca!

 

(Com tanta gente, acabam por ocorrer sempre os momentos caricatos:

Os inefáveis e inseparáveis telemóveis e, hoje, domingo, as imprescindíveis crianças “obrigadas” a participarem nestes acontecimentos. Pois, a quem os deixar, se é fim de semana?!)

 

Antologia da APP – Associação Portuguesa de Poetas (VI)

“A Nossa Antologia”

XX Volume - 2016

(57 Autores)

Editor: Euedito

 

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nuvens. Foto original DAPL 2016jpg

 

Introdução:

 

Finalmente consigo organizar-me para dar continuidade à divulgação de Poesia da XX Antologia da APP – 2016. Agora um sexto grupo, neste post nº 490.

Este será o grupo dos eFes, em que também me incluo.

Seguem-se os Poemas de: Feliciana Garcia, Felismina Mealha, Fernando Corte Real, Fernando Sousa, Filipe Papança, Filomena Fonseca e Francisco Carita Mata.

 

*******

 

Flor. Foto original DAPLjpg

 

FELICIANA GARCIA

(Maria do Tempo)

 

“POEMA DEDICADO À MINHA FILHA (MÃE)”

 

“Aquele pedacinho lindo

Que um dia de mim nasceu,

É hoje, mulher e mãe.

E tem tal e qual como eu,

Dois pedacinhos também.

 

Abençoai-nos Senhor,

São pedacinhos de mim

Gerados pela linda flor,

Que nasceu no meu jardim.”

 

*******

 

papoilas. Foto original DAPL 2016 jpg

 

FELISMINA MEALHA

 

“PEQUENA ODE AO BERÇO”

 

“Abres-te a Sul como quem diz:

“Sejam Bem-vindos!”

E, desde o Moinho do Nica

Desces pressurosa até à quinta!

Aí, espraias-te, como um mar chão…

E abres a nossos olhos, as belas terras do Pão!

Ferragial da Volta

Cerca Grande

Cerca do Sr. Loução…e,

Ao fundo… a Corte com a charneca…

Os Barrancões, a Crimeia…

E caminhas abrasada, até ao Garvão!

Por esses caminhos, quantas estórias

Meu irmão?

A Funcheira, em cujo cais, tantas lágrimas,

Foram ali derramadas

Em cada separação!

A escola! A algazarra!

A brancura das batas

As canções de roda

As Amoreiras, o muro

As letras… o futuro!

O tempo escuro, muito escuro…

Mas, ao fundo, a luz da esperança!

A casa! Oh, a casa!

Lugar onde sempre encontrei

A força, a coragem, a preocupação, a luta!

A abordagem dos temas, os lemas…

O carinho, a alegria, a segurança!

A vida, ofereceu-me sem reservas

Uns olhos de ver contente,

A minha terra, a minha gente!

O meu chão seco, ou florido,

E as aves voando em bando

Acordando este meu grito!

Ia atrás delas, voando

Com minhas asas de sonhos

Cheia de sonhos…cantando!

Havia naquela casa

Dois pares de olhos tão belos

e dois corações tão perfeitos,

que me fizeram pensar

Que o mundo se multiplicava

em corações e olhares

Daquele jeito… perfeito!

Oh! Como eu guardo dessa casa

E desses corações, as asas

Com que voei tanta vez,

até cair e acordar desse sonho tão bonito…

Tão perfeito, que o bendigo,

por dele me recordar!

Terra! terra de cheiros agrestes

da esteva, do rosmaninho,

do alecrim, da arruda…

Terra muda, mas gritando

a fome desses teus filhos,

Que desde muito novinhos,

Saudosos… te iam deixando!...

Terra, que tanta luz me ofereces-te

Tanta beleza me deste

Tanto verde salpicado de amarelo,

Aonde esse Sol tão belo, se revia namorado!

Oh terra onde nasci!

Nunca me esqueço de ti,

O meu presente…é passado!

Cantar-te-ei minha terra

Ao Sol nascente de Julho

Ao Sol poente de Agosto

Ao Sol rubro de Setembro, prometendo…

Um amadurecer dos frutos

E de homens resolutos

Que vão nascendo e morrendo

Tanto vermelho papoila

Gritando na Planície,

E desenhando nos trigais

Verdes-rubros, por de mais…

Uma Bandeira de esperança!

Uma Bandeira, Saudade,

dos meus dias de criança!”

 

 

*******

 

concha. Foto original DAPL 2016 jpg

 

FERNANDO CORTE REAL

 

“CASCA DE NOZ”

 

“Eu…

 

Que me sinto às vezes uma casca de noz

E como um barco desço o rio das madrugadas

Que tenho no teu corpo a mais bonita foz

Sou um tonto à deriva nestas águas inspiradas.

Eu…

Que por vezes não entendo os teus sinais

Nem tenho na distância o sabor da felicidade

Que desejava ver no silêncio dos meus ais…

Só me afundo no perfume de uma saudade.

Eu…

Que nesta vida não sou mais nem menos

Nem quero a distinção de quem passa por mim

Que a diferença só traz sonhos obscenos

E todos vamos caminhando para o mesmo fim.

Eu…

Que ando nesta selva de gritos prepotentes

Em que as árvores morrem sem saber porquê

E não é o vento que nos mata as sementes

Mas o poder com o machado que ninguém vê.

Eu…

Que já estou cansado de não ter o sossego…

A Paz que desejava quando quero aqui escrever

Não as palavras a que o mundo tem apego

Mas tudo o que me impede de ser livre e o dizer.

Eu…

Que levantei o rosto para ver a desgraça

Daqueles a quem são negados direitos universais

Navego por este rio e digo a quem passa…

Eu sou poeta, às vezes casca de noz, e nada mais.”

 

 

*******

Rio. Foto original DAPL jpg

 

 

FERNANDO SOUSA

 

“DESPRENDIMENTO”

 

“Deixo nas águas deste rio,

Em que me apraz navegar.

Ansiedades que viveram comigo,

Que jamais poderei guardar!

 

Sigam livres nestas águas,

Tristezas que não posso conter.

Recordações de sofridas mágoas.

Ressentimentos do meu viver!

 

Acompanhem estes barcos rabelos,

Para destinos de outros marinheiros.

São passados, que não quero contê-los,

Mesmo sendo meus velhos companheiros!

 

Ide! Naufragai nas águas deste rio,

Encontramo-nos no fundo do mar.

Companheiros de tempo perdido!

Recordações que não quero guardar!...”

 

 

*******

 

raio de luz. Foto original DAPLjpg

 

FILIPE PAPANÇA

 

“DIVINA MISERICÓRDIA”

 

“ Na penumbra da escuridão acende-se

uma pequena Luz…

 

Ó bondade infinita…

 

Beatífica visão…

Absoluto perdão!

 

Eterna saudade!

Sonho de eternidade…”

 

*******

 

casa. Foto original DAPL jpg

 

FILOMENA FONSECA

 

“RECORDAÇÕES”

 

“De regresso à velha casa

as trepadeiras decoram o telhado

e as velhas figueiras

lembram vazios nunca preenchidos.

 

Com um olhar firme

varre toda a sala

tantas vezes limpa

com suor e lágrimas da mãe.

 

Foi há muito tempo…

 

Mas não há tempo

no coração

duma criança. ”

 

 

*******

 

FRANCISCO CARITA MATA

 

EI-LOS QUE VÃO…”

 

(Como este poema já figura no blogue, fará o favor de clicar no respetivo título, para aceder à correspondente leitura. Obrigado!)

 

 E, como hoje é um Dia especial:

 Uma Flor!

 "Tempo de Poesia"

A Poesia de Jorge de Sena

Poesia em Régio 

 

 

As Fotografias são todas originais de D.A.P.L. - 2016, tiradas em vários locais do País: Alentejo, Algarve, Grande Lisboa. Fazem parte de um acervo de que disponho e com que, habitualmente, ilustro os posts. De uma forma bastante livre, é certo. O que se verificará também neste, no respeitante aos vários Poemas. Me desculpem os Poetas e Poetisas! Mas lembremo-nos do conceito: "Liberdade Poética"!

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